quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Molha


Nesta época estamos com azar com o clima. Já é, pelo menos, a quarta vez que jogámos no Dragão debaixo de um dilúvio. Não seria um problema muito grande há uns anos, mas o relvado já começa a dar sinais de que precisa de uma intervenção ou substituição. Apesar disso, hoje foi-se aguentando. Por outro lado, tivemos menos gente no Dragão. A hora do jogo não era ideal para quem vem de fora do Porto e o temporal era forte. Mas tenho de registar algo a que temos estado atentos nos últimos tempos. O FCPorto registou pouco menos de meia casa, com cerca de 22 mil adeptos declarados. Quem estava no estádio era capaz de fazer esta estimativa, mas em casa também deveria ser fácil arriscar um número desta monta. A questão é que ontem, na Luz, verificaram-se condições semelhantes, com horário inconveniente e com um forte temporal. Naturalmente, quem tiver visto o jogo na televisão reconhecia facilmente que a assistência nunca iria além da metade da lotação. Tenho até relatos de quem foi ao estádio e me falava de meia casa. Pois foram declarados cerca de 41 mil adeptos, organizados e não organizados. Conclusão: até nisto são desonestos! Estaria mais preocupado se fosse adepto ou patrocinador deles. Mas o que retiro disto é que a preocupação do Benfica em alimentar o mito de que eles são muitos, imensos, etc., é tal, que não têm medo de cair no ridículo.

Falando de coisas importantes, o FCPorto cumpriu o seu papel com uma vitória segura. Ditou o calendário que tivéssemos de enfrentar o quinto, sexto e sétimo classificados de seguida, depois de enfrentar o segundo e o quarto para a Taça da Liga. Isto tudo em três semanas. Será um calendário muito exigente o que antecede o nosso regresso à Liga dos Campeões.  E nada melhor do que uma vitória para retomar o campeonato. A equipa entrou forte com um golo típico do FCPorto de Conceição. Pressão e recuperação em zonas avançadas e finalização imediata. Esse golo poderia ter trazido mais tranquilidade, mas não foi possível porque o Belenenses esteve bem no jogo. Convém não esquecer que enfrentámos uma equipa que teve 10 dias para preparar este jogo... Conseguiram ter muita posse e foram criando alguma intranquilidade na nossa defensiva. Lembro-me de erros pouco habituais de Oliver, Militão, Pepe e de Alex Telles. Mas a verdade é que fomos mantendo a nossa identidade e isso valeu-nos várias oportunidades de golo que, perante uma eficácia pouco mais que sofrível, permitiu um resultado simpático de 3-0. O jogo podia ter sido mais descansado, mas não foi mau.

Individualmente destacaram-se quatro jogadores. Dou o MVP a Corona pela participação em dois golos e em várias outras oportunidades, criadas pelos seus dribles. Mas gostei muito da exibição de Brahimi do lado oposto. Com estes dois, em forma, o FCPorto torna-se muito poderoso e isso até ajuda a disfarçar quando os avançados não estão propriamente inspirados, como aconteceu hoje. Por falar em duplas, Herrera e Oliver continuam a funcionar muito bem. Ontem pareceu que Oliver jogou ligeiramente mais adiantado e isso fez com que se destacasse mais nas recuperações de bola, que foram imensas. Tal como aconteceu com o regresso de Pepe, o regresso de Danilo vai trazer boas dores de cabeça a Conceição. Mais uma zona do terreno em que temos 3 titulares para 2 posições. Destaque para os brasileiros que tinham um olheiro da Seleção nas bancadas. Notou-se algum nervosismo inicial e uma vontade extra de brilhar. Julgo que lhes correu bem. Destaco também a estreia de Manafá. Conceição fez por mostrar que é uma opção para a esquerda e para a direita. Por último, uma das melhores notícias da noite. O regresso de Otávio dá outra qualidade às opções ofensivas que temos no banco, seja ele titular ou não. Isso fez falta, por exemplo, da Taça da Liga.

Seguem-se duas visitas a Guimarães. Seis pontos deixar-nos-ão numa posição invejável para o último terço de campeonato.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Siga!


Não vale a pena perder muito tempo a pensar nesta Taça da Liga. Quem nos segue por aqui sabe o que eu acho sobre esta competição e qual a estratégia que apresentaria. Por mim, jogava-se com segundas linhas durante toda a primeira fase da competição. E aqui estou a incluir jogadores da equipa B, sobretudo jovens portugueses das nossas escolas. Mais tarde, na fase final, logo se vê. Por exemplo, desta vez calhou-nos Benfica e Sporting e isso exige um onze mais próximo do melhor, mas sempre com a preocupação de poupar jogadores para as competições mais importantes.  A única excepção a esta regra surgiria se estivéssemos a fazer uma época terrível e se estivéssemos arredados da luta pelo título nacional. Inicialmente era esta a estratégia do FCPorto e só mudou muito recentemente. Primeiro por causa de uma seca de títulos e mais recentemente porque Conceição é demasiado competitivo. Já sei que essa é talvez a característica que mais apreciamos nele. O que digo é que, dadas as circunstâncias do mês de Janeiro, poderíamos ter protegido mais a equipa, quer a nível físico, quer a nível psicológico. A nível físico porque continuamos a sobrecarregar os nossos mártires como Alex Telles, Felipe, Marega ou Herrera. A nível psicológico porque perdemos mais uma oportunidade de ganhar esta Taça da Liga e perdemos da pior maneira possível, nos penáltis e após um jogo que dominámos por completo. Há que perceber que este modelo de fase final, sem prolongamento, beneficia claramente as equipas pequenas. É, de resto, o único fator em que as equipas pequenas serão beneficiadas nesta competição. Neste caso, quem tem aproveitado é o Sporting, mas qualquer equipa mais frágil que chegar à fase final, vai apostar nesta possibilidade de a ganhar só com empates. E, dado o historial do FCPorto nos penáltis, este é mais um fator com que temos de contar ao planear a abordagem a esta competição. E as contas são simples: se chegássemos ao final da época e apenas tivéssemos ganho esta Taça, seria uma boa época ou seria desastrosa? Exactamente... Não vale a pena afetar a nossa performance no campeonato, na Champions e até na Taça de Portugal, para ganhar esta Taça da Liga. Há de acontecer um dia, não se preocupem...

Custa perceber que somos tão ineficazes nos penáltis e, visto que é um problema recorrente, já deveríamos mostrar melhorias. O problema é que o psicológico manda muito no futebol. Enquanto nós temos uma série de 6 ou 7 desempates por penáltis perdidos, o Sporting vem numa série exatamente inversa. E este facto notou-se muito no jogo e sobretudo na segunda parte. O Sporting apresentou-se como havia feito em Alvalade. A dar a iniciativa, ficando na expectativa, tentando ganhar uma bola perdida e a chegar rápido à frente em contra ataque. Se na primeira parte ainda conseguiu fazê-lo com perigo, mas sem nenhuma grande oportunidade de golo, na segunda parte... Bem... Vamos admitir que foi o cansaço... É que a exibição do Sporting na segunda parte dava vergonha alheia. Sempre no chão a perder tempo e a aliviar bolas da sua área sem qualquer critério. O problema é que o FCPorto, apesar de ter tido a capacidade de encostar o adversário às cordas, não conseguiu ter grandes oportunidades para marcar. Conto apenas duas claras além do golo. E esse foi o factor que decidiu o jogo. Se tivéssemos tido a capacidade de materializar o nosso domínio em golos e em oportunidades, não estaríamos sujeitos a bizarrias como a que aconteceu no período de descontos. Já andávamos a abusar da sorte há alguns jogos e lembro-me de vários em que chegámos à parte final a defender uma vantagem curta. Ainda bem que não aconteceu no campeonato e aconteceu aqui...

Apenas uma nota para alguma irritação na nossa equipa que fez com que não se esperasse pelo levantar da Taça, com Conceição a livrar-se da medalha e até a agressão do treinador de guarda-redes a um adepto. Não darei demasiada importância ao sucedido e este é mais um sinal de que se deu demasiada importância a esta competição. Se era escusado? Obviamente! Não é este o exemplo que se pretende passar aos adeptos portistas, sobretudo os mais novos.

Individualmente dou o MVP a Corona. Foi o nosso jogador mais perigoso e o que criou grande parte das nossas jogadas mais perigosas. Gostei também de Herrera que dominou o meio campo por completo. Oliver também esteve muito bem, mas está invariavelmente ligado ao lance que define o jogo, com um erro... Achei a defesa algo nervosa na primeira parte, sobretudo Militão e Pepe. Fernando Andrade está a transformar-se num Juary. Tiquinho fez muita falta porque Marega e André Pereira não estiveram bem.

Nem vale a pena pensar nesta Taça da Liga além da noite de sábado. Quarta-feira temos a retoma, na competição que verdadeiramente interessa!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Saboroso


É tudo do que podemos dizer... Não ganhamos nada de especial e também não estamos mais perto dos nossos objetivos principais para a época. Apenas ganhámos o acesso a mais uma final da Taça da Liga. Este título é apenas o quarto no ranking das nossas prioridades. Acresce que de pouco servirá esta vitória, se não conseguirmos ganhar no sábado. Mas sabe sempre bem ganhar ao Benfica. E esta vitória torna-se especialmente relevante porque interrompe o ímpeto que trouxe este novo treinador. Já sabemos que as exibições deles não vinham sendo convincentes, mas é bom que se interrompa já a série, visto que é um adversário que tem um plantel com muitas soluções de qualidade e, por esse motivo, o nosso adversário mais perigoso.

Vamos ao jogo. Pelo segundo ano consecutivo, não vi os primeiros 10 minutos de jogo. A hora do jogo, as péssimas acessibilidades e a recorrente má organização da Liga, têm de merecer reflexão. Do que vi na primeira parte, pareceu-me ver um FCPorto com mais iniciativa, algo esperado dadas as exibições recentes do Benfica, em Guimarães. Esse capacidade de assumir o jogo e a capacidade operária que a equipa demonstrou ao longo de todo o jogo, são as notas mais positivas do encontro. Eu diria que, na primeira parte, a estratégia das duas equipa foi premiada. Por um lado, o FCPorto chegou ao golo fruto da sua pressão e posicionamento em terrenos ofensivos. Por outro, o Benfica empata num lance rápido de contra ataque, em que surgem em clara superioridade numérica. Ou seja, o FCPorto consegue pôr o adversário em sentido, mas ficou sempre exposto à sua estratégia para o jogo, visto que os ataques adversários foram poucos, mas sempre com muito perigo. Valeu a fortíssima reação ao golo sofrido, logo com a reposição da vantagem. A segunda parte foi diferente. Os papeis inverteram-se e o FCPorto ficou tão desconfortável a defender como o Benfica tinha estado na primeira parte. O problema é que nós, inicialmente, não saímos tão bem para o ataque como o Benfica vinha fazendo. E sofremos um pouco nesses primeiros minutos. O jogo inverteu-se pela acção de Conceição. Primeiro, Soares trouxe a capacidade de reter a bola em terrenos ofensivos. Pouco depois, veio a jogada de risco de Conceição com a entrada do miúdo. Com Bruno Costa no jogo, tivemos o equilíbrio que vinha faltando e do risco, ganhou-se mais uma opção. Só não se sabe o que isso significa para Sérgio Oliveira... Até ao final controlámos melhor os ímpetos do adversário e o golo surgiu naturalmente face ao risco que o Benfica teve de correr.

Já ouvi por aí que foi um grande jogo. Aceito a opinião pela parte da emotividade. Mas não acho que o FCPorto tenha feito um grande jogo. Fizemos demasiados erros, quer no ataque, quer na defesa. Aliás, todo o jogo é marcado pelos erros das três equipas. O lance que resulta no golo anulado ao Benfica é paradigmático. Tudo começa com um posicionamento ridículo da nossa defesa, no rescaldo dum canto a nosso favor. Com um passe o Benfica ficou 4 para 1 que não conseguiu aproveitar. Com tal superioridade numérica, o posicionamento dos avançados que queriam receber a bola e o timing do passe, poderiam  fazer com que o lance fosse impossível de anular pelo fiscal de linha e pelo VAR. Para completar o chorrilho de erros, o árbitro assistente anula quando, na dúvida, deveria beneficiar o ataque. Assim impediu a atuação do VAR, visto ser um lance muito duvidoso. Ainda assim, os erros de arbitragem parecem-me divididos pelas aldeias, apesar de isso não significar de a arbitragem tenha sido boa. Não foi! Muitos erros. O penálti sobre Corona, as faltas que precedem os dois primeiros golos, a expulsão perdoada a Seferovic, etc. Muito mau.

Individualmente, dou o MVP a Oliver. Já sei que não foi uma exibição isenta de erros, mas sobressai o seu trabalho na pressão e na intensidade que pôs no jogo. Nesse capítulo, Herrera também voltou a estar excelente. Marega esteve bem mas pecou muito na definição. Poderia dizer algo parecido de Brahimi e Corona, mas todos eles terminaram com golos ou assistências... A defesa, tremeu um pouco quando pressionada no início da segunda parte. Mas parece-me que o problema estava na proteção dada pelos médios. Por esse motivo, outro dos destaque é Bruno Costa. Grande serenidade do miúdo a equilibrar o jogo, num teste de fogo. André Pereira destacou-se mais pela luta e pelas muitas bolas aéreas que foi ganhado à defesa contrária. Por último, desta vez não foi possível roubar o golo a Fernando Andrade...

Siga para a final. Conceição não quis escolher, nem ficava bem, mas eu prefiro o Sporting.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Tranquilo



Após o último jogo que tivemos no Dragão enaltecemos aqui o facto de ter sido um jogo tranquilo, algo raro nos últimos tempos. Depois de mais dois jogos pródigos em calafrios, na sexta-feira voltámos a ter um jogo descansado, longe do Dragão. Nada daqueles resultados curtos em que temos de aguentar o chuveirinho e as faltas à volta da área nos minutos finais, como nas Aves e nos Açores. Nada daqueles thrillers em que o golo tarda em chegar, como no Bessa, agora no Leixões ou até em Alvalade. Controlámos o jogo cedo e até marcar. Depois do golo, continuamos no comando das operações até ao final. Houve ali um golo sofrido num lance muito rigoroso e num movimento algo parvo do Pepe, mas foi mesmo muito tranquilo.

Passemos então aos motivos para esta tranquilidade. Eu tendo a achar que foi o onze. Este pode mesmo ser o melhor onze possível do FCPorto, com este plantel. Pode ser, mas não tenho a certeza. Este onze garante, desde logo, uma segurança defensiva invulgar no nosso campeonato, mantendo um poderoso controlo aéreo (especialidade de Felipe), um excelente controlo de profundidade (especialidade de Pepe), e dois laterais com grandes noções de posicionamento defensivo e com passada larga na chegada ao ataque. Todos eles com excelentes níveis de agressividade, motivação, confiança e até experiência, que começa também na baliza. No ataque temos os dois alas mágicos, que tanto podem juntar-se aos médios na organização, como arrancar para a linha ou para a área em drible. Temos também dois avançados que se complementam e que raramente pisam os mesmos terrenos. Em conjunto já levam quase 30 golos em todas as competições. Sobra a zona do terreno em que tenho mais dúvidas. No meio campo, Conceição elogiou muito a exibição dos dois médios e eu acho que foi muito justo. É por aqui que se decide se efetivamente controlamos os jogos ou se os deixamos entregue ao nosso talento individual, seja no ataque ou na defesa. Tendo a achar que um meio campo a dois funciona melhor com Oliver e Herrera. Por um motivo: é mais fácil variar o nosso jogo, tornando-o mais imprevisível, porque são jogadores muito diferentes que pisam alternadamente terrenos semelhantes. Mas poderão contestar que Danilo garante maior solidez defensiva e que tem vindo a aumentar muito o seu raio de acção. Tendo a concordar. Assim, qual será a nossa melhor versão do meio campo? Depende. Acho que as três versões possíveis, que estes três jogadores nos dão, são boas. Isto apesar de preferir claramente as duas em que temos Oliver. A questão é que Conceição tende a privilegiar a segurança defensiva, até porque efrenta muitas vezes linhas médias com 3 ou mais elementos. Mas será que a segurança defensiva é uma preocupação tão grande, agora que temos Pepe? Será que a chegada deste jogador vai dar um novo fôlego a Oliver na equipa? Aguardemos pelos próximos capítulos...

Individualmente, dou o MVP a Soares. Parece óbvio pelo seu hat trick. Mas senti-me tentado a pôr nesta discussão Oliver e Herrera, que fizeram grandes exibições e que permitiram até que Conceição poupasse os extremos  e um central, na segunda parte. As restantes exibições foram boas ou muito boas. Há ali pequenos erros, como o de Pepe no penalti, mas coisas sem grande influência. Não gostei do facto de se ter roubado o golo a Fernando Andrade. Aquilo é um auto-golo? Porquê? Eu ainda não vi nada de especial nos minutos que foi fazendo pelo FCPorto, mas este golo daria confiança. Sinceramente, não percebo.

Segue-se a Taça da da Liga. Tal como aconteceu no ano passado, as prioridades nesta competição mudam quando nos aparece um grande pela frente, ainda por cima numa fase final. Dado o estado actual das duas equipas, permitam-me prever, desde já, que uma delas vai tentar fazer tudo para ganhar nos 90 minutos e outra vai, a partir de certa altura, esperar pelos penáltis. Um pouco como o que aconteceu no ano passado com o Sporting de Jesus.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Mais minutos


Era tudo o que precisávamos... Mais minutos para alguns dos nossos jogadores nucleares... Ainda por cima, num relvado complicado e que tinha pouca relva... O objetivo, não cumprido, seria o de rodar a equipa e ainda assim conseguir um jogo tranquilo. Ora, tranquilidade e segurança de resultado são coisas que este FCPorto de Conceição pouco conhece. Pior só se tivéssemos sido eliminados, seja após 90 minutos ou após 120, mais penáltis... Mas passámos e é o que interessa!

Sérgio Conceição arriscou um pouco e, na minha opinião, fez muito bem. O sorteio facilitou a tarefa ao dar-nos uma equipa de segunda liga, no meio deste calendário apertado. Sérgio aproveitou e jogou com menos sete titulares. Já sei que duas das poupanças foram forçadas, visto que Maxi e Danilo estão e estarão lesionados. Só tenho pena que, entre os poucos titulares que jogaram, estivessem Herrera, Alex Telles e Felipe que são, de longe, os jogadores mais utilizados do plantel. Se no caso de Herrera, o excesso de jogos não parece afetar o seu rendimento, no caso de Felipe e sobretudo Alex, tem-se vindo a notar uma clara quebra. As boas notícias é que a contratação de Pepe parece que vem amenizar a situação. E aqui surge uma das boas sensações da noite: testámos, pela primeira vez e durante meia hora, aquela que poderá ser a nossa defesa mais forte, com Militão, Felipe, Pepe e Alex.

O jogo começou por estar controlado com Oliver a impor-se no comando. Mas surgiu apenas um golo dado que os nossos avançados estiveram muito desinspirados. Na segunda parte, o Leixões foi acreditando apesar de se limitar a despejar bolas para a área, sem causar grandes problemas. Isso deu uma falsa ideia de segurança. Talvez por esse motivo surge o golo do Leixões em que toda a defesa e sobretudo o médio Militão ficaram a acompanhar a progressão do moço com alguma displicência, que foi bem aproveitada. A partir daí voltou a urgência de resolver. E a pressa não costuma ser boa nestas alturas. Assim, o golo surgiu já muito perto do final pelo herói do costume. Ao menos safámo-nos dos penáltis...

Individualmente tenho três destaques. Começo pelo MVP Hernâni que marca o golo decisivo. Depois destaco a entrada de Pepe que fez parecer que já treina há meses com esta equipa. Depois temos Oliver que está em todos os lances mais perigosos do FCPorto, incluindo os dois golos. No meio de tanta areia, tudo o que se viu de futebol veio dos pés de Oliver. Herrera é um tanque que joga sempre bem perante estes desafios mais físicos. Mbemba a lateral direito, prometeu na primeira parte, sobretudo na parte ofensiva , que era a que gerava tinha menos expectativas. Na segunda parte deixou de subir. Parece-me que pode ser um solução mais conservadora do que Militão. Mas é mais uma opção e nós estamos a precisar. Por exemplo, já se percebeu que Jorge não é. Por falar em opções, as ofensivas deixaram um pouco a desejar. Comecemos pelo melhor. Adrian continua a não ser brilhante mas conseguiu fazer 3 assistências para golo. É certo que apenas a de Hernani foi mesmo golo, mas há dois passes brilhantes para Fernando Andrade e para Corona. Já Fernando Andrade e André Pereira tiveram exibições pobres. O brasileiro ainda conseguiu dois remates perigosos. O miúdo André nem isso... Será que vai ser como no ano passado e vamos tenir a cada vez que o Marega e o Soares se agarrarem ao joelho ou levarem com uma entrada mais forte? Uma última chamada de atenção para o facto de Militão ter entrado para uma posição onde tivemos Sérgio Oliveira como titular, nos primeiros jogos da época. Só para registar que parece ser outro que já não conta para Conceição.

Na sexta-feira há novo jogo e bem mais importante e difícil. Espero que o meio campo com Herrera e Oliver se mantenha. Já agora, se não for abuso, espero que possamos ver também aquela linha defensiva que acabou o jogo.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Catorze



Não estão enganados! Nós não regredimos no tempo e na série vitoriosa... Essa série terminou ontem com o empate em Alvalade. Mas há outra série, bem embaraçosa, que continua bem viva. A nossa série de jogos sem ganhar em Alvalade já vai em ridículos catorze jogos. Digo ridículos porque coincidem com uma das mais longas fases sem títulos do Sporting e não ganhámos há mais de 10 anos. Uma fase em que raramente o Sporting apresentou equipas superiores à nossa e basta dizer que, nesses 10 anos, apenas ficaram à nossa frente no campeonato duas vezes. Sérgio Conceição, que tem vindo a dizimar recorde atrás de recorde, não conseguiu acabar com este...

Ontem tivemos mais um jogo em que ficou claro que o Sporting é inferior. Comecemos pelo plantel. Há quem diga que nos falta um goleador como Dost. Muito nos queixamos que por vezes falta qualidade técnica na nossa frente de ataque e alguma classe na finalização. Pois ontem tivemos uma amostra de um Bas Dost a jogar longe da área e é tenebroso! Depois temos a outra referência do Sporting, o Bruno Fernandes. Eu tenho vindo a queixar-me que não tem sido possível ter Oliver na equipa e também tenho lido e ouvido que nos faltam médios que cheguem lá à frente para marcar golos. Ontem Herrera e Danilo, contra um meio campo a três fizeram o que quiseram de Bruno Fernandes, que tem vindo a ganhar todos os prémios da Liga. Isto para dizer que, nem os melhores jogadores do adversário conseguiram causar mossa.

Desenganem-se que a tónica aqui não é o Sporting. Para mim o problema é o FCPorto não conseguir capitalizar estas limitações do Sporting, que acabou o jogo claramente com medo. Ou seja, conseguimos que ficassem completamente expostas as fraquezas do adversário, mas depois não conseguimos fazer nada com elas por causa de erros primários que cometemos ao longo do jogo, sejam erros de finalização, sejam sobretudo os erros no último passe. Brahimi esteve especialmente desinspirado nesse capítulo. Em suma, fomos claramente superiores mas faltou-nos baliza.

Isto apesar de termos entrado com os habituais dois avançados. Já sei que Marega às vezes vai pela direita e que o a disposição táctica de Conceição vai mudando ao longo do jogo, mas foi uma táctica bem mais arrojada do que a do adversário, que precisava de ganhar. A esse propósito chamo a vossa atenção para a conferência de imprensa de Conceição. Perguntaram-lhe se achava que a equipa tinha melhorado na segunda parte por causa da substituição forçada que teve de fazer, com a entrada de Oliver. Conceição acha que não. Reconhece que a equipa melhorou, mas acha que iria melhorar ainda mais se se mantivesse com a mesma equipa. Conceição tem a sua ideia clara sobre o que quer do meio campo do FCPorto e eu também tenho a minha. Eu acho que o Oliver tem de ser um indiscutível. Não sei se já tinham reparado... Mas é engraçado perceber que, por uma vez, não sou eu quem está a conjeturar sobre qual seria o rendimento da equipa com outras opções. Conceição acha que seríamos ainda melhores sem Oliver e eu vi que fomos claramente melhores com ele. Soube-me bem! Isto apesar de o Oliver nem ter feito um grande jogo. Mas nota-se na segurança com que temos a bola, nota-se na estatística da posse e nota-se até no facto de, por uma vez, chegarmos ao fim do jogo com mais fôlego físico que o adversário. Tem sido raro e ter bola ajuda muito.

Individualmente destaco duas grandes exibições. Em primeiro lugar o MVP do jogo, Danilo. Destaquei que conseguimos, em grande parte do jogo, controlar o meio campo apesar da desvantagem numérica e isso deveu-se sobretudo a Danilo. Militão esteve a um nível muito semelhante. Grande jogo e grande jogador! Brahimi esteve muito bem a pegar no jogo mas pecou muito na decisão. Corona também vinha fazendo erros semelhantes quando ficou encostado à lateral. Achei que Herrera chegou pouco à frente e acho que melhorou nesse aspecto com Oliver. Os avançados estiveram desinspirados mas, se é para entrar Hernani e Fernando Andrade... Mais valia ficar Soares cansado...

Um pequeno destaque para a arbitragem. Tivemos um fim-de-semana péssimo sobretudo ao nível disciplinar que começou em Portimão em mais uma expulsão por "palavras", continuou nos Açores quando pareceu que fizeram a vontade ao Fábio Cardoso e terminou agora mesmo em Vila do Conde. Hugo Miguel não destoou. A peitada que levou de Jefferson nos minutos iniciais fazia adivinhar que os jogadores do Sporting podiam fazer tudo o que quisessem. E quem aproveitou mais foi Bruno Fernandes que, obviamente, deveria ter ficado pela primeira parte. Faltou coragem aí e também faltou quando Coates enfiou uma patada em Brahimi, num lance que daria um livre perigoso nos descontos e com mais um segundo amarelo que ficou por mostrar. Exibição pobre.

Já agora, um último tema: chegámos àquela altura da época em que, a cada jogo, perdemos um jogador por lesão. É a gestão de plantel que o Conceição tem vindo a implementar, com sucesso diga-se... Mas que é arrepiantemente arriscada, lá isso é!

Uma vitória no estádio do Mar garante a presença numa meia-final a duas mãos. Será importante. Também será interessante ver a mais que provável estreia de Pepe.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Dezoito


Quando comecei esta série de títulos de posts baseada na outra série, a de vitórias, não me passava pela cabeça o quão repetitivo isto se iria tornar. Aguentem lá mais um pouco... Isto é chato mas é por uma boa causa... Está então igualado o recorde de vitórias consecutivas em Portugal. Mais uma marca de Conceição! 

A décima oitava vitória foi um pouco diferente das anteriores. Vinha-me queixando que os jogos tinham sempre traços comuns: exibições bipolares, calafrios, desperdício e resultados curtos. Hoje foi um pouco diferente. Desde logo o jogo foi mais tranquilo. Mas não prometia ser. Isto porque, ao contrário do que aconteceu nos jogos anteriores, nunca chegámos a ter um domínio avassalador, nem chegámos a perder o controlo do jogo. Fomos menos vezes à baliza contrária e fomos mais eficazes. Por outro lado, não sobremos grandes calafrios e o golo que sofremos é uma 'chouriçada' que pode acontecer a qualquer defesa, apesar de o Alex estar a dormir. Algo que não mudou muito é a qualidade do nosso modelo atual. Em dias em que temos Corona e Brahimi em bom plano, e hoje Corona esteve muito bem, conseguimos mitigar os problemas que temos em posse e em organização ofensiva. Para evitar o chuveirinho, os mágicos vêm buscar a bola quase aos defesas para começarem as nossas jogadas. Se ao menos houvessem soluções no plantel que nos permitissem evitar afastar estes jogadores da baliza contrária... Estou a falar obviamente de Oliver! Já sei que é uma luta perdida porque Conceição não acha isto um problema. A seguir a um lançamento longo há sempre uma segunda bola que o Herrera vai ganhar. E se não ganhar a segunda bola ganha a terceira e sucessivamente... É disto que ele gosta e é difícil convencê-lo do contrário porque os resultados têm sido muito bons. Eu acho que podiam ser ainda melhores, mas tenho de me conformar com o facto de ele estar a apostar num modelo em que acredita e com o qual se sente confortável.

Ainda por cima, por mais cinzenta que seja a nossa exibição, os adversários diretos têm feito bem pior e finalmente começamos a ter uma vantagem que dá algum desafogo.

Individualmente, o jogo decidiu-se na ação dos nossos dois alas. Dou o MVP a Corona porque jogou mais tempo e está nos 3 golos, 2 deles com assistências. A jogada do segundo golo é magistral! Desde o passe do Maxi, à receção de Corora e remoção dos rins do adversário que se seguiu, até à excelente cabeçada de Soares. Sublime! Brahimi pareceu limitado, mas... Brahimi é Brahimi! Mesmo a 60%... No miolo Herrera fez um bom jogo, apesar de no final do jogo ter caído um pouco sobretudo ao nível das decisões de último passe. Não é o seu forte... Mbemba não comprometeu, como seria de esperar. Nas laterais Maxi continua em melhor plano que Alex Telles que parecia que estava empenhado em pôr todos os adversários em jogo, inclusive no golo sofrido. Quando descansa o Alex? Quando volta a jogar o Oliver? Quando é que o Marega é substituído sem armar confusão seja com Conceição ou Herrera ou alguém? Tudo questões cuja resposta é difícil de antecipar e que até pareciam de resolução simples...

Chegaremos às duas dezenas? É difícil porque Alvalade é claramente e inexplicavelmente, o campo onde temos piores resultados, desde que eu acompanho o clube. É daquelas estatísticas estranhas que o Conceição tem vindo a dizimar. Esperemos que assim continue!

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Dezassete


Vamos continuar com esta sequência de títulos de post enquanto esta fantástica série continuar. É mais que justo! Provavelmente a história lembrar-se-á apenas deste recorde do FCPorto de Sérgio Conceição e toda esta tremideira a que temos assistido nos últimos jogos ficará no esquecimento. Mas eu aqui não consigo deixar de destacar as duas coisas. A série é óptima, mas as últimas exibições estão muito longe de o ser. Eu diria até que esta série de resultados já deveria ter tido um impacto maior na confiança e no fulgor físico da equipa e só não o tem porque a equipa tarda em ter uma exibição condicente com a posição que ocupa na tabela.

E as crónicas tornam-se incrivelmente repetitivas... Em relação aos últimos jogos, hoje apenas se alterou o facto de não termos sofrido golo primeiro, nem depois. Desta vez não sofremos. É bom mas não apaga o resto. O traço comum deste FCPorto é que há longas partes do jogo em que controlamos por completo e nessa altura falhamos demasiados golos para o futebol que criamos. Depois, com uma vantagem curta e normalmente mais perto do final, deixamos de controlar o jogo, aproximamo-nos de Casillas e fazemos um chorilho de disparates que causam calafrio atrás de calafrio. Conceição está a tornar-se num mestre do suspense! Enquanto precisamos de ir atrás do resultado jogamos bem e, quando não precisamos, damos o controlo das operações ao adversário por muito fraco que seja. No final vem um alívio tão grande que quase dá vontade de esquecer o que se passou e focar na vitória, mas eu não consigo... Este FCPorto bipolar está a moer-me o juízo.

E tudo tem a ver com a qualidade da posse de bola. É um assunto que por aqui repito todas as semanas. Sem Oliver em campo, estamos entregues ao que Brahimi consegue fazer. Se pudermos ter os dois ao mesmo tempo temos uma maior probabilidade de controlar melhor o jogo e ter mais bola em terrenos ofensivos. Hoje Brahimi só durou a primeira parte, visto que na segunda pareceu limitado fisicamente. Oliver entrou tarde e só quando saiu Brahimi. Assim é difícil...

Individualmente, só podia dar o MVP a algum dos defesas que ajudou a manter o resultado na segunda parte. De facto, apesar de não termos o controlo do jogo na segunda parte, o Aves quase não teve oportunidades e a melhor é no último segundo e já depois do tempo previsto para a compensação. Isso é fruto do trabalho dos defesas. Desempatamos facilmente porque um dos nossos defesas marcou o golo que valeu os 3 pontos. Há quem tenha defesas que marcam golos que valem 3 pontos para o adversário... O MVP vai então para Militão. Gostei também das exibições defensivas de Danilo e Felipe. Gostei mais de Alex Telles do que nos últimos jogos, mas aquelas faltas parvas no final da segunda parte... Por falar em faltas parvas, aquela de Herrera no último segundo do jogo... O moço não muda! Ofensivamente, não há destaques porque tudo o que de bom se foi fazendo na primeira parte, foi-se esfumando na segunda. Destacaria as entradas de Hernâni e Adrian que pouco ajudaram. Tanto um com outro falharam redondamente a tarefa de segurar mais o jogo e tentar levá-lo para o meio campo ofensivo. Também tiveram pouco tempo...

Siga para a décima oitava! E com a dupla Militão e Diogo Leite! (já sei que vai jogar Mbemba mas não custa sonhar...)

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Dezasseis


Já passaram uns dias e já mudámos de ano, mas faltava registar aqui a décima sexta vitória consecutiva. Não é costume fazer crónica de jogos da Taça da Liga e não vou fugir à tradição. Mas é um feito assinalável e a série continua viva, quando partimos para mais uma série interminável de jogos num só mês. É uma questão de tempo mas isso não preocupa muito. O que preocupa é que tivemos mais um jogo em que não foi possível descansar nenhum daqueles que parecem mais cansados. Preocupa também esta tamanha ineficácia que quase nos atirou para fora da prova, mesmo contra uma equipa que não apresentava o seu melhor onze. Não fosse essa ineficácia também não seria muito preocupante o facto que entrarmos sempre a perder nos jogos. Mas o que interessam essas preocupações se continuamos a ganhar? Com Conceição é até partir! Bom 2019!