terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Até quando?



A pergunta não é retórica. Tem resposta e é um «até quando for preciso». Vamos ter isto até que FCPorto e Sporting estejam a uma distância considerada segura. Nessa altura vão dar-nos umas migalhas para distrair do facto de que este é já um campeonato com um prejuízo, que apenas tem precedentes no tempo da tv a preto e branco, dos favores ao regime e das fábulas calaboteanas. A diferença é que agora todos podemos ver e sentir vergonha deste estado de coisas no futebol português. Está à vista de todos e é até assumido por todos os especialistas que têm o mínimo de decoro. Mas poderão reparar que, nunca como hoje em dia, o erro faz parte do jogo... E assim a política de encobrimento continua. Basta ver como mudaram os critérios de mão na bola e bola na mão, em apenas meia dúzia de dias. Costuma-se dizer que temos de jogar o suficiente para nos acautelarmos de erros de arbitragem. Isto até faria sentido se fosse exigido a todos. O problema é que parece que apenas o FCPorto tem que lidar com este «carácter humano» da arbitragem e hoje tivemos mais um episódio do claro e consecutivo prejuízo que acumulámos.

Mas a arbitragem não foi o único ponto negativo da noite de hoje. Tirando as três primeiras jogadas de Brahimi no jogo, a primeira parte do jogo foi do pior que vimos ao FCPorto em muitos jogos. Muito nervosismo e aí valeu Casillas. Bastou termos um adversário bem organizado para termos demonstrado uma preocupente falta de capacidade de improviso e uma irritante repetição de erros e uma insistência em caminhos que estavam vedados. Se nos fecham as alas, jogamos dentro do bloco. Se nos tiram espaço dentro do bloco, jogamos com a profundidade e com a mobilidade dos nossos avançados. Pelo menos variem! O que não podemos é ter soluções repetitivas e que esbarram consecutivamente em zonas de superioridade numérica do adversário e que resultaram quase sempre em saídas rápidas para o contra ataque. Não sei o que Nuno disse ao intervalo mas o FCPorto, com os mesmos intérpretes, fez muito melhor na segunda parte. Não fosse a irritante tendência para o erro do árbitro e o muito nervosismo dos jogadores do FCPorto ao longo do jogo, e o resultado tinha-se resolvido ainda mais cedo. Sem ter sido um grande jogo ao nível técnico, foi uma segunda parte em que demonstrámos uma intensidade e uma garra que só nos podem encher de orgulho. Como Nuno disse e bem, demonstrámos carácter! Mas que sirva de lição. Tal como os erros de arbitragem, dar partes do jogo ao adversário, tem-nos castigado consecutivamente e teremos que ser mais proactivos e menos reactivos quando 'espicaçados' pela adversidade.

Individualmente, num jogo em que imperou a garra, Maxi destaca-se sempre. Nestes jogos, jogadores como este, empolgam a equipa e as bancadas. Além disso, apesar de o melhor cruzamento do jogo ser de Alex Telles, Maxi este muito bem ao nível do cruzamento. Contei pelo menos 6. Se grande parte da equipa jogou mais 'com o coração', Oliver é o jogador que imprime mais 'cérebro' ao nosso jogo. É dele o passe para Danilo no segundo golo, é dele a aceleração de jogo que resulta no primeiro golo, é dele o passe para a cabeçada de André Silva que resultou na segunda melhor defesa da noite. A melhor esteve do outro lado e foi protagonizada pelo meu último destaque positivo, Casillas. Grandes defesas que mantiveram o FCPorto no jogo, nos nossos piores momentos. Destaque positivo para Marcano, Brahimi e Danilo. Pela negativa, Jota e André Silva poderiam ter tentado participar mais no jogo na primeira parte. Felipe tem uma grande cavalgada na segunda parte que faz esquecer o duplo erro no golo do Chaves e o nervosismo em geral.

O mês de Novembro trouxe a depressão e o mês de Dezembro pôs-nos na luta outra vez. Em Janeiro é para continuar!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Coladinhos



Não era previsível esta antecipação de calendário mas o Capela abriu esta possibilidade e nós aproveitamos esta boa oportunidade de pôr pressão na frente. Não fosse mais uma sessão de andebol na luz e estaríamos provisoriamente na frente. Não fosse uma outra sessão de andebol em Alvalade e poderíamos tirar o 'provisoriamente' da frase anterior. Tem sido um ano difícil de acompanhar com crónicas. Por um lado, sinto que a equipa pode fazer mais e não o faz por ideias de Nuno que considero desapropriadas ao FCPorto. Por outro lado, temos tido demasiadas contrariedades arbitrais e a equipa tem demonstrado uma união e uma garra invulgares nos anos anteriores, sendo que esta última parte é mérito óbvio do treinador. Ontem tivemos mais um episódio do que tem sido este campeonato. Uma vitória suada, com empenho, garra e calafrios no final, perante contrariedades fortes do tempo e do árbitro. Há pelo menos dois lances de Maxi, um de penalti e outro fora-de-jogo, que são de bradar aos céus e nem é preciso estas modernices que se vêem no mundial de clubes. Dá para ver 'a olho nu'.

Mas ficam os três pontos que era o fundamental. A vitória podia e devia ter sido mais gorda perante uma equipa que jogou só com defesas e médios em duas linhas de 5 coladas à área. É até incrível como a equipa defrontada que apresentou a estratégia mais defensiva é a que consegue marcar um golo a Casillas. Foi um bom golo mas um prémio injustificado para tão fraco futebol do Marítimo. Mas este prémio vem a propósito de um dos pontos que mais criticamos neste FCPorto de Nuno Espirito Santo. Quando nos encontramos em vantagem, temos muita dificuldade em afastar o adversário da nossa baliza, sobretudo muita dificuldade em manter níveis de posse sequer comparáveis com os momentos em que estamos em busca do golo. Em suma, esta equipa não consegue descansar com bola. É isto que faz com que soframos calafrios pequenos como o de ontem e calafrios grandes como o golo de Lisandro nos descontos. Continua a ser um ponto a melhorar e, dado o talento que temos, basta querer.

Individualmente, dou o MVP a Brahimi. Um golo e uma assistência bastavam, mas a exibição por si justifica. Muitos tendem a dizer que Brahimi está diferente e os argumentos oscilam entre o 'está mais empenhado' e o 'está mais objectivo'. Mas isso só ajuda legitimar a falta de explicação para a sua fraca utilização até agora. Nunca nos disseram que havia problemas disciplinares, portanto, temos de concluir que foi simplesmente uma má opção. Gostei das exibições em geral mas destacaria também Corona, Maxi e Danilo. Jota não esteve muito inspirado, mas a sua intensidade de jogo fez com que Nuno o mantivesse até ao final.  Mais um golo para André Silva e já está na frente dos marcadores. João Carlos Teixeira estreou-se e mais uma vez deixou boas indicações. Merece mais minutos mas à sua frente tem Herrera e André André... 

Segunda-feira teremos mais uma oportunidade de pôr pressão na frente. Seguimos na luta!

domingo, 11 de dezembro de 2016

Um fim de semana descansado



Por certo que já sentiam saudades de tamanho descanso. Um jogo com resultado feito muito cedo, com goleada, com golos do menino André Silva, com o fim da seca de golos no campeonato e com a perspectiva de assistir 'de cadeirão' ao clássico da tv a preto e branco. Soube bem, mas podia ser melhor. Por um lado, em Lisboa tivemos o resultado que menos nos interessava e que nos mantem à mesma distância do primeiro lugar. Por outro lado, a exibição foi pior que o resultado. É algo que acontece muito às grandes equipas: jogar pouco e ganhar. Não será normal fixarmo-nos no resultado e esquecermos o que de mau se foi fazendo. Mas há que valorizar a tranquilidade com que resolvemos esta difícil deslocação, depois do que aconteceu nas anteriores.

O onze foi mais uma vez consensual, apesar de eu não me conformar com o facto de o Ruben não ser titular. Não me conformo agora e nunca me conformarei. Por muito bem que jogue o Danilo, nunca poderá atingir patamares ao nível da organização de jogo e da gestão dos ritmos do mesmo, que Ruben atinge sem esforço. É talento natural, tal como o Ruben nunca poderá cabecear bolas no 'terceiro andar'. Mas este ano temos uma ajuda a Danilo, que não tínhamos no ano passado, e que  pode ajudar a esquecer algumas das limitações do internacional português: é Oliver. Quanto mais Oliver pega no jogo, mais Danilo brilha, porque passa a ser obrigado a fazer apenas o que faz bem. Tem de destruir, usar o corpo, atacar a segunda bola e entregar limpo e curto. Esta especialização faz com que Danilo esteja a fazer uma grande época. Acontece o mesmo com os centrais. Nuno também arranjou uma maneira de eles brilharem mais, isentando-os de qualquer responsabilidade na construção de jogo. Jogam simples, cortam para a bancada e só podem tocar curto sem risco ou, em alternativa, esticar logo o jogo. O problema é que nem sempre as bolas longas têm resultado em penalti concretizado, com expulsão de um adversário. Diga-se também que nem todas as bolas longas vêm dos pés de Oliver... O que pretendo dizer é que não me conformo com esta nossa incapacidade de ter bola com mais qualidade, mesmo em jogos em que dominamos por completo. Não me canso de dizer que este modelo de Nuno torna o futebol mais aleatório e permitiu por exemplo que um Feirense 'morto' fosse capaz de mandar duas bolas aos ferros. O jogo com o Leicester deu-me alguma ilusão de que estaríamos a evoluir no modelo de jogo, mas o de hoje volta a deixar-me a dúvida. Vale o resultado gordo e a perspectiva de que o 'choro' está a dar frutos. Não que ache que tenhamos sido beneficiados. Mas, pelo menos, não nos prejudicaram...

Individualmente, dou o MVP a André Silva que ganha o lance que decidiu o jogo e ainda marcou mais um golo. Com nota bem próxima, Oliver e Marcano. Todos os restantes têm nota positiva mas não muito alta, visto que jogamos apenas o estritamente necessário. Voltou a ser possível dar minutos a Rui Pedro. Pena que já estivéssemos em poupança. Grande jogada do Herrera no final. Esperemos que dê para o animar um pouco.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Grupo fraco - Parte 6



Nuno Espírito Santo, que já tinha falhado um objectivo com a eliminação da Taça de Portugal, conseguiu agora alcançar um dos objectivos para a época, que é o da passagem aos oitavos de final da Champions League. É até um objectivo que vem traduzido nas expectativas de receitas nos orçamentos anuais, portanto é um bom resultado para Nuno e para a equipa. É óbvio que será fácil desvalorizar o feito porque todos percebemos que tivemos alguma sorte no sorteio. Não vale a pena esconder que todos antecipámos menos dificuldades e todos apontávamos para o primeiro lugar do grupo. E percebemos também que o calendário também ajudou visto que chegámos ao último jogo com a possibilidade de decidir tudo em casa e frente a um adversário em poupança. Ainda assim, é importante perceber o enquadramento e valorizar a avalanche ofensiva, demonstrada pelo segundo jogo consecutivo, e em clara resposta evolutiva em relação ao período de seca de golos que atravessámos. Este é um FCPorto a crescer numa altura crucial do campeonato e numa altura em que os nossos adversários parecem estar numa tendência inversa. Há que capitalizar o momento já no Feirense.

Quanto ao jogo, tivemos a mesma receita que tivemos com o Braga. Movimentações ofensivas muito interessantes, com alas muito desequilibrantes, com uma dupla ofensiva muito agressiva, com dois laterais que são dois alas, com Oliver a pautar e o trio de gigantes a proteger. É este o plano de Nuno e funcionou ontem na perfeição. É certo que tivemos muito melhor construção e muito menos bolas bombeadas. A isso ajuda o facto de Brahimi estar sempre pronto a receber e dos movimentos de Jota em apoio aos médios e centrais. Mas o fundamental foi o facto de Oliver ter assumido todo o nosso jogo e lhe terem dado espaço para isso. Há que usar mais estas opções para termos qualidade em posse e evitar o 'chuveirinho'. Ajudou também a inspiração individual de Corona que esteve sublime. Não me lembro de o ver perder um lance e ele é daqueles jogadores que arrisca tanto, que é até normal e aceitável perder 50% dos lances. Apenas poderei criticar a entrada tremida na segunda parte. Se noto evolução na construção ofensiva, ainda não vejo a equipa com capacidade de, em vantagem, manter o adversário longe da nossa baliza. Continuamos a recuar demasiado. As constantes exibições inspiradas da nossa dupla de centrais têm ajudado a camuflar esta perigosa tendência, mas ela existe e é um ponto em que devemos evoluir.

Individualmente dou o MVP a Corona. Esteve brilhante. Este Corona é um jogador de nível mundial. Às vezes dá a sensação que lhe é indiferente fazer um golo daqueles ou não fazer nada. O próprio festejo  diz-nos isso. Uma atitude competitiva mais parecida à de Jota e de André Silva poderão fazer com que ele chegue ao topo do futebol mundial. O talento individual já lá está. Brahimi não ficou muito atrás, tal como os dois avançados. Ainda assim, gostei ainda mais de Oliver. Nota-se quando o jogo corre bem a Oliver. Basta contar as oportunidades de golo. É um jogador que está a aproximar-se da sua melhor forma e vem em boa altura. De resto, não tenho notas negativas, nem no banco. Nuno escolheu os melhores e mexeu bem no jogo.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Anti-crise



Foi um grande momento no Dragão! Um momento em que um miúdo portista, em estreia, marca com aquela frieza e classe, aos 94 minutos, seria sempre um momento único e apoteose. Mas há agravantes. Aquele remate marcou a diferença entre voltar a entrar no campeonato ou abandoná-lo por completo. Foi conseguido no último minuto o que nos salvou das aflições que o habitual recuo da nossa linha defensiva, tão normal este ano, nos poderia trazer. Marcou também um raro momento de união entre as expectativas dos adeptos e as opções de Nuno. Magoa-se Otávio, entra o Brahimi. Faltam golos entra o miúdo em vez do Depoitres. Tudo opções que agradam aos adeptos, numa altura em que os desenhos já pouco convencem. Aliás, não conheço um único portista que não tenha suspirado um «Outra vez???» quando souberam que Nuno tinha dado outra palestra com desenhos... Outra agravante é a de este golo pôr a nu alguns dos paradoxos da política desportiva dos últimos anos. Esta noção absurda de que vale mais ter no banco um estrangeiro de 6/7 milhões, do que um jovem talento português está em causa. Este é um país que, estranhamente, é um viveiro de futebolistas talentosos. Vê-se nas seleções e nos clubes. Neste momento, em que continuam a escasear os meios de financiamento, é insano não tentar aproveitar melhor estes talentos.

Este jogo acaba por se reduzir a um momento de talento no passe de Jota e na calma e classe da finalização de Rui Pedro. Mas, passado um dia, já me consigo lembrar da agonia que foi ver a forma como estávamos a sucumbir à pressão da seca de golos. André Silva joga sempre bem, mas acabou sempre por estragar o que de bom foi fazendo, quer no penalti que ganhou, no passe para jota, nos cabeceamentos e no incrível remate por cima da barra na segunda parte. Agora que já marcou Rui Pedro, o próximo tem de ser do André Silva para acabar com esta ansiedade que, estatisticamente, até nem faz grande sentido visto que já tem imensos golos este ano. Mais até do que eu esperaria de um miúdo de 21 anos a quem se pede que resolva todos os nossos problemas. Depois tivemos Otávio que já estava a acusar o nervosismo antes de sair, tal como Oliver, e Brahimi que, depois de uma boa entrada, já estava a ligar o 'complicómetro'. É difícil dar notas negativas perante tamanho empenho, mas é um facto que nem sempre estávamos a escolher os melhores caminhos para a baliza. Exagerámos nas bolas para Brahimi e Corona, na esperança que resolvessem sozinhos. Muita sofreguidão no ataque, portanto. Defensivamente e no ataque às segundas bolas estivemos muito bem! Nesse aspecto Felipe e Danilo estiveram imperiais e mantiveram o jogo nos tais 60 metros que Nuno Pretende. Por falar em Nuno, estou para perceber as opções na esquerda. Layun foi um claro 'tiro-ao-lado'. Por um lado, o Braga tem bons atacantes e os extremos até têm marcado mais golos que os avançados. Tirar, neste jogo, o lateral que defende melhor não faz sentido algum. Pelo desenrolar do jogo, acabou por nem serem precisas grandes atenções defensivas. Nem assim Layun conseguiu inverter esta minha convicção de que os titulares nas laterais estão bem escolhidos em Maxi e Alex. Maxi que seria o meu MVP, não fosse o golo de Rui Pedro. Tem uma intensidade contagiante para a equipa e para as bancadas. É impressionante! Para terminar, Herrera entra para a esquerda e não percebi bem a utilidade. Para isso entrava Alex Telles. Notas altas para Corona e Jota.

Na quarta-feira continuamos esta semana em que se decide toda a época. Convem marcar cedo, para bem da nossa saúde cardíaca!

PS: Sei que há muitos portistas que só agora começaram a conhecer Rui Pedro. É normalíssimo. Mas convem dizer, na senda do post que aqui fiz sobre Rui Jorge, que Hélio Sousa também optou inexplicavelmente por não o convocar para a primeira ronda  de qualificação de sub19. Os resultados estiveram à vista e só no último minuto é que conseguimos a qualificação para a ronda de Elite perante colossos do futebol Europeu como Bulgária, Bielorrússia e Dinamarca. Ou seja, íamos ficar na primeira ronda de qualificação, quando vínhamos de uma serie de 3 semi-finais seguidas. Num dos anos, com a geração de André Silva, Rafa e Gelson até fomos à final. É de referir que só ganhamos um dos jogos e que os avançados convocados ficaram a zero. Ainda assim não cabia o melhor marcador da Youth League e o único sub19 português que já marcou golos nas ligas profissionais. Temos boas gerações de jogadores. Basta não complicar e pôr a jogar os melhores!

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Temos um problema


Faltam golos. Não é preciso ser um génio para perceber isso. Mas o problema é um pouco mais complicado do que a mera inspiração no momento de finalizar. Mas este é um sintoma recorrente e é disso que se fala. Mas agora o problema é o treinador. Perguntamos nós: só agora? O nosso problema e a 'sorte' de NES é que têm aparecido atenuantes ou elementos que nos distraem. As arbitragens, a primeira parte com o Benfica, a juventude do ataque, a garra da equipa e nomeadamente a dos centrais e de Danilo, têm servido para que muitos tenham a tendência de dar o benefício da dúvida a um sistema que só funcionou na Madeira e na primeira parte com o Benfica. E com isso continuamos iludidos a elogiar o Danilo e o Marcano e a dizer que o Oliver não é tão bom como pareceu da primeira vez, que o Otávio já não está em forma e que o André Silva e o Jota ainda não estão preparados. Repito o que disse aqui na terça-feira: «gosto da atitude mas acho que está a ser desperdiçada em ideias que são curtas para o talento individual que temos na frente». Uma equipa como o FCPorto tem de procurar a posse. Não pode desperdiçar tanto jogo em bolas longas sem sentido e num desgaste constante dos nossos avançados. Nuno Espírito Santo registou o slogan 'Somos Porto' mas o conceito dele está incompleto. Não basta correr mais. Há que correr melhor, há que procurar controlar o jogo, há que assumi-lo com autoridade. Nuno foca-se na intensidade, na necessidade de chegar rápido à frente, na necessidade de pôr pressão constante na defesa contrária. Serão ideias válidas mas totalmente desajustadas do plantel que temos à disposição. É um desperdício ter no plantel Oliver, Otávio, Corona, Brahimi, Ruben Neves e estar a pôr 50% das bolas a sobrevoá-los, só porque André Silva e Jota gostam de procurar o espaço nas costas da defesa. É um esquema de jogo limitador do talento individual, que é o mais nos distingue dos nossos adversários habituais.

Quanto ao jogo, poderão ir ver o que se disse aqui do jogo de Tondela e de Setubal. Pouco mudou. Individualmente, dou o MVP a Marcano que esteve bem na defesa e ainda criou a nossa melhor oportunidade. Felipe também esteve bem. O resto foi bastante mediano e até fraco como foi o caso da exibição de Jota. Mas o grande destaque negativo vai para o auxílio do banco. Dali não veio ajuda nenhuma e Depoitre continua a assustar bastante. Há um remate que é mesmo ridículo. É até embaraçoso discutir esse lance.

Na terça-feira não há crónica. Depois faz-se uma geral para a Taça da Liga. Tirando esse, nos próximos jogos, joga-se o futuro de Nuno Espírito Santo. Há uma mês parecia improvável.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Grupo fraco - parte 5


Temos sinais contraditórios vindos do jogo de hoje. Por um lado temos a primeira parte, por outro lado temos a segunda. Por um lado mantemos uma seca de golos e por outro mantemos a nossa baliza inviolável num campo muito pesado e difícil. Por um lado, estamos numa posição que, à segunda jornada, não era provável e dependemos de uma vitória em casa para passar, por outro não vamos discutir o primeiro lugar que há partida era um objectivo natural perante os adversários neste grupo.

Mas hoje estou numa de 'copo meio cheio' e vou falar primeiro do que gostei e de algo que valorizo muito nesta equipa. A atitude demonstrada na segunda parte tem de nos encher de orgulho. Após uma primeira parte de algum sofrimento e de pontapé para a frente sem critério, perante um adversário que precisava de ganhar para passar, a segunda parte é toda nossa. E estivemos a um nível brilhante em certas variáveis do jogo, nomeadamente a agressividade, a atitude competitiva e a recuperação rápida da bola, incluindo muitas recuperações no último terço do campo. Pena que estivemos, mais uma vez, medíocres na definição. Mas a conclusão que posso tirar deste jogo é a de que esta defesa de 'faca nos dentes' e esta juventude que temos no ataque não se rendem. Uma equipa que joga com esta atitude merece ser apoiada e protegida! Claro que se tem de falar de árbitros!

Não obstante, tenho vindo a que Nuno está a trabalhar melhor ao nível da psicologia, do que ao nível da táctica. O problema que vejo é que me parece que muitas das críticas que apontamos à equipa, nomeadamente o posicionamento em organização defensiva e o excesso de bolas sem nexo por alto e em profundidade não vão mudar, porque me parece que fazem parte da ideologia do treinador. Nuno não quer ter a bola muito tempo na defesa. Tenta-se arranjar rapidamente opções de passe curto e, se elas não aparecem, bola na frente e pressão nas segundas bolas. Nuno quer aproveitar o espaço nas costas da defesa adversária e, para isso, está disposto a encostar a sua própria linha defensiva à sua própria baliza. São as ideias dele. Habituem-se! Eu tenho de confessar de que gosto da atitute mas acho que está a ser desperdiçada em ideias que são curtas para o talento individual que temos na frente nomeadamente nos pés de Corona, Otavio e Oliver. De vez em quando, vamos apanhar jogos em que o adversário está mais habituado a lidar com chuveirinho, como aconteceu na primeira parte de ontem, e aí o futebol vai parecer ridículo. Mas outras vezes vamos ter adversários que lidam mal com esta pressão, como o Benfica, e aí podemos brilhar mais.

Individualmente, estou indeciso entre dar o MVP a um dos centrais ou a Otávio. Em caso de desempate vale o meu gosto pessoal e fica Otávio. Foi muito importante na segunda parte naquelas recuperações no último terço e jogou com uma intensidade máxima. Os centrais fizeram um grande jogo, num terreno muito complicado e perante avançados que estão habituados a jogar ali, com aquela temperatura e com aquela humidade. Grandes! Gostei também muito de Oliver e Corona na segunda parte. Este último acabou por ser o que melhores decisões de definição tomou porque Jota e André Silva... Muita entrega e intensidade para tão más decisões no final. Os laterias tiveram dificuldade mas foram crescendo no jogo. De assinalar o facto de Nuno não ter mexido na equipa. Se estavam a jogar bem, só fatores físicos justificariam uma mudança.

Para Sábado só posso desejar um 0-3 com um hat-trick de penaltis marcados por André Silva. Para animar! Temos de manter a pressão até ao derby da tv a preto e branco.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Chorões


Na sexta-feira conseguimos juntar mais um argumento aos que nos têm chamado de chorões, calimeros, etc. Eis o 'pináculo' da desonestidade intelectual: «Para que querem penaltis se depois não os conseguem converter quando é preciso?». Juntamos este novo aos anteriores, não menos idiotas: «Digam o prejuízo em pontos?» e «Mas vocês não praticam o melhor futebol e queriam ir à frente?». Este campeonato e este ano desportivo já estão notoriamente marcados pelo nosso prejuízo em termos arbitrais. E, por muito que nos beneficiem daqui para a frente, vai ser difícil compensar o que já foi feito. Na sexta-feira, tivemos apenas mais um episódio que acabou por ser o mais grave de todos porque, ao contrário dos anteriores que 'não matam mas moem', este tirou-nos um título. Tivemos em Alvalade um pesadelo ao nível disciplinar e em Chaves um pesadelo ao nível técnico, mais concretamente pela não marcação de 3 penaltis claros. Poderão rever os vídeos na nossa conta de facebook. Há ainda um suposto penalti para o Chaves, que estranhamente vejo alguns portistas a conceder, que me parece não existir. É claro que José Sá toca a bola e é muito improvável que o jogador do Chaves chegasse à bola após esse toque. É mais uma atenuante que vai sendo habilidosamente utilizada para nos desviar da vergonha a que assistimos todas as semanas. 

É importante que os Portistas não se distraiam. Poderão reparar que o Nuno vai passar a estar tremido, quevão dar destaque ao Brahimi não joga e que esse é o problema, e depois virá o Herrera ou qualquer outro que caia da equipa principal. Mas não deixem desviar o foco do mais importante. Há Portistas que embarcam na onda de que 'Temos de voltar aos anos 80 e jogar muito mais que os adversários e independentemente do tudo o que nos fazem'. Mas não chega. Futebol é técnica, é táctica mas também é feito de emoções. Imaginem o ânimo de um plantel que se vê com este prejuízo acumulado. Imaginem uma equipa que tem de reagir e atacar o resultado perante um acumular de 3 penaltis por marcar depois do historial que acumulamos este ano. Não é pedir de mais? Reformulando, é justo criticar a equipa quando não consegue dar a volta a isto? Não é uma atenuante de peso? Eu acho que sim.

Quanto ao futebol jogado, direi que foi mais que suficiente para ganhar o jogo e que o adversário teve uma oportunidade de golo em 120 minutos de jogo. Muito mais tiveram eles em 90 minutos contra o Benfica neste mesmo estádio. Já nós tivemos bola à barra, bolas tiradas por defesas em cima da linha e outras 4 ou 5 oportunidades bem claras. Mas as oportunidades de golo não poderão apagar o facto de que passamos os últimos minutos e o prolongamento a bombear bolas para a área. É um futebol redutor para o talento dos nossos jogadores e que apenas se adapta a um deles que é Depoitres. Sacrificar o futebol da equipa, só porque estamos a jogar com um 'pinheiro', é desvalorizante para o resto da equipa. Depoitres entra e tem de dar à equipa mais uma solução de jogo e nunca uma solução única de 'despejo' de jogo para a área.

Individualmente, dou o MVP a André André que foi o motor da equipa na sua melhor fase que foi na segunda parte. Gostei também de Jota e de Danilo. Pela negativa, José Sá que esteve muito inseguro e Layun que, pela terceira vez consecutiva, entrou mal para a posição de extremo.

Na terça-feira, mais uma vez e cada vez mais, temos o jogo da época.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Ice bucket chalenge


Que grande desilusão! É daquelas coisas que acontece mas que, este ano, tem acontecido muito ao nosso adversário de ontem. Desde os auto-golos mais absurdos, à dupla penalização dos adversários directos, no mesmo fim de semana, até aos golos 'caídos do céu aos trambolhões' nos últimos minutos do jogo. Mas não nos podemos focar na sorte. Se o fizermos, não conseguiremos encontrar os erros cometidos e, sobretudo, desvalorizaremos o que de bom fizemos ontem, e há muito mais a elogiar do que a criticar.

Em primeiro lugar, convem dizer que a equipa me surpreendeu muito pela positiva. Mais e melhor atitude do que o adversário e muito mais futebol. Apenas mais uma prova de que estes 5 pontos de vantagem não espelham qualquer diferença de qualidade.  E este tem de ser um barómetro a ter em consideração. Quando criticamos a nossa equipa, temos de ter em mente o nosso ideal de FCPorto mas, por vezes, uma comparação com os nossos adversários directos é um bom exercício para que se aprenda a gerir as expectativas. O Benfica não demonstrou ser melhor, nem demonstrou argumentos sólidos para sair do Dragão com pontos. Foi um equipa subjugada até ao nosso golo e sem ideias nos 40 minutos que se seguiram. Só futebol bombeado, algo que muito criticámos em Nuno Espírito Santo. Por sua vez, Nuno passou os primeiros 50 minutos de jogo a praticar o que desenhou na sua famosa conferência de imprensa. Estou a falar do segundo desenho. Aquele que nos dizia que toda aquela 'gatafunhada' iria resultar na visão do FCPorto :«independentemente do esquema, o nosso campo reduz-se a 65 metros, porque estamos mais perto da baliza contrária». Inicialmente tentámos bombear demasiado o jogo mas, a partir do momento que Oliver conseguiu passar a pautar o jogo na meia esquerda, passamos a criar situações consecutivas de perigo, que foram aparecendo consistentemente até ao golo. Mesmo quando bombeávamos o jogo, lutámos muito bem pela segunda bola criando assim um ambiente de 'sufoco' ao adversário. O problema é que, tal como aconteceu em tantos outros jogos no Dragão, a seguir ao nosso golo os 65 metros deixam de estar próximos da baliza contrária e passam a estar perto da baliza de Casillas. As próprias substituições só nos aproximaram da nossa baliza e retiram a capacidade de ter bola lá na frente. Brahimi seria uma opção óbvia para quem quisesse manter a bola bem longe da nossa baliza, mas não saiu do banco. Este é o ponto e é algo que temos de aprender a fazer: descansar com bola. Conseguir desfrutar das vantagens. Porquê? Porque quanto mais bola dermos ao adversário e quanto mais o deixarmos aproximar da nossa baliza, maior a probabilidade de um lance fortuito acontecer. Tal como aconteceu ontem e tal como quase aconteceu na quarta-feira. E daqui surge a pergunta: isto é um problema para Nuno Espírito Santo? Ou será que ele está tão obcecado em explorar as costas da defesa contrária que prefere ceder o controlo do jogo? Pois eu começo a tender para esta segunda hipótese. E não gosto desta maneira de jogar. Por muito que tenha gostado dos primeiros 50 minutos, há muito para melhorar. Há portistas que ficaram mais optimistas mas eu, que até gostei da exibição, continuo apreensivo. A razão é simples: esta bipolaridade manifestada em 65 metros deslizantes não é um caminho que queira para o FCPorto, porque se 'põe a jeito' para sofrer azares. E o adversário nem precisa de ser muito bom. Basta saber despejar bolas, como o Benfica fez ontem.

Individualmente, O MVP vai para Jota, que foi o jogador mais perigoso. Gostei também de toda a linha defensiva que, como sempre, teve bastante trabalho na segunda parte. Oliver esteve bem na primeira parte e julgo que deveria ter sido o Otávio a sair para entrar Brahimi e não Layun. Pela negativa, os mexicanos. Corona esteve muito ausente do jogo, o que é pena porque, sempre que participou, fez coisas boas. A entrada de Layun para defender a ala esquerda voltou a ser absolutamente inútil. Quanto a Herrera... A sua relação com a generalidade dos adeptos já não estava boa. Esta poderá ter sido a 'gota de água'. Julgo que não irá jogar tão cedo.

Vem aí mais uma irritante pausa. Não vem em boa altura...

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Grupo fraco - parte 4


Nuno Espírito Santo fala de ineficácia no ataque e enaltece a capacidade de sofrimento. Diz que temos de marcar mais golos para descansar mais no jogo. Concordo com a parte da ineficácia mas será que tínhamos de sofrer? Por muitos desenhos, por muitas conversas sobre o jogador à FCPorto e por muitos chavões que se usem nas conferências de imprensa, o nosso problema maior não é a eficácia. O nosso grande problema deste ano é um dos clássicos momentos de jogo que é o momento de 'Organização Defensiva'. Básico! Temos uma linha defensiva incrivelmente recuada. E isto aconteceu em quase todos os jogos no Dragão quando nos apanhámos em vantagem. Bruges, Copenhaga, Arouca, Boavista... Tudo colossos do futebol mundial que nos fazem 'tremer de medo' e fixar a linha de batalha bem próxima da baliza de Casillas. Isto inviabiliza, muitas vezes o apoio à primeira pressão de André Silva e Jota, que correm muito para nada e depois não têm a frescura física para atacar e finalizar melhor. A linha de 4 médios, que se vê constantemente à frente da linha defensiva, tem dificuldade em perceber se se aproxima dos 2 da frente ou se recua. Tal faz com que seja facilmente ultrapassável, porque sobra sempre espaço entre-linhas, onde os médios adversários têm tempo de rodar e organizar. E depois os passes longos e os constantes alívios, muito mais vulgares em defesas que jogam com pouco espaço nas costas. Nuno Espírito Santo fala de falta de eficácia no ataque, mas não fala da espectacular eficácia na defesa. Com uma linha tão recuada, perante a constante e deficiente organização defensiva, e perante adversários que apostam num 'futebol aos trambolhões', os defesas, e nomeadamente os centrais, têm tido um rendimento muito bom! Até os laterais e Danilo têm brilhado mais em acções defensivas. Até ao dia... O problema é que, assim, o futebol torna-se mais aleatório, quando não o devia ser contra estes adversários. Basta ver o golo do Copenhaga. Bastou um erro de Alex Telles para sofrermos um golo, em apenas uma oportunidade de golo concedida. Essa foi a grande diferença ontem: Casillas defendeu!

Nuno até tem sido hábil a esconder as suas limitações. Quando a equipa é desorganizada, ele fala da juventude. Quando não marca, esconde-se na grande quantidade de oportunidades de golo e na ineficácia. Quando não consegue estabilizar o onze, fala de processo de assimilação da ideia de jogo. Nada disto me tranquiliza e confesso que estou assustado. Há um ano e há dois, eu sabia o que Lopetegui queria da equipa. Gostando ou não, sabia como se posicionava, as suas rotinas, as suas limitações, quais os jogadores em quem confiava. Hoje não sei. Porque não acredito que este plano, de defender à Estrela da Amadora, seja o plano de Nuno para o FCPorto. Mas é o que vejo. Não acredito que Nuno queira que se passe o jogo a despejar bolas para os ciclistas correrem atrás dela, como acontecia no Salgueiros do Mário Reis. Mas é o que vejo. Não acredito que se pense nos centrais do FCPorto como os campeões da 'bola para o pinhal' como os saudosos centrais Tanta e Dinis, mas as estatísticas não mentem. Já sei que uma vitória no Domingo muda tudo mas, neste momento, não passa de 'wishfull thinking' e daquela velha noção de que nos clássicos tudo é possível.

Individualmente não me é fácil dar o MVP. Poderia ser André Silva pelo golo, mas passou o resto do jogo em correrias estéreis. Os centrais estiveram bem, mas eu não gosto de os ver jogar assim, sem classe e só a aliviar. Casillas esteve lá quando foi preciso. Talvez Danilo apesar de uma grande nabice a meio da segunda parte. A entrada de Ruben Neves trouxe alguma serenidade e segurança. Algo que não combina com Herrera. É mais apatia, tendência trágica para o disparate... Enfim. Não tarda e volta ao banco e poderá ser já no Domingo. Oliver e Otávio complicaram mais do que o que criaram e Jota parece ainda mais perdido do que o André.

Este jogo poderia ter sido um factor de motivação. Não o foi. Mas não me lixem! Para Domingo é preciso motivação extra?

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Natal é só em Dezembro…


E esta é a única justificação que consigo encontrar para as “mexidas” do banco promovidas pelo nosso treinador… Só uma pessoa conservadora e com as tradições bem enraizadas é que pode sustentar a não colocação de um “Pinheiro” em campo em Outubro, num jogo que tinha todos os condimentos para o fazer…

Deixando as piadinhas e passando ao jogo, penso que estivemos por cima no final da primeira parte e entramos com tudo no arranque da segunda… foram períodos em que tivemos tudo para marcar e matar o jogo… Oliver não pode falhar, André Silva tem de ser matador e J estava lá, fez o que tinha de fazer, mas ela não entrou… Quanto aos “tubarões” de Setúbal, em termos ofensivos, nem vê-los, facto para o qual também contribuiu um bom jogo de Danilo e de Felipe, bastante agressivos na recuperação da bola…

Passando aos erros crassos, e ao título da crónica, não consigo compreender como é possível ter um jogador no banco com características específicas que podem ser maximizadas em jogos como estes e não os colocar em campo… se não serve para estes jogos quando é que Depoitre vai servir? Tentando perceber as razões das substituições, nomeadamente a entrada de Ruben Neves, porque as outras são relativamente compreensíveis, suponho que fosse dar mais frescura ao meio campo e circulação de bola sem abdicar da segurança defensiva, continuando Danilo em campo para aniquilar possíveis descidas vertiginosas dos adversários… mesmo assim não consigo compreender… a circulação de bola nem estava a ser dos piores problemas (excelente entrada no segundo tempo) e, pelo menos, pedia-se um pouco mais de risco (saída de um central, por exemplo, mas nem isso)… depois desta dupla substituição perdemos fulgor e terminamos o jogo com o Casillas a meter a bola na cabeça do Corona… sintomático…

Por fim, falar mais do mesmo… já sabemos que o FCP está habituado a isto… mais, não está só habituado a isto, como está habituado a ganhar assim… mas quando o FCP não está a 100% a ajuda destes senhores, que com apito julgam-se mais do que os outros e sentem o poder nas “mãos”, inviabiliza uma maior percentagem de sucesso… como é possível terminar a primeira parte com zero minutos de descontos, em jogos como este em que é mais do que usual a equipa teoricamente inferior retardar o tempo possível sempre que o jogo pára? Bastava dar um minuto de tempo extra e passava despercebido... Como é possível estar de frente para um jogador que tenta pontapear a bola e não consegue e que ao mesmo tempo vê o seu adversário estatelar-se no terreno e não marcar a respetiva falta (por acaso dentro da área), quando minutos antes consegue premiar um mergulho do jogador do Vitória com uma suposta falta de Danilo que com o corpo ganha posição e recupera a bola? Valeu-nos o árbitro auxiliar ter as cores da isenção, porque para o árbitro principal estiveram as condições reunidas para sairmos do Bonfim com uma derrota, mesmo sem estes praticamente terem chutado à nossa baliza…

Resumindo, não concordo que fizemos um jogo miserável, tivemos dois bons períodos com ocasiões para sairmos vitoriosos… faltou eficácia... logicamente que queremos mais, sempre… as opções técnicas vindas do banco não foram as melhores e o árbitro fez o resto...

Vem aí o clássico, mas sem estarem reunidas as condições pretendidas... Antes concentrar todas as forças no jogo com os Belgas e ganhar confiança para não vacilar no jogo dos lampiões e afastar um cenário que só vi o nosso FCP alcançar desde que nasci…

P.S. Grande mancha azul no Bonfim... Fantástico!!!

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Dupla


É o destaque actual no FCPorto. Esta dupla que se formou no ataque parece ser frutuosa para todos. Por um lado, André Silva continua a marcar e a assistir sendo o jogador do campeonato com mais remates por jogo e sendo já um dos melhores marcadores. Jota também marca e assiste, e as defesas continuam a procurar a melhor forma de defender esta nova estratégia, que muitos já tendem a comparar com outra formada por Domingos e Kostadinov . É melhor fugir das comparações, mas há algumas semelhanças. A título de exemplo, esta dupla é diferente das dos nossos adversários directos, que apostam sempre num elemento fixo entre os centrais. Tanto André Silva como Diogo Jota evitam jogar de costas para a baliza, procurando abordar os lances enquadrados e procurando explorar o espaço das costas das defesas. Faltará ainda alguma intuição e capacidade analítica para quando o adversário povoa a cabeça da área, como aconteceu em Brugges. Aí a dupla pareceu perdida e poderia ter explorado melhor as alas, fugindo à marcação. É a juventude, mas é simultâneamente um problema e a grande virtude.

Ontem entrámos bem no jogo e podíamos ter marcado logo, nomeadamente numa jogada de antologia de Corona. O golo tardou em aparecer e a equipa esmoreceu um pouco, mas sem perder o foco. Com o golo pudemos serenar mais um pouco, talvez de mais. As entradas de Brahimi e Ruben Neves, sobretudo o primeiro, ajudaram a dar a estocada final num jogo que já se estava a complicar. E aqui um bom destaque. Nos dois últimos jogos, Nuno Espírito Santo consegue tirar bom proveito das opções que tem a seu lado no banco, algo de que não dispôs em Alvalade, por exemplo. São os frutos da má preparação da época que já aqui destacámos. De facto, as coisas começam a correr melhor, mas em Brugges tivemos uma exibição bem mais fraca que o resultado. Por isso, parece-me estranho que Nuno já tenha 'peito' para vir falar do jogador à FCPorto. Em primeiro lugar ficámos todos a perceber porque é que tem demorado a assimilação da ideia de jogo. Basta que Nuno a tente desenhar para que se crie a confusão na cabeça dos jogadores. Gatafunhadas à parte, focando a atenção nos chavões, é cedo para vir dar lições...

Individualmente, MVP para André Silva que resolveu o jogo. Jota esteve mais apagado mas apareceu nos momentos chave, tendo também nota bem positiva. De resto gostei das exibições dos dois centrais, de Danilo e da entrada de Brahimi coroada com um excelente golo. Destaque nesse lance para uma rara assistência de Casillas e para a reacção despropositada do jogador nos festejos. Se ainda não se habituou aos 'passa a bola' que vêm da bancada, está mal. Antes dele, jogadores como Quaresma e Hulk (para citar os mais recentes) também o ouviram. Isso nunca vai mudar. Se há coisa que aprecio em Brahimi é que joga sempre em risco máximo, independentemente dos assobios e por vezes dá obras de arte, como a de ontem. Conseguindo poupar Otávio, Oliver esteve mais na esquerda e Herrera andou mais pelo meio, ganhando com isso. Não aprecio esta mania de Corona desaparecer no jogo. Sobretudo depois daquela jogada inicial mais que motivante. Layun continua a ter dificuldades defensivas e acho que, a continuar assim, Maxi ganha o lugar. Até porque, do outro lado, Alex Telles tem apenas que resolver o acerto nos cruzamentos, porque defensivamente e em termos de agressividade, tem cumprido bem.

O próximo jogo poderá colocar-nos na iminência de atacar o primeiro lugar. Importância máxima portanto!

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Grupo fraco - parte 3


É difícil falar do jogo de ontem. Por um lado, quero enaltecer a atitude, o facto de não termos desistido do resultado, num jogo que estava a correr bastante mal. Mas depois, quando tento perceber porque estava a correr mal, assusto-me e apercebo-me de que, se este Bruges nos causa problemas, isto é algo que poderá acontecer com frequência. 

Sintetizando, partimos do oito e fomo-nos aproximando do oitenta, sem ter muitos momentos de grande brilhantismo. Lembro-me apenas do golo de Layun, do passe de André Silva que isola Otávio e do sangue frio do miúdo na conversão da penalidade tardia. Mas o que me preocupa mesmo é a total inconsistência entre jogos e dentro do próprio jogo. Vamos ao passado recente. Ignorando o jogo com o Gafanha, em casa contra o Boavista, perante um golo irregular, reagimos com uma excelente primeira parte, para depois fazer uma segunda bastante mais fraca. Em Leicester demos a primeira parte de avanço e, mesmo na segunda, não estivemos bem, apesar de podermos ter empatado com lances duvidosos na área e uma bola ao poste. Segue-se a melhor exibição desde Roma, com uma dupla de ataque que parecia resolver os nossos problemas. Parecia... Porque essa dupla ontem, não tocou sequer na bola. Dirão que a culpa é da forma como a equipa jogou, mas André e Jota tiveram muita dificuldade em segurar o jogo e em procurar movimentações para se adaptarem às dificuldades. A título de exemplo, Brahimi e Corona encontraram espaço entre os centrais e os laterais avançados. É aí que surge o penalti. 

Ou seja, uma 'montanha-russa'. Ora jogamos bem, ora jogamos mal, ora pensamos que temos o onze estabilizado, ora passamos a pensar que falta o Brahimi, o Corona, o Maxi ou o Jota, etc. É um FCPorto em construção... O problema é que já estamos no fim de Outubro!

Quanto ao jogo, fiquei contente por Nuno ter resolvido o jogo alterando do banco, mas fiquei assustado com a forma como a equipa reagiu a esta táctica 'Juventus' do adversário. Deu a ideia que não estávamos preparados, o que é sempre um motivo de alarme. Eles tentaram criar confusão no meio, concentrando aí uma floresta de pernas. Aí, mais uma vez, assustou-me a maneira como Nuno não mudou de ideias mais rápido. Até o Freitas Lobo repetiu inúmeras vezes que tínhamos de tirar a bola do meio da confusão. Finalmente com Corona e Brahimi, conseguimos fazê-lo e imediatamente surgiu perigo. Defensivamente, Layun tem vindo a demonstrar mais lacunas defensivas na direita, do que na esquerda o que me parece estranho. Temo que seja por ter ao lado Felipe e à frente Herrera. De facto não ajuda... Foi por aí que o adversário foi criando perigo. À medida que o FCPorto foi pegando no jogo o perigo adversário foi desaparecendo.

Individualmente dou o MVP a Marcano pelo rendimento constante no jogo e por estar a ser, este ano, um dos esteios da equipa. Gostei também da segurança que Casillas deu à equipa. Nota bem alta para Otávio e vou esquecer aqueles últimos minutos de individualismo em que me pareceu que já estava desgastado. Gostei muito da segunda parte de André Silva e das entradas de Brahimi e Corona, sendo que o mexicano esteve melhor. Danilo esteve autoritário na segunda parte mas ninguém me tira da cabeça o Ruben e o que ele faz pela gestão da posse da equipa. Danilo está bem a ir atrás do prejuízo, mas Ruben antecipa-o evitando-o. Layun esteve um desastre com excepção do golo marcado e não me admira que perca o lugar para Maxi. Entre os centrais, Felipe é um 'acidente à espera de acontecer' e vale-nos Marcano. Herrera... Foi um dos jogos maus. Virão outros bons, seguidos de outros maus, e sucessivamente...

No Sábado temos Arouca. Será interessante perceber o  que acontece aos que jogaram pior como Layun, Herrera e Jota. Perceber se se aposta no esquema que nos deu ilusão na Madeira ou o que nos deu a salvação em Bruges. Eu insistia no da Madeira com pequenas alterações de casting.

domingo, 16 de outubro de 2016

Poupança


Nuno não poupou ontem, mas eu vou ter de poupar na crónica. Normalmente, o que procuro neste jogo é avaliar os menos utilizados. Não consigo. Foram apenas três e não foram postos à prova. Além de que Maxi é um titular a recuperar fôlego e Boly, na minha opinião, mais cedo ou mais tarde, vai discutir o lugar com o errático Felipe, quando (se) este começar a errar mais. Dirão que foi uma estratégia conservadora de Nuno, mas pode não ser bem assim. Pondo 'toda a carne no assador' a expectativa aumenta e todos esperávamos uma goleada que não aconteceu. Aumenta também a possibilidade de haverem lesões. Não goleámos, não deslumbrámos e por isso não posso dizer que foi um bom teste. Dá a ideia que Nuno descobriu a pólvora e não quer abdicar deste novo esquema enquanto não estiver bem oleado. Ora ontem, não correu tão bem como na Madeira,  mas sempre foram mais uns minutos nas pernas e a prova virá na terça-feira. 

O jogo valeu por Otávio que juntou à sua boa exibição mais um belo golo. A dupla da frente voltou a mostrar bom entendimento mas sem acerto na finalização. Herrera jogou bastante mal. Se jogar assim na Bélgica, salta novamente para o banco. Destaque ainda para para os golos de Corona e Depoitres mas que chegaram numa altura em que o adversário já não conseguia correr.

Na próxima terça-feira, só nos resta ganhar e ganhar bem como lá ganhou o Leicester. Caso contrário, adeus...

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Tiques Scolarianos de Rui Jorge


Não é um assunto muito apropriado para o blog, até porque fala mais da Selecção Nacional do que do FCPorto, mas é um assunto que sigo com interesse e eu, hoje, invento qualquer coisa para não ter de falar das assustadoras contas do FCPorto, apresentadas por Fernando Gomes. 

A ideia surgiu quando vi que o rendimento dos sub21 baixou bastante nos últimos quatro jogos. Chegámos a sofrer um golo, que foi o único do Liechtenstein em todo o apuramento. Não há sinais de alarme aparentes. Mas as aparências, por vezes, poderão iludir e temo que Rui Jorge esteja a desenvolver o ego por caminhos perigosos.

Por motivos familiares, desde há 5 anos atrás, tenho vindo a acompanhar as camadas jovens com muita atenção. Isso tem implicado ver jogos ao vivo, que não dão na TV, assistir a jogos em sintéticos pelados, etc. E quase só sigo competições nacionais! É o que temos... Isto para dizer que compreendo a recente sobrevalorização do trabalho de Rui Jorge. É o que ditam os resultados e esses têm sido bastante bons, com apenas uma grande desilusão na final do Euro de Sub21. Mas será que evoluímos assim tanto desde Rui Caçador, José Romão, Nelo Vingada, José Couceiro e outros que por lá andaram com menos sucesso? Ou será que a matéria prima de agora é muito melhor? Dou um exemplo: José Romão foi às meias finais do Euro com uma geração que tinha Bosingwa, Meireles, Bruno Alves, João Pereira, Hugo Almeida, tudo jogadores que fizeram carreira longa na Selecção A. Rui Jorge é bom e melhor que os referidos, mas a matéria prima conta! E nesse caso, o papel da formação nos clubes não conta? Obviamente e tem sido fulcral o trabalho na formação dos três grandes, mas também noutros clubes como Braga, Guimarães, Rio Ave, Paços de Ferreira, Belenenses e Setúbal. Custa-me 'endeusar' Rui Jorge e até o Hélio Sousa e Emílio Peixe (bem conhecido pelas suas convocatórias avermelhadas) porque acho que o maior mérito tem sido dos clubes e da sua aposta na formação. Se depois a concretizam na transição para as equipas A, é outro longo assunto...

Independentemente das características técnicas, que tem, Rui Jorge dispõe de maior qualidade que resulta em matéria prima muito superior à que tiveram os seus antecessores. Essencialmente destaco 4 gerações de grandes talentos que Rui Jorge 'apanhou':
- Uma geração mais velha que já está cimentada na selecção nacional A onde temos João Mário, André Gomes, Bruma, Ricardo Pereira, Ilory que são a base dos finalistas do Europeu de Sub 21 e que também estiveram nos oitavos de final do mundial de sub-20 e na fase de grupos do europeu de sub19.
- Uma geração intermédia que vai dando os primeiros passos na primeira liga e na Selecção A, em que já aparecem João Cancelo, Bernardo Silva, Gonçalo Paciência, Ruben Semedo e Tobias Figueiredo que atingiu as meias finais do Europeu de Sub19.
- Outra geração intermédia que também vai dando os primeiros passos na primeira liga e na Selecção A, onde se destacam André Silva, Tomás Podstawski, Chico Ramos, Ivo Rodrigues, Rafa Soares, Gelson Martins, Rony Lopes, Gonçalo Guedes e André Moreira que atingiram a final do Europeu de Sub19 e foram aos quartos de final do mundial de sub20.
- E uma geração mais nova que já começa a aparecer nos sub21 de onde se destacam Ruben Neves, Renato Sanches, João Carvalho, Alexandre Silva, Yuri Ribeiro e Pedro Rodrigues que foram às meias finais dos europeus de sub17 e sub19.

São resultados consistentemente bons e que já começaram a chegar à Selecção A, dando-nos o nosso primeiro título de sempre. E Rui Jorge ainda não apanhou uma geração que ganhou recentemente o Europeu de Sub 17. E até poderíamos falar das competições internacionais de clubes como a Youth League (e a anterior NextGen) para equipas sub19, em que o  Benfica chegou à final em 2014, havendo sempre equipas portuguesas nos quartos de final da competição. Os próprios desempenhos das equipas B's são um sintoma do aumento da qualidade, sendo que os desempenhos do FCPorto no ano passado com o titulo e dois anos antes com o segundo lugar se destacam. Mas Sporting e Benfica também têm estado constantemente nos lugares cimeiros, havendo um ano em que os três grandes, versão B, ficaram entre as seis primeiras posições. A Equipas B introduziram um espaço de maior competição para os escalões de sub 21 e sub20 que em muito melhoram a qualidade de que dispõe Rui Jorge.

Considero Rui Jorge um treinador com bastantes qualidades e, talvez por isso, é que as suas opções não me sejam tão indiferentes como as dos seus antecessores. Admito que um treinador fraco não convoque os melhores e que se perca em birras e em politiquices. Não o admito a Rui Jorge, porque o tenho noutro patamar. Depois de muito divagar cheguei ao meu ponto: os proscritos por causa dos jogos olímpicos. Há vários, mas vou destacar o que gosto mais que é Rafa Soares. É um jogador que aprecio bastante e tinha por certo que chegaria à nossa equipa principal, antes mesmo de André Silva. Antes dos jogos olímpicos, era totalista de um percurso imaculado da Selecção, com uma assistência e com participação activa em, pelo menos, cinco golos. O problema é que a convocatória para os jogos olímpicos saiu no dia seguinte à sua cedência ao Rio Ave. Como o Rio Ave estava prestes a competir para aceder à Liga Europa e como o FCPorto tinha todo interesse que o jogador participasse na competição, não se permitiu que ele fosse ao Rio de Janeiro. Esta foi uma decisão de última hora que causou mais um transtorno à difícil tarefa do seleccionador. Mas, mesmo que Rafa tenha dito a Rui Jorge que queria ir, não tem culpa desta mudança tardia. A culpa é dos clubes que atrasaram a negociação. Se assim é, porque é que Rafa não voltou a ser convocado por Rui Jorge? Recordo que era totalista da selecção até aí, e é totalista no Rio Ave (não jogou contra o FCPorto por não ser permitido). Acrescento que as convocatórias estão cheias de jogadores, cujos clubes não autorizaram a sua participação nos jogos olímpicos. Dou os exemplos de Ruben Neves, de Gelson, ou de André Horta. Escolhi jogadores dos três grandes para que fique claro que não vejo nisto uma perseguição clubística. Temos de exigir que sejam convocados os melhores e, neste caso estamos a convocar um suplente do Moreirense, um jogador que ainda roda no Benfica B e outro do Braga B que é uma recente adaptação à posição. É inexplicável e os resultados estão à vista: em quatro jogos, dois empates e quatro golos sofridos quando, até aí, só tínhamos vitórias e mantínhamos a baliza inviolável.

Na ausência de explicações de Rui Jorge, sou obrigado a concluir que a não convocação de Rafa Soares é um capricho 'à Scolari', que prejudica a Selecção, que nos poderá custar jogos e eventualmente títulos.

PS: Não faço artigo sobre as contas mas recomendo o do Tribunal do Dragão, que tem a qualidade e o conteúdo a que já nos habituou nesta área. Dá que pensar...

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

JJJ


Se em Leicester surpreendeu a geral apatia que demonstrámos, mesmo contando com o assalto final que continuo a achar que foi auto-inflingido pela equipa inglesa, ontem a exibição do FCPorto surpreendeu pelo inverso.  Intensidade desde o primeiro minuto, luta por todas as bolas, enfim... Praticamente tudo o que se pede a uma equipa do FCPorto. Além disso exibições, quase todas acima da média, quer dos jogadores, quer de Nuno Espírito Santo.

Comecemos por aí. Nuno fez duas alterações na equipa e, com isso, parece ter mudado tudo para melhor. Nota máxima, portanto. Conceptualmente já sabem que tenho preferências para o meio campo e que, nem Herrera nem Danilo, cabem nas minhas preferências. Mas é um facto que André André estava com dificuldade em adaptar-se ao papel que Nuno lhe estava a confiar. Herrera jogou melhor do que o que André2 vinha jogando, mas mantenho cepticismo quanto a esta opção, porque foi apenas um jogo. E todos sabemos que não se sabe o que se pode esperar de Herrera, visto que ele oscila facilmente entre o óptimo e o péssimo. O mesmo não poderei dizer quanto a Jota e à dupla que formou com André Silva.  Esta dupla presença criativa de Oliver e Otávio, estava a esbarrar com a indefinição na frente de ataque. Depoitre pede jogo directo, Corona e Brahimi pedem bola no pé e Adrian continua perdido no meio dos seus demónios. Sobrava o André Silva que corria desalmadamente, que lutava, que criava, mas que continuava a pecar na finalização. Nesse aspecto Nuno tinha razão: faltava alguém para dividir esse fardo com o André. Jota pode ser esse elemento. 

Depois de uma estreia muito tímida no Dragão, tinha vindo a mostrar cada vez mais nas suas curtas oportunidades. Ontem explodiu, deixando água na boca para o que pode valer em dupla com André Silva. Trata-se de um jogador que já conheço há cerca de 3/4 anos quando o vi pela primeira vez a jogar a titular numa seleção portuguesa de sub19. E todos sabemos como é difícil jogar nas seleções jovens se não se está nos 3 grandes... Nessa altura era ponta-de-lança, mas foi a extremo que se destacou no Paços de Ferreira. Mas não um extremo clássico. Sempre foi mais um tipo Derlei/Lisandro, ou seja, um extremo apontado à baliza e com características de finalizador. Fiquei lixado quando soube que o íamos deixar fugir para o Benfica e julguei que isso se tinha concretizado quando apareceu no Atlético. Já sabemos o que são os negócios entre estes dois clubes e que estão sempre em dinâmicas de 'encontro de contas'... A verdade é que está cá, parece estar de corpo e alma e Nuno parece conseguir tirar bom rendimento dele nesta sua ideia de jogo, que finalmente me pareceu clara. Será, como muitos já dizem, um regresso às dinâmicas de Jesualdo Ferreira, que muitos apelidam de más, esquecendo que fomos tricampeões com o Professor. O problema aqui parece ser a gestão do jogo em vantagem. Por exemplo, num jogo que dominámos por completo, concedemos 7 cantos, só na primeira parte. Se esta frente de ataque se estabilizar, como esperamos, será esse o passo seguinte na evolução: conseguir tirar frutos de estar em vantagem e fazer jogos mais descansados.

Mas o jogo de ontem acabou por ser bem descansado. O resultado foi curto, num campo bastante difícil. Todos nos lembrámos da maldição recente da Madeira que parece estar definitivamente 'morta'. MVP óbvio para Diogo Jota, mas destaque ainda maior para o entendimento em dupla com André Silva. De um modo geral, todos estiveram bem, e posso destacar também os médios, nomeadamente, Danilo que teve muitas recuperações de bola adiantadas. Os centrais estiveram bem, apesar de terem inventado alguns passes no final. No final do jogo, perguntaram ao Jota se ele esperava passar a ser titular. Pergunta estúpida com resposta interessante. Disse que não esperava ser titular, da mesma forma que não esperava ir para a bancada se tivesse jogado mal. Adrian foi para a bancada, como Brahimi já tinha ido. Nesse aspecto, Nuno tem de fazer uma gestão mais equilibrada das escolhas, não sendo razoável ter jogadores nesta 'montanha russa de emoções'. Numa semana em que só tenho a elogiar, fica este pequeno reparo que é para não dizerem que só se critica quando corre mal.

Pausa para seleções e Taça... Haja paciência!

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Grupo fraco - parte 2


Este foi o momento que definiu o jogo. Felipe tenta estorvar o adversário em vez de atacar a bola. Mas, por muito que eu não goste de Felipe e ache esta sua indiscutível titularidade, extremamente discutível, este lance é apenas um símbolo das dificuldades que tivemos em chegar primeiro, em discutir lances que exigiam ímpeto e força e um dos muito momentos em que o jogo directo do adversário nos causou problemas. E causou problemas a Casillas, a Danilo,  a Marcano, a Felipe, aos laterais, a Oliver... Ok. Causou problemas a todos. Independentemente da táctica e dos intérpretes, de facto, custa perder quando o adversário quer mais que nós. Quando quer chegar primeiro, quando consegue impor o seu jogo, nem que seja à força. 

Mas os problemas não se esgotam na vontade. Apresentámos um futebol semelhante ao do adversário, ou seja directo, mas nisso eles são bem melhores! Ter bola, jogar com a mobilidade dos médios, com o talento em jogos interiores, isso não fizemos. Jogámos o jogo deles e, obviamente, perdemos. Se tentássemos jogar o nosso... Isto partindo do principio que sabemos o que é o nosso futebol, mas não vos massacro mais com a ideia de jogo ou a ausência dela.

A primeira parte ficou-se por uma mediocridade geral. Na segunda parte, fomos subindo no jogo. Mas não nos podemos deixar enganar. Não jogamos o suficiente para nos queixarmos de azar, do poste ou do árbitro. A nossa supremacia na segunda parte pareceu mais inexperiência do adversário, do que mérito do nosso atrapalhado futebol directo para um desnorteado André Silva. 

Individualmente, nota zero para Nuno. Adrian é inexplicável! Brahimi na bancada, também. Mas Adrian é especialmente grave, porque não passava pela cabeça de ninguém que fosse um jogador que pudesse reagir, perante adversários que lhe 'mostram os dentes'. É um jogador afundado nos seus medos e que, pelo seu empresário, pelo que sabemos do negócio da sua compra, deveria haver algum decoro na gestão das suas inesperadas titularidades em jogos importantes. Mas Adrian não foi o único que esteve mal. Apenas vi coisas positivas em Danilo e Otávio. Tudo o resto foi fraco, com especial destaque para Oliver e André Silva, jogadores de quem espero sempre mais.

Hoje ganhámos a urgência de ganhar nos próximos três jogos. O que nos vale é que nos saiu um grupo fraco...  

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

A ideia de jogo


O jogo deste fim de semana já foi há algum tempo, mas ainda está fresco o susto que apanhámos. Contra o Vitória de Guimarães tivemos o único jogo descansado no Dragão e nós tratamos de o destacar aqui no título do post. Não conseguia prever nessa altura que os jogos com o Copenhaga e Boavista seriam bem mais difíceis, até porque me parecia que a equipa de Guimarães está ao nível de uma e é bem superior à outra. O jogo com o Boavista tornou-se difícil pelo golo 'a frio' e por termos adiado o ataque ao golo da tranquilidade. Nuno Espírito Santo pretende um FCPorto autoritário no Dragão. Ainda não o temos.

Aqui encadeio a questão da ideia de jogo. Vejo três grandes problemas. Nuno diz que vamos evoluindo e assimilando a ideia de jogo. Ora o que eu vejo são avanços e recuos. Na sexta-feira vimos uma excelente reacção a seguir ao golo sofrido. Se a ideia de jogo de NES é a que se viu nos 20 minutos que se seguiram ao golo do Boavista, gosto. Se for a do resto do jogo e sobretudo a do jogo com o Tondela, estamos mal! O problema é não se sente evolução. Sente-se que a ideia muda consoante os interpretes. Parece óbvio. Herrera é diferente de Oliver, Depoitre é diferente de Corona, Corona é diferente de Brahimi e Ruben é muito diferente de Danilo. É normal que as coisas mudem consoante os interpretes. O que não é normal é que o rendimento seja muito pior num dos esquemas. Outro problema é que não conseguimos ter uma ideia de jogo que nos sustente durante os 90 minutos. É inexplicável que, tendo virado o resultado ao intervalo, não se parta para uma vitória segura. A cada jogo que passa, fico com a noção que ainda estamos numa fase bastante embrionária na formação de uma equipa.

Individualmente, André Silva é o destaque óbvio. Esteve muito bem apoiado por Oliver e Otávio, os suspeito do costume. Adrian também esteve bem e esteve bem melhor do que Depoitre nos jogos anteriores. Lá atrás, Alex Telles esteve muito melhor que Layun, talvez a nossa pior exibição e Marcano esteve bem melhor que o eterno desastrado Felipe. Já tem sido habitual. Do banco vieram reforços. Os três entraram bem com destaque para Jota.

Em Leicester teremos uma boa a oportunidade para recuperar os dois pontos perdido em casa.

Para terminar, ainda aguardamos um jogo em que não tenhamos razão de queixa em lances capitais. Pelo que vejo nas bancadas, os adeptos estão revoltados. Quanto a Direções e SAD's, a newsletter vai-me dizendo que também estão revoltados, mas é o único indício que tenho...

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Temos de ganhar estes jogos...


Nuno está preocupado porque considera e diz claramente que «temos de ganhar este tipo de jogos». Muita 'letra'... Entrámos em Tondela com o melhor onze? Não basta dizer, há que praticá-lo! Oliver no banco e Marcano na bancada inviabilizam que se apresente o melhor onze. Isto já para não falar da utilização de Depoitre, que começa a não se justificar dado o rendimento. E depois há outra afirmação que assusta sobre a ideia de jogo: «...ela é clara e os jogadores vão entendendo cada vez mais o que pretendo». Estamos mal... Eu não só não acho que a ideia seja clara, como acho que há vários jogadores que estão a ter dificuldade em se adaptar a ela. Vamos à ideia. A ideia é o chuveirinho? Chuveirinho para as costas da defesa se possível. Em alternativa chuveirinho para a área. Isto é a regra. Quando temos a excepção, e temos Ruben, Otávio, Oliver e agora Brahimi a pegar no jogo, lá aparecem as nossas melhores jogadas. Mas essa é a excepção e não a regra. E se assim é, estou com vontade que os jogadores não assimilem as ideias de jogo... É penoso ver aqueles livres em zonas centrais directos para as mãos do guarda-redes!

O jogo foi o típico jogo fora de casa. FCPorto a procrastinar e o Tondela a dar pancada. Perante a primeira oportunidade do Tondela o FCPorto acordou e ainda foi a tempo de falhar várias oportunidades de golo claras. Mas as oportunidades de golo tornam-se mais difíceis aos 88 minutos do que aos 8. Há que ter isso em consideração e entrar em jogo com intensidade e com vontade de resolver cedo.

Individualmente começo por Nuno. Acho que esteve mal. Deveria ter entrado com um onze semelhante ao de quarta-feira, sendo o mais próximo possível do esquema que apresentou o nosso melhor futebol na época, nos jogos fora. Preferiu jogar com o físico, mas esse é o jogo do adversário, não o nosso (espero eu...). Todas as substituições acabaram por ser trocas directas, algo que achei insatisfatório dada a urgência de ganhar em Tondela. Ainda assim, as melhores oportunidades vieram no final do jogo, o que indica que as alterações acabaram por funcionar. Poderá ter sido apenas o efeito Oliver... A maior crítica é esta urgência de mudar de jogo para jogo. Não funcionou e julgo que é prematuro fazê-lo sem que a equipa esteja solidificada. Nuno fá-lo em pleno processo de assimilação da ideia de jogo. Assim vai demorar mais... O MVP vai para Otávio que foi o nosso melhor jogador na primeira parte e que se fartou de levar pancada. Até acho que saiu cedo demais. Oliver entrou muito bem e Brahimi também rendeu bem na primeira parte. Ruben e André André também estiveram bem. Não foi pelos médios. Pena de André Silva e Depoitre tenham tido um jogo tão desastrado. Casillas esteve lá quando foi preciso. Gostei da exibição de Alex Telles que reagiu bem ao erro na Champions. Felipe continua a não me agradar e Boly parece melhor mas não muito. Adrian também entrou bem mas é um jogador azarado. Nem o André não lhe passou a bola nem o auxiliar ajudou...

Para ajudar, tivemos mais uma arbitragem com erros que tiveram influência no resultado. Dando de barato o penalti de Felipe, que a ser marcado, seria bem arrancado pelo avançado perante mais uma abordagem 'à Felipe' (habituem-se...), todo o jogo foi um festival de pancada. Não digo que esta forma de jogar seja ilegítima, mas há que puni-la com amarelos e é ridículo perceber que o primeiro de três (?!) saiu aos 70 minutos. É um escândalo! Isto além do fora-de-jogo que corta um lance de golo a Adrian Lopez, a falta em cima da linha de área sobre André Silva, o empurrão a Boly na área e a falta sobre Boly no lance em que o jogador do Tondela se isola. Perante isto os 'cozinheiros' da capital vão ter que continuar a levar com o barulho ensurdecedor da newsletter e com a afiada viralidade das fotos na conta de facebook do clube! Até quando? Acordem!

Começa a ser preocupante a oscilação exibicional e a falta de consolidação do onze e da tão falada ideia de jogo. Até sexta-feira teremos mais uma semana para a assimilação... Uma coisa é certa, não podemos perder mais pontos...

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Grupo fraco


Outra vez Herrera... Na crónica do jogo de Sábado destaquei o facto de André André ter ficado com a braçadeira e o facto de Herrera não a ter e de nem ter sequer jogado. Hoje terei de destacar Herrera novamente. O momento da foto é também duplamente satisfatório. Não só sai Herrera que estava a fazer um jogo bastante fraco, como reaparece Brahimi, finalmente como solução para a equipa. 

Mas foram poucos os momentos bons no nosso regresso à Champions. Lembro-me do do golo e do inesperado regresso de Brahimi. O golo apareceu cedo e sem que tivéssemos feito o suficiente. A partir daí, vimos um FCPorto incapaz de controlar o jogo e um adversário, que não é tão fraco como se pensava no dia do sorteio, mas também não é tão forte que possa vir cá causar problemas a um FCPorto a jogar o que jogou em Roma ou no Sábado, por exemplo. A lição a aprender é de que o Grupo é de facto fraco, mas o FCPorto ainda não está tão forte como em edições anteriores. Depois deste mau resultado, teremos de ir buscar pontos fora de casa. Pelo menos 4 pontos.

Voltemos à incapacidade de controlar o jogo. Aqui volto à minha luta. Este não é o meu meio campo. Um meio campo com jogadores que seguram melhor a bola como Ruben e André André, nos lugares de Danilo e Herrera, dariam mais e melhor posse e mais controlo sobre o jogo. Assim, no ataque o FCPorto dependeu um pouco da inspiração de Oliver e Otávio. Mas rematou muito pouco. No jogo de Sábado conseguimos controlar o jogo com golos. Hoje faltou o segundo, mas só se consegue se se rematar... Sem remates e sem golos não conseguimos ter capacidade para controlar o jogo. Tem sido notado que temos alguns problemas de posicionamento defensivo e ocupação dos espaços sem bola. Dá a ideia que a nossa reacção à perda de bola é forte, mas que não estamos preparados para recuperar quando esse primeiro ímpeto não funciona. Mais concretamente, se passam a nossa primeira linha de pressão, têm uma auto-estrada até à nossa defesa. E o Copenhaga tentou aproveitar para isolar no lado contrário os seus melhores alas que pressionaram a nossa defesa com inúmeros cruzamento perigosos. E isso fez com que o adversário fosse sempre perigoso até ao momento em que ficou com 10. A partir daí o jogo mudou. O FCPorto passou a atacar cada vez mais e cada vez pior, perante um Copenhaga cada vez mais defensivo. Brahimi trouxe mais critério ao ataque, mas não chegou.

Individualmente, gostei de Otávio e Oliver. Dou o MVP ao primeiro pelo golo. Gostei da entrada de Brahimi que trouxe alguma clarividência a um jogo ofensivo que estava um caos. Acho que Nuno poderia ter arriscado mais com a entrada de Depoitre por Herrera. Os centrais estiveram muito pressionados e responderam satisfatoriamente. Alex Telles acabou por fazer um jogo manchado pelo lance do golo adversário. Nota negativa, mas tem sido um jogador de adaptação surpreendentemente rápida. O lance do golo resulta de uma arrancada dele. Layun estava muito nervoso e complicativo no final. André Silva também.

Siga para Tondela! Estamos em perseguição e só os 3 pontos interessam.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Descansado



Não me recordo do último jogo descansado no Dragão. E o de ontem só o passou a ser depois do primeiro golo. Ainda assim, passar toda a segunda parte a tentar adivinhar 'por quantos' é algo que não tem sido nada vulgar nos últimos tempos. Outra coisa que me dá um descanso extra é aquela braçadeira no braço do André André. Ainda por cima é um misto de 'esta braçadeira é para portistas!' e o um 'como é possível o Herrera ser capitão?'. Dupla satisfação portanto...

Nuno tem procurado puxar pela força do Dragão e parece-me uma óptima estratégia, porque me parece que acompanha as palavras com os actos. Vê-se que ele põe mesmo a 'carne toda no assador'. Por exemplo, estreou a dupla de avançados e jogou com Otávio, André André e Oliver no apoio. É um esquema alternativo, que ainda não foi deslumbrante, mas que promete. Sobretudo a partir do momento em que passámos a resistir à tentação de jogar directo no 'pinheiro' e passámos a jogar mais com a incorporação dos laterais. A ideia é manter uma pressão sobre a defesa contrária , mas também de aproveitar as incursões dos médios que abrem o caminho para os laterais chegarem com espaço. Dá até a ideia que a altura em que estávamos a tirar melhor partido do esquema foi 'interrompida' pelos dois golos de rajada. A partir daí houve uma tendência para descansar no jogo e vieram as primeiras alterações. Vem aí o primeiro jogo da Champions. Não é ideal, mas compreende-se sobretudo nos jogadores titulares, que andaram a passear pela Europa e pelo Mundo nos últimos 15 dias. Mas aquela entrada na segunda parte deixou água na boca, porque nos últimos tempos não tivemos plano B. Qualquer alteração táctica parecia ser assimilada e imediatamente regurgitada. Não foi o caso.

Individualmente, gostei do Layun e dou-lhe o MVP. Estou um pouco influenciado por aquela correria ao minuto 87, confesso. Ainda assim, Maxi vai ter trabalho para recuperar o lugar. Mais uma vez, participação activa em dois golos. Gostei também do trio do meio campo ofensivo, sobretudo pelas saudades de Oliver e pelo regresso de André André às boas exibições, que já tinha indiciado na primeira parte com o Sporting. Trio muito dinâmico e criativo. Com Ruben por trás seria ainda melhor... Não sendo possível, o que desejo para já é mais disto e menos Herrera. Será pedir demais? Depoitre e André Silva foram crescendo com o jogo. Com Depoitre proponho o mesmo exercício que proponho para Felipe: vamos tentar ignorar o preço e a idade e tentarmo-nos focar apenas na sua utilidade. Vai ajudar... Por falar em Felipe, esteve especialmente trapalhão. Jota entrou tímido, ao contrário de Corona.

Para terminar, parece-me uma boa altura para voltar a falar de árbitros. Acho que o rescaldo de uma boa vitória é sempre uma altura mais insuspeita para chamar a atenção para uma tendência preocupante. Além disso, convem começar já a traçar uma estratégia de reacção porque isto não parece que vá mudar com indiferença e queixas ligeiras e espaçadas. O nosso prejuízo nos jogos da Liga têm sido constante, consistente e isso tem de ser atacado como o problema que é. Os nossos adversários estão em planos opostos. No Sporting estão bem caladinhos num claro sintoma de que as coisas lhes vão correndo bem ao nível da arbitragem. Tal deve-se aparentemente ao sucesso da estratégia de contratações para as camadas jovens (se é que me entendem...) e a uma implantação mais forte na equipa da 'manhosice' do seu treinador. Já no Benfica, vão à frente no 'campeonato do choro' apesar de apresentarem razões de queixa bem inferiores às nossas. Começámos com uma expulsão de Alex Telles que nem daria falta em Alvalade. Depois veio um jogo em casa que estranhamente acabou sem penaltis a nosso favor. Em Alvalade foi o que todos vimos: uma vergonha! Poderíamos pensar que a roubalheira da última jornada resultaria em benefício. Pois foi o inverso. Ontem tivemos um golo mal anulado e pelo menos duas expulsões perdoadas. Os lances de domínio com a mão em Alvalade geram 'dúvidas' (ainda ontem houve um no primeiro golo). No Dragão geram certezas. A imagem que anda a circular pela net prova que não só não há mão de André Silva, como seria penalti, provando adicionalmente que o árbitro tentou adivinhar o lance. Não teve hesitação nesse lance, mas hesitou em expulsar Alexandre Silva perante falta óbvia para segundo amarelo. Em Alvalade também não houve hesitação e ficaram 60 minutos contra 10... Pedro Martins também não hesitou em tirá-lo de campo imediatamente. Sintomático. Para terminar, tivemos um lance na segunda parte de UFC em que tivemos um takedown por trás e pelo pescoço. Vale tudo... Abram os olhos! 'Quem não chora não mama'? E já agora, antecipando já um video que iremos publicar no nosso Facebook, há que pôr mais pressão no árbitro perante estas decisões! Sobretudo no Dragão!

Vem aí a Champions!

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

O milagre do Agosto no FCPorto


Duas perguntas surgem de imediato a quem começa a ler este artigo. Qual milagre e o que é que uma personagem do Seinfeld tem a ver com o que quer que seja? 

O milagre é simples de descrever. Com esta pré-época, com este calendário,  com este jogadores, é praticamente um milagre não estarmos já na Liga Europa e afastados da contenda do título. Já sei que nunca estaríamos longe, mas ninguém nos afasta da luta, por muito que reconheçam que temos um plantel inferior e tenhamos perdido num campo de um adversário directo. A maior prova é a arbitragem do jogo em Alvalade. Os portistas reconhecerão com facilidade que, nos anos anteriores, sobretudo no último, para perder em Alvalade não era preciso sermos roubados indecentemente. Bastava aparecer lá com a nossa melhor equipa... Pois este ano, de facto, a equipa parece bem mais competitiva na prática, do que na teoria. Milagre, digo eu. 

Vamos ao George Costanza. Lembrei-me dele e do famoso episódio do 'Opposite George'. George atinge o ponto mais baixo da sua vida e tem uma epifania: «Se todas as decisões que me trouxeram a este ponto estão erradas, a partir de agora terei de fazer o oposto do que me transmitem os meus instintos!». E começou logo por abordar uma miúda desconhecida com aquela tirada de marketing pessoal invertido.

Esta pré-época foi mesmo o oposto do que deveria ser. O oposto do que foi a primeira época de Lopetegui. Todos sabemos o resultado, mas não custa admitir que essa época foi bem preparada. Também tínhamos uma pré-eliminatória da Champions e lembrar-se-ão que o treinador foi apresentado logo em Junho, que lhe foi dado um papel fundamental na construção do plantel, que  este foi feito à medida das suas ideias e que as contratações chegaram a tempo. Casemiro chegou ainda na pré-época, e mais tarde, chegaram apenas bons suplentes que foram Aboubakar e Marcano, se não me engano. Até Jackson, renova em plena pré-época tornando mais difícil a sua saída imediata. Todos os jogadores nucleares fizeram a pré-época e apresentámos em Lille uma equipa que espelhou na perfeição o que seria a nossa nova forma de jogar. Bem feito, mas não resultou! Que tal tentar o 'mal feito'? Eis o oposto de todos os instintos de bom planeamento de uma época desportiva:
- Instabilidade no plantel: Construção do plantel arrastou-se durante um longo período de indefinições. Quando chega o central? Quando vendemos o Brahimi, o Aboubakar e o Indi? Contratámos um lateral esquerdo quando temos um jovem promissor e um titular que foi dos melhores na última época? E o Mendes que tem tantos jogadores não mete cá nenhum de jeito? Todas estas perguntas fariam sentido no primeiro mês de pré-época. Na noite do último dia do mercado são apenas assustadoras. Quando se escolheu Nuno Espírito Santo sabia-se que é um treinador especial com um empresário especial que, por onde ele andou colocou sempre muitos jogadores, substituindo-se um pouco às direcção de futebol dos próprios clubes nessas decisões. Pelos vistos, aqui colocou apenas um, João Carlos.
- Instabilidade de rumo - Quem via as entrevistas do Presidente, julgava que iríamos ter um FCPorto mais portista com promoções da equipa B e regressos dos emprestados que Lopetegui fez questão de ostracizar. Dessa linha de pensamento sobram apenas Otávio e André Silva. É de referir ainda que Pinto da Costa se mostrou desiludido com a estratégia de ter jogadores emprestados na nossa montra e no final do mercado chegaram dois nessas circunstâncias. E não convem esquecer o que o presidente disse sobre o facto de contratar para Lopetegui jogadores que nem conhecia. Parecia que seria um rumo a abandonar, mas já sabemos que Depoitre, João Carlos são opções de Nuno e só de Nuno. Foi o presidente que nos garantiu. Muita coisa muda em 3 meses...
- Instabilidade técnica - Nuno Espírito Santo começou por preterir Adrian, colocando-o na equipa B para depois o pôr a titular no primeiro jogo de dificuldade máxima. Nesse mesmo jogo, apresenta uma esquema táctico nunca testado na pré-temporada resultando numa entrada em jogo desastrosa. Contratámos recentemente um tipo de 9 que nunca pareceu enquadrável no estilo de jogo que a equipa vem apresentando, sobrando dúvidas sobre a sua real utilidade nesta forma de jogar. Recambiámos Sérgio Oliveira para os Jogos Olímpicos e damos-lhe minutos dias após o seu regresso. Uma serie de incongruências a juntar à falta de opções de um plantel completamente indefinido.
- Instabilidade na comunicação - Temos uma newsletter diária que assumiu por completo a comunicação portista. Perante o que foi sucedendo com o circo de entradas e saídas e testes médicos falhados, etc. temos apenas uma newsletter. E perante o que sucedeu em Alvalade? Temos uma newsletter. Nada de Presidente. Este apenas aparece depois da vitória de Roma, para reclamar de um atrasado mental de um comentador, que é tão fanático que já só incomoda quem quer ser incomodado. Mas sobre a nomeação deste árbitro, o seu desempenho, sobre a relação estranha entre os dirigentes da arbitragem e o Sporting e as suas camadas jovens, nada.
- Instabilidade directiva - Para completar com a 'cereja no topo', instabilidade directiva confirmada pela saída de Antero Henrique, que se sucede à saída menos recente de Angelino Ferreira. Tudo sinais preocupantes. Angelino sai porque não concorda com o rumo económico e Antero sai porque não concorda com o rumo do futebol. O que sobra? É que são dirigentes que estiveram ligados a grandes conquistas e duvido que alguém lhes consiga apontar um pingo de incompetência e de falta de preparação. Se há coisa que sempre tivemos, mesmo em épocas de seca foi coesão directiva. Agora nem isso. Terá caído o nosso mais elogiado pilar, 'a estrutura'?

Perante tudo isto, a equipa está viva e apresenta energia e vontade que não se tinham visto recentemente. Milagre! Até quando?