Faltam golos. Não é preciso ser um génio para perceber isso. Mas o problema é um pouco mais complicado do que a mera inspiração no momento de finalizar. Mas este é um sintoma recorrente e é disso que se fala. Mas agora o problema é o treinador. Perguntamos nós: só agora? O nosso problema e a 'sorte' de NES é que têm aparecido atenuantes ou elementos que nos distraem. As arbitragens, a primeira parte com o Benfica, a juventude do ataque, a garra da equipa e nomeadamente a dos centrais e de Danilo, têm servido para que muitos tenham a tendência de dar o benefício da dúvida a um sistema que só funcionou na Madeira e na primeira parte com o Benfica. E com isso continuamos iludidos a elogiar o Danilo e o Marcano e a dizer que o Oliver não é tão bom como pareceu da primeira vez, que o Otávio já não está em forma e que o André Silva e o Jota ainda não estão preparados. Repito o que disse aqui na terça-feira: «gosto da atitude mas acho que está a ser desperdiçada em ideias que são curtas para o talento individual que temos na frente». Uma equipa como o FCPorto tem de procurar a posse. Não pode desperdiçar tanto jogo em bolas longas sem sentido e num desgaste constante dos nossos avançados. Nuno Espírito Santo registou o slogan 'Somos Porto' mas o conceito dele está incompleto. Não basta correr mais. Há que correr melhor, há que procurar controlar o jogo, há que assumi-lo com autoridade. Nuno foca-se na intensidade, na necessidade de chegar rápido à frente, na necessidade de pôr pressão constante na defesa contrária. Serão ideias válidas mas totalmente desajustadas do plantel que temos à disposição. É um desperdício ter no plantel Oliver, Otávio, Corona, Brahimi, Ruben Neves e estar a pôr 50% das bolas a sobrevoá-los, só porque André Silva e Jota gostam de procurar o espaço nas costas da defesa. É um esquema de jogo limitador do talento individual, que é o mais nos distingue dos nossos adversários habituais.
Quanto ao jogo, poderão ir ver o que se disse aqui do jogo de Tondela e de Setubal. Pouco mudou. Individualmente, dou o MVP a Marcano que esteve bem na defesa e ainda criou a nossa melhor oportunidade. Felipe também esteve bem. O resto foi bastante mediano e até fraco como foi o caso da exibição de Jota. Mas o grande destaque negativo vai para o auxílio do banco. Dali não veio ajuda nenhuma e Depoitre continua a assustar bastante. Há um remate que é mesmo ridículo. É até embaraçoso discutir esse lance.
Na terça-feira não há crónica. Depois faz-se uma geral para a Taça da Liga. Tirando esse, nos próximos jogos, joga-se o futuro de Nuno Espírito Santo. Há uma mês parecia improvável.




