quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Rendimento constante


Mas tal não significa que esteja a ser um rendimento bom ou sequer perto disso. Numa visão simplista, podemos dizer que, nesta época, tivemos uma boa reacção na Supertaça e um grande jogo no Dragão contra o Chaves, na primeira jornada. Tudo o resto oscilou entre o apenas razoável e o sofrível. O problema é que continuamos a não ter explicações conclusivas sobre qual o motivo para este rendimento ou a falta dele. Desde logo, o treinador não mudou. O plantel também não sofreu alterações significativas. O calendário nem tem sido muito exigente, ao contrário do que aconteceu na época anterior. Como poderemos explicar que o FCPorto tenha dificuldade em replicar o futebol que apresentou em grande parte da época anterior? Já nem estou a pedir que se evolua para um futebol com menos transpiração e mais cérebro, algo que venho reclamando há muito. Por agora, bastava-me que replicássemos frequentemente o futebol do ano passado, para que estivesse mais descansado... Mas não o temos conseguido e isso deixa-me muito inquieto e desconfiado. 

Em Setúbal, voltámos a ter um FCPorto pouco seguro. Trouxemos os 3 pontos, mas não fomos capazes de aproveitar a táctica muito antiquada do adversário. Pouco faltou a Lito para pôr os onze jogadores em cima da baliza e contava apenas com 3 ciclistas que tinham o papel ingrato de correr  atrás das bolas longas, enquanto conseguissem. Normalmente, esta concentração excessiva de jogadores causa muita confusão. Uma situação semelhante à defesa à zona nos cantos. Netas situações o equilíbrio é sempre instável. Estão todos muitos juntinhos mas, se estão todos no seu sítio não conseguem cobrir tudo nem se conseguem adaptar. Se saem do sítio, está tudo comprometido. Basta ver o nosso primeiro golo em que bastou uma simples investida de Maxi para o meio, para desmontar a defesa, que nessa jogada concentrava tantos jogadores dentro da área. Basta ver que Otávio, apesar dos 3 centrais numa linha muito recuada, conseguiu pôr Marega na cara do guarda-redes adversário, logo nos primeiros minutos. O problema é que estas duas jogadas foram excepções e foram raras as vezes em que variámos o jogo dificultando a tarefa aos defesas adversários. E isso tornou-nos permeáveis às investidas do Vitória. O facto de Brahimi ter estado um pouco abaixo das suas possibilidades também ajudou... Insisto que ele é a peça mais importante da nossa estratégia, por muito que se fale erradamente do Marega. Assim, estivemos sempre muito adiantados e com um jogo previsível, dando ao adversário várias oportunidades de lançar bolas nas costas dos nossos defesas. Nesse aspecto valeu-nos a qualidade média fraca dos 3 avançados adversários. Apenas um deles causou problemas e esse rebentou aos 60 minutos, como seria de esperar. De resto, toda a equipa do Vitória caiu muito no final do jogo, penalizados pela táctica ridícula de Lito.

Individualmente, voltei a gostar muito de Militão, para mim o MVP. Eu posso não adorar este estilo de jogo, mas este é o central que melhor se adapta a ele, quer pela agressividade nos duelos, quer pela velocidade com que vai buscar os ataques à profundidade do adversário, quer pela que qualidade que demonstra nos passes longos. A velocidade de Militao é tanta que arrisco adiantar que este lance da falta de Felipe, vai deixar de ser polémico quando já todos o conhecermos melhor... Gostei também da entrada do Sérgio Oliveira. Já sei que a sua entrada coincidiu com a altura em que  o adversário estourou fisicamente. Ainda assim... Pela negativa não tenho grandes destaques mas as exibições foram, no geral, fracas. Destaco mais uma vez que continuo à espera do dia em que o Marega, estando a jogar mal, é substituído. É melhor sentar-me, não é?

O jogo de sexta-feira é muito importante! Seguem-se dois jogos fundamentais para definir o resto da época e convém ganhar a moral que nos tem faltado ultimamente.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Ponto ou pontinho?


Voltámos à Champion! Já estava com saudades, até porque a minha última memória do FCPorto na Champions, foi a cantoria em Anfiled quando entoamos a nova música estreada nesse mesmo jogo.

Abordando o resultado antes do jogo em si, não posso dizer que foi mau. Confesso que, antes de ver jogar este Schalke04, até aceitaria antecipadamente esse resultado como bom. Mas, depois do que vi ontem, pareceu-me que perdemos ali uma boa oportunidade de entrar no grupo de forma autoritária. Poderíamos e deveríamos ter aproveitado melhor as fragilidades do adversário, quer ao nível emocional quer ao nível táctico, quer ao nível das individualidades. Mas mesmo que eu considere o resultado mau, só o futuro nos dirá o que realmente vale esta equipa alemã. Aguardemos para ver o que vale verdadeiramente este ponto.

Mas, se não sabemos o que poderá vir a valer o adversário de ontem no futuro, também podemos fazer a mesma questão para o FCPorto. Parece-nos claro que tem de dar mais do que o que tem dado nos últimos quatro jogos. Por um lado porque temos o mesmo treinador que tem apresentado um onze e um esquema  de jogo muito semelhantes ao do FCPorto Campeão na época passada. Poderemos argumentar que Maxi já tem dificuldade em render o que rendia Ricardo Pereira, mas este ano até já temos Danilo e até temos tido muito boas prestações dos dois substitutos de Marcano que Conceição já utilizou. Sendo assim, o que falta a este FCPorto para regressar ao nível exibicional do ano passado? Porque é que já vamos no quarto jogo consecutivo em que saímos com a clara sensação que a equipa não está plenamente confiante e que demonstra até um inquietante nervosismo? Será que tal como o Schalke04, este FCPorto ainda pode valer muito mais? O que falta? Tem a palavra Sérgio Conceição. 

Mas eu até tenho umas ideias. Uma delas é a de dotar a equipa de jogadores capazes de ter a bola com mais qualidade. Estou a falar claramente de Oliver, uma luta antiga, mas também estou a falar de Marega. Este papel fulcral do Marega no nosso jogo tem vindo a irritar-me há um ano. Confesso que isto tem um pouco a ver com ideias pré-concebidas que tenho do jogo. Para mim, se vamos moldar o esquema de jogo em função em um ou dois jogadores nucleares, têm de ser craques ou destacar-se muito dos demais. Para mim o nosso jogo ofensivo, em bola corrida, é previsível porque é suportado apenas por dois jogadores. Um é Marega e outro é Brahimi. O problema é que um é um craque e o outro está muito longe de o ser. Marega corre muito, é muito forte e ataca bem a profundidade. Mas isso nem sequer é uma característica invulgar no futebol mundial. Por exemplo, o Shalke04 tinha ontem um jogador muito semelhante e que até marcou um golo à Marega. O que é invulgar é esperar que um jogador com as limitações técnicas e até tácticas do Marega tenho um papel central na nossa equipa e jogue 90 minutos sobre 90 minutos, independentemente da quantidade infindável de passes falhados, domínios deficientes e foras de jogo estapafúrdios. Se queremos que a qualidade cresça temos de tentar construir em cima do sucesso da equipa do ano passado. Transitou da época passada uma dinâmica forte e intensa no nosso jogo. Falta tentar incorporar mais qualidade. Mais Brahimis e mais Olivers, porque as grandes equipas não se fazem só de 'carregadores de piano'.

O jogo de ontem foi bom em termos de duelos físicos e as equipa acabaram por encaixar apesar dos esquemas diferentes. Nesse aspecto o adversário correu muito, bateu ainda mais, mas não conseguiu criar-nos problemas, salvo duas ou três exceções. Se até aí nos batemos bem, esperava que nos destacássemos mais na parte técnica e individual. Do nosso futebol ofensivo contam-se duas ou três boas jogadas, uma delas em livre estudado. Muito pouco para cerca de 60% de posse de bola. Esperava mais. Conquistamos um ponto fora de casa mas, dadas as circunstâncias e o adversário, acho que perdemos uma boa oportunidade de dar uma resposta cabal perante as dúvidas que os resultados recentes têm vindo a levantar. Será um ponto agridoce, para já.

Individualmente, destaco como MVP o miúdo Militão. Grande estreia na Champions, perante avançados muito chatos e muito físicos. Gostei também das exibições de Danilo, Alex Telles e Otávio. Nenhuma destas exibições está isenta de erros, mas compensaram o suficiente para terem nota positiva. Felipe também esteve bem, mas esteve menos seguro que o miúdo. Quando o treinador adversário dizia que tinha apanhado alguns defeitos no nosso jogo, estaria a falar com certeza da dependência de Brahimi. Esteve constantemente 1 contra 3 e, como é óbvio, passou muito poucas vezes. Quando parecia que ia passar, era ceifado. Exibição pouco produtiva, portanto. Pela negativa, também não gostei de Aboubakar que, ao nível da capacidade de segurar jogo esteve ao nível do Marega, ou seja, baixo. Corona prometia quando entrou mas ficou-se pela promessa e pela atuação ridícula no lance do golo, sobretudo quando fica a protestar falta sobre Danilo largando a marcação.

No sábado temos uma deslocação muito difícil. Se a retoma não se viu na Alemanha, que comece já em Setúbal!

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Plantel 2018/19



Tínhamos prometido uma análise ao nosso defeso e, agora que o mercado fechou por uns meses e que estamos sem campeonato por uns tempos, parece a altura ideal para esse balanço.

Desde logo uma conclusão que retirei: o FCPorto parece ainda estar fragilizado no mercado de transferências, sobretudo no mercado internacional. Mas isso não implica que se tenha construido um mau plantel. Na sexta-feira poderemos ter uma ideia melhor quando pudermos ver algumas das mais recentes contratações em acção.

O defeso começou com desilusões. Uma anunciada há muito: Marcano partiu, como esperado. Logo a seguir, Ricardo Pereira foi vendido imediatamente antes do Mundial e por valores bons, mas inferiores aos praticados no mercado para jogadores jovens, portugueses e internacionais. A comparação não melhora quando temos vendas recentes de jogadores portugueses da mesma posição e valor similar (para ser simpático). Um deles numa venda recente para o Barcelona, por um adversário direto, e outro vendido para a Juventus pouco tempo depois, ambos por valores bem superiores. Acresce que o Leicester gastou recentemente valores muito altos, em Alvalade, por jogadores mais velhos e que não conseguiram até ao momento fixar-se na equipa principal como Ricardo Pereira conseguiu em apenas um mês. Logo aqui algumas das minhas dúvidas sobre a nossa capacidade negocial atual.

A esta 'meia desilusão' seguiu-se uma grande desilusão. É que, para amenizar a saída de Ricardo, havia a consolação de termos nessa posição um jovem formado no Olival que era e é um dos jogadores jovens mais promissores no mundo, que jogava exatamente nessa posição e que já vinha participando em vários jogos no último campeonato. Rapidamente percebemos que a sua permanência não estava garantida por causa de uma cláusula de rescisão relativamente alta, mas ao alcance dos tubarões do futebol mundial que já o seguiam há anos.   Mas, ainda assim, começámos a desenvolver alguns cenários favoráveis: certamente que não seria difícil convencer um miúdo nestas condições que teria aqui uma oportunidade de se lançar, agarrar a oportunidade e entrar num grande da Europa pela porta grande, já como uma certeza e não com o rótulo de promessa. Que seria possível apelar ao coração do jogador... Mas não aconteceu. Não sabemos quem tinha mais vontade. Se era o jovem jogador que tinha pressa de ir, ou se era o FCPorto que tinha pressa de encaixar dinheiro fresco com o deposito da cláusula, ou os dois. Se calhar nunca saberemos mas ficámos com um buracão no planeamento de Sérgio Conceição. Nem Maxi estava garantido nessa altura. Mas há que acordar e perceber que o paradigma mudou! O mercado de jogadores jovens mudou muito nos tempos recentes. Basta ver a política de contratações do Mónaco, da Red Bull e até as últimas contratações do Real Madrid no Brasil. É cada vez mais importante proteger estes nossos talentos, cada vez mais cedo. E está visto que 20 milhões não chegam! Os grandes clubes dão muito mais facilmente 40 milhões por dois Dalots do que por um Marega, um Danilo Pereira, um Brahimi ou um Herrera.

Mal começava o defeso e já tínhamos dois problemas claros para resolver: a posição de lateral direito e de defesa central. E ainda sobrava o jogador para fazer competição para Alex Telles, que deixou de existir com a saída de Layun, e algumas posições que podiam ser melhoradas como a de extremo e de médio para meio campo a dois. Aqui convem registar uma atitude pro ativa no mercado. Contratámos, quase que imediatamente, dois jogadores para a posição de lateral direito. Mas se nessa posição actuámos rápido, nas restantes tardavam as notícias. 

Chegou o dia da apresentação do plantel para a pré-época. Fiquei logo alarmado. Aparentemente, dos quatro centrais que terminaram a temporada anterior, nem um se apresentou. Osório, que pouco jogou, foi recambiado de imediato para Guimarães, acompanhando André André e uma série de jogadores que se seguiram para abater a um valor que recuperámos de Marega. Passados uns dias, lá regressaram Felipe de férias e Chidozie do Mundial e de uma bem sucedida época em Nantes. Continuavam a faltar opções e os Diogos Queiroz e Leite foram promovidos. Mas ninguém contava com eles como solução permanente, pelo que faltavam soluções. Para ajudar, logo começaram os rumores sobre a falta de qualidade dos laterais direitos contratados. Tinha sido também apresentado um reforço para ao meio-campo que, dado o que conhecíamos dele de vários anos a competir nas competições nacionais, entusiasmava muito pouco. Uns dias depois, mais um soco no meu estômago com a saída de Gonçalo Paciência por um valor que, tecnicamente, poderá ser rotulado de ridícula ou escandalosamente baixo.

Mas se o cenário já não me parecia famoso, vieram os primeiros testes e tudo piorou. Desde logo, a ausência de reforços que me pareciam fundamentais continuou. Por outro lado, o rendimento dos reforços que vieram, não me agradou. Até os reforços de Janeiro, tardavam a mostrar rendimento. Para completar em beleza, Sérgio Conceição resolve oficializar todos os meus receios, numa estratégia comunicacional que teve tanto de sinceridade como de imprudência. Ficou oficial: tínhamos um problema! E confirmou-se também com a dispensa de várias das contratações de Janeiro e de Julho.

Nas semanas que se seguiram não tivemos mais notícias com algumas pequenas excepções. Herrera regressou, André Pereira e Diogo Leite davam boas indicações, havia boas notícias sobre a recuperação de Danilo e chegou Marius para a frente de ataque. O facto de não termos a certeza se seria contratação para a equipa A ou B é um atestado do entusiasmo que essa contratação causou. Até que se começou a ver que alguns dos processos de contratação de centrais, que se arrastavam, se começaram a concretizar. Apareceu Mbemba, deu-se como certo que Militão já não fugia e até renovámos com Maxi. Assim as coisas já se começaram a compor. Havia dúvidas porque nenhum dos centrais contratados tinham experiência a jogar do lado esquerdo, mas começavam a faltar poucas posições em aberto. Pelo meio soou o alarme com Marega e os seus já habituais casos de indisciplina. Começo a não ter paciência e até já aceitava nessa altura, de bom grado, uma venda por valores inferiores, mas que resolvessem de vez a situação. Mas Marega foi ficando e continuava a haver espaço para melhoria com mais um médio, um extremo e um lateral esquerdo. Duas dessas posições foram preenchidas nos últimos dias de mercado com jogadores jovens, mas que já têm um bom currículo.

Eu diria que a coisa se compôs no final. Pelo menos aparentemente. Mas tal não implica que o defeso não tenha sido repleto de casos e sinais inquietantes:
- Venda de jogadores a preços inferiores ao mercado internacional, nacional dos três grandes e ao habitual no FCPorto no passado recente;
- Incapacidade para renovar com jogadores importantes como Marcano, Herrera e Brahimi e até com jogadores jovens como Dalot;
- Contratação de jogadores mais em conta, mas que claramente não vão de encontro aos anseios do treinador como Janko, Osório e Ewerton;
- Indisciplina de um jogador importante;
- Continuamos a apostar muito nos empréstimos com opção de compra, algo que pode denotar falta de tesouraria e de poder no mercado;
- Aguardamos pelos último dias de mercado para fechar contratações, potencialmente outro sinal de pouco poder negocial (sobras ou oportunidade de negócio?);

Tudo isto são indícios de que, mais uma vez, Sérgio Conceição teve um defeso muito complicado de gerir. Ele merecia melhor depois do que fez no ano passado... Mas termino exatamente com a melhor notícia do defeso que foi a manutenção de Sérgio Conceição. Dá-me a sensação que, apesar de tudo, temos um plantel ligeiramente melhor. Mas é só ligeiramente melhor! Como tal, espera-se de Conceição um novo milagre!

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Minuto 69 e Diogo Leite


O resultado fez-se na primeira parte e o momento do jogo foi o muito aguardado regresso de Danilo, mas prefiro destacar a liderança de Herrera personificada neste frame e nesta roda improvisada a meio do jogo. O Moreirense tinha acabado que ter a sua melhor oportunidade no jogo mas, além disso, notava-se que o FCPorto começava a perder o controlo das operações. Herrera reuniu ali os onze colegas (Felipe está no chão) e deverá ter apelado à serenidade e à organização da equipa e das ideias. Para quem tinha dúvidas, e eu estou incluído, isto é um capitão! Os resultados fizeram-se notar até ao fim do jogo. Voltámos ao comando das operações e até aumentámos o score perto do final.

Não foi um jogo brilhante porque faltou a fartura de oportunidades de golo a que estamos habituados. Fomos mais eficazes e menos atrevidos. Talvez um sinal dos dois sustos que apanhámos nas últimas jornadas. Depois de perder duas vantagens de 2-0, deu até a ideia que nos esforçámos para manter esse resultado até ao final. Só para mostrar que conseguimos... Boa vitória contra uma equipa que parece poder aspirar ao top10 do campeonato.

Apesar do resultado positivo, os problemas que se viram não se dissiparam. Longe disso. O nosso grande problema nos últimos jogos é que permitirmos que o jogo se parta e isso mantém-se. Por esse motivo, já sabíamos que o regresso de Marega e a estreia de Militão não iriam resolver um problema que está no meio campo e sobretudo em Sérgio Oliveira e na incapacidade de recuperação posicional de alguns jogadores nomeadamente Maxi. Mas o sacrificado foi o miúdo. Ele tem 19 anos e não vai reclamar muito, mas reclamo eu! Achei incompreensível a saída do onze de Diogo Leite. Foi lançado às feras e respondeu com uma segurança e uma maturidade invulgares para um jogador desta idade e até para jogadores mais velhos. Basta ver o primeiro ano de Marcano ou os primeiro jogos do Felipe pelo FCPorto. Que sinal se dá ao miúdo e aos outros miúdos que poderão vir aí? Que à primeira contrariedade 'rolam as cabeças dos mais fracos'? Até agora, dos dois centrais quem tem errado mais, Felipe ou o Diogo? Já sei que estou mais chateado por se tratar de um jogador da formação mas o princípio é o mesmo: sai da equipa um jogador que não fez nada para ser preterido, mantendo-se jogadores que têm estado em constante subrendimento. Sei também que o estado de graça do Sérgio Conceção está muito longe do fim e que a maior parte dos adeptos vai encontrar todos os motivos para justificar esta opção e esta quebra abrupta no desenvolvimento deste jogador. Para já vão insistir que Militão é melhor. A estreia dele até foi promissora e foi dos melhores em campo. Mas o meu ponto mantém-se. Foi por entrar Militão que os nossos problemas desapareceram ou irão desaparecer no futuro? A minha resposta é não. O problema do FCPorto nos últimos jogos só irá desaparecer de duas formas: 1) se mantivermos uma eficácia normal na frente e aí preparem-se para ganhar mais vezes por 4-2 ou 5-3; 2) ou quando regressar Danilo ou quando Conceição reforçar mais o meio campo para proteger melhor a nossa dupla de centrais. Nesse caso só nos vai sobrar o problema na lateral direita... Não era mais fácil resolvê-lo já, pondo Militão na direita e mantendo o Diogo? «Mas o Maxi é um guerreiro e ataca muito e bem», «Mas a melhor posição para o Militão é central»... São opções. Se reconhecemos que temos ali dois talentos que podemos aproveitar, a minha opção seria a de arranjar maneira de jogarem os dois. Neste caso parece-me que a única maneira é manter o miúdo no meio e explorar Militão na direita.

Individualmente, gostei de Herrera a quem atribuo o MVP. Pelo golo, pela liderança e por tudo o resto. Urge acertarmos esta renovação! Gostei também da estreia de Militão. Ainda por cima, Felipe voltou a não ajudar muito tal como nos jogos anteriores. Marega parece estar a regressar aos poucos à sua forma e já esteve em dois golos. Pelo contrário, Brahimi continua a acusar as mazelas e esteve abaixo do esperado. Otávio também esteve abaixo dos últimos jogos mas, ainda assim, melhor que grande parte dos colegas. Maxi continua a dar tudo, mas não sei se chega. Mais um erro infantil no lance mais perigoso do Moreirense. Sérgio Oliveira já sabe que tem o lugar a prazo. Pelo seu rendimento, sem Danilo, seria uma questão de tempo . Com Danilo... Oliver voltou a entrar bem. Esta frase já começa a ser repetitiva. Até quando?

Vem aí mais um interregno daqueles que nós não gostamos. Vá lá que teremos mais tempo para recuperar Danilo e Soares... E também dará para ir integrando os reforços. Até daqui a 20 dias...