quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Banco novo


Não tive oportunidade de fazer a crónica do jogo do fim-de-semana e, como tal , dedico-lhe o primeiro parágrafo. Nao gostei. Melhor: nao deixámos a mesma imagem de controlo que havíamos deixado nos dois primeiros jogos. Sobretudo na segunda parte. Vamos por partes. Gostei do onze. Acho que nos temos de habituar ao facto de que este ano temos banco. E temos bancada! Quaresma e Danilo ficaram por lá... Se temos estes recursos e se tínhamos um dos jogos do ano três dias depois, há que aproveitar e tentar manter a qualidade com outras peças. Tentou-se isso mas a equipa nao respondeu com a segurança esperada apesar de termos mantido a espinha dorsal da equipa. Tivemos uma equipa que se conformou com a vantagem minima e com um comportamento diferente na segunda parte e só acalmámos com a entrada de Oliver. Perigoso... Destaque positivo para Casemiro e negativo para Adrian que passou ao lado do jogo.

Ontem foi diferente. Mas voltei a notar algumas insuficiências. Mas estas já aceito melhor numa lógica evolutiva. Entrámos muito bem, tivemos várias oportunidades e depois desligámos. Nesses 20 minutos vimos um FCPorto pouco autoritario e até nervoso, sobretudo aquando da lesão de Alex Sandro. A entrada na segunda parte ajudou a virar o jogo a nosso favor e fatalmente a eliminatória. Mas apesar da intensidade que trouxemos do intervalo, resolvemos com a inspiração individual. Há que reflectir nisso. Até agora, Lopetegui privilegia a organização antes da inspiração. Os resultados dão-lhe razão, mas julgo que não poderemos criar uma obcessao na organização que sufoque o rasgo individual, seja de brahimi ou de Quaresma ou de quintero. Num jogo em casa, com este plantel, temos de potenciar a criatividade no onze e nao reprimi-la usando apenas um incendiário, como aconteceu ontem com Brahimi. O único jogador com estas características em campo inventou dois golos, imaginemos se tivéssemos outro na ala oposta? Lopetegui preferiu garantir a entrada na Champions de uma forma segura. Compreendo, mas no futuro quero mais.

Individualmente gostei de Brahimi, MVP, de Danilo, de Jackson e de Herrera. Mas o mexicano dá-nos cabo do juízo até ao momento em que começa a engrenar. Pela negativa, Ruben Neves. O mais nervoso na fase pior do FCPorto. É craque e por isso já lhe aplico a exigencia maxima.

Voltámos à Champions. Nosso habitat natural. Agora é recuperar a reputação depois de no ano passado termos regredido 10 anos em termos de imagem, nomeadamente quanto à dificuldade em jogar no Dragão.


quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Autoritários


A estratégia pareceu conservadora a priori e confirmou-se. Lopetegui não quis arriscar e quis ter bola na maior parte do tempo de jogo. A estratégia funcionou em termos de controlo de jogo e em termos de resultado, que foi muito bom. A bola foi nossa e o fundamental golo fora de casa, também. Não podemos deixar de notar que tivemos apenas uma oportunidade de golo em todo o jogo. Poderemos elogiar a eficácia de 100%, mas também podemos reconhecer que a estratégia delineada não funcionou tão bem, tal como no jogo anterior, no momento da definição das jogadas. Também não ajudou o facto de termos enfrentado um Lille demasiado cínico. Passaram o jogo a distribuir pancada e a esperar pelo erro que só aconteceu duas vezes no final de cada uma das partes e nem aí aproveitaram. Pobre, para quem quer jogar uma Champions e ainda por cima jogando em casa...

O jogo correu bem sobretudo nas primeiras meias horas das duas partes. O nosso jogo responsabiliza muito os defesas e os médios. Tem de ter bola com segurança máxima e nessas alturas fizeram-no com critério. De uma forma geral, a equipa demonstrou grande agressividade e isso notou-se nas recuperações de bola de Jackson, Herrera e sobretudo Oliver, em zonas de terreno avançadas. Pena que não tenha sido dada a devida sequência a estas recuperações. Sobretudo Herrera, que fez bem a ligação a Jackson mas que raramente definiu bem. Nesse aspecto faltou clarividência a todos menos a Rúben Neves. 

Passando à avaliação individual, continuo a achar incrível a calma do miúdo e numa posição que não é a dele! Até agora só o tinha visto a jogar a 6 ou a central. Para mim foi o MVP. Pensei em Maicon mas teve um erro grave no último minuto da primeira parte. No resto esteve o Maicon de há três anos. Depois, continuo a gostar de Oliver e gostei pela primeira vez de Casemiro sobretudo na construção de jogo, que se aproxima cada vez mais do que me parece que Lopetegui pretende e o Rúben também já faz a preceito. Não gostei de Fabiano. Duas intervenções inseguras. Não posso dizer que não gostei de Brahimi, nem Quaresma no jogo anterior. Apenas poderei dizer que Tello já fez melhor. Marcámos três golos e ele está em dois. Merece uma oportunidade. E que o Cigano nem pense em amuar! Pela primeira vez, desde que está no FCPorto, ele precisa mais da equipa do que o que a equipa precisa dele. Se amua, perde o comboio e seria uma pena.

Pequena referência à arbitragem que na primeira parte nos brindou com duas decisões ridículas: o amarelo a Danilo e o penalti não marcado sobre Jackson.

Em suma, bom resultado e boas perspectivas! É assinalável para as transformações que a equipa sofreu. Por exemplo, o Lille mantém a estrutura do plantel e a equipa técnica da época passada...

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

O Arranque e o Regresso


O estádio encheu e o que se pedia era uma vitória. Nada mais! Óbvio que queríamos ver alguns números artísticos e percebe-se que esta equipa poderá crescer até patamares muito interessantes, se entrar numa dinâmica de vitórias. Isto porque, apesar de algumas dúvidas, se percebe que há uma ideia e que há artistas para a interpretar. E depois tivemos um extra que foi a estreia do miúdo Ruben Neves com um golo. Curioso aparecer um talento destes logo no ano da 'invasão espanhola'...

A exibição foi segura sem ser deslumbrante. Deu a ideia que não estivemos muito inspirados no momento da definição das jogadas. Ou seja, fraca finalização para o volume de futebol produzido e facilmente verificável no número de passes e na percentagem elevadíssima de posse de bola. Acresce que permitimos apenas uma ocasião ao adversário. Para estreia, não está mal. 

O golo surgiu muito cedo e na sequência de uma das muitas variações que vimos nas marcações de cantos, ora curtos com participação dos laterais, ora directos, sobretudo ao primeiro poste. Logo aqui uma diferença para o ano anterior: há várias coisas que notamos que são trabalhadas. Sejam os cantos, sejam os movimentos de um dos médios entre linhas, seja o movimento do extremo do lado contrário da bola para se colocar em condições de receber a bola numa das constantes variações do centro do jogo, seja na saída para os centrais no pontapé de baliza. Percebe-se que há trabalho e rotinas. Veremos como funcionam e se se notarão nos jogos contra o Lille.

Individualmente gostei de Brahimi, Oliver e dos laterais. Destacaria Brahimi como MVP por ter sido o maior 'incendiário' no futebol da equipa. Um talento para desfrutar ao longo da época, de preferência na ala, mas também pelo meio. Digo 'de preferência na ala' porque tenho gostado muito de Oliver. Incrível entrega ao jogo na pressão e nas movimentações sem bola, sendo até invulgar em jogadores que a tratam tão bem. Poderia ter escolhido um dos laterais por estarem a interpretar na perfeição o que Lopetegui pretende deles em termos ofensivos. Não o fiz porque ambos tiveram erros que não comprometeram, mas que eu considerei graves. Não gostei muito de Quaresma. Percebo que se entregou ao jogo como poucos, mas espero mais de um jogador destes, do que remates que quase parece que são para as estatísticas. Tello fez melhor em 10 minutos. Ainda assim esteve bem melhor que Herrera que fez uma exibição estranhamente pobre. Quanto a Lopetegui, além dos elogios que já lhe fiz, juntaria outro: pôs a jogar os onze melhores da pré-época. Que o faça sempre. Apenas me custou perceber a subida do Ruben no terreno aquando da entrada de Casemiro.

Até aqui discutimos o arranque. Passemos ao regresso. Hoje jogou-se um Braga-Boavista que é a última pedra colocada em cima do ridículo 'Apito Final'. Talvez a maior ofensiva administrativa que sofremos até hoje e o Boavista apanhou por tabela. Eu gosto do simbolismo destas coisas e faz-me recordar que, por muito que eu vá gostando dos desenhos do Lopetegui e das fintas do Brahimi, o futebol joga-se em vários tabuleiros e que temos que jogar muito mais que os outros para retomar o caminho das vitórias interrompido no ano passado.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Cronica de verão






O horário não me permitiu ver o jogo. Às 16h não me tiram da praia para ver um jogo amigável, mesmo sendo do FCPorto. Entretanto já consegui fazer o download do jogo e consegui vê-lo. Deixo algumas notas breves sobre o jogo e sobre o ponto em que nos encontramos:

1. Temos sinais positivos mas ainda estamos 'verdinhos'. É normal mas, graças à horrível época do ano passado, temos uma pré-eliminatória da Champions onde, com algum azar no sorteio poderemos ter um adversário que constitua um teste bem superior aos que temos tido. Lopetegui não tem culpa, é apenas uma preocupação que deixo.
2. Poucos são os reforços que estejam a entrar na equipa e a deixar marca. Apenas registo os bons indicadores de Oliver, Brahimi e o miúdo Ruben Neves. A propósito do ponto anterior, se não temos a certeza de que Casemiro possa estar a 100%, porque não lançar aquele que tem sido o que melhor tem jogado no meio campo portista?
3. Tal como seria de esperar, Herrera voltou outro jogador do Mundial. Há que aproveitar e mantê-lo nestas funções que ele desempenha melhor. A propósito disto, espero que não se esteja a cometer, com Casemiro, o mesmo erro que se cometeu com Herrera no ano passado, ao fixá-lo como a única solução para 6.
4. A renovação de Jackson alivia mas não sossega. Já se percebeu que, neste esquema, o Adrian não joga a 9.
5. Com tantos médios ofensivos no plantel Lopetegui começa a arrumá-los na esquerda. Aconteceu com Quintero, com Oliver e com Brahimi por poucos minutos. Se conseguir obter um James, que faça o ala e simultâneamente organize, muito bem! Mas temos soluções que chegue para alas a começar por Quaresma, passando por Adrian e terminando em Tello. Kelvin e Ricardo andam lá mas não deverão contar...
6. A dupla de centrais está definida e parece não jogar muito avançada. É bom porque eles não são muito rápidos mas, tecnicamente, parecem-me um pouco 'pézudos para aquelas saídas de bola que Lopetegui está a ensaiar. Nesses dois aspectos Reyes poderia ajudar, não fosse a sua fatal tendência para os erros comprometedores.
7. Já aqui disse que as contratações não entraram em força mas Jose Angel abriu ali uma auto-estrada na esquerda que me faz pensar que o Alex vai ter de estar bem a época toda... Pode ter sido apenas uma primeira impressão.