segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Prova superada


Se dúvidas havia sobre se o FCPorto está nesta luta para ficar, ontem terão ficado dissipadas. Em primeiro lugar, ao contrário do que aconteceu nos anos anteriores e na primeira volta, defrontámos uma versão do Boavista bem mais próxima do que nos habituámos antes dos problemas que eles sofreram à cerca de 10 anos. Mérito para o seu novo treinador. Tivemos portanto um derby 'rasgadinho' e a exigir o máximo dos nossos jogadores. Depois tivemos uma autêntica invasão do Bessa numa prova inequívoca de que os adeptos se mantém firmes ao lado da equipa. Esperemos que em Arouca se mantenha. Em último lugar, a arbitragem. Costumo dizer que é nas alturas das vitórias que temos mais legitimidade para reclamar. É costume fazer-se o inverso... Esta é pois uma boa a oportunidade para apresentar o problema que parece que se vai voltar a agudizar nesta ponta final. Depois do que se passou na Luz na sexta-feira, brindaram-nos com mais um dos jovens 'talentos' da arbitragem e cedo se começou a notar a sua habilidade... André André foi o primeiro a ser amarelado num jogo que bateu o recorde de amarelos do campeonato. Foi uma falta merecedora, mas pouco antes houve uma outra sobre Brahimi bem mais grave em que o amarelo ficou no bolso. Já sabíamos ao que vinha e que teríamos de lutar contra esta dupla personalidade ao nível do critério disciplinar. Mas é demasiado penoso comparar a entrada assassina que tirou Corona do jogo com a que tirou Maxi por acumulação de amarelos. Usando a palavra que  transmitiram ao Pepa no guião  lampião que lhe deram, é 'surreal' perceber que os lances de Maxi e o de Talocha foram ajuizados com o mesmo castigo disciplinar. Isto já para não falar dos lances para penalti sobre Soares e Maxi (o segundo lance). Mais dois para a conta. 

Em suma, com o apoio de muitos portistas, jogámos num terreno extremamente hostil, perante uma adversário muito duro, e com uma arbitragem muito adversa. Prova superada com nota bem positiva. Estamos na luta!

Vamos ao jogo. Nuno apresentou uma surpresa no onze. Ou melhor, duas em uma. A saída de André Silva implicou um regresso a um esquema de 4-3-3 com dois extremos e com Oliver. O facto de ter estes três em campo fez-me crer que haveria menos daquela irritante mania de bombardear a defesa adversária com bolas pelo ar. Confirmou-se e materializou-se numa entrada forte, nos primeiro 15 minutos, que resultou num golo 'madrugador'.  Seguiu-se a nossa pior fase no jogo, com muitos passes falhados e muita bola longa até que Brahimi e Oliver conseguiram voltar a pegar no jogo. Aí podíamos e deveríamos ter posto um ponto final no jogo. A segunda parte foi mais de luta e conseguimos de uma forma geral afastar o jogo da nossa baliza. As excepções foram as bolas paradas sendo que algumas foram cirurgicamente plantadas pelo sr. do apito. Até ao final sofremos mais pela vantagem magra, do que pelo que permitimos ao adversário, que foi pouco. Apenas uma jogada perigosa cortada imperialmente por Marcano.

Individualmente dou o MVP a Soares. Já sei que foi mais perdulário do que tem sido habitual, mas é um monstro quando se trata de lutar fisicamente com os centrais. Oliver é facilmente a peça que faz este futebol de Nuno evoluir só pela sua entrada no onze. Não sabe jogar mal, não passa por acaso, não despeja a bola. Sempre com critério e sempre com qualidade. É um bom catalisador para este futebol apressado de Nuno. Brahimi é outro exemplo de um jogador que, por si, dá qualidade a qualquer equipa pela sua capacidade de resolver problemas sozinho. Marcano esteve bem e teve apenas um erro num lance, que resulta do também único erro de Oliver, e  que acaba com uma boa defesa de Casillas. Pela negativa, Boly não está ao nível da concorrência, algo que se compreende pela falta de ritmo, mas que não explica tudo. O restante teve nota média-alta.

Seguimos colocando pressão na frente.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Resultado MarTELLado


Por certo que já tinham saudades de um bom trocadilho no título dos nossos posts. Pois deliciem-se com a criatividade do menino... Graçolas à parte, até porque hoje não foi um dia para grandes alegrias, esta é a ideia reinante. Alex Telles cometeu um erro individual grave que nos retirou da possibilidade de discutir o resultado. É de facto, difícil discordar desta opinião generalizada. Posso aqui juntar as opiniões que põe a culpa no árbitro, algo que considero absurdo, porque foram boas decisões, tais como tinham sido as que nos deixaram em superioridade numérica em Roma. 

Mas pretendo sair um pouco dessa onda porque eu sou daqueles que acha que, onze para onze, o resultado seria semelhante e igualmente negativo. Isto porque continuo a achar que este sistema de Nuno está a piorar a cada jogo. Temos um jogo cada vez mais partido, com pouco recorte técnico e muito baseado em ideias de jogo de equipa que não dispõe de grande talento e recursos técnicos. Ora como eu acho que temos talento e bons jogadores, acho este modelo limitado e resultadista. Eficaz? Claro! Não há como contra argumentar. As 5 vitórias seguidas no campeonato são claras em termos de avaliação de resultados. Mas não me tentem convencer que isto funciona perante equipas como a Juventus. Até tenho dúvidas que resulte cá... Basta ver a primeira parte com o Tondela, com o Estoril, a segunda parte em Paços de Ferreira. Tudo exemplos do que pode acontecer a uma equipa que, obcecada com a transição defensiva, tenta partir o jogo e esperar que os nossos avançados ganhem os choques, os ressaltos e as lutas individuais. As melhores equipas do mundo assumem o jogo, defendem com bola. Potenciam a criatividade e o talento dos seus melhores jogadores e não os põem a 'picar pedra e assentar cimento' na defesa. Ser Porto é jogar de acordo com o nosso legado! O que nos fez grandes na Champions era o facto de não temermos nenhum adversário na nossa casa. Jogar com 8 jogadores de características defensivas e dois tolinhos a correr na frente não é jogar como equipa grande. Não é Ser Porto. Que interessa ser o primeiro a dizer uma frase icónica se não sabemos o seu verdadeiro significado? Nuno não sabe! Primeiro as arbitragens, depois os resultados tangenciais e enganadores, ontem o erro do Alex. Tudo factores que têm protegido um treinador que pratica um futebol que não está à altura do FCPorto, dos seus adeptos e do seu legado.

Individualmente, dou o MVP a Marcano. Foi o que mais se destacou em ações defensivas, mas Danilo e Felipe também estiveram bem. Alex tem nota mínima pela expulsão e vimos nos golos a falta que ele fez. Layun sempre foi fraco a defender, mas esta época está um desastre e ontem não fugiu a essa regra. Não percebo porque Soares tem prioridade sobre André Silva. Tem experiência de Champions? Tem mais resistência? Tem mais estatuto junto dos adeptos? Segura melhor a bola? Não percebo. Também não percebo a troca posicional de Herrera quando sai Rúben. Porque não uma troca directa na ala? Ainda por cima veio-se a provar que estava a jogar lesionado. Para mim, são duas substituições absurdas!

No Domingo teremos um grande duelo de futebol ao estilo boavisteiro. Esperemos que seja o FCPorto a equipa que melhor o aplica...

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Resultado surrealmente escasso


Podiam certamente ter duas coisas como garantidas, depois do jogo de sexta-feira: Que eu escolheria o Ruben como MVP e que haveria polémica quanto à arbitragem. São garantidos porque são baseados em ideias fortemente pré-determinadas. De facto o Ruben é o meu jogador preferido do FCPorto e, de facto, há que começar a atacar este FCPorto de qualquer maneira, antes que se torne ainda mais perigoso. Não vão poder contar sempre com os ressaltos no pinheiro grego para sacar 3 pontos. O mais normal é ressaltar nele e sair pela linha final. Por isso, mais vale usar a influência nos media para fazer passar a ideia de que é o pelo benefício arbitral que o FCPorto se mantém na luta.

Comecemos por aí. Vamos imaginar um adepto de futebol, não necessariamente portista, que não pôde ver o jogo na sexta-feira. Saiu tarde do trabalho, não falou com nenhum amigo e o primeiro contacto que tem com o jogo são as três capas de jornais desportivas. De facto está lá um 4-0 mas o destaque é mesmo reporte dos lances mal julgados pelo árbitro. Vamos agora imaginar que este adepto resolve tirar as dúvidas e liga a TV no canal público de televisão e vê o insuspeito Jornal da Tarde: http://www.rtp.pt/play/p3071/e274571/jornal-da-tarde (por volta do minuto 33). Com a isenção que é apanágio da nossa televisão pública, temos uma primeira parte com um lance de perigo para cada lado, com um jogador do Tondela travado quando "seguia em direcção à baliza sozinho", um penalti em que  "as imagens não esclarecem quem agarra quem" e, por fim, uma expulsão "instantes depois" em que "é Soares quem promove o choque". Da segunda parte, apenas temos os três golos marcados. Resumo: alto beneficio para o FCPorto numa primeira parte que até estava a ser equilibrada, como as oportunidades de golo repartidas o demonstram. Agora vamos fazer um exercício de tentar adicionar alguma isenção a esta peça jornalística. De facto, o jogador do Tondela seguia para a baliza sozinho, mas estava ainda em frente ao seu banco de suplentes e bem longe da baliza. Além disso, este isento senhor toma como certo que o Marcano não pretendia intervir no lance, teoria com a qual não posso concordar. Depois temos o penalti em que de facto, estranhamente a Sport tv não arranjou imagens que esclareçam quem agarra quem, mas faltou dizer que apenas a camisola de Soares aparece fora do sítio. Também é preciso querer ser esclarecido e, para isso, o próprio FCPorto divulgou um vídeo em que o lance fica claro. Por último, o lance em que é Soares que promove o contacto. Em primeiro lugar faltou dizer que nos "instantes que passaram", esse mesmo jogador fez outra falta passível, no mínimo, de amarelo. Algo que deveria ser suficiente para desmontar a teoria do surrealismo para quem achar que Soares se tinha de desviar do menino amarelado, quando pretendia ir para a baliza. Para terminar, deixo apenas mais uma crítica ao senhor jornalista que montou a peça. Antes da polémica, já Otávio tinha falhado um golo quando estava mesmo isolado na área, antes de outra jogada em que André Silva centra para Otávio e Soares que não conseguem finalizar apesar de não haver guarda-redes na baliza e antes ainda de outra jogada em que André Silva isola Soares que, da cabeça da área remata, numa bola que passa perto do poste esquerdo. Tudo lances que, mesmo que houvesse benefício arbitral, tornariam diferente o guião. A ajuda arbitral soa mais grave quando se tenta vender que o jogo estava a ser complicado... Quanto aos lances falhados na segunda parte, Otávio e André Silva agradecem que não sejam divulgados aqueles falhanços. Com tanta vontade de escrever um guião diferente, o jornalista até acabou por ser benevolente... Mas tudo isto para vos alertar para lutarem contra estas versões da verdade que vos tentam passar. Nós aqui, quando vimos que a tendência ia passar a ser essa, tornámo-nos mais ativos na nossa página do facebook e temo-nos esforçado por mostrar vídeos curtos que procuram desconstruir estas supostas 'verdades' que os media tentam passar, mas também o que de bom tem esta equipa, e é muito, e que vemos constantemente omitida nos resumos. Na próxima conversa mal intencionada que tiverem no elevador ou junto à máquina de café, puxem do telemóvel, acedam a páginas como a nossa e desmascarem essa lampionagem no momento!

Quanto ao jogo, não fomos tão eficazes como nos últimos jogos. Caso contrário, teria sido um resultado surreal. Quem viu aquela segunda parte não estranharia se tivessemos marcado o dobro dos golos. Mas não convem esquecer que houve ali alguma dificuldade de construção na primeira parte. André André e Otávio perderam bolas comprometedoras que resultaram em saídas perigosas, que foram controladas quase sempre com faltas e com amarelos. Nuno resolveu poupar o meio campo e os três titulares que faltaram nessa zona fizeram-se sentir, sobretudo pela falta de combatividade perante a pancadaria que sobretudo o numero 7 do Tondela estava a distribuir. Com o passar do tempo as oportunidades foram aparecendo e o primeiro golo, seguido da expulsão tardia, ajudaram a que o FCPorto não precisasse de muito para golear. Jogo que se tornou simples e que poderíamos ter aproveitado melhor para motivar os nossos avançados, nomeadamente André Silva.

Individualmente, gostei da exibição e do grande golo de Ruben Neves. Ai se tivesse sido o Bob Marley da Musgueira, tinha direito a abertura de telejornal... Gostei também de André Silva e de Corona. Soares participa menos, mas sempre bem. Grande classe no seu golo. Jota voltou a entrar muito bem e já merece o regresso à titularidade. Não gostei tanto de André André e de Otávio, sobretudo na primeira parte. Felipe também esteve um pouco desastrado e vê-se no tal lance com Murillo. Nuno arriscou muito no onze mas acabou por sair-se bem.

Venha a Champions! Vamos ver se há mesmo fortaleza!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Mesma receita, mesmo resultado


Foram dois testes duríssimos em jornadas consecutivas. Enquanto nós defrontámos um 'grande' e o quinto classificado em sua casa, o nosso adversário teve dois jogos caseiros com equipas de meio da tabela para baixo. Na sexta-feira até apanhou um adversário com treinador a fazer as malas. Bizarrias do futebol português. Pois a distância mantém-se e vem aí uma visita a Braga que nos pode trazer boas notícias. A conclusão óbvia é que estamos na luta e que a nossa dinâmica de resultados é já incomodativa para o nosso adversário, e isso começa a notar-se. Notou-se na nomeação de Xistra. Nota-se em pequenas intrigas como a suposta impossibilidade de se usar Soares, porque o negócio era de um suposto empréstimo. Nota-se nesta tentativa de passar a ideia de que o FCPorto joga pouco e de forma demasiado defensiva. Que é apenas sorte. Até é verdade que ainda não estamos a um nível que gostaríamos, mas falta analisar o recente poder pífio da inexistente 'avalanche' ofensiva do Benfica. Nós aqui preocupamo-nos com o FCPorto e temos admitido que ainda jogamos pouco. Mas se tentarmos fazer uma análise comparativa com o que joga o outro candidato ao título, logo nos animaremos porque, ao contrário do que a propaganda vem pregando, eles têm problemas tão ou mais graves que os nossos. Será por isso interessante seguir os resultados desta semana.

Deixando as comparações de fora, vamos ao FCPorto em Guimarães. Mais uma vez, pobre, muito pobre ofensivamente. Seria fácil dizer que a culpa é do facto de termos jogado com o André André e com o Herrera, mas foram apenas intérpretes diferentes, com mais músculo, numa estratégia semelhante à da semana passada no Dragão. Herrera fechou junto ao lateral como aconteceu com Corona, e André esteve muitas vezes ao lado de Danilo, como aconteceu com Oliver. Ofensivamente, voltamos a chegar lá poucas vezes e sempre com perigo. As únicas diferenças que notámos foram, por um lado, o Vitória foi muito menos perigoso do que se esperava perante os níveis de posse que teve, e o Jota que entrou muito melhor do que na semana passada, resolvendo o jogo à terceira oportunidade de que dispôs. Ou seja, mais um bom resultado, fruto de um futebol que eu não gosto, assente numa muralha defensiva impressionantemente eficaz. E a eficácia tem sido o destaque destas últimas exibições: soberba eficácia defensiva e cirúrgica eficácia da finalização. Mas todos nos lembrámos do que aconteceu quando não houve essa eficácia: 0-0. Esse mesmo resultado que nos veio à cabeça quando vimos o onze inicial...

Individualmente, destacou-se mais uma vez o nosso MVP da época: Marcano. O verdadeiro capitão de equipa. Alex voltou às boas exibições com actuação determinante nos dois golos. Soares continua letal e muito combativo. A André tem-lhe faltado a parte do 'letal'. Jota entrou muito bem e muito melhor do que Corona. Brahimi, André André e Herrera, não estiveram mal, mas destacaram-se mais pela luta do que pelo desequilíbrio ofensivo. Maxi entrou bem no jogo mas foi baixando o rendimento.

Na sexta-feira, espero que se volte aos jogos de posse de bola superior a 50%. Mas mais importante que isso será a vitória, para que o Benfica entre em Braga em segundo lugar.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Jogar como nunca e ganhar... Desta vez...


Foi uma grande satisfação estar em primeiro lugar, nem que por poucas horas. Estamos inesperadamente numa posição de discussão do primeiro lugar, dependendo apenas dos próprios resultados e com um dos adversários afastado definitivamente dessa luta. Tal significa que, na pior das hipóteses, teremos evitado já em Fevereiro a pré-eliminatória da Champions que, cada vez mais, traz adversários temíveis, como aconteceu este ano com a Roma. Foi portanto um resultado óptimo em todos os sentidos. Se compararmos com a exibição, parece ainda melhor, mas já lá vamos. Sobra a pequena satisfação de riscar o Sporting da luta e dar uma lição aos dois faroleiros que os lideram, presidente-adepto e mestre-treinador. É bem saboroso ver este estado de coisas no ano em que jogaram as fichas todas. Poético até!

Mas vamos ao jogo. Troquei umas mensagens antes do jogo em que dizia que, em relação ao onze que Nuno apresentou, apenas trocava Soares por Jota. Burro! De facto, não podia estar mais errado. Ao contrário do que pensava, a táctica não se mostrou nada apropriada, e foi o Soares que nos salvou desse facto com a sua incrível  eficácia em dia de estreia. A minha ideia era a de que Nuno pretendia contrariar o jogo do Sporting assumindo o jogo e a posse, dotando a equipa de mais jogadores capazes de ter bola com qualidade, tentando adicionalmente pressionar os jogadores mais fracos do adversário, que são os laterais. Em suma, pô-los desconfortáveis e sem possibilidade de jogarem da forma habitual. É possível que tudo tenha mudado pelo facto de termos chegado ao golo na nossa primeira entrada na área, mas a verdade é que não conseguimos ter bola e Corona e Brahimi viram-se remetidos a funções de encostar aos seus colegas laterais para conter as constantes investidas adversárias. Toda a equipa bem longe da dupla da frente, o que fez com que Oliver fosse invariavelmente sobrevoado pelo jogo e remetido a acções defensivas. Ora perante tamanhos problemas como é que conseguimos ganhar? Simples. Tivemos uma eficácia ofensiva absolutamente invulgar, sem precedentes na época e potenciada por um reforço de inverno, para já, cirúrgico. Depois tivemos a habitual eficácia defensiva alicerçada no poderoso trio de centrais, a que se juntou mais uma grande exibição de Casillas num clássico. É caso para dizer que, perante tamanha apatia ofensiva, acabou por correr tudo bem!

Mas mais uma vez, não nos cansamos de alertar que este futebol não é o nosso. É o segundo jogo consecutivo em que somos suplantados em termos de posse de bola no Dragão. É o segundo jogo consecutivo em que beneficiámos de um factor absolutamente inesperado para ganhar um jogo que não dominámos. Contra o Rio Ave, foram as bolas paradas e ontem foi Soares. É uma fortaleza, mas tem fundações muito frágeis. Até quando é que a intensidade, o crer e a força das bancadas vai durar, se somos incapazes de controlar os jogos em vantagem e de afastar os adversários da nossa área? Nuno usa estes chavões que aprendeu num curso de comunicação da 'Planeta Agostini' mas são apenas 'sound bites'. Lembram-se da altura em que um resultado de 2-0 ao intervalo era motivo de descanso? Aí sim, havia fortaleza! Pode até acontecer que o FCPorto comece a jogar bem de tanto ganhar, jogando mal. As vitórias são um tónico com um poder que ultrapassa qualquer limitação de plantel ou de liderança técnica. Mas a verdade é que eu devia estar bem mais eufórico do que preocupado e eu diria que estou num 50-50...

Individualmente, terei de dar um MVP repartido entre Soares e Casillas. Um MVP na primeira parte e outro MVP na segunda. Soares deixa água na boca, e veremos se temos Derlei ou não. Casillas guarda o melhor para os embates com os grandes e voltou à nota épica da Luz, no ano passado. De resto é de enaltecer o excelente passe de Danilo no segundo golo, e  o esforço contra natura de Brahimi e Corona no apoio aos laterais. Os centrais tiveram demasiado trabalho e apenas foram batidos em dois lances de bola parada e num golo em que Gelson ganhou três ressaltos. Perante tanto trabalho a nota tem de ser positiva. Alex apanhou com o melhor jogador adversário e a sua exibição ressentiu-se. Até nas bolas paradas esteve pior. André Silva esteve pior que Soares mas pareceu um erro gigantesco tirá-lo tão cedo. Se há jogador que dura os noventa minutos é o André e viu-se que fez falta no final perante os problemas físicos evidentes do Soares, do Corona e do Oliver. Incrível como o jogo em que mais parecia 'estourado' foi o jogo em que fez os 90 minutos. De facto, Nuno é mesmo imprevisível e assustador nas suas opções de banco.

Mas estamos lá em cima na luta! Há que manter a pressão na frente apesar de se seguir uma das deslocações mais difíceis da época.