quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Quinze


Já passou algum e tempo e o jogo até foi antes do Natal, mas faltava registar aqui a crónica da décima quinta vitória consecutiva. A tendência continua... A cada jogo que passa, o feito fica mais épico, mas os resultados têm sido cada vez mais apertados. E os sinais de cansaço começam a ser demasiado evidentes.

Mas comecemos pelo melhor do jogo: grande ambiente no Dragão! O jogo às 15 horas não trouxe muito mais gente, visto que este FCPorto de Conceição chama sempre muita gente ao estádio. Mas trouxe mais famílias, mais crianças e um ambiente que gostaria de ver repetido tantas vezes quanto possível. E este é um alerta que deixo. Conceição tem vindo a queixar-se da marcação dos jogos e que esta aperta ainda mais o calendário. Por coincidência, o  jogo de Domingo foi o primeiro jogo àquela hora em largos anos anos e foi antes do jogo do Benfica, algo que também não acontecia há largas jornadas. Não vejam aqui uma teoria da conspiração. Simplesmente um dos nossos concorrentes diretos tem maior poder na marcação dos seus jogos em casa, porque não está limitado ao operador que transmite os jogos. Por muitos milhões que se receba do contrato com a MEO ou Altice, nós só vendemos direitos e a Sport tv faz o que quer com eles. Isto não pode continuar. E o pior é que os tipos da Uefa fazem igual com os direitos deles. Vendem à eleven sports e os tipos que se arranjem. Entrando no domínio do romantismo, tanto na Uefa como cá, não há a mínima preocupação com os adeptos. Isso vê-se na hora dos jogos e vê-se nas transmissões manhosas e com delay da eleven sports. Tudo isto por causa de conceitos publicitários e de audiência que até podem estar ultrapassados. Será que temos mais gente a ver os jogos se eles forem transmitidos domingo à noite ou às 15h? Será que vai haver mais gente a ver um Moreirense-Tondela se só estiver a ser transmitido esse jogo? Temos tanta vontade de seguir o exemplo inglês numas coisas e noutras... Enfim, fica o desabafo...

Vamos ao jogo. Mais uma vez começámos a perder. Tal não implica que tenhamos começado mal. Entrámos bem no jogo e o golo surge de um erro de Corona, muito bem aproveitado pelo Rio Ave. Mas estávamos bem no jogo e isso notou-se porque a reacção seguiu o mesmo tom que vinha seguindo até então. Sem Oliver os extremos colocaram-se muito por dentro para povoar o miolo e foi aí que surgiram os golos. No primeiro, Brahimi recebe no meio e dribla pelo meios dos adversários até ao passe de ruptura e no segundo Marega aproveita o espaço que Corona deixou na ala para romper até ao golo. Como já referi, o próprio golo do Rio Ave surgiu do posicionamento interior e das tarefas organizativas atribuídas a Corona. Até ao intervalo o jogo foi seguindo sob controlo com oportunidades regulares e alguma ineficácia que fez com que o resultado se mantivesse com uma vantagem mínima. Não estávamos a contar que essa vantagem mínima se mantivesse até ao final. E deu para sofrer um pouco. Não que o Rio Ave tivesse sido muito perigoso. O problema é que, mais uma vez, tivemos dificuldade em ter bola, o que fez com que o Rio Ave tivesse muita bola nesse período. E disto resulta um ciclo vicioso: a equipa cai de rendimento porque está cansada e passa a ter menos bola. O adversário sobe no terreno e na moral, por ter mais bola no Dragão. Em resultado, a equipa fica ainda mais cansada porque se corre mais sem bola do que com ela, e assim sucessivamente. Conceição reagiu tarde a esta tendência e Oliver entrou quando o jogo já estava a pender para o Rio Ave e quando a maior parte dos colegas já estava de rastos. Ainda assim notou-se qualquer coisa e espero que sirva de lição. Neste momento, só existe no plantel uma opção de meio campo que nos garante maior controlo sobre o jogo e sobre a posse de bola. Perante o cansaço e o acumular de jogos, a tendência do treinador é para lançar jogadores mais robustos. Mas será que melhorámos? Nos jogos em que Oliver foi substituído mais cedo, melhorámos em algum aspecto relevante do jogo? Tivemos mais oportunidades, mais posse, mais duelos ganhos? Avancámos ou recuámos no terreno? Sérgio Conceição tem de escolher de uma vez por todas: ou opta por uma solução estrutural com Oliver ao leme da equipa ou opta por uma solução conjuntural e paliativa de ir refrescando a equipa com jogadores mais fortes fisicamente, à medida que se vai notando desgaste. Começo a duvidar cada vez mais que Conceição tenha percebido os efeitos da entrada de Oliver no onze e que esteve na génese desta série de 15 vitórias! Até me parece incrível que esteja a duvidar da própria solução que implementou. Oliver e Brahimi são os únicos jogadores que conseguem temperar este futebol de ímpeto de Conceição. No ano passado Brahimi conseguiu carregar nos ombros essa responsabilidade. Este ano não estava a conseguir e temo que volte a acontecer, se não se regressar ao esquema que nos pôs nesta dinâmica de vitória. Já sei que há sempre malta que julga que não se pode levantar problemas ou dúvidas quando estamos a ganhar. É um erro! É uma óptima altura para questionar o que está mal e prever o que de mau pode acontecer em consequência. É uma óptima altura para implementar os ajustes que tornam a equipa mais forte.

Individualmente, torna-se difícil escolher um MVP, porque a segunda parte cinzenta da equipa fez com que a qualidade das exibições baixasse a pique. Na dúvida dou sempre o MVP ao maior artista, Brahimi. Mas Marega também seria um bom candidato. Pela negativa poderia falar de Corona que teve o azar de fazer um erro que resultou em golo sofrido. Felipe fez dois passes igualmente horríveis e nenhum resultou em grandes apuros. Às vezes é uma questão de sorte... Adorei a garra de Maxi até ao final e continuo muito preocupado com a fomra física de Alex Telles. Até Danilo pareceu que estava limitado pela lesão que o afligiu durante a semana.

A série continua, mas os resultados continuam a sair bastante apertados. Dá a ideia que 50% da eficácia do Benfica no último jogo e do Sporting nos três ou quatro anteriores, nos daria o resultado gordo que precisamos neste momento. Estou mesmo convencido que uma goleada poderia estender esta série até Alvalade. E dava jeito que fosse já no Jamor!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Catorze


A série já vai bem longa e à medida que se vai alongando, vai sendo cada vez mais saborosa e cada vez mais exigente. Passo a explicar. Os jogos têm-se acumulado e apenas num deles, na Turquia, não havia uma obrigação imperativa de ganhar. Já sei que temos de entrar em todos os jogos para ganhar e yada, yada, yada... O que pretendo destacar é uma ideia que já aqui abordei de que esta fantástica série de vitórias não nos trouxe grande folga. A vantagem no Campeonato não é confortável e mantém-se igual há várias jornadas. Na Taça de Portugal temos apanhado equipas de Primeira Liga e na Taça da Liga, o deslize com o Chaves, faz com que o jogo no Jamor seja decisivo. Isto torna difícil de gerir o descanso de alguns jogadores nucleares, que têm jogado sempre, e que já demonstram algum cansaço como Alex Telles, Felipe, Marega e Danilo. Este último, juntamente com Otávio, são já as primeiras preocupações com lesões que aparentam ser resultado de excesso de jogos. Mas a série está viva e há que alimentá-la!

Por falar em lesões, o jogo de hoje foi pródigo em peripécias. Desde logo, o adversário criou alguns problemas defensivos e marcou em alturas muito complicadas. Marca logo no início, para desestabilizar. Depois empata nos descontos da primeira parte, mudando toda a configuração da segunda. Por último, marca nos descontos da segunda parte, para manter a incerteza no resultado até ao final. E ainda se fica com a sensação que dois dos golos do Moreirense são daqueles para os empresários colocarem nos primeiros segundos do vídeo de apresentação dos jogadores... Que golaços! Pelo meio, vimos um festival de golos falhados, na primeira parte, e uma clara quebra física, na segunda. As lesões vieram agudizar os problemas visto que Conceição apenas teve a possibilidade de fazer uma substituição por sua própria iniciativa. Isso não permitiu combater convenientemente o cansaço notório da equipa. Enfim... Um experimentado autor de thrillers não escreveria um guião muito diferente... Mas a série está viva e há que alimentá-la!

Falando um pouco mais do jogo, gostei da reação da equipa ao golo que sofremos cedo. Mas não gostei nada da apatia que se seguiu ao 3-2. O que vi foi muita intranquilidade, quer a defender, quer a sair com a bola do guarda-redes. Vi apenas os quatro defesas a trocarem a bola entre si até que os adversários apertavam e obrigavam a jogar longo. Uma incapacidade notória de gerir o jogo com bola. Sei que faltava Oliver e sei que o cansaço foi um factor importante, mas é sempre mais fácil descansar com bola e a equipa tem de conseguir fazê-lo nestas circunstâncias.

Individualmente, dou o MVP a Marega. Já sei que falhou golos imperdoáveis, mas marcou outros dois e criou várias situações de perigo para ao Moreirense. É dos jogadores em melhor forma neste momento e tem mostrado coisas novas nos últimos tempos. Brahimi entrou a tempo de fazer duas excelentes assistências que ajudaram a decidir o jogo. Hernâni parece que foi perdendo o gás do golo do Bessa. Entrou muito bem fazendo uma boa primeira parte. Na segunda parte, acumulou algumas asneiras e não ajudou convenientemente Maxi. E já sabemos que o Maxi de hoje em dia precisa de muito apoio... Mas Alex não está muito melhor. Já não consigo distinguir o que é cansaço e o que é falta de confiança. O que sei é que está a jogar muito menos do que o que jogava. É verdade, no entanto, que ele compensa muito com a qualidade das bolas paradas. Com esta permeabilidade pelas alas, os centrais também se começam a ressentir e a fazer mais erros. Fabiano foi outro grande foco de instabilidade. Se a dificuldade dos adversários continuar a aumentar, vai perder o lugar nestes jogos da Taça. Por último destacaria Adrian e André Pereira. Ambos jogadores que não comprometem, que fazem coisas interessantes no jogo, mas que não entusiasmam. E assim , manter-se-ão pelo banco...

Grande iniciativa a de marcar o jogo de Domingo para a 15h! Espero que esteja bom tempo e que o Dragão possa encher para empurrar a equipa para a décima quinta vitória consecutiva! A série está viva e há que alimentá-la!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Treze




Obrigado ao Prata e ao FCPorto por facilitarem o título da crónica! Esperemos que continue assim tão fácil nos próximos tempos…

Fácil é o que não foi o jogo para o nosso clube. O onze apresentado por Sérgio Conceição, tendo por base o último do campeonato, teve uma meia-surpresa: depois da desconsideração da substituição de Oliver ainda na primeira parte, não contava que tornasse a ser opção neste jogo. Ele, que apareceu com outras funções face ao último jogo no Dragão, colocando-se muito mais perto de Danilo e deixando o primeiro apoio aos avançados para Herrera. Corona tornou a ocupar a lateral defensiva proporcionando outro tipo de soluções ofensivas à equipa mas, defensivamente, traz outro tipo de preocupações. Ainda comparando com o último jogo no Dragão, foi Marega que jogou mais descaído para a direita mas fletindo muito para o meio para Corona explorar o flanco.

E desta vez até entramos bem na partida, conseguimos muitos cantos, tivemos sempre muito perto da baliza adversária e até o golo anulado a Soares dava a sensação que o golo podia surgir a qualquer instante. No entanto, as constantes paragens, fosse para assistir os adversários ou para consultar o VAR, quebravam constantemente o ritmo da partida e, já antes do golo inaugural, o Santa Clara já mostrava algum afoito (belo termo!) quando Militão sacou uma bola que se encaminhava para a nossa baliza.

Apesar de arriscarmos muito mais pela ala direita com Corona projetado ofensivamente e obrigando Felipe a atenções redobradas, foi pelo nosso flanco esquerdo que o Santa Clara criou as melhores situações. No tal lance que Militão evitou e no golo sofrido. Oliver ainda foi à dobra mas sem a intensidade que o estava a caracterizar até então na recuperação da bola, permitindo o cruzamento e a bola ainda sofreu nele um ligeiro desvio que deixou sem reação a defensiva do Porto, servindo de atenuante à marcação de Felipe.

Otávio salta para aquecimento e o que passa pela cabeça é que «talvez Oliver se livre de nova substituição na primeira parte mas do intervalo não passa se isto continua assim». Não continuou ‘assim’, o Porto reagiu bem, chegou ao empate após grande remate de Oliver mas não o livrou de nova saída. É claramente o elo mais fraco para Conceição. Não deve ser fácil para um jogador saber que após dois ou três erros está logo na calha para ser substituído…

Otávio assume a ala direita, Soares e Marega ficam mais juntos na frente e as despesas do corredor central para Herrera e Danilo. Tivemos a felicidade de marcar dentro do primeiro quarto-de-hora e podíamos ter ficado bem mais descansados se Brahimi concretiza, logo a seguir, a grande iniciativa individual após passe sublime de calcanhar de Soares.

A partir daí, nunca tivemos o controlo do jogo e foi preciso ter um Iker tranquilo e seguro mesmo a sair dos postes. Não sei porquê mas teimamos em fazer faltas estúpidas já perto da área quando os nossos adversários estão de costas para a baliza. E foi assim que terminou a partida, com um livre lateral a terminar uma partida de sofrimento,

É algo preocupante como não conseguimos controlar melhor a partida quando estamos em vantagem, foi assim na Turquia mas aí demos a desculpa dos elementos utilizados menos rotinados; neste caso, vamos dar a desculpa do cansaço e do estado do terreno que também não favorecia a nossa forma de jogar.

Os destaques vão para a dupla Iker e Felipe na defesa e Marega e Soares na frente. Tendo em conta o golo (bem) anulado, o golo marcado, a ação preponderante no segundo golo e até aquele toque de calcanhar para a melhor oportunidade na segunda parte, dou o MVP a Soares.

A equipa precisa mesmo de descansar mas a má notícia é que, a eliminar, temos já um jogo na terça e, outro, no domingo… A boa notícia é que são ambos no Dragão e aí o Mar Azul pode ajudar a esta corrente vitoriosa!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Doze


E vão doze vitórias seguidas em todas as competições! Esta é já uma das melhores séries da história do clube e pelo meio houve quatro jogos na Champions League! É, de facto, um feito incrível a adicionar à passagem em primeiro lugar, ao recorde de pontos nesta fase da prova e aos recordes individuais de Marega e Casillas. É certo que não nos resta outra alternativa senão a de continuar a série. Isto porque a Champions fica para trás, e passaremos a concentrar as nossas atenções em competições internas, em que não temos  muita folga. No Campeonato temos 3 adversários diretos muito perto, a Taça é uma competição a eliminar e, na Taça da liga, será obrigatório vencer com um resultado robusto, para continuar na prova.

Vamos ao jogo. Desde já confesso que apenas vi partes. Este horário é horrível. Vi com mais atenção a primeira parte que, ao que sei, foi a melhor parte do nosso jogo. Isso não diz muito do resto do jogo, visto que o que vi não foi grande coisa. Mas será que tínhamos condições para fazer muito melhor? Julgo que não. Os mais críticos apontam dois pecados à nossa exibição: pouca bola e oportunidades de golo e defesa muito recuada. Por um lado, Conceição poupou vários titulares e, como já tinha dito aqui, acho muito bem. Até acho que podia ter poupado mais, sobretudo Alex Telles, Danilo e Marega. Mas se com eles foi difícil, que faria sem eles? Assim, Conceição apresentou um onze em que faltava o nosso melhor central e em que sacrificava toda a nossa criatividade. Não havia Oliver, nem Brahimi, nem Otávio, nem Corona. Apesar de os nossos avançados, sobretudo Marega e Hernâni terem inventado dois golos, a equipa teve sempre muita dificuldade em ter bola e segurar o jogo no meio campo ofensivo. Tem a ver com as características dos jogadores que apresentámos. Mas isso contribui decisivamente para que a equipa recue quando pressionada. Assim, a forma como decorreu o jogo decorre muito mais da equipa que apresentámos do que de erros individuais de jogadores, sejam dos habituais titulares, sejam dos habituais suplentes. Sérgio arriscou pôr a equipa a sofrer e saiu-se bem. Prioridades! Era mais importante descansar alguns jogadores. Todos lembraremos mais facilmente a vitória, do que as dificuldades que a equipa sentiu. 

De resto, tenho apenas duas notas. Em primeiro lugar, a arbitragem foi bem fraca. Demasiado para este nível. Depois vi alguns comentários paternalistas sobre a exibição de Diogo Leite: «não esteve nem muito bem, nem muito mal e até é normal por causa da idade». E depois há idiotas que vêm com a ideia de que sempre que o miúdo joga sofremos mais golos. Esses vou ignorar, mas registo que sempre que aparece um miúdo bom das equipas jovens, há duas correntes: os que quase ejaculam sempre que toca na bola e os que o fazem a cada vez que ele comete um erro, por pequeno que seja! Diogo Leite, não jogava pela A desde Setembro, fez uma exibição ao nível do resto da equipa e até com menos erros que os colegas de defesa. Maxi, esteve mal nos dois golos sofridos e no penálti que o Galatasaray falhou. Felipe tem mais uma abordagem desastrada no lance do primeiro golo sofrido. Grande parte das jogadas mais perigosas do adversário vieram do lado de Alex Telles. O Diogo teve Erros? Claro! Mas porque é que estão à espera dos erros do miúdo para vir com aquelas frases intragáveis do «eu sempre disse»? Quanto valerá o Diogo ao lado do Militão? Quanto valerá o Diogo se for integrado numa equipa solidificada com a confiança de trazer 12 vitórias seguidas? Já vimos esse Diogo? Que mesquinhez...

Individualmente dou o MVP a Marega. Está em boa forma e teve uma tarefa hercúlea de concentrar em si 90% das nossas despesas ofensivas na segunda parte. Foi também o jogador que, do meio campo para a frente, teve mais capacidade de reter bola e arrastar a equipa consigo. Essa foi uma lacuna no nosso jogo e o motivo pelo qual não consigo dar grandes notas aos jogadores do meio campo e do ataque. Convém no entanto distinguir que Hernâni esteve bem melhor que Adrian Lopez. Além de que foi muito mais decisivo no resultado. Pela negativa, os nossos laterais que foram os mais fustigados e não lidaram bem com isso. Alex ainda não arrancou uma daquelas exibições do ano passado, mas o homem não descansa...

O jogo nos Açores é, mais uma vez, decisivo. Os adversários diretos, bem ou mal, não desarmam e nós temos de continuar a colocar pressão até termos uma vantagem mais confortável ou até ao jogo em Alvalade.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Onze


A série continua! Esse será talvez o facto mais relevante do jogo da passada sexta-feira. Ainda por cima, as características do jogo na Turquia tornam mais provável que a série fique por aqui. Não existe a obrigação de ganhar e Conceição deverá dar minutos a jogadores menos utilizados, minutos que serão preciosos na sua gestão do plantel. Já sei que há aquela malta que fala do dinheiro e os que insistem naquela frase feita que insiste que «em todos os jogos, é para ganhar»! A lógica de Conceição é a médio prazo e ele precisa de um plantel saudável e competitivo para atacar o resto da época.  Isso já se notou na convocatória e eu concordo.

A exibição voltou a não ser famosa... Mas voltámos a ter muitas oportunidades para marcar e fomos ligeiramente mais eficazes do que no Bessa. Começámos muito mal! Fez lembrar, um pouco, a entrada em campo com o Schlake04 no Dragão. A diferença é que me parece que o Portimonense tem jogadores mais talentosos na frente e um futebol muito mais atrevido. Com o golo sofrido e outros sustos que se seguiram, a equipa acordou e passou a ser mais intensa. Não passou a jogar bem. Mas bastou esse acréscimo de intensidade para que passasse a controlar as operações e para que as oportunidades de golo se sucedessem. Ao intervalo, o resultado já era escasso para o que o FCPorto criou e, depois do intervalo, chegámos à goleada com naturalidade e podiam ter sido mais.

A propósito desta nossa reacção ao golo sofrido, quem me lê com frequência já adivinha que vou ter de falar da substituição de Oliver. Também é fácil de adivinhar que não gostei nada da substituição. Comecemos pelos motivos técnicos que se aplicariam à substituição de qualquer jogador nestas circunstâncias. Faltavam 5 minutos para o intervalo e estávamos empatados. Ou seja, a mudança não era urgente nem pelo resultado, nem faz grande sentido gastar uma substituição assim. Ou se faz aos 30 minutos, para tentar mudar algo até ao intervalo, ou mudámos no intervalo e podemos planear toda a segunda parte com todo o grupo. Além disso, a equipa estava a crescer nesses últimos 15 minutos da primeira parte. Foram várias as jogadas em que estávamos a meter jogadores da cara do redes contrário e, defensivamente, o Portimonense já não estava a criar perigo. Ainda por cima foi troca por troca. Assim, tal como seria de esperar, não se notou grandes alterações no nosso jogo. Herrera teve apenas tempo de falhar um passe e recuperar umas bolas, semelhante Oliver vinha fazendo e o faria se estivesse em campo. Até aqui, julgo que todos poderão concordar que esta substituição foi um absurdo. A partir de agora vem a parte em que muitos poderão discordar. Para mim, esta substituição, naquele momento, é assustadora porque me deixa a ponderar se Conceição percebeu mesmo o que aconteceu à equipa desde que Oliver entrou no onze... Será que é daqueles que acha que Oliver evoluiu muito em termos de agressividade ou será que ele é daqueles que acha que Oliver joga sempre da mesma maneira e que foi por isso que o sistema geral evoluiu? Fico na dúvida. O resto não me assusta. O jogo era no Dragão, Herrera é um bom jogador e a equipa não se ressentiu neste jogo. Também não me aprece que tenha ficado melhor... Poderia preocupar-me o facto de  Oliver poder perder um pouco de confiança, mas parece-me que ele não é desses. Preocupa-me é a conceção de jogo. Será que Oliver entrou na equipa porque Sérgio queria que o sistema evoluísse ou porque Herrera não podia jogar, por lesão ou quebra de rendimento? Isso já me tira o sono...

Individualmente dou o MVP a Brahimi. Um dos motivos que tornou inócua a substituição de Oliver, foi o facto de Brahimi ter assumido neste jogo quase todas as nossas despesas ofensivas. Já não fazia uma exibição destas há algum tempo. Tal facto só valoriza a série que a equipa vem fazendo e o impacto que Oliver tem tido na equipa. É especulação minha, mas arrisco que o FCPorto do ano passado não teria passado bem, com o Brahimi que vimos nos últimos jogos... Marega seria também uma escolha óbvia para MVP. Tem vindo a crescer nos últimos jogos mas pareceu que falhou o hat trick por fadiga. Talvez fosse boa ideia fazê-lo descansar na Champions. De resto, destaco apenas Danilo. Grande jogada no terceiro golo a coroar uma exibição bem acima da média. As restantes exibições foram apenas regulares e oscilaram com a equipa. No início estiveram mal e no final recuperaram. Destaque apenas para Alex Telles e Felipe. O primeiro tem uma abordagem péssima no golo sofrido. Quem não se lembra, não vá rever... Muito feio! Felipe inventou a polémica neste jogo. Já sabíamos que há clubes que estão especialmente atentos a tudo o que se passa nos nossos jogos em termos de arbitragem. Pois Felipe conseguiu, na mesma jogada, entregar a bola ao jogador mais perigoso do adversário e ainda lhe deu um toquezinho na área. Eu não sei se o toque é suficiente para penálti. O que sei é que é suficiente para alimentar a estratégia desesperada do Benfica.

A esse propósito, não deixa de ser muito engraçado comparar as análises que se fazem a estes dois lances dos últimos dois jogos e as que se fizeram no ano passado e no ano anterior, quando éramos nós a reclamar penáltis e prejuízos sucessivos. É giro perceber o que agora são as certezas inequívocas. Eu achava exagerado quando reclamámos às dezenas de penáltis nas duas épocas anteriores. Não que achasse que não eram penáltis. Apenas porque sabia que, nestes casos, o exagero dos números acaba por ser contraproducente e mais fácil de atacar pelo gozo. No entanto, se os critérios que se estão a utilizar agora tivessem sido os nossos, a lista seria muito maior... Conceição terá de estar atento, porque vêm aí arbitragens assassinas. Teremos de estar bem melhor do que o que estivemos nestes últimos dois jogos!

Nota adicional para Jackson Martinez. Foi bonita a homenagem do Dragão. Apenas não gostei das sensações de nostalgia que me atacam quando o vejo jogar. Vêm-me ideias como: «este gajo, coxo, tem muito mais classe qualquer dos nossos avançados» ou «o que seria o FCPorto de Conceição com um avançado destes»... Muita sorte, campeão!

Na Champions teremos um jogo em que tolero que se esteja a pensar já no jogo seguinte nos Açores. Esse é o jogo que interessa nesta semana visto que esta série de vitórias foi saborosa, mas ainda não nos deu uma vantagem confortável no campeonato! Que jogue o miúdo Diogo Leite!


segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Karma com H


Já sabemos que, para o país futebolístico representado nos media, o jogo de hoje vai ser resumido a duas jogadas: a do penálti de Brahimi e a do golo salvador de Hernâni. Os portistas viram mais que isso. Viram, desde logo, um Boavista ao seu nível habitual, em jogos contra o FCPorto. Equipa ultra defensiva, com agressividade para além dos limites, anti-jogo e muito mergulho. Nada que surpreenda. Aliás já devíamos estar habituados, mas dou por mim nestes jogos a ter sensações que é raro ter: Contra estes gajos, havíamos de ganhar depois da hora com um golo com a mão, em fora de jogo, marcado por um jogador que deveria ter sido expulso!

Passadas uma horas, mais recomposto do susto e da revolta, tenho de dizer que continuo com a minha argumentação habitual: será que o Boavista tem culpa? Não é bonito jogar assim, mas também não é bonito termos equipas no mesmo campeonato, com tamanha disparidade de recursos técnicos e financeiros. Aceito que cada equipa jogue com as suas limitações e tente aproveitar tudo o que lhe dão. Quem tem mais responsabilidade nisto são os árbitros. Um critério disciplinar regular teria evitado, quer a espiral de agressividade que se viu, quer o avolumar de faltas e de interrupções do jogo a que assistimos. Quantos foram os lances em que os nossos jogadores passavam e eram carregados fora de tempo? Até Casillas apanhou duas cacetadas dessas! E quantos foram os lances em que driblámos e ultrapassámos jogadores do Boavista que depois agarravam e abraçavam por trás? Quantos destes lances resultaram em amarelo nos primeiros 60 minutos? Um? Fomos altamente prejudicados e vamos passar a semana a ouvir o contrário por causa do penálti parvo do Brahimi. 

Também fomos muito superiores ao adversário e vamos passar a semana a ouvir que tivemos estrelinha. E tivemos! Mas foi preciso ter estrelinha porque antes tivemos um azar danado... Faz parte do jogo e este ano estamos a ficar especialistas em desfechos épicos no final dos jogos. Já tinha sido assim em Belém, na última jornada com o Braga e agora no Bessa. Mas o jogo de hoje foi bem mais desequilibrado para o FCPorto. No geral, fizemos um jogo tecnicamente fraco, mas isso não impediu que tivessemos uma quantidade invulgar de lances de golo iminente, que desperdiçámos. Mas não me preocupa tanto os golos que falhámos por azar. O que me preocupa são os golos que falhámos por limitações técnicas dos nossos jogadores. Na primeira parte Herrera quase perde um lance de golo porque tenta cabecear uma bola rente ao chão. Mas conseguiu fazer pior na segunda parte com um cruzamento em que nem acertou bem na bola quando estava na cara do golo. Felipe fez um pouco melhor com dois cabeceamentos na segunda parte mas, no primeiro, se tentasse cabecear para o chão, como mandam as regras, não teria falhado. Isto já para não falar do pior falhanço de todos, o de Soares. Incrível! Isto para dizer que nos orgulhamos do facto de Conceição conseguir tornar este FCPorto numa equipa competitiva, apesar de notarmos algumas limitações no plantel, nomeadamente na técnica individual de alguns dos nossos titulares. Eles têm sido capazes de ultrapassar tudo isso. O problema é que às vezes essas limitações notam-se muito e hoje foi o caso... Vá lá que apareceu um daqueles heróis improváveis: Hernâni! O tal que aqui descrevi recentemente como «tão útil como um umbigo no meio das costas»... Sou um asno! E o herói improvável até podia ser outro: Adrian Lopez...

A propósito das cartadas que Conceição lançou no jogo, não pude deixar de notar que saíram 3 dos nossos jogadores mais talentosos com bola. Soares foi uma aposta natural e talvez tardia. Há quem diga que deveria ter entrado de início... Tendo a concordar. Mas não posso deixar de registar esta tendência de Conceição perante um jogo que se complicava. Dá um sinal à equipa de que não quer mais "rodriguinhos" e é para apostar no jogo o mais direto possível. Aqui tendo a discordar. Prefiro manter em campo muito jogadores com capacidade para pensar o jogo. Mas resultou. Tivemos muitas oportunidades, mesmo na parte final e os factos acabam por dar razão ao treinador.

Individualmente, não me parece que tenham havido grandes exibições. Sendo assim, faço o impensável que é dar o MVP a Hernâni. Todos os jogadores tiveram coisas boas e más. Danilo esteve bem mas mostrou também alguma intranquilidade. Oliver teve fases boas no jogo mas também teve fases em que fez passes longos sem nexo. Herrera este bem na luta do meio campo, mas péssimo na finalização. Brahimi teve bons lances mas também faz um penálti ridículo que nos causaria muitos problemas, se assinalado. Marega jogou bem mas acaba por fazer poucos remates para quem joga sozinho na frente.  Os laterais acabaram por não ser tão ofensivos como Conceição gostaria. E os centrais lidaram bem com aqueles avançados chatos, mas também tiveram os seus deslizes. Sobra Hernâni que teve uma primeira jogada que foi ridícula! Mas antes do golo, já tinha assistido Soares para o falhanço da noite. Entrou muito bem!

Mantivemos a custo esta série de vitórias. No Dragão esperamos uma vitória mais tranquila, para a décima primeira...

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Já está!


Mais um grande feito para este FCPorto de Sérgio Conceição! Qualificou-se para os oitavos de final da Champions, antes mesmo de entrar em campo para o seu quinto jogo. Mais tarde, confirmou o primeiro lugar no grupo com uma excelente segunda parte. Já sabemos que se vai tentar desvalorizar com a suposta sorte no sorteio mas, nesse ponto, concordo com Conceição. Não é líquido que estes grupos equilibrados sejam mais fáceis. Parece-me que o primeiro lugar do grupo fica menos inacessível. Mas o último também fica. Temos atualmente os nossos 3 adversários separados por 4 pontos, algo que atesta o equilíbrio entre eles. O FCPorto é que acabou por se destacar mais do que antecipado. E se recordarmos os dois primeiros jogos, não era assim tão claro que o FCPorto se iria destacar desta forma. O que aconteceu é que, recentemente, o FCPorto arrancou para 9 vitórias em 9 jogos, disparando em todas as competições. Depois de um arranque inseguro, que aqui apontámos, o FCPorto de hoje em dia transborda de confiança e aproxima-se cada vez mais da sua melhor versão. Teremos de aproveitar esta tendência para cavar também um fosso no campeonato.

Quanto ao jogo, gostaria de começar por destacar o treinador do Schalke 04. Fiquei surpreendido quando percebi que tinha 33 anos, mais novo que Iker e Maxi. Mas fiquei ainda mais surpreendido com o futebol algo antiquado que a sua equipa pratica. Desde o modelo táctico com 3 defesas e uma linha defensiva muito recuada, até aos lançamentos longos constantes para os avançados que andaram sempre perdidos. Isto para uma equipa que precisava de ganhar... O golo acabou por cair do céu e no final tivemos mais uma amostra de futebol antiquado, com aquele adiantamento do central mais alto e com as bolas bombeadas de qualquer parte do campo. Resultado: mais um golo para o FCPorto que deu para festejar melhor a passagem. 

Mas, voltando um pouco atrás, tal como tinha acontecido na Madeira contra o Marítimo, voltámos a reagir mal perante uma táctica à moda antiga e uma defesa ultra povoada. O número de bolas que perdemos nos primeiros minutos foi assustadora. Nessa altura, valeu-nos a boa exibição dos nossos centrais. A partir daí, conseguimos serenar e ter o controlo do jogo mas não criámos muitas situações de perigo. A segunda parte foi totalmente diferente. Não vi nenhuma alteração de fundo. Apenas me pareceu que Herrera se colou mais a Marega. Mas a atitude competitiva foi completamente diferente e as oportunidades sucederam-se até ao momento em que marcámos dois golos de rajada e mantiveram-se até ao último minuto com o golo de Marega. Foi uma segunda parte de 'avalanche' de futebol ofensivo e o resultado ficou aquém do que fizemos por merecer.

Individualmente dou o MVP a Militão. Poderia até dar à dupla de centrais, mas desempato pelo golo. É de destacar que até parece que podia ter sido Felipe a marcar o golo, visto que os dois atacaram o mesmo espaço no cruzamento de Oliver. Parecia que se estavam a marcar um ao outro. Mas o mais importante é que Felipe conseguiu finalmente ter um nível exibicional semelhante ao do seu colega do lado, algo que tem tido muita dificuldade em fazer. Militão é um daqueles casos em que se vê que é tão bom, que já estou a antecipar um mês de Janeiro em que vamos estar inquietos e a esperar que nenhum dos tubarões se lembre que cometer uma loucura já... Também tinha essa sensação com Dalot e em Junho concretizou-se... Vá lá que este parece estar melhor protegido. De resto gostei de quase todas as exibições. Destacaria apenas pela positiva Marega e pela negativa Maxi. Marega fez mais um bom jogo, parecendo agora mais adaptado ao papel de ponta de lança numa equipa como o FCPorto. Não basta aparecer na área para os cruzamentos ou buscar a profundidade. Tem de ligar constantemente à equipa e hoje já fez isso melhor. Maxi acabou por recuperar na segunda parte mas, na primeira, fez demasiados disparates. Destaque ainda para a pequena mancha na exibição de Oliver com aquele penálti parvo.

Domingo vamos ao Bessa. Trazemos uma boa sequência de resultados em todas as competições, mas também trazemos uma boa sequência de vitórias no derby portuense. Temos de prolongar esta série!

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Competentes


Os treinadores têm a mania de usar estes termos que tendem a aproximar mais o futebol de um trabalho normal, mecanizado e ao alcance da maioria, do que de uma arte mais para poucos predestinados. Por esse motivo, eu tendo a não gostar muito destas abordagens à competência e à ética de trabalho. Mas, por vezes, percebe-se e ontem foi um dos casos em que eu tolero este 'chavão' da competência. Tínhamos um adversário difícil, num dos poucos jogos entre equipas da primeira liga. Tínhamos também condições climatéricas e de terreno bastante complicadas. Para ajudar vínhamos de uma indesejada interrupção competitiva depois de termos acumulado várias vitórias. Essa pausa para as seleções fez com que Sérgio Conceição fizesse algumas alterações ao onze habitual, retirando sobretudo os jogadores que foram às seleções. Perante todas estas condicionantes, a equipa respondeu bem. Controlou bem o jogo e ficou a dever a alguma falta de eficácia o facto de não ter goleado e o de não ter resolvido mais cedo a questão.

Não sendo um jogo de campeonato e havendo algumas alterações no onze, a nossa tendência é a de estar mais atentos aos jogadores menos utilizados e, neste caso, também a Corona que foi experimentado numa posição nova. Começo por aí. Desde já, é importante constatar que Corona é a alternativa a Maxi. Se João Pedro não joga neste jogo, dificilmente poderemos contar com ele como opção. Pelo menos para já. Corona acabou por não ter muito trabalho defensivo, mas dá para ver que tem naturais dificuldades. Ofensivamente, resultou muito bem tendo sido dos melhores em campo. E isto torna possível que esta possa ser uma opção viável para fazer descansar Maxi. Em grande parte dos jogos no Dragão, podemos contar com adversários que causam muito poucos problemas defensivos e, com a tendência de Otávio para procurar terrenos interiores, esta pode ser uma maneira de recuperar e até melhorar a dinâmica ofensiva que tínhamos com Ricardo Pereira. Já sei que Maxi também é muito ofensivo, mas tem de ser mais poupado e nota-se facilmente as suas quebras de rendimento nos finais dos jogos. Outra das novidades foi Adrian. Mais uma vez cumpriu bem, com um excelente passe para Corona no primeiro golo e várias jogadas perigosas. A outra novidade, André Pereira, esteve uns furos abaixo com uma exibição mais mediana. Dou o MVP a Otávio que continua a ser um suplente de luxo. Grande golo! Será que este teste a Corona é uma maneira de Sérgio Conceição dar mais minutos a um Otávio que não merece estar no banco? Será que Conceição vai repetir isto de início com o Shalke04? Duvido.

Com o Schalke04 jogamos para resolver a passagem mas convém não esquecer que o outro jogo do grupo é  antes e podemos entrar em campo já qualificados. Existe até um resultado que qualificará as duas equipas tornando o jogo muito mais aberto. Em qualquer dos casos, a vitória dá o primeiro lugar no grupo e sabemos da importância deste primeiro lugar para o sorteio nos oitavos. Vamos com tudo!

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Grande série!


Foram 7 jogos e 7 vitórias neste mês que decorreu entre as irritantes pausas para as seleções. Uma série invejável que se seguiu a uma enorme desilusão que foi a exibição na Luz. Mais do que o resultado, essa exibição foi terrível. Mas essa exibição, por assustadora que seja, coincidiu com um resultado que é normal acontecer. Não que seja agradável, mas é bem mais provável perder em casa de um adversário directo do que no Dragão com o Vitória de Guimarães. Importava recuperar esses pontos e o ânimo, tão cedo quanto possível. E foi o que fizemos! Neste período, avançámos na Taça de Portugal, recuperámos o primeiro lugar do grupo na Taça da Liga, consolidámos o primeiro lugar no Grupo da Champions e recuperámos o primeiro lugar na Liga, desta vez isolados. Nada mau!

Mas, destes 7 jogos, destaco dois factos fundamentais: a dinâmica de vitórias criada e que Conceição teve a capacidade de encontrar novas soluções para equipa, com Oliver e Corona. Já sei que tenho insistido aqui que as exibições nem sempre foram brilhantes, sobretudo nos jogos mais difíceis desta série, como o de ontem. Mas já sabemos que em campeonatos tão equilibrados, como este promete ser, encadear uma série de vitórias é um tónico motivacional difícil de imitar por qualquer estratégia motivacional, por muito bom que seja o treinador nesse capítulo. E o facto de, ao longo destes dois anos de Conceição, percebermos que ele tem demonstrado regularmente capacidade de reinventar a equipa, muitas vezes contra o que esperámos dele, é de líder e torna-o o principal protagonista deste FCPorto.

O jogo com o Braga foi muito difícil! Confesso que estava um pouco preocupado com a dificuldade que antecipava para este jogo, mas a dificuldade conseguiu exceder o meu pessimismo. O Braga preparou-se muito bem para as nossas lacunas conhecidas e até explorou algumas que eu não conhecia. Desde logo, em condições normais, este Braga não consegue ultrapassar este FCPorto de Conceição nas vertentes mais físicas do jogo. Mas este jogo não foi disputado em condições normais. O FCPorto jogava pela terceira vez em 7 dias, sendo que um desses jogos foi na Madeira e o outro foi disputado debaixo de um autêntico dilúvio. Por esse motivo, não diria que o Braga se conseguiu superiorizar nesse capítulo, mas o jogo acabou por ser bem mais equilibrado do que seria normal. E depois a equipa sentiu muita dificuldade em lidar com os cruzamentos de 3/4 do campo. O Braga fez questão de evitar ir à linha e procuraram despejar rápido para a área, tentando apanhar a defesa do FCPorto desprevenida. E conseguiu-o várias vezes. E já sabemos, desde os primeiros jogos, que temos vindo a tremer sempre que o adversário cria perigo. Parece que entramos numa mini-espiral de desconfiança que só acaba quando criamos perigo na outra baliza. E este jogo não fugiu a essa regra. Nós fomos criando sempre perigo mas o Braga também. Isso intranquilizou a equipa. Para ajudar, houve vários lances do Braga, que acabaram por ser muito perigosos e que foram precedidos de falta. Destaco a primeira oportunidade do jogo, com cabeceamento do Dyego Sousa, precedido de fora-de-jogo de Sequeira e o remate de Esgaio à barra, precedido de mão clara, no início da jogada. Ambos lances que fazem mossa e que não deviam ter acontecido. Já para não falar no penálti claro de Sequeira ao minuto 45. Ir em vantagem para o intervalo daria outra confiança para o segundo tempo e, provavelmente, não teríamos de arriscar tanto e não estaríamos tão desprotegidos para lidar com os contra ataques que fomos sofrendo na segunda parte. Tudo circunstâncias que foram condicionando a nossa exibição e que foram contribuindo para o equilíbrio que se verificou até perto do final.

Digo até perto do final porque acho que o jogo se desequilibrou após a primeira substituição de Abel. Trocou um avançado por um médio defensivo, numa altura em que o FCPorto parecia estar a sucumbir perante o bom jogo do Braga. A partir daí assistiu-se ao assalto final que resultou no golo de Soares, num cruzamento ao segundo poste que andámos a ensaiar durante toda a segunda parte. Não estranhei todo aquele exercício de Abel em reconhecer o mérito próprio e a destacar que o resultado foi injusto. Mas podiam ter-lhe perguntado o que pretendia com aquela substituição...

Individualmente, dou o MVP a Soares. Além do golo, já vinha sendo dos melhores, procurando segurar a bola, disputando todos os lances aéreos e dando muita luta aos centrais e guarda redes, forçados várias vezes a bater para a frente sem critério. Eu diria que os melhores se destacaram mais por causa das exibições menos conseguidas de colegas da equipa. Soares esteve muito melhor que Marega, muito desinspirado e notou-se bem naquele lance em que passa para Soares em vez que rematar, como sempre faz nesses lances. Corona também esteve muito mais decisivo que Brahimi, sobretudo na segunda parte, mesmo quando passou para lateral. Já sei que foi facilmente ultrapassado no segundo lance  do Braga à barra, mas não peçam demasiado a uma solução defensiva de recurso. Até porque, do outro lado, Alex continua irreconhecível, sendo várias vezes ultrapassado por Esgaio. Militão esteve, mais uma vez, muito melhor que Felipe. Tem de arranjar melhores chuteiras ou melhores pernas, porque voltou a escorregar sozinho num lance que dá muito perigo. Este desequilíbrio é uma constante nele. Para terminar, a ajuda que veio do banco. Otávio voltou a ser decisivo e já merece a titularidade. E o único que vem jogando consistentemente abaixo do que consegue é Brahimi... Herrera entrou bem mas não foi tão decisivo como o colega. Vamos ignorar Hernani que parece tão útil a esta equipa como um umbigo no meio das costas.

Foi uma vitória muito importante e isso notou-se ainda mais por causa das arbitragens deste Domingo... Sobretudo a de Alvalade. Agora convém descansar. Desta vez temos pouca gente nas seleções o que, por uma vez, parece ser muito benéfico para a equipa, que já parece cansada. É natural.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Quase



Já falta pouco para assegurar um dos principais objetivos da temporada. Nada mau, visto que o fizemos em apenas 4 jogos. Como seria de esperar, com 10 pontos à quarta jornada, estamos numa posição invejável para garantir igualmente o primeiro lugar no grupo, algo que permitiria abordar o sorteio dos oitavos de final com outra ambição. Mas voltando ao terreno da objetividade, ainda falta uma vitória, já no próxima receção ao Shalke04, equipa que nos pareceu acessível na Alemanha, mas que parece ter evoluído bastante desde essa altura.

Assim, extraímos muito de positivo do jogo. Os pontos, a posição invejável, os milhões e a vitória! Vamos à parte negativa. O tempo e consequentemente o terreno de jogo, trouxeram um esforço físico bem acima do normal para um jogo de Champions, que já é muito. Se a isto adicionarmos o jogo da Madeira, com viagem e também com intensidade alta, só poderemos ficar um pouco apreensivos para a receção, no Dragão, ao Braga, que tem os mesmos pontos, mas muito menos minutos de jogo nas pernas. Talvez pelas condições ou também por alguma falta de tranquilidade da nossa parte, o resultado, tal como da Rússia, acabou por ser melhor do que a exibição. Poderá parecer estranho para quem só tiver visto o resumo e o resultado, mas a equipa russa teve grandes partes do jogo em que esteve por cima. Parecia que lhes faltava sempre alguma coisa, ou qualidade na finalização ou sobretudo no último passe. Felizmente o FCPorto foi muito mais competente na materialização dos seus períodos de domínio.

Começámos logo por concretizar numa das primeiras jogadas do jogo e na nossa primeira aproximação à área contrária. Certamente que isso deveria ser suficiente para serenar a equipa. Mas não foi possível e o Lokomotiv foi crescendo no jogo, sobretudo com remates de longe bem perigosos. Surge então um golo típico do Marega. Daqueles que ele já marcou tantas vezes em Portugal, que as equipas já nem se atrevem a ter a linha defensiva tão subida. Com 2-0 ao intervalo poderíamos ter finalmente alguma tranquilidade para a segunda parte. Errado, novamente! O Lokomotiv voltou a crescer no jogo e, à medida que o dilúvio e o relvado iam piorando, o poderio físico dos russos ia-se impondo até que chegaram ao golo. Dava sempre a ideia que os nossos defesas já estavam a ter muita dificuldade nos duelos. Notava-se sobretudo em Alex Telles e em Felipe que, a certa altura, resolveu exagerar nas queixas e ficou de fora num canto defensivo, para irritação dos mais atentos nas bancadas. O golo de Corona, após boa pressão alta da equipa e boa recuperação e assistência de Oliver, veio serenar finalmente a equipa até ao golo final, demasiado cruel para os russos. As apostas iniciais de Sérgio Conceição vingaram todas. A maior dúvida seria a opção entre Herrera e Otávio. As condições de terreno tornaram mais favorável a opção e confirmou-se o sucesso da mesma, visto que Herrera está nos dois primeiros golos.

Individualmente destaco 4 exibições: Marega, Corona, Danilo e Oliver. Dou o MVP a Marega porque foi o mais decisivo nos dois primeiros golos. Acresce que, tal como já foi demonstrando no jogo na Madeira, parece que está finalmente a regressar à sua melhor forma apesar de, neste esquema, passar grande parte do jogo longe da equipa, tornando a sua tarefa algo ingrata. Corona voltou a estar bem melhor que o desinspirado Brahimi. São já várias exibições boas seguidas, algo muito raro neste jogador. Danilo teve muito trabalho defensivo e parecia que estava em todo lado para limpar as borradas dos colegas. Oliver foi dos que menos erros cometeu e foi um bom auxílio defensivo. Dado o seu físico 'imponente', há sempre aqueles que acham impossível que um jogador com estas características possa render com estas condições. Enganam-se! Na defesa, o meu preferido foi Maxi, o mais sereno. Continuo a sentir saudades do verdadeiro Alex Telles que tarda em aparecer nesta época. Hernani entrou. Vou repetir algo que já escrevi por aqui: julgava que havia uma regra que impedia a entrada de Hernani em jogos importantes...

No sábado fechamos o ciclo infernal, antes da pausa para selecções. Uma vitória deixa-nos em boa posição em todas as competições, algo que não parecia fácil há um mês. Mais um esforcinho malta!

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Correu bem


Peço desde já desculpas pelo título, que mais parece uma daquelas respostas que se dá quando não se quer elaborar muito. Na verdade, a minha intenção é a oposta. Pretendo elaborar e muito!

A questão que se põe é a da oposição entre o que foi e o que poderia ter sido. Constatámos que o Marítimo, e concretamente o seu treinador, inspirou-se nas velhas tácticas do futebol de há 20/30 anos e naquelas interpretações foleiras e à portuguesa do fenómeno táctico italiano dessa altura, o catenaccio. Nesta particular interpretação, enfrentámos 9 jogadores de características defensivas e outros dois perdidos na frente. Linha de cinco defesas  com outra de três médio poderosos à frente, todos com instruções para marcações individuais em todo campo e para bater em tudo que ultrapassasse essas marcações individuais. Sérgio Conceição tem razão ao apontar que é muito vulgar os nossos adversários mudarem muito a sua maneira de jogar nos nossos jogos. E não fala apenas da agressividade. Fala também do desenho táctico e das opções de jogadores utilizados. Só não concordava com o facto de isso normalmente soava a uma queixa. Na verdade, hoje em dia, está provado que as rotinas reforçadas no treino têm muita influência no rendimento das equipas. Este factor por vezes equivale-se ao próprio talento individual dos jogadores. Estes 'golpes de asa' dos treinadores, ou funcionam imediatamente, ou tendem a promover mais confusão do que soluções. Basta ver as recentes experiências de Rui Vitória com três pontas de lança nos finais dos jogos... Se assim é, o facto de os adversários mudarem tudo para nos enfrentar, deveria ser considerado uma vantagem para o FCPorto. E foi assim que Conceição abordou o tema no final do jogo. O que ele disse é que demorámos a encaixar a maneira de jogar do adversário e que, assim que o fizemos, foi simples. Concordo! Apenas há que ter em atenção que esse processo de adaptação tem de ser mais rápido porque, ontem, demos uma parte de avanço. Zero oportunidades de golo na primeira parte do jogo. Zero! E o Marítimo até teve uma boa aproveitando o habitual erro de Felipe, normalmente um por jogo.

Ou seja, podíamos ter chegado ao intervalo a perder por um. Seria injusto mas podia ter acontecido.  É certo que a segunda parte ajudou-nos a compensar essa má imagem da primeira. Jogámos da mesma forma mas jogámos mais rápido e variámos mais o nosso jogo, bastando isso para que as referências individuais a que os jogadores do Marítimo se estavam a agarrar para conseguir jogar, deixassem de ser consistentes, fazendo com que perdessem facilmente a posição. O melhor exemplo foi o primeiro golo do FCPorto. Bastou Oliver driblar o seu marcador para que tudo na defesa do Marítimo de desmoronasse.

Assim, correu bem! E de várias formas. Sobrevivemos ao habitual critério disciplinar desastroso do Xistra. A opção por Oliver parece ter saído mais reforçada. E não teremos de aturar os adversários por marcar num lance manhosito e, se calhar, ainda conseguimos que se acabasse com esta insanidade de ter o Marega a marcar penáltis... Tudo num jogo em que não sofremos e em que trouxemos três pontos de um campo em que temos perdido muitos nos últimos anos.

Individualmente, dou o MVP a um dos jogadores que jogou bem quer na primeira parte quer na segunda, Militão. Está um Senhor defesa central e começa a embaraçar o Felipe. Não que esteja muito pior do que lhe é habitual. Mantém as muitas qualidades e alguns defeitos. O problema é a comparação com o colega do lado... Gostei também do jogo todo de Danilo e de Oliver. Em relação a Oliver uma crítica. Acredita miúdo! Naquelas condições nem olhes para trás. Assume e vai para a baliza! Corona voltou a ser o nosso médio mais desequilibrante e foi justo que fizesse ele os 90 minutos em vez de Brahimi. Otávio entrou muito bem e pode ter ganho o lugar no jogo da Champions, espero que no lugar de Herrera. Pela negativa, não gostei muito dos laterais. Na frente, Marega esteve melhor do que nos últimos jogos e bem melhor que Soares que quase só fez asneiras, sobretudo na primeira parte. Parecia que tinha ganho confinaça com o Varzim...

Um última chamada de atenção para o lance violentíssimo sobre Corona, na primeira parte. É inacreditável que alguém veja aquilo na tv e não ache que é uma lance perigosíssimo e óbvio para expulsão. Confirmei na repetição e acho incrível que o VAR não tenha funcionado. Pior fiquei quando vi que os especialistas em arbitragem acham disto. Aos do Jogo nem perguntaram. E Duarte Gomes e Pedro Henriques coincidem na mesma incrível opinião: como não acertou com os pitons, não é vermelho. Passados todos estes anos, ainda não se conseguiu estabelecer um critério para o que é ou não perigoso para a integridade física de um jogador? Também é incrível o facto de eu ainda me surpreender com estas coisas, mas a verdade é que me surpreendeu muito.

Uma boa vitória no início de uma semana infernal em que podemos garantir a passagem na Champions e o primeiro lugar isolado na Liga. Parece-me que estamos num bom momento e temos de aproveitar!

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Agora com Maestro


O jogo com o Feirense, no Dragão, acabou por ser bem exigente. Havia a pressão de aproveitar as escorregadelas dos adversários e a equipa estava inquieta. No seguimento do que havia acontecido no último jogo, foi necessário garantir mais posse, com mais qualidade, porque o adversário se colocou muito bem no terreno, condicionando o nosso jogo. Por outro lado, foi também necessário empenharmos muita combatividade, porque os nossos avançados não estiveram muito inspirados, originando muita incerteza no resutado, muitas segundas bolas, e muitos duelos. Até aqui nada de especial. Foi mais um jogo no Dragão contra uma equipa que se galvanizou por ter conseguido que o tempo fosse passando, sem que o FCPorto se distanciasse muito no marcador.  O que impressiona no jogo de hoje foi o facto de a nossa solução para um jogo de posse com mais qualidade e para que em simultâneo fosse garantida mais e melhor combatividade nos duelos, ter sido a mesma: Oliver Torres. O mesmo jogador que foi o maestro de todo o nosso jogo ofensivo foi de longe o que recuperou mais bolas (12) e o que fez mais desarmes (11). Que grande exibição!

Essa foi a melhor notícia da noite. Finalmente temos uma variação significativa na nossa forma de jogar e, tal como nós aqui tanto pregámos, bastaria trocar alguns jogadores. Assim tão simples! Bastaria não apostar só em jogadores com um perfil Marega e Herrera e passar a incorporar mais com perfil Corona e Oliver.  Há onze jogadores em campo e nem todos têm de ter aquele perfil de tanque ou de futebol na vertigem que o Conceição tanto gosta. Assim Brahimi não se sente tão só... Ainda por cima, Oliver provou hoje que também consegue vestir o fato-macaco, algo que eu não antecipava. Não antecipava porque não é a sua forma de jogar e porque, na Champions, ele não conseguiu atingir estes números defensivos. Se consegue, menos um argumento para o tirarem da equipa. Continuaremos atentos à evolução nesta relação do futebol de Conceição com o futebol de Oliver.

O jogo foi marcado pelo nervosismo, em campo e nas bancadas. Os golos anulados e os falhanços não ajudaram muito. Ainda por cima, marcámos um golo de laboratório que deveria galvanizar a equipa para uma excelente exibição. Com toda a complicação do VAR, essa 'jogadona' até perdeu o efeito... Mais uma vez, a equipa soube manter-se no controlo das operações perante um adversário que complicou muito a tarefa, mais nos duelos, do que nas oportunidades de perigo. O segundo golo tardou mas veio a tempo de dar sossego a todos. 

Por falar em sossego, gostaria de falar do árbitro. Muito fraco. Já sei que as queixas virão dos adversários por causa do golo de Felipe, que parece ser fora-de-jogo. É difícil de analisar e eu compreendo a decisão do liner. Mas já não percebo este argumento do protocolo. Supostamente o protocolo do VAR diz que, se há dúvida, mantém-se a decisão do árbitro de campo. Mas há outro protocolo mais antigo que diz que, em caso de dúvida, se deixa seguir. Será que estes dois protocolos são compatíveis? Sinceramente não me parece. Já agora, por falar em protocolo, o árbitro não o cumpriu logo no início num lance que acaba com golo de Marega e em que claramente não há falta. Nesse caso já não houve protocolo e o árbitro apitou de pronto, invalidando a jogada. De resto, o árbitro falhou muito na gestão disciplinar e até na condução do jogo. Nas duas melhores oportunidades de golo do Feirense, ambas defendidas por Casillas, pareceu-me que temos dois lances precedidos de falta. Só um pequeno exemplo das muitas que ficaram por assinalar. Em suma, se bem conheço o futebol português, terá certamente um bom futuro este Sr. do apito.

Individualmente dou obviamente o MVP a Oliver. Já tinha desesperado à espera de uma frase destas numa crónica que não fosse da Taça de Portugal ou Taça da Liga... Grande jogo, colocando um problema sério a Sérgio Conceição e a Herrera. É que Oliver tem contrato para 2019/2020... Se o rendimento é semelhante ou superior ao de um jogador em fim de contrato... Danilo também está a aproximar-se rapidamente da sua melhor forma. Gostei também de Brahimi que voltou a driblar com sucesso, como é seu apanágio, algo que vinha faltando nos últimos jogos. Corona continua com lampejos de grande qualidade. Herrera entrou bem para serenar o jogo. Pela negativa, Soares e Marega não estão a atravessar um bom momento ao nível de confiança. Parece que fisicamente estão bem, mas que precisam de uma sequência de boas exibições para voltarem à sua melhor forma. Destaque por último para Sérgio Conceição. Não só lançou um onze que eu apreciei muito, como marcou um primeiro golo que é claramente fruto do seu trabalho e da sua equipa técnica. Golo com assinatura Conceição!

Voltámos ao primeiro lugar! E acontece bem mais cedo do que seria antecipável dada a derrota na Luz e dado que estávamos em terceiro lugar. Agora é só manter. Vamos ter uma sequência com muitos jogos no Dragão. Seria importante aproveitar essa dinâmica para finalmente arrancar uma série como a do início da época passada.

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Montanha Russa


Já tinham saudades de um trocadilho básico no título dos posts? Eu tinha...

O conceito é que a exibição teve muitos altos e baixos, oscilando entre satisfação, sustos, ilusões e desilusões. Comecemos por uma ilusão. Eu adorei o onze inicial. Bastaria a colocação de Oliver, mas houve ainda a inclusão de uma dose reforçada de fantasia com Corona. Era expectável que o FCPorto fizesse uma exibição melhor e com muito mais ideias que a anterior no estádio da Luz. Já sei que não era difícil... De facto veio a confirmar-se. Ao contrário do que se disse nos habitualmente fracos comentários da TVI, o efeito de Oliver fez-se notar de imediato e tivemos um FCPorto com mais bola e com muito mais qualidade na posse. Conseguimos também manter a habitual pressão forte sobre a primeira fase de construção do adversário, estratégia assente sobretudo no posicionamento e no trabalho de Herrera. Mas se isso correu bem melhor, não estava à espera de perder segurança defensiva. Nesse campo, Sérgio Conceição esteve muito bem no rescaldo e centrou aquilo nos erros individuais. Concordo. Não senti a equipa mal posicionada defensivamente. Mas sentiu-se de sobremaneira o nervosismo e os erros individuais muito pouco habituais. Ontem vimos coisas nunca vistas: Alex a fazer erros atrás de erros; Militão a dar um golo ao adversário; e Iker, depois de uma excelente defesa no penalti, a defender para a frente um remate aparentemente fácil, em que fomos ajudados pelo erro do liner. Até Oliver e Danilo falharam alguns passes comprometedores. Não serão tão surpreendentes as paragens de cérebro de Felipe e as ausências de Maxi por atraso na recuperação. A questão é que tivemos isto tudo num só jogo de Champions, na casa do adversário, e conseguimos ganhar! Como foi possível? A minha opinião é que apesar dos erros defensivos, a equipa foi buscando conforto no facto de estar a conseguir ter bola e criar muitos problemas na defensiva adversária. 

E foi assim o jogo. A cada erro de palmatória dos nossos jogadores mais recuados, a equipa tremia. Mas a qualidade de posse de bola e o pânico causado pelas investidas dos nossos alas foram colocando o adversário em alerta e garantindo serenidade através dos golos. Por falar em golos, outra coisa nunca vista e dificilmente antecipável: Marega a marcar penaltis. Dificilmente poderei dizer que já vi de tudo no futebol mas, a cada acontecimento destes, sinto que estou cada vez mais perto... Mas esse golo 'caiu do céu'. Os golos mais bonitos foram os outros. Brincando um pouco, diria que o segundo golo é um golo de um FCPorto à Oliver e que o terceiro foi um golo de um FCPorto à Sérgio Conceição. Será que poderemos contar com uma fusão num FCPorto só? Estaremos atentos aos próximos capítulos...

Individualmente, gostei muito de três jogadores: Danilo, Oliver e Corona. Opto por dar o MVP ao Danilo porque adiciona ao nível exibicional a sua presença em campo, que faz com que seja um verdadeiro líder. Oliver teve o impacto no nosso jogo e na nossa qualidade de posse, por mim esperado. Julgo que poderá evoluir mas foi já uma 'estreia' bem satisfatória. Corona esteve nos dois últimos golos, sendo decisivo para o resultado. Pela negativa vou destacar dois jogadores; Alex Telles e Marega. O primeiro representa na perfeição o desnorte da equipa do FCPorto. Alex esteve absolutamente irreconhecível e o penalti é o maior exemplo. Mas está longe de ser o único. Marega esteve muito desinspirado. Num jogo  em que os seus municiadores estiveram todos em bom nível, não deixa de ser estranho termos visto um Marega faltoso, trapalhão e longe da definição. Continuando assim, já estou a ver um FCPorto com Soares no seu lugar... Gostaria de terminar com Herrera. Jogou numa posição semelhante à que tinha jogado na Luz. É certo que correu bem melhor. Marca um dos golos, arranca uma expulsão e esteve muito bem na pressão aos defesas contrários. Mas não será possível ter isso e ter um jogador que acerte mais passes e que perca menos a bolas por erros técnicos? Teremos mesmo de sacrificar uma coisa para ter outra? Temos repetido aqui muitas vezes: quanto mais avançado joga o Herrera, mais se notam as suas limitações... Destaque final para as boas soluções que vieram do banco, sobretudo André Pereira.

O último jogo colocou-nos atrás, novamente. Não nos resta outra alternativa se não a de ganhar todos os próximos jogos do campeonato. No Dragão até se exige que continuemos a dar os bons sinais que já vimos com o Tondela e os de hoje, já agora. Estou obviamentea falar de Oliver...

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Jogo vs Espectáculo


Mal acaba a primeira parte voltei a pensar naquela frase de Sérgio Conceição: «Se querem espectáculo, vão ao Coliseu!». E lembrei-me logo que, passados uns dias, Klopp dizia exatamente o contrário: «I really think the most important thing for football is entertaining the people. We don’t save lives, we don’t create anything, we are not good in surgeries, we are only good in football. If we would not entertain the people, why would we play it then?». E ontem também tivemos um discurso anti-espectáculo de Rui Vitória, que ficou claro após assumir que foi sempre superior ao FCPorto. Algo em que nem ele acredita e algo que Conceição diria se o resultado fosse o inverso, nas mesma circunstâncias. Mas se é deprimente comparar o discurso destes treinadores, imaginem como saímos na comparação do futebol jogado... Por coincidência, ontem também houve um grande jogo em Liverpool e, ao contrário do que aconteceu por cá, não houve golos mas houve futebol. Eu que vi os dois jogos diria que uma troca dos resultados seria mais apropriado ao que se viu nos dois campos, com um empate a zero na Luz e com uma vitória do City pela margem mínima, em Liverpool. Mas se formos pegar nas estatísticas... Destacaria duas: faltas e duelos aéreos. Em faltas o duelo de Liverpool teve 10 para cada lado. Já na Luz tivemos um 24-20 para os da casa. Mais intensidade! Nos duelos aéreos a diferença é abismal: 66 na Luz contra 23 em Anfield. Incrível! A conclusão só pode deixar-nos inquietos. Nós ainda jogamos muito pouco e essa é uma tendência que não é só nossa, tal como ficou bem marcado no clássico de hoje. Já não me chegava a azia do resultado e ainda consigo arranjar mais razões de preocupação...

Mas estaria ainda mais preocupado se tivesse a meu cargo fazer um resumo de 3 minutos do jogo de hoje. Poderão dizer que é mau perder: «como perdem, dizem que o jogo foi fraco...». E eu até percebo. Mas tal como ainda tenho a ilusão de que o FCPorto ainda vai jogar bem neste campeonato, também tenho a ilusão de que estaria aqui a dizer a mesma coisa se o resultado fosse o inverso, nestas circunstâncias. Para mim o resumo teria duas jogadas: um lance em que Danilo e Fejsa chocam e ficam os dois no chão com dores e o lance do golo. Punha em loop até fazer os 3 minutos. Era o que mereciam os adeptos que se contentam com os 3 pontinhos! Se não desse para fazer isto, teria de ter muita imaginação para inventar algo além destes 10 segundos de resumo... Até as jogadas mais perigosas em futebol corrido, como Seferovic isolado, defesa de Casillas a remate de Gabriel e remate de Brahimi, são todas precedidas de falta que o VAR deveria sancionar se entrasse.

Quanto ao jogo, tenho tanto a dizer como o que os treinadores tiveram a dizer no final sobre a paupérrima qualidade do mesmo. Duelos, choques, bola pelo ar e um golo aos trambolhões e após uma sucessão de coincidências irrepetíveis e que culmina na mais improvável de todas que é a do Seferovic marcar um golo... Após o golo, pouco se viu da reacção portista. Apenas o conseguimos de bola parada e após a expulsão algo forçada de Lema. Em suma, jogo péssimo das duas equipas que caiu para um dos lados, porque é algo que pode acontecer quando ambos os treinadores desistem de tentar ter bola e resolvem entregar-se ao futebol aleatório. Mas gostaria de deixar apenas duas notas sobre o FCPorto. Falhou a aposta de Herrera mais adiantado. Pareceu que o objetivo era pôr pressão na saída do adversário, sobretudo Lema, mas o Benfica, tal como nós, arriscou pouquíssimo na saída e bateu sempre longo, tornando a opção desnecessária. Por esse motivo, Otávio deveria ter estado mais adiantado e protegido da zona de selvajaria onde acumulou faltas atrás de faltas e o amarelo que fez com que fosse substituído muito cedo. Registo por último que Conceição já reconhece que há um problema com Maxi. Se se prefere jogar com Corona nessa posição...

Individualmente, dou o MVP ao rei dos duelos Danilo. Além disso foi o jogador que teve as nossas melhores oportunidades, em três remates de cabeça. Pela positiva não tenho muito mais destaque visto que os centrais, que defenderam bem, pecaram na construção, por vontade própria ou por ordens do banco... Além disso Militão está mal colocado no golo sofrido e não percebe que o perigo não estava em Pizzi mas no movimento nas suas costas. Ainda assim, só por milagre não chega à bola a tempo de cortar o lance. Pela negativa, destacaria Herrera. Não lhe daria a culpa toda porque o erro maior é do Conceição, mas está a passar uma fase que é muito 'Herrera de há dois anos atrás' bem personificada naquele passe ridículo nos últimos instantes de jogo.

Regredimos em relação ao jogo com o Tondela e saltámos de segundo para terceiro, mas continuamos a uma distância perigosa para os adversários. É que eles, como nós, também desconfiam que este FCPorto não poderá continuar jogar muito menos que isto. E se este tiver sido o ponto de viragem... Medo!

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Pontos caros


Não sei se o próximo jogo na Luz vem em boa altura. Este jogo da Champions vai deixar marcas físicas nos jogadores, tal foi a intensidade até ao último minuto do jogo. Normalmente essas marcas têm menos impacto quando temos uma vitória categórica sobre adversários do nosso nível, ou uma vitória por 'meio a zero' contra um dos 'tubarões' europeus. Não foi o caso no jogo de hoje. Foi um jogo muito equilibrado, em que o factor casa apenas se notou na iniciativa de jogo. Tudo o resto foram calafrios nas duas balizas, mais na nossa na primeira parte e mais na deles da segunda. Valeu a excelente exibição dos dois guarda-redes para não termos tido um resultado 4-3 ou 3-4, que seria natural dadas as oportunidades. Foi suada a vitória mas foi mais importante que entusiasmante... O que entusiasma são estes três pontos que nos dão a liderança antes da dupla jornada com a equipa mais fraca do grupo.

Importaria saber se os equilíbrio que vimos foi o Galatasaray, que estará claramente ao nosso nível, ou se foi o facto de este FCPorto tardar em atingir alguma estabilidade emocional e exibicional. Eu diria que é um pouco das duas, mas tendo mais para a segunda hipótese. Logo no primeiro minuto, uma trapalhada de Felipe resultou num remate à entrada da área, que só não foi mais perigoso porque o jogador turco falhou o remate (por azar ou falta de qualidade). Logo aí estabeleceu-se o tom para o resto do jogo. Jogadores a oscilar boas decisões com péssimas. Houve também alguma dificuldade de adaptação à ausência de Aboubakar e Soares. Foram muitas as vezes na primeira parte em que Corona e Alex conseguiram enquadrar bons cruzamentos para uma área onde apenas aparecia um jogador. Mesmo em termos de ocupação de espaços, Otávio teve alguma dificuldade em manter a equipa ligada a Marega. Já sei que as características de Marega, não ajudam. Ele ou procura a profundidade ou a ala (às vezes as duas ao mesmo tempo deixando a área deserta) e, quando não procura, tem imensa dificuldade em controlar a bola e esperar pela equipa em apoio. Ainda assim, pareceu que Otávio ou estava muito perto de Marega, no início, ou muito perto de Danilo e Herrera, no final da primeira parte. Em suma, este sistema de jogo não favorecia as nossas ambições de empurrar o adversário para a sua área e pressionar para resolver o jogo cedo e isso também foi um foco de intranquilidade. O golo, obtido numa bola parada, veio dar uma nova vida a este sistema que passou a fazer mais sentido para as características de Marega. Por esse motivo acabámos o jogo com oportunidades de golo, que se distribuíram quase equitativamente para os dois lados. Na segunda parte o Galatasaray tem apenas um grande lance de perigo, em que aproveitou Maxi, e duas bolas paradas perigosas, mas em que me pareceu que deviam ter sido interrompidas por falta. 

Individualmente, fiquei na dúvida quanto ao MVP. Opto por dar a Casillas que nos manteve no jogo por duas vezes e que demonstrou muita segurança. Vamos ignorar aquela saída da baliza na segunda parte, ok? Também gostei muito da exibição de Danilo. Tal como Casillas, no nosso pior período, foi muito importante para segurar o adversário e até para construir com segurança. Também vamos esquecer que não deu grande ajuda a Maxi no lance mais perigoso dos turcos na segunda parte, ok? De resto, achei que Brahimi já esteve melhor do que nos últimos jogos, tal como Alex Telles. Corona entrou bem para a ala tendo desequilibrado muito, apesar de nem sempre ter gente na área para finalizar. Esta solução com Marega e Otávio parece ser curta para estes jogos em casa, mais por culpa de Marega. Soares pode dar mais e até André Pereira entrou bem para essa posição. Por falar em gente que entrou bem, Oliver. Marcámos cedo, na segunda parte, mas só nos minutos finais é que conseguimos controlar melhor o jogo e criar mais oportunidades. Terá sido por termos mais espaços perante um adversário em busca do empate ou terá sido Oliver? Deixo uma pista: o golo é aos 49 minutos e Oliver entra aos 69...

Vitória suada, feliz e muito importante. Pode vir outra destas no próximo jogo! Dado o problema de centrais do adversário, seria importante termos um Soares a 100% para aproveitar essa lacuna.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Melhor


O resultado final pode não espelhar isso, mas esta exibição já foi melhor que as anteriores. O facto de termos sofrido até perto do final para marcar, também ajuda a que não seja fácil discernir alguma evolução, mas julgo que é claro que evoluímos e isso está espelhado no número de oportunidades de golos que conseguimos. Na última crónica referi que já não pedia uma evolução em relação ao nosso modelo de jogo do ano passado e que já me contentava com a mera réplica do mesmo. Pois parece-me que já tivemos uma boa aproximação aos jogos no Dragão da época passada. 

Tivemos uma entrada muito forte, com várias oportunidades de golo logo no início, a que se seguiram muitas mais, com um frequência consistente até ao final da primeira parte. Na segunda parte, houve menos oportunidades, talvez em resultado do crescente nervosismo, absolutamente normal nestas ocasiões. Tudo isto sem sofrer qualquer calafrio defensivo, de que me lembre. As substituições foram suficientemente audazes e ofensivas para aumentar gradualmente o caudal ofensivo final. Como marcámos pouco depois da saída de Maxi, não cheguei a perceber bem se Conceição queria uma defesa a três ou se queria que Corona fizesse todo o corredor a partir de trás. O golo surge de um frango mas não apaga tudo o que foi feito, tal como não apaga a excepcional exibição do guarda-redes adversário até essa altura. Em suma, tudo correu normalmente com a excepção da bola, que custou a entrar, e da lesão de Aboubakar, que se confirmou ainda mais grave do que se supunha, tendo em conta que saiu do campo pelo seu próprio pé.

Individualmente, dou o MVP a Soares. Estaríamos a falar de um campeonato diferente se não houvesse este golo. Dirão que foi só encostar, mas é preciso estar lá e lembro-me de um centro de Otávio na primeira parte em que se pedia o ataque ao segundo poste e onde não estava nenhum dos nossos avançados. Nem Marega, nem Aboubakar. Gostei das restantes exibições, todas positivas, mas nem todas em nível de inspiração máximo. Aqui refiro-me a Alex Telles e Brahimi. Não que tenham tido más exibições. Foram boas. Pareceu-me que a qualidade do drible do Brahimi e a qualidade dos cruzamentos do Alex, não estiveram ao nível que nos habituaram. Para terminar, continuo a não perceber estas oportunidades a Hernani em jogos importantes e quando o jogo não está resolvido. Enfim... Também não tenho de perceber tudo...

Para terminar, gostaria só de abordar as recentes declarações de Sérgio Conceição sobre críticas que tem recebido. Antes do jogo, um jornalista pergunta sobre Oliver, dizendo que uma breve passagem pelas redes sociais, dá para concluir que os adeptos querem ver mais Oliver em campo. Conceição perguntou logo se os adeptos estavam identificados e se havia garantia de que seriam mesmo adeptos do FCPorto e insistiu nessa 'tecla' para terminar numa resposta clássica de que ele é que decide de acordo com o rendimento no treino. Mais tarde, após o jogo, voltou a abordar outras críticas, desta vez por iniciativa própria insistindo num 'chavão': «quem quiser espetáculo pode ir ao coliseu...». Especificou que essa crítica tinha como destinatários os comentadores internos. Não sei se se referia a comentadores do Porto Canal ou a comentadores portistas noutros canais. Pouco interessa. O que registo é este estranho nervosismo, com manifestações variadas ao longo deste início de época. Desde a 'flash interview' após o primeiro teste televisionado da pré-época, até esta reação demasiado contundente a ténues críticas vai ouvindo. E escrevo ténues porque é fácil de o comprovar. Se existem algumas críticas, entre Treinador, Presidente, SAD e Jogadores, ele será claramente e justamente o menos criticado de todos. Para quê, esta intranquilidade? Isto já para não falar do episódio mais caricato que é a expulsão num intervalo de um jogo da Taça da Liga. Nessa ocasião, ele abandona o relvado uns minutos mais cedo e, mesmo assim, apesar de ter tido tempo para se acalmar, conseguiu fazer o suficiente para ser expulso numa competição que está em quinto lugar nas nossas prioridades para esta época. Achei ridículo mas nem valorizei até somar as outras ocasiões. Sem querer entrar em demasiadas considerações, apenas aconselho humildemente alguma calma. É o que Sérgio Conceição precisa e é o que a equipa precisa. Que aproveitemos melhor a confiança de sermos Campeões!

Por falar em Campeões, receberemos na quarta-feira os da Turquia. Temos de atacar já o primeiro lugar no Grupo!

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Rendimento constante


Mas tal não significa que esteja a ser um rendimento bom ou sequer perto disso. Numa visão simplista, podemos dizer que, nesta época, tivemos uma boa reacção na Supertaça e um grande jogo no Dragão contra o Chaves, na primeira jornada. Tudo o resto oscilou entre o apenas razoável e o sofrível. O problema é que continuamos a não ter explicações conclusivas sobre qual o motivo para este rendimento ou a falta dele. Desde logo, o treinador não mudou. O plantel também não sofreu alterações significativas. O calendário nem tem sido muito exigente, ao contrário do que aconteceu na época anterior. Como poderemos explicar que o FCPorto tenha dificuldade em replicar o futebol que apresentou em grande parte da época anterior? Já nem estou a pedir que se evolua para um futebol com menos transpiração e mais cérebro, algo que venho reclamando há muito. Por agora, bastava-me que replicássemos frequentemente o futebol do ano passado, para que estivesse mais descansado... Mas não o temos conseguido e isso deixa-me muito inquieto e desconfiado. 

Em Setúbal, voltámos a ter um FCPorto pouco seguro. Trouxemos os 3 pontos, mas não fomos capazes de aproveitar a táctica muito antiquada do adversário. Pouco faltou a Lito para pôr os onze jogadores em cima da baliza e contava apenas com 3 ciclistas que tinham o papel ingrato de correr  atrás das bolas longas, enquanto conseguissem. Normalmente, esta concentração excessiva de jogadores causa muita confusão. Uma situação semelhante à defesa à zona nos cantos. Netas situações o equilíbrio é sempre instável. Estão todos muitos juntinhos mas, se estão todos no seu sítio não conseguem cobrir tudo nem se conseguem adaptar. Se saem do sítio, está tudo comprometido. Basta ver o nosso primeiro golo em que bastou uma simples investida de Maxi para o meio, para desmontar a defesa, que nessa jogada concentrava tantos jogadores dentro da área. Basta ver que Otávio, apesar dos 3 centrais numa linha muito recuada, conseguiu pôr Marega na cara do guarda-redes adversário, logo nos primeiros minutos. O problema é que estas duas jogadas foram excepções e foram raras as vezes em que variámos o jogo dificultando a tarefa aos defesas adversários. E isso tornou-nos permeáveis às investidas do Vitória. O facto de Brahimi ter estado um pouco abaixo das suas possibilidades também ajudou... Insisto que ele é a peça mais importante da nossa estratégia, por muito que se fale erradamente do Marega. Assim, estivemos sempre muito adiantados e com um jogo previsível, dando ao adversário várias oportunidades de lançar bolas nas costas dos nossos defesas. Nesse aspecto valeu-nos a qualidade média fraca dos 3 avançados adversários. Apenas um deles causou problemas e esse rebentou aos 60 minutos, como seria de esperar. De resto, toda a equipa do Vitória caiu muito no final do jogo, penalizados pela táctica ridícula de Lito.

Individualmente, voltei a gostar muito de Militão, para mim o MVP. Eu posso não adorar este estilo de jogo, mas este é o central que melhor se adapta a ele, quer pela agressividade nos duelos, quer pela velocidade com que vai buscar os ataques à profundidade do adversário, quer pela que qualidade que demonstra nos passes longos. A velocidade de Militao é tanta que arrisco adiantar que este lance da falta de Felipe, vai deixar de ser polémico quando já todos o conhecermos melhor... Gostei também da entrada do Sérgio Oliveira. Já sei que a sua entrada coincidiu com a altura em que  o adversário estourou fisicamente. Ainda assim... Pela negativa não tenho grandes destaques mas as exibições foram, no geral, fracas. Destaco mais uma vez que continuo à espera do dia em que o Marega, estando a jogar mal, é substituído. É melhor sentar-me, não é?

O jogo de sexta-feira é muito importante! Seguem-se dois jogos fundamentais para definir o resto da época e convém ganhar a moral que nos tem faltado ultimamente.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Ponto ou pontinho?


Voltámos à Champion! Já estava com saudades, até porque a minha última memória do FCPorto na Champions, foi a cantoria em Anfiled quando entoamos a nova música estreada nesse mesmo jogo.

Abordando o resultado antes do jogo em si, não posso dizer que foi mau. Confesso que, antes de ver jogar este Schalke04, até aceitaria antecipadamente esse resultado como bom. Mas, depois do que vi ontem, pareceu-me que perdemos ali uma boa oportunidade de entrar no grupo de forma autoritária. Poderíamos e deveríamos ter aproveitado melhor as fragilidades do adversário, quer ao nível emocional quer ao nível táctico, quer ao nível das individualidades. Mas mesmo que eu considere o resultado mau, só o futuro nos dirá o que realmente vale esta equipa alemã. Aguardemos para ver o que vale verdadeiramente este ponto.

Mas, se não sabemos o que poderá vir a valer o adversário de ontem no futuro, também podemos fazer a mesma questão para o FCPorto. Parece-nos claro que tem de dar mais do que o que tem dado nos últimos quatro jogos. Por um lado porque temos o mesmo treinador que tem apresentado um onze e um esquema  de jogo muito semelhantes ao do FCPorto Campeão na época passada. Poderemos argumentar que Maxi já tem dificuldade em render o que rendia Ricardo Pereira, mas este ano até já temos Danilo e até temos tido muito boas prestações dos dois substitutos de Marcano que Conceição já utilizou. Sendo assim, o que falta a este FCPorto para regressar ao nível exibicional do ano passado? Porque é que já vamos no quarto jogo consecutivo em que saímos com a clara sensação que a equipa não está plenamente confiante e que demonstra até um inquietante nervosismo? Será que tal como o Schalke04, este FCPorto ainda pode valer muito mais? O que falta? Tem a palavra Sérgio Conceição. 

Mas eu até tenho umas ideias. Uma delas é a de dotar a equipa de jogadores capazes de ter a bola com mais qualidade. Estou a falar claramente de Oliver, uma luta antiga, mas também estou a falar de Marega. Este papel fulcral do Marega no nosso jogo tem vindo a irritar-me há um ano. Confesso que isto tem um pouco a ver com ideias pré-concebidas que tenho do jogo. Para mim, se vamos moldar o esquema de jogo em função em um ou dois jogadores nucleares, têm de ser craques ou destacar-se muito dos demais. Para mim o nosso jogo ofensivo, em bola corrida, é previsível porque é suportado apenas por dois jogadores. Um é Marega e outro é Brahimi. O problema é que um é um craque e o outro está muito longe de o ser. Marega corre muito, é muito forte e ataca bem a profundidade. Mas isso nem sequer é uma característica invulgar no futebol mundial. Por exemplo, o Shalke04 tinha ontem um jogador muito semelhante e que até marcou um golo à Marega. O que é invulgar é esperar que um jogador com as limitações técnicas e até tácticas do Marega tenho um papel central na nossa equipa e jogue 90 minutos sobre 90 minutos, independentemente da quantidade infindável de passes falhados, domínios deficientes e foras de jogo estapafúrdios. Se queremos que a qualidade cresça temos de tentar construir em cima do sucesso da equipa do ano passado. Transitou da época passada uma dinâmica forte e intensa no nosso jogo. Falta tentar incorporar mais qualidade. Mais Brahimis e mais Olivers, porque as grandes equipas não se fazem só de 'carregadores de piano'.

O jogo de ontem foi bom em termos de duelos físicos e as equipa acabaram por encaixar apesar dos esquemas diferentes. Nesse aspecto o adversário correu muito, bateu ainda mais, mas não conseguiu criar-nos problemas, salvo duas ou três exceções. Se até aí nos batemos bem, esperava que nos destacássemos mais na parte técnica e individual. Do nosso futebol ofensivo contam-se duas ou três boas jogadas, uma delas em livre estudado. Muito pouco para cerca de 60% de posse de bola. Esperava mais. Conquistamos um ponto fora de casa mas, dadas as circunstâncias e o adversário, acho que perdemos uma boa oportunidade de dar uma resposta cabal perante as dúvidas que os resultados recentes têm vindo a levantar. Será um ponto agridoce, para já.

Individualmente, destaco como MVP o miúdo Militão. Grande estreia na Champions, perante avançados muito chatos e muito físicos. Gostei também das exibições de Danilo, Alex Telles e Otávio. Nenhuma destas exibições está isenta de erros, mas compensaram o suficiente para terem nota positiva. Felipe também esteve bem, mas esteve menos seguro que o miúdo. Quando o treinador adversário dizia que tinha apanhado alguns defeitos no nosso jogo, estaria a falar com certeza da dependência de Brahimi. Esteve constantemente 1 contra 3 e, como é óbvio, passou muito poucas vezes. Quando parecia que ia passar, era ceifado. Exibição pouco produtiva, portanto. Pela negativa, também não gostei de Aboubakar que, ao nível da capacidade de segurar jogo esteve ao nível do Marega, ou seja, baixo. Corona prometia quando entrou mas ficou-se pela promessa e pela atuação ridícula no lance do golo, sobretudo quando fica a protestar falta sobre Danilo largando a marcação.

No sábado temos uma deslocação muito difícil. Se a retoma não se viu na Alemanha, que comece já em Setúbal!