Depois do resultado de ontem em Belém e do de Setúbal, já começava a teorizar sobre a possibilidade de a psicologia do jogo em atraso, que ainda temos de disputar no Estoril, se ter invertido. Na minha cabeça, tal seria um trunfo para o FCPorto porque, a eventualidade de podermos ficar com uma vantagem de 4 pontos para o segundo e 7 para o terceiro, teria de fazer mossa nos adversários. Ora o empate de hoje, confirmou que não vamos ter descanso nos próximos tempos, quanto à tabela classificativa. E bem precisávamos dada a sequência terrível de jogos que temos em Feverreiro.
Óbvio que o resultado é uma aberração quando comparado com o que se viu no jogo. Temos uma equipa que, apesar de jogar em casa, fez dois remates no jogo todo, sendo que um foi interceptado por Felipe e outro pareceu mais um alívio. Jogaram para o pontinho e foram bem sucedidos. Mas já não é comum que equipas com estas estratégias consigam pontos e conseguiram-no com bastante felicidade. Há ali jogadas de finalização simples e que foram desperdiçadas de forma incrível. Lembro-me especialmente de duas. Lembro-me de Brahimi que fez um remate na atmosfera, de fazer inveja ao Marega e lembro-me da recarga ao livre do Alex. Felipe poderia ter sido bem mais impetuoso. Bastava metade do ímpeto com que habitualmente defende, para ter sido golo.
Mas, apesar das inúmeras oportunidades, a bola não entrou. Não é caso para alarme mas importa, no entanto, analisar o nosso futebol ofensivo. Houve um problema claro de falta de eficácia que já vem dos últimos jogos. Mas noto ali que talvez seja preciso variar mais o nosso jogo. Ontem estreou-se Paulinho que acabou por tentar emular o papel de Brahimi no flanco direito. A estratégia deu alguns frutos e Paulinho conseguiu arranjar espaços nas costas da defesa contrária em duas ocasiões de muito perigo. Mas pareceu-me que o modelo poderia ter funcionado mais vezes, se não se procurassem sempre os movimentos interiores. Ricardo e Alex ficam consecutivamente 1 para 2 na ala e acabam por cruzar poucas vezes da linha. Ou seja, gosto do modelo e acho que funciona com estes jogadores, mas temos de ter a capacidade de variar mais. Ou até de variar a partir do banco com Corona, que nem foi a Moreira de Cónegos. Outro exemplo de variações que podemos fazer, dentro do mesmo modelo de jogo, são os remates de meia distância. Parece que estamos obcecados com a procura das costas da defesa e não aproveitamos para pôr pressão no guarda redes. Isto é especialmente para ti, Oliver! Em suma, se temos dificuldade em marcar, há que buscar alternativas e temos de fazê-lo cedo no jogo.
Outro factor, notório no jogo, e que nos impediu de fazer uma ponta final melhor, foi a frescura física. Mas isso... Já sabíamos que ia ser assim. Foi o plantel que tivemos até agora e não estica mais que isto.
Individualmente, gostei do Felipe. Precisávamos de uma liderança forte, na ausência de Danilo e de Marcano e tivemo-la em Felipe. Também gostei do Alex e do Ricardo que tiveram uma tarefa, às vezes inglória, de fazer a ala toda. Sobrou agressividade à dupla Herrera e Oliver, mas faltou mais capacidade de decisão sobretudo do espanhol. Não gostei de Brahimi e Marega pelo mesmo motivo. Muitas nabices em zona de decisão. Em Marega já estamos habituados, mas em Brahimi é mais alarmante e talvez mais um sintoma de desgaste. A estreia de Paulinho não foi deslumbrante mas pontuo de forma bem positiva. Waris e Soares só vieram ajudar ao acumular de nabices na área adversária. Ajudaram pouco.
Podemos ficar atrás. Temos de reagir já no sábado!





