domingo, 20 de março de 2016

15 dias de descanso


Para os portistas que não conseguem deixar de seguir e torcer pelo nosso FCPorto, até vai ser saborosa esta pausa para as selecções. Pelo menos são 15 dias sem aflições. Quinze dias sem ter de ver o Chidozie ou o Indi perdidos atrás dos avançados, ou o Casillas com ar de estupefacção depois de mais uma bola que não entra milagrosamente, ou o Brahimi a tentar passar por meia equipa adversária, ou o Aboubakar a falhar displicentemente mais um golo. É que tem sido cansativo! Nada é fácil para este FCPorto e o que aparenta facilidade, logo se complica, como em Belém, como no Sábado no Dragão, ou ontem. 

Até podemos tentar destacar os pontos positivos. Casillas não sofreu golos, o Sérgio aparece agora como solução e o Corona fez o seu primeiro bom jogo em meses. São apenas pequenos sinais que não afastam de todo a noção de que está para acontecer alguma coisa a este FCPorto, a qualquer altura. Por muito que o jogo até esteja a correr bem. A equipa não está confiante nem consegue ganhar confiança no próprio jogo. Peseiro, tal como Lopetegui, também não transmite qualquer tranquilidade para dentro de campo. Ele também é dos que precisa mesmo de descansar. E já agora, convem não esquecer que estamos com uma onda de lesões que poderá amenizar até ao jogo com o Tondela. Aí teremos de melhorar o desempenho. 

Individualmente, dou o MVP a Danilo. É o jogador em melhor forma nesta altura. Poderia também atribuir ao Sérgio Oliveira que também esteve bem e marca o golo da vitória. Corona voltou a fazer um bom jogo, finalmente. Maxi também tem nota positiva. Brahimi e Herrera continuam muito intermitentes dentro do próprio jogo. Sobretudo o Argelino que começou por ser dos mais desequilibradores e que no final caiu muito. A dupla de centrais esteve melhor e só houve dois deslizes do miúdo. Por mim esta era a dupla até ao final da época. Há que pensar no futuro e o miúdo precisa de jogos para ganhar 'calo'. Pela negativa, Layun esteve muito apagado.

Esta equipa precisa de um bom resultado para sair desta depressão e, se o calendário nos dá um jogo em casa com o último, só temos de aproveitar.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Volta Lopes!


É um título polémico, eu sei. Mas passou-me pela cabeça enquanto subia a alameda e não me saiu da cabeça desde então. Esta nova era com Peseiro ao leme tem sido uma 'montanha russa' de emoções. Não há um jogo com resultado previsível. Somos capazes de ganhar no campo do primeiro classificado, no único jogo que perdeu nos últimos três meses, para depois estragar tudo em Braga com uma exibição de qualidade semelhante, mas que correu pior. O FCPorto actual parece a caixa de chocolates do Forrest Gump. Dirão que Peseiro, com a herança que tem e com os jogadores que tem, não tem os ingredientes para fazer grandes chocolates. Mas certamente que podia fazer melhor do que este futebol aleatório.

Reparem no historial. Fez um bom jogo no Estoril numa vitória inequívoca e outro bom jogo em Barcelos. Tudo o resto foi sempre em sofrimento com 16 golos marcados e 12 (!?) sofridos, 6 dos quais em casa. Aqui está também um factor importante: o Dragão não assusta. O Marítimo deu logo uma amostra do que aí vinha e, Arouca, Moreirense e União da Madeira vieram confirmar que não há qualquer estratégia ou rotina de transição defensiva. Digam o que disserem do treinador anterior mas, com ele, não havia disto. E depois a conversa é sempre a mesma: agora arriscamos mais. Será verdade? Se calhar temos mais oportunidades de golo e, mesmo sem dados que o comprovem, até acredito. Mas os números não mentem: marcamos sensivelmente o mesmo número de golos por jogo e sofremos mais do dobro. O Presidente falava , deselegantemente na minha opinião, sobre o futebol de Lopetegui como sendo lateralizado. Mas será que Lopetegui chegou à conclusão que, com os jogadores que tinha, teria de jogar assim? É que está mais que provado que estes jogadores, sem bola, não se sabem posicionar, não têm qualquer noção do que é o posicionamento defensivo em transição. E neste ponto não há um único jogador que se destaque da mediocridade, nem Danilo.

Quando aqui desejei a substituição de Lopetegui, sabia que provavelmente a época estaria perdida. Há sempre alguma esperança, mas não existe memória de uma 'chicotada' que tenha resultado no FCPorto. Estava armado em Anjinho, e estava convencido que viria uma solução de médio prazo. Um pouco como aconteceu com Mourinho, que teve vários meses para preparar a época seguinte. Posso já dizer que chego à conclusão que eu estava errado. Se soubesse o que sei hoje, não tinha 'despedido' Lopetegui. Por várias razões:
1 - Estado do mercado de treinadores - Eu acho que tenho desculpa por não ter todos os dados. Nunca pensei que a melhor opção no mercado fosse José Peseiro. Ainda por cima, José Peseiro veio confirmar todas as minhas reservas em relação a ele e que escrevi em cima e todas as semanas. Deixou-se pressionar pela direcção e pelas bancadas e resolveu fazer uma revolução na nossa maneira de jogar. Hoje em dia temos o pior de Lopetegui e o pior de Peseiro. Perdemos a segurança defensiva e mantemos a total ausência de ideias perante adversários fechados em redor da sua área. 
2 - Desculpabilização da Direção e do Presidente - Nunca pensei que a estratégia fosse a de branquear a actuação da direcção concentrando todos os males do mundo no anterior treinador. Anjinho, mais uma vez. Se calhar a eterna gratidão a Pinto da Costa tem ajudado, por vezes, a toldar o meu e nosso raciocínio. Mas começo a ter a certeza de que nós portistas não podemos baixar o nível de exigência, meramente por gratidão. Pinto da Costa como grande líder que é, tem de aceitar que se lhe apontem erros. A política de gestão de treinadores nos últimos anos, tem sido de uma inconsistência absurda, vindo de uma pessoa tão experiente. Em primeiro lugar deixou que o fantasma de André Villas Boas atormentasse todos os treinadores até hoje. Vitor Pereira teve de viver com isso e com a constante e total incerteza sobre a sua continuidade. Mas esse foi o único que conseguiu lidar com isso. Paulo Fonseca pouco mandou na definição do plantel, mas Lopetegui pôde fazer tudo. Com Peseiro parece que voltámos aos tempos do treinador que não 'risca' nada. Enfim, não há rumo algum! E depois nós temos essa sensação porque nos levam a essas conclusões, mas não é difícil perceber que não foi Lopetegui que trouxe Adrian Lopez, ou Imbula ou Osvaldo ou até Aboubakar, Indi, Brahimi e Corona. Posso até confessar que sei que, em vez de Corona, Lopetegui insistiu sempre em Rafa. Porque é que aceitaram a opinião dele para o Ferrari francês e não aceitaram para o Fiat de Braga? Pinto da Costa calou os anseios de Lopetegui dizendo em público que tinha no plantel um jogador que relegou Rafa para o banco de suplentes no Europeu de sub21. Lembram-se dele? Ricardo Pereira, considerado um dos melhores laterais da liga francesa, emprestado por dois anos ao Nice, pela equipa que tem de jogar com Jose Angel a titular. A culpa era só de Lopetegui? 'I rest my case'...
3 - As mexidas no plantel - Uma das desculpas de que dispõe Peseiro é a de que teve problemas no eixo da defesa e que agora só tem Maregas no banco. De facto, Peseiro herdou uma fúria reformadora que empurrou 4 flops para fora do clube: Tello, Imbula, Cissokho e Osvaldo. No seu lugar entraram apenas Marega e Suk. Apenas o segundo demonstrou ser uma solução mas, na minha opinião, é apenas uma boa opção de banco. Ainda assim, que se saiba, Peseiro não se opôs a nada disto. Quando lhe perguntaram sobre mexidas de mercado, nem sequer falou de centrais, algo que estava à vista, antes mesmo do caso Maicon. Não tendo aqui falado sobre o assunto, tenho de dizer que Peseiro foi o treinador que deixou cair o Maicon, sabendo que só tinha duas alternativas no plantel. Que eu saiba ele não é o único que não controla o twiter da esposa, o presidente que o diga... Foi grave o que ele fez? Óbvio! Mas o que é que o clube ganhou com a sua saída? Preocupações. Espero mais de Peseiro, de Antero e de Pinto da Costa, do que uma mera gestão emocional do clube. Era tão fácil dizer que ele estava mesmo lesionado e que era uma prima que escrevia na conta do twiter... Seriam desculpas esfarrapadas? Certamente, mas não nos tentaram convencer que o Adrian custou aquele dinheiro todo, porque um gestor com mais 30 anos de experiência, aceitou letras e acreditando na palavra de um empresário? Mais uma vez, 'I rest my case'...

Isto para mim é o suficiente para considerar uma outra opção para a liderança da equipa técnica no próximo ano. Peseiro provou que não consegue ter relevância nas decisões sobre o plantel e que não consegue provar em campo que é melhor que as soluções anteriores. Espero bem que, se ele não continuar, não passe a concentrar em si todos os males do mundo...

Para terminar, e isto hoje já vai longo, individualmente tenho dificuldades em destacar alguém. Talvez Herrera e Maxi pelo desempenho ofensivo, mas defensivamente... Todos um desastre. A começar em Corona que tem uma única jogada boa no jogo e que valeu três pontos. 

Em Setúbal voltamos a estar longe do Dragão. Os desempenhos têm sido claramente melhores...

domingo, 6 de março de 2016

Adeus


Há muito que parecia inevitável e só uma inesperada e saborosa vitória na Luz ajudaram a prolongar a esperança. Mas sejamos realistas: há muito que se percebeu que Peseiro não consegue implementar uma ideia de jogo que seja. Eu costumava dizer que Lopetegui tinha ideias más, mas que se notava em campo o que ele queria. Aquela ilusão inicial de que passávamos a jogar mais com o miolo foi desvanecendo e ontem pouco mais fizemos do que bombardear bolas para Suk ou esperar que Brahimi resolvesse. Logo dois jogadores que foram dos melhores, mas foi curto e é curto para uma equipa como o FCPorto. O facto de termos reforçado o meio campo ajudou a que tivéssemos menos aflições do que o habitual, mas faltou o ataque. Chegava a cansar ver o Suk, feito 'tolinho' atrás das bolas. Entrar em campo apenas com dois jogadores de características ofensivas é limitado face à história do FCPorto e até face ao facto de que só a vitória nos interessava. Assim, não fosse o erro comprometedor de Marcano, o jogo aproximava-se do empate a zero que não nos interessava. Assim que sofremos o golo voltaram as auto-estradas em direcção à nossa baliza típicas do futebol desequilibrado de Peseiro. Aproximam-se decisões difíceis no final da época. O treinador é uma delas mas há alguns 'titulares' para dispensar.

Mas é óbvio que que a minha avaliação a Peseiro e à equipa seria adiada até ao próximo desaire se não tivéssemos de lidar com a 'encomenda' Xistra. Não jogámos o suficiente, mas o Braga teve um 'empurrãozinho'. As quatro primeiras 'pauladas' dos laterais do Braga saíram impunes. Penaltis, nem vê-los. O Braga, tão elogiado ao longo da época, teve a primeira jogada de perigo perto dos 25 minutos de jogo e num lance precedido de falta clara. Enfim, algo que já temia na nomeação da jornada anterior mas que só se concretizou nesta. É de relembrar que houve um jogo em Guimarães apitado por este 'artista' que me ajudou a perceber que, de facto, o maior candidato ao título era o que estava em terceiro nessa altura. Confirma-se hoje e pelas mãos do mesmo tipo. Vitor Pereira não nos vai deixar saudades mas o Xistra, o Capela, o Rui Costa, o Tiago Martins, o Cosme, o Ferreira de Vizela, ficam cá para nos 'atazanar' no dia em que saem as nomeações. Seja quem for a nomear, seja por sorteio, os gajos estão aqui na primeira categoria. Um bom trabalho, de facto.

Individualmente, Suk e o MVP Brahimi tentaram remar contra as 'cacetadas' e contra a constante inferioridade numérica. Danilo continua imponente mas precisa de treinador para ser ainda melhor. Marcano teve um erro que garantiria a Chodizie o regresso prematuro à equipa B. Espero que se comece a preparar a próxima época com o miúdo ao lado de Indi para ganhar 'calo'. Outro jogador que me parece que tem de sair da equipa é Herrera. É aflitiva a falta de consistência, que se aceita no início, mas que agora parece irremediável. André continua desaparecido e nos últimos dois meses, só o vi no Estoril. Corona e Marega são de uma inutilidade assustadora. Muitos dos problemas defensivos da equipa passam pela excessiva projecção dos laterais. Ambos atacam bem mas expõem demasiado a equipa. O lance de Casillas já nem conta. Ele foi um dos que manteve o sonho 'aceso'.

quarta-feira, 2 de março de 2016

Sofrido, mas com um Final Feliz...


Com o Prata offline, longe da Invicta e com os outros dois "malandros" do blogue a "baldarem-se", só hoje damos umas "luzes" do que vimos no passado domingo e numa vertente mais de "coração" em vez de um raciocínio mais lógico e analítico daquilo que se passa dentro das quatro linhas, tal como as nossas crónicas se tem pautado.

Com efeito, passemos ao jogo e à enfatização de factos... terceira vitória das três últimas deslocações da nossa equipa à capital (ou arredores)... dado indesmentível e de salientar, pois não temos convivido muito bem com estas viagens nos últimos tempos para aqueles lados... entrada em jogo com atitude, golos e até alguma sorte... parecia um arranque perfeito para um jogo confortável e tranquilo no Restelo onde tínhamos empatado nas duas últimas vezes, mas não o foi... a vitória foi, sem dúvida saborosa, mas com muitos calafrios... não conseguimos segurar a vantagem nem a bola do nosso lado para o tempo ir passando, o jogo manteve-se partido durante todo o segundo tempo e, tanto podíamos ter marcado muitos mais golos como também o inverso... faltou a tal posse exagerada no tempo de Lopetegui e praticamente inexistente com Peseiro... as duas ou três incursões de Marega que poderiam ter "matado" o jogo saíram completas trapalhadas e o maliano parece estar a juntar todos os ingredientes para ser um dos "patinhos feios" da massa adepta portista... no outro extremo, Casillas está a pôr em prática o seu rótulo de lendário e a continuar a exibir-se a um bom nível...

De uma forma sintética foi isto que resumidamente retirei do nosso último jogo, que me fez "suar" até aos últimos segundos do encontro e, que, aparentemente, como o outro diria, não teria havido necessidade... ganhamos, continuamos na luta e o próximo fim-de-semana é importantíssimo para definir a recta final do campeonato... hoje teremos um bom jogo para o Mister Peseiro poder experimentar algumas das suas ideias que ainda não colocou em prática e descansar alguns meninos para esse importante/decisivo encontro na Pedreira...

Uma última nota para Suk que, pode não ter aquela "tarimba" de jogador com classe para o FCP, mas o gajo é um "chato" daqueles e foi crucial no golo inaugural... tem-me surpreendido e começo a valorizar a utilidade do nosso "Ninja" coreano...

P.S. Prata, desculpa as reticências... ;)