segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Agora com Maestro


O jogo com o Feirense, no Dragão, acabou por ser bem exigente. Havia a pressão de aproveitar as escorregadelas dos adversários e a equipa estava inquieta. No seguimento do que havia acontecido no último jogo, foi necessário garantir mais posse, com mais qualidade, porque o adversário se colocou muito bem no terreno, condicionando o nosso jogo. Por outro lado, foi também necessário empenharmos muita combatividade, porque os nossos avançados não estiveram muito inspirados, originando muita incerteza no resutado, muitas segundas bolas, e muitos duelos. Até aqui nada de especial. Foi mais um jogo no Dragão contra uma equipa que se galvanizou por ter conseguido que o tempo fosse passando, sem que o FCPorto se distanciasse muito no marcador.  O que impressiona no jogo de hoje foi o facto de a nossa solução para um jogo de posse com mais qualidade e para que em simultâneo fosse garantida mais e melhor combatividade nos duelos, ter sido a mesma: Oliver Torres. O mesmo jogador que foi o maestro de todo o nosso jogo ofensivo foi de longe o que recuperou mais bolas (12) e o que fez mais desarmes (11). Que grande exibição!

Essa foi a melhor notícia da noite. Finalmente temos uma variação significativa na nossa forma de jogar e, tal como nós aqui tanto pregámos, bastaria trocar alguns jogadores. Assim tão simples! Bastaria não apostar só em jogadores com um perfil Marega e Herrera e passar a incorporar mais com perfil Corona e Oliver.  Há onze jogadores em campo e nem todos têm de ter aquele perfil de tanque ou de futebol na vertigem que o Conceição tanto gosta. Assim Brahimi não se sente tão só... Ainda por cima, Oliver provou hoje que também consegue vestir o fato-macaco, algo que eu não antecipava. Não antecipava porque não é a sua forma de jogar e porque, na Champions, ele não conseguiu atingir estes números defensivos. Se consegue, menos um argumento para o tirarem da equipa. Continuaremos atentos à evolução nesta relação do futebol de Conceição com o futebol de Oliver.

O jogo foi marcado pelo nervosismo, em campo e nas bancadas. Os golos anulados e os falhanços não ajudaram muito. Ainda por cima, marcámos um golo de laboratório que deveria galvanizar a equipa para uma excelente exibição. Com toda a complicação do VAR, essa 'jogadona' até perdeu o efeito... Mais uma vez, a equipa soube manter-se no controlo das operações perante um adversário que complicou muito a tarefa, mais nos duelos, do que nas oportunidades de perigo. O segundo golo tardou mas veio a tempo de dar sossego a todos. 

Por falar em sossego, gostaria de falar do árbitro. Muito fraco. Já sei que as queixas virão dos adversários por causa do golo de Felipe, que parece ser fora-de-jogo. É difícil de analisar e eu compreendo a decisão do liner. Mas já não percebo este argumento do protocolo. Supostamente o protocolo do VAR diz que, se há dúvida, mantém-se a decisão do árbitro de campo. Mas há outro protocolo mais antigo que diz que, em caso de dúvida, se deixa seguir. Será que estes dois protocolos são compatíveis? Sinceramente não me parece. Já agora, por falar em protocolo, o árbitro não o cumpriu logo no início num lance que acaba com golo de Marega e em que claramente não há falta. Nesse caso já não houve protocolo e o árbitro apitou de pronto, invalidando a jogada. De resto, o árbitro falhou muito na gestão disciplinar e até na condução do jogo. Nas duas melhores oportunidades de golo do Feirense, ambas defendidas por Casillas, pareceu-me que temos dois lances precedidos de falta. Só um pequeno exemplo das muitas que ficaram por assinalar. Em suma, se bem conheço o futebol português, terá certamente um bom futuro este Sr. do apito.

Individualmente dou obviamente o MVP a Oliver. Já tinha desesperado à espera de uma frase destas numa crónica que não fosse da Taça de Portugal ou Taça da Liga... Grande jogo, colocando um problema sério a Sérgio Conceição e a Herrera. É que Oliver tem contrato para 2019/2020... Se o rendimento é semelhante ou superior ao de um jogador em fim de contrato... Danilo também está a aproximar-se rapidamente da sua melhor forma. Gostei também de Brahimi que voltou a driblar com sucesso, como é seu apanágio, algo que vinha faltando nos últimos jogos. Corona continua com lampejos de grande qualidade. Herrera entrou bem para serenar o jogo. Pela negativa, Soares e Marega não estão a atravessar um bom momento ao nível de confiança. Parece que fisicamente estão bem, mas que precisam de uma sequência de boas exibições para voltarem à sua melhor forma. Destaque por último para Sérgio Conceição. Não só lançou um onze que eu apreciei muito, como marcou um primeiro golo que é claramente fruto do seu trabalho e da sua equipa técnica. Golo com assinatura Conceição!

Voltámos ao primeiro lugar! E acontece bem mais cedo do que seria antecipável dada a derrota na Luz e dado que estávamos em terceiro lugar. Agora é só manter. Vamos ter uma sequência com muitos jogos no Dragão. Seria importante aproveitar essa dinâmica para finalmente arrancar uma série como a do início da época passada.

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Montanha Russa


Já tinham saudades de um trocadilho básico no título dos posts? Eu tinha...

O conceito é que a exibição teve muitos altos e baixos, oscilando entre satisfação, sustos, ilusões e desilusões. Comecemos por uma ilusão. Eu adorei o onze inicial. Bastaria a colocação de Oliver, mas houve ainda a inclusão de uma dose reforçada de fantasia com Corona. Era expectável que o FCPorto fizesse uma exibição melhor e com muito mais ideias que a anterior no estádio da Luz. Já sei que não era difícil... De facto veio a confirmar-se. Ao contrário do que se disse nos habitualmente fracos comentários da TVI, o efeito de Oliver fez-se notar de imediato e tivemos um FCPorto com mais bola e com muito mais qualidade na posse. Conseguimos também manter a habitual pressão forte sobre a primeira fase de construção do adversário, estratégia assente sobretudo no posicionamento e no trabalho de Herrera. Mas se isso correu bem melhor, não estava à espera de perder segurança defensiva. Nesse campo, Sérgio Conceição esteve muito bem no rescaldo e centrou aquilo nos erros individuais. Concordo. Não senti a equipa mal posicionada defensivamente. Mas sentiu-se de sobremaneira o nervosismo e os erros individuais muito pouco habituais. Ontem vimos coisas nunca vistas: Alex a fazer erros atrás de erros; Militão a dar um golo ao adversário; e Iker, depois de uma excelente defesa no penalti, a defender para a frente um remate aparentemente fácil, em que fomos ajudados pelo erro do liner. Até Oliver e Danilo falharam alguns passes comprometedores. Não serão tão surpreendentes as paragens de cérebro de Felipe e as ausências de Maxi por atraso na recuperação. A questão é que tivemos isto tudo num só jogo de Champions, na casa do adversário, e conseguimos ganhar! Como foi possível? A minha opinião é que apesar dos erros defensivos, a equipa foi buscando conforto no facto de estar a conseguir ter bola e criar muitos problemas na defensiva adversária. 

E foi assim o jogo. A cada erro de palmatória dos nossos jogadores mais recuados, a equipa tremia. Mas a qualidade de posse de bola e o pânico causado pelas investidas dos nossos alas foram colocando o adversário em alerta e garantindo serenidade através dos golos. Por falar em golos, outra coisa nunca vista e dificilmente antecipável: Marega a marcar penaltis. Dificilmente poderei dizer que já vi de tudo no futebol mas, a cada acontecimento destes, sinto que estou cada vez mais perto... Mas esse golo 'caiu do céu'. Os golos mais bonitos foram os outros. Brincando um pouco, diria que o segundo golo é um golo de um FCPorto à Oliver e que o terceiro foi um golo de um FCPorto à Sérgio Conceição. Será que poderemos contar com uma fusão num FCPorto só? Estaremos atentos aos próximos capítulos...

Individualmente, gostei muito de três jogadores: Danilo, Oliver e Corona. Opto por dar o MVP ao Danilo porque adiciona ao nível exibicional a sua presença em campo, que faz com que seja um verdadeiro líder. Oliver teve o impacto no nosso jogo e na nossa qualidade de posse, por mim esperado. Julgo que poderá evoluir mas foi já uma 'estreia' bem satisfatória. Corona esteve nos dois últimos golos, sendo decisivo para o resultado. Pela negativa vou destacar dois jogadores; Alex Telles e Marega. O primeiro representa na perfeição o desnorte da equipa do FCPorto. Alex esteve absolutamente irreconhecível e o penalti é o maior exemplo. Mas está longe de ser o único. Marega esteve muito desinspirado. Num jogo  em que os seus municiadores estiveram todos em bom nível, não deixa de ser estranho termos visto um Marega faltoso, trapalhão e longe da definição. Continuando assim, já estou a ver um FCPorto com Soares no seu lugar... Gostaria de terminar com Herrera. Jogou numa posição semelhante à que tinha jogado na Luz. É certo que correu bem melhor. Marca um dos golos, arranca uma expulsão e esteve muito bem na pressão aos defesas contrários. Mas não será possível ter isso e ter um jogador que acerte mais passes e que perca menos a bolas por erros técnicos? Teremos mesmo de sacrificar uma coisa para ter outra? Temos repetido aqui muitas vezes: quanto mais avançado joga o Herrera, mais se notam as suas limitações... Destaque final para as boas soluções que vieram do banco, sobretudo André Pereira.

O último jogo colocou-nos atrás, novamente. Não nos resta outra alternativa se não a de ganhar todos os próximos jogos do campeonato. No Dragão até se exige que continuemos a dar os bons sinais que já vimos com o Tondela e os de hoje, já agora. Estou obviamentea falar de Oliver...

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Jogo vs Espectáculo


Mal acaba a primeira parte voltei a pensar naquela frase de Sérgio Conceição: «Se querem espectáculo, vão ao Coliseu!». E lembrei-me logo que, passados uns dias, Klopp dizia exatamente o contrário: «I really think the most important thing for football is entertaining the people. We don’t save lives, we don’t create anything, we are not good in surgeries, we are only good in football. If we would not entertain the people, why would we play it then?». E ontem também tivemos um discurso anti-espectáculo de Rui Vitória, que ficou claro após assumir que foi sempre superior ao FCPorto. Algo em que nem ele acredita e algo que Conceição diria se o resultado fosse o inverso, nas mesma circunstâncias. Mas se é deprimente comparar o discurso destes treinadores, imaginem como saímos na comparação do futebol jogado... Por coincidência, ontem também houve um grande jogo em Liverpool e, ao contrário do que aconteceu por cá, não houve golos mas houve futebol. Eu que vi os dois jogos diria que uma troca dos resultados seria mais apropriado ao que se viu nos dois campos, com um empate a zero na Luz e com uma vitória do City pela margem mínima, em Liverpool. Mas se formos pegar nas estatísticas... Destacaria duas: faltas e duelos aéreos. Em faltas o duelo de Liverpool teve 10 para cada lado. Já na Luz tivemos um 24-20 para os da casa. Mais intensidade! Nos duelos aéreos a diferença é abismal: 66 na Luz contra 23 em Anfield. Incrível! A conclusão só pode deixar-nos inquietos. Nós ainda jogamos muito pouco e essa é uma tendência que não é só nossa, tal como ficou bem marcado no clássico de hoje. Já não me chegava a azia do resultado e ainda consigo arranjar mais razões de preocupação...

Mas estaria ainda mais preocupado se tivesse a meu cargo fazer um resumo de 3 minutos do jogo de hoje. Poderão dizer que é mau perder: «como perdem, dizem que o jogo foi fraco...». E eu até percebo. Mas tal como ainda tenho a ilusão de que o FCPorto ainda vai jogar bem neste campeonato, também tenho a ilusão de que estaria aqui a dizer a mesma coisa se o resultado fosse o inverso, nestas circunstâncias. Para mim o resumo teria duas jogadas: um lance em que Danilo e Fejsa chocam e ficam os dois no chão com dores e o lance do golo. Punha em loop até fazer os 3 minutos. Era o que mereciam os adeptos que se contentam com os 3 pontinhos! Se não desse para fazer isto, teria de ter muita imaginação para inventar algo além destes 10 segundos de resumo... Até as jogadas mais perigosas em futebol corrido, como Seferovic isolado, defesa de Casillas a remate de Gabriel e remate de Brahimi, são todas precedidas de falta que o VAR deveria sancionar se entrasse.

Quanto ao jogo, tenho tanto a dizer como o que os treinadores tiveram a dizer no final sobre a paupérrima qualidade do mesmo. Duelos, choques, bola pelo ar e um golo aos trambolhões e após uma sucessão de coincidências irrepetíveis e que culmina na mais improvável de todas que é a do Seferovic marcar um golo... Após o golo, pouco se viu da reacção portista. Apenas o conseguimos de bola parada e após a expulsão algo forçada de Lema. Em suma, jogo péssimo das duas equipas que caiu para um dos lados, porque é algo que pode acontecer quando ambos os treinadores desistem de tentar ter bola e resolvem entregar-se ao futebol aleatório. Mas gostaria de deixar apenas duas notas sobre o FCPorto. Falhou a aposta de Herrera mais adiantado. Pareceu que o objetivo era pôr pressão na saída do adversário, sobretudo Lema, mas o Benfica, tal como nós, arriscou pouquíssimo na saída e bateu sempre longo, tornando a opção desnecessária. Por esse motivo, Otávio deveria ter estado mais adiantado e protegido da zona de selvajaria onde acumulou faltas atrás de faltas e o amarelo que fez com que fosse substituído muito cedo. Registo por último que Conceição já reconhece que há um problema com Maxi. Se se prefere jogar com Corona nessa posição...

Individualmente, dou o MVP ao rei dos duelos Danilo. Além disso foi o jogador que teve as nossas melhores oportunidades, em três remates de cabeça. Pela positiva não tenho muito mais destaque visto que os centrais, que defenderam bem, pecaram na construção, por vontade própria ou por ordens do banco... Além disso Militão está mal colocado no golo sofrido e não percebe que o perigo não estava em Pizzi mas no movimento nas suas costas. Ainda assim, só por milagre não chega à bola a tempo de cortar o lance. Pela negativa, destacaria Herrera. Não lhe daria a culpa toda porque o erro maior é do Conceição, mas está a passar uma fase que é muito 'Herrera de há dois anos atrás' bem personificada naquele passe ridículo nos últimos instantes de jogo.

Regredimos em relação ao jogo com o Tondela e saltámos de segundo para terceiro, mas continuamos a uma distância perigosa para os adversários. É que eles, como nós, também desconfiam que este FCPorto não poderá continuar jogar muito menos que isto. E se este tiver sido o ponto de viragem... Medo!

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Pontos caros


Não sei se o próximo jogo na Luz vem em boa altura. Este jogo da Champions vai deixar marcas físicas nos jogadores, tal foi a intensidade até ao último minuto do jogo. Normalmente essas marcas têm menos impacto quando temos uma vitória categórica sobre adversários do nosso nível, ou uma vitória por 'meio a zero' contra um dos 'tubarões' europeus. Não foi o caso no jogo de hoje. Foi um jogo muito equilibrado, em que o factor casa apenas se notou na iniciativa de jogo. Tudo o resto foram calafrios nas duas balizas, mais na nossa na primeira parte e mais na deles da segunda. Valeu a excelente exibição dos dois guarda-redes para não termos tido um resultado 4-3 ou 3-4, que seria natural dadas as oportunidades. Foi suada a vitória mas foi mais importante que entusiasmante... O que entusiasma são estes três pontos que nos dão a liderança antes da dupla jornada com a equipa mais fraca do grupo.

Importaria saber se os equilíbrio que vimos foi o Galatasaray, que estará claramente ao nosso nível, ou se foi o facto de este FCPorto tardar em atingir alguma estabilidade emocional e exibicional. Eu diria que é um pouco das duas, mas tendo mais para a segunda hipótese. Logo no primeiro minuto, uma trapalhada de Felipe resultou num remate à entrada da área, que só não foi mais perigoso porque o jogador turco falhou o remate (por azar ou falta de qualidade). Logo aí estabeleceu-se o tom para o resto do jogo. Jogadores a oscilar boas decisões com péssimas. Houve também alguma dificuldade de adaptação à ausência de Aboubakar e Soares. Foram muitas as vezes na primeira parte em que Corona e Alex conseguiram enquadrar bons cruzamentos para uma área onde apenas aparecia um jogador. Mesmo em termos de ocupação de espaços, Otávio teve alguma dificuldade em manter a equipa ligada a Marega. Já sei que as características de Marega, não ajudam. Ele ou procura a profundidade ou a ala (às vezes as duas ao mesmo tempo deixando a área deserta) e, quando não procura, tem imensa dificuldade em controlar a bola e esperar pela equipa em apoio. Ainda assim, pareceu que Otávio ou estava muito perto de Marega, no início, ou muito perto de Danilo e Herrera, no final da primeira parte. Em suma, este sistema de jogo não favorecia as nossas ambições de empurrar o adversário para a sua área e pressionar para resolver o jogo cedo e isso também foi um foco de intranquilidade. O golo, obtido numa bola parada, veio dar uma nova vida a este sistema que passou a fazer mais sentido para as características de Marega. Por esse motivo acabámos o jogo com oportunidades de golo, que se distribuíram quase equitativamente para os dois lados. Na segunda parte o Galatasaray tem apenas um grande lance de perigo, em que aproveitou Maxi, e duas bolas paradas perigosas, mas em que me pareceu que deviam ter sido interrompidas por falta. 

Individualmente, fiquei na dúvida quanto ao MVP. Opto por dar a Casillas que nos manteve no jogo por duas vezes e que demonstrou muita segurança. Vamos ignorar aquela saída da baliza na segunda parte, ok? Também gostei muito da exibição de Danilo. Tal como Casillas, no nosso pior período, foi muito importante para segurar o adversário e até para construir com segurança. Também vamos esquecer que não deu grande ajuda a Maxi no lance mais perigoso dos turcos na segunda parte, ok? De resto, achei que Brahimi já esteve melhor do que nos últimos jogos, tal como Alex Telles. Corona entrou bem para a ala tendo desequilibrado muito, apesar de nem sempre ter gente na área para finalizar. Esta solução com Marega e Otávio parece ser curta para estes jogos em casa, mais por culpa de Marega. Soares pode dar mais e até André Pereira entrou bem para essa posição. Por falar em gente que entrou bem, Oliver. Marcámos cedo, na segunda parte, mas só nos minutos finais é que conseguimos controlar melhor o jogo e criar mais oportunidades. Terá sido por termos mais espaços perante um adversário em busca do empate ou terá sido Oliver? Deixo uma pista: o golo é aos 49 minutos e Oliver entra aos 69...

Vitória suada, feliz e muito importante. Pode vir outra destas no próximo jogo! Dado o problema de centrais do adversário, seria importante termos um Soares a 100% para aproveitar essa lacuna.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Melhor


O resultado final pode não espelhar isso, mas esta exibição já foi melhor que as anteriores. O facto de termos sofrido até perto do final para marcar, também ajuda a que não seja fácil discernir alguma evolução, mas julgo que é claro que evoluímos e isso está espelhado no número de oportunidades de golos que conseguimos. Na última crónica referi que já não pedia uma evolução em relação ao nosso modelo de jogo do ano passado e que já me contentava com a mera réplica do mesmo. Pois parece-me que já tivemos uma boa aproximação aos jogos no Dragão da época passada. 

Tivemos uma entrada muito forte, com várias oportunidades de golo logo no início, a que se seguiram muitas mais, com um frequência consistente até ao final da primeira parte. Na segunda parte, houve menos oportunidades, talvez em resultado do crescente nervosismo, absolutamente normal nestas ocasiões. Tudo isto sem sofrer qualquer calafrio defensivo, de que me lembre. As substituições foram suficientemente audazes e ofensivas para aumentar gradualmente o caudal ofensivo final. Como marcámos pouco depois da saída de Maxi, não cheguei a perceber bem se Conceição queria uma defesa a três ou se queria que Corona fizesse todo o corredor a partir de trás. O golo surge de um frango mas não apaga tudo o que foi feito, tal como não apaga a excepcional exibição do guarda-redes adversário até essa altura. Em suma, tudo correu normalmente com a excepção da bola, que custou a entrar, e da lesão de Aboubakar, que se confirmou ainda mais grave do que se supunha, tendo em conta que saiu do campo pelo seu próprio pé.

Individualmente, dou o MVP a Soares. Estaríamos a falar de um campeonato diferente se não houvesse este golo. Dirão que foi só encostar, mas é preciso estar lá e lembro-me de um centro de Otávio na primeira parte em que se pedia o ataque ao segundo poste e onde não estava nenhum dos nossos avançados. Nem Marega, nem Aboubakar. Gostei das restantes exibições, todas positivas, mas nem todas em nível de inspiração máximo. Aqui refiro-me a Alex Telles e Brahimi. Não que tenham tido más exibições. Foram boas. Pareceu-me que a qualidade do drible do Brahimi e a qualidade dos cruzamentos do Alex, não estiveram ao nível que nos habituaram. Para terminar, continuo a não perceber estas oportunidades a Hernani em jogos importantes e quando o jogo não está resolvido. Enfim... Também não tenho de perceber tudo...

Para terminar, gostaria só de abordar as recentes declarações de Sérgio Conceição sobre críticas que tem recebido. Antes do jogo, um jornalista pergunta sobre Oliver, dizendo que uma breve passagem pelas redes sociais, dá para concluir que os adeptos querem ver mais Oliver em campo. Conceição perguntou logo se os adeptos estavam identificados e se havia garantia de que seriam mesmo adeptos do FCPorto e insistiu nessa 'tecla' para terminar numa resposta clássica de que ele é que decide de acordo com o rendimento no treino. Mais tarde, após o jogo, voltou a abordar outras críticas, desta vez por iniciativa própria insistindo num 'chavão': «quem quiser espetáculo pode ir ao coliseu...». Especificou que essa crítica tinha como destinatários os comentadores internos. Não sei se se referia a comentadores do Porto Canal ou a comentadores portistas noutros canais. Pouco interessa. O que registo é este estranho nervosismo, com manifestações variadas ao longo deste início de época. Desde a 'flash interview' após o primeiro teste televisionado da pré-época, até esta reação demasiado contundente a ténues críticas vai ouvindo. E escrevo ténues porque é fácil de o comprovar. Se existem algumas críticas, entre Treinador, Presidente, SAD e Jogadores, ele será claramente e justamente o menos criticado de todos. Para quê, esta intranquilidade? Isto já para não falar do episódio mais caricato que é a expulsão num intervalo de um jogo da Taça da Liga. Nessa ocasião, ele abandona o relvado uns minutos mais cedo e, mesmo assim, apesar de ter tido tempo para se acalmar, conseguiu fazer o suficiente para ser expulso numa competição que está em quinto lugar nas nossas prioridades para esta época. Achei ridículo mas nem valorizei até somar as outras ocasiões. Sem querer entrar em demasiadas considerações, apenas aconselho humildemente alguma calma. É o que Sérgio Conceição precisa e é o que a equipa precisa. Que aproveitemos melhor a confiança de sermos Campeões!

Por falar em Campeões, receberemos na quarta-feira os da Turquia. Temos de atacar já o primeiro lugar no Grupo!