segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Crónica, passados dois dias...


Pensei em fazer a crónica uns dias depois, para retirar alguma emoção e para ver se conseguia arranjar alguma capacidade analítica que fosse além do «isto foi um roubo» ou «falhámos demasiados golos». Não resultou. Continuo tão ou mais revoltado do que o que estava na passada sexta-feira. Foi uma vergonha! Muitos elogiam esta recente política de denúncia constante dos meandros do futebol português e do chamado 'polvo' que o tem dominado. Normalmente repete-se esta ideia de que «isto não vai dar nada mas, pelo menos, eles ganham vergonha e vão acalmar um bocado»... Notam alguma diferença? Pois... Tudo na mesma... Pela via da política e dos tribunais não vamos lá. Por cada verme que denunciamos, outros trinta aparecerão. Resta fazer o que fizemos antes e montar as nossas equipas para serem muito melhores do que o adversário. Melhor não bastará. Teremos de ser muito melhores e trabalhar o dobro. É injusto mas já provámos na nossa história recente que não é impossível.

Vamos ao jogo. Continuo com sérias reservas em relação à tendência da evolução da nossa forma de jogar, desde que trocámos Oliver por Herrera. Já sei que foi dessa forma que sufocámos o adversário de sexta-feira durante toda a segunda parte e em Alvalade durante quase todo o jogo. Também sei que isto tem resultado bem, com a excepção dos últimos dois jogos. E já sabemos o que aconteceu nesses dois jogos... Ou seja, em condições normais, este estilo de jogo funcionaria. Mas eu acho que podemos fazer melhor, se mudarmos uma ou duas peças. Temos de ter mais alternativas de jogo além da bola longa e do ataque à profundidade de Marega e das incursões individuais de Brahimi. Esta forma de jogar tem feito com que passemos partes grandes do jogo, sem que o consigamos dominar. Na sexta-feira, enquanto o Benfica conseguiu ter 'pedalada', dominou o jogo. A vantagem é que a 'pedalada' deles acabou aos 20 minutos. E a partir daí sofreram. Mas puderam notar que, nesses momentos iniciais, eles conseguiram pressionar os nossos defesas até ao momento em que tiveram de chutar para longe, sem critério. Chegámos a ver momentos em que Brahimi estava 1 para 4 e de costas para a baliza adversária. Estes 4 para 1 acontecem porque o nosso jogo pelo chão é previsível. Pelo chão, ou a bola entra no lateral ou entra no Brahimi. É fácil. Temos de aranjar alternativas e espero que este regresso de Otávio possa trazer algo, visto que já percebemos que Oliver não conta. Infelizmente...

O resto do jogo foi marcado pelo desperdício. A sorte é sempre um factor, mas também conta o facto de as nossas melhores oportunidades terem ido parar aos pés de Marega. Que tem sido uma grande revelação mas que está longe de ser um brilhante finalizador. Marega é mais um jogador de quantidade do que de qualidade. Um pouco como o futebol que Sérgio Conceição tem vindo a implementar nos últimos jogos. A ideia é chegar lá tantas vezes que uma há de entrar. Essa táctica é válida mas, em jogos como o de sexta-feira, a sucessão de oportunidades trouxe muita intranquilidade e isso afecta a nossa capacidade para concretizar.

Quanto à arbitragem, nada a dizer que não tenha sido repetido por todos os portistas. Foi um escândalo! Quase tão escandaloso como a tentativa de branqueamento que se seguiu por parte dos artistas do costume. Dou especial destaque a bandalhos como Duarte Gomes e Pedro Henriques que consideram o lance do Luisão, de difícil análise. Este é dos lances de mão mais clássicos e mais fáceis de analisar. O defesa tenta jogar a bola e por 'nabice' a bola sobra para a mão. A intenção nada interessa nestes lances. Havendo o VAR para comprovar que a bola toca na mão, nenhum destes lances deveria passar. É uma vergonha que esta gente se disponha a estes papeis. Depois temos o lance do golo de Herrera. Temos de ser claros: um árbitro assistente que não consegue ver que há um jogador que põe toda a gente em jogo, não pode apitar. É incompetente demais. Teremos de estar atentos às próximas nomeações, porque este tipo não poderá apitar nos próximos jogos ou meses, se possível.

Individualmente, gostei bastante da exibição de Danilo. Para mim foi o MVP. Nota igualmente positiva para os nossos laterais que anularam por completo os adversários e que foram das nossas melhores armas ofensivas. Gostei também da entrada de Otávio que mexeu claramente com o jogo. Pelo contrário, esperava mais da entrada de Soares. A esse propósito, se a intenção era a de manter dois avançados, preferia que tivesse saído Marega visto que Aboubakar é melhor finalizador. Mais uma vez, Felipe voltou a ser o mais nervoso em campo. Marega teria nota negativa pelos falhanços mas, na verdade, foi uma peça muito importante no momento em que nós entrámos no jogo. Foram as suas arrancadas que nos puseram numa posição de domínio a partir do meio da primeira parte.

Na quarta-feira teremos mais um jogo decisivo, desta vez sem VAR e sem os árbitros portugueses. Será possível pedir a mesma intensidade e um pouco mais de serenidade na finalização? O Oliver já nem peço...

2 comentários:

Anónimo disse...

Lance do Luisão não e penalti.

Lance do fora de jogo é muito mau que aconteça. Por coincidência na jornada anterior houve um lance igual com o Jonas mas ai já não houve revolta por aqui...

Coerências...

prata disse...

muito burrinho...