sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Operação resgate

Um dos maiores elogios que se faz a Sérgio Conceição é o aproveitamento dos jogadores que estiveram emprestados na época anterior. Os melhores exemplos são Aboubakar, Marega e Ricardo Pereira, mas há outros como Reyes, por exemplo. Há também casos em que não se aproveitaram os jogadores, tendo-se feito boas vendas como foi o caso de Martins Indi. Nesse sentido, torna-se relevante uma peça desta semana do jornal O Jogo sobre o rendimento dos nossos emprestados. Há casos em que a possibilidade de regresso ou de venda são boas, como os casos de Gonçalo Paciência, Boly, Chidozie ou Mikel. Outros, nem por isso, mas há ali dois casos que me deixam apreensivo: Rafa e Rui Pedro.

São dois dos melhores produtos das nossas camadas jovens nos últimos anos e são dois jogadores que fizeram toda a pré-época com Sérgio Conceição, tendo sido emprestados no final do mercado e de forma algo atabalhoada. Talvez por isso, os clubes de destino não foram os melhores.

Rafa Soares foi emprestado a um clube da segunda liga inglesa que, só por acaso, está desde o ano passado, empenhado em promover o melhor talento das suas camadas jovens. Sessegnon tem 17 anos e já é campeão Europeu de sub19 pela Inglaterra. Adivinham a posição em que joga? Lateral Esquerdo... Imaginem se nos tivessem emprestado um guarda-redes no momento em que se lançou o Vítor Baía. Por muito talentoso que fosse, não iria ter hipótese de jogar muito. Rafa foi um dos melhores da Liga Portuguesa na sua posição, nas últimas duas épocas e não devem faltar interessados no seu concurso.

Rui Pedro é um caso diferente. Torna-se difícil esperar muito de empréstimos de jogadores ofensivos a equipas que vão passar a época na zona dos aflitos, como o Boavista. É uma questão de conceito de jogo. A título de exemplo, só à terceira experiência é que começou a correr melhor a Gonçalo Paciência. A forma de jogar destas equipas  poderia dar a Rui Pedro novas armas em termos de jogo defensivo e agressividade, mas nunca o poderão preparar para o estilo de jogo que se exige no Dragão. O que é que um avançado com a habilidade de Rui Pedro ganha em jogar numa equipa em que toca na bola duas vezes por jogo? Para completar, o Boavista mudou inesperadamente de treinador e contratou um dos treinadores de futebol mais antiquado e, na minha opinião, dos piores treinadores da primeira Liga. Não merece ter um talento destes nas mãos. Ainda o estraga.

Em suma, se queremos que estes jogadores voltem a ser opção, no mínimo para a próxima pré-época, teremos de os resgatar imediatamente!

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Ficam a dever-nos uma...


Tinha aqui dito que não iria fazer crónica deste jogo mas as circunstâncias mudaram muito. Por um lado, a exibição do FCPorto merece ser abordada, por outro, ambas as equipas apresentaram o seu melhor onze, algo que tornou o jogo num importante teste para o reinício do campeonato. Ainda assim o tempo escasseia e, como tal, vou organizar isto por ideias breves sobre o jogo:
- Grande entrada no jogo, com múltiplas oportunidades de golo, e com muita pressão na saída do adversário. O posicionamento dos nossos avançados e dos nossos médios causou sempre problemas ao adversário e recuperámos muitas bolas no último terço do terreno;
- Grandes exibições de Herrera, Danilo e Ricardo Pereira, mas daria o MVP ao capitão, que além das bolas que recuperou, ainda tem uma excelente assistência para golo, é protagonista na melhor jogada do encontro e fez vários passes para finalização que foram consecutivamente desperdiçados pelos avançados;
- Os nossos avançados brindaram-nos com um festival de golos falhados, que começou por ser engraçado e até empolgante. Ao décimo golo falhado perdeu a piada... 
- A esse propósito, depois do jogo com o Benfica, parecia impossível a eventualidade de vermos Marega conseguir bater essa marca de quantidade de golos fáceis falhados, num só jogo. Pois ontem foi bem pior e bem melhor. Por um lado marcou 1 e por outro falhou 5 ou 6! Mas custa criticar, porque grande parte dos golos que falhou são golos que só ele pode falhar porque nenhum outro jogador do plantel, talvez do campeonato, consegue fazer aquela quantidade de arrancadas arrebatadoras em direcção à baliza num só jogo. É fisicamente extenuante e só um 'monstro' como Marega é capaz de o fazer!
- O árbitro não desiludiu e deixou passar um penalti claro, uma patada do Ruben Ribeiro e uma outra de Soares, ambos os lances para amarelo 'alaranjado'. Mas o melhor estava guardado para Danilo. Mais uma bizarria de expulsão que só pode sair da cabeça de um gajo que ou não tem o mínimo de noção, ou não tem o mínimo de pudor. O que é que ele ganhou com aquilo? O jogo já estava decidido, ninguém compreende tamanho rigor e Danilo fica afastado de um jogo da taça da liga. Ou seja, não agrada às bancadas, não agrada ao Rio Ave, nem ao Paços que já está praticamente fora, nem a ninguém, visto que até seria provável que Danilo fosse poupado nesse jogo. Pouca inteligência...

Bem... Ficam a dever-nos uma goleada das antigas.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Tudo na mesma



Poderia destacar o facto de passarmos para 2018 na primeira posição, mas isso nem é uma grande novidade. Nestas quatro épocas de seca, tivemos uma boa passagem de ano em duas ocasiões. No segundo ano de Lopetegui até estávamos isolados no primeiro lugar. O pior veio sempre depois... Aliás nos últimos 7 campeonatos, são 5 as ocasiões em que passámos o 'réveillon' no topo da tabela, sendo que 4 delas dividimos esse topo com outra equipa. Isto para reforçar que, por um motivo ou outro, a tabela ainda não entusiasma muito. O mais importante é a força atacante que este FCPorto de Sérgio Conceição demonstra todas as semana e que entusiasma a grande maioria dos adeptos. Também é importante esta sensação que tenho de que este é um FCPorto que voltou a ser capaz de assustar os adversários. E isto não se vê na tabela.

E na tabela está tudo na mesma. Pela segunda semana consecutiva jogámos depois dos adversários directos e voltámos a responder de forma categórica.

Por falar em 'tudo na mesma', repararam como Herrera ficou 'na mesma' nos dois lances capitais do jogo em que foi protagonista? No golo do Marítimo decidiu ficar 'na mesma', imóvel enquanto 'filmava' o lance. Mais tarde, ficou 'na mesma' imóvel enquanto era calcado pelo jogador do Marítimo que foi naturalmente expulso. Ironia... Mas se Sérgio Conceição for coerente, um erro como o do primeiro golo terá de ser tratado como foram tratados os erros de Felipe, de Corona, de Oliver, ou de Casillas . Poderão relembrar que os dois primeiros perderam a titularidade depois de terem sido expulsos e que os outros dois perderam a titularidade por causa do jogo com o Besiktas. No caso de Iker é discutível que seja esse o motivo, mas é o que me parece. Será interessante ver o que vai acontecer com Herrera. Posso fazer uma previsão? Vai continuar a ser titular e vai ficar tudo 'na mesma'...

Vamos ao jogo. Pareceu-me que foi uma exibição semelhante, em termos de qualidade, ao do jogo com o VitóriaSC e, por isso, inferior às boas exibições contra o Mónaco e contra o outro Vitória. A única diferença foi o tal lance em que Herrera tem uma visão privilegiada, e em que a adversário, na única vez em que entra na nossa área na primeira parte, faz golo. É até triste que uma equipa com este futebol 'de retranca' seja premiada com um golo no Dragão, mas enfim... A vitória foi clara, sólida e entraremos em óptima posição para a jornada em que os nossos dois adversários se defrontam.

Individualmente, terei de destacar um MVP em dupla que é Marega e Brahimi. Foram duas jogadas muito semelhantes resolveram o jogo, em que a magia de Brahimi e o portento de força que é Marega combinaram na perfeição. Brahimi conseguiu segurar-se perante um árbitro que parecia fazer tudo para o irritar. O resultado não foi mais avolumado porque Aboubakar, esteve abaixo do habitual. Quem voltou a estar muito bem e muito solto foi Danilo. Pena ter falhado aquele golo de cabeça perante passe 'açucarado' de Ricardo. Por falar nele, Ricardo e Maxi têm ali um entendimento muito interessante. Tal como Soares, Corona vai ter de suar para recuperar o seu posto. Quem também vai ter de esperar é Felipe. Reyes voltou a estar muito bem e até marcou. Grande salto e grande 'tolada'! Pela negativa, a referida paragem cerebral de Herrera, num lance de apatia generalizada na nossa defesa.

Não haverá crónica da Taça da Liga, porque é uma competição que não respeito. Isso mesmo. Eu sou um desses... Ainda assim e apesar destes defeitos, desejo aos nossos leitores umas Boas Festas!

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Máquina de golos



Foram 14 golos em apenas 3 jogos e são já 64 golos em 24 jogos, numa média de 2,67 golos por jogo. São efectivamente números impressionantes! É mais impressionante se tivermos em consideração que não somos propriamente uma equipa eficaz. Continuamos a precisar de várias oportunidades para fazermos um golo. Ainda hoje, na primeira parte, poderíamos ter marcado mais 3 golos em oportunidades claras, com duas bolas ao poste e um remate de primeira de Aboubakar, num lance em que tinha espaço para tudo. Com posse ou sem posse, com mais ou menos 'nota artística' este FCPorto produz muito futebol ofensivo e muitas oportunidades de golo!

Ainda assim a exibição, apesar das muitas oportunidades que criámos, foi inferior às duas anteriores. Deu até a ideia que tínhamos alguns jogadores cansados. A título de exemplo, o Alex não estava com tanta vontade de dar opção na ala como é seu costume. Até para marcar cantos ia com menos pressa. O adversário também não esteve mal e criou alguns problemas na primeira parte. O lance do penalti é óbvio, apesar de ser uma 'nabice' tremenda do defesa. Não consigo compreender a 'lata' com que alguns tentam transformar isto e o lance da mão do Luisão em lances de análise duvidosa. Dá a ideia que vale tudo, até inventar regras e mudar interpretações que eram consensuais. Se havia lances de mão na bola em que a interpretação era fácil, era quando resultavam destas 'nabices' de tentar dominar a bola e não conseguir. É o polvo...

MVP para Danilo que parece estar numa forma física impressionante. Esteve em grande parte dos nossos lances mais perigosos, o que é de destacar num médio defensivo. Aboubakar vem ajudando cada vez mais na construção, sendo uma evolução de destacar nos últimos jogos e que melhora consideravelmente o nosso jogo. Corona não esteve mal mas também não fez esquecer Brahimi em termos de lances individuais, procurando jogar mais com o Alex. O jornal O Jogo deu destaque a esta adaptação de Corona à esquerda, mas é uma situação a rever, numa altura em que ele esteja com mais confiança. Ainda assim, é de destacar que não se notou muito a ausência do argelino, algo que me surpreendeu. Quanto à dupla de centrais, manteve-se equilibrada apesar da ausência de Felipe. Também manteve a baliza a zeros... Tal como aconteceu com o Mónaco, Soares voltou a entrar bem no Dragão. Mas André André fez ainda melhor com dois golos em 30 minutos. Não defendo que seja jogador para ser titular, mas tenho notado que a entrada dele, nestes jogos, ajuda a equilibrar mais a equipa. Por falar em médios que saltaram do banco, voltámos a ter um 'cheirinho' de Oliver. Mas, com pena minha, para termos mais, teremos de esperar pela Taça da Liga...

O próximo jogo é muito importante, perante uma equipa muito boa a defender. Se vencermos, chegamos ao 'derby da tv a preto e branco' com possibilidade de ganhar pontos a um dos nossos adversários e fechar a primeira volta isolados.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Que dupla!


Só estes dois avançados, dariam o quinto melhor ataque da prova. É obra! A continuar assim, Soares vai ter de esperar... É também impressionante a forma como já jogam juntos e como se complementam. Aboubakar é melhor finalizador e consegue jogar de costas para a baliza com qualidade, enquanto que Marega procura mais as costas da defesa e as arrancadas pelas alas. Os dois últimos golos são paradigmáticos das soluções que esta dupla atacante tem para oferecer. Nem foi preciso um grande jogo de Brahimi, de Ricardo ou de Corona para que se fizessem 5 golos e mais umas 5 oportunidades claras para fazer mais. 

Destaco a dupla, mas a exibição de Aboubakar tem de merecer um destaque adicional. Em primeiro lugar, está em todos os golos, sofreu o penalti, isolou Brahimi para a nossa primeira grande oportunidade de golo e já tinha tido dois cabeceamentos muito perigosos. Nota máxima!

O jogo tornou-se fácil, mas começou com várias situações em que o Vitória aproveitou o nosso lado esquerdo. O Alex dormiu um pouco e o Marcano ficou várias vezes um para um com o extremo que, sem Paciência na equipa, era o jogador adversário mais perigoso e que deveria ter merecido mais atenção. A transição entre Felipe e Reyes foi harmoniosa e fez todo o sentido, dadas as últimas exibições descontroladas de Felipe.

Destacaria portanto que voltámos a não entrar muito bem no jogo. É a terceira vez consecutiva. É de estranhar visto que era uma das nossas melhores armas, no início da época. O jogo acabou por se resolver nos últimos 15 minutos da primeira parte e foi um descanso a partir daí. Esta exibição foi importante, porque vínhamos de dois empates e há muito tempo que não entrávamos num jogo com a pressão de estar atrás na classificação. Boa resposta!

Quanto à qualidade do nosso jogo, diria que estamos outra vez numa fase ascendente. Evitámos mais aquelas bolas para a frente, sem critério, e a movimentação dos nossos jogadores fez com que a bola entrasse muitas vezes no miolo, sobretudo com Aboubakar, Herrera e os dois alas. Já sabemos que Reyes dá mais qualidade do passe que Felipe, mas parece-me que é uma evolução da equipa e não dos jogadores. A título de exemplo, Ricardo é um jogador típico de ala, mas que jogou muitas vezes por dentro. Foi uma exibição bem agradável, a todos os níveis.

Individualmente, MVP para Aboubakar, bem ajudado por Marega. Voltei a gostar da dupla Danilo e Herrera, cuja mobilidade beneficia muito o rendimento geral da equipa. Reyes cumpriu bem apesar do amarelo parvo que viu. Maxi é muito consistente e ainda hoje estou para perceber por que motivo Layun chegou a estar à frente dele nas opções. Dos jogadores que entraram, gostei do André André.

Para quinta-feira, o sorteio poderia ter sido melhor, mas jogamos no Dragão e temos uma óptima oportunidade de nos aproximarmos mais um pouco do pic-nic no Jamor.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Primeiro objectivo cumprido


Depois de duas semanas bastante complicadas, com prejuízos arbitrais gritantes, mas também com um nível exibicional mais baixo do que o que o FCPorto já mostrou este ano, sobretudo nas Aves e nos primeiros 20 minutos do clássico, nada melhor do que um golo 'madrugador' na verdadeira final que tivemos hoje. Este ano despachámos o campeão francês e há um ano despachámos o campeão inglês em circunstâncias semelhantes. A única diferença é que o Leicester apareceu no Dragão com a  qualificação garantida e o Mónaco apareceu já eliminado. Pouco importa. Só temos de aproveitar o facto de nos mantermos na luta até ao final e de nos termos colocado nesta posição confortável de depender do nosso resultado no Dragão. Em suma, mantemos a nossa consistente presença nesta fase da Champions League e cumprimos o nosso primeiro objectivo do ano no grupo mais difícil dos últimos anos. É importante e este grupo merece ir vendo o seu esforço recompensado!

É óbvio que este feito sai ainda mais valorizado pelo desempenho dos nossos rivais, sobretudo o Benfica, cujo percurso europeu deste ano só os pode fazer 'corar de vergonha'. Mas, por muito gozo que nós estejamos a dar aos nossos amigos benfiquistas, há outras conclusões a tirar: dada a disparidade de rendimento europeu como é possível a classificação do campeonato nacional não reflectir tamanha diferença de rendimento? Somos obrigados a concluir que a classificação está 'abençoada'...

Mas as boas notícias não se resumem à passagem à fase seguinte. Voltámos a ver bom futebol neste FCPorto. As oportunidades de golo não desapareceram nos últimos jogos, mas a qualidade de jogo vinha decaindo. Estávamos a ter muita dificuldade em encontrar Brahimi em boas condições para criar e a recorrer demasiado aos lançamento longos a partir dos defesas. Convém, no entanto, referir que a entrada em jogo voltou a ser bastante atabalhoada, apesar do golo aos 9 minutos. Mas a equipa foi crescendo e o terceiro golo já é uma excelente jogada, em que aproveitámos todas as potencialidades do esquema montado por Sérgio Conceição. Na segunda parte, o jogo seguiu no mesmo tom apesar dos golos sofridos.

Individualmente houve grandes exibições individuais. O MVP óbvio é Aboubakar com dois golos e uma jogada e assistência primorosas no terceiro golo. Gostei muito da exibição de Alex Telles que já merecia o golo, num remate que já andava a ensaiar há muito tempo. Gostei também de Herrera que esteve muito melhor na construção. E isto é fundamental. Neste esquema é preciso que Herrera seja mais do que um jogador com disponibilidade física e que corre com bola e atrás dela. É preciso que ele assuma a construção e permita uma saída alternativa quando Brahimi aprece muito marcado. No fundo pretende-se que Herrera seja mais Oliver... Danilo também esteve bem apesar de alguns pequenos erros iniciais. Foi importante Soares voltar aos golos e é pena que Marega não o tenha conseguido. A lesão do Otávio assusta um pouco e faz lembra a recaída que Soares também já teve este ano. Pela negativa, Felipe. Já sei que a expulsão é exagerada, mas ele andava a 'pôr-se a jeito' há alguns jogos. Vá lá que não teve consequências a não ser o facto de os olheiros da selecção brasileira terem assistido aquilo.

Para terminar o árbitro. O resultado pode abafar um pouco as decisões, mas a arbitragem foi muito má! Tem decisões erradas em quase todos os lances complicados, sempre em nosso prejuízo, e só não foi uma exibição pior do que a da passada sexta-feira, porque o Sueco não tem o 'auxílio' do VAR.

A viagem a Setúbal vem em boa hora. Eles andam de rastos e nós vamos aparecer muito motivados por este resultado e pelo do Bessa (hopefully).

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Crónica, passados dois dias...


Pensei em fazer a crónica uns dias depois, para retirar alguma emoção e para ver se conseguia arranjar alguma capacidade analítica que fosse além do «isto foi um roubo» ou «falhámos demasiados golos». Não resultou. Continuo tão ou mais revoltado do que o que estava na passada sexta-feira. Foi uma vergonha! Muitos elogiam esta recente política de denúncia constante dos meandros do futebol português e do chamado 'polvo' que o tem dominado. Normalmente repete-se esta ideia de que «isto não vai dar nada mas, pelo menos, eles ganham vergonha e vão acalmar um bocado»... Notam alguma diferença? Pois... Tudo na mesma... Pela via da política e dos tribunais não vamos lá. Por cada verme que denunciamos, outros trinta aparecerão. Resta fazer o que fizemos antes e montar as nossas equipas para serem muito melhores do que o adversário. Melhor não bastará. Teremos de ser muito melhores e trabalhar o dobro. É injusto mas já provámos na nossa história recente que não é impossível.

Vamos ao jogo. Continuo com sérias reservas em relação à tendência da evolução da nossa forma de jogar, desde que trocámos Oliver por Herrera. Já sei que foi dessa forma que sufocámos o adversário de sexta-feira durante toda a segunda parte e em Alvalade durante quase todo o jogo. Também sei que isto tem resultado bem, com a excepção dos últimos dois jogos. E já sabemos o que aconteceu nesses dois jogos... Ou seja, em condições normais, este estilo de jogo funcionaria. Mas eu acho que podemos fazer melhor, se mudarmos uma ou duas peças. Temos de ter mais alternativas de jogo além da bola longa e do ataque à profundidade de Marega e das incursões individuais de Brahimi. Esta forma de jogar tem feito com que passemos partes grandes do jogo, sem que o consigamos dominar. Na sexta-feira, enquanto o Benfica conseguiu ter 'pedalada', dominou o jogo. A vantagem é que a 'pedalada' deles acabou aos 20 minutos. E a partir daí sofreram. Mas puderam notar que, nesses momentos iniciais, eles conseguiram pressionar os nossos defesas até ao momento em que tiveram de chutar para longe, sem critério. Chegámos a ver momentos em que Brahimi estava 1 para 4 e de costas para a baliza adversária. Estes 4 para 1 acontecem porque o nosso jogo pelo chão é previsível. Pelo chão, ou a bola entra no lateral ou entra no Brahimi. É fácil. Temos de aranjar alternativas e espero que este regresso de Otávio possa trazer algo, visto que já percebemos que Oliver não conta. Infelizmente...

O resto do jogo foi marcado pelo desperdício. A sorte é sempre um factor, mas também conta o facto de as nossas melhores oportunidades terem ido parar aos pés de Marega. Que tem sido uma grande revelação mas que está longe de ser um brilhante finalizador. Marega é mais um jogador de quantidade do que de qualidade. Um pouco como o futebol que Sérgio Conceição tem vindo a implementar nos últimos jogos. A ideia é chegar lá tantas vezes que uma há de entrar. Essa táctica é válida mas, em jogos como o de sexta-feira, a sucessão de oportunidades trouxe muita intranquilidade e isso afecta a nossa capacidade para concretizar.

Quanto à arbitragem, nada a dizer que não tenha sido repetido por todos os portistas. Foi um escândalo! Quase tão escandaloso como a tentativa de branqueamento que se seguiu por parte dos artistas do costume. Dou especial destaque a bandalhos como Duarte Gomes e Pedro Henriques que consideram o lance do Luisão, de difícil análise. Este é dos lances de mão mais clássicos e mais fáceis de analisar. O defesa tenta jogar a bola e por 'nabice' a bola sobra para a mão. A intenção nada interessa nestes lances. Havendo o VAR para comprovar que a bola toca na mão, nenhum destes lances deveria passar. É uma vergonha que esta gente se disponha a estes papeis. Depois temos o lance do golo de Herrera. Temos de ser claros: um árbitro assistente que não consegue ver que há um jogador que põe toda a gente em jogo, não pode apitar. É incompetente demais. Teremos de estar atentos às próximas nomeações, porque este tipo não poderá apitar nos próximos jogos ou meses, se possível.

Individualmente, gostei bastante da exibição de Danilo. Para mim foi o MVP. Nota igualmente positiva para os nossos laterais que anularam por completo os adversários e que foram das nossas melhores armas ofensivas. Gostei também da entrada de Otávio que mexeu claramente com o jogo. Pelo contrário, esperava mais da entrada de Soares. A esse propósito, se a intenção era a de manter dois avançados, preferia que tivesse saído Marega visto que Aboubakar é melhor finalizador. Mais uma vez, Felipe voltou a ser o mais nervoso em campo. Marega teria nota negativa pelos falhanços mas, na verdade, foi uma peça muito importante no momento em que nós entrámos no jogo. Foram as suas arrancadas que nos puseram numa posição de domínio a partir do meio da primeira parte.

Na quarta-feira teremos mais um jogo decisivo, desta vez sem VAR e sem os árbitros portugueses. Será possível pedir a mesma intensidade e um pouco mais de serenidade na finalização? O Oliver já nem peço...