segunda-feira, 20 de março de 2017

Tudo na mesma



Há quem diga que, se tivéssemos jogado antes do Benfica, tínhamos ganho com facilidade. Não é fácil de suportar esta opinião, sobretudo para quem não é astrólogo, mas parece-me uma crítica forte ao nível de maturidade da equipa. Não me parece que tenha tido a ver com maturidade. Foi um jogo que se complicou, num timing complicado e que pôs a equipa sob uma pressão que fez com que a própria equipa complicasse o que na primeira parte parecia simples. Mas não convem que se tente complicar ainda mais, vendo nisto o fim da nossa tendência de crescimento, ou o principio do fim da nossa reacção. Seguimos confiantes!

Foi um jogo atípico que acontece a qualquer equipa. Um jogo em que a bola não quer entrar e em que o adversário faz um golo na única oportunidade que cria, com uma infelicidade de Felipe à mistura. É motivo para dramas? Não! Há que valorizar que a tendência para criar muito futebol ofensivo e oportunidades, esteve lá. Apesar de termos tido menos oportunidades na segunda parte, tivemos suficientes para matar o jogo e para recuperar a liderança. As virtudes que temos demonstrado estiveram lá e os problemas, que sempre aqui apontámos, mantiveram-se. A equipa continua a ter dificuldade em descansar com bola e isso notou-se no início da segunda parte. Continuamos a ter uma tendência para despejar bolas quando nos vemos aflitos, o que não ajuda nada. O ambiente era quente, com muitos portistas, e isso deu ânimo à equipa na primeira parte e também deu algum nervosismo na segunda, apesar do apoio incessante, porque se notou que os jogadores estavam a tentar dar algo mais ao adeptos. Aquele velho chavão do 'mais com o coração do que com a cabeça'...

Esqueçam os dramas. Já tínhamos interiorizado que tínhamos de ganhar na Luz. Esta perspectiva só mudou durante cerca de 24horas. Assim sendo, há que voltar rapidamente ao 'mindset' inicial sem valorizar demasiado a desilusão de hoje.

Individualmente, dou o MVP a Marcano que esteve bem na defesa e ainda mandou uma bola ao poste. Toda a frente de ataque esteve bem melhor na primeira parte do que na segunda apesar dos falhanços. O de André Silva é incrível e há dois de Soares que não ficam atrás. Oliver e Brahimi não renderam na segunda parte. Otávio e Jota entraram com fome, mas notaram-se mais a recuperar bolas do que a criar jogo. Danilo pareceu cansado. Felipe escorrega no lance do golo, algo que penalizou uma exibição que estava a ser boa.

Quanto ao anti-jogo, nada a dizer. Muitos e justos minutos de compensação e amarelo para o redes logo na primeira parte. Custa que o crime compense, mas é assim...

Interregno não vem em má altura. Se tivéssemos ganho,  talvez dissesse o contrário...

quarta-feira, 15 de março de 2017

11 contra 11...


Normalmente a imagem da crónica é para o MVP da partida. Como tal, não será de estranhar que se atribua o MVP aos nossos adeptos que estiveram no estádio em Turim. Foi incrível! Estamos com a equipa e a equipa está connosco!

Quanto ao jogo, começo por pegar naquela dúvida de Nuno. Se estivéssemos sempre com onze... Eu aceito que se tenha esta argumentação porque nunca saberemos e porque convem que as tropas não desanimem. E assim não temos de admitir a 100% a óbvia superioridade da Juventus e a justiça nos dois resultados que decidiram esta eliminatória. Não gosto tanto que se use o argumento de que não sofremos golos onze contra onze. É um bocado paradoxal. Se Maxi não desse mão tínhamos sofrido um golo, onze contra onze... E não convem esquecer que esse lance surge na sequência de três bolas paradas ganhas pela Juventus na nossa área, e que o sucesso nos duelos nas bolas paradas é um dos nossos melhores atributos como equipa. Importa portanto admitir que temos uma equipa do FCPorto que dá alguma ilusão e que está a exceder as expectativas de muitos, mas não podemos pedir que esteja ao nível de uma das 5 melhores equipas da Europa. A eliminatória não correu bem, faltou maturidade a alguns dos nossos jogadores, mas a equipa não nos envergonhou. Faltou um golo em Turim, que fizemos por merecer na altura em que a Juventus entrou em ritmo de gestão de esforço.

Individualmente, a nota mais alta vai para Felipe. Já sabemos que estes jogos são uma 'montra' e até pode ter sido isso que traiu Alex Telles na primeira mão, mas Felipe fez questão de se 'pôr na montra' com esta exibição na segunda mão. A equipa jogou razoavelmente e não tenho grandes destaques além de Felipe. Marcano e Casillas tiveram intervenções de grande qualidade e Jota entrou muito bem, mais uma vez. Pela negativa, Maxi pela expulsão, mas sem um nível de culpa sequer comparável ao de Alex na primeira mão. Layun ainda demonstra muitas dificuldades defensivas, mas não comprometeu. Nuno esteve bem ao manter a equipa dos últimos jogos.

A Champions ficou-se pelo objectivo mínimo. Resta-nos o nosso objectivo principal!

segunda-feira, 13 de março de 2017

Passeio



Pode parecer desrespeitoso para o adversário, mas deixem-nos saborear esta recente fartura nos números apresentados pela equipa. Depois das goleadas no Dragão voltaram as goleadas nos jogos fora de casa. O jogo foi bastante descansado, sem grande necessidade de 'carregar no acelerador'. Quem diria depois da dificuldade que tivemos em marcar golos nos jogos em Novembro, mas também em Dezembro e no início de Janeiro. Pelo meio tivemos duas excepções nos jogos com Leicester e Feirense, mas nos restantes jogos andamos sempre 'em esforço' e muitas vezes a sofrer para segurar os resultados. A dinâmica recente é curiosa. Começou por vitórias muito sofridas como as caseiras contra Rio Ave, Sporting e fora com o Estoril, com um futebol muito pouco elaborado e essencialmente eficaz. A determinada altura, o futebol começou a melhorar e os resultados passaram a ser mais folgados. A única excepção foi o Bessa, mas fizemos por merecer melhor sorte. 

O que aconteceu? A teoria mais comum é a da dinâmica de vitórias: de tanto ganhar, mesmo jogando mal, atingimos graus de confiança que os permitiram elevar o nosso nível de jogo, de forma a aliar os resultados a exibições seguras e um futebol bem melhor. Mas é uma teoria muito simplista. Para mim esta evolução é assente em dois grandes pilares. Spoiler alert: Soares não é um dos pilares. Ele tem sido um dos melhores e está com um rendimento incrível, mas o segredo vem mais de trás. Brahimi e Oliver dão aquele 'upgrade' ao nosso jogo que permite que os outros brilhem mais, incluindo Soares. Depois temos os que aproveitam melhor as dinâmicas criadas e, nesse aspecto, sobretudo Soares tem aproveitado a preceito. Um pouco mais que André Silva que parece que ainda se está a habituar à presença dominante de Soares no nosso ataque. Este é aliás um novo desafio que se coloca a Nuno para os próximos jogos. Parece que ainda não se conseguiu optimizar a coexistência de Soares e André Silva, como dupla de ataque. Para já ainda parece que joga cada um por si. Soares tem brilhado e André Silva tem vindo a piorar o seu rendimento e o facto de se tentar que feche na direita e que parta dessa posição, não tem ajudado. Julgo que seria mais proveitoso que fosse um dos médios a fechar do lado direito, libertando o André Silva para o ataque às costas da defesa e para a finalização, e menos para a condução de jogo e o drible que não são os seus fortes. 

Quanto ao jogo, foi totalmente dominado pelo FCPorto e com uma autoridade que não tem sido vulgar longe do Dragão. A equipa está num bom momento e tem todas as condições para chegar à Luz e impor respeito e lutar pelo primeiro lugar. Individualmente, o MVP é Brahimi. Interessante ter assumido as bolas paradas, visto que alguém terá de substituir o Alex nessa tarefa em Turim. Nota elevada também para Oliver e Soares. Gostei também de Maxi. Pela negativa, André Silva que fez um jogo desastrado, sobretudo na segunda parte antes de sair. Independentemente do que se disse atrás sobre o seu novo posicionamento, parece acusar o protagonismo de Soares. Pelo contrário, Jota parece estar a reagir muito bem à perda de titularidade. Sempre com golos ou assistências. O André que se cuide.

Na Terça temos a Champions. Não esconderei que não estou confiante. Poderia vir com 'tretas' de esperança clubista mas, racionalmente, espero um bom jogo do FCPorto, talvez um susto para a Juventus, mas uma eliminação perante uma equipa que é de facto superior. Lá estarei para apoiar!

segunda-feira, 6 de março de 2017

Barrigada


Continuamos neste jogo de pôr pressão semanal no nosso adversário. Nada melhor do que uma vitória categórica, em casa. Foi mesmo a maior goleada de sempre no Dragão. Neste momento temos o melhor ataque, a melhor defesa e falta apenas o primeiro lugar que, à falta de melhor oportunidade, poderá e deverá ser alcançado na visita à Luz.

No final do jogo, Nuno foi cauteloso 'QB'. Diga-se o que se disser de Nuno e do seu discurso, quase sempre, propositadamente vazio de conteúdo, há ali uma estratégia de comunicação de passar o mínimo de fraquezas para fora. Quando empatamos veêm-se coisas boas e quando goleamos também se veêm coisas que ainda temos de melhorar. Sempre 'by the book' e 'com pouco sal'. Mas sinda cada vez menos vontade de criticar porque, até agora, consigo ver resultados em termos de união, de empenho e de espírito de equipa. A equipa já está a um bom nível em termos de confiança e podemos notar que o desaire na Champions não teve qualquer efeito nefasto. 

No entanto, para mim, continua a faltar o salto em termos de qualidade de jogo. E nesse aspecto, podemos ter dado um passo importante ontem. A equipa começou por jogar pouco e estar demasiado dependente da inspiração individual de Brahimi. Com o primeiro golo tudo mudou. Dirão sempre que o Nacional é muito fraco e é verdade. Mas já temos defrontado equipas fracas, sem que tenhamos tamanho ascendente no jogo, como vimos nos dois últimos jogos no Dragão, nomeadamente nas segundas partes. E é de valorizar esta fome de golo que nos deixa a salvo de qualquer percalço. Além de que, ao longo do jogo, as exibições foram todas melhorando até um nível elevado. O maior exemplo é mesmo Layun que começou por se mostrar atormentado pelas últimas exibições pobres, e que partiu para uma exibição bastante moralizadora e com um golo a coroar. Mas os nossos avançados também melhoraram muito ao longo do jogo. Soares começou por se mostrar muito trapalhão e André Silva caiu muitas vezes sobre a direita com resultados fracos. Na segunda parte, ambos jogaram bem melhor tendo alcançado dois golos cada um.

Individualmente, estava indeciso entre Brahimi e Oliver. Como fez os noventa minutos, dou o MVP a Oliver. Mas estes dois são a garantia de que há menos passes longos sem nexo e mais futebol. Um traz mais cérebro e outro traz mais inspiração. E assim é mais fácil para os avançados, que continuam facturar e para os defesas Danilo, Felipe e Marcano que podem enfim descansar um pouco. Estiveram todos bem e nem se notou as suas presenças. André André fez uma exibição boa e está cada vez melhor na equipa. Jota continua a fazer por merecer mais oportunidades. Já Otávio, nota-se que lhe está a custar entrar no ritmo, mas já esteve melhor.

A equipa brindou o Dragão com uma saborosa goleada. Na próxima próxima sexta-feira, temos de devolver a 'gentileza' e encher o Estádio em Arouca!