Cresci a ler A Bola e devo admitir que em altura de férias, até há pouco tempo, era sempre o jornal que me apetecia comprar... Mas os tempos evoluem e não raras vezes comentamos no basculação as capas dos jornais, ‘que raio de linha editorial eles seguem para não fazer capa uma vitória do Porto na Europa em detrimento duma antevisão dum jogo qualquer?’
A resposta encontrei-a, curiosamente, no Record. O director Alexandre Pais, em resposta a um adepto do Braga que reclamou porque no dia seguinte à vitória por 3-0 sobre o Celtic a capa do jornal era sobre o Sporting que ia jogar contra o Nordjsgeifnsvfiwegfnlg.
As frases que me elucidaram:
1. A verdade é que os jornais são hoje, quase todos, propriedade de grupos de comunicação social que vivem dos resultados e que por eles competem duramente entre si. As capas de qualquer título devem ter em conta o seu público-alvo e ser elaboradas por forma a suscitarem o interesse do mercado a que se destinam, com uma atenção natural ao apelo de compra. A importância das opções de manchete não pode avaliar-se pelo mérito das vitórias mas pelo interesse que a maioria dos leitores possa ter ou não na aquisição do jornal.
2. temos o dever de pensar primeiro naquilo que julgamos ser o interesse da maioria dos nossos leitores
Ainda há isenção no jornalismo? Vai um Record que pelos vistos está direccionado para o Sporting elogiar as exibições do Moutinho? Dizer que o Sporting foi beneficiado? Não é isso que o público-alvo deles quer ouvir...
Tudo isto para concluir que, a partir de agora, sempre que me apetecer comprar o Record ou A Bola é como se me apetecesse comprar a Maria, a Happy ou a TV Guia... não faço parte do público-alvo...
Neste dia, o Porto ia jogar em Manchester para os quartos-de-final da Champions League...














