segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Grande semana!


Quando comecei a escrever o post estávamos a 4, para depois estar a 5, para voltar a estar a 4 pontos de distância para o segundo. Jogos apitados por Xistra são assim. Ontem o empate era o resultado mais conveniente para o artista. Os seus protegidos aproximam-se do segundo lugar, sem que fiquem demasiado ameaçados na sua posição de terceiro.

Mas o aumento da nossa vantagem consumou-se. E aconteceu na mesma semana em que voltámos a estar em posição de qualificação na Champions. Seria difícil imaginar uma culminação melhor para um ciclo de jogos que se adivinhava muito difícil. É certo que não sucumbimos nos resultados, mas a parte física está a rebentar  por todos os lados. Basta ver Felipe que se agarra a quem passa perto dele para não cair de cansaço... É raro dizer isto mas, esta pausa para selecções e Taça de Portugal vem em óptima altura. Teremos tempo para recuperar as lesões que temos e que exigem sobretudo repouso. 

Perante tanto cansaço, no jogo de ontem, emergiu o nosso 'tanque'. Vamos lá abordar o 'elefante na sala'. Herrera foi o MVP da partida. Não o atribuo por meras razões estatísticas e por ter estado nos dois golos. Foi o melhor porque demonstrou um fulgor físico durante o jogo que se destacou dos demais. E já percebemos que a parte física é muito valorizada neste esquema em que Sérgio Conceição, por causa da pressão que se pretende colocar no adversário. É neste campo que Herrera se distingue dos outros médios do plantel. Tem uma capacidade física ímpar no nosso plantel e é o que aguenta melhor este ritmo estonteante que se exige aos nossos médios. Eu diria que é o único que aguenta porque, sempre que Danilo o tenta fazer, fica uma 'cratera' atrás dele e a sua recuperação 'a trote' é bem visível em campo, nomeadamente nos jogos com o Leipzig. Nos últimos dois jogos, Herrera juntou a isso um bom desempenho ofensivo, sobretudo nas bolas paradas em que ataca o segundo poste. Mas abordando as minhas recentes reservas quanto à titularidade do Herrera, muitos dirão que tenho de reconhecer o erro. Quem me lê regularmente sabe que me recuso a desligar o cérebro, só porque vamos à frente. Como pessimista militante, está na minha natureza antecipar possíveis problemas e procurar soluções. Eu até percebo a ideia da aposta em Herrera mas continuo a achar que não é a melhor solução no plantel. Acho que é uma solução que faz com que a equipa tenha menos qualidade com bola e que impede que se constitua uma alternativa criativa no meio campo. Com este onze, restringimos a criatividade ao trabalho de Brahimi e Corona, sendo que este último nem sempre joga. Basta que Brahimi tenha um jogo menos bom, como por exemplo neste último jogo com o Leipzig, e deixamos de ter soluções. Nesse jogo 'safamo-nos' pela nossa qualidade nas bolas paradas, que têm sido tão importantes nos últimos jogos. Mas ninguém me consegue convencer de que um jogador mais evoluído tecnicamente não traria mais soluções à nossa frente de ataque. Muito falamos do caso Casillas, mas o caso Oliver é absolutamente inexplicável. Sérgio tira-o da equipa porque acha que ele não lhe dá o que se exige a um médio num esquema de dois elementos no meio campo. Mas agora já sabemos que ele também não serve para um meio campo a três. Depois deste último jogo, eu pergunto se haverá alguém que não esteja à frente de Oliver nas opções de Sérgio Conceição? Com uma equipa tão debilitada nas opções ofensivas, até um jogador da equipa B foi opção. A conclusão óbvia é que Sérgio é alérgico a talento no meio campo. Quer jogadores práticos e duros. Para mim esse é um erro porque ajuda a partir a equipa e, num plantel muito 'espremido', nos priva de uns dos jogadores mais talentosos do plantel. Mas se é para ser assim, ainda bem que o Herrera está num bom momento de forma.

O jogo foi muito marcado pelo cansaço e pelas ausências. A vitória foi natural e confirmou-se de forma demasiado tardia no jogo. As oportunidades foram aparecendo a uma cadência interessante e desperdiçamos muitas jogadas perigosas com más decisões e más finalizações. Apesar disso, a equipa manteve-se tranquila até à confirmação da vitória que nos deixa mais confortáveis.

Individualmente, além da exibição de Herrera, não gostei propriamente de nenhuma exibição. Brahimi esteve melhor na primeira parte do que na segunda. Aboubakar marcou um golaço mas esteve sempre muito longe do jogo. André André continua meio perdido naquela posição que não é a dele. Se se aproxima de Aboubakar, perde mais vezes a bola. Se recua, está em cima de Herrera. Ainda não se percebeu o que Sérgio pretende dele nesta posição. Corona entrou bem e foi pena que o miúdo não conseguisse marcar. Reyes cumpriu, apenas. Pela negativa Felipe. Já sabemos que os nossos adversários, que há um ano gozavam com as nossas queixas, estão hoje transformados nuns 'calimeros'  que se queixam por tudo e por nada e que escolheram o Felipe como o novo Paulinho Santos. Isto não é um problema. A questão é que os dois lances que se discutem do Felipe são incrivelmente desnecessários e demonstram alguma desconcentração. Gosto de Felipe agressivo mas concentrado.

Venha a pausa. Se houvesse página web com o boletim clínico ia lá fazer 'refresh' regularmente, neste período.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Tenso e Intenso


Não fizemos uma grande exibição e voltámos a demonstrar muitas dificuldades perante o poderio ofensivo do Leipzig. Mas saí do Dragão com uma satisfação plena. A razão é simples, o FCPorto enfrentou uma equipa que demonstrou ser superior tecnicamente, mas que não conseguiu sobreviver à fúria do Dragão. Tal como tem acontecido sucessivamente, este FCPorto de Sérgio Conceição, supera-se perante as adversidades.

E a primeira veio logo nos primeiros minutos. Depois do que aconteceu com o Besiktas, poucos antecipavam que Sérgio apostasse numa frente de ataque reforçada e antecipava-se o regresso de Sérgio Oliveira ao onze. Corajosamente, apesar da ausência de opões ofensivas no banco, apostou-se em Corona para reforçar o ataque, num claro sinal de que se pretendia entrar forte e resolver o jogo cedo. A lesão de Marega veio complicar as contas. É que no banco faltavam as outras opções já testadas nessa posição: Soares e Otávio por lesão e Galeno que julgo que nem está inscrito. Sérgio teve de improvisar e optou por mudar o esquema de jogo com a entrada de André André, num esquema mais parecido ao que tivemos em Leipzig. Como seria de esperar, fiquei logo aziado por não se ter optado por Oliver, que tem outros argumentos ofensivos. Ainda agora me custa a perceber a opção de Sérgio Conceição, mas a verdade é que a estrelinha que nos tem acompanhado voltou a atuar em força. Perante uma substituição claramente defensiva, num jogo em que era obrigatório ganhar, do canto ganho por Marega na sua última jogada em campo, surge o nosso primeiro golo. Melhor era impossível. O problema é que a pressão dos alemães era muito forte e o nosso meio campo teve grande dificuldade no controlo do jogo. O Leipzig dominou o jogo como quis até ao golo do empate. Isto apesar de não ter tido grandes ocasiões de golo. Houve poucas no jogo. Estranhamente ou não, o Leipzig desapareceu após o golo do empate. Gostaria de dizer que o FCPorto passou a dominar o jogo, mas não consigo. Passámos a jogar melhor do que na primeira parte mas, pareceu mais um aumento de intensidade e da garra, do que domínio das operações. Parecia um domínio mais consentido pelo adversário do que conquistado, até porque Brahimi não conseguia pegar no jogo e Corona já dava sinais de cansaço. O segundo golo de bola parada veio dar à equipa a confiança de que precisava. A partir daí, todos os cortes eram festejados como se se tratasse de um golo, até ao efectivo golo de Maxi que trouxe a explosão geral de um estádio que esteve sempre com a equipa, mesmo quando passámos mal na primeira parte. Por falar em Maxi, mais uma vez a estrelinha de Sérgio Conceição a funcionar... Até agora, as entradas em jogo de Maxi significavam sempre uma subida de Ricardo no terreno. Desta vez, foi ao contrário e deu golo. Inexplicável, mas isso torna o momento do golo ainda mais saboroso.

Em suma, foi um jogo que não dominámos e que ganhámos no único pormenor em que fomos muito superiores ao adversário: na garra, na intensidade e na vontade de vencer.

Individualmente não consigo dar um MVP. Estatisticamente, Danilo foi decisivo com um golo e uma assistência.  Herrera também marcou e cresceu no segundo tempo. Mas não consigo esquecer o desnorte destes dois na primeira parte. Tiveram 180 minutos para perceber como controlar as investidas de Keita e Forsberg e nem com a ajuda de André André deixámos de sofrer com a acção desses jogadores no miolo. Se tivesse de escolher iria mais para Marcano ou Corona que não estiveram soberbos mas que tiveram exibições mais consistentes. Destaque negativo para Brahimi que, depois de vários jogos em que foi o melhor, não conseguiu soltar-se da apertada marcação que sofreu.

Voltamos no sábado e Sérgio faz bem em queixar-se do calendário. Não se percebe porque é que os interesses televisivos se hão de sobrepôr aos interesses de um clube, numa semana em que fomos os únicos a obter um vitória na Champions. Mais uma adversidade para ultrapassar!

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Dragão de Ouro


Valeu a pena ver a cerimónia dos Dragões de Ouro para ver aquele momento simbólico de passagem de testemunho entre Madjer e Brahimi. Por testemunho entenda-se 'varinha mágica', porque é de mágicos que estamos a tratar. É interessante constatar que a magia de Madjer era decisiva, mesmo na selvajaria que era o futebol português nos anos oitenta. Pois, hoje em dia, Brahimi também brilha perante um Boavista e uma arbitragem que também fazem lembrar esses tempos. 

Quanto aos lenhadores do Bessa, nada que não fosse de antecipar. Era escusada tamanha complacência de Hugo Miguel. Este foi talvez o fator que mais equilibrou o jogo no primeiro tempo. também não ajuda a falta de qualidade de passe e de posse que temos no meio campo, com a dupla Danilo e Herrera. Com estes dois em campo, torna-se mais importante o papel dos mágicos das alas, nomeadamente Brahimi, que é o que retém a bola com mais qualidade. Assim o jogo torna-se mais previsivelmente lateralizado, apesar da imprevisibilidade que estes dois trazem a qualquer jogada em que participam. Em suma, a primeira parte do jogo não foi boa porque não se jogou pelo miolo, quer pela complacência do árbitro com os lenhadores boavisteiros, quer pela inépcia de Herrera e Danilo em receber a bola dentro do bloco adversário. Tudo mudou com o primeiro golo. Aboubakar desceu para fazer o papel de médio e logo desmontou a defesa adversária. A partir daí, tivemos mais espaços que a equipa em geral e Herrera em particular, passaram a ocupar com maior eficácia. Apesar de um ou dois percalços na nossa área, era uma questão de tempo até ao resultado se avolumar. Concretizou-se com uma biqueirada de Marega. Destaque também para o desarranjo táctico que Jorge Simão apresentou na segunda parte do jogo. É um mister que não aprecio e é sempre bom ter razão e vê-lo a fazer implodir a sua equipa com apenas uma substituição.

Mais uma vez, tal como aconteceu em quase todos os jogos fora de casa, saí com a sensação de que teríamos empatado ou perdido um jogo com estas características e com aquela primeira parte, com o FCPorto de Nuno Espírito Santo. É impossível de provar mas, ainda assim, dou-o como adquirido. De facto, mesmo com estas bizarrias que nunca vou entender como as opções de Sá por Iker e Herrera por Oliver, este FCPorto de Sérgio Conceição parece ter uma disposição mental e uma atitude competitiva diferentes e isso nota-se nas reacções aos resultados menos positivos ou a primeiras partes menos conseguidas.

Individualmente, dou o MVP a Brahimi que continua a ser o farol da equipa, apesar de jogar a partir da ala esquerda. Mais um grande jogo do nosso mágico. Aboubakar também voltou a estar muito bem e foi decisivo na jogada que desbloqueou o jogo. Gostei também das exibições de Ricardo e Corona. Este último, a jogar assim, pode dar ao Sérgio mais confiança para a aposta em dois médios e dois alas, nomeadamente no jogo de quarta-feira. Marega continua a ser Marega. Jogo aparentemente fraco mas em que é, mais uma vez, decisivo. Habituem-se! Gostei também da entrada de André André que, esta época, tem sido o nosso décimo segundo jogador que mais traz à equipa. Devia ter entrado 10 minutos mais cedo. Pela negativa, não tenho grandes destaques. A dupla de centrais esteve uns furos abaixo do resto da equipa, sobretudo Felipe. Esta dupla é um dos esteios da equipa e são a melhor herança do  anterior treinador. Mas, com um meio-campo mais 'pezudo' como o que temos actualmente, notam-se muito mais as dificuldades de construção e o nervosismo aumenta.

A má exibição na Alemanha tornou o resultado da próxima quarta-feira num jogo absolutamente decisivo. Qualquer resultado que não seja a vitória deixa-nos fora. Tirando Sá e Herrera, espero que o onze se repita.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Ainda a questão do guarda redes


Como é óbvio, esta crónica não é sobre o caso Casillas. O título foi apenas uma miserável tentativa de 'click bait'. Na verdade, com um ataque assim, até poderíamos ter jogado com o guarda-redes dos sub15 e goleávamos na mesma. Continuarei a não concordar com a opção até que me digam o verdadeiro motivo. Para já, o que Sérgio diz é que é uma opção técnica. Tal como Herrera também o é. A própria opção por Layun, nas ausências de Ricardo, é absurda para mim e para muitos. Mas, por muito que eu queira criticar algumas opções, perante a evidência dos resultados, tudo se torna um pouco deslocado. Vou deixar de falar destas opções estranhas. Tal como Sérgio Conceição, talvez eu esteja a insistir num erro. A minha natureza de treinador de bancada, faz-me concentrar nos Herreras e noutros nabos de quem todos os treinadores tanto gostam, quando devia estar a desfrutar deste excelente arranque da equipa na Liga. Também o Sérgio, não se segura e não consegue deixar de arranjar novas frentes de batalha, apesar de estar a competir num campeonato de Padres de Missas e de convenientes falhas de comunicação no VAR. Está na nossa natureza...

Ontem o jogo foi bastante bom. Em primeiro lugar, tivemos uma assistência muito boa para um jogo em Outubro, com uma equipa da metade inferior da tabela. Mas o mais importante foi o facto de a assistência ter sido premiada com uma exibição intensa da equipa. Sérgio Conceição prometeu uma reacção muito forte e cumpriu. A equipa do Paços entrou com um verdadeiro espírito 'lenhador' mas, antes mesmo do empate, já tínhamos tido 3 oportunidades de golo claras. Esse lance resultou de uma série de erros até ao erro final de Herrera e é um lance que pode acontecer e acontece normalmente nestes jogos em casa. O mais importante é a reacção a estes imponderáveis. Estávamos a meio de uma reacção a uma derrota europeia e tivemos de reagir a um empate que não merecíamos. E a reacção foi muito boa! De um empate desconfortável, fomos para o intervalo com um confortável 4-1. Esta é a verdadeira fortaleza do Dragão! De goleada em goleada. Os guarda redes que nos visitam têm de se preparar para ir buscar a bola ao 'saco' várias vezes.

Sérgio Conceição voltou ao 1-4-4-2 e voltou a 'avalanche' ofensiva. Os quatro da frente fizeram exibições boas e, apenas essa conjugação, chega para 90% dos jogos no Dragão. Para complementar, Ricardo arrancou uma exibição portentosa, sendo um claro MVP. Marcou um golo, teve duas assistências e foi muito agressivo no ataque às segundas bolas, percorrendo todo o corredor com autoridade. Este esquema de jogo pede laterais assim. Capazes de fazer o corredor todo. Quanto às restantes exibições, não há nenhuma nota que não seja muito positiva. A menos exuberante, talvez tenha sido a de Danilo.

Na terça-feira temos Taça da Liga. Espero ver outra vez Dalot e, já agora, Fede Varela, que já merece.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Caso Casillas e o experimentalismo


Já sei que foi apenas um jogo e que tanto Sérgio Conceição como a equipa têm estado bem acima do esperado. Se me dissessem que íamos perder 3-2 em Leipzig, no momento do sorteio, eu não poderia estranhar. É uma equipa boa e com muitas soluções ofensivas de qualidade mundial. Mas o jogo de hoje foi horrível! É um resultado extremamente enganador porque é escasso para os alemães. Tenho dificuldade tirar alguma coisa do jogo que não sejam perplexidades. 

Mas a maior perplexidade é Sérgio Conceição. Imaginem esta situação: vamos ver um espectáculo de magia e, a certa altura, o ilusionista apresenta um número em que faz desaparecer do palco um elefante. Brilhante! Só nos resta aplaudir de pé tal façanha. Já estávamos surpreendidos por alguém conseguir enfiar um elefante no Rivoli, quanto mais fazê-lo desaparecer! E se, no número seguinte, o ilusionista, no meio de um truque de cartas, apresentar dificuldades em baralhar, deixar cair as cartas no palco e não acertar na carta que o membro da audiência escolheu, nem à quinta tentativa? É caso para duvidar. Poderá ter tido sorte, antes? Mas era um elefante adulto! E isto é um simples truque de cartas... Bem, julgo que dá para perceber a ideia. O que pretendo dizer é que Sérgio Conceição conseguiu o mais difícil. Após a primeira derrota, estabilizou a equipa numa base de confiança, demonstrou que tinha capacidade de se adaptar às dificuldades que os jogos nos foram trazendo e passou incólume a uma semana em que jogava em Alvalade e com o campeão francês. Agora era preciso estabilidade. 'Colher os frutos' do trabalho das últimas semanas. Ontem bastava empatar. Bastava apresentar um onze sólido, confiante, experiente e capaz responder perante a antecipável pressão inicial de um adversário que precisava de pontos. Para quê inventar? Por que é que não apresentámos o nosso melhor onze? Porque é que não apresentamos o nosso guarda-redes mais experiente e que transmite mais tranquilidade à defesa? Porque é que se insistiu em apresentar o nosso lateral direito que defende pior, quando essa é a única posição do plantel em que temos 3 opções válidas (4 se contarmos com Dalot)? Podia perder na mesma, mas era completamente escusado perder de maneira a que seja possível assacar responsabilidades a um treinador, até agora unânime e justamente aplaudido. Era escusado dar à imprensa adversária um caso para encherem as suas páginas e os programas de 'paineleiros'. Para quê tanto risco? Ninguém me garante que o erro de José Sá não pudesse ser cometido por Casillas. Ele, recentemente, também teve muitas culpas no segundo golo do Besiktas. Mas sou capaz de garantir que um erro de Casillas não deixaria a defesa tão intranquila como se viu ontem. E o que se pedia era tranquilidade. A pressão estava do outro lado.

O jogo foi muito fraco. Já sabíamos que esta solução de meio campo trazia mais transpiração que inspiração mas, ao contrário do que vimos nos jogos anteriores, o preenchimento dos espaços foi péssimo. Cedo se viu que o Leipzig passava facilmente pela pressão dos nossos médios através da colocação de um dos alas em zonas interiores, mas não se fez nada quanto a isso. Vimos a mesma jogada repetida vezes sem conta  e sem que se conseguisse resolver. Bastava um médio mais posicional. Mas não foi um jogo bom de Danilo. Foi uma das exibições de que menos gostei. Outro problema foi a saída para o ataque. Aboubakar fez o possível para tentar segurar a bola, mas bastou uma exibição menos inspirada de Brahimi (muito marcado) e o nosso futebol ofensivo desapareceu. Porque, com este onze, só há Brahimi. O resto são correrias. No lado direito, ao intervalo, Marega e Layun tinham uma média de 30% de passes acertados. E mesmo assim, fizemos dois golos. Incrível! E as substituições? No intervalo com o Besiktas, depois de uma primeira parte muito melhor do que a de hoje, Sérgio muda dois jogadores. Porque não tentar o mesmo 'efeito de choque'? Sem Soares no banco, este esquema com Marega deixa o treinador sem soluções no banco. Mas é por culpa própria. Como se viu nos minutos em que jogou, Corona podia perfeitamente ter sido titular e passaríamos a ter uma solução ofensiva no banco. Assim, Marega fez a sua pior exibição da época e o Sérgio não o podia tirar, porque estava a perder e queria ter gente na frente. Só espero que Sérgio Conceição perceba todos os erros que cometeu e a sorte que teve em não ter sido goleado hoje. Se perceber isso, talvez possamos sair desta 'montanha russa' emocional que tem sido esta  edição da Champions.

Individualmente, gostei de Aboubakar, de Felipe e de Alex Telles. Marcano este no melhor, mas há dois golos em que acaba por comprometer. Num deles com algum azar. Brahimi cresceu na segunda parte e podia ter ficado até final. Não gostei nada de Danilo. Esteve pior até que Herrera e Sérgio Oliveira, que acabaram por passar ao lado do jogo. Layun foi o que se esperava defensivamente e, na frente, exagerou nos cruzamentos de fase recuadas. Deveria ter procurado a linha mais vezes, sobretudo na parte final do jogo. Mas o pior foi mesmo Marega. Ele andava a esconder todas estas 'nabices' com duas ou três jogadas por jogo, em que tem sido decisivo. Sem isso, sobram só as habituais perdas de bola e os passes falhados. Por último, gostei da entrada de Corona e esperava um pouco mais de Oliver, apesar de ter jogado melhor que qualquer um dos restantes médios.

No sábado regressamos ao campeonato. Antecipa-se mais uma experiência engraçada quando recebermos o onze titular.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Ideias breves sobre a Taça


Foi um jogo sem história por dois motivos. Por um lado não foi possível ao adversário dispor da sua maior arma, que é o pelado ou sintético minúsculo em que as equipas deste escalão jogam. Por outro lado, esta regra absurda de que os clubes têm de usar um mínimo de 8 jogadores que jogaram no últimos três jogos. No caso do FCPorto foram três jogos importantíssimos em que não houve grande margem para poupanças. Disto resultou que tivemos jogadores de distritais a enfrentar jogadores como Brahimi. Isto não beneficia ninguém. As possibilidades de 'haver taça' são cada vez mais remotas e o FCPorto perde a oportunidade de fazer descansar todos os seus melhores jogadores para o crucial embate de terça-feira. E seguimos com este experimentalismo legislativo das instâncias federativas. A tentarem imiscuir-se na gestão de plantel dos clubes sem proveito algum para ninguém. Mais vale estar quieto...

Individualmente, não tenho grandes destaques a não ser as caras novas. Comecemos por Dalot. Sempre que aparece um talento destes, os adeptos entram em histerismos e já deve haver gente a pedir que se venda Layun e Maxi no Mercado de Inverno e Ricardo Pereira no Verão. Eu, que acompanho as camadas jovens há anos, até costumo embarcar nessas ondas. Por isso, aqui vai: Dalot parece ter condições para ser opção válida para o plantel já na próxima época. É apenas uma questão de tempo até se afirmar como titular do FCPorto. Quanto mais cedo melhor, porque, talentos destes, não costumam ficar no futebol português muito tempo. Galeno é um caso diferente. É fundamental na equipa B e tem uma velocidade estonteante. Mas acho que foi um erro não se tentar colocá-lo na primeira liga. O que faz agora já fazia no ano passado e assim não evolui. Precisa desse teste para ser uma opção de relevo e útil para Sérgio Conceição. No jogo de sexta-feira entrou bem e até esteve melhor que Hernâni. Jorge Fernandes não teve trabalho e é um jogador que é presença habitual nos treinos da equipa principal. Mas na B terá que trabalhar bastante porque a dupla de Diogos tem dado garantias e podem ultrapassá-lo. Por último, Luizão. Quando vi que ia entrar fiquei logo aborrecido. Lembrei-me de Inácio no ano passado e pensei logo: «algum empresário está a fazer dinheiro com esta opção». Quem segue a equipa B, percebe a preponderância que Fede Varela tem e que é claramente o jogador de meio campo que está mais perto da equipa principal. Luizão chegou agora e passado dois meses já se estreia sem ter feito muito por isso. Estranhei muito esta opção.

Este jogo foi apenas uma formalidade. Venha a Champions em mais uma deslocação de dificuldade máxima. Uma vitória, quase que elimina este adversário.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Sabe a pouco


Pode parecer injusto, porque a equipa, no geral, esteve bastante bem. Mas fiquei com esta sensação de que perdemos uma boa oportunidade de ter já um bom avanço em relação aos nossos adversários. É essa sensação vem daquela primeira parte. 

Confesso que não me recordo de ter visto, nestes últimos 4 anos, uma exibição em Lisboa com tamanha autoridade, como a que vimos na primeira parte de hoje. Sporting sempre a 'cheirar a bola' e a falhar muitos passes perante a nossa pressão. Falhou nessa altura mais qualidade na finalização.Aboubakar por 3 vezes, Marega e Brahimi perdoaram em lances claros de golo.

Na segunda parte, o jogo foi mais equilibrado e por 3 factores. Em primeiro lugar, houve alguma quebra física. É natural, mas Sérgio guardou as substituições durante demasiado tempo. Já sei que nós estávamos a jogar com o resultado, mas foram riscos desnecessários. Por falar em riscos desnecessários, Layun. É fácil falar agora, porque não aconteceu nada de muito mau. Mas, para mim, Layun é a terceira opção para lateral no FCPorto. Não está em causa o empenho do jogador, que deu tudo pela equipa. É uma questão de qualidade defensiva. O que nos valeu é que Jesus demorou a perceber que era ali que estava o 'ouro' e só lá meteu o Gelson na segunda parte. Para mim, este também foi um dos factores que fizeram com que o jogo fosse muito mais equilibrado nesse período. Eles passara a ter ali um foco de perigo e insistiram por lá até ao final do jogo.
Mas há um último factor de equilíbrio na segunda parte. Não conseguiria fazer uma crónica sobre um jogo do FCPorto apitado pelo Xistra sem lhe dedicar pelo menos um parágrafo. Já nos tinha brindado com uma arbitragem bem 'axistralhada' em Braga e hoje não desiludiu. É nas coisas que não aparecem nos resumos, que Xistra mostra que é já um artista maduro. Na única falta que assinalou nas proximidades da área do Sporting, faltou o segundo amarelo para William. Mas esta foi uma excepção porque há um lance sobre Otávio e um pé na cara de Sérgio Oliveira em que ficaram livres muito perigosos por marcar. Já nas imediações da nossa área... Era só cair. Valeu que os nossos centrais estão quase imbatíveis em lances aéreos. Entre cantos e faltas foram cerca de 12 lances e só um, em que William cabeceia em fora-de-jogo, deu perigo.

Dissecando um pouco mais o jogo, tem sido atribuído muito destaque ao reforço do meio campo com Herrera e Sérgio Oliveira. É justo porque transforma a equipa numa máquina de recuperar bolas. Mas o segredo está no critério com que lançamos os ataques, logo após a conquista da bola. E nesse momento, quem tem brilhado é Brahimi que está em grande forma. Mas de uma maneira geral, toda a equipa procura sair com qualidade. Até Felipe, que tanto gosta de mandar para a bancada. 

Individualmente, MVP para Brahimi. Num jogo de boas exibições de quase todos, Brahimi destacou-se dos demais como maestro da equipa. Estava a anotar notas altíssimas para Alex e para Danilo, mas o Alex deu ao adversário a sua única oportunidade de golo no jogo e Danilo foi dos que mais acusou a quebra física na segunda parte. Destaco os centrais que estiveram impecáveis. Estava preparado para pôr Layun nos destaques pela negativa. Mas não consigo. Gelson é um grande adversário e Layun fez o melhor que lhe foi possível, visto que nem sempre teve o apoio de Herrera ou Marega. Mas repito que foi um risco e não é por ter corrido bem que mudarei de opinião.

Estamos num grande momento e o sucesso desta metamorfose de um FCPorto descontroladamente atacante, num FCPorto mais compacto, dá muita confiança no treinador. E a este propósito, é caricata esta insistência da imprensa na nossa perda dos primeiros pontos. Sérgio Conceição respondeu com a inconfidência sobre o que disse no grito final aos jogadores: «Assim, vamos ser campeões, car#$&#!»

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

FCPorto Europeu



Tínhamos terminado a anterior crónica com uma referência à última versão da desconfiança da 'imprensa'/comentadores cartilheiros. Na primeira versão, a pré-temporada só foi boa porque não enfrentámos equipas fortes. Depois, começou o campeonato e a série de vitórias começou a ser desvalorizada porque ainda não tinha chegado o primeiro teste difícil. Passámos em Braga e o problema passou a ser que o FCPorto era uma equipa talhada para as competições internas. E agora? O que nos falta? Ainda não jogámos com um grande? Já sei! É a profundidade do plantel: «O FCPorto está muito forte, mas se não tiver lesões ou castigos...» Ouvi isto ontem, logo num dia em que Sérgio inventou mais um jogador que pode passar a ser chamado ao onze. Já perceberam que as dúvidas não vão desaparecer porque são alimentadas pela 'clubite'. O que temos de fazer é seguir de teste em teste, indiferentes a todo cenário que nos rodeia. Perdoem-me o 'lugar comum': Vamos jogo a jogo!

O resultado de ontem trouxe boas notícias e pode até ter dado algumas pistas sobre o que Sérgio Conceição pretendeu com a recente aposta em Herrera. Temos plano B! Já desconfiava que se iria apostar no reforço do meio-campo. Como Otávio não tem correspondido, pensei que fosse Oliver a acompanhar Danilo e Herrera. A aposta foi ainda mais conservadora, em termos do tipo de jogador, mas muito mais arriscada porque se apostou num jogador que ainda nem sequer tinha estado no banco e, provalvelmente, nem nos convocados. Todos nos lembrámos do Costa em Manchester do Marek Cech em Londres e tantos outros exemplos de surpresas que os técnicos inventam para reforçar o meio campo neste tipo de jogos. A diferença é que esta funcionou. Os 3 médios condicionaram muito o jogo do Mónaco e limitaram-nos a um futebol quase totalmente lateralizado. Será que a introdução paulatina de Herrera no onze foi pensada em preparação para este plano B? Será que Sérgio Conceição andava a ensaiar um FCPorto mais musculado e com maior protecção em redor da sua área? Ou então sou eu que quero a todo o custo que ele seja um génio e estou a inventar por ele... É um facto que Herrera é o nosso médio com melhor chegada à área adversária. Todos conhecemos as suas dificuldades ao nível do passe e as suas irritantes 'paragens de cérebro'. Ainda ontem vimos exemplos disso, nomeadamente na jogada imediatamente anterior ao nosso primeiro golo. Mas tem passada larga, consegue progredir pelas alas, finaliza bem e é uma boa opção para jogos em que cedemos o controlo ao adversário. Mas se tivermos de controlar o adversário com bola... Muda-se de esquema. Insisto que o Plano B terá sido essa a melhor notícia do jogo de ontem.

A outra é que Sérgio conseguiu tirar boas notas da derrota com o Besiktas. Não podemos jogar todos os jogos de 'peito aberto'. Há adversários melhor apetrechados, em melhor momento e que reagem melhor ao futebol 'de parada e resposta' que costumamos apresentar. Ontem demos a iniciativa, empurrámos o adversário para as laterais e saímos rápido para o ataque. Parece simples, mas não seria assim tão óbvio à partida. Sobretudo para uma equipa que estava obrigada a ganhar para se manter na disputa do primeiro lugar. Mas o jogo era em casa da equipa mais forte do grupo e há que saber jogar com as nossas limitações e com as deles. Poderão reparar que foi rara a ocasião em que saímos para o ataque sem critério. Havia sempre uma opção para sair com qualidade, sobretudo com Brahimi, e havia sempre a alternativa em profundidade, sobretudo com Marega. Grande vitória e grande exibição de Sérgio Conceição! 

Individualmente, vou dar o MVP em dupla. A nossa dupla de avançados esteve soberba, com um a marcar e outro a assistir. Marega parte da ala mas é sempre um avançado. Basta ver o seu posicionamento no segundo golo. Estava à espera para atacar o meio e não a ala. Brahimi também teve nota muito alta e o segundo golo é mérito seu. Vou esquecer que Felipe foi provavelmente o único jogador que fez passes longos disparatados, para destacar que foi um monstro no jogo aéreo, que foi muitas vezes o único recurso do adversário. Por último, destaco Ricardo que, para mim, fez a sua melhor exibição da época. Tudo o resto com nota bem positiva.

Em Alvalade já estarão bem menos confiantes do que há uma semana. Temos de capitalizar!

domingo, 24 de setembro de 2017

Aqueles 6 minutos


O jogo valeu pelo seu todo e não apenas por uma parte de 6 minutos. Mas aquele período foi especialmente importante. A equipa já vinha acumulando várias oportunidades de golo nos primeiros 20 minutos, mas seguiu-se um período em que os jogadores do FCPorto desencadearam uma série de ataques, com tamanha intensidade, que só poderia ter resultado em KO. Por muito que a posse de bola seja importante, esta é a melhor forma de controlar estes jogos. Aproveitar o momento em que o adversário está em baixo, para conseguir um resultado confortável, o mais rapidamente possível.

«E o Herrera?» - pergunta a turba de defensores que nos invadiu na semana passada, em fúria. Bem, quanto a Herrera, lembro-me de uma grande jogada. Quando se viu envolvido numa grande combinação entre Aboubakar e Brahimi, Herrera tomou a melhor opção e optou por não intervir na jogada. Assim, nada saiu estragado. Se ele tiver mesmo que jogar, é este o Herrera que eu aprecio... Mais a sério, neste jogo não se notou a ausência de Oliver. Ao contrário do jogo anterior, controlámos por completo as operações e, apesar de encontrar erros na exibição de Herrera, como no primeiro golo do adversário, o que fez de positivo foi muito mais relevante. Ainda assim, continuo confiante que Oliver vai ser titular nos próximos dois jogos, porque é melhor jogador, mas sobretudo porque interpreta melhor este esquema de Sérgio Conceição.

Voltemos ao jogo. Tínhamos previsto por aqui que estes resultados 'gordos', mas com golos sofridos, passariam a ser mais vulgares. Mas o primeiro, acabou por aparecer à sétima jornada pelo que, para já, a tendência para os jogos em casa é a de não sofrer golos e marcar muitos. De resto, os golos sofridos não mancham em nada a boa exibição. Foi talvez o primeiro jogo em que se pode dizer que todos os quatro mais avançados apresentaram boas exibições individuais. Brahimi foi o melhor em campo, Corona assiste para o segundo e terceiro golos e Aboubakar e Marega 'molharam a sopa'. Quando assim acontece, é quase impossível sair do Dragão com um bom resultado. O jogo foi um acumular de oportunidades de golo, sendo que a grande maioria do perigo criado, rondou a área do Portimonense. É de recordar que há 15 dias, esta equipa vendeu bem cara a derrota na Luz, onde foi bastante prejudicada, acabando a jogar com 10 jogadores. Equipa interessante, mas que apanhou um FCPorto demasiado forte.

Individualmente, MVP óbvio para Brahimi. Além dos outros 3 da frente, boa exibição do Alex Telles e notas positivas para todos os outros. Destacaria apenas Ricardo Pereira. É um destaque porque ele não se tem destacado nem pela a positiva nem pela negativa. A título de exemplo, quando jogou Layun, notou-se logo que o Ricardo não estava lá. Mas as expectativas que deixou na pré-época ainda não se confirmaram. Julgaria que em jogos como o de sexta-feira, ele brilharia muito mais. Espero que o melhor de Ricardo ainda esteja para vir.

Na terça-feira, novo teste de fogo. Para já, ainda temos de levar com a conveniente desconfiança  dos 'comentadeiros'. Apesar de termos 7 vitórias seguidas, com vitórias em Braga e Vila do Conde, 'é pouco porque não chega para a Europa'... Já os 'topamos a léguas', mas era bom que lhes tirássemos esse demagógico argumento.

domingo, 17 de setembro de 2017

Mesmo com Herrera...


Vou ter de rever aquela primeira parte com o Besiktas. Tenho de perceber o que é que aconteceu para que se prescinda de Oliver nestes cerca de 135 minutos tão importantes para a equipa. Para mim, tem sido um dos melhores jogadores da equipa e dos que melhor se adaptou a este esquema de Sérgio Conceição. É o único jogador que consegue colar as duas partes da equipa evitando, na medida do possível, um jogo demasiado partido. Além de que é, para mim, impensável prescindir dos melhores, quer na Champions, quer numa das deslocações mais difíceis do ano na Liga portuguesa. Muito contente com o resultado, mas muito assustado com as opções iniciais de Sérgio Conceição. 

Quando um Grande enfrenta uma equipa que tenta jogar, o plano terá de ser o de evitar que eles joguem da forma a que estão habituados. Para nós isso devia ser simples: evitar que eles tenham bola. E aqui entra o meu choque com a ausência de Oliver das opções iniciais. E o susto começou com o anúncio do onze mas ainda não passou com a alegria da vitória. Será que Sérgio Conceição irá recorrer ao músculo, quando as coisas correrem mal ou quando o adversário for mais difícil? Poderão referir que a equipa, até não jogou mal. De facto, trouxemos os 3 pontos, mas terá sido uma grande exibição? Eu não acho. Em primeiro lugar, este foi o primeiro jogo do ano em que não tivemos a primazia em termos de posse de bola. Fizemos também menos 150 passes que o adversário. Isto para não falar do facto de Herrera ter sido o jogador em campo com mais perdas de bola. 11 vezes! Danilo e Oliver têm até agora uma média pouco superior a 2 por jogo... Marega, Aboubakar e Brahimi têm médias entre 5 e 6... Para não 'bater mais no ceguinho', concluirei que o Sérgio arriscou e saiu-se bem. Apenas espero que esta solução não seja recorrente.

Mas se me queixo da falta de posse de bola e de Herrera, também tenho de elogiar a outra 'face da moeda'. O jogo ganhou-se na raça e nas muitas recuperações de bola que conseguimos. Algumas no meio campo ofensivo. Outro dado estatístico interessante é o das faltas. Foram 25, quase o dobro das do adversário. Demonstra a clara diferença em termos de agressividade, que foi fundamental para o resultado final. Pena que não tivéssemos conseguido capitalizar essas recuperações e transformá-las em jogadas de golo. A partir do momento que chegámos ao golo, numa bola parada, o jogo ficou de feição para a nossa estratégia de saídas rápidas para o ataque. Pecámos demasiado no último passe e até na finalização. Ainda deu para duvidar um pouco com aquele golo atípico, que misturou uma 'nabice' do Felipe com um posicionamento deficiente de Ricardo, que tinha acabado de chegar ao lugar de lateral esquerdo.

Individualmente, dou o MVP a Danilo. É isto que precisamos: agressividade, segurança e amplitude de acção. Há quem diga que isto só sucede quando tem um jogador mais defensivo ao lado. São opiniões. Para mim ele jogou bem porque jogou ao seu nível. Ou melhor, jogou bem, apesar de Herrera. Não sei bem se o MVP é justo, porque Marega também fez por merecer. Grande intensidade e grande velocidade. Pena que os pés nem sempre acompanhem... Também gostei de Brahimi. Pela negativa, além de Herrera, Aboubakar teve um jogo muito discreto. Especial destaque para aquela jogada irritante em que trava e não aparece no segundo poste para aproveitar a oferta de Marega. Otávio esteve bastante trapalhão no último passe.

Falta uma vitória para chegarmos a Alvalade com o pleno. Será muito importante que se concretize este objectivo!

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Ilusão, depressão


Há várias lições a aprender depois do jogo de hoje. Mas o mais importante é não embarcar em ondas, sejam de depressão, depois de resultados adversos, sejam de euforia quando corre bem.

Vamos à primeira lição. Já aqui tínhamos avisado que a defesa estava ainda longe do nível do ano passado, apesar do enganador registo até hoje. Compreendemos que o desígnio é outro e que se aceita sacrificar alguma segurança defensiva para conseguir ter mais talento na frente e mais homens nas zonas de finalização. Sendo assim, temos de saber reagir aos golos sofridos com uma intensificação da pressão. Foi possível reagir bem ao primeiro golo, mas deu-me a ideia que o segundo golo nos 'matou'. A partir daí a equipa jogou sempre em esforço e de uma forma demasiado descontrolada para uma Champions. É certo que isso nos valeu algumas oportunidades no início da segunda parte, mas também fez com que a equipa caísse muito no final do jogo.

Esta quebra física também é algo muito importante para os próximos tempos. Já sabemos que o plantel é curto, mas não vamos entrar em teorias de que não chega para este nível. Tivemos um adversário muito maduro e eficaz que teve um jogo que lhes correu excepcionalmente bem. Ainda assim, Sérgio tem de aprender a lidar com estas limitações. O jogo de Sábado já poderia ter posto algum travão a este ímpeto de 'vamos para cima deles com tudo'. Já sei que é o que nos tem entusiasmado neste treinador, mas o plantel disponível e a própria competição da Champions obriga a precauções extra que terão de ser tidas em consideração nos próximos jogos. Dou dois exemplos. Sem Aboubakar, não chocava ninguém se Sérgio optasse por ter um avançado no banco. Preferiu dar um sinal à equipa de que era para manter a dinâmica do início de época, mas limitou as suas próprias opções. Com 'todas as fichas' no plano A, o plano B é bem mais fraco. Óbvio. Outro exemplo é a dupla troca ao intervalo. Mais uma vez, tenta mudar o jogo de uma forma radical, para surpreender o adversário. E até resultou, visto que tivemos várias ocasiões para empatar no início da segunda parte. Mas quando o adversário refrescou a equipa, o FCPorto desapareceu do jogo. Concordo que alguma coisa teria de mudar. Mas optou-se por gastar duas substituições que fizeram falta a partir dos 70 minutos, quando a equipa quebrou fisicamente. Para mim, bastaria a troca de Otávio por Corona. Manteríamos a possibilidade de refrescar o meio-campo mais tarde, evitando a quebra final que nos impediu de forçar o empate, pelo menos.  Se o plantel é curto, torna-se fundamental ser mais cauteloso na sua gestão.

A última questão que quero abordar é a do dilema entre talento e intensidade. É óbvio que Corona e Oliver fizeram alguma coisa que irritou o treinador. Algo que desequilibrou a equipa na primeira parte e que fez com que o Sérgio sentisse a necessidade de optar pela segurança trazida por André André. Mas não vos deu a sensação que ficámos muito dependentes de Brahimi? Não faltou ali talento para fazer melhor? Isto para falar da diferença de talento e de qualidade entre André e Oliver e entre Corona e Marega. Esta é uma competição que não é muito complacente com diferenças de talento. É para ser jogada entre os melhores e há que fazer com que os nossos jogadores mais talentosos se sintam confortáveis para render nestes jogos, por muito que não consigam atingir a intensidade de um Marega.


Individualmente, dou o MVP a Brahimi. Foi o jogador mais perigoso e o que mais se aproximou do seu nível. Pela negativa, não faltam candidatos. Posso destacar o Danilo porque me pareceu o que jogou mais abaixo do seu nível, nomeadamente no lance do primeiro golo em que perdeu a oportunidade de matar o lance no meio campo ficando a 'filmar' o resto da jogada. Mas há outros jogadores que tiveram erros graves. Marcano deixa-se antecipar no primeiro golo, Casillas podia ter feito mais no segundo, etc. Uma última menção para Hernâni. Parece que este nível é demasiado para ele. Isto torna-se perigoso visto que ele era a única opção ofensiva no banco...

Em suma, foi um jogo que não correu nada bem. Fomos penalizados por um segundo golo, com Casillas mal batido, numa altura em que estávamos por cima. Este momento marcou a equipa, mas ainda assim, com o penalti não marcado e com maior eficácia na última decisão, estaríamos a fazer uma crónica diferente. Não vale a pena deprimir. Com mais eficácia poderia ter sido um jogo diferente, mas o resultado não choca ninguém. Temos de ir para o jogo com o Rio Ave de cabeça limpa.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Cuidado com as entradas!


Não! Não estou a falar dos 'sarrafeiros' que têm escapado ao 'rigor' do VAR. Nem tão pouco me refiro ao facto de, mais uma vez, perante a selvajaria do adversário, voltámos a ser nós a ver o primeiro amarelo. Estou-me a referir à nossa entrada em jogo. Sérgio Conceição habituou-nos na pré-época e nas primeiras quatro jornadas, a um FCPorto que entra com autoridade nos jogos e que tentar resolver os jogos cedo. Não foi o que vimos no Sábado, algo que se torna estranho, visto que jogámos depois dos nossos adversários directos e dado que há um jogo de Champions na quarta-feira. Ou seja, não faltavam razões para resolver a questão, o mais cedo possível.

É certo que entrámos muito melhor na segunda parte e que, nessa altura, marcámos cedo. Mas a equipa não estava tão bem como nos últimos jogos e bastou uma exibição menos conseguida de alguns jogadores para que tivéssemos alguma 'tremideira'. O 'soar do alarme' veio com as duas oportunidades do Chaves e logo se partiu para a tentativa e concretização de um resultado mais seguro. 

Mantivemos, mais uma vez a baliza inviolável, mas é uma estatística algo enganadora. Não sinto a equipa mais capaz defensivamente do que no ano passado. Antes pelo contrário. Mas reconheço que dificilmente o poderia ser, dada a forma como ataca. Muito menos se jogar o Layun que continua a ser o nosso pior lateral... Avançando o aparte, quero reforçar que é uma surpresa para mim esta sequência de baliza inviolável. Para mim, iríamos ter muito mais resultados 4-2 do que 1-0, mas não tem sido bem assim. O que é importante é não sobrevalorizar este facto e descansar com vantagens mínimas. Pelo que se viu no Sábado, isso pode ser e foi muito perigoso. Atento a isso, Sérgio Conceição lança André André nos dois jogos e Herrera em Braga. Um reconhecimento claro de que a equipa ainda não é ainda capaz de controlar o resultado com o esquema inicial. Ora isso torna ainda mais preocupante a nossa primeira parte de sábado. Tivemos a 'carne toda no assador' sem que tivemos qualquer proveito desse facto. Já sei que as preocupações são um pouco prematuras, mas não gostei muito do jogo de sábado e, dadas as exibições da concorrência, era um bom jogo para fazer uma demonstração de força.

Individualmente, dou o MVP a Marega. Há um mês isto seria impensável, mas foi jogador mais intenso e de rendimento mais constante. Gostei também de Marcano e das entradas de André André e de Soares. Pela negativa, Corona nem se viu e Danilo esteve bastante abaixo do habitual. Felipe também esteve problemático. Mas o destaque negativo vai para Layun. Não sei como foi possível enganar tanta gente durante tanto tempo. Hoje em dia, é um risco ter Layun em campo, mesmo nos jogos em casa.

Venha a Champions! Que saudades!

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Capa frugal



Não têm faltado elogios a Sérgio Conceição e aos seus primeiros meses de trabalho no FCPorto. Nós aqui, não temos fugido à regra. Mas... Escusam de me 'dar baile'! Esta capa do jornal O Jogo incomodou-me bastante. Já sabemos que é uma notícia encomendada. É assim a imprensa desportiva e já estamos habituados. O problema é que se tenta 'cavalgar' nesta onda de unanimismo em torno do treinador para nos passar ideias erradas e para esconder um defeso que foi muito complicado. Ainda por cima usa termos como 'Frugal' o que, na capa de um desportivo, é para rir... 

Para não me alongar em críticas ao processo de construção do plantel, porque estou a gostar da equipa e porque, para já, quero apenas desfrutar, vou propor apenas uma capa alternativa, frase a frase: 

Título - Conceição está a fazer uma casa bem jeitosa, dada a pouca mobília que lhe dão;

Subtítulo - Balanço de um Verão num T1 em Armação de Pêra, para quem está habituado a cruzeiros em veleiros nas Ilhas Gregas;

Rodapé:
-  Carga salarial aliviada: Alívio com os 18 atletas que saem e os 18 que foram emprestados, mal chega para aliviar o facto de permanecerem no plantel todos os jogadores caros;

- Recuperação de ativos: 6 jogadores regressaram pela 'porta grande' ao Dragão, mas a porta de saída para os miúdos do Olival parece ser ainda maior;

- 7 saídas e apenas uma entrada: 4 Guarda-redes e apenas 3 centrais, um 'trinco' e três avançados, para duas posições na frente de ataque;


Que venha rápido o campeonato porque, só vendo a equipa a jogar é que eu esqueço o resto...

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Teste superado



Normalmente a foto inclui o nosso MVP da partida, mas resolvi abrir uma excepção. Esta foto de Corona é mais uma imagem perfeita da revolução de Sérgio Conceição. Corona, que sempre pareceu um jogador que joga mais para ele do que para a equipa, aparece capaz arrancar a camisola com a felicidade de um golo. E fá-lo num ano em que se exige dele o dobro em termos defensivos e ofensivos. Há um lance que personifica o novo Corona que é um em que perde a bola em zona comprometedora e, segundos depois, aparece a cortar em mergulho de cabeça na área. Poderíamos dizer o mesmo ou arranjar lances com semelhanças de Aboubakar, de Marega, de Brahimi, etc. Começo a tender para concluir que treinar em futebol é 80% de psicologia e 20% de conhecimentos técnicos e de táctica. E o trabalho do treinador, nesse campo da psicologia, parece notar-se na atitude em geral e nestes pequenos pormenores como o festejo de um golo ou o grito colectivo no final dos jogos. Para quem não viu o de ontem, recomendo que voltem atrás na box. Foquem sobretudo o Otávio, Ricardo, Alex Telles e Oliver no final. Isto pode desaparecer com as contrariedades, mas parece claro que temos ali um bom espírito de grupo.

Passando ao jogo, esse espírito de grupo foi fundamental numa vitória em 'teste de fogo'. É certo que o Braga não chegou sequer a fazer um remate enquadrado com a baliza, mas chegou a ameaçar várias vezes, no final da primeira parte, e pareceu jogar sempre no limite da agressividade, bastante protegidos pela a habitual 'xistralhada'. Muitas faltas, muita luta e foi preciso o FCPorto adaptar-se a isso. Poderão reparar que as jogadas mais perigosas do Braga surgiram todas de lances em que os nossos jogadores não se conseguiram soltar da pressão ou até de lances faltosos do adversário. Lembro-me de duas perdas de bola de Brahimi em zona proibida e de dois lances que se sucederam a momentos em que, tanto Ricardo como Felipe, tinham a situação aparentemente controlada e perderam a bola. Ora, na segunda parte, não houve nada disso. Controlámos muito melhor o jogo e só as faltas de Xistra causaram alguns momentos de dificuldade. Ofensivamente, entrámos muito bem, como tem sido habitual. O jogo não foi mais descansado porque estivemos bastante desinspirados na finalização, especialmente Aboubakar, que teve um 'hat trick' de falhanços escandalosos. Tivemos oportunidades suficientes para ter resolvido o jogo bem mais cedo. Mas, mais que o desperdício, o grande destaque do jogo foi a forma como o controlamos na segunda parte. Com o resultado em 0-1, o Braga entrou uma vez na nossa área nos últimos 15 minutos e foi na sequência de uma falta desnecessária de Ricardo. Isto demonstra confiança, segurança e boa cultura táctica.

Individualmente, dou o MVP a Danilo que reinou naquela selvajaria que é um meio campo em jogos apitados pelo Xistra. Nota bastante alta para os laterais Ricardo e Alex Telles. Nota alta também para os jogadores que entraram na segunda parte, sobretudo o Otávio e o André, que foram fundamentais para segurar a vitória. Pela negativa, Aboubakar que falhou demasiados golos fáceis.

Chegada a primeira interrupção competitiva, estamos em boa posição. Seria muito importante chegar a Alvalade só com vitórias.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Calor


Não me lembro de uma tarde tão quente no Dragão. Arrisco dizer que se transpirou mais na bancada do que no campo. Não está em causa o esforço da equipa que, mais uma vez, foi impecável ao nível da entrega. Temos de contar com mais um fenómeno deste FCPorto de Sérgio Conceição, que é o de ter enchido o Dragão por 3 vezes consecutivas. 

Para tal, considero que o futebol que o novo treinador trouxe é importante, mas não é o único factor. Nota-se que a organização está mais apurada e preocupada em criar uma festa em redor do estádio que enriqueça ainda mais a experiência, nomeadamente para as famílias que vêm à bola. Algo que não ajuda é a qualidade inenarrável dos cartões de sócio. O meu, além de já nem se notar a minha foto, falhou pela terceira vez e os meros dez euros que me custou há um ano, começam a ser muito caros para a qualidade. Pela fila que estava à minha frente para resolver o problema, percebo que não fui só eu a ter azar na compra.

Vamos ao jogo. A equipa soube responder bem  ao muito calor que se fazia sentir, alimentando-se
talvez do calor que vinha das bancadas. De resto, se tivéssemos que explicar rapidamente o que mudou com Sérgio Conceição, bastaria exemplificar com os golos de hoje. No primeiro golo, tínhamos 3 para 3 na zona de finalização para atacar o óptimo cruzamento do Alex. E cheguei a contar 6 e 7 jogadores do FCPorto na área, em lances de bola corrida. Mas o segundo golo é mesmo paradigmático. Vemos claramente outra das características importantes deste FCPorto, que é a pressão em todo campo, e temos também  4 para 2 na carreira de tiro, algo que permitiu falhar duas vezes antes da concretização do golo. O último golo resulta igualmente desta necessidade de pôr pressão constante nas defesas contrárias. Esta atitude tem-nos valido muitos golos neste início de época e que pode ser uma das chaves no jogo da próxima semana em Braga.

Gostei que Aboubakar tivesse conseguido recolher uma boa dose de confiança, que é fundamental para um jogador nesta posição. Mas o que me deixa mais contente é esta fúria com que a equipa ataca os resultados. Esta intensidade ofensiva é o fio condutor das exibições da equipa que não descansa enquanto não tem um resultado seguro e, mesmo nessas alturas, poderá a qualquer momento marcar golos como o terceiro de Aboubakar. Irritou-me um pouco algum desconforto na minha bancada com o facto de não termos conseguido uma goleada igual à dos adversários.

Individualmente, MVP claro para Aboubakar. Teve menos oportunidades claras do que no jogo com o Estoril, mas com a eficácia que se lhe exige. Já Marega, fez um jogo bem melhor do que o que tinha feito contra o Estoril e não conseguiu marcar. Destaque para o excelente remate à barra e o passe que isolou Hernâni. De resto não tenho grandes destaques. Alex esteve melhor que a surpresa Maxi, mas o passe para o primeiro golo pode ajudar a esquecer que não fez um grande jogo ao nível do cruzamento. Oliver continua a ser dos melhores e esteve, mais uma vez, melhor do que Danilo, que vem melhorando a cada jogo. Nos centrais destaque para os pés de Marcano que estavam ligeiramente tortos. Corona voltou a estar melhor que Brahimi (limitado) e Otávio (desastrado). Iker sujou o equipamento uma vez, na segunda parte.

O próximo jogo em Braga é capaz de ser o jogo mais difícil de um calendário inicial que me pareceu simpático. Teremos uma semana para carregar o Ricardo com anti-histamínicos, antipiréticos e, eventualmente, antibióticos... Ironias à parte, será importante encetarmos uma 'invasão' ainda maior que a do ano passado!

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Mais dois pontos!



Já sabíamos que o jogo era complicado, já lá vão 124 anos de história e só tínhamos ganhado por uma vez em Tondela! Já sei que os ‘haters’ vão dizer que só lá fomos jogar duas vezes…

Tirando dados estatísticos e analisando o jogo pelo jogo, acho que é pacífico dizer que ganhamos sem brilho mas temos que levar em linha de conta várias situações. Desde logo, a forma de jogar do Tondela: o mister Sérgio falou em futebol direto e bolas longas no avançado, a isto eu chamo ‘jogar à distrital’ e ao Porto custou adaptar-se a este futebol, até porque o nosso futebol este ano caracteriza-se por pressão altíssima mas como podíamos pressionar alto se a bola não parava no setor defensivo do Tondela? Era sempre chutão na frente!

O Porto chegou a pecar neste aspeto: entrou no jogo deles e respondeu muitas vezes ao futebol direto do adversário com muitas bolas igualmente diretas para Aboubakar e Marega, mas sempre que tentamos sair rápido para o ataque com rápidas variações de flanco, vamos chamá-las de basculações, criamos sempre perigo e foi assim que chegamos ao golo no qual temos que destacar a assistência primorosa de Telles!

Desta vez tenho uma frase que foi dita no final do jogo quando se falava do aproveitamento do Aboubakar: “se ele falhar muitos golos mas golearmos por 4-0 e quando não faturarmos ele marcar o golo da vitória, para mim está perfeito…”.

Era preciso o segundo golo para evitar qualquer balde de água fria e estivemos perto, principalmente na bola ao poste do Vincent. O Tondela já tinha colocado mais um avançado agressivo na disputa da bola como é Tomané e perante os nossos defesas (leia-se Felipe) que caem na armadilha da falta fácil, ganhou vários livres perto da área que podiam causar alguns calafrios. Engraçado que se calhar o maior calafrio foi provocado por aquela jogada típica de futebol de praia entre Iker e Felipe…

Nota para as 3 alterações do mister Sérgio, todas de tração atrás. Gosto do pragmatismo, chega a uma altura do jogo que mais vale meter as trancas na porta e não esticar demasiado a equipa mas fico com a sensação que Óliver sai demasiado cedo do terreno de jogo e aí perdemos o cérebro (eu sei que Herrera ter entrado não ajuda, mas mesmo assim...).

Foram mais dois pontos... em relação ao ano passado! Venham os próximos, venha mais um Mar cheio azul!

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Tasse, Mano!


Chega a ser até um pouco ingrato face ao caudal ofensivo do Porto e às oportunidades que dispusemos (vamos esperar que Aboubakar tenha falhado quase tudo no jogo de ontem) que o nosso abre-latas tivesse uma colaboração tão decisiva de um adversário. Não é que a vitória estivesse em causa ou os alarmes já estivessem a soar, afinal de contas já tínhamos feito golos (invalidados) e sofrido faltas para grandes penalidades (não assinaladas), mas a assistência de Mano foi primordial para abrir caminho para mais uma goleada.

A pressão que os nossos jogadores incutem na recuperação de bola mesmo na zona defensiva do adversário proporciona muitos erros nas equipas que defrontamos, tal como vimos no jogo de apresentação contra o Depor. O reverso da medalha é que se o adversário consegue sair desta zona de pressão ficamos muito mais expostos e vamos obrigar Casillas a fazer muitas mais defesas espetaculares como as de ontem. Acho que vale a pena o risco.

Como alguém dizia no intervalo do jogo: “Se há um ano atrás me dissessem que no jogo inaugural para a Liga 2017/18, o primeiro golo iria ser marcado por Marega, eu se calhar mandava-o ir brincar com o c******…”. Acaba por ser um bom elogio ao trabalho efetuado pelo Sérgio Conceição até ao momento: uma equipa sem reforços, recuperou prostrados e aplicou uma intensidade e dinâmica totalmente diferentes. Vamos ver até quando.

Relativamente ao jogo, o MVP é de Oliver: constrói jogo junto aos centrais, recupera bolas, cria desequilíbrios na frente (ver 2º golo) e ainda faz duas assistências! Grande jogo, merecia que Brahimi o assistisse depois de mais uma brilhante jogada para o 5-0 aos 73m! Parece, também, que encontramos um capitão à moda antiga! Renovem já com ele!

Uma última nota para o VAR (vídeo-árbitro) a mostrar logo na 1ª jornada que se calhar as coisas não estão muito diferentes: FCP prejudicado (penalty por assinalar); slb beneficiado (invalidado golo regular). Tudo normal…

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Primeiras impressões


Após quatro jogos televisionados e um jogo ao vivo, já podemos dizer que temos uma ideia do que mudou neste FCPorto de Sérgio Conceição. 

Começando pelo mais óbvio, mudaram apenas dois titulares. Mas se a troca de Maxi por Ricardo parece uma mera e natural sucessão, a entrada de Aboubakar no onze é uma representação perfeita da ruptura com o passado recente, que Sérgio Conceição está a implementar. Todos recordarão a dificuldade que NES teve em conciliar a utilização de dois pontas-de-lança, com o seu estilo de jogo mais conservador. Ao contrário do seu antecessor, Sérgio percebeu que já tinha uma linha defensiva com qualidade suficiente para implementar um sistema mais ousado e que garanta mais gente na área e mais poder de fogo. Nuno também a tinha e até foi ele que a desenvolveu na temporada passada. O problema é que não conseguiu transformar a solidez defensiva, numa base de sustentação para uma equipa cada vez mais atacante. Aqui esteve um dos maiores erros de Nuno. Temos portanto mais gente na frente, algo que parece bastante natural dado que teremos as despesas do jogo, perante equipas fechadas em redor da sua área, em 90% dos jogos.

Ora com a entrada de Aboubakar, sai um médio. Sobrarão responsabilidades acrescidas para Danilo e sobretudo para Oliver. Danilo ainda não está completamente adaptado e André André tem estado melhor nessa posição. Mas nota-se que é apenas uma questão de ritmo de jogo, visto que tem de percorrer uma zona de acção maior, tendo começado mais tarde. Ainda hoje, Danilo teve uma excelente abertura para o segundo golo e uma péssima abertura para a jogada mais perigosa do Deportivo no jogo. Já Oliver, parece estar a adaptar-se na perfeição, tendo sido um dos grandes destaques da pré-temporada. Exige-se aos médios, amplitude de movimentos, muito pulmão e muita agressividade no ataque à segunda bola e na reacção à perda da bola. Dá a ideia de que os médios estão a responder bem. Até o Herrera e o Sérgio Oliveira saem beneficiados.

Por último, uma alteração que se nota bem é o posicionamento dos laterais e dos extremos. Aqui dá a ideia que Sérgio tem dois planos. Um mais conservador em que um dos extremos é Ricardo Pereira, garantindo mais solidez  e mais segurança na transição defensiva e mais foco nos cruzamentos para a área. A outra, mais utilizada, é a versão com Corona e Brahimi (ou Otávio). Aqui a movimentação é simples. Com o campo em perspectiva vertical, tentem dividir o campo em cinco. A faixa central é para os avançados e para os médios. As faixas laterais estão reservadas aos laterais, que fazem o corredor todo e que procuram posicionar-se e receber já no último terço do terreno. Já os extremos, procuram fazer movimentos em direcção a zonas interiores e tentam receber nas faixas intermédias para rodar , organizar e colocar na ala ou nos avançados em constante movimento. É a vantagem de ter extremos com estas características.

Quanto ao 'reverso da medalha' temos transições defensivas mais... Vamos dizer excitantes. Preparem-se para  muitas situações em que o adversário avançará para a nossa área em igualdade ou mesmo superioridade numérica. E isso não acontece só nos contra-ataques. Dado o posicionamento muito adiantado de Oliver e Danilo na pressão à saída de bola do adversário, não tem sido invulgar que a bola entre nas costas dessa pressão, ficando o adversário com muitos metros para correr. Nota-se aqui algum risco que, para já, está a compensar largamente e que acredito que, na maior parte dos jogos, vai compensar.

'Grosso modo' são estas as alterações mais significativas e parece que estão a funcionar. De resto, deixarei apenas pequenas notas:
- Falta esclarecer o papel de Indi e Reyes no plantel. Eu diria que ficará um deles mas, se vendermos o outro, faltará um defesa no plantel;
- Falta esclarecer também o papel de Maxi e Layun. O primeiro é demasiado caro para ser suplente e o segundo tarda em ser colocado, com o seu rendimento a piorar a cada jogo. Entretanto eles vão jogando e a retaguarda de juventude portista, Rafa e Dalot, continua no banco. Dava-lhes jeito os minutos nesta pré-época;
- Naturalmente, Rui Pedro e Marega seriam o plano B do esquema de dois avançados, mas apenas vi jogar um deles e com Otávio nas costas;
- Temos uma quantidade invulgar de jogadores em fim de contrato e apenas ouvi falar de tentativas de renovação com dois;

Para concluir, tenho ouvido várias vezes que ainda não defrontámos grandes adversários e que isso tende a desvalorizar os bons resultados obtidos até agora, nomeadamente na imprensa e no comentário desportivo. Já sabemos as habituais intenções dessa imprensa, mas também tenho ouvido portistas a dizê-lo. É como a história dos reforços. De certeza que já ouviram os vossos amigos ou colegas de clubes adversários a tentarem picar-vos com a nossa 'falta de dinheiro' para contratar. A imprensa também foi insistindo bastante nessa 'tecla'. Em duas semanas a crítica e o motivo de gozo passaram a ser um elogio. Pois eu acho que esse aspecto do planeamento da pré-temporada foi bom e que também se transformará em motivo para elogio. Pelo caminho defrontamos já três adversários de primeira liga, que é o nosso objectivo principal, ganhamos e conseguimos dar à equipa um capital de confiança que vai ser importante nos primeiros jogos do campeonato.

Venha daí o campeonato! A propósito, que dia esquisito para começar...

quarta-feira, 19 de julho de 2017

O Apito morreu!



Já sei que o FCPorto jogou e até acabei agora mesmo de ver o jogo em diferido. Tinha decidido que iria fazer uma crónica conjunta dos 3 primeiros jogos de preparação televisionados, para dar mais alguma consistência às opiniões e às primeiras impressões sobre o futebol deste FCPorto de Sérgio Conceição. Esta estratégia também me iria dar umas mini-férias das crónicas aqui no blog, mas tive de interromper.

Já devem ser poucos os que nos seguem desde essa altura, mas o blog foi criado em 2006 e, logo nos seus primeiros anos, fomos confrontados com o maior ataque alguma vez feito ao clube. E fomos comentando à medida que os ataques se iam sucedendo. Nessa altura o FCPorto de Jesualdo Ferreira era avassalador por cá, e o adversário decidiu que «teria de fazer as coisas por outro lado». Tem aspas porque é uma citação de uma das escutas do processo. Apenas uma das tais que foram ignoradas. Ora o «por outro lado» teve muito mais vertentes do que o que seria de esperar. Tivemos o lado judicial com a inquinação do processo para o impedir de chegar a Lisboa. Tivemos o disciplinar através de um lacaio colocado no Conselho de Disciplina da Liga. Tivemos também o lado federativo com o golpe palaciano na reunião do Conselho de Justiça da Federação. Tivemos o lado literário com um livro fabricado e reescrito para incluir informação do processo e para que se reabrisse na justiça desportiva um processo morto pela justiça civil. Mais tarde, foi o mesmo livro que serviu como pretexto para a formação de uma 'task force' nomeada pelo Procurador Geral da República, para reabrir todos os processos anteriormente arquivados. Por fim, tivemos o lado cinematográfico com o filme sobre o livro, realizado pelo marido da autora não oficial do livro.

Simplificando, o processo inicial contra o FCPorto morre nos tribunais, mas parte do processo vem para os jornais. Essas fugas de informação são transformadas em memórias de uma ex-mulher de Pinto da Costa e incluídas num livro que serve posteriormente como prova adicional no processo na justiça desportiva, e para reabrir o processo no justiça civil. Mais 'Kafkiano' era difícil... A verdade é que tudo isto foi-se desmoronando até que morreu definitivamente na sexta-feira passada. Mas não escapamos ilesos e as revelações recentes do nosso Director de Comunicação são a prova de que o crime acabou por compensar. Mas foi «por outro lado»...

O denominado 'Apito Final' não era o fim da linha. Quem orquestrou isto foi derrotado em toda a linha. Mas o Apito não acabou. Há que denunciar e responsabilizar os artistas que se dispuseram a participar nisto. Esta gente entrou em conluio numa gigantesca vigarice, foi derrotada e têm nome:
- Luís Filipe Vieira, BTV e Rui Gomes da Silva;
- Ricardo Costa e Hermínio Loureiro;
- Francisco Mendes da Silva, Álvaro Batista, Eduardo Santos Pereira, João Abreu e José Pereira dos Reis - os 5 vogais do Conselho de Justiça da Federação que decidiram à revelia de Presidente e Vice Presidente desse órgão.
- Freitas do Amaral que passou um parecer 'encomendado' a validar o golpe palaciano no Conselho de Justiça;
- Pinto Monteiro, Maria José Morgado e a 'super equipa' de investigação que perdeu processo atrás de processo;
- o Realizador João Botelho e o seu ex-marido Leonor Pinhão.

O apito morreu! Venham as consequências para os obreiros desta vergonha!

E, já agora, comecem a corrigir as classificações da época de 2007/2008. Por exemplo, como podem ver na imagem, o jornal O Jogo ainda não o fez.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Ruben Neves



Quando há negócios como este do Ruben Neves sobressaem logo duas correntes antagónicas entre os adeptos, ambas irritantes. A primeira são os puristas: «O FCPorto tem de ser feito de portistas», «isto é um escândalo», «ninguém se demite na SAD», «o presidente já não está bom da cabeça e os abutres tomaram conta do clube», «o Jorge Mendes está-nos a dar cabo do clube». etc. Depois temos os pragmatistas: «o FCPorto sempre foi um clube vendedor», «a situação financeira do clube exigia vendas até 30 de Junho», «o Ruben nem sequer era titular e o importante é manter o Danilo», «que interessa ser o Wolverhampton, se o jogador foi, é porque quis ir», etc..

Eu, que normalmente estou mais próximo dos pragmatistas, desta vez estou mais próximo do lado oposto. Esta não é uma venda normal. Quando o FCPorto aposta num jogador como ativo para fazer render, a venda tem sempre duas características: valores avultados e o momento da venda é definido por nós. Mesmo quando não há tubarões disponíveis, há sempre um Dinamo de Moscovo ou um Zenit. 

Vamos directos ao assunto: esta venda de Ruben Neves é assustadora, porque nos confronta com uma realidade do FCPorto que muitos de nós insistem em ignorar ou negligenciar. Estamos a vender um jogador que não queríamos vender neste momento, por um valor abaixo do normal para este perfil de jogador e para o habitual em jogadores vendidos pelo FCPorto, para um clube 'barriga de aluguer' controlado por um empresário que vai tentar, tão cedo quanto possível, fazer com Ruben Neves a mais-valia que deveria ser o FCPorto a fazer.

Hoje em dia temos de nos habituar a um FCPorto tão sôfrego para chegar às vitórias, que não tem tempo nem engenho para fazer uma gestão a médio prazo e para sequer valorizar e tratar bem os seus melhores activos. Vejo alguns portistas chocados com o valor da transferência, mas vejo o mundo inteiro que segue o futebol jovem, chocado com o destino deste que é dos maiores talentos portugueses dos últimos anos. Mais um sintoma do absurdo do negócio.

Quem me lê habitualmente poderá argumentar que escrevo isto porque o Ruben era o meu jogador preferido do FCPorto. É verdade que isso tem influência, mas estaria igualmente assustado se fosse o Danilo a ser vendido, nesta altura, por estes valores e para este clube.

Foi-se o mais jovem capitão do FCPorto o mais jovem a marcar com a nossa camisola, um portista verdadeiro, que foi obrigado a ir jogar para a segunda liga inglesa para o clube 'barriga de aluguer' de um empresário. Logo o Jorge Mendes...

Boa sorte Ruben! Espero mesmo que um dia regresses.

PS: Este post está escrito há mais de uma semana há espera do anúncio e do valor da transferência. Decidi não esperar mais.

terça-feira, 27 de junho de 2017

Sérgio Conceição


Já aqui falamos dele, mas foi 'de raspão'. Sérgio Conceição é o novo treinador do FCPorto e contará com o meu total apoio. Dirão que é normal que disponha do benefício da dúvida dos adeptos, mas não é bem assim. Há treinadores que eu não aprecio e que não quero no FCPorto. Por incrível que pareça até consigo concentrar todas as principais características que não gosto num único treinador: Jorge Jesus. Este até foi um dos nomes falados. Eu diria que a única coisa que gosto nele é o facto de saber muito de treino e de futebol. Não chega? Para mim não, porque tudo o resto desvia do perfil que defendo.

Comecemos pelo próprio perfil de treinador experimentado, que é um perfil que não é o nosso habitual. É certo que não correu mal com Jesualdo e com Adriaanse, mas é nosso hábito promover o crescimento dos treinadores com a equipa. Transformar treinadores promissores em treinadores campeões. Já sei que temos falhado consecutivamente nos últimos anos em apostas com esse mesmo perfil. Assim, será normal que se ponha em causa o método, que tão boas provas deu no passado. Mas este é um perfil que eu prefiro. 

Mas também não é qualquer treinador promissor que cabe no nosso clube. Dou um exemplo de um treinador jovem que parece que já tem um ego do tamanho do de Jesus. Nem foi considerado mas, a título de exemplo, Jorge Simão fez uma boa primeira volta no Chaves. Se tivesse ficado por lá mais tempo, seria normal que chegasse ao final com cotação alta. Mas partilha com Jesus, um traço de personalidade altamente inquietante: o egocentrismo. O FCPorto construiu-se em equipa e com um único culto de personalidade que é o Presidente. Tudo o resto é secundário em relação ao desígnio do FCPorto.

Por último, o que mais me desagrada em Jorge Jesus. Trata-se de um treinador que se habituou a ter Presidentes que lhe fazem as vontades, em termos de plantel. Pavoneia-se muito quanto às suas capacidades, mas faz 'birra' se não tem os jogadores caros de que gosta. É muito vulgar vermos este treinador a queixar-se de não ir mais longe porque não pode e em óbvias críticas implícitas e explícitas ao plantel. Segundo consta, este foi um dos problemas com Marco Silva. Não seria um treinador que me desagradava, mas o rumor de que exigia que houvesse grande investimento na equipa, tirou-o logo da minha lista de preferências.

Ora Sérgio Conceição não reúne nenhum destes defeitos. Terá outros, como a relativa inexperiência a este nível e o temperamento explosivo. Mas estes, ao contrário dos atrás descritos, não são um 'dealbreaker' para mim. Além disso, fez formação no FCPorto, foi campeão várias vezes pelo clube e fez uma carreira internacional diversificada e enriquecedora como jogador. Como treinador teve altos e baixos, mas vem do seu melhor desempenho, em Nantes. É uma aposta segura? Não. É até muito arriscada! Mas está perfeitamente enquadrada no perfil habitual do treinador do FCPorto. Além disso é portista, que é uma característica que me habituei a apreciar em toda a gente.

Como o futebol não é uma questão de sorte, desejo um bom trabalho ao Sérgio Conceição!

terça-feira, 20 de junho de 2017

O caso do André Silva


Poderá ter passado despercebido, mas André Silva é a venda mais cara de sempre de um 'produto' da nossa formação. Os valores ultrapassam os de Ricardo Carvalho e os de Bruno Alves. Mas convem dizer que estes jogadores saíram mais tarde: André sai aos 21, Ricardo Carvalho aos 26 e Bruno Alves aos 28. Se fizermos exercícios de mais valias, este será certamente um dos melhores negócios da história do clube. Só me lembro de um claramente melhor e foi o de James Rodriguez, que saiu inflacionado para lixar o Sporting.

Isto é importante, dado o apuro financeiro em que vivemos. Estaremos perante uma mudança de paradigma? 

Desenganem-se os que pensam que este é um daqueles artigos românticos a pedir para que se metam os míudos e a defender uma 'sportinguização'. Não é. Estou a tentar perceber uma tendência de mercado. Eis a minha teoria: se ganhamos, é fácil vender os jogadores que queremos vender. Se não ganhamos só há mercado para o refugo e para os produtos das camadas jovens. Ou seja, em altura de aperto, quem nos salva é um produto da formação. André Silva valorizou-se mais num ano e um terço de Equipa A do que Corona em dois, que Brahimi em três e que Herrera em quatro. O nosso modelo de negócio sempre foi o de comprar Coronas baratos e vender caros, dois ou três anos mais tarde. Mas a verdade é que já não o conseguimos. Temos Danilo, Herrera e Brahimi na montra e ninguém lhes pega pelos valores pedidos. Porquê? Porque hoje em dia, para os 'tubarões', é preferível pagar caro por um miúdo. Dá ideia que fecham os olhos quando o jogador tem menos de 21 anos. Vejam os casos recentes do futebol português como o André Silva, o Renato Sanches, o Gonçalo Guedes, o João Mário, etc. O próprio Ruben Neves, a jogar pouco, é dos ativos mais valiosos do plantel e não deve haver reunião em que se tente vender o Danilo, em que não perguntem pelo Ruben... E também devem perguntar pelo Rui Pedro e pelo Dalot... Outro exemplo é o de Moreto e de Idrisa. Segundo o que tem constado nos jornais, só nestes dois sub19, fez-se pouco mais do que 4 milhões de euros. Haverá algum clube disposto a dar 4 milhões por um Depoitres ou por um Adrian Lopez? E estamos a falar de jogadores que nunca jogaram na equipa principal, apesar de Moreto ser capitão dos juniores. Bastaram os jogos na youth league e pelas selecções jovens.

Chegamos portanto à minha conclusão. Neste momento do mercado mundial, 'meter os miúdos' compensa. Espero que a malta perceba isso e que se volte a pensar a formação em condições. É que os miúdos não aparecem do nada. Quem está atento à formação, percebe que a última fornada que trabalhou com o famoso treinador holandês, que perdemos para o Liverpool, está a acabar. Os resultados deste ano e do ano passado dos sub15 são absolutamente assustadores, quer em convocatórias para as selecções nacionais, quer em resultados desportivos. Há que fazer algo e rápido, porque o nosso futuro tem de passar por aí.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Época 2016/17 - Acabaram os bons rapazes?


Para fechar esta série de artigos, deixámos o melhor para o fim. Este foi um primeiro ano de mandato especialmente mau, para Pinto da Costa e para o FCPorto. Os títulos foram anormalmente poucos, nas várias as modalidades. Esta semana tivemos de levar com mais uma deprimente declaração de Fernando Gomes. É bom saber que ele só fala de ano a ano porque é assustador, sobretudo para portistas que se dão ao trabalho de ler as contas e que conseguem interpretá-las. Ainda bem que só falou após os resultados da oferta, porque este discurso de culpabilização dos treinadores não dá segurança a nenhum investidor. Para ajudar, no dia seguinte saiu a confirmação do que já todos sabíamos sobre o consulado Fernando Gomes na condução financeira do clube: o clube está numa situação financeira descontrolada, pelo menos de acordo com os parâmetros da UEFA. Já parece longínquo mas Antero zarpou no início da época tendo sido substituído pelo Eng. Luís Gonçalves, que me parece ter um perfil bastante diferente. E aqui chegámos ao meu ponto. Apesar de todas as contrariedades directivas e desportivas, há uma atitude diferente perante o estado de coisas no futebol português. Há quem diga que isto tem a ver com a entrada de Luís Gonçalves, mas também há quem me garanta que o homem é um desastre, que não consegue ter foco e que dispara para todos os lados ao mesmo tempo. Sendo assim, vou concentrar o mérito desta ruptura com a 'postura de bons rapazes' em Francisco J. Marques.

O director de comunicação do FCPorto começou por mudar o discurso através da newsletter que criou. Chegámos a apresentar aqui queixas de que não chegava e que se tinha de ir mais longe. Ora, este ano, marcou o fim da postura de 'bons rapazes', pelo menos ao nível da comunicação. Isto começou por funcionar junto dos adeptos mas, muito recentemente passou a acossar os órgãos de comunicação benfiquistas. Querem melhor exemplo de que estão a 'acusar o toque' do que a capa de hoje do jornal A Bola? Foram buscar o Calheiros!!! Ainda agora começou e já estão desesperados? Que se segue? Vão dar mais uns trocos ao Jacinto Paixão ele ler um depoimento, como fizeram na última vez?

Mas o mais escandaloso é que só agora a generalidade da comunicação social ter divulgado amplamente os factos relatados pelo Francisco J. Marques. Ele já tinha divulgado e-mails entre administradores do Benfica a tratar de bilhetes para o presidente da Associação do Árbitros. Já tinha divulgado documentos que comprovavam inequivocamente o apoio a claques ilegais, em 3 momentos diferentes, sempre com documentação nova e antes mesmo do assassinato deste ano, por elementos dessa mesma claque. Desmascarou a presença de Luís Filipe Vieira nas várias listagens de credores de bancos intervencionados, factura a pagar por todos, incluindo portistas, benfiquistas e sportinguistas. Deu até um exemplo de um investimento imobiliário fantasma que foi o destino de um avultado financiamento pela Caixa Geral de Depósitos e que está parado há mais de 3 anos. Semanalmente, foi dando amplitude às queixas dos portistas sobre o escândalo arbitral que se viveu este ano. Mas a primeira vez que 'bateu' foi com a cartilha. Foi ele que divulgou que há jornalistas, ex-jornalistas, professores universitários, deputados e ex-ministros, que se dispõem a um humilhante papel de 'correia de distribuição' da 'voz do dono'. Provou o espírito acrítico com casos concretos e desmascarou os supostos independentes Carlos Janela, Rui Pedro Braz, e que os que chegaram a clamar serem independentes como o Gobern. Foi ou não foi delicioso ver o Gobern a invocar a 5ª emenda em relação à cartilha? Para quem não sabe o que significa, este é um direito básico, que existe no sistema judicial americano, e que dá o direito ao réu e às testemunhas de permanecer em silêncio e evitar assim a auto-incriminação. O homem tinha receio de se auto-incriminar? Sublime! Ora, tentemos entrar na cabeça dos dirigentes benfiquistas e do seu séquito de 'jornalistas': se Francisco J. Marques consegue aceder a um ano inteiro de cartilha e aos destinatários, o que é que ele não andará a guardar? A resposta chegou na terça-feira passada e deverá continuar nas próximas.

Terminemos com uma sempre pertinente citação do grande Pedroto: «Enquanto fomos bons rapazes, fomos sempre comidos!». 

PS: Pode parecer um pormenor mas, para quem anda a aturar a fruta, o café com leite e o calor da noite há anos, a linguagem destes e-mails é poética! Padres, missas, ordenações e primeiro ministro... Muito bom!

PPS: Hoje o Guerra nem arriscou dizer que é mentira. Deu uma amnésia selectiva ao homem dos papeis... Bom de mais!