terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Até quando?



A pergunta não é retórica. Tem resposta e é um «até quando for preciso». Vamos ter isto até que FCPorto e Sporting estejam a uma distância considerada segura. Nessa altura vão dar-nos umas migalhas para distrair do facto de que este é já um campeonato com um prejuízo, que apenas tem precedentes no tempo da tv a preto e branco, dos favores ao regime e das fábulas calaboteanas. A diferença é que agora todos podemos ver e sentir vergonha deste estado de coisas no futebol português. Está à vista de todos e é até assumido por todos os especialistas que têm o mínimo de decoro. Mas poderão reparar que, nunca como hoje em dia, o erro faz parte do jogo... E assim a política de encobrimento continua. Basta ver como mudaram os critérios de mão na bola e bola na mão, em apenas meia dúzia de dias. Costuma-se dizer que temos de jogar o suficiente para nos acautelarmos de erros de arbitragem. Isto até faria sentido se fosse exigido a todos. O problema é que parece que apenas o FCPorto tem que lidar com este «carácter humano» da arbitragem e hoje tivemos mais um episódio do claro e consecutivo prejuízo que acumulámos.

Mas a arbitragem não foi o único ponto negativo da noite de hoje. Tirando as três primeiras jogadas de Brahimi no jogo, a primeira parte do jogo foi do pior que vimos ao FCPorto em muitos jogos. Muito nervosismo e aí valeu Casillas. Bastou termos um adversário bem organizado para termos demonstrado uma preocupente falta de capacidade de improviso e uma irritante repetição de erros e uma insistência em caminhos que estavam vedados. Se nos fecham as alas, jogamos dentro do bloco. Se nos tiram espaço dentro do bloco, jogamos com a profundidade e com a mobilidade dos nossos avançados. Pelo menos variem! O que não podemos é ter soluções repetitivas e que esbarram consecutivamente em zonas de superioridade numérica do adversário e que resultaram quase sempre em saídas rápidas para o contra ataque. Não sei o que Nuno disse ao intervalo mas o FCPorto, com os mesmos intérpretes, fez muito melhor na segunda parte. Não fosse a irritante tendência para o erro do árbitro e o muito nervosismo dos jogadores do FCPorto ao longo do jogo, e o resultado tinha-se resolvido ainda mais cedo. Sem ter sido um grande jogo ao nível técnico, foi uma segunda parte em que demonstrámos uma intensidade e uma garra que só nos podem encher de orgulho. Como Nuno disse e bem, demonstrámos carácter! Mas que sirva de lição. Tal como os erros de arbitragem, dar partes do jogo ao adversário, tem-nos castigado consecutivamente e teremos que ser mais proactivos e menos reactivos quando 'espicaçados' pela adversidade.

Individualmente, num jogo em que imperou a garra, Maxi destaca-se sempre. Nestes jogos, jogadores como este, empolgam a equipa e as bancadas. Além disso, apesar de o melhor cruzamento do jogo ser de Alex Telles, Maxi este muito bem ao nível do cruzamento. Contei pelo menos 6. Se grande parte da equipa jogou mais 'com o coração', Oliver é o jogador que imprime mais 'cérebro' ao nosso jogo. É dele o passe para Danilo no segundo golo, é dele a aceleração de jogo que resulta no primeiro golo, é dele o passe para a cabeçada de André Silva que resultou na segunda melhor defesa da noite. A melhor esteve do outro lado e foi protagonizada pelo meu último destaque positivo, Casillas. Grandes defesas que mantiveram o FCPorto no jogo, nos nossos piores momentos. Destaque positivo para Marcano, Brahimi e Danilo. Pela negativa, Jota e André Silva poderiam ter tentado participar mais no jogo na primeira parte. Felipe tem uma grande cavalgada na segunda parte que faz esquecer o duplo erro no golo do Chaves e o nervosismo em geral.

O mês de Novembro trouxe a depressão e o mês de Dezembro pôs-nos na luta outra vez. Em Janeiro é para continuar!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Coladinhos



Não era previsível esta antecipação de calendário mas o Capela abriu esta possibilidade e nós aproveitamos esta boa oportunidade de pôr pressão na frente. Não fosse mais uma sessão de andebol na luz e estaríamos provisoriamente na frente. Não fosse uma outra sessão de andebol em Alvalade e poderíamos tirar o 'provisoriamente' da frase anterior. Tem sido um ano difícil de acompanhar com crónicas. Por um lado, sinto que a equipa pode fazer mais e não o faz por ideias de Nuno que considero desapropriadas ao FCPorto. Por outro lado, temos tido demasiadas contrariedades arbitrais e a equipa tem demonstrado uma união e uma garra invulgares nos anos anteriores, sendo que esta última parte é mérito óbvio do treinador. Ontem tivemos mais um episódio do que tem sido este campeonato. Uma vitória suada, com empenho, garra e calafrios no final, perante contrariedades fortes do tempo e do árbitro. Há pelo menos dois lances de Maxi, um de penalti e outro fora-de-jogo, que são de bradar aos céus e nem é preciso estas modernices que se vêem no mundial de clubes. Dá para ver 'a olho nu'.

Mas ficam os três pontos que era o fundamental. A vitória podia e devia ter sido mais gorda perante uma equipa que jogou só com defesas e médios em duas linhas de 5 coladas à área. É até incrível como a equipa defrontada que apresentou a estratégia mais defensiva é a que consegue marcar um golo a Casillas. Foi um bom golo mas um prémio injustificado para tão fraco futebol do Marítimo. Mas este prémio vem a propósito de um dos pontos que mais criticamos neste FCPorto de Nuno Espirito Santo. Quando nos encontramos em vantagem, temos muita dificuldade em afastar o adversário da nossa baliza, sobretudo muita dificuldade em manter níveis de posse sequer comparáveis com os momentos em que estamos em busca do golo. Em suma, esta equipa não consegue descansar com bola. É isto que faz com que soframos calafrios pequenos como o de ontem e calafrios grandes como o golo de Lisandro nos descontos. Continua a ser um ponto a melhorar e, dado o talento que temos, basta querer.

Individualmente, dou o MVP a Brahimi. Um golo e uma assistência bastavam, mas a exibição por si justifica. Muitos tendem a dizer que Brahimi está diferente e os argumentos oscilam entre o 'está mais empenhado' e o 'está mais objectivo'. Mas isso só ajuda legitimar a falta de explicação para a sua fraca utilização até agora. Nunca nos disseram que havia problemas disciplinares, portanto, temos de concluir que foi simplesmente uma má opção. Gostei das exibições em geral mas destacaria também Corona, Maxi e Danilo. Jota não esteve muito inspirado, mas a sua intensidade de jogo fez com que Nuno o mantivesse até ao final.  Mais um golo para André Silva e já está na frente dos marcadores. João Carlos Teixeira estreou-se e mais uma vez deixou boas indicações. Merece mais minutos mas à sua frente tem Herrera e André André... 

Segunda-feira teremos mais uma oportunidade de pôr pressão na frente. Seguimos na luta!

domingo, 11 de dezembro de 2016

Um fim de semana descansado



Por certo que já sentiam saudades de tamanho descanso. Um jogo com resultado feito muito cedo, com goleada, com golos do menino André Silva, com o fim da seca de golos no campeonato e com a perspectiva de assistir 'de cadeirão' ao clássico da tv a preto e branco. Soube bem, mas podia ser melhor. Por um lado, em Lisboa tivemos o resultado que menos nos interessava e que nos mantem à mesma distância do primeiro lugar. Por outro lado, a exibição foi pior que o resultado. É algo que acontece muito às grandes equipas: jogar pouco e ganhar. Não será normal fixarmo-nos no resultado e esquecermos o que de mau se foi fazendo. Mas há que valorizar a tranquilidade com que resolvemos esta difícil deslocação, depois do que aconteceu nas anteriores.

O onze foi mais uma vez consensual, apesar de eu não me conformar com o facto de o Ruben não ser titular. Não me conformo agora e nunca me conformarei. Por muito bem que jogue o Danilo, nunca poderá atingir patamares ao nível da organização de jogo e da gestão dos ritmos do mesmo, que Ruben atinge sem esforço. É talento natural, tal como o Ruben nunca poderá cabecear bolas no 'terceiro andar'. Mas este ano temos uma ajuda a Danilo, que não tínhamos no ano passado, e que  pode ajudar a esquecer algumas das limitações do internacional português: é Oliver. Quanto mais Oliver pega no jogo, mais Danilo brilha, porque passa a ser obrigado a fazer apenas o que faz bem. Tem de destruir, usar o corpo, atacar a segunda bola e entregar limpo e curto. Esta especialização faz com que Danilo esteja a fazer uma grande época. Acontece o mesmo com os centrais. Nuno também arranjou uma maneira de eles brilharem mais, isentando-os de qualquer responsabilidade na construção de jogo. Jogam simples, cortam para a bancada e só podem tocar curto sem risco ou, em alternativa, esticar logo o jogo. O problema é que nem sempre as bolas longas têm resultado em penalti concretizado, com expulsão de um adversário. Diga-se também que nem todas as bolas longas vêm dos pés de Oliver... O que pretendo dizer é que não me conformo com esta nossa incapacidade de ter bola com mais qualidade, mesmo em jogos em que dominamos por completo. Não me canso de dizer que este modelo de Nuno torna o futebol mais aleatório e permitiu por exemplo que um Feirense 'morto' fosse capaz de mandar duas bolas aos ferros. O jogo com o Leicester deu-me alguma ilusão de que estaríamos a evoluir no modelo de jogo, mas o de hoje volta a deixar-me a dúvida. Vale o resultado gordo e a perspectiva de que o 'choro' está a dar frutos. Não que ache que tenhamos sido beneficiados. Mas, pelo menos, não nos prejudicaram...

Individualmente, dou o MVP a André Silva que ganha o lance que decidiu o jogo e ainda marcou mais um golo. Com nota bem próxima, Oliver e Marcano. Todos os restantes têm nota positiva mas não muito alta, visto que jogamos apenas o estritamente necessário. Voltou a ser possível dar minutos a Rui Pedro. Pena que já estivéssemos em poupança. Grande jogada do Herrera no final. Esperemos que dê para o animar um pouco.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Grupo fraco - Parte 6



Nuno Espírito Santo, que já tinha falhado um objectivo com a eliminação da Taça de Portugal, conseguiu agora alcançar um dos objectivos para a época, que é o da passagem aos oitavos de final da Champions League. É até um objectivo que vem traduzido nas expectativas de receitas nos orçamentos anuais, portanto é um bom resultado para Nuno e para a equipa. É óbvio que será fácil desvalorizar o feito porque todos percebemos que tivemos alguma sorte no sorteio. Não vale a pena esconder que todos antecipámos menos dificuldades e todos apontávamos para o primeiro lugar do grupo. E percebemos também que o calendário também ajudou visto que chegámos ao último jogo com a possibilidade de decidir tudo em casa e frente a um adversário em poupança. Ainda assim, é importante perceber o enquadramento e valorizar a avalanche ofensiva, demonstrada pelo segundo jogo consecutivo, e em clara resposta evolutiva em relação ao período de seca de golos que atravessámos. Este é um FCPorto a crescer numa altura crucial do campeonato e numa altura em que os nossos adversários parecem estar numa tendência inversa. Há que capitalizar o momento já no Feirense.

Quanto ao jogo, tivemos a mesma receita que tivemos com o Braga. Movimentações ofensivas muito interessantes, com alas muito desequilibrantes, com uma dupla ofensiva muito agressiva, com dois laterais que são dois alas, com Oliver a pautar e o trio de gigantes a proteger. É este o plano de Nuno e funcionou ontem na perfeição. É certo que tivemos muito melhor construção e muito menos bolas bombeadas. A isso ajuda o facto de Brahimi estar sempre pronto a receber e dos movimentos de Jota em apoio aos médios e centrais. Mas o fundamental foi o facto de Oliver ter assumido todo o nosso jogo e lhe terem dado espaço para isso. Há que usar mais estas opções para termos qualidade em posse e evitar o 'chuveirinho'. Ajudou também a inspiração individual de Corona que esteve sublime. Não me lembro de o ver perder um lance e ele é daqueles jogadores que arrisca tanto, que é até normal e aceitável perder 50% dos lances. Apenas poderei criticar a entrada tremida na segunda parte. Se noto evolução na construção ofensiva, ainda não vejo a equipa com capacidade de, em vantagem, manter o adversário longe da nossa baliza. Continuamos a recuar demasiado. As constantes exibições inspiradas da nossa dupla de centrais têm ajudado a camuflar esta perigosa tendência, mas ela existe e é um ponto em que devemos evoluir.

Individualmente dou o MVP a Corona. Esteve brilhante. Este Corona é um jogador de nível mundial. Às vezes dá a sensação que lhe é indiferente fazer um golo daqueles ou não fazer nada. O próprio festejo  diz-nos isso. Uma atitude competitiva mais parecida à de Jota e de André Silva poderão fazer com que ele chegue ao topo do futebol mundial. O talento individual já lá está. Brahimi não ficou muito atrás, tal como os dois avançados. Ainda assim, gostei ainda mais de Oliver. Nota-se quando o jogo corre bem a Oliver. Basta contar as oportunidades de golo. É um jogador que está a aproximar-se da sua melhor forma e vem em boa altura. De resto, não tenho notas negativas, nem no banco. Nuno escolheu os melhores e mexeu bem no jogo.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Anti-crise



Foi um grande momento no Dragão! Um momento em que um miúdo portista, em estreia, marca com aquela frieza e classe, aos 94 minutos, seria sempre um momento único e apoteose. Mas há agravantes. Aquele remate marcou a diferença entre voltar a entrar no campeonato ou abandoná-lo por completo. Foi conseguido no último minuto o que nos salvou das aflições que o habitual recuo da nossa linha defensiva, tão normal este ano, nos poderia trazer. Marcou também um raro momento de união entre as expectativas dos adeptos e as opções de Nuno. Magoa-se Otávio, entra o Brahimi. Faltam golos entra o miúdo em vez do Depoitres. Tudo opções que agradam aos adeptos, numa altura em que os desenhos já pouco convencem. Aliás, não conheço um único portista que não tenha suspirado um «Outra vez???» quando souberam que Nuno tinha dado outra palestra com desenhos... Outra agravante é a de este golo pôr a nu alguns dos paradoxos da política desportiva dos últimos anos. Esta noção absurda de que vale mais ter no banco um estrangeiro de 6/7 milhões, do que um jovem talento português está em causa. Este é um país que, estranhamente, é um viveiro de futebolistas talentosos. Vê-se nas seleções e nos clubes. Neste momento, em que continuam a escasear os meios de financiamento, é insano não tentar aproveitar melhor estes talentos.

Este jogo acaba por se reduzir a um momento de talento no passe de Jota e na calma e classe da finalização de Rui Pedro. Mas, passado um dia, já me consigo lembrar da agonia que foi ver a forma como estávamos a sucumbir à pressão da seca de golos. André Silva joga sempre bem, mas acabou sempre por estragar o que de bom foi fazendo, quer no penalti que ganhou, no passe para jota, nos cabeceamentos e no incrível remate por cima da barra na segunda parte. Agora que já marcou Rui Pedro, o próximo tem de ser do André Silva para acabar com esta ansiedade que, estatisticamente, até nem faz grande sentido visto que já tem imensos golos este ano. Mais até do que eu esperaria de um miúdo de 21 anos a quem se pede que resolva todos os nossos problemas. Depois tivemos Otávio que já estava a acusar o nervosismo antes de sair, tal como Oliver, e Brahimi que, depois de uma boa entrada, já estava a ligar o 'complicómetro'. É difícil dar notas negativas perante tamanho empenho, mas é um facto que nem sempre estávamos a escolher os melhores caminhos para a baliza. Exagerámos nas bolas para Brahimi e Corona, na esperança que resolvessem sozinhos. Muita sofreguidão no ataque, portanto. Defensivamente e no ataque às segundas bolas estivemos muito bem! Nesse aspecto Felipe e Danilo estiveram imperiais e mantiveram o jogo nos tais 60 metros que Nuno Pretende. Por falar em Nuno, estou para perceber as opções na esquerda. Layun foi um claro 'tiro-ao-lado'. Por um lado, o Braga tem bons atacantes e os extremos até têm marcado mais golos que os avançados. Tirar, neste jogo, o lateral que defende melhor não faz sentido algum. Pelo desenrolar do jogo, acabou por nem serem precisas grandes atenções defensivas. Nem assim Layun conseguiu inverter esta minha convicção de que os titulares nas laterais estão bem escolhidos em Maxi e Alex. Maxi que seria o meu MVP, não fosse o golo de Rui Pedro. Tem uma intensidade contagiante para a equipa e para as bancadas. É impressionante! Para terminar, Herrera entra para a esquerda e não percebi bem a utilidade. Para isso entrava Alex Telles. Notas altas para Corona e Jota.

Na quarta-feira continuamos esta semana em que se decide toda a época. Convem marcar cedo, para bem da nossa saúde cardíaca!

PS: Sei que há muitos portistas que só agora começaram a conhecer Rui Pedro. É normalíssimo. Mas convem dizer, na senda do post que aqui fiz sobre Rui Jorge, que Hélio Sousa também optou inexplicavelmente por não o convocar para a primeira ronda  de qualificação de sub19. Os resultados estiveram à vista e só no último minuto é que conseguimos a qualificação para a ronda de Elite perante colossos do futebol Europeu como Bulgária, Bielorrússia e Dinamarca. Ou seja, íamos ficar na primeira ronda de qualificação, quando vínhamos de uma serie de 3 semi-finais seguidas. Num dos anos, com a geração de André Silva, Rafa e Gelson até fomos à final. É de referir que só ganhamos um dos jogos e que os avançados convocados ficaram a zero. Ainda assim não cabia o melhor marcador da Youth League e o único sub19 português que já marcou golos nas ligas profissionais. Temos boas gerações de jogadores. Basta não complicar e pôr a jogar os melhores!