
A última vez que fiz uma "riskaralhada" foi após a primeira mão, em Madrid, nos oitavos de final da última edição da Champions League.
Não é segredo para ninguém que eu faço parte daquele grupo de adeptos que não gostam nada do Jesualdo. Se calhar somos os únicos que não percebemos nada de futebol mas não é isso que está em causa. O que está em causa é que eu, tal como os que percebem, gosto de ver futebol e, do meu ponto de vista, o problema do nosso clube esse e é recorrente. Já vai no 4º ano que não jogamos futebol, salvo algumas excepções, quando devia ser ao contrário!
Obviamente, o Jesualdo não é tão mau como eu o pinto. Aliás, no final da última época reconheci-lhe mérito na forma segura como o Porto ganhou o campeonato depois de um Novembro tão negro. Não menos óbvio é o facto de a solução, ou parte dela, ser nada mais, nada menos, do que aquilo que muitos já vinham defendendo desde Setembro.
Ora, no início desta época, muito me surpreendi ao ver que o Jesualdo tinha integrado no onze titular 4 jogadores novos, ou seja, quase metade da equipa era nova. Resultado: 1 supertaça e, à excepção da primeira jornada, resultados volumosos e exibições parcialmente muito agradáveis, apesar de a qualidade do jogo ser intermitente. O facto de haver 4 jogadores novos não seria alheio a essa intermitência.
Eis senão quando, chegados ao primeiro jogo "a sério", em Stamford Bridge, e o homem volta à estaca zero!!! Quando chegamos ao único jogo da Champions em que podemos, de forma objectiva, testar a equipa, o mister inventa, altera a equipa, e joga para o pontinho, tal e qual como fez na maior parte dos jogos da sua longa carreira. Ou seja, na ânsia de obter um pontinho no único campo onde lhe era permitido perder, não só perdeu o jogo, como perdeu um onze, como terá retirado níveis de confiança a Varela e, sobretudo, a Falcao e Belluschi... os mais prováveis substitutos de Licha e Lucho.
Lançou Guarín e correu-lhe bem porque o rapaz fechou os olhos, deu um berro e foi com tudo para o campo. Escusava era de ter corrido um risco absurdo de perder definitivamente um jogador internacional. Bem, ele lá sabe o que se passa durante a semana nos treinos e, por isso, tenho que lhe dar o devido beneficio da dúvida mas... lançar um jogador num jogo da Champions que ainda não tinha um único minuto em jogos oficiais pelo clube esta época não me pareceu muito sensato.
Quatro dias depois, a visita ao líder do campeonato. Como o espaço mais visitado na rede dedicado ao Braguinha se chama "SuperBraga", Jesualdo não quis correr riscos e, de modo a poder equilibrar as forças no meio-campo ultra-musculado do Braga com Vandinho, Viana e Mossoró - tudo jogadores com mais de 1,85 e 85 Kg - apresentou um onze onde pontificavam 3 médios defensivos - Fernando, Meireles e Guarín.... Ora, saia um valente foda-se para a minha ironia!
Posto isto, chego ao ponto que me interessa debater: IDENTIDADE!
Na semana anterior ao embate com o "xélci" falou-se muito em "identidade" e que o Porto iria manter a sua identidade.
Eu só tenho 28 anos e sou um privilegiado porque me habituei a ver o Porto a ganhar e a JOGAR PARA GANHAR em qualquer campo deste Mundo. Às vezes, penso que se tivesse na casa dos cinquentas e tivesse estado 19 anos sem ver o meu clube ser campeão não seria tão exigente e/ou impaciente.
A verdadeira identidade do Porto é aquela que faz os onze estarolas que envergam o nosso emblema jogarem, em qualquer campo, sempre sem medo e com coragem. Respeitar o adversário não é temê-lo! Para quê tentar o "jeroajero" e depois acabar os jogos com 5 avançados??? Só se for para dizer que se tentou tudo para, pelo menos, empatar! Nada mais falacioso!
O Porto que eu amo vai ao Chelsea, ao Barcelona, ao Real ou ao Milan e joga o jogo pelo jogo. Na maior parte das vezes perde, algumas vezes até por 2 ou 3 golos de diferença mas vai ganhar pelo menos uma vez!, o que já é mais do que as vezes que o Jesualdo ganhou nesses campos! E o Jesualdo levou 4 do Arsenal e do Liverpool, por exemplo!
Neste ponto, gostava que o Icas me desse uma ajuda. Tem tudo a ver com as hipóteses e com o longo prazo. Ao jogar sempre para ganhar, no longo prazo, ganhará mais vezes do que se jogar para o empate e o Porto tem de pensar no longo prazo, já que o longo prazo do Porto é o presente pois estamos consecutivamente a defrontar os colossos do futebol mundial!
Nos 3 campeonatos que o Jesualdo ganhou, sem dúvida que o segundo foi imaculado mas, e os outros?
Será que o trabalho do Jesualdo foi assim tão positivo???? Eu não gosto do Paulo Bento e não quero, de forma alguma, dizer que o Jesualdo é inferior ou até do nível do Paulo Bento mas, se formos objectivos e compararmos os recursos dos vasquinhos com os nossos, não terá o Jesualdo deixado um pouco a desejar...
Eu não me esqueço que, por exemplo, na época passada, atingimos os 1/4s de final da Champions mas também não me esqueço que não marcamos nenhum golo nos jogos em casa, quer dos 1/8s quer dos 1/4s, nem que fizemos um campeonato bem melhor fora de casa do que no Dragão! Lá está!, o "meu" Porto ganha os 15 jogos do campeonato em casa!
E vou insistir neste ponto: Jogar para Ganhar! É isto que me custa não ver o Porto fazer. Preferia ter levado 3 em Londres mas ter assumido o jogo desde inicio e não esperar que o Hélton fosse o melhor jogador em campo, preferia ter massacrado o Braga e a bola não entrar de jeito nenhum, como por vezes acontece, e perder o jogo num lance fortuito ou num penalti bacoco como aquele que o Álvaro Pereira fez. Dói-me perder e pensar que não podia haver outro resultado porque não nos impusemos, porque não fomos humildes e trabalhadores!
Caralho!, qualquer jogador do Porto ganha mais num dia (considerando 30 dias de trabalho num mês) do que a maior parte dos adeptos ganham em 2 meses!! Vamos, nós adeptos, ter de ter paciência e compreensão com os macaquinhos que os jogadores têm no sótão??? Vamos, nós adeptos, ter de puxar pela equipa até à exaustão mesmo quando os jogadores ou não se aplicam ou não têm forças para se aplicar?!?!? Já há muito tempo que bato nesta tecla. A equipa é que tem de puxar pelos adeptos! A equipa tem de mostrar que merece os sacrifícios dos adeptos! Logo, logo, os adeptos deixam de ser tão exigentes e tudo entra numa espiral positiva.
ATENÇÃO QUE NÃO ESTOU A DEFENDER QUALQUER MASSA ASSOBIATIVA! APENAS E SÓ OS PASSIVOS!
Já agora... O Kaká teria lugar no onze do Jesualdo? E o Aimar? E um outro 10 qualquer? Vamos jogar sempre em contra-ataque? Vamos fazer do Hulk um novo Quaresma? Vamos dar oportunidade aos novos? Vamos poder ver jogadores como o Rabiola, o Ukra e o Castro no nosso plantel?
O posicionamento do Hulk, a falta que o Rentería ou outro ponta de lança possante faz, sobretudo para poder segurar a bola e distribuir nas alas, e outros devaneios tácticos deixo-o para o Prata.
Eu só queria mesmo falar daquilo que me dói actualmente: o meu Porto tem uma crise de identidade...
P.S. O Penta será nosso... e com Jesualdo!