segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Tiro ao boneco


Foi um jogo em que o FCPorto foi muito rematador, mas em que a quantidade de remates defendidos ou interceptados não foi tão elevado com em alguns jogos anteriores no Dragão. Se fosse assim ficaríamos com um paralelismo perfeito entre a nossa habitual 'avalanche' ofensiva e a deliciosa expressão com que Sérgio Conceição se referiu a um treinador rival. Ainda assim, não resisti...

Era um jogo que se adivinhava muito interessante. Por um lado porque teríamos de ganhar para atingir o título de Campeão de Inverno. Para nós interessa pouco mas, lá para baixo, pelo que se costuma ver nos jornais, eles dão grande importância a esse título. De tal forma que nem se decidem quanto às condições para esse título. É quem vai à frente no final do ano ou no final da primeira volta? Pelo sim, pelo não, cumprimos nos dois requisitos, mas agora estamos isolados. Mais uma vez voltámos a jogar já com a noção de que os nossos adversários tinham ganho facilmente os seus jogos. Mas o que mais me intrigava neste jogo era a forma como iríamos jogar com Oliver a ocupar o lugar de Herrera. Quem me lê frequentemente sabe que eu esperava uma total revolução no nosso futebol. Mas essa é uma esperança de adepto, tal como espero que o FCPorto ganhe em Liverpool. Como seria de esperar não houve revolução nenhuma. O que foi surpreendente é que, não só não houve revolução, como não houve evolução. Na primeira parte houve mesmo retrocesso, com muito nervosismo e muitos passes falhados, nomeadamente por Oliver. Ou seja, não notei grande diferença em termos de agressividade ou no processo de recuperação de bola, mas notei que a construção, com excepção das bolas conduzidas por Brahimi, esteve pior do que nos últimos jogos em casa. Culpa de Oliver? Talvez. Pode ter acusado algum nervosismo, visto que aos 3 minutos já estava a falhar passes  de uma forma que não é normal nele. Vá lá que Sérgio soube esperar pela segunda parte e pelas suas indicações ao intervalo. Assim, já deu para ver que o nível de sufoco que conseguimos infligir com este meio-campo, não fica atrás do que tem sido habitual com a dupla titular, nomeadamente ao nível da mobilidade e da agressividade.

Mais uma vez, voltámos a sofrer um golo na primeira aproximação do adversário à nossa baliza. São já três jogos seguidos em que isso acontece. Mas, desta vez, o adversário era melhor e conseguiu levar a vantagem até ao intervalo. É algo de irracional mas, hoje em dia, dá-me a sensação que estes percalços como as arbitragens do Veríssimo e estes resultados complicados ao intervalo, não nos fazem tanta mossa como em anos recentes. Ao intervalo, nas nossas conversas e nos semblantes em redor, não se sentia grande preocupação. Há aquela confiança de que a equipa é capaz encostar qualquer equipa à cordas, sobretudo no Dragão. Ora, ao intervalo, até os adeptos que vieram de Guimarães tinham a certeza que o Vitória ia sofrer na segunda parte. E concretizou-se.

Depois de uma primeira parte mais 'mole' do que o habitual, o FCPorto apresentou-se avassalador no início da segunda. Total controlo do jogo, bola a rodar rapidamente entre os flancos, laterais bem subidos e com recuperações de bola quase instantâneas. O nosso primeiro golo é paradigmático. A agressividade de Danilo, transformou um pontapé de baliza do adversário num lance de golo. Atacou a bola, dominou orientado e partiu para cima da defesa contrária. Depois Corona e Aboubakar fizeram o resto. Mas esta capacidade que temos de transformar um pontapé de baliza adversário num golo sofrido em 8-10 segundos é assustador para qualquer equipa e é assim que temos sufocado os nossos adversário no Dragão.

Reservo um parágrafo próprio para mais uma obra prima de Brahimi. Não que seja invulgar nele. Brahimi tem sido especialmente fustigado por esta reacção sistémica do 'Polvo' às nossas boas exibições e bons resultados. Os adversários começam por marcar a sua agressividade e a sua vontade de nos mostrarem que querem discutir o jogo, através da pressão em Brahimi. E por pressão entenda-se faltas constantes perante uma impunidade para os defesas irritante para qualquer jogador. Estes momentos de Brahimi conseguem concentrar quase a mesma dose de magia e de raiva! Vamos ganhar!

Individualmente, dou o MVP a Brahimi que foi o nosso melhor jogador também na primeira parte. Marega e Aboubakar continuam a espalhar o pânico nas defesas contrárias e Danilo está num momento de forma assombroso. Gostei muito de Ricardo Pereira, mas já sabemos que 'dormiu' um pouco no golo adversário. Corona esteve muito desligado do jogo. Vá lá que melhorou um pouco na segunda parte. Oliver também melhorou bastante ao longo do jogo. Tenho de admitir que esperava um pouco mais. Vamos ignorar aquele segundo golo do Vitória para não baixar a nota de Reyes e Sá. Detesto 'olés' e quase que dá vontade que se sofra golos, sempre que as bancadas começam com esse cântico ridículo em desporto.

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