quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Quinze


Já passou algum e tempo e o jogo até foi antes do Natal, mas faltava registar aqui a crónica da décima quinta vitória consecutiva. A tendência continua... A cada jogo que passa, o feito fica mais épico, mas os resultados têm sido cada vez mais apertados. E os sinais de cansaço começam a ser demasiado evidentes.

Mas comecemos pelo melhor do jogo: grande ambiente no Dragão! O jogo às 15 horas não trouxe muito mais gente, visto que este FCPorto de Conceição chama sempre muita gente ao estádio. Mas trouxe mais famílias, mais crianças e um ambiente que gostaria de ver repetido tantas vezes quanto possível. E este é um alerta que deixo. Conceição tem vindo a queixar-se da marcação dos jogos e que esta aperta ainda mais o calendário. Por coincidência, o  jogo de Domingo foi o primeiro jogo àquela hora em largos anos anos e foi antes do jogo do Benfica, algo que também não acontecia há largas jornadas. Não vejam aqui uma teoria da conspiração. Simplesmente um dos nossos concorrentes diretos tem maior poder na marcação dos seus jogos em casa, porque não está limitado ao operador que transmite os jogos. Por muitos milhões que se receba do contrato com a MEO ou Altice, nós só vendemos direitos e a Sport tv faz o que quer com eles. Isto não pode continuar. E o pior é que os tipos da Uefa fazem igual com os direitos deles. Vendem à eleven sports e os tipos que se arranjem. Entrando no domínio do romantismo, tanto na Uefa como cá, não há a mínima preocupação com os adeptos. Isso vê-se na hora dos jogos e vê-se nas transmissões manhosas e com delay da eleven sports. Tudo isto por causa de conceitos publicitários e de audiência que até podem estar ultrapassados. Será que temos mais gente a ver os jogos se eles forem transmitidos domingo à noite ou às 15h? Será que vai haver mais gente a ver um Moreirense-Tondela se só estiver a ser transmitido esse jogo? Temos tanta vontade de seguir o exemplo inglês numas coisas e noutras... Enfim, fica o desabafo...

Vamos ao jogo. Mais uma vez começámos a perder. Tal não implica que tenhamos começado mal. Entrámos bem no jogo e o golo surge de um erro de Corona, muito bem aproveitado pelo Rio Ave. Mas estávamos bem no jogo e isso notou-se porque a reacção seguiu o mesmo tom que vinha seguindo até então. Sem Oliver os extremos colocaram-se muito por dentro para povoar o miolo e foi aí que surgiram os golos. No primeiro, Brahimi recebe no meio e dribla pelo meios dos adversários até ao passe de ruptura e no segundo Marega aproveita o espaço que Corona deixou na ala para romper até ao golo. Como já referi, o próprio golo do Rio Ave surgiu do posicionamento interior e das tarefas organizativas atribuídas a Corona. Até ao intervalo o jogo foi seguindo sob controlo com oportunidades regulares e alguma ineficácia que fez com que o resultado se mantivesse com uma vantagem mínima. Não estávamos a contar que essa vantagem mínima se mantivesse até ao final. E deu para sofrer um pouco. Não que o Rio Ave tivesse sido muito perigoso. O problema é que, mais uma vez, tivemos dificuldade em ter bola, o que fez com que o Rio Ave tivesse muita bola nesse período. E disto resulta um ciclo vicioso: a equipa cai de rendimento porque está cansada e passa a ter menos bola. O adversário sobe no terreno e na moral, por ter mais bola no Dragão. Em resultado, a equipa fica ainda mais cansada porque se corre mais sem bola do que com ela, e assim sucessivamente. Conceição reagiu tarde a esta tendência e Oliver entrou quando o jogo já estava a pender para o Rio Ave e quando a maior parte dos colegas já estava de rastos. Ainda assim notou-se qualquer coisa e espero que sirva de lição. Neste momento, só existe no plantel uma opção de meio campo que nos garante maior controlo sobre o jogo e sobre a posse de bola. Perante o cansaço e o acumular de jogos, a tendência do treinador é para lançar jogadores mais robustos. Mas será que melhorámos? Nos jogos em que Oliver foi substituído mais cedo, melhorámos em algum aspecto relevante do jogo? Tivemos mais oportunidades, mais posse, mais duelos ganhos? Avancámos ou recuámos no terreno? Sérgio Conceição tem de escolher de uma vez por todas: ou opta por uma solução estrutural com Oliver ao leme da equipa ou opta por uma solução conjuntural e paliativa de ir refrescando a equipa com jogadores mais fortes fisicamente, à medida que se vai notando desgaste. Começo a duvidar cada vez mais que Conceição tenha percebido os efeitos da entrada de Oliver no onze e que esteve na génese desta série de 15 vitórias! Até me parece incrível que esteja a duvidar da própria solução que implementou. Oliver e Brahimi são os únicos jogadores que conseguem temperar este futebol de ímpeto de Conceição. No ano passado Brahimi conseguiu carregar nos ombros essa responsabilidade. Este ano não estava a conseguir e temo que volte a acontecer, se não se regressar ao esquema que nos pôs nesta dinâmica de vitória. Já sei que há sempre malta que julga que não se pode levantar problemas ou dúvidas quando estamos a ganhar. É um erro! É uma óptima altura para questionar o que está mal e prever o que de mau pode acontecer em consequência. É uma óptima altura para implementar os ajustes que tornam a equipa mais forte.

Individualmente, torna-se difícil escolher um MVP, porque a segunda parte cinzenta da equipa fez com que a qualidade das exibições baixasse a pique. Na dúvida dou sempre o MVP ao maior artista, Brahimi. Mas Marega também seria um bom candidato. Pela negativa poderia falar de Corona que teve o azar de fazer um erro que resultou em golo sofrido. Felipe fez dois passes igualmente horríveis e nenhum resultou em grandes apuros. Às vezes é uma questão de sorte... Adorei a garra de Maxi até ao final e continuo muito preocupado com a fomra física de Alex Telles. Até Danilo pareceu que estava limitado pela lesão que o afligiu durante a semana.

A série continua, mas os resultados continuam a sair bastante apertados. Dá a ideia que 50% da eficácia do Benfica no último jogo e do Sporting nos três ou quatro anteriores, nos daria o resultado gordo que precisamos neste momento. Estou mesmo convencido que uma goleada poderia estender esta série até Alvalade. E dava jeito que fosse já no Jamor!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Catorze


A série já vai bem longa e à medida que se vai alongando, vai sendo cada vez mais saborosa e cada vez mais exigente. Passo a explicar. Os jogos têm-se acumulado e apenas num deles, na Turquia, não havia uma obrigação imperativa de ganhar. Já sei que temos de entrar em todos os jogos para ganhar e yada, yada, yada... O que pretendo destacar é uma ideia que já aqui abordei de que esta fantástica série de vitórias não nos trouxe grande folga. A vantagem no Campeonato não é confortável e mantém-se igual há várias jornadas. Na Taça de Portugal temos apanhado equipas de Primeira Liga e na Taça da Liga, o deslize com o Chaves, faz com que o jogo no Jamor seja decisivo. Isto torna difícil de gerir o descanso de alguns jogadores nucleares, que têm jogado sempre, e que já demonstram algum cansaço como Alex Telles, Felipe, Marega e Danilo. Este último, juntamente com Otávio, são já as primeiras preocupações com lesões que aparentam ser resultado de excesso de jogos. Mas a série está viva e há que alimentá-la!

Por falar em lesões, o jogo de hoje foi pródigo em peripécias. Desde logo, o adversário criou alguns problemas defensivos e marcou em alturas muito complicadas. Marca logo no início, para desestabilizar. Depois empata nos descontos da primeira parte, mudando toda a configuração da segunda. Por último, marca nos descontos da segunda parte, para manter a incerteza no resultado até ao final. E ainda se fica com a sensação que dois dos golos do Moreirense são daqueles para os empresários colocarem nos primeiros segundos do vídeo de apresentação dos jogadores... Que golaços! Pelo meio, vimos um festival de golos falhados, na primeira parte, e uma clara quebra física, na segunda. As lesões vieram agudizar os problemas visto que Conceição apenas teve a possibilidade de fazer uma substituição por sua própria iniciativa. Isso não permitiu combater convenientemente o cansaço notório da equipa. Enfim... Um experimentado autor de thrillers não escreveria um guião muito diferente... Mas a série está viva e há que alimentá-la!

Falando um pouco mais do jogo, gostei da reação da equipa ao golo que sofremos cedo. Mas não gostei nada da apatia que se seguiu ao 3-2. O que vi foi muita intranquilidade, quer a defender, quer a sair com a bola do guarda-redes. Vi apenas os quatro defesas a trocarem a bola entre si até que os adversários apertavam e obrigavam a jogar longo. Uma incapacidade notória de gerir o jogo com bola. Sei que faltava Oliver e sei que o cansaço foi um factor importante, mas é sempre mais fácil descansar com bola e a equipa tem de conseguir fazê-lo nestas circunstâncias.

Individualmente, dou o MVP a Marega. Já sei que falhou golos imperdoáveis, mas marcou outros dois e criou várias situações de perigo para ao Moreirense. É dos jogadores em melhor forma neste momento e tem mostrado coisas novas nos últimos tempos. Brahimi entrou a tempo de fazer duas excelentes assistências que ajudaram a decidir o jogo. Hernâni parece que foi perdendo o gás do golo do Bessa. Entrou muito bem fazendo uma boa primeira parte. Na segunda parte, acumulou algumas asneiras e não ajudou convenientemente Maxi. E já sabemos que o Maxi de hoje em dia precisa de muito apoio... Mas Alex não está muito melhor. Já não consigo distinguir o que é cansaço e o que é falta de confiança. O que sei é que está a jogar muito menos do que o que jogava. É verdade, no entanto, que ele compensa muito com a qualidade das bolas paradas. Com esta permeabilidade pelas alas, os centrais também se começam a ressentir e a fazer mais erros. Fabiano foi outro grande foco de instabilidade. Se a dificuldade dos adversários continuar a aumentar, vai perder o lugar nestes jogos da Taça. Por último destacaria Adrian e André Pereira. Ambos jogadores que não comprometem, que fazem coisas interessantes no jogo, mas que não entusiasmam. E assim , manter-se-ão pelo banco...

Grande iniciativa a de marcar o jogo de Domingo para a 15h! Espero que esteja bom tempo e que o Dragão possa encher para empurrar a equipa para a décima quinta vitória consecutiva! A série está viva e há que alimentá-la!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Treze




Obrigado ao Prata e ao FCPorto por facilitarem o título da crónica! Esperemos que continue assim tão fácil nos próximos tempos…

Fácil é o que não foi o jogo para o nosso clube. O onze apresentado por Sérgio Conceição, tendo por base o último do campeonato, teve uma meia-surpresa: depois da desconsideração da substituição de Oliver ainda na primeira parte, não contava que tornasse a ser opção neste jogo. Ele, que apareceu com outras funções face ao último jogo no Dragão, colocando-se muito mais perto de Danilo e deixando o primeiro apoio aos avançados para Herrera. Corona tornou a ocupar a lateral defensiva proporcionando outro tipo de soluções ofensivas à equipa mas, defensivamente, traz outro tipo de preocupações. Ainda comparando com o último jogo no Dragão, foi Marega que jogou mais descaído para a direita mas fletindo muito para o meio para Corona explorar o flanco.

E desta vez até entramos bem na partida, conseguimos muitos cantos, tivemos sempre muito perto da baliza adversária e até o golo anulado a Soares dava a sensação que o golo podia surgir a qualquer instante. No entanto, as constantes paragens, fosse para assistir os adversários ou para consultar o VAR, quebravam constantemente o ritmo da partida e, já antes do golo inaugural, o Santa Clara já mostrava algum afoito (belo termo!) quando Militão sacou uma bola que se encaminhava para a nossa baliza.

Apesar de arriscarmos muito mais pela ala direita com Corona projetado ofensivamente e obrigando Felipe a atenções redobradas, foi pelo nosso flanco esquerdo que o Santa Clara criou as melhores situações. No tal lance que Militão evitou e no golo sofrido. Oliver ainda foi à dobra mas sem a intensidade que o estava a caracterizar até então na recuperação da bola, permitindo o cruzamento e a bola ainda sofreu nele um ligeiro desvio que deixou sem reação a defensiva do Porto, servindo de atenuante à marcação de Felipe.

Otávio salta para aquecimento e o que passa pela cabeça é que «talvez Oliver se livre de nova substituição na primeira parte mas do intervalo não passa se isto continua assim». Não continuou ‘assim’, o Porto reagiu bem, chegou ao empate após grande remate de Oliver mas não o livrou de nova saída. É claramente o elo mais fraco para Conceição. Não deve ser fácil para um jogador saber que após dois ou três erros está logo na calha para ser substituído…

Otávio assume a ala direita, Soares e Marega ficam mais juntos na frente e as despesas do corredor central para Herrera e Danilo. Tivemos a felicidade de marcar dentro do primeiro quarto-de-hora e podíamos ter ficado bem mais descansados se Brahimi concretiza, logo a seguir, a grande iniciativa individual após passe sublime de calcanhar de Soares.

A partir daí, nunca tivemos o controlo do jogo e foi preciso ter um Iker tranquilo e seguro mesmo a sair dos postes. Não sei porquê mas teimamos em fazer faltas estúpidas já perto da área quando os nossos adversários estão de costas para a baliza. E foi assim que terminou a partida, com um livre lateral a terminar uma partida de sofrimento,

É algo preocupante como não conseguimos controlar melhor a partida quando estamos em vantagem, foi assim na Turquia mas aí demos a desculpa dos elementos utilizados menos rotinados; neste caso, vamos dar a desculpa do cansaço e do estado do terreno que também não favorecia a nossa forma de jogar.

Os destaques vão para a dupla Iker e Felipe na defesa e Marega e Soares na frente. Tendo em conta o golo (bem) anulado, o golo marcado, a ação preponderante no segundo golo e até aquele toque de calcanhar para a melhor oportunidade na segunda parte, dou o MVP a Soares.

A equipa precisa mesmo de descansar mas a má notícia é que, a eliminar, temos já um jogo na terça e, outro, no domingo… A boa notícia é que são ambos no Dragão e aí o Mar Azul pode ajudar a esta corrente vitoriosa!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Doze


E vão doze vitórias seguidas em todas as competições! Esta é já uma das melhores séries da história do clube e pelo meio houve quatro jogos na Champions League! É, de facto, um feito incrível a adicionar à passagem em primeiro lugar, ao recorde de pontos nesta fase da prova e aos recordes individuais de Marega e Casillas. É certo que não nos resta outra alternativa senão a de continuar a série. Isto porque a Champions fica para trás, e passaremos a concentrar as nossas atenções em competições internas, em que não temos  muita folga. No Campeonato temos 3 adversários diretos muito perto, a Taça é uma competição a eliminar e, na Taça da liga, será obrigatório vencer com um resultado robusto, para continuar na prova.

Vamos ao jogo. Desde já confesso que apenas vi partes. Este horário é horrível. Vi com mais atenção a primeira parte que, ao que sei, foi a melhor parte do nosso jogo. Isso não diz muito do resto do jogo, visto que o que vi não foi grande coisa. Mas será que tínhamos condições para fazer muito melhor? Julgo que não. Os mais críticos apontam dois pecados à nossa exibição: pouca bola e oportunidades de golo e defesa muito recuada. Por um lado, Conceição poupou vários titulares e, como já tinha dito aqui, acho muito bem. Até acho que podia ter poupado mais, sobretudo Alex Telles, Danilo e Marega. Mas se com eles foi difícil, que faria sem eles? Assim, Conceição apresentou um onze em que faltava o nosso melhor central e em que sacrificava toda a nossa criatividade. Não havia Oliver, nem Brahimi, nem Otávio, nem Corona. Apesar de os nossos avançados, sobretudo Marega e Hernâni terem inventado dois golos, a equipa teve sempre muita dificuldade em ter bola e segurar o jogo no meio campo ofensivo. Tem a ver com as características dos jogadores que apresentámos. Mas isso contribui decisivamente para que a equipa recue quando pressionada. Assim, a forma como decorreu o jogo decorre muito mais da equipa que apresentámos do que de erros individuais de jogadores, sejam dos habituais titulares, sejam dos habituais suplentes. Sérgio arriscou pôr a equipa a sofrer e saiu-se bem. Prioridades! Era mais importante descansar alguns jogadores. Todos lembraremos mais facilmente a vitória, do que as dificuldades que a equipa sentiu. 

De resto, tenho apenas duas notas. Em primeiro lugar, a arbitragem foi bem fraca. Demasiado para este nível. Depois vi alguns comentários paternalistas sobre a exibição de Diogo Leite: «não esteve nem muito bem, nem muito mal e até é normal por causa da idade». E depois há idiotas que vêm com a ideia de que sempre que o miúdo joga sofremos mais golos. Esses vou ignorar, mas registo que sempre que aparece um miúdo bom das equipas jovens, há duas correntes: os que quase ejaculam sempre que toca na bola e os que o fazem a cada vez que ele comete um erro, por pequeno que seja! Diogo Leite, não jogava pela A desde Setembro, fez uma exibição ao nível do resto da equipa e até com menos erros que os colegas de defesa. Maxi, esteve mal nos dois golos sofridos e no penálti que o Galatasaray falhou. Felipe tem mais uma abordagem desastrada no lance do primeiro golo sofrido. Grande parte das jogadas mais perigosas do adversário vieram do lado de Alex Telles. O Diogo teve Erros? Claro! Mas porque é que estão à espera dos erros do miúdo para vir com aquelas frases intragáveis do «eu sempre disse»? Quanto valerá o Diogo ao lado do Militão? Quanto valerá o Diogo se for integrado numa equipa solidificada com a confiança de trazer 12 vitórias seguidas? Já vimos esse Diogo? Que mesquinhez...

Individualmente dou o MVP a Marega. Está em boa forma e teve uma tarefa hercúlea de concentrar em si 90% das nossas despesas ofensivas na segunda parte. Foi também o jogador que, do meio campo para a frente, teve mais capacidade de reter bola e arrastar a equipa consigo. Essa foi uma lacuna no nosso jogo e o motivo pelo qual não consigo dar grandes notas aos jogadores do meio campo e do ataque. Convém no entanto distinguir que Hernâni esteve bem melhor que Adrian Lopez. Além de que foi muito mais decisivo no resultado. Pela negativa, os nossos laterais que foram os mais fustigados e não lidaram bem com isso. Alex ainda não arrancou uma daquelas exibições do ano passado, mas o homem não descansa...

O jogo nos Açores é, mais uma vez, decisivo. Os adversários diretos, bem ou mal, não desarmam e nós temos de continuar a colocar pressão até termos uma vantagem mais confortável ou até ao jogo em Alvalade.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Onze


A série continua! Esse será talvez o facto mais relevante do jogo da passada sexta-feira. Ainda por cima, as características do jogo na Turquia tornam mais provável que a série fique por aqui. Não existe a obrigação de ganhar e Conceição deverá dar minutos a jogadores menos utilizados, minutos que serão preciosos na sua gestão do plantel. Já sei que há aquela malta que fala do dinheiro e os que insistem naquela frase feita que insiste que «em todos os jogos, é para ganhar»! A lógica de Conceição é a médio prazo e ele precisa de um plantel saudável e competitivo para atacar o resto da época.  Isso já se notou na convocatória e eu concordo.

A exibição voltou a não ser famosa... Mas voltámos a ter muitas oportunidades para marcar e fomos ligeiramente mais eficazes do que no Bessa. Começámos muito mal! Fez lembrar, um pouco, a entrada em campo com o Schlake04 no Dragão. A diferença é que me parece que o Portimonense tem jogadores mais talentosos na frente e um futebol muito mais atrevido. Com o golo sofrido e outros sustos que se seguiram, a equipa acordou e passou a ser mais intensa. Não passou a jogar bem. Mas bastou esse acréscimo de intensidade para que passasse a controlar as operações e para que as oportunidades de golo se sucedessem. Ao intervalo, o resultado já era escasso para o que o FCPorto criou e, depois do intervalo, chegámos à goleada com naturalidade e podiam ter sido mais.

A propósito desta nossa reacção ao golo sofrido, quem me lê com frequência já adivinha que vou ter de falar da substituição de Oliver. Também é fácil de adivinhar que não gostei nada da substituição. Comecemos pelos motivos técnicos que se aplicariam à substituição de qualquer jogador nestas circunstâncias. Faltavam 5 minutos para o intervalo e estávamos empatados. Ou seja, a mudança não era urgente nem pelo resultado, nem faz grande sentido gastar uma substituição assim. Ou se faz aos 30 minutos, para tentar mudar algo até ao intervalo, ou mudámos no intervalo e podemos planear toda a segunda parte com todo o grupo. Além disso, a equipa estava a crescer nesses últimos 15 minutos da primeira parte. Foram várias as jogadas em que estávamos a meter jogadores da cara do redes contrário e, defensivamente, o Portimonense já não estava a criar perigo. Ainda por cima foi troca por troca. Assim, tal como seria de esperar, não se notou grandes alterações no nosso jogo. Herrera teve apenas tempo de falhar um passe e recuperar umas bolas, semelhante Oliver vinha fazendo e o faria se estivesse em campo. Até aqui, julgo que todos poderão concordar que esta substituição foi um absurdo. A partir de agora vem a parte em que muitos poderão discordar. Para mim, esta substituição, naquele momento, é assustadora porque me deixa a ponderar se Conceição percebeu mesmo o que aconteceu à equipa desde que Oliver entrou no onze... Será que é daqueles que acha que Oliver evoluiu muito em termos de agressividade ou será que ele é daqueles que acha que Oliver joga sempre da mesma maneira e que foi por isso que o sistema geral evoluiu? Fico na dúvida. O resto não me assusta. O jogo era no Dragão, Herrera é um bom jogador e a equipa não se ressentiu neste jogo. Também não me aprece que tenha ficado melhor... Poderia preocupar-me o facto de  Oliver poder perder um pouco de confiança, mas parece-me que ele não é desses. Preocupa-me é a conceção de jogo. Será que Oliver entrou na equipa porque Sérgio queria que o sistema evoluísse ou porque Herrera não podia jogar, por lesão ou quebra de rendimento? Isso já me tira o sono...

Individualmente dou o MVP a Brahimi. Um dos motivos que tornou inócua a substituição de Oliver, foi o facto de Brahimi ter assumido neste jogo quase todas as nossas despesas ofensivas. Já não fazia uma exibição destas há algum tempo. Tal facto só valoriza a série que a equipa vem fazendo e o impacto que Oliver tem tido na equipa. É especulação minha, mas arrisco que o FCPorto do ano passado não teria passado bem, com o Brahimi que vimos nos últimos jogos... Marega seria também uma escolha óbvia para MVP. Tem vindo a crescer nos últimos jogos mas pareceu que falhou o hat trick por fadiga. Talvez fosse boa ideia fazê-lo descansar na Champions. De resto, destaco apenas Danilo. Grande jogada no terceiro golo a coroar uma exibição bem acima da média. As restantes exibições foram apenas regulares e oscilaram com a equipa. No início estiveram mal e no final recuperaram. Destaque apenas para Alex Telles e Felipe. O primeiro tem uma abordagem péssima no golo sofrido. Quem não se lembra, não vá rever... Muito feio! Felipe inventou a polémica neste jogo. Já sabíamos que há clubes que estão especialmente atentos a tudo o que se passa nos nossos jogos em termos de arbitragem. Pois Felipe conseguiu, na mesma jogada, entregar a bola ao jogador mais perigoso do adversário e ainda lhe deu um toquezinho na área. Eu não sei se o toque é suficiente para penálti. O que sei é que é suficiente para alimentar a estratégia desesperada do Benfica.

A esse propósito, não deixa de ser muito engraçado comparar as análises que se fazem a estes dois lances dos últimos dois jogos e as que se fizeram no ano passado e no ano anterior, quando éramos nós a reclamar penáltis e prejuízos sucessivos. É giro perceber o que agora são as certezas inequívocas. Eu achava exagerado quando reclamámos às dezenas de penáltis nas duas épocas anteriores. Não que achasse que não eram penáltis. Apenas porque sabia que, nestes casos, o exagero dos números acaba por ser contraproducente e mais fácil de atacar pelo gozo. No entanto, se os critérios que se estão a utilizar agora tivessem sido os nossos, a lista seria muito maior... Conceição terá de estar atento, porque vêm aí arbitragens assassinas. Teremos de estar bem melhor do que o que estivemos nestes últimos dois jogos!

Nota adicional para Jackson Martinez. Foi bonita a homenagem do Dragão. Apenas não gostei das sensações de nostalgia que me atacam quando o vejo jogar. Vêm-me ideias como: «este gajo, coxo, tem muito mais classe qualquer dos nossos avançados» ou «o que seria o FCPorto de Conceição com um avançado destes»... Muita sorte, campeão!

Na Champions teremos um jogo em que tolero que se esteja a pensar já no jogo seguinte nos Açores. Esse é o jogo que interessa nesta semana visto que esta série de vitórias foi saborosa, mas ainda não nos deu uma vantagem confortável no campeonato! Que jogue o miúdo Diogo Leite!


segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Karma com H


Já sabemos que, para o país futebolístico representado nos media, o jogo de hoje vai ser resumido a duas jogadas: a do penálti de Brahimi e a do golo salvador de Hernâni. Os portistas viram mais que isso. Viram, desde logo, um Boavista ao seu nível habitual, em jogos contra o FCPorto. Equipa ultra defensiva, com agressividade para além dos limites, anti-jogo e muito mergulho. Nada que surpreenda. Aliás já devíamos estar habituados, mas dou por mim nestes jogos a ter sensações que é raro ter: Contra estes gajos, havíamos de ganhar depois da hora com um golo com a mão, em fora de jogo, marcado por um jogador que deveria ter sido expulso!

Passadas uma horas, mais recomposto do susto e da revolta, tenho de dizer que continuo com a minha argumentação habitual: será que o Boavista tem culpa? Não é bonito jogar assim, mas também não é bonito termos equipas no mesmo campeonato, com tamanha disparidade de recursos técnicos e financeiros. Aceito que cada equipa jogue com as suas limitações e tente aproveitar tudo o que lhe dão. Quem tem mais responsabilidade nisto são os árbitros. Um critério disciplinar regular teria evitado, quer a espiral de agressividade que se viu, quer o avolumar de faltas e de interrupções do jogo a que assistimos. Quantos foram os lances em que os nossos jogadores passavam e eram carregados fora de tempo? Até Casillas apanhou duas cacetadas dessas! E quantos foram os lances em que driblámos e ultrapassámos jogadores do Boavista que depois agarravam e abraçavam por trás? Quantos destes lances resultaram em amarelo nos primeiros 60 minutos? Um? Fomos altamente prejudicados e vamos passar a semana a ouvir o contrário por causa do penálti parvo do Brahimi. 

Também fomos muito superiores ao adversário e vamos passar a semana a ouvir que tivemos estrelinha. E tivemos! Mas foi preciso ter estrelinha porque antes tivemos um azar danado... Faz parte do jogo e este ano estamos a ficar especialistas em desfechos épicos no final dos jogos. Já tinha sido assim em Belém, na última jornada com o Braga e agora no Bessa. Mas o jogo de hoje foi bem mais desequilibrado para o FCPorto. No geral, fizemos um jogo tecnicamente fraco, mas isso não impediu que tivessemos uma quantidade invulgar de lances de golo iminente, que desperdiçámos. Mas não me preocupa tanto os golos que falhámos por azar. O que me preocupa são os golos que falhámos por limitações técnicas dos nossos jogadores. Na primeira parte Herrera quase perde um lance de golo porque tenta cabecear uma bola rente ao chão. Mas conseguiu fazer pior na segunda parte com um cruzamento em que nem acertou bem na bola quando estava na cara do golo. Felipe fez um pouco melhor com dois cabeceamentos na segunda parte mas, no primeiro, se tentasse cabecear para o chão, como mandam as regras, não teria falhado. Isto já para não falar do pior falhanço de todos, o de Soares. Incrível! Isto para dizer que nos orgulhamos do facto de Conceição conseguir tornar este FCPorto numa equipa competitiva, apesar de notarmos algumas limitações no plantel, nomeadamente na técnica individual de alguns dos nossos titulares. Eles têm sido capazes de ultrapassar tudo isso. O problema é que às vezes essas limitações notam-se muito e hoje foi o caso... Vá lá que apareceu um daqueles heróis improváveis: Hernâni! O tal que aqui descrevi recentemente como «tão útil como um umbigo no meio das costas»... Sou um asno! E o herói improvável até podia ser outro: Adrian Lopez...

A propósito das cartadas que Conceição lançou no jogo, não pude deixar de notar que saíram 3 dos nossos jogadores mais talentosos com bola. Soares foi uma aposta natural e talvez tardia. Há quem diga que deveria ter entrado de início... Tendo a concordar. Mas não posso deixar de registar esta tendência de Conceição perante um jogo que se complicava. Dá um sinal à equipa de que não quer mais "rodriguinhos" e é para apostar no jogo o mais direto possível. Aqui tendo a discordar. Prefiro manter em campo muito jogadores com capacidade para pensar o jogo. Mas resultou. Tivemos muitas oportunidades, mesmo na parte final e os factos acabam por dar razão ao treinador.

Individualmente, não me parece que tenham havido grandes exibições. Sendo assim, faço o impensável que é dar o MVP a Hernâni. Todos os jogadores tiveram coisas boas e más. Danilo esteve bem mas mostrou também alguma intranquilidade. Oliver teve fases boas no jogo mas também teve fases em que fez passes longos sem nexo. Herrera este bem na luta do meio campo, mas péssimo na finalização. Brahimi teve bons lances mas também faz um penálti ridículo que nos causaria muitos problemas, se assinalado. Marega jogou bem mas acaba por fazer poucos remates para quem joga sozinho na frente.  Os laterais acabaram por não ser tão ofensivos como Conceição gostaria. E os centrais lidaram bem com aqueles avançados chatos, mas também tiveram os seus deslizes. Sobra Hernâni que teve uma primeira jogada que foi ridícula! Mas antes do golo, já tinha assistido Soares para o falhanço da noite. Entrou muito bem!

Mantivemos a custo esta série de vitórias. No Dragão esperamos uma vitória mais tranquila, para a décima primeira...