quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Suavidade


Continuo sem me entusiasmar muito com a Taça da Liga. Poupem-me dos 'respeitos pela competição' dos 'temos de lutar para ganhar sempre', etc.. Não tenho paciência. Acho que deveria ser sempre assumido que isto é só para rodar o plantel. E é por isso que eu mais uns 10 mil doentes, de há uns anos a esta parte, vamos ao Dragão a meio da semana de uma noite fria de Janeiro. Eu quero ver como jogam o Aboubakar, o Ricardo, o Ivo e até o Adrian e o José Angel. Não vejo os treinos e gosto de saber com o que conto. Se entretanto der para chegar às meias finais, aí podemos repensar a estratégia de acordo com o estado das outras competições.

Deixando para trás este introito em que incorro anualmente, por esta altura, vamos ao jogo. Até estava a gostar da dinâmica. Começámos por chegar com facilidade e com alguma arte à área do adversário. Mas aí... Parecia que estávamos a tentar finalizar de pantufas. Tanta suavidade! Era cada toquezinho artístico! Parecia o concurso da para a obtenção da finalização mais pífia... Obviamente que ganhou Aboubakar, que foi o único que consegui marcar através de um remate a 0,1 km/hora... Mas Adrian e Quaresma também tentaram. Exageros à parte, foi um bocado irritante a forma displicente como fomos desperdiçando várias oportunidades. Jogámos com suavidade, finalizamos com suavidade e Casemiro também tocou a bola com bastante suvidade no último minuto...

Vamos ao que interessa, os jogadores. Lopetegui tentou 'temperar' a equipa com três jogadores que têm jogado mais, um por sector: Marcano, Casemiro e Quaresma. Ainda assim, compreende-se que nem tudo corra bem, tal como não correu na outra ocasião em que se fez disto: contra o Shacktar. Individualmente, gostei de Ricardo e Aboubakar. São dois jogadores que merecem jogar muito mais. Percebo que não joguem, pela qualidade superior de Danilo e Jackson, mas eles não desperdiçam uma única oportunidade. O rácio de golos por minuto de Aboubakar é impressionante! José Angel não me convence defensivamente, mas canaliza muito jogo ofensivo pelo seu corredor. Notaram-se as dificuldades perante Ukra. Evandro não joga mal, mas não me entusiasmou. Ainda assim, acho que também podia ter mais minutos, nomeadamente quando é preciso serenar o jogo. Fá-lo melhor que Herrera. Espero sempre mais de Quintero. Adrian é um caso patológico. Incrível o estado em que se pôs. Fez talvez a melhor jogada individual do jogo, terminando com um remate ao poste e fez mais duas ou três jogadas de qualidade. Mas o resto... É de uma falta de confiança incrível! Recomendo treinos de manhã e quatro horas de psicoterapia à tarde... Não gostei propriamente de Reyes, Quaresma e Casemiro. Mas não estiveram mal. Não gostei que se tivesse adiado a estreia de Ivo. Os minutos que tiveram Brahimi e Oliver não trouxeram nada e iriam ser inesquecíveis para o miúdo. O Lopes tinha que me dar alguma razão para o criticar... Típico!

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

2010.03.24. Rio Ave 1-3 F.C. Porto (Rúben Micael) ...

Sim... hoje jogamos... para abrir o apetite relembramos um golo na meia-final da Taça de Portugal de 2010 no Estádio dos Arcos, quando outros colombianos eram nomes sonantes no nosso plantel, lance que termina com a finalização de Rúben Micael...

sábado, 27 de dezembro de 2014

1991.03.16. FC Porto 4-1 V. Setúbal (Domingos)...

Ainda no rescaldo da visita do Vitória de Setúbal ao Dragão, recordamos um dos golos de Domingos contra a equipa que agora orienta... e neste jogo "molhou a sopa" por três ocasiões...

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Frio



Jogo frio dentro e fora de campo com um resultado que espelha moderadamente a diferença entre as equipas. Dirão que é exagerado, mas o Setúbal chegou na rematar à nossa baliza? Não me recordo. Dirão que podíamos jogar mais perante um adversário tão frágil mas, pelo menos, não foi a pobreza que se viu noutros campos e noutras TV's... Os tais da lição táctica no Dragão.

O jogo começou morno e só a cavalgada de Danilo, que resultou em penalti, ajudou a espevitar as bancadas. Com o golo, seguiram-se uns dez minutos de bom futebol com várias oportunidades e com o 2-0 alcançado com relativa facilidade. Depois veio um período cinzento com trapalhadas e os habituais passes para Fabiano. Deu para irritar as bancadas e também não ajudou a substituição de um ala por um médio, retirando ainda mais profundidade ao nosso jogo. Parecia que só conseguíamos atacar com os laterais... A entrada de Brahimi conjugada com o cansaço e a desorganização do adversário trouxeram a goleada já inesperada naquela altura.

Individualmente, tenho gostado consecutivamente de Oliver. Campaña não comprometeu na estreia mas terá que ser mais rápido a decidir se quer ser opção. Alex Sandro foi o MVP para os adeptos mas eu achei que fez demasiadas faltas. Também não apreciei muito a exibição de Tello. Tentava fazer sempre a mesma jogada. Corridas loucas sem sequer se desviar dos adversários. Fez-me lembrar o Iturbe...

É assustador que estejamos a tantos pontos de um líder com tão fraco futebol, mas resta-nos ir ganhando e esperar que nos caia do céu a recuperação e que não lhes caiam do céu as vitórias, como aconteceu ontem com o Gil Vicente.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

1992.10.21 Sion 2-2 FC Porto (Fernando Couto)...

Em fase de rescaldo do sorteio da Champions, fomos ao passado e relembramos o golo de Fernando Couto em 1992 na Suiça, empatando a partida contra o campeão suiço de então (Sion) e colocando o FCP numa excelente posição para o acesso à fase de grupos da Champions (na altura apenas dois grupos de quatro equipas)... fantástico o golo, mas também o momento em que Couto se arrepende de dar o "mortal" nos festejos...

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

O dia em que Vítor Pereira deu um brinquedo a Pep...

Como a cada resultado negativo do Porto especula-se sobre outros treinadores e porque parece que esta entrevista passou ao lado de muita gente, acho que vale perder 5 minutinhos :-)

R – Esteve recentemente uma semana em Munique a acompanhar de perto o trabalho do Bayern. Com que ideia ficou?


VP – Com a ideia de que o Guardiola é um treinador que nunca está satisfeito com aquilo que faz. E eu identifico-me um bocadinho com essa forma de pensar. A única coisa que interessa é fazer o que ainda não está feito. É como se eu quisesse ver o jogo que nunca vi jogar. É ter a necessidade de, mesmo ganhando, chegar ao fim e pensar: “Não era isto que eu queria. Era muito mais.”


R – Ganhar já não chega?


VP – Não, não chega. Descobrir coisas novas é o que mais sentido faz para um treinador. Ainda agora em Munique almoçámos juntos, a convite dele, no Hotel Kempinski. Bom, às tantas, começámos a falar da nossa profissão e aquela mesa, entre copos e talheres, parecia um campo de futebol! (risos) Ele já misturava o espanhol com o catalão, e tive de lhe dizer: “Calma, mais devagar, que assim eu não consigo acompanhar… (risos, de novo) A capacidade de raciocínio dele é uma coisa impressionante. Pensa muito à frente. O Bayern joga um futebol fantástico e não é só pela capacidade dos jogadores, é também pelos princípios de jogo. E aquilo parece fácil, não é? Ponham lá outras equipas a fazer o mesmo…


R – O Neuer a líbero e o Lahm a jogar no meio eram coisas difíceis de imaginar.


VP – Pois eram. Mas não para ele. O Lahm sempre como linha de passe, fantástico! O Pep é muito engraçado durante os treinos. Está sempre a criar qualquer coisa. Às vezes chama miúdos da formação. Quatro ou cinco de uma vez. E tem uma preocupação permanente, mesmo com miúdos franzinos, que jogam ali no meio. No final do treino vinha ter comigo e falar sobre esses miúdos. E dizia: “Viste o talento? Viste a qualidade do miúdo?” Sempre, sempre à procura do talento, de um pormenor que pode vir a fazer a diferença..

R – Conseguiu perceber onde é que o Bayern falhou naquela meia-final da Champions com o Real Madrid, na época passada?


VP – Por acaso discutimos isso. E eu disse-lhe exatamente aquilo que penso: “Pep, em determinados jogos continuas a expor a tua linha defensiva no momento da transição.”


R – Ele concordou?


VP – Continuei a dizer-lhe. “Pep, está a acontecer-te isto, isto e isto. Esta é a minha opinião. Se quiseres, reflete”. Ele concordou e respondeu-me: “Tens razão. Já percebi isso. Mas ando à procura de um exercício que me permita resolver o problema”. Eu disse-lhe: “Vou dar-te uma sugestão. Se aceitares, aqui está. É assim”. E dei-lhe um exercício, explicando-lhe que já tinha sentido aquele mesmo problema em equipas minhas e que tinha resolvido daquela forma. “Resulta de certeza absoluta”, expliquei-lhe. “Nunca tinha pensado nisso”, diz-me o Pep.


R – Até que…


VP – No dia seguinte chego ao treino e vem o Manuel Estiarte, adjunto dele, ter comigo: “Vítor, o que deste ao homem? O que deste ao Pep? Passou toda a tarde fechado no gabinete, parecia que lhe tinham dado um brinquedo…” De seguida aparece ele e diz-me: “Vítor, Vítor, vais ver o treino? Hoje vou começar a fazer o que me disseste”. Mas como é um génio, que nunca está satisfeito, foi ainda mais longe: “Se calhar, pegando na tua ideia, ainda dá para colocar isto aqui e aquilo ali”. Ou seja, acabou por adaptar a ideia à forma de jogar da equipa dele. Tem uma capacidade fora do comum.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Realismo


«Estou convencido que o FCPorto será campeão». Pois eu estava convencido que já tinha visto o episódio ridículo do fim-de-semana naquele desempenho defensivo da equipa no lançamento lateral que acabou por decidir o jogo. Mas depois ouvi isto na rádio... Eu também não fiquei convencido que o nosso adversário seja melhor que este FCPorto, mas daí até chegar à conclusão de Lopetegui... 

Vamos ao jogo. É fácil dizer que fizemos tudo mal. Perdemos 0-2 com o nosso maior adversário. Mas a clareza do resultado não é suficiente para que possa partir para uma 'caça às bruxas'. Tenho muito a criticar no FCPorto de Lopetegui e tenho o feito constantemente. Custa-me identificar erros dele que tenham sido determinantes neste resultado. Que culpa tem ele naquela abordagem ao lance do primeiro golo? Não criámos oportunidades suficientes para ganhar o jogo? Contei seis ou sete claras o que nem é mau num jogo destes. Contem quantas tivemos no jogo do minuto 92. Permitimos oportunidades ao adversário? Duas meias oportunidades, as que entraram. Ora, por muito que me doa, não me custa reconhecer que é dificil ganhar perante tamanha diferença de eficácia. A táctica não pode resistir perante um adversário que transforma duas meias oportunidades em golos e perante falhanços como os de Jackson e de Herrera. 

O problema tem de ser posto noutros termos. Na minha opinião são erros conceptuais do FCPorto de Lopetegui. Pergunto-me se não teremos assistido a um confronto entre a lógica do individual e a do colectivo. Foi a vitória do realismo. De um lado tivemos uma equipa que aguardou compacta pelas suas oportunidades. Já Lopetegui vive obececado com a criação de duelos individuais nomeadamente nas alas. Para que isso aconteça está disposto a tudo, até a sacrificar todo o centro do terreno. Em jogos em que a inspiração individual nas alas não chegue, teremos sempre problemas. Eu perguntarei até se não será fácil traçar um plano defensivo para defender este FCPorto. Parece-me que sim. Óbvio que não há plano que resista ao talento individual.  Tello ganhou dois lances individuais, Quaresma outros dois, mas Brahimi ganhou zero... E por isso é que tivemos mais oportunidades, mas tenho receio que perante um adversário organizado, e se tivermos Jogadores desinspirados como Brahimi, voltemos a ter este problema. E vamos chamar-lhe sempre ineficácia. Eu chamo-lhe falta de diversidade de jogo. Um esquema que tenta promover a fantasia das alas mas que castra o aproveitamento do miolo. Acresce que o problema também é defensivo. Como podemos pedir intensidade na perda de bola se a equipa joga demasiado espalhada no campo?

Individualmente,  gostei de Alex Sandro e de Oliver. Num segundo plano gostei de Casemiro apesar de não ter tido uma exibição sem erros. Pela negativa todos os que ficaram a filmar o lance naquele primeiro golo. Desde Fabiano, passando por Marcano e acabando no mais culpado, Danilo. Não consigo perceber esta quebra de forma de Brahimi e menos ainda que tenha terminado o jogo. Quaresma entrou bem e merece o lugar. Tello também apareceu pouco e Quintero não ajudou muito.

Resta-nos correr atrás. Não está fácil.

Adenda:

Reparem nas estatísticas das faltas?




sábado, 13 de dezembro de 2014

1998.11.21. FC Porto 3-1 Benfica (Jardel)...

Porque o clássico está aí à porta, relembramos um dos muitos golos de Jardigol... este na caminhada para o Penta do Engenheiro Fernando Santos...

Fonte: Filhos do Dragão (https://www.youtube.com/user/art0of0love)


quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Àbombakar *



E com um petardo do meio da rua, o camaronês juntou dinheiro para receber meia dúzia de ordenados!

Lopetegui aceitou a sugestão de Prata para o 11 inicial.Compreende-se. Mas é dos jogos mais ingratos para quem tem oportunidade de se mostrar. Uma coisa é ter oportunidade quando existem duas ou três alterações, outra é ter oportunidade quando toda a equipa é diferente e os melhores não são opção.

Ricardo fugiu à letargia generalizada com dois pormenores deliciosos sobre Bernard e com a entrega habitual durante toda a partida. O outro que talvez tenha aproveitado a oportunidade foi Evandro com um ou outro bom pormenor apesar do falhanço naquele cabeceamento na segunda parte... Mas lá está, na maior parte das vezes inconsequentes pela falta de rotinas na equipa.

Vincent merece o destaque, claro, pelo golo mas foi presa fácil durante toda a partida. Surpreendeu mais nas combinações com os colegas do que na capacidade em segurar a bola, algo que tem de melhorar se quisermos continuar a ter um jogo envolvente com o ponta-de-lança.

A entrada de Oliver também mexeu com o jogo. Deu andamento, tem uma mobilidade incrível e acelerou o jogo da equipa. Rotação completamente diferente.

Destaque negativo para a lesão de Rúben Neves embora já se fale 'apenas' em entorse com possível lesão ligamentar... Aproveitar a pausa natalícia para fazer tratamento conservador sem ir à faca e daqui a mês e meio está a jogar...

O jogo foi tão tranquilo que até deu para o Indi, na altura da substituição pelo Rúben Neves, ter entrado em frente do banco do Porto em vez de ser no meio-campo e do juíz auxiliar ter assinalado fora-de-jogo ao avançado ucraniano (ou brasileiro) após passe de... Quaresma!

Tenham medo... eu quero ir ver o Porto na 1ª mão dos oitavos! E que bonito seria revisitar Gelsenkirchen :-)

* Obrigado Prata pelo título do post

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Em ritmo de cruzeiro


Vi o jogo em condições fracas. Pixelizado e ao ritmo das interrupções do streaming. Mesmo assim, não foi difícil perceber o que se passou em Coimbra. Melhor que isso, podemos perceber que as exibições vão sendo mais seguras à medida que vamos estabilizando o meio-campo. Estamos a atingir a velocidade de cruzeiro e é bom que tal aconteça às portas de um dos jogos que definirá a época. Tal como no ano passado, será um jogo com o nosso maior rival que definirá se vamos passar o resto da época a tentar alcançar ou a tentar não ser alcançado. Falhámos claramente no ano passado mas, este ano, parece que chegamos em melhores condições ao clássico.

Tal como tinha acontecido no jogo com o Rio Ave, entrámos fortes e com vontade de resolver cedo. Desta vez marcámos logo às primeiras tentativas e tudo se resolveu. O adversário parecia não ter plano B e o plano A foi uma fraca tentativa de um 'autocarro'. Tudo demasiado fácil. Ao contrário do que aconteceu na jornada passado o resultado foi curto.

E conseguimo-lo apesar de não termos podido contar novamente com um dos nossos maiores desequilibradores, Brahimi. É um jogador segue em sentido inverso da equipa. Não deixa de ser estranho. Vá lá que, do outro lado, Tello está melhor apesar de ter feito duas assistências de morte: uma a isolar Herrera e, antes, uma a isolar um jogador da Académica, na única oportunidade que tiveram. O MVP é Jackson. Dois golos em três. Eficácia é o que se lhe pede e ele tem cumprido a preceito. Cedo perdemos Danilo para o jogo mas, do lado oposto, Alex Sandro vem crescendo de jogo para jogo. Nota alta também para Oliver e para o Ruben que, facilmente faz esquecer Casemiro. São Abordagens diferentes à posição mas temos duas alternativas de qualidade perante essa enorme perda que foi a saída de Fernando. Pela negativa, perante o desenrolar do jogo, esperava mais dos jogadores que entraram. Sobretudo de Quintero.
Amanhã espero um FCPorto em poupanças mas com qualidade e serenidade suficiente para garantir  uma pontuação histórica na fase de Grupos da Champions. Um resultado capaz de motivar os jogadores menos utilizados. Pressão a rondar o zero, numa grande montra. Até poderei apostar num onze: Andres Fernandez; Ricardo, Maicon, Marcano e Alex Sandro (com Martins Indi a entrar ao intervalo); Ruben Neves, Evandro e Quintero; Adrian, Quaresma e Aboubakar. Muitas mudanças, com riscos mínimos na perspectiva do jogo de Domingo.
Na quarta-feira, a pedido de duas ou três famílias, Pispis devera regressar às crónicas.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

2005.09.10. FC Porto 3-0 Rio Ave (Quaresma)...

Ainda na senda de recordar jogos e grandes golos contra a equipa de Vila de Conde, recuamos ao ano de 2005, em que a coisa estava a dar para o torto e Ricardo Quaresma, o último a sair do banco (aos 78 minutos), fez isto... o jogo terminou 3-0 com golos nos descontos de Alan e Hugo Almeida...

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Exageros


Quem viu o jogo sabe que o resultado é exagerado, mas o maior exagero foi aquele golo de Danilo no final! Aos 93 minutos ganha na raça e em antecipação, encara a defesa contrária e consegue ter força para enviar aquela bomba. Sublime! À medida que o tempo passa, Danilo vai ficando cada vez mais barato. Desejo que aconteça o mesmo com Adrian Lopez...

Entrámos bem no jogo e aos 5 minutos já podíamos ter marcado por várias vezes. Até aos 25 minutos a intensidade foi baixando, mas o bom jogo colectivo mantinha-se. Pena foi que, a partir daí, a equipa tenha entrado no perigoso esquema do 'deixa andar' e do 'isto há de se resolver'. Na última jogada da primeira parte, o Rio Ave fez o primeiro aviso. E nem o golo madrugador de Tello na segunda parte inverteu esta tendência de adormecimento. Só que nesta altura o Rio Ave passou a ser mais perigoso do que havia sido na primeira parte. Deu-me a ideia de que a nossa pressão era descoordenada e de que os avançados corriam muito, mas incomodavam pouco a construção do adversário. Se não pressionamos em equipa temos problemas. O Lopes viu bem o problema e tratou de reforçar o miolo. Ganhou o jogo e partiu para a goleada. Um passo atrás para dar quatro à frente! Grandes golos no Dragão!

Individualmente, MVP óbvio para Danilo. Já aqui temos dito que tem sido o nosso melhor jogador esta época. O mais constante na qualidade das suas exibições. O golaço de ontem foi a cereja para colocar no topo do bolo. Mas ainda cabem lá mais cerejas... Tello fez um bom jogo. Dá a ideia que o melhor Tello é melhor que o melhor Quaresma. E isso começa a notar-se, finalmente... Também apreciei a exibição de Oliver. Herrera foi caindo acusando cansaço e Jackson estava a insistir nas trapalhadas até ao momento em que marcou o seu golo. O passe de Quintero para o quarto golo é um hino ao futebol. Pela negativa, Brahimi e Marcano. Brahimi porque nos habituou a muito mais. Jogo cinzento. Marcano porque não me convence. Eu sei que Maicon também andava a errar consecutivamente. Mas não me parece que Marcano tenha qualidade suficiente para nos obrigar a tirar Martins Indi do seu lugar natural.  Vale a pena mudar todo o eixo da defesa para jogar Marcano? Eu acho que não. Erra tanto como Maicon e obriga a alterações desnecessárias.

Parece que agora estamos focados no campeonato. É bom que continue assim, porque o adversário directo já se livrou das 'distrações europeias'...

sábado, 29 de novembro de 2014

1998.08.22. FC Porto 4-0 Rio Ave (Capucho) ...

Em fim de semana de receção ao Rio Ave, recordamos um dos momentos sublimes de Capucho nos seus famosos chapéus... trata-de da primeira jornada do ano do Penta, com o Engenheiro Fernando Santos no comando e o tal jogo em que Jorge Mendes levou Deco, pela primeira vez ao Dragão... P.S. Um agradecimento ao Paulo Bizarro e aos Filhos do Dragão pela fantástica videoteca do FC Porto disponibilizada no youtube...

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

1996.09.11. AC Milan 2-3 FC Porto (Jardel)...

Estamos bem próximos de igualar a melhor campanha na fase de grupos da Champions do FCP... o recorde pertence ao mister António Oliveira e à equipa de 1996/97 que em 6 jogos apenas empatou uma, vencendo as restantes partidas... relembramos um dos golos míticos dessa campanha da autoria de Jardel numa estrondosa reviravolta em San Siro...

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Em Diferido


Num exercício de auto-controlo, consegui alhear-me do facto de o FCPorto estar a jogar e vi o jogo em diferido à hora normal da Champions. Não vi sms's, nem ouvi Radio, nem liguei a TV. Visto o jogo, eu diria que o FCPorto esperou pelos adeptos que saíam do trabalho às 18h...

É fácil resumir o jogo. Primeira parte fraca em futebol e forte em capacidade de luta e de gestão dos ímpetos, os próprios e os do adversário. À medida que íamos convencendo o BATE de que iriam esperar em vão pelo nosso erro, fomos crescendo no jogo e o resultado resolveu-se naturalmente e sem grande esforço. O FCPorto fez o que lhe competia: dominou o grupo com autoridade. Dirão que tivemos sorte no sorteio, mas lembro-me facilmente do grupo do ano passado e do de há três atrás, quando passou o esse colosso que era o APOEL... E ainda há quem se lembre do que significa a palavra Artmedia. Favoritismos confirmam-se! Nesta competição, a equipa está a render bem acima das expectativas e há que transferir este ímpeto para as restantes competições.

O jogo foi seguro porque tivemos um meio-campo à altura de comandar as operações. O mesmo que tivemos em Bilbau e o que tanta falta nos fez na Amoreira. Ainda aguardo que o Lopes se convença que este meio campo é imprescindível em todos os jogos fora de casa e em casa, perante adversários de maior dificuldade. Com segurança e sem experimentalismos e 'chico espertices' tácticas.

Individualmente os meus destaques são os três do meio-campo. O MVP vai para Herrera pela participação directa nos 3 golos. Chega a falhar passes de dois metros, mas também é capaz de maravilhas como aquele passe para Brahimi no início da jogada do segundo golo. Mas antes dos golos houve luta e Casemiro a reinar no meio da pancadaria. Grande exibição. Oliver é a peça que equilibra todo o esquema. Ainda faltam uns meses largos para se ir embora e eu já tenho saudades... Na frente apenas se destacou Jackson. Muito trabalho e golo na única oportunidade que teve. Perfeito. Na defesa gostei de Martins Indi. Pela negativa apenas diria que esperava mais de Brahimi e Quaresma, mas não lhes daria nota negativa. Destaque para o Tello que finalmente descobriu o caminho da baliza. Já vem tarde. Para mim, em condições normais, Tello seria titularíssimo nesta equipa, mas tarda em prová-lo...

O ridículo intervalo competitivo não parece ter afectado a equipa. Mas afectou-me a mim que estava farto de esperar...

domingo, 9 de novembro de 2014

Estica!


Começo com um conselho para Lopetegui: Quanto mais partir os jogos maior será a probabilidade de um adversário inferior discutir o jogo. Seria necessário dar conselhos, nesta altura do campeonato? Seria necessário mudar o esquema depois do brilharete em Bilbau? Seria necessário poupar jogadores quando o próximo jogo é daqui a 17 dias? Para não ser chato, deixo uma última pergunta, até quando vamos ter de aturar isto Lopes?

Estou demasiado incomodado para fazer uma crónica em condições. Lopes partiu o jogo e decidiu não o controlar. «Estica lá para a frente para ver como é que isto corre!» Começou por correr bem para, logo a seguir, correr mal. Voltou a correr bem sem que a bola entrasse. Fabiano resolveu pôr as coisas a correr ainda pior. No final um golpe de sorte e de talento. Podia ter sido pior, podia ter sido melhor, enfim... Não há pachorra para tanto talento desperdiçado. Pôr a bola a sobrevoar o meio campo, com o talento que temos é um atentado ao futebol. Esticar jogo é solução para equipas de tostões. Quem analisou as contas da temporada passada sabe que não é o nosso caso... 

O treinador também não deve ter sido barato. Pergunto-me se se pretendia um futebol sem meio-campo, quando se vai buscar um treinador da escola espanhola? Será que acertamos num espanhol que aprecia mais a escola inglesa dos anos oitenta? Gato por lebre? Hoje deu-me para as perguntas... Irritante, eu sei.

Individualmente, gostei do arranque de jogo de Brahimi, do arranque de segunda parte de Herrera e de pouco mais. Adrian é um caso patológico de inadaptação. Nenhum esquema favorece o menino. Fabiano teve um erro individual grave que quase nos custou a invencibilidade. Irónico que o segundo golo do Estoril tenha sido construído por dois dos melhores jogadores das duas últimas temporadas do FCPorto B...

E voltámos a ficar sem futebol. Começam a ser irritantes estas paragens...

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

1987.10.21 - Real Madrid 2-1 FC Porto (Madjer)...

Numa semana em que outro argelino brilhou por terras espanholas, relembramos um golo de Madjer, também na então Taça dos Campeões Europeus, que nos colocou a vencer contra o Real Madrid... o resultado final não foi do nosso agrado, mas ficou este momento...

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Irrepreensível


Talvez a melhor exibição da época. Com o BATE foi um festival, mas hoje as condições eram bem mais difíceis. Basta ver que, há dias e neste estádio, o Sevilha perdeu a oportunidade de se isolar na liderança do campeonato espanhol. E o relvado estava muito complicado, o Bilbau precisava de pontuar para se manter na prova e o estádio, em si, mete medo às equipas menos preparadas. Pois não foi o caso. Demonstrámos que estávamos preparados e estivemos à altura do desafio. Basta ver que, em todo o jogo, permitimos apenas uma oportunidade de golo num lance de bola parada em que o adversário cabeceia de costas, marcadíssimo pelos nossos defesas. É de facto uma exibição autoritária na melhor competição do mundo. Diz muito sobre o que este FCPorto pode fazer em jogos de exigência máxima. É até caricato pensar que controlámos melhor este jogo que os quatro últimos em nossa casa. A troca de Quintero por Oliver não pode explicar tudo. A Champions traz motivação extra, mas convém apresentar um rendimento mais constante em competições internas. Resumindo, atingimos um dos objectivos da época no mínimo de jogos possível. Até agora, competição irrepreensível!

Finalmente um jogo descansado! Segurança defensiva, meio campo coeso, sereno e agressivo na reacção à perda e Jackson e Brahimi a espalharem o terror nos defesas contrários. Faltou talvez um Tello mais inspirado para ser perfeito. É de destacar adicionalmente que o único erro grave que cometemos foi o penalti falhado pelo Jackson. Nada de trapalhadas defensivas. Acima de tudo, autoridade no jogo e uma posse de bola mais segura e apoiada. Um meio-campo de combate como suporte aos 3 artistas na frente. Sobretudo Brahimi que, inspirado, até pode ter uma equipa inteira a trabalhar para ele. Ele sozinho trata de ocupar todos os defesas contrários. Destaco sobretudo o espírito combativo de todos os jogadores. Que continue.

Individualmente, o MVP é Brahimi. Óbvio. Dois golos praticamente seus a que poderemos acrescentar todo o pânico que foi espalhando. Depois Casemiro e Oliver. O primeiro, tanto parece que evolui como, de repente, regride na sua adaptação a 6. Ontem pareceu perfeitamente adaptado. Oliver é um maratonista que ainda consegue ser agressivo com os adversários e carinhoso com a redonda. Talento raro que, quando se aproxima da zona de Brahimi, é só ver os defesas a 'cheirar' a bola. Jackson esteve bem em tudo menos no que se exige dele: golos. Vá lá que Brahimi ajudou, porque a noite estava a ser desastrosa em termos de finalização. Por tudo o resto, é impossível dar uma nota fraca a este jogador. O mesmo se poderá dizer do Danilo versão 2014/15. Sempre em alta rotação. Pela negativa, Tello. Não fez nada de especial e o Lopes fez bem em tirá-lo. Pena que Quaresma também não tenha trazido nada de muito relevante. Por falar no Lopes, consegui no último post adivinhar o onze que ia jogar. Não que eu seja sobredotado, apenas registo que me parece que jogaram os melhores, sem fugir do nos esquema habitual. Sem invenções, sem o seu habitual 'overthinking'. Apenas os melhores dos disponíveis.

O próximo jogo também é a doer. Espero um empenho semelhante na montra da 'Linha'...

domingo, 2 de novembro de 2014

O momento



Nem sei onde ouvi, nem quem foram os autores, mas tenho ouvido muito esta teoria de que o futebol é o momento. Querem com isto dizer que é facil passar de bestial a besta, sobretudo os treinadores. Neste caso, prefiro ir pelo sentido mais literal. De facto, futebol é aquele momento em que Brahimi nos tirou mais uma vez das cadeiras! Sublime! Será sacrilégio dizer que Brahimi é um Madjer 2.0? Eu arrisco!

Já falamos do mais importante. Vamos ao jogo. Lopetegui tentou refrescar a equipa, tacticamente e fisicamente, com a saída de Herrera por Oliver. Já se tinha ensaiado este esquema com o Moreirense, na altura com Brahimi no lugar de Quintero. Não direi que é uma solução a esquecer. Direi que tem que ser repensada e retocada. Tivemos uns primeiros minutos interessantes e chegámos ao golo cedo e com naturalidade. Depois veio a reacção do adversário e, tal como seria de esperar o jogo partiu-se um pouco. Oliver corria muito e nem sempre bem, Casemiro ia apagando fogos e Quintero nem entra nestas discusões sobre posicionamentos e dinâmicas. Para ele, futebol é bola no pé. No dele e no dos avançados que ele tenta isolar. Logo aqui, percebemos que tínhamos um meio-campo a funcionar a ritmos diferentes. E o miolo é o coração do jogo. Logo, ficámos entregues às individualidades, às correrias em transições e às oportunidades de golo nas duas balizas. O Nacional teve menos, mas também as teve. Tal como o Braga, o Bilbau, os vasquinhos, quase todos os que visitaram o Dragão. Bastou um período menos inspirado de Quaresma e Brahimi para o Dragão temer problemas. Só haverá uma maneira de termos jogos descansados no Dragão. Eficácia nos primeiros minutos! Golos! Não podemos estar à espera de um milagre técnico que nos faça gerir melhor a posse, os ritmos, etc. Lopetegui não quer. Gosta deste futebol vertiginoso. Adivinham-se calafrios, mas também se adivinham Bate's Borisov's...

Individualmente, destaco Brahimi como MVP. Uns segundinhos de jogo, bastaram para tal façanha. Isto apesar das trapalhadas e dos individualismos excessivos que lhe vamos notando a espaços. O resto, vai compensando.., Danilo foi mais constante na qualidade. Talvez o melhor Dragão neste inicio de época. Já merecia o golo. Também gostei do espírito combativo de Casemiro. Bate muito e bate quase sempre bem. Também é dos únicos que bate... Falta alguma agressividade na equipa e Herrera ajuda mais. Pela negativa, Quintero que não conseguiu espalhar a magia que esperávamos dele. O Lopes mexeu bem, com a entrada de Herrera. Segurou a vitória.

Em Bilbau, a oportunidade atingir já um dos objectivos da época. Acredito que Tello e Herrera deverão regressar no lugar de Quaresma e de Quintero.

domingo, 26 de outubro de 2014

Passeio


Não era fácil de prever, mas o jogo foi fácil. Nem defendemos propriamente bem, mas o pânico constante que fomos espalhando na defesa do Arouca chegou para nos poupar dos habituais calafrios e trapalhadas defensivas. Tanto talento naquela frente de ataque deixa-nos a sensação que estes jogos serão para repetir. Mas não poderemos analisar o jogo e o bom desempenho da equipa sem falar da  rotatividade. Rodou um jogador e a equipa reagiu à altura. Esperemos que o Lopes tome nota do facto. 

Vamos ao jogo. Entrámos bem e chegamos ao golo tarde para o jogo que estávamos a fazer. Isto por entre duas ou três trapalhadas de Marcano. A bola estava a entrar facilmente em Quintero e isso bastou para que as jogadas de perigo se sucedessem. Mas isso constitui uma alteração no nosso jogo habitual. Parecia que estávamos a insistir muito no jogo pelas alas e, com isso, tornámo-nos algo previsíveis. A entrada de Quintero para o meio veio mudar isso. Na cabeça da área é capaz de rematar, de driblar e de assistir em curtos espaços de terreno. Se o deixam receber ali a bola... O jogo pareceu fácil porque temos a sensação que não foi precisa uma exibição grandiosa para conseguir uma goleada fora de casa. 

Individualmente, estivemos bem do meio campo para a frente. Destacaria Jackson pelos golos e pelo trabalho, mas Quintero também esteve muito bem. Tello e Brahimi tiveram boas jogadas mas não foram tão constantes na exibição. Destaque adicional para Fabiano que deu segurança quando era precisa. Pela negativa, a única surpresa no onze. Marcano fez uma má primeira parte. Melhorou na segunda. Destacaria por último a queda do mito de que Quaresma não rende a partir do banco. Com a Selecção e com o jogo da Champions são já duas assistências e um golo em pouco mais de 50 minutos de utilização. 

A seguir ao próximo jogo temos Champions. Ficarei inquieto até perceber quais serão os 6 jogadores que se vai rodar nesse jogo...

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Reagindo


Vitória muito importante! E é importante sob três perspectivas: 'resultadista', técnica e psicológica.

Do ponto de vista do resultado estabelecemos um fosso em relação ao adversário de ontem, que nos permitirá gerir os próximos três jogos com outra confiança. Sete pontos em três jogos, tendo já jogado em casa do principal adversário, roça a perfeição.

Depois havia Lopetegui. O que é que o tipo iria inventar depois da Taça? Dizia 'O Jogo' e o próprio, na conferência de imprensa de lançamento, que tudo permaneceria igual. Nem tudo... Na minha opinião jogou um dos melhores onzes possíveis, ou próximo disso. Talvez pudesse encontrar lugar para Oliver e Rúben na equipa ou até para Quaresma,  mas o onze satisfez. Logo à partida, o receio das invenções atenuou um pouco. O esquema também não desiludiu. Entrámos bem no jogo e a primeira parte é bem agradável. Conseguimos fomentar a criatividade de Quintero e simultâneamente promover a velocidade de Danilo e Tello. Voltamos a ter alguma dificuldade nas decisões. Tello, Brahimi e Quintero demoram eternidades a rematar e os lances foram-se perdendo por falta de objectividade. Mas o futebol estava lá e acabou por compensar mesmo no final, com o golo do 'patinho feio'. O problema é que o arranque da segunda parte foi pior. As alterações  no Bilbau foram cirúrgicas e expuseram as nossas limitações num meio-campo que tem Quintero. Já vimos que não podemos ter tudo. Ou temos os passes para golo ou temos a segurança defensiva no miolo. Ainda por cima, Tello e Brahimi não têm a capacidade de nestas alturas ajudarem Jackson na pressão à saída do adversário e foi muito vulgar ver os médios criativos adversários a receber entre linhas, de frente para a baliza. O jogo ficou partido e o golo surgiu em mais uma perda de bola mas, neste caso, poderia ter acontecido de outra forma, tal era a nossa incapacidade de controlar a reacção do adversário. Lopetegui reagiu tarde mas bem, apesar da indignação do Dragão. Depois de controlar o jogo tentou ganhá-lo com Quaresma e conseguiu. Outra solução possível poderia ser a entrada de Oliver por Quintero. Poupava nos assobios e acredito que o efeito seria semelhante. Mas acho que o Lopes esteve bem. Apenas lhe posso apontar que o Rúben poderia ter entrado 5 minutos mais cedo.

Por último, o efeito psicológico. Perante a contrariedade fica a reacção e isso traz motivação. Não era fácil reagir perante aquele coro de assobios, perante mais um golo oferecido e perante o resultado de Sábado. Reagimos na entrada em jogo e reagimos perante o empate. Veremos os efeitos já no fim de semana. Mas este efeito só poderá ser aproveitado numa lógica de estabilidade nas escolhas. Aguardemos...

Individualmente gostaria de destacar Tello e Alex Sandro. Tello foi o avançado mais perigoso e apenas peca na decisão. Parece que só remata com o pé esquerdo. Talvez a confiança que vai acumulando mude isso. Alex Sandro esteve bem. Defendeu como sabe e apenas cometeu um erro que foi um falta estapafúrdia na cabeça da área, perto do final. Poderia ter sido grave porque foi perigoso... Fica o registo do seu regresso às boas exibições e o facto de continuar a equilibrar a equipa com as subidas constantes de Danilo que, do outro lado, continua a ser dos jogadores em melhor plano. Jackson dificilmente joga mal e Herrera esteve bem, mas manchou a exibição com o mau passe para Casemiro e com o desnorte no início da segunda parte. Casemiro também piorou bastante na segunda parte. Pela negativa, Maicon. Tem de pôr os olhos no seu colega de sector. Indi está longe de ser um fora-de-serie, mas parece viver bem com as suas limitações. Conhece-as e adapta-se ora com agressividade, ora com sentido prático. Maicon, que poderia ser bem melhor, não consegue ser. Vejam a cobertura ridícula que faz no lance do golo. Antes disso um lance em que ganha a frente e consegue ser ultrapassado na mesma, sem usar o corpo nem a vantagem que tinha. Erros demasiado primário para um jogador com tantos anos de casa. Não gostei também de Fabiano. Foram vários os lances de aflição em cruzamentos. 

Referência para os adeptos do Bilbau. Por muito que tenha corrido relativamente bem e de os tipos que estavam à minha volta serem simpáticos, há que repensar se o dinheiro da bilheteira poderá ser trocado pela segurança dos adeptos portistas e dos do Bilbau. Estavam todos espalhados pelo estádio e até dava a ideia que encheriam uma bancada inteira se estivessem todos concentrados no mesmo sitio. Agora expliquem-me como é que iriam controlar aquilo se houvesse algum problema? Ainda por cima, aquela cor não combina nada bem com o estádio...

Para terminar um episódio no Dragão. Não me consigo habituar à malta que me rodeia no meu sector na bancada central do Dragão. Chega a parecer que é um portismo que oscila entre o aburguesado e a crítica pelo mero sabor da crítica. Não gosto, mas vou comendo calado... Ontem,  sentia-se a instabilidade crescente da equipa na segunda parte. O público foi ajudando com o seu incentivo em forma de assobio a cada passe em direção a Fabiano. Mas, inversamente, também assobiavam se os defesas jogavam longo e não acertavam na zona de nenhum avançado. Especialistas... Mas o melhor veio quando o Lopes lança Ruben e tira Quintero. O homem já mancava e, assim que saiu, teve de 'ligar' a perna para conter as dores. Além disso, o jogo estava completamente descontrolado mas, mesmo assim, queremos avançados! Queremos Quaresma! Queremos um esquema de 2-2-6! Vamos à vitória Porto! É nestas alturas que eu até aprecio treinadores com o feitio de Lopetegui. Estava-se a marimbar para os assobios e fez o que tinha de fazer. Mas podia ter-se defendido mais ao meter Oliver, mas ele não quer saber. Mas o episódio que queria contar era outro. Perante a assobiadela geral houve três adolescentes que se levantaram à minha frente e, com aquele tom de voz, normal nestas idades e que oscila entre o esganiçado e o quase grosso, gritaram «Portistas de Merda!», para admiração geral. E continuaram virados para trás revoltados com as reacções de gozo e de paternalismo. O portismo destes miúdos é ceguinho e provavelmente acrítico. Mas, sinceramente, eu prefiro um portista que acredita sem saber porquê, do que um portista que critica sem saber porquê...


segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Critério editorial


Sempre me habituei ao facto de haver um jornal bem informado sobre os assuntos do nosso clube. Dá sempre a ideia que as correntes de pensamento na liderança do FCPorto e o critério editorial do jornal seguem em paralelo, tal como acontece em todos os jornais desportivos que conheço. Sabendo que Lopetegui é uma aposta clara de toda a estrutura directiva, estranho muito a capa de hoje. Sabemos que os portistas estão irritados com as 'invenções de Lopetegui'. Poucos são os que pedem a cabeça do treinador, mas a grande maioria pede que repense a sua abordagem aos jogos. Pois 'O Jogo' anuncia a teimosia do treinador perante essa exigência dos adeptos. Será que as linhas não irão seguir paralelas? Será que a notícia foi plantada por alguém da estrutura portista para exponenciar ainda mais o clima à volta de um treinador que está a desperdiçar condições ímpares, quando comparado com os seus antecessores? Estranho... Muito estranho...

domingo, 19 de outubro de 2014

Futebol Aleatório


Já sei que o futebol tem sempre uma forte componente do imprevisível. Mas há coisas que tendem a diminuir a probalidade de insucesso. Exemplos clássicos: o factor 'casa', a qualidade do plantel, a história recente dos clubes, a orientação técnica, etc.. Por falar em 'etc.', falemos do elemento que insiste em tornar o nosso sucesso num fenómeno puramente aleatório: Lopetegui. Ontem o resultado foi um desastre. E isso faz com que os vencedores e a sua imprensa tentem transformar aquilo num passeio, numa demonstração de força ou no tão desejado fim de ciclo. A verdade é que a grande vitória poderia facilmente ter sido a derrota do costume. Vejam as oportunidades de golo, vejam o que aconteceria se o penalti entrava, ou o cabeceamento de Jackson, ou o de Marcano, ou o remate de Quintero  na primeira parte ou até o Adrian isolado na primeira parte. Por outro lado, o Sporting já tinha enviado uma ao poste no primeiro minuto, entre outras duas ou três oportunidades que teve além dos golos. Vamos ao meu ponto: o jogo teve um resultado imprevisível até perto do final. Dirão que é bom para o espectáculo, mas foi péssimo para o FCPorto. Tal como aconteceu com o Braga, em nossa casa o jogo é imprevisível e a culpa é de Lopetegui.

Não se pode dizer que o homem não tem ideias, nem que não estuda os adversários, nem que não tem uma personalidade vincada e com potencial. O problema é que as ideias têm sido más, os adversários também nos estudam, a coragem está a transformar-se insanidade táctica e a confiança está a transformar-se em sobranceria.

Vamos às ideias chave: campo largo com a equipa bem espalhada e com opções de passe disponíveis no flanco contrário favorecendo a circulação; forte confiança no talento individual com insistência em situações de um para um seja no ataque, seja na construção, de preferência nos flancos; rotatividade elevada e plantel constantemente motivado, porque qualquer um pode jogar qualquer jogo. Parecem boas ideias em teoria. Então, porque é que isto falha? São os erros individuais, como diz Lopetegui? Errado, digo eu. Perante um adversário pressionante como o de ontem, cuja estratégia consiste no aproveitar e no forçar do erro do adversário, chegamos a ter o defesa em organização rodeado de 3 jogadores e sem linhas de passe curto anão ser o Guarda redes. Aí, se acerta o passe longo cria situações como a de Adrian. Se falha, não tem proteção. O adversário tem vários jogadores por perto e a maior parte da equipa está longe a dar opções para passes longos de mudança de flanco e de ruptura. Erros acontecem e por isso é que o futebol moderno tem tendência a evoluir para desenhos tácticos coesos e baseados em tentativas de obter superioridades numéricas na zona da bola. Mas Lopetegui acha que vai revolucionar isto. Não sei se não vai mas, para já, só o BATE caiu nisto. Depois a rotatividade. Ninguém nos poderá dizer se o Indi metia aquela bola lá dentro, nem se o Alex Sandro deixava que Nani fosse um dos melhores em campo. Nem que Brahimi falhava aquele lance que Adrian falhou isolado. Mas também ninguém poderá dizer o contrário! Para os jogos mais difíceis, os melhores. É até uma defesa para o treinador. Mas Lopetegui não tem medo da crítica. Tem personalidade forte... «Nos grandes jogos, não mudes a táctica em função do adversário». Clássico conselho que se dá aos treinadores. Mas Lopetegui é mais esperto que os treinadores adversários. Esses conservadores... Treinador forte é o que muda a táctica 3 vezes durante o jogo. O que entra para o jogo como se estivesse a perder 0-2 e o que termina um jogo a perder com a sua táctica mais conservadora... Continuaremos à espera que o génio de Lopetegui vença. Na esperança que isso não nos tire mais títulos como o de ontem...

Individualmente, não gostei de ninguém em especial. Talvez Jackson tenha sido o melhor. Danilo também esteve bem. Destaque também para o passe fabuloso de Quintero para o primeiro golo. Mas depois temos de levar com o Quintero defensivo.Ele já tem dificuldades com tácticas simples, quanto mais com oscilações tácticas constantes... O mesmo direi de Herrera. Depois há exibições fracas de Casemiro, Maicon e Marcano. Oliver não devia ter saído. É ele quem mais equilibra esta equipa. Nota mínima para Lopetegui.

Na Champions virá a redenção. Mas julgo que o Dragão acordou para o problema que temos no banco. Será que o Lopes terá a humildade de mudar?

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Lviv



É um assunto requentado que guardei para abordar nestas irritantes e longas pausas no campeonato.

Vou lembrar-me sempre desta cidade, porque foi a primeira vez que o FCPorto não utilizou qualquer jogador português num jogo. Não fui confirmar mas, de memória, acredito facilmente na notícia.

É uma luta antiga entre adeptos portistas: Qualidade vs Identidade. Por um lado, os que acham que interessará mais a qualidade do que a nacionalidade. Por outro, os que acham que FCPorto também é Porto e, já agora, Portugal. Que a localidade e a nacionalidade são características que ajudam a formar a identidade do clube. Eu tenho tendência em aproximar-me mais dos que defendem a qualidade acima de tudo, mas não consigo tomar esse partido por completo. Isto porque me custa um FCPorto sem portugueses e sem portistas no onze e no plantel. Já sei que o perfil do jogador de futebol actual oscila entre o egocêntrico e o egoísta, mas isso não me impede de achar que um plantel com mais portugueses e portistas cria uma maior identificação entre equipa e adeptos. Que ajuda a criar os nossos capitães de equipa e a harmonizar as transições entre diferentes treinadores, entre planteis e entre gerações de jogadores. São factores demasiado importantes para que sejam reduzidos a simplificações como 'têm de jogar os melhores'. Concordo, mas não me posso resignar! 

De facto, têm de jogar os melhores mas, se num dado momento, não conseguimos que haja portistas e portugueses entre os melhores, temos de fazer algo para mudar essa tendência. Que tem sido feito nesse sentido? Pouco, digo eu. Demos um nome e um prazo a um projecto sem lhe dar importância. Temos um projecto de escolas de futebol que parece estar mais virado para o negócio do que para a formação em si. Criámos uma equipa B onde os melhores jogadores portugueses jogam dois anos para saltarem para a primeira Liga, mas ao serviço de outros clubes como aconteceu com Tozé e como acontecerá com Ivo Rodrigues, Gonçalo Paciência e com os, recentemente e estranhamente proscritos, André Silva e Rafa. 

Não podemos deixar que o oásis, Ruben Neves, nos leve a preocupação com o que aconteceu em Lviv. A tal cidade ucraniana que não vou esquecer...



PS: Dado o assunto, a imagem escolhida não foi um acaso. É uma 'graçola' que envolve o meu 'querido' Lopes... Mas é óbvio que isto é uma consequência dos últimos anos e não é culpa de Lopetegui, por muito que ele tenha promovido esta recente invasão espanhola.

domingo, 5 de outubro de 2014

Lopeaflição


Para quem ainda não está familiarizado com a condição 'Lopeaflição', passo a explicar os sintomas. Ultimamente, naqueles minutos em que estamos à espera que seja anunciado o onze titular do FCPorto, há aquela sensação de que o Lopetegui vai arranjar maneira de nos surpreender e, pior, que nos vai surpreender pela negativa. Ainda assim, tinha uma leve esperança que hoje não tivesse grandes surpresas. Não há jogos nos próximos tempos e o adversário prometia complicações acima do que é normal nesta Liga Portuguesa. Desconfiava apenas de uma opção que eu não compreendo. Confirmou-se. A aflição de hoje foi Marcano. Eu sei que ele já jogou a 6 na Champions, mas é uma opção que não faz qualquer sentido. Espera-se que seja Marcano a começar a construção do nosso jogo? Tem características para isso? Comparem as características de Marcano com as de Casemiro. E agora comparem com as outras opções que procurámos no mercado como Classie, Darder ou até Campaña que tem jogado na equipa B. Se ao menos tivessemos no plantel um jogador capaz de fazer a posição 6 melhor do que Casemiro e qualquer dos jogadores que não conseguimos contratar... Ruben no banco é, em linguagem que Lopetegui perceba, uma tonteria. Se já o é com Casemiro em condições, torna-se inacreditável com a lesão do brasileiro. 

Não gosto de Lopetegui! Fiz questão de o dizer aqui deixando a porta aberta para que o mister me conquistasse com o seu futebol, já que, em termos de feitio, dificilmente irei mudar de ideias. Nem exigia que tivessemos constantemente exibições como a do BATE, mas isto começa a ser pouco. Torna-se difícil conceber que a equipa tenha tantas dificuldades para ganhar jogos em casa com jogadores como Brahimi, Tello, Quaresma, Quintero, Oliver e Jackson. Somos apenas o sexto melhor ataque do campeonato! Pior que isso, torna-se fastidioso ver que Lopetegui tem de queimar substituições para corrigir os seus próprios erros. Pior ainda, ao fazê-lo, queima os jogadores. Marcano saiu ao intervalo porque se lhe exigiu o que ele não sabe fazer. Por Marcano não o saber fazer, teve de ser Herrera a recuar para pegar no jogo. Mais uma vez, Herrera joga pior ali. Mais uma substituição forçada e um jogador queimado. E Ruben Neves? Põe-no a jogar à frente de Casemiro. O miúdo vai respondendo com dificuldades até ao momento em que falhou. Ficou queimado no banco nos dois jogos seguintes... E Quintero na ala? Traz mais que Tello, Quaresma ou Brahimi? Não. Por lá jogará até ir para o banco por não corresponder às irreais expectativas de Lopetegui. Poderia falar de Quaresma em Alvalade, de Evandro com o Boavista, etc. Estou chateado com isto. Olho para o plantel e até gosto, apesar dos reparos que já aqui fiz à construção do mesmo. Olho para o banco e torço o nariz. Custa-me estar neste estado em relação ao nosso treinador, mas não posso deixar de o escrever. Também espero que no final da época seja aqui tratado de parvo para baixo perante o desempenho da equipa e do treinador. Espero que seja embirração minha e que não tenha razão.

O jogo de ontem foi um descontrolo completo. Muitas oportunidades de golo concedidas, sendo que algumas até foram oferecidas. A qualidade individual dos nossos avançados e a entrada de Ruben Neves e de Quintero resolveram um jogo que insistimos em complicar. Basta ver o numero e a qualidade dos passes de ruptura do Quintero e as recuperações do Ruben Neves. Revolucionaram o nosso jogo e corrigiram o erro de casting de Lopetegui.

Gostei de Quintero a 10, de Ruben a 6, de Tello a extremo e de Danilo a lateral. Reparem na facilidade como eu, leigo, ponho os jogadores nos seu lugares. Já Lopetegui... Não gostei de Alex, de Marcano e dos centrais. Maicon porque insiste em complicar o que é fácil e Indi porque teve uma abordagem imprudente no lance do golo sofrido e em alguns lances perto do final do jogo.

Importam os três pontos. Já estamos numa fase em que não podemos perder mais nenhum. Espero que esta pausa ajude Lopetegui a repensar estas suas ultimas abordagens aos jogos.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Contas e continhas


 Ainda estou a tentar perceber o que se passou nas AG's de ontem de SAD e Clube. O que se falou nas últimas semanas sobre o assunto parecia um pesadelo e, pelo contrário, o que foi apresentado ontem por Fernando Gomes, pareceu bem melhor. A verdade deve estar lá pelo meio. Em grosso modo, nós Clube perdemos 50% do estádio numa operação de aumento de capital numa SAD que passamos a controlar em 60% no mínimo porque, depois da obrigatória OPA, a % pode ser superior. O aumento de capital era obrigatório por causa da compensação pelos Acionistas do defice de operacional  do último triénio analisado em termos de 'fair-play financeiro'. Falta saber como é que a Somague aceitou os 0,65 €, se há mais contrapartidas no negócio e onde se arranja o 'cash' para financiar a compra destes 20% ou mais. E já agora, como é esta última operação se faz por valores tão baixos. Se bem conheço o clube, os factos irão aparecendo nos próximos tempos por entre rumores e prestações de contas intercalares e finais.

PS: Ainda não foi ontem que consegui ir à minha primeira AG do clube. Continuarei a tentar...

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Avaliação incompleta


Torna-se difícil avaliar este FCPorto e até Lopetegui. Por um lado, somos capazes de atropelar uma equipa da Champions, para logo depois empatarmos em casa com uma das equipa mais frágeis do campeonato nacional. Somos abafados numa primeira parte de um jogo em Alvalade, para depois darmos a volta na segunda parte, ficando a lamentar as oportunidades perdidas. Oscilamos entre jogos em que marcamos 3 a 6 golos e jogos em que nem de penalti se marca. Entre jogos de segurança defensiva absoluta, para jogos em que oferecemos dois golos ao adversário. Perante isto, Lopetegui deita gasolina para a 'fogueira' da instabilidade da equipa com constantes mudanças de jogadores e, mais grave, do próprio esquema de jogo. Este FCPorto é uma bomba relógio. Pode explodir para coisas extraordinárias como foram os últimos cinco minutos na Ucrânia como pode implodir no meio de tanta inconstância e confusão. Enquanto torço pela primeira opção não esqueço tamanho receio de que acabe por acontecer a segunda...

Lopetegui reservou-nos duas surpresas no onze. Más, na minha opinião. Não considero que um jogo de Champions, fora, perante um adversário directo, seja uma boa oportunidade para ensaiar um novo esquema. Como tal, não percebo a introdução de um 6 mais para destruir do que para construir e de um avançado com características diferentes. Isto numa análise pré-jogo. No jogo, Jackson fez questão de provar que deveria ter sido titular e Marcano, apesar de não ter comprometido, apresentou as lacunas e as qualidades que se antecipava e teve de ser substituído quando era preciso mais futebol ofensivo.

Opções à parte, o jogo correu bem até ao primeiro golo do adversário. Tivemos o controlo, as melhores oportunidades e só a nossa irritante dificuldade na definição das jogadas nos impedia de chegar à vantagem. Nem de penalti! Até que chega o momento inesperado: temos de jogar bonito nas saídas de bola e isso iria custar um golo mais cedo ou mais tarde. Pena que tenha sido Oliver a perder a bola. Se havia jogador que não merecia... Aí o FCPorto abanou e desequilibrou-se, apesar de só ter sofrido novo golo perante mais uma oferta, desta vez de Maicon. Mas as oportunidades iam acumulando sem o devido proveito. Um defesa adversário resolveu retribuir com um presente e entrámos no jogo a tempo de evitar males maiores. O banco foi muito importante o que ajuda a desculpar Lopetegui pelo onze inicial. Ou isso, ou ajuda a culpá-lo ainda mais! Empate agri-doce...

Individualmente, destaco o MVP Jackson. Meia hora, dois golos. Nada a acrescentar. Danilo seria o MVP se não fosse o Jackson. Quintero e Adrian também entraram bem. Sobretudo o primeiro. Tello e Brahimi criaram bastantes desequilibrios apesar dos seus respectivos individualismos e Herrera falhou menos passe do que o habitual, o que é sempre uma boa notícia. Aboubakar mostrou pormenores. Apenas isso. Pela negativa, mais uma vez, Alex Sandro. Acorda! Nota mais negativa ainda para os jogares que ofereceram golos e mancharam as suas boas exibições até à altura dos erros.

Está bem encaminhado. Que isto levante a moral para o Braga. Chega de empates!

PS: Mais um penaltizinho por marcar. Seriam três... Pergunta comum: Para que servem os árbitros de baliza?

domingo, 28 de setembro de 2014

Entre o péssimo e o mau


Já passaram dois dias e o jogo com os vasquinhos ainda me incomoda. Por um lado, escapámos ilesos a uma primeira parte tenebrosa. Já não via disto desde Sevilha no ano passado e aí já levávamos 3 ao intervalo... Por outro, perdemos uma boa oportunidade de trazer os três pontos do campo de um adversário. Preocupa-me sobretudo que perante um adversário mais agressivo, a equipa não consiga ter bola. Sem bola, não há plano b e ficamos uma equipa banal como se viu. Torna-se  inquietante perceber que na garra e sem Oliver em campo, teremos muitas dificuldades no meio-campo. Ou seja, temos talento e temos ideia de jogo, que não conseguiremos implementar desde que o adversário nos morda os calcanhares e dispute todos os lances com intensidade máxima. Preocupante, no mínimo...

Vamos ao jogo. O Sporting chegou ao golo numa carambola que apanhou Alex Sandro a dormir e Fabiano demasiado acordado. Foi o que bastou para que só por volta do minuto 25 se visse FCPorto no campo. Foi mau de mais! Herrera perdido, Ruben e Casemiro a estorvarem-se mutuamente, Marcano nervoso e Alex Sandro embriagado. Avançados nem vê-los. Pobreza preocupante. O intervalo trouxe Oliver para o jogo e tudo mudou. Só vem demonstrar a importância que o miúdo tem nesta equipa. Passamos a controlar o jogo e as oportunidades surgiram com naturalidade. Não foi nada natural a forma como as desperdiçamos. Até o lance do golo ia terminar com um centro mal direccionado do Danilo. Vá lá que foi tenso...

Em resumo, foi tudo mau. Quer o total descontrolo do jogo na primeira parte, quer a medíocre finalização na segunda. Até houve uma lesão a lamentar e dois erros comprometedores do árbitro. Slimani tinha de estar na rua e Maurício deu mão na área. A tempestade perfeita. Vá lá que deu um pontinho...

Individualmente, para mim a única nota positiva é a de Oliver. Revolucionou o jogo da equipa. Brahimi, Casemiro e Herrera melhoraram na segunda parte mas, mesmo assim, não apagam a má imagem da primeira. Pela negativa nem sei por onde hei de começar. Talvez o pior: Alex Sandro. Exibição simplesmente horrível. Depois temos o Ruben, bem substituido ao intervalo, mas a culpa é de quem o põe a jogar ali. Veremos já na Ucrânia se a exibição dele faz com que Lopetegui perceba o erro. Jackson falhou um golo incrível e Tello... Bem, só à bofetada! Aquele lance no último minuto, merecia uma temporada longa no banco. E julgava eu que Brahimi e Quaresma eram individualistas...

Na Ucrânia a retoma. Mas que continue na próxima semana porque, seis pontos, nesta altura do campeonato é muito ponto perdido.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Deslize



Quatro pontos perdidos em dois jogos. Suficiente para perceber que as análises à equipa não podem roçar nem o 8, nem o 80. Equipa capaz de golear na Champions e capaz de perder pontos em casa com a equipa mais fraca do campeonato. Arrisco esta precoce avaliação porque acho mesmo preocupante a falta de qualidade deste Boavista e porque isso só torna mais inadmissível o resultado de ontem. Ontem tivemos um FCPorto mais próximo de outros tempos: tivemos um erro individual grave de Maicon; demonstrámos falta de soluções para ultrapassar o bloco baixo do adversário e insistimos demasiado em acções individuais; e tivemos Jackson sozinho na área. O campo não ajudou, o tempo também não, mas insisto: perder pontos com este Boavista é um resultado péssimo!

Vamos às razões do descalabro: Lopetegui e Maicon. Limpemos já o assunto da expulsão. Para mim, um erro individual grave. Ouvi no Dragão argumentos contra a expulsão como a zona da falta, a total ausência de perigo do lance e as condições do terreno que facilitam os deslizes. Podem usar os mesmo argumentos para insultar o Maicon de burro para baixo! Independentemente de entrar de trás ou de lado, de sola ou não, pôs-se à disposição do critério do árbitro e fê-lo sem necessidade alguma. Tenho hesitado em elogiar o arranque de época de Maicon porque ele arranja sempre uma 'paragem de cérebro' por jogo. Esta teve influência directa no jogo da equipa.

Depois Lopetegui. Elogiámos aqui a ousadia demonstrada na Champions. Jackson teve companhia  e a equipa demonstrou uma sede de golos assinalável. Desmontámos consecutivamente um bloco baixo com a povoação da zona ofensiva e com a mobilidade e talento dos nossos avançados. Sendo óbvio que o Boavista iria apresentar um esquema semelhante ao do BATE, porque é que se alterou o esquema? Em nome da rotação do plantel? A equipa assimilou o sinal e entrou em campo com uma clara diferença em termos de ambição. Com a errónea certeza de que as coisas se iriam resolver mais cedo ou mais tarde. A expulsão complicou o que parecia fácil. Mas uma coisa é o adepto achar fácil, outra coisa é Lopetegui deixar que esse sentimento passe para a equipa. Além disso, outras coisas que eu, ilustre treinador de bancada, fazia diferente. Com a entrada de Casemiro ou de um central, tinha recuado o Ruben para 6 em vez do Herrera. Se a intenção era ter o Ruben a jogar entre linhas, mais valia ter Evandro, que está mais habituado a essa posição. E nesse caso, até podíamos recuar Ruben e nem havia necessidade de gastar a substituição ao intervalo. Qual é o sentido de meter um flanqueador como Quaresma se temos Jackson rodeado por 4 jogadores na área? Se entra Adrian, porque é que vai para a ala trocando com Brahimi, se o contrário resultou bem na quarta-feira?

Podíamos ter ganho mas, mesmo com a expulsão, tendo em conta o adversário, estivemos aquém do exigível em termos de produção ofensiva.

Individualmente, nota mínima para Maicon. Nota muito fraca para os nossos extremos. Tello foi uma desilusão e, entre trapalhadas que fizeram lembrar um  Iturbe 'tenrinho', falhou até a nossa melhor oportunidade de forma escandalosa. Brahimi mostrou um pouco da sua outra face. Perante a adversidade perde-se em individualismos. Se assim continuar, recomenda-se uma passagem pelo banco como aconteceu com Hulk no início e recentemente com Quaresma. Como diz o mister, a equipa está acima das individualidades. Gostei dos dois defesas espanhóis, sobretudo Marcano, apesar de reconhecer que não tiveram muito trabalho. Quem teve muito trabalho foi Jackson. Recomendo que vão rever no resumo a única oportunidade do Boavista em todo o jogo. Reparem quem entra em carrinho por trás de um Andres Fernandez já batido.

Este jogo não altera nada no compromisso em Alvalade. Vitória é o mínimo que se espera.

PS: Apesar de não criticar o critério do árbitro, não deixarei de utilizar este lance como medida de comparação, em termos de rigor, para o resto do campeonato.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Quanto mais me BATEs...


Que resposta ao primeiro resultado menos positivo da época!

Lopetegui surpreende ao apostar num 4x2x4 com Adrian em cunha com Jackson tirando-lhe a responsabilidade de desequilibrar na ala, fazendo valer naquela posição as movimentações sem bola do que propriamente o desequilíbrio com a bola nos pés, onde se tem revelado desastrado ou desinspirado ou outro adjectivo qualquer que revele que para já o “bidone d’oro” é dele.

Constrastando com Adrian, surge Brahimi. Que revelação. Perdido em Granada, explosivo no Dragão! Mas andavam todos a dormir aqui ao lado? É recuperar já os 80% (o Bruno Carvalho explica como) que este não vai demorar uns aninhos a valer muitos milhões. Arrepiante o momento da substituição com o Dragão a prestar a devida vénia ao argelino.

A oferta aos 5 minutos libertou a equipa para os melhores 60 minutos da época (e dos últimos anos), altura em que o marcador já registava 4 golos de diferença e permitiu a Lopetegui gerir desde logo o esforço dos jogadores mais utilizados.

Futebol em progressão, quase sempre ao primeiro toque, rápidas variações de flanco, constantes movimentações e, acima de tudo, uma mudança de atitude fantástica quando se perde a posse de bola e toda a equipa se movimenta na pressão sobre o portador e a tapar as linhas de passe para recuperar de novo a posse.

Fabiano eficiente na única vez que é chamado a intervir (apesar dos lapsos no início e no fim da partida), a dupla de centrais cada vez a entender-se melhor e Casemiro é aquele trinco cabrão que enquanto não tem a bola não larga o osso e por isso faz tantas faltas (se fosse de uma equipa adversária eu não parava de o insultar o jogo todo, como está no Porto para mim é fantástico). Danilo melhor que Alex Sandro mas os laterais estão em grande nível e nem quero comparar com o ano passado. Continuamos a não ver o Herrera do Mundial, parece que não se solta e isso nota-se principalmente com a bola nos pés porque sem ela, seja em processos ofensivos ou defensivos ele enche completamente o campo. Jackson é fantástico, está permanentemente em movimento e a mostrar-se aos colegas, os miúdos que sonham ser avançados deviam ir ao Dragão e só olhar para os movimentos do Cha Cha Cha. Quaresma está diferente, mais jogador de equipa e recuperou duas bolas na primeira parte porque fechou a subida do lateral, é sinal de humildade e de boas notícias para a nossa equipa. Talvez a seguir a Adriaanse seja Julen capaz de tornar Quaresma um jogador de equipa em vez de artista de circo…

Por fim, Evandro/Aboubakar/Tello, tiveram a ‘infelicidade’ de entrar numa altura em que os colegas já tiravam o pé do acelerador mas mesmo assim tiveram pormenores interessantes: Tello assistiu, Aboubakar marcou e Evandro quase assistia… um adversário! Mas Evandro é craque, que pena já ter uma certa idade, a bolinha não chora naqueles pés.

Gostei da inovação tática, gostei da equipa, gostei de ir ao Dragão, gostei de não ter apanhado chuva quando vinha de moto para casa…


Não estranhem a qualidade da crónica… não foi o Prata que a escreveu!

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Mau maria!



Estávamos todos com a ideia que ia ser complicado e, pelo menos quem prestou atenção à nomeação do Paulo, tinha incluído esse factor no 'complicómetro' para definir o grau de dificuldade. Isto a juntar ao bom campeonato do Guimarães, à lesão do gerreiro Oliver, aos jogadores que fizeram apenas um treino esta semana e à sempre problemática aproximação à estreia na Champions. Ainda assim consegui ser surpreendido. Foi ainda mais difícil que esperava. Não fiquei descontente com a exibição, apesar da entrada em falso na primeira parte.

Comecemos por aí. Excluindo o bom lance que resulta no primeiro remate de Brahimi, fomos completamente engolidos pelo futebol de combate do adversário, nos primeiros 30 minutos. Não conseguimos sair a jogar e notava-se que os adversários chegavam invariavelmente primeiro à bola. De tal forma que se abdicou a certa altura das saídas de bola pelos centrais. Nessa altura valeu o Maicon que varreu tudo impedindo aflições de maior para a nossa baliza. A excepção foi um canto em que conseguiram rematar com o pé a meio metro da linha de golo. A rever o posicionamento nestes lances onde, ao contrário do que diz o chato do Freitas Lobo (há pachorra para este gajo?), não fazemos marcação homem-a-homem... Há jogadores posicionais e outros que fazem marcação, o que me parece bem. Depois veio a habitual confusão nas bancadas e o jogo mudou. O jogo passou a ser nosso, com diversas oportunidades de golo e com o adversário remetido à sua área e pouco mais. O nosso golo surgiu naturalmente ao contrário do golo adversário que foi uma oferta de Jackson. Ainda reagimos mas o relógio apertava e deixou de haver calma na definição dos lances. O maior exemplo é aquele lance inexplicável de Tello em que tinha tudo para rematar e resolveu driblar puxando a bola para o seu pé mais fraco... Merecemos ganhar, fomos melhores durante a uma parte maior do jogo e não ganhamos porque não estivemos inspirados nos detalhes, nomeadamente no da finalização.

Por falar em falta de inspiração, falemos de Paulo Batista. Perante um jogo exigente entre dois dos clubes que seguiam e seguem em primeiro lugar, num estádio escaldante, a nomeação de um tipo que figura consistentemente nos candidatos à descida de categoria, tinha de ser encarada com estranheza. Depois de dois penaltis por marcar (há um terceiro lance com mão dentro da área que não conto aqui) e um golo mal anulado, sendo que um dos lances de penalti teria de dar direito a expulsão... A estranheza desaparece. Lopetegui parece ser um resultadista e ontem percebeu certamente que vale a pena apontar para o 3-0 que é para ficarmos livres de 'aflições' destas.

Individualmente, começo pelas críticas. O meio-campo não teve pedalada para a luta que se travou nos primeiros 30 minutos. Lopetegui tenta, nestes jogos, reforçar o meio com Alas que jogam por dentro. Desta vez não funcionou porque nenhum deles era o Oliver que tem outra capacidade de luta. Nota negativa para todos, especialmente para Casemiro que adicionou à contenda uma serie de passes falhados. Notou-se bem a diferença com a entrada de Evandro que é um dos meus destaques pela positiva. MVP para Brahimi que é um desequilibrador nato. Foram as suas arrancadas que puxaram pela equipa. Continuo a querer elogiar o Maicon, mas há sempre um lance em que faz uma trapalhada que mancha a sua exibição. Vá lá que não tem tido influência. Por falar em trapalhadas, nota baixa para Jackson. Muitas responsabilidades no golo sofrido. Tem tudo para aliviar com segurança e tenta sair a 'jogar bonito'. Pagámos caro esse 'bonito'... É de referir que Brahimi ajudou a a esconder a assustadora falta de desequilíbrios vindos do lado contrário. Quintero e Tello fizeram muito pouco.

Foram muitas as dificuldades e julgo que a equipa demonstrou capacidade de reacção. Não consigo deixar de pensar que, a equipa do ano passado, perante tamanhas dificuldades, perderia 9 em 10 jogos destes. E não falo apenas de arbitragem, porque empatámos no Estoril em condições semelhantes. Falo de reação à adversidade e ao jogo intenso do adversário. Pode ser impressão minha...

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Desabafo



Não gosto de Lopetegui!

Antes de pegarem nas tochas e nas forquilhas apresentarei três atenuantes:
1) esta minha avaliação está sujeita a revisões semanais e pode ser que a coisa se inverta;
2) tenho um feitio que já chegou a ser avaliado entre o mau e o 'prefiro a imolação pelo fogo, a aturar este gajo'...
3) não consigo atribuir grandes culpas a Lopetegui por este facto.

Passando à frente as duas primeiras atenuantes e antes de irmos à última, passemos a listar as minhas embirrações:
1) a torre: podia ser um andaime ou até podia sentar-se em cima dos ombros do Rui Barros para ver melhor, mas não deixa de ser um pormenor banal para 'vender' aos adeptos que há métodos inovadores, por pífios que sejam. O facto de Lopetegui o ter pedido como parte da sua revolução na metodologia portista irrita-me.
2) a 'extreme makeover': olhamos para o onze e temos apenas três dos jogadores que eram titulares no início do ano passado: Danilo, Alex e Jackson. A estes acrescentamos Fabiano, Herrera e Maicon que foram ganhando o seu espaço ao longo da época passada e, com boa vontade, Quaresma. Mas cedo se percebeu que a intenção era a da revolução no plantel. Eu sou dos que achava que era possível fazer bem melhor com o plantel do ano passado e foi uma das críticas que apontei a Paulo Fonseca. Por isso, irritou-me ver, no último dia do defeso, duas novas contratações e uma dezena de jogadores a sair por empréstimo. É um símbolo da obsessão que se tinha com o 'mudar tudo porque tudo estava mal'. A 'cerejinha no topo' foi aquela frase após o jogo com o Moreirense. Oliver lesionou-se e por isso precisamos ainda mais de reforços. Faltam médios ofensivos a treinar no Olival...Preferia um treinador que trabalhasse a construção do plantel alheio de ideias pré-concebidas e que tentasse adaptar o seu modelo a um plantel (com retoques), em vez tentar o inverso que é bem mais confortável...
3) o modelo de negócio: Conhecemos o FCPorto. O modelo é simples de descrever e difícil de aplicar: comprar barato e em antecipação; desenvolver competências em equipa, de acordo com os valores FCPorto, estimulando a obecessão por títulos; vender caro. É apenas uma simplificação mas ajuda a perceber que este ano o modelo mudou um pouco. Podemos mudar o mercado alvo passando da Argentina para o Brasil, da Colômbia para o México ou da Liga Portuguesa para a Espanhola. Não podemos é mudar o modelo de negócio só porque tivemos uma época horrível. Por entre a sofreguidão de atender às pretensões de Lopetegui, comprámos jogadores inflacionados pelo seu desempenho e presença no Mundial e disponibilizámo-nos para valorizar ao longo do ano, jogadores jovens de clubes de dimensão superior. Vá lá que obtivemos, em certos casos, opções de compra... Demonstra que o saber negocial ainda está lá, mas custa-me a mudança de paradigma perante um modelo que tão bons resultados tem dado.
4) os espanhóis: Custa-me um onze e um plantel sem portugueses. Mas custa-me muito mais um onze e um plantel sem qualidade. Podiam ser todos da guiné equatorial...(até falavam a mesma lingua do treinador...) Mais uma vez volto à questão do plantel construído nos moldes Lopetegui. Não só muda tudo, como parece que cria concepções e exigências tão específicas de jogadores, que acabamos por ter de lhe dar jogadores que ele conhece ou que já trabalharam com ele. Isto passando ao lado de todo o trabalho dos últimos anos da nossa tão elogiada equipa de scouting e até da formação. Depois embirro a sério com a ideia de que estes jogadores só vieram porque queriam trabalhar com ele. O meu FCPorto não chega para trazer o Messi actual, mas não precisa de Lopetegui para convencer os jogadores que vieram...
5) o Quaresma: Não gosto quando os treinadores se têm de 'pôr em bicos de pés' perante o plantel, sobretudo em termos de autoridade. Detesto vedetismos e é impossível desculpá-los sobretudo em Quaresma, que tanto se prejudicou à custa disso. Mas detesto ainda mais manipuladores. Não é preciso inventar problemas para demonstrar que temos capacidade para os resolver.
6) o  Rúben: Será possível criticar a utilização de um talento das escolas do FCPorto, ainda para mais com 17 anos? Não é possível. Mas fico com a sensação de que o miúdo só é opção porque ocorreu uma conjucação irrrepetível de factores que permitiu que ele pudesse, entre lesões de colegas, indefinições de mercado e jogadores ao serviço das Seleções, provar que tem qualidade e características para encaixar na concepção de médio de Lopetegui. Pensemos no caso de Rafa, a título de exemplo, até porque há mais talentos na nossa estrutura de formação. Ficou estabelecido que o Alex precisava de concorrência, mas será que vinha o Jose Angel se o Rafa tem feito a pré-época? Nunca saberemos porque estava no Europeu de sub-19, mas mais uma vez, na dúvida, vamos à base de dados Lopetegui e não à nossa.

Lopetegui faz o que lhe compete de acordo com os limites que lhe estabelecem. Tal facto impede-me de recriminar apenas o treinador por estes erros que lhe aponto e até responsabiliza mais a Direção do FCPorto. E poderão reparar que nem falei sobre as transições defensivas, as variações de centro de jogo, a posse ou até o futebol sem balizas que temos visto ou até na qualidade dos jogadores que entraram com o seu aval. Isso não está aqui em causa. Vamos antes supor que Lopetegui falha. Já sei que é difícil de conceber agora que estamos inebriados com a ausência de golos sofridos, com os 70% de posse de bola, com os passes do Rúben, com as fintas de Brahimi e com os golos de Jackson, mas vamos tentar. Se correr mal, na próxima época começamos de novo? Vamos ter de dar sempre estes dois meses de benefício da dúvida aos treinadores? Há dinheiro para outra revolução no plantel? Muitos julgam que Lopetegui tem tudo o que queria e que, por isso, sairá mais responsabilizado pelos resultados. Tenho de concordar mas responsabilizarei ainda mais a estrutura se houver um falhanço.
Escolhi fazer este artigo numa fase tão precoce da época para ir avisando os meus leitores para o facto de que, a dose de embirração que já tenho para com o nosso treinador, poderá toldar um pouco as minhas crónicas no futuro. Assim, já sabem ao que venho e o esquema fica já combinado: eu 'bato' no Lopetegui e os portistas têm carta branca para 'bater' no cronista mal intencionado. E ficamos à vontade! Ainda assim, espero que, no mínimo, aconteça como com o Vitor: levava todas as semanas, mas, no final, levou ele os dois títulos! O que conta é a 'bolinha dentro da baliza' e lá estarei, no Dragão e não só, para festejar quando acontecer.