quinta-feira, 2 de junho de 2016

O pai, o filho e o Nuno


Nível humorístico no título: elevadíssimo!

Pela imprensa, o processo foi conturbado. O pai queria um, o filho queria outro, o Antero queria outro... Uma confusão! Pelo que nos diz o Presidente, o processo foi calmo e resolvido à primeira tentativa. A verdade deverá andar algures pelo meio...

A verdade é que se volta a recorrer a um homem de Jorge Mendes para dar a volta a um ano horrível. Já sei que os portista falam de três seguidos, mas o ano do meio, mesmo sem títulos, foi bem melhor que o ano de Paulo Fonseca/ Luís Castro e que o segundo de Lopetegui/Peseiro. Há dois anos, todos diziam que precisávamos de um perfil ambicioso para reformular plantel, espicaçar os jogadores acomodados e para projectar o futuro. Jorge Mendes colocou cá um treinador seu para aproveitar a habitual rampa de lançamento. Passados dois anos, as necessidades mantém-se, com a agravante de a seca de títulos se ter prolongado. O 'amigo Jorge' volta a ajudar colocando cá o seu cliente nº1 (em antiguidade, não em notoriedade). O Mendes ajuda muito! Espero que lhe paguemos a comissão em letras, para descontar daqui a um ano. Depois, logo se vê...

Vamos a Nuno Espírito Santo. Comecemos pelas vantagens. É um ex-jogador, com muitos anos de casa e ex-capitão. Por muito que não fosse um líder em campo, lembramo-nos que pouco jogava, era um líder natural de balneário. Esta é uma característica que aprecio nele e difícil de encontrar no mercado actual. Isto porque outros nomes que apresentam esta conjugação de características, como Jorge Costa ou até Domingos, por exemplo, estão em fases de estagnação das suas carreiras. Nuno não está, por muito que tenha falhado no segundo ano no Valência.

Em termos de currículo, tivemos um ano de estreia muito bom no Rio Ave,  e um ano menos bom, mas com duas finais de Taça para compensar. No primeiro ano de Valência ficou em quarto lugar a um ponto do Atlético de Madrid de Simeone. Bom! No segundo ano começou mal e poderá não ter tido tempo de recuperar. Os dois treinadores que o substituíram, fizeram bem pior. Quando saiu estava em 9º a 2 pontos da Europa, e terminaram 12º a 14 pontos... Ou seja, em termos de currículo como treinador principal, não será pior que grande parte das opções anteriores para o cargo. Antes pelo contrário. 

Mas arrisco dizer que o currículo tem importado muito pouco nas últimas escolhas de Pinto da Costa. Já desisti de tentar avaliar por aí. Ele opta mais pela personalidade e carisma e, estatisticamente e mesmo contando com os últimos três anos, tem-se dado bem. Dá a ideia de preferir isso às próprias ideias de jogo, visto que aposta em gente com currículo curto e ideias de jogo em fase de consolidação. Como jogam as equipas de Nuno? Podemos dar palpites, mas não chegamos lá. Importam as características pessoais. E quais são as características que mais se destacam? Feitio vincado, mas expresso com tranquilidade. Discurso pausado mas forte, às vezes a roçar o paternalismo e até a arrogância. A isto temos de juntar ao facto de ser um ex-capitão com ligação quase umbilical ao maior empresário de jogadores do mundo. Ideias de jogo? Só a partir de Julho, mas iremos ter algumas noções pelo andamento do mercado, nomeadamente a política de dispensas, empréstimos e contratações.

Veredicto? Só no fim dos primeiros jogos. Lá para Setembro/Outubro. Uma aposta arriscada, como já é habitual. Para já, como sempre, terá o nosso apoio incondicional!