segunda-feira, 26 de março de 2007

Valdano, 'El Filósofo'


Nunca consegui perceber como um jogador como Valdano se conseguiu tornar provavelmente no maior pensador do futebol dos tempos modernos. Quem vê aquelas saudosas transmissões dos clássicos dos mundiais, aquelas fortíssimas equipas da Argentina de Maradona, dificilmente repara noutro jogador. Todos torciam pelos outros argentinos, mas sobretudo para eles fizessem chegar a bola o mais rapidamente possível ao grande génio. Dificilmente reparamos em Valdano. Ele até jogava mais adiantado que Maradona, mas tal como o resto da equipa jogava apenas em função da estrela da companhia. Limitava-se a desmarcar-se para o lado contrário na esperança de conseguir mais espaço para que o melhor jogador de todos os tempos continuasse a encantar o mundo. No entanto, não consigo deixar de pensar no que aconteceu a estes dois depois de largarem o futebol como jogadores. Como é possível que o melhor jogador de todos os tempos não consiga transportar para o discurso todos os conhecimentos que práticos que tem. Que maldição é esta que faz com que os mais habilidosos não consigam nunca exprimir o futebol sem ser com os pés. Alguém já ouviu o Eusébio teorizar sobre os movimentos ofensivos da Selecção Nacional? Não deveria ter algo para ensinar? Aliás lembro-me de uma situação caricata no Euro 2004 com Eusébio a gritar quase dentro de campo para o frangueiro Ricardo ficar no meio da baliza. Como é óbvio, Ricardo não seguiu o conselho daquele que é considerado o melhor jogador português de todos os tempos e atirou-se para a sua esquerda e Portugal passou às meias finais do torneio... Se pensarmos bem, dos grandes jogadores de todos os tempos, apenas se aproveita a cabeça de Johan Cruyff como treinador, Pele como político, Platini como dirigente e Beckenbauer nos três papeis... No entanto, destes só Cruyff Contribuiu para embelezar o jogo. Só este pôs os seus conhecimentos e talento ao serviço do bom futebol. Ele e Valdano...

Tendo uma boa carreira como futebolista, ele vai ser sempre recordado como um dos melhores, se não o melhor, a descrever a beleza do jogo. O melhor também a desmascarar esta mania do futebol actual de sacrificar o bom futebol em nome da prudência, da falta de ambição e do pontinho... Sou um leitor assíduo da sua coluna no jornal a bola e assisto todas as semanas à sua luta contra a hipocrisia máxima do futebol actual: Jogar em função do resultado. No texto desta semana, Valdano descreve em poucas linhas porque é que o nosso FCPorto ficou pelo caminho em Chelsea e, sobretudo, porque perdeu com uma equipa de talento apesar de tudo inferior como é o Sporting.

Bons e maus

«Há algo de heróico quando uma equipa modesta como o é a do Recreativo de Huelva procura ganhar jogando bem, e há muito de realização quando o consegue uma equipa com grandes talentos como o Barcelona. Os dois são pedagógicos, porque nos ensinam que se pode sair de pobre (Recreativo) ou ser milionário (Barcelona) jogando decentemente futebol. Mas são maioria as equipas que jogam aproveitando os erros dos contrários. Armam-se da paciência e aproveitam-se do cansaço e das distracções do rival para o matar num contra-ataque. Estas equipas sacrificadas que acumulam gente no seu próprio meio campo são elogiadas porque «estão bem trabalhadas» e «sabem o que fazer tacticamente». Mentiras que se foram impondo como verdades à força de serem repetidas. Mas as equipas trabalhadas são afinal aquelas que sabem jogar com e sem bola; as que se estendem quando a recuperam e se encolhem quando a perdem, como se fossem um acordeão de 11 homens. Neste caso estão Barcelona e Recreativo... Acordeões de onde nem sempre sai música, porque jogar bem não é fácil e porque se defrontam equipas que tocam como o Manolo do Bombo.»

O que o nosso treinador tem de perceber é que não importa quantos homens se tem no meio campo. Enquanto não conseguir que a equipa se estenda como o acordeão de que fala Valdano, vamos estar sempre dependentes dos talentos individuais que possuímos. Que me interessa saber que a táctica usada no jogo com o Chelsea e na segunda parte com o Sporting, foi a mesma com que ganhamos a Liga dos Campeões? Comparem a dinâmica. Pensem no acordeão... Enquanto não tivermos esta dinâmica, resta-me esperar que joguemos sempre no 4-3-3. Assim pelo menos o Lisandro e o Quaresma sempre estão mais perto da baliza adversária do que da do Helton...

segunda-feira, 19 de março de 2007

A mania de inventar...

Com o ano de 2007 surgiram obviamente as dúvidas sobre as capacidades do professor Jesualdo e sobre a verdadeira qualidade do plantel do FCPorto... Surgiram porquê? É claro que este ano o FCPorto fez uma grande exibição (na primeira parte em casa com o Chelsea) e duas exibições razoáveis (com o Beira-Mar fora e com a Naval em casa). Tudo o resto foi por demais sofrível... Uns dizem que Jesualdo não tem unhas para o Ferrari que tem nas mãos... Outros acham que afinal ele não tem um Ferrari mas um Civic Kitado com um Pepe e um Quaresma... Para mim o professor não tem unhas! Pelo menos para já... Ainda não perdeu esta velha mania de inventar nos grandes jogos... Vejamos o que aconteceu na primeira fase da champions. No jogo com o Arsenal Jesualdo inventou pela primeira vez. Mudou a táctica, meteu Ricardo Costa e deixou o nossos miúdos perdidos lá na frente. Resultado: perdemos claramente! De seguida Jesualdo fixou um onze, e consegui duas vitórias brilhantes: Na Alemanha e na Rússia. Lá pelo meio passou pelos dois jogos com os grandes aumentando a vantagem no campeonato. Será possível que nos únicos jogos importantes desta época em que Jesualdo não inventou conseguiu resultados positivos? Será coincidência? Não me parece. É claro que esta é uma equipa talhada para o 4-3-3... Pelo menos quando temos o Quaresma ou o Lisandro para jogar. Na falta de um deles e na falta de rotina noutros sistemas é preferível remendar com um novo jogador do que com um novo sistema. E foi isso que Jesualdo fez neste jogo, mas o Alan? Porquê? Alguém encontra uma razão que seja para o Alan participar neste jogo? Seria possível ele transcender-se logo neste jogo? Era extremamente improvável... Na minha opinião Postiga ou Bruno Moraes a fazer o mesmo papel de Lisandro de falso extremo dariam melhor conta do recado. São jogadores de outra qualidade e sobretudo Postiga, é bem mais experiente neste tipo de jogos. O risco era muito menor... Mesmo assim não foi só o Alan.

No fundo, demos meia parte de avanço ao sporting. Todos sabemos que o sporting tem jogadores de grande talento, sobretudo os mais novos. Mas é óbvio que eles têm um problema claro de falta de maturidade e se as coisas começam a correr mal, todas as fragilidades vêm ao de cima. Bastava pô-los a correr atrás da bola que eles iam quebrar. Eles têm muita dificuldade sem bola. São muito fracos psicologicamente... Até um nabo vê isso! Aquele quarteto de defesas é muito fraco! Tinha de ser mais pressionado! Bastou por o Nani o Romagnoli e o Djaló sobre a esquerda a fazer meinho com o Fucile para a nossa equipa perder a organização. Como foi possivel que o jesualdo não fizesse nada para evitar isto? Era óbvio que o Assunção não tinha ninguém para marcar. Porque demorou tanto a indicação do banco para deslocá-lo para aquela zona. Porquê só ao intervalo? Por essa altura eles já nos tinham perdido o respeito. A táctica da segunda parte foi muito parecida à de Londres. A diferença é que em vez de ter o Lucho na ponta do Losango, tinha o Postiga... Longe da área... Aquele centro do Adriano é sintomático. Passamos a controlar o jogo mas perdemos a possibilidade de o ganhar... Encaixou as equipas! Como é óbvio, havia sempre a possibilidade de um golo fortuito do adversário, aliás como veio a acontecer. É o que acontece a quem tenta empatar... Em casa! Num derby! Salvaram-se as exibições da grande dupla de centrais que temos. O Raúl jogou bem, mais uma vez. Tentou reagir, rematou, foi à linha. Alguém viu o João Moutinho? Boa exibição do Raúl! Marek Cech também jogou bem apesar de não ter ninguém para marcar... Quaresma não jogou muito bem mas está em todos os lances de perigo do Porto... É imprescindível! O resto foi muito mediano e muito abaixo das reais capacidades dos jogadores.

Para mim, Jesualdo poderá ganhar o campeonato em casa do adversário daqui a 15 dias, mais vai demorar muito a apagar esta imagem que tem dado em 2007. Quebras de forma pontuais são normais em futebol. Quebras de forma que duram 3 meses não só não são normais, como demonstram falta de líder. Se não há líder no banco, tem de haver líder em campo! Tem de voltar o Vítor! Nunca pensei escrever isto mas para situações extremas, são necessárias medidas extremas!

terça-feira, 13 de março de 2007

Finalmente a magia ao fundo do túnel?

Passaram-se meses desde aquela entrada para uns "normal", para outros "na bola", para outros simplesmente "sem intenção de magoar". Esquecendo as opiniões apaixonadas da leonor pinhão, do joão querido manha, do joaquim rita e restante mouraria, e passando à opinião de gente com um numero de neurónios igual ou superior ao jaime pacheco, a entrada foi no mínimo imprudente. Desde logo, privou um campeonato fraquinho de um jogador de nivel mundial. Conveniente... Mais que a banalidade que é hoje em dia a conquista do campeonato pelo FCPorto, este ano tinhamos finalmente um novo ingrediente. Qual é o verdadeiro adepto de futebol que não rejubila ao testemenhurar o nascimento de uma estrela? Pensar que podiamos ter visto isso todos os fins-de-semana...

Mas de repente, a luz ao fim do túnel. Vem aí a magia! Segundo o Site Oficial do Clube o jurema já brinca novamente com a rapakeka. Pouco falta para que exercícios de sonolência como foi o nosso jogo deste fim-de-semana(3 ponto importantísimos!) não se repitam. Finalmente um motivo de interesse na Bwin Liga! Finalmente um motivo para o Quaresma passar a bola!(compreendo perfeitamenteo egoísmo, e se fosse eu, e se olhasse para a área e visse o Renteria e o Adriano, também preferia ficar com a bola...)

Finalmente os dois magos juntos! Mal posso esperar!

quarta-feira, 7 de março de 2007

Top 5 das Personagens Mais Odiosas da Noite Passada

Foi uma noite amarga para todos nós. Aconteceu de tudo um pouco: euforia, tristeza, revolta e resignação (Só para alguns. Não para mim...). Passemos ao top 5:

5ª Posição: Roberto Rosetti

Mais um belo exemplo em como não temos qualquer razão de queixa dos nossos árbitros. É que tal como os nossos, e tal como o arbitro da 1ª mão insistiu em intimidar o nosso melhor jogador. Aquela entrada do Essien é tão mal ou pior que a da 1ª mão e houve apenas um aviso. É de amigo ... O amarelo a Quaresma é inacreditável, e o do Fucile é muito duvidoso. Que dizer da falta marcada ao Assunção mesmo em cima da área no finalzinho da 1ª parte? Tinha dado jeito... E aquele corte cirúrgico de contra-ataque? Quantas faltas foram marcadas em lances aéreos nos últimos minutos ao Bruno Moraes? Não foi pelo árbitro, mas queria realçar que se trata de um ser extremamente habilidoso...


4ª Posição: David Navarro

É incrível a forma como ele se aproveita da confusão instalada no fim do Valência vs Inter para partir o nariz de um jogador agarrado por 5. Ainda por cima tenta sair de mansinho e consegue. Nota-se que é um jogador que aprendeu bem as lições de Rafael Benitez. E ele já saiu do Valência há 3 anos...
Mais um exemplo claro de que ontem saiu a perder o Futebol. Foi em Chelsea, em Liverpool e em Lyon. Quem joga futebol ficou por terra. Passaram os calculistas desferindo golpes nas alturas certas e saindo de mansinho. Como o Navarro... É o futebol dos nossos dias...


3ª Posição: Professor Jesualdo Ferreira

Em primeiro lugar queria dizer que para mim, e tal como prometido, acabou o estado de graça do professor. E porquê? Já a mudança radical da táctica para o jogo com o Arsenal me tinha deixado inquieto. O ensaio do 4-4-2 antes do jogo com o Chelsea deu a entender que ele iria inventar a partir daí. Confirmou-se! Em dois jogos insistiu em por Quaresma ao meio e perdeu uma boa oportunidade de eliminar uma equipa ao nosso alcance como é o Chelsea de hoje em dia. A aposta em Ricardo Costa tal como a do Adriano, para mim são inaceitáveis porque representam dois jogadores cuja qualidade não está à altura de uns oitavos da champions. Além de que seria de esperar que naquele 4-4-2 com dois gajos a correr na frente (que me fez lembrar o Salgueiros dos velhos tempos: tudo a defender e dois ciclistas lá na frente) era de esperar que os laterais subissem para haver desequilíbrios como fez o Fucile e como não fez o Ricardo Costa. Valha-nos Pepe... Valha-nos o enorme Assunção! Valha-nos o Bruno Alves! Até o Fucile esteve à altura... Porque é que saiu o tão cedo o Raul? Não sou adepto de assobios, nem de lenços brancos e muito menos de chicotadas psicológicas, mas estou a ficar apreensivo... Situação a rever nos clássicos...


2ª Posição: Helton

Que dizer das ultimas exibições do Helton. Terá sido o jogo entre Portugal e Brasil? Saiu daqui para a concentração da selecção como um dos melhores guarda-redes do mundo e voltou numa tremideira que nunca mais parou e que culminou ontem numa conclusão óbvia: Apesar de tudo, é ele o maior culpado da nossa eliminação. Relembro-vos que vimos antecipada a reforma do nosso melhor guarda-redes de todos os tempos por causa dele. Vamos ver como reage.


1ª Posição: José Mourinho

São já 3 anos de Chelsea e ao contrário do que se penseva, tem sido uma curva descendente a vida de Mourinho lá fora. O bom futebol do Chelsea do primeiro ano tem-se degradado e só a inacreditável estrelinha de Mourinho mantém esta equipa mediana, composta por grandes jogadores, no topo do futebol europeu. É confrangedora a incapacidade de construcção de jogo do Chelsea. Sempre pensei que seria Mourinho a mudar o futebol inglês e não o contrário. Eliminou-nos com um frango e dois lances de pontapé para a frente e fé em Deus. Começa a ter cada vez menos condições para ser chamado de special one. Falta magia ao seu Chelsea. Falta-lhe Deco. Falta-lhe Cristiano Ronaldo. Falta-lhe Quaresma. Mas Mourinho parece não gostar deste tipo de jogadores... O ego dele não permite... Isso significava que a essência do futebol seria o talento dos jogadores tornando banal todo o seu talento no banco. E isso, ele não engole...

sexta-feira, 2 de março de 2007

O professor tem razão...


«Acabou o tempo em que o melhor marcador terminava o campeonato com trinta golos?
Basta passarmos os olhos pelos registos dos melhores marcadores na Europa para perceber que as épocas do Gomes, do Eusébio e do Jardel fazem parte do passado. Já tivemos em Portugal um jogador que foi bola de prata com 16 golos [n.d.r. Vata, do Benfica]. Nessa perspectiva, penso que cada vez mais é difícil haver numa equipa um jogador que se destaque ao ponto de conseguir esse número de golos. Penso que vinte dois ou vinte e três já é um registo muito bom. O próprio esquema táctico do FC Porto "obriga" a esse rendimento repartido em que não aparece apenas um goleador e isso retira o protagonismo e a excelência de um só jogador.
E não aumenta a pressão sobre o avançado que não marca golos? Sim, mas é injusto. Se o Quaresma ou o Lisandro não marcarem em três ou quatro jogos ninguém questiona. Mas se quem joga mais no meio não marca já é diferente. Isso é de uma injustiça tremenda para aquilo que é o nosso processo de jogo.»

Foi assim que o professor saiu em defesa do nosso ponta de lança, que este ano renasceu das cinzas. É óbvio que um 4-3-3 faz com que os golos sejam muito mais distribuidos. Também é óbvio que dos 3 da frente temos dois para finalizar e um para assistir. No entanto, hoje em dia e com este grau de confiança, Quaresma em 10 ataques remata em 7 e passa apenas em 3. Além disso Postiga não é, nem nunca foi, um avançado fixo, preferindo deambular por toda a frente de ataque. Mas o que mais me impressiona neste avançado é a capacidade de jogar de costas para a baliza e rapidamente rodar para o remate pronto, ou para a assistência. É nisto que ele é temível. E é esta característica que mais nenhum avançado do plantel tem. Poderá não ter o poder concretizador do Adriano ou sobretudo o do Lisandro, mas o seu futebol de sustentação ajuda a empurrar a equipa para a frente e com isso aparece mais gente na área para encostar. Já sei que ele teve (ainda tem?) um problema grave de excesso de vedetismo e de falta de empenho, mas creio sinceramente que esta época ainda não vimos nada disso. Espero que seja para durar e que já no Sábado demonstre que os avançados limitados como o Adriano são bons para ter no no banco para lançar nas segundas partes.