domingo, 17 de setembro de 2017

Mesmo com Herrera...


Vou ter de rever aquela primeira parte com o Besiktas. Tenho de perceber o que é que aconteceu para que se prescinda de Oliver nestes cerca de 135 minutos tão importantes para a equipa. Para mim, tem sido um dos melhores jogadores da equipa e dos que melhor se adaptou a este esquema de Sérgio Conceição. É o único jogador que consegue colar as duas partes da equipa evitando, na medida do possível, um jogo demasiado partido. Além de que é, para mim, impensável prescindir dos melhores, quer na Champions, quer numa das deslocações mais difíceis do ano na Liga portuguesa. Muito contente com o resultado, mas muito assustado com as opções iniciais de Sérgio Conceição. 

Quando um Grande enfrenta uma equipa que tenta jogar, o plano terá de ser o de evitar que eles joguem da forma a que estão habituados. Para nós isso devia ser simples: evitar que eles tenham bola. E aqui entra o meu choque com a ausência de Oliver das opções iniciais. E o susto começou com o anúncio do onze mas ainda não passou com a alegria da vitória. Será que Sérgio Conceição irá recorrer ao músculo, quando as coisas correrem mal ou quando o adversário for mais difícil? Poderão referir que a equipa, até não jogou mal. De facto, trouxemos os 3 pontos, mas terá sido uma grande exibição? Eu não acho. Em primeiro lugar, este foi o primeiro jogo do ano em que não tivemos a primazia em termos de posse de bola. Fizemos também menos 150 passes que o adversário. Isto para não falar do facto de Herrera ter sido o jogador em campo com mais perdas de bola. 11 vezes! Danilo e Oliver têm até agora uma média pouco superior a 2 por jogo... Marega, Aboubakar e Brahimi têm médias entre 5 e 6... Para não 'bater mais no ceguinho', concluirei que o Sérgio arriscou e saiu-se bem. Apenas espero que esta solução não seja recorrente.

Mas se me queixo da falta de posse de bola e de Herrera, também tenho de elogiar a outra 'face da moeda'. O jogo ganhou-se na raça e nas muitas recuperações de bola que conseguimos. Algumas no meio campo ofensivo. Outro dado estatístico interessante é o das faltas. Foram 25, quase o dobro das do adversário. Demonstra a clara diferença em termos de agressividade, que foi fundamental para o resultado final. Pena que não tivéssemos conseguido capitalizar essas recuperações e transformá-las em jogadas de golo. A partir do momento que chegámos ao golo, numa bola parada, o jogo ficou de feição para a nossa estratégia de saídas rápidas para o ataque. Pecámos demasiado no último passe e até na finalização. Ainda deu para duvidar um pouco com aquele golo atípico, que misturou uma 'nabice' do Felipe com um posicionamento deficiente de Ricardo, que tinha acabado de chegar ao lugar de lateral esquerdo.

Individualmente, dou o MVP a Danilo. É isto que precisamos: agressividade, segurança e amplitude de acção. Há quem diga que isto só sucede quando tem um jogador mais defensivo ao lado. São opiniões. Para mim ele jogou bem porque jogou ao seu nível. Ou melhor, jogou bem, apesar de Herrera. Não sei bem se o MVP é justo, porque Marega também fez por merecer. Grande intensidade e grande velocidade. Pena que os pés nem sempre acompanhem... Também gostei de Brahimi. Pela negativa, além de Herrera, Aboubakar teve um jogo muito discreto. Especial destaque para aquela jogada irritante em que trava e não aparece no segundo poste para aproveitar a oferta de Marega. Otávio esteve bastante trapalhão no último passe.

Falta uma vitória para chegarmos a Alvalade com o pleno. Será muito importante que se concretize este objectivo!

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Ilusão, depressão


Há várias lições a aprender depois do jogo de hoje. Mas o mais importante é não embarcar em ondas, sejam de depressão, depois de resultados adversos, sejam de euforia quando corre bem.

Vamos à primeira lição. Já aqui tínhamos avisado que a defesa estava ainda longe do nível do ano passado, apesar do enganador registo até hoje. Compreendemos que o desígnio é outro e que se aceita sacrificar alguma segurança defensiva para conseguir ter mais talento na frente e mais homens nas zonas de finalização. Sendo assim, temos de saber reagir aos golos sofridos com uma intensificação da pressão. Foi possível reagir bem ao primeiro golo, mas deu-me a ideia que o segundo golo nos 'matou'. A partir daí a equipa jogou sempre em esforço e de uma forma demasiado descontrolada para uma Champions. É certo que isso nos valeu algumas oportunidades no início da segunda parte, mas também fez com que a equipa caísse muito no final do jogo.

Esta quebra física também é algo muito importante para os próximos tempos. Já sabemos que o plantel é curto, mas não vamos entrar em teorias de que não chega para este nível. Tivemos um adversário muito maduro e eficaz que teve um jogo que lhes correu excepcionalmente bem. Ainda assim, Sérgio tem de aprender a lidar com estas limitações. O jogo de Sábado já poderia ter posto algum travão a este ímpeto de 'vamos para cima deles com tudo'. Já sei que é o que nos tem entusiasmado neste treinador, mas o plantel disponível e a própria competição da Champions obriga a precauções extra que terão de ser tidas em consideração nos próximos jogos. Dou dois exemplos. Sem Aboubakar, não chocava ninguém se Sérgio optasse por ter um avançado no banco. Preferiu dar um sinal à equipa de que era para manter a dinâmica do início de época, mas limitou as suas próprias opções. Com 'todas as fichas' no plano A, o plano B é bem mais fraco. Óbvio. Outro exemplo é a dupla troca ao intervalo. Mais uma vez, tenta mudar o jogo de uma forma radical, para surpreender o adversário. E até resultou, visto que tivemos várias ocasiões para empatar no início da segunda parte. Mas quando o adversário refrescou a equipa, o FCPorto desapareceu do jogo. Concordo que alguma coisa teria de mudar. Mas optou-se por gastar duas substituições que fizeram falta a partir dos 70 minutos, quando a equipa quebrou fisicamente. Para mim, bastaria a troca de Otávio por Corona. Manteríamos a possibilidade de refrescar o meio-campo mais tarde, evitando a quebra final que nos impediu de forçar o empate, pelo menos.  Se o plantel é curto, torna-se fundamental ser mais cauteloso na sua gestão.

A última questão que quero abordar é a do dilema entre talento e intensidade. É óbvio que Corona e Oliver fizeram alguma coisa que irritou o treinador. Algo que desequilibrou a equipa na primeira parte e que fez com que o Sérgio sentisse a necessidade de optar pela segurança trazida por André André. Mas não vos deu a sensação que ficámos muito dependentes de Brahimi? Não faltou ali talento para fazer melhor? Isto para falar da diferença de talento e de qualidade entre André e Oliver e entre Corona e Marega. Esta é uma competição que não é muito complacente com diferenças de talento. É para ser jogada entre os melhores e há que fazer com que os nossos jogadores mais talentosos se sintam confortáveis para render nestes jogos, por muito que não consigam atingir a intensidade de um Marega.


Individualmente, dou o MVP a Brahimi. Foi o jogador mais perigoso e o que mais se aproximou do seu nível. Pela negativa, não faltam candidatos. Posso destacar o Danilo porque me pareceu o que jogou mais abaixo do seu nível, nomeadamente no lance do primeiro golo em que perdeu a oportunidade de matar o lance no meio campo ficando a 'filmar' o resto da jogada. Mas há outros jogadores que tiveram erros graves. Marcano deixa-se antecipar no primeiro golo, Casillas podia ter feito mais no segundo, etc. Uma última menção para Hernâni. Parece que este nível é demasiado para ele. Isto torna-se perigoso visto que ele era a única opção ofensiva no banco...

Em suma, foi um jogo que não correu nada bem. Fomos penalizados por um segundo golo, com Casillas mal batido, numa altura em que estávamos por cima. Este momento marcou a equipa, mas ainda assim, com o penalti não marcado e com maior eficácia na última decisão, estaríamos a fazer uma crónica diferente. Não vale a pena deprimir. Com mais eficácia poderia ter sido um jogo diferente, mas o resultado não choca ninguém. Temos de ir para o jogo com o Rio Ave de cabeça limpa.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Cuidado com as entradas!


Não! Não estou a falar dos 'sarrafeiros' que têm escapado ao 'rigor' do VAR. Nem tão pouco me refiro ao facto de, mais uma vez, perante a selvajaria do adversário, voltámos a ser nós a ver o primeiro amarelo. Estou-me a referir à nossa entrada em jogo. Sérgio Conceição habituou-nos na pré-época e nas primeiras quatro jornadas, a um FCPorto que entra com autoridade nos jogos e que tentar resolver os jogos cedo. Não foi o que vimos no Sábado, algo que se torna estranho, visto que jogámos depois dos nossos adversários directos e dado que há um jogo de Champions na quarta-feira. Ou seja, não faltavam razões para resolver a questão, o mais cedo possível.

É certo que entrámos muito melhor na segunda parte e que, nessa altura, marcámos cedo. Mas a equipa não estava tão bem como nos últimos jogos e bastou uma exibição menos conseguida de alguns jogadores para que tivéssemos alguma 'tremideira'. O 'soar do alarme' veio com as duas oportunidades do Chaves e logo se partiu para a tentativa e concretização de um resultado mais seguro. 

Mantivemos, mais uma vez a baliza inviolável, mas é uma estatística algo enganadora. Não sinto a equipa mais capaz defensivamente do que no ano passado. Antes pelo contrário. Mas reconheço que dificilmente o poderia ser, dada a forma como ataca. Muito menos se jogar o Layun que continua a ser o nosso pior lateral... Avançando o aparte, quero reforçar que é uma surpresa para mim esta sequência de baliza inviolável. Para mim, iríamos ter muito mais resultados 4-2 do que 1-0, mas não tem sido bem assim. O que é importante é não sobrevalorizar este facto e descansar com vantagens mínimas. Pelo que se viu no Sábado, isso pode ser e foi muito perigoso. Atento a isso, Sérgio Conceição lança André André nos dois jogos e Herrera em Braga. Um reconhecimento claro de que a equipa ainda não é ainda capaz de controlar o resultado com o esquema inicial. Ora isso torna ainda mais preocupante a nossa primeira parte de sábado. Tivemos a 'carne toda no assador' sem que tivemos qualquer proveito desse facto. Já sei que as preocupações são um pouco prematuras, mas não gostei muito do jogo de sábado e, dadas as exibições da concorrência, era um bom jogo para fazer uma demonstração de força.

Individualmente, dou o MVP a Marega. Há um mês isto seria impensável, mas foi jogador mais intenso e de rendimento mais constante. Gostei também de Marcano e das entradas de André André e de Soares. Pela negativa, Corona nem se viu e Danilo esteve bastante abaixo do habitual. Felipe também esteve problemático. Mas o destaque negativo vai para Layun. Não sei como foi possível enganar tanta gente durante tanto tempo. Hoje em dia, é um risco ter Layun em campo, mesmo nos jogos em casa.

Venha a Champions! Que saudades!

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Capa frugal



Não têm faltado elogios a Sérgio Conceição e aos seus primeiros meses de trabalho no FCPorto. Nós aqui, não temos fugido à regra. Mas... Escusam de me 'dar baile'! Esta capa do jornal O Jogo incomodou-me bastante. Já sabemos que é uma notícia encomendada. É assim a imprensa desportiva e já estamos habituados. O problema é que se tenta 'cavalgar' nesta onda de unanimismo em torno do treinador para nos passar ideias erradas e para esconder um defeso que foi muito complicado. Ainda por cima usa termos como 'Frugal' o que, na capa de um desportivo, é para rir... 

Para não me alongar em críticas ao processo de construção do plantel, porque estou a gostar da equipa e porque, para já, quero apenas desfrutar, vou propor apenas uma capa alternativa, frase a frase: 

Título - Conceição está a fazer uma casa bem jeitosa, dada a pouca mobília que lhe dão;

Subtítulo - Balanço de um Verão num T1 em Armação de Pêra, para quem está habituado a cruzeiros em veleiros nas Ilhas Gregas;

Rodapé:
-  Carga salarial aliviada: Alívio com os 18 atletas que saem e os 18 que foram emprestados, mal chega para aliviar o facto de permanecerem no plantel todos os jogadores caros;

- Recuperação de ativos: 6 jogadores regressaram pela 'porta grande' ao Dragão, mas a porta de saída para os miúdos do Olival parece ser ainda maior;

- 7 saídas e apenas uma entrada: 4 Guarda-redes e apenas 3 centrais, um 'trinco' e três avançados, para duas posições na frente de ataque;


Que venha rápido o campeonato porque, só vendo a equipa a jogar é que eu esqueço o resto...

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Teste superado



Normalmente a foto inclui o nosso MVP da partida, mas resolvi abrir uma excepção. Esta foto de Corona é mais uma imagem perfeita da revolução de Sérgio Conceição. Corona, que sempre pareceu um jogador que joga mais para ele do que para a equipa, aparece capaz arrancar a camisola com a felicidade de um golo. E fá-lo num ano em que se exige dele o dobro em termos defensivos e ofensivos. Há um lance que personifica o novo Corona que é um em que perde a bola em zona comprometedora e, segundos depois, aparece a cortar em mergulho de cabeça na área. Poderíamos dizer o mesmo ou arranjar lances com semelhanças de Aboubakar, de Marega, de Brahimi, etc. Começo a tender para concluir que treinar em futebol é 80% de psicologia e 20% de conhecimentos técnicos e de táctica. E o trabalho do treinador, nesse campo da psicologia, parece notar-se na atitude em geral e nestes pequenos pormenores como o festejo de um golo ou o grito colectivo no final dos jogos. Para quem não viu o de ontem, recomendo que voltem atrás na box. Foquem sobretudo o Otávio, Ricardo, Alex Telles e Oliver no final. Isto pode desaparecer com as contrariedades, mas parece claro que temos ali um bom espírito de grupo.

Passando ao jogo, esse espírito de grupo foi fundamental numa vitória em 'teste de fogo'. É certo que o Braga não chegou sequer a fazer um remate enquadrado com a baliza, mas chegou a ameaçar várias vezes, no final da primeira parte, e pareceu jogar sempre no limite da agressividade, bastante protegidos pela a habitual 'xistralhada'. Muitas faltas, muita luta e foi preciso o FCPorto adaptar-se a isso. Poderão reparar que as jogadas mais perigosas do Braga surgiram todas de lances em que os nossos jogadores não se conseguiram soltar da pressão ou até de lances faltosos do adversário. Lembro-me de duas perdas de bola de Brahimi em zona proibida e de dois lances que se sucederam a momentos em que, tanto Ricardo como Felipe, tinham a situação aparentemente controlada e perderam a bola. Ora, na segunda parte, não houve nada disso. Controlámos muito melhor o jogo e só as faltas de Xistra causaram alguns momentos de dificuldade. Ofensivamente, entrámos muito bem, como tem sido habitual. O jogo não foi mais descansado porque estivemos bastante desinspirados na finalização, especialmente Aboubakar, que teve um 'hat trick' de falhanços escandalosos. Tivemos oportunidades suficientes para ter resolvido o jogo bem mais cedo. Mas, mais que o desperdício, o grande destaque do jogo foi a forma como o controlamos na segunda parte. Com o resultado em 0-1, o Braga entrou uma vez na nossa área nos últimos 15 minutos e foi na sequência de uma falta desnecessária de Ricardo. Isto demonstra confiança, segurança e boa cultura táctica.

Individualmente, dou o MVP a Danilo que reinou naquela selvajaria que é um meio campo em jogos apitados pelo Xistra. Nota bastante alta para os laterais Ricardo e Alex Telles. Nota alta também para os jogadores que entraram na segunda parte, sobretudo o Otávio e o André, que foram fundamentais para segurar a vitória. Pela negativa, Aboubakar que falhou demasiados golos fáceis.

Chegada a primeira interrupção competitiva, estamos em boa posição. Seria muito importante chegar a Alvalade só com vitórias.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Calor


Não me lembro de uma tarde tão quente no Dragão. Arrisco dizer que se transpirou mais na bancada do que no campo. Não está em causa o esforço da equipa que, mais uma vez, foi impecável ao nível da entrega. Temos de contar com mais um fenómeno deste FCPorto de Sérgio Conceição, que é o de ter enchido o Dragão por 3 vezes consecutivas. 

Para tal, considero que o futebol que o novo treinador trouxe é importante, mas não é o único factor. Nota-se que a organização está mais apurada e preocupada em criar uma festa em redor do estádio que enriqueça ainda mais a experiência, nomeadamente para as famílias que vêm à bola. Algo que não ajuda é a qualidade inenarrável dos cartões de sócio. O meu, além de já nem se notar a minha foto, falhou pela terceira vez e os meros dez euros que me custou há um ano, começam a ser muito caros para a qualidade. Pela fila que estava à minha frente para resolver o problema, percebo que não fui só eu a ter azar na compra.

Vamos ao jogo. A equipa soube responder bem  ao muito calor que se fazia sentir, alimentando-se
talvez do calor que vinha das bancadas. De resto, se tivéssemos que explicar rapidamente o que mudou com Sérgio Conceição, bastaria exemplificar com os golos de hoje. No primeiro golo, tínhamos 3 para 3 na zona de finalização para atacar o óptimo cruzamento do Alex. E cheguei a contar 6 e 7 jogadores do FCPorto na área, em lances de bola corrida. Mas o segundo golo é mesmo paradigmático. Vemos claramente outra das características importantes deste FCPorto, que é a pressão em todo campo, e temos também  4 para 2 na carreira de tiro, algo que permitiu falhar duas vezes antes da concretização do golo. O último golo resulta igualmente desta necessidade de pôr pressão constante nas defesas contrárias. Esta atitude tem-nos valido muitos golos neste início de época e que pode ser uma das chaves no jogo da próxima semana em Braga.

Gostei que Aboubakar tivesse conseguido recolher uma boa dose de confiança, que é fundamental para um jogador nesta posição. Mas o que me deixa mais contente é esta fúria com que a equipa ataca os resultados. Esta intensidade ofensiva é o fio condutor das exibições da equipa que não descansa enquanto não tem um resultado seguro e, mesmo nessas alturas, poderá a qualquer momento marcar golos como o terceiro de Aboubakar. Irritou-me um pouco algum desconforto na minha bancada com o facto de não termos conseguido uma goleada igual à dos adversários.

Individualmente, MVP claro para Aboubakar. Teve menos oportunidades claras do que no jogo com o Estoril, mas com a eficácia que se lhe exige. Já Marega, fez um jogo bem melhor do que o que tinha feito contra o Estoril e não conseguiu marcar. Destaque para o excelente remate à barra e o passe que isolou Hernâni. De resto não tenho grandes destaques. Alex esteve melhor que a surpresa Maxi, mas o passe para o primeiro golo pode ajudar a esquecer que não fez um grande jogo ao nível do cruzamento. Oliver continua a ser dos melhores e esteve, mais uma vez, melhor do que Danilo, que vem melhorando a cada jogo. Nos centrais destaque para os pés de Marcano que estavam ligeiramente tortos. Corona voltou a estar melhor que Brahimi (limitado) e Otávio (desastrado). Iker sujou o equipamento uma vez, na segunda parte.

O próximo jogo em Braga é capaz de ser o jogo mais difícil de um calendário inicial que me pareceu simpático. Teremos uma semana para carregar o Ricardo com anti-histamínicos, antipiréticos e, eventualmente, antibióticos... Ironias à parte, será importante encetarmos uma 'invasão' ainda maior que a do ano passado!

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Mais dois pontos!



Já sabíamos que o jogo era complicado, já lá vão 124 anos de história e só tínhamos ganhado por uma vez em Tondela! Já sei que os ‘haters’ vão dizer que só lá fomos jogar duas vezes…

Tirando dados estatísticos e analisando o jogo pelo jogo, acho que é pacífico dizer que ganhamos sem brilho mas temos que levar em linha de conta várias situações. Desde logo, a forma de jogar do Tondela: o mister Sérgio falou em futebol direto e bolas longas no avançado, a isto eu chamo ‘jogar à distrital’ e ao Porto custou adaptar-se a este futebol, até porque o nosso futebol este ano caracteriza-se por pressão altíssima mas como podíamos pressionar alto se a bola não parava no setor defensivo do Tondela? Era sempre chutão na frente!

O Porto chegou a pecar neste aspeto: entrou no jogo deles e respondeu muitas vezes ao futebol direto do adversário com muitas bolas igualmente diretas para Aboubakar e Marega, mas sempre que tentamos sair rápido para o ataque com rápidas variações de flanco, vamos chamá-las de basculações, criamos sempre perigo e foi assim que chegamos ao golo no qual temos que destacar a assistência primorosa de Telles!

Desta vez tenho uma frase que foi dita no final do jogo quando se falava do aproveitamento do Aboubakar: “se ele falhar muitos golos mas golearmos por 4-0 e quando não faturarmos ele marcar o golo da vitória, para mim está perfeito…”.

Era preciso o segundo golo para evitar qualquer balde de água fria e estivemos perto, principalmente na bola ao poste do Vincent. O Tondela já tinha colocado mais um avançado agressivo na disputa da bola como é Tomané e perante os nossos defesas (leia-se Felipe) que caem na armadilha da falta fácil, ganhou vários livres perto da área que podiam causar alguns calafrios. Engraçado que se calhar o maior calafrio foi provocado por aquela jogada típica de futebol de praia entre Iker e Felipe…

Nota para as 3 alterações do mister Sérgio, todas de tração atrás. Gosto do pragmatismo, chega a uma altura do jogo que mais vale meter as trancas na porta e não esticar demasiado a equipa mas fico com a sensação que Óliver sai demasiado cedo do terreno de jogo e aí perdemos o cérebro (eu sei que Herrera ter entrado não ajuda, mas mesmo assim...).

Foram mais dois pontos... em relação ao ano passado! Venham os próximos, venha mais um Mar cheio azul!

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Tasse, Mano!


Chega a ser até um pouco ingrato face ao caudal ofensivo do Porto e às oportunidades que dispusemos (vamos esperar que Aboubakar tenha falhado quase tudo no jogo de ontem) que o nosso abre-latas tivesse uma colaboração tão decisiva de um adversário. Não é que a vitória estivesse em causa ou os alarmes já estivessem a soar, afinal de contas já tínhamos feito golos (invalidados) e sofrido faltas para grandes penalidades (não assinaladas), mas a assistência de Mano foi primordial para abrir caminho para mais uma goleada.

A pressão que os nossos jogadores incutem na recuperação de bola mesmo na zona defensiva do adversário proporciona muitos erros nas equipas que defrontamos, tal como vimos no jogo de apresentação contra o Depor. O reverso da medalha é que se o adversário consegue sair desta zona de pressão ficamos muito mais expostos e vamos obrigar Casillas a fazer muitas mais defesas espetaculares como as de ontem. Acho que vale a pena o risco.

Como alguém dizia no intervalo do jogo: “Se há um ano atrás me dissessem que no jogo inaugural para a Liga 2017/18, o primeiro golo iria ser marcado por Marega, eu se calhar mandava-o ir brincar com o c******…”. Acaba por ser um bom elogio ao trabalho efetuado pelo Sérgio Conceição até ao momento: uma equipa sem reforços, recuperou prostrados e aplicou uma intensidade e dinâmica totalmente diferentes. Vamos ver até quando.

Relativamente ao jogo, o MVP é de Oliver: constrói jogo junto aos centrais, recupera bolas, cria desequilíbrios na frente (ver 2º golo) e ainda faz duas assistências! Grande jogo, merecia que Brahimi o assistisse depois de mais uma brilhante jogada para o 5-0 aos 73m! Parece, também, que encontramos um capitão à moda antiga! Renovem já com ele!

Uma última nota para o VAR (vídeo-árbitro) a mostrar logo na 1ª jornada que se calhar as coisas não estão muito diferentes: FCP prejudicado (penalty por assinalar); slb beneficiado (invalidado golo regular). Tudo normal…

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Primeiras impressões


Após quatro jogos televisionados e um jogo ao vivo, já podemos dizer que temos uma ideia do que mudou neste FCPorto de Sérgio Conceição. 

Começando pelo mais óbvio, mudaram apenas dois titulares. Mas se a troca de Maxi por Ricardo parece uma mera e natural sucessão, a entrada de Aboubakar no onze é uma representação perfeita da ruptura com o passado recente, que Sérgio Conceição está a implementar. Todos recordarão a dificuldade que NES teve em conciliar a utilização de dois pontas-de-lança, com o seu estilo de jogo mais conservador. Ao contrário do seu antecessor, Sérgio percebeu que já tinha uma linha defensiva com qualidade suficiente para implementar um sistema mais ousado e que garanta mais gente na área e mais poder de fogo. Nuno também a tinha e até foi ele que a desenvolveu na temporada passada. O problema é que não conseguiu transformar a solidez defensiva, numa base de sustentação para uma equipa cada vez mais atacante. Aqui esteve um dos maiores erros de Nuno. Temos portanto mais gente na frente, algo que parece bastante natural dado que teremos as despesas do jogo, perante equipas fechadas em redor da sua área, em 90% dos jogos.

Ora com a entrada de Aboubakar, sai um médio. Sobrarão responsabilidades acrescidas para Danilo e sobretudo para Oliver. Danilo ainda não está completamente adaptado e André André tem estado melhor nessa posição. Mas nota-se que é apenas uma questão de ritmo de jogo, visto que tem de percorrer uma zona de acção maior, tendo começado mais tarde. Ainda hoje, Danilo teve uma excelente abertura para o segundo golo e uma péssima abertura para a jogada mais perigosa do Deportivo no jogo. Já Oliver, parece estar a adaptar-se na perfeição, tendo sido um dos grandes destaques da pré-temporada. Exige-se aos médios, amplitude de movimentos, muito pulmão e muita agressividade no ataque à segunda bola e na reacção à perda da bola. Dá a ideia de que os médios estão a responder bem. Até o Herrera e o Sérgio Oliveira saem beneficiados.

Por último, uma alteração que se nota bem é o posicionamento dos laterais e dos extremos. Aqui dá a ideia que Sérgio tem dois planos. Um mais conservador em que um dos extremos é Ricardo Pereira, garantindo mais solidez  e mais segurança na transição defensiva e mais foco nos cruzamentos para a área. A outra, mais utilizada, é a versão com Corona e Brahimi (ou Otávio). Aqui a movimentação é simples. Com o campo em perspectiva vertical, tentem dividir o campo em cinco. A faixa central é para os avançados e para os médios. As faixas laterais estão reservadas aos laterais, que fazem o corredor todo e que procuram posicionar-se e receber já no último terço do terreno. Já os extremos, procuram fazer movimentos em direcção a zonas interiores e tentam receber nas faixas intermédias para rodar , organizar e colocar na ala ou nos avançados em constante movimento. É a vantagem de ter extremos com estas características.

Quanto ao 'reverso da medalha' temos transições defensivas mais... Vamos dizer excitantes. Preparem-se para  muitas situações em que o adversário avançará para a nossa área em igualdade ou mesmo superioridade numérica. E isso não acontece só nos contra-ataques. Dado o posicionamento muito adiantado de Oliver e Danilo na pressão à saída de bola do adversário, não tem sido invulgar que a bola entre nas costas dessa pressão, ficando o adversário com muitos metros para correr. Nota-se aqui algum risco que, para já, está a compensar largamente e que acredito que, na maior parte dos jogos, vai compensar.

'Grosso modo' são estas as alterações mais significativas e parece que estão a funcionar. De resto, deixarei apenas pequenas notas:
- Falta esclarecer o papel de Indi e Reyes no plantel. Eu diria que ficará um deles mas, se vendermos o outro, faltará um defesa no plantel;
- Falta esclarecer também o papel de Maxi e Layun. O primeiro é demasiado caro para ser suplente e o segundo tarda em ser colocado, com o seu rendimento a piorar a cada jogo. Entretanto eles vão jogando e a retaguarda de juventude portista, Rafa e Dalot, continua no banco. Dava-lhes jeito os minutos nesta pré-época;
- Naturalmente, Rui Pedro e Marega seriam o plano B do esquema de dois avançados, mas apenas vi jogar um deles e com Otávio nas costas;
- Temos uma quantidade invulgar de jogadores em fim de contrato e apenas ouvi falar de tentativas de renovação com dois;

Para concluir, tenho ouvido várias vezes que ainda não defrontámos grandes adversários e que isso tende a desvalorizar os bons resultados obtidos até agora, nomeadamente na imprensa e no comentário desportivo. Já sabemos as habituais intenções dessa imprensa, mas também tenho ouvido portistas a dizê-lo. É como a história dos reforços. De certeza que já ouviram os vossos amigos ou colegas de clubes adversários a tentarem picar-vos com a nossa 'falta de dinheiro' para contratar. A imprensa também foi insistindo bastante nessa 'tecla'. Em duas semanas a crítica e o motivo de gozo passaram a ser um elogio. Pois eu acho que esse aspecto do planeamento da pré-temporada foi bom e que também se transformará em motivo para elogio. Pelo caminho defrontamos já três adversários de primeira liga, que é o nosso objectivo principal, ganhamos e conseguimos dar à equipa um capital de confiança que vai ser importante nos primeiros jogos do campeonato.

Venha daí o campeonato! A propósito, que dia esquisito para começar...

quarta-feira, 19 de julho de 2017

O Apito morreu!



Já sei que o FCPorto jogou e até acabei agora mesmo de ver o jogo em diferido. Tinha decidido que iria fazer uma crónica conjunta dos 3 primeiros jogos de preparação televisionados, para dar mais alguma consistência às opiniões e às primeiras impressões sobre o futebol deste FCPorto de Sérgio Conceição. Esta estratégia também me iria dar umas mini-férias das crónicas aqui no blog, mas tive de interromper.

Já devem ser poucos os que nos seguem desde essa altura, mas o blog foi criado em 2006 e, logo nos seus primeiros anos, fomos confrontados com o maior ataque alguma vez feito ao clube. E fomos comentando à medida que os ataques se iam sucedendo. Nessa altura o FCPorto de Jesualdo Ferreira era avassalador por cá, e o adversário decidiu que «teria de fazer as coisas por outro lado». Tem aspas porque é uma citação de uma das escutas do processo. Apenas uma das tais que foram ignoradas. Ora o «por outro lado» teve muito mais vertentes do que o que seria de esperar. Tivemos o lado judicial com a inquinação do processo para o impedir de chegar a Lisboa. Tivemos o disciplinar através de um lacaio colocado no Conselho de Disciplina da Liga. Tivemos também o lado federativo com o golpe palaciano na reunião do Conselho de Justiça da Federação. Tivemos o lado literário com um livro fabricado e reescrito para incluir informação do processo e para que se reabrisse na justiça desportiva um processo morto pela justiça civil. Mais tarde, foi o mesmo livro que serviu como pretexto para a formação de uma 'task force' nomeada pelo Procurador Geral da República, para reabrir todos os processos anteriormente arquivados. Por fim, tivemos o lado cinematográfico com o filme sobre o livro, realizado pelo marido da autora não oficial do livro.

Simplificando, o processo inicial contra o FCPorto morre nos tribunais, mas parte do processo vem para os jornais. Essas fugas de informação são transformadas em memórias de uma ex-mulher de Pinto da Costa e incluídas num livro que serve posteriormente como prova adicional no processo na justiça desportiva, e para reabrir o processo no justiça civil. Mais 'Kafkiano' era difícil... A verdade é que tudo isto foi-se desmoronando até que morreu definitivamente na sexta-feira passada. Mas não escapamos ilesos e as revelações recentes do nosso Director de Comunicação são a prova de que o crime acabou por compensar. Mas foi «por outro lado»...

O denominado 'Apito Final' não era o fim da linha. Quem orquestrou isto foi derrotado em toda a linha. Mas o Apito não acabou. Há que denunciar e responsabilizar os artistas que se dispuseram a participar nisto. Esta gente entrou em conluio numa gigantesca vigarice, foi derrotada e têm nome:
- Luís Filipe Vieira, BTV e Rui Gomes da Silva;
- Ricardo Costa e Hermínio Loureiro;
- Francisco Mendes da Silva, Álvaro Batista, Eduardo Santos Pereira, João Abreu e José Pereira dos Reis - os 5 vogais do Conselho de Justiça da Federação que decidiram à revelia de Presidente e Vice Presidente desse órgão.
- Freitas do Amaral que passou um parecer 'encomendado' a validar o golpe palaciano no Conselho de Justiça;
- Pinto Monteiro, Maria José Morgado e a 'super equipa' de investigação que perdeu processo atrás de processo;
- o Realizador João Botelho e o seu ex-marido Leonor Pinhão.

O apito morreu! Venham as consequências para os obreiros desta vergonha!

E, já agora, comecem a corrigir as classificações da época de 2007/2008. Por exemplo, como podem ver na imagem, o jornal O Jogo ainda não o fez.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Ruben Neves



Quando há negócios como este do Ruben Neves sobressaem logo duas correntes antagónicas entre os adeptos, ambas irritantes. A primeira são os puristas: «O FCPorto tem de ser feito de portistas», «isto é um escândalo», «ninguém se demite na SAD», «o presidente já não está bom da cabeça e os abutres tomaram conta do clube», «o Jorge Mendes está-nos a dar cabo do clube». etc. Depois temos os pragmatistas: «o FCPorto sempre foi um clube vendedor», «a situação financeira do clube exigia vendas até 30 de Junho», «o Ruben nem sequer era titular e o importante é manter o Danilo», «que interessa ser o Wolverhampton, se o jogador foi, é porque quis ir», etc..

Eu, que normalmente estou mais próximo dos pragmatistas, desta vez estou mais próximo do lado oposto. Esta não é uma venda normal. Quando o FCPorto aposta num jogador como ativo para fazer render, a venda tem sempre duas características: valores avultados e o momento da venda é definido por nós. Mesmo quando não há tubarões disponíveis, há sempre um Dinamo de Moscovo ou um Zenit. 

Vamos directos ao assunto: esta venda de Ruben Neves é assustadora, porque nos confronta com uma realidade do FCPorto que muitos de nós insistem em ignorar ou negligenciar. Estamos a vender um jogador que não queríamos vender neste momento, por um valor abaixo do normal para este perfil de jogador e para o habitual em jogadores vendidos pelo FCPorto, para um clube 'barriga de aluguer' controlado por um empresário que vai tentar, tão cedo quanto possível, fazer com Ruben Neves a mais-valia que deveria ser o FCPorto a fazer.

Hoje em dia temos de nos habituar a um FCPorto tão sôfrego para chegar às vitórias, que não tem tempo nem engenho para fazer uma gestão a médio prazo e para sequer valorizar e tratar bem os seus melhores activos. Vejo alguns portistas chocados com o valor da transferência, mas vejo o mundo inteiro que segue o futebol jovem, chocado com o destino deste que é dos maiores talentos portugueses dos últimos anos. Mais um sintoma do absurdo do negócio.

Quem me lê habitualmente poderá argumentar que escrevo isto porque o Ruben era o meu jogador preferido do FCPorto. É verdade que isso tem influência, mas estaria igualmente assustado se fosse o Danilo a ser vendido, nesta altura, por estes valores e para este clube.

Foi-se o mais jovem capitão do FCPorto o mais jovem a marcar com a nossa camisola, um portista verdadeiro, que foi obrigado a ir jogar para a segunda liga inglesa para o clube 'barriga de aluguer' de um empresário. Logo o Jorge Mendes...

Boa sorte Ruben! Espero mesmo que um dia regresses.

PS: Este post está escrito há mais de uma semana há espera do anúncio e do valor da transferência. Decidi não esperar mais.

terça-feira, 27 de junho de 2017

Sérgio Conceição


Já aqui falamos dele, mas foi 'de raspão'. Sérgio Conceição é o novo treinador do FCPorto e contará com o meu total apoio. Dirão que é normal que disponha do benefício da dúvida dos adeptos, mas não é bem assim. Há treinadores que eu não aprecio e que não quero no FCPorto. Por incrível que pareça até consigo concentrar todas as principais características que não gosto num único treinador: Jorge Jesus. Este até foi um dos nomes falados. Eu diria que a única coisa que gosto nele é o facto de saber muito de treino e de futebol. Não chega? Para mim não, porque tudo o resto desvia do perfil que defendo.

Comecemos pelo próprio perfil de treinador experimentado, que é um perfil que não é o nosso habitual. É certo que não correu mal com Jesualdo e com Adriaanse, mas é nosso hábito promover o crescimento dos treinadores com a equipa. Transformar treinadores promissores em treinadores campeões. Já sei que temos falhado consecutivamente nos últimos anos em apostas com esse mesmo perfil. Assim, será normal que se ponha em causa o método, que tão boas provas deu no passado. Mas este é um perfil que eu prefiro. 

Mas também não é qualquer treinador promissor que cabe no nosso clube. Dou um exemplo de um treinador jovem que parece que já tem um ego do tamanho do de Jesus. Nem foi considerado mas, a título de exemplo, Jorge Simão fez uma boa primeira volta no Chaves. Se tivesse ficado por lá mais tempo, seria normal que chegasse ao final com cotação alta. Mas partilha com Jesus, um traço de personalidade altamente inquietante: o egocentrismo. O FCPorto construiu-se em equipa e com um único culto de personalidade que é o Presidente. Tudo o resto é secundário em relação ao desígnio do FCPorto.

Por último, o que mais me desagrada em Jorge Jesus. Trata-se de um treinador que se habituou a ter Presidentes que lhe fazem as vontades, em termos de plantel. Pavoneia-se muito quanto às suas capacidades, mas faz 'birra' se não tem os jogadores caros de que gosta. É muito vulgar vermos este treinador a queixar-se de não ir mais longe porque não pode e em óbvias críticas implícitas e explícitas ao plantel. Segundo consta, este foi um dos problemas com Marco Silva. Não seria um treinador que me desagradava, mas o rumor de que exigia que houvesse grande investimento na equipa, tirou-o logo da minha lista de preferências.

Ora Sérgio Conceição não reúne nenhum destes defeitos. Terá outros, como a relativa inexperiência a este nível e o temperamento explosivo. Mas estes, ao contrário dos atrás descritos, não são um 'dealbreaker' para mim. Além disso, fez formação no FCPorto, foi campeão várias vezes pelo clube e fez uma carreira internacional diversificada e enriquecedora como jogador. Como treinador teve altos e baixos, mas vem do seu melhor desempenho, em Nantes. É uma aposta segura? Não. É até muito arriscada! Mas está perfeitamente enquadrada no perfil habitual do treinador do FCPorto. Além disso é portista, que é uma característica que me habituei a apreciar em toda a gente.

Como o futebol não é uma questão de sorte, desejo um bom trabalho ao Sérgio Conceição!

terça-feira, 20 de junho de 2017

O caso do André Silva


Poderá ter passado despercebido, mas André Silva é a venda mais cara de sempre de um 'produto' da nossa formação. Os valores ultrapassam os de Ricardo Carvalho e os de Bruno Alves. Mas convem dizer que estes jogadores saíram mais tarde: André sai aos 21, Ricardo Carvalho aos 26 e Bruno Alves aos 28. Se fizermos exercícios de mais valias, este será certamente um dos melhores negócios da história do clube. Só me lembro de um claramente melhor e foi o de James Rodriguez, que saiu inflacionado para lixar o Sporting.

Isto é importante, dado o apuro financeiro em que vivemos. Estaremos perante uma mudança de paradigma? 

Desenganem-se os que pensam que este é um daqueles artigos românticos a pedir para que se metam os míudos e a defender uma 'sportinguização'. Não é. Estou a tentar perceber uma tendência de mercado. Eis a minha teoria: se ganhamos, é fácil vender os jogadores que queremos vender. Se não ganhamos só há mercado para o refugo e para os produtos das camadas jovens. Ou seja, em altura de aperto, quem nos salva é um produto da formação. André Silva valorizou-se mais num ano e um terço de Equipa A do que Corona em dois, que Brahimi em três e que Herrera em quatro. O nosso modelo de negócio sempre foi o de comprar Coronas baratos e vender caros, dois ou três anos mais tarde. Mas a verdade é que já não o conseguimos. Temos Danilo, Herrera e Brahimi na montra e ninguém lhes pega pelos valores pedidos. Porquê? Porque hoje em dia, para os 'tubarões', é preferível pagar caro por um miúdo. Dá ideia que fecham os olhos quando o jogador tem menos de 21 anos. Vejam os casos recentes do futebol português como o André Silva, o Renato Sanches, o Gonçalo Guedes, o João Mário, etc. O próprio Ruben Neves, a jogar pouco, é dos ativos mais valiosos do plantel e não deve haver reunião em que se tente vender o Danilo, em que não perguntem pelo Ruben... E também devem perguntar pelo Rui Pedro e pelo Dalot... Outro exemplo é o de Moreto e de Idrisa. Segundo o que tem constado nos jornais, só nestes dois sub19, fez-se pouco mais do que 4 milhões de euros. Haverá algum clube disposto a dar 4 milhões por um Depoitres ou por um Adrian Lopez? E estamos a falar de jogadores que nunca jogaram na equipa principal, apesar de Moreto ser capitão dos juniores. Bastaram os jogos na youth league e pelas selecções jovens.

Chegamos portanto à minha conclusão. Neste momento do mercado mundial, 'meter os miúdos' compensa. Espero que a malta perceba isso e que se volte a pensar a formação em condições. É que os miúdos não aparecem do nada. Quem está atento à formação, percebe que a última fornada que trabalhou com o famoso treinador holandês, que perdemos para o Liverpool, está a acabar. Os resultados deste ano e do ano passado dos sub15 são absolutamente assustadores, quer em convocatórias para as selecções nacionais, quer em resultados desportivos. Há que fazer algo e rápido, porque o nosso futuro tem de passar por aí.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Época 2016/17 - Acabaram os bons rapazes?


Para fechar esta série de artigos, deixámos o melhor para o fim. Este foi um primeiro ano de mandato especialmente mau, para Pinto da Costa e para o FCPorto. Os títulos foram anormalmente poucos, nas várias as modalidades. Esta semana tivemos de levar com mais uma deprimente declaração de Fernando Gomes. É bom saber que ele só fala de ano a ano porque é assustador, sobretudo para portistas que se dão ao trabalho de ler as contas e que conseguem interpretá-las. Ainda bem que só falou após os resultados da oferta, porque este discurso de culpabilização dos treinadores não dá segurança a nenhum investidor. Para ajudar, no dia seguinte saiu a confirmação do que já todos sabíamos sobre o consulado Fernando Gomes na condução financeira do clube: o clube está numa situação financeira descontrolada, pelo menos de acordo com os parâmetros da UEFA. Já parece longínquo mas Antero zarpou no início da época tendo sido substituído pelo Eng. Luís Gonçalves, que me parece ter um perfil bastante diferente. E aqui chegámos ao meu ponto. Apesar de todas as contrariedades directivas e desportivas, há uma atitude diferente perante o estado de coisas no futebol português. Há quem diga que isto tem a ver com a entrada de Luís Gonçalves, mas também há quem me garanta que o homem é um desastre, que não consegue ter foco e que dispara para todos os lados ao mesmo tempo. Sendo assim, vou concentrar o mérito desta ruptura com a 'postura de bons rapazes' em Francisco J. Marques.

O director de comunicação do FCPorto começou por mudar o discurso através da newsletter que criou. Chegámos a apresentar aqui queixas de que não chegava e que se tinha de ir mais longe. Ora, este ano, marcou o fim da postura de 'bons rapazes', pelo menos ao nível da comunicação. Isto começou por funcionar junto dos adeptos mas, muito recentemente passou a acossar os órgãos de comunicação benfiquistas. Querem melhor exemplo de que estão a 'acusar o toque' do que a capa de hoje do jornal A Bola? Foram buscar o Calheiros!!! Ainda agora começou e já estão desesperados? Que se segue? Vão dar mais uns trocos ao Jacinto Paixão ele ler um depoimento, como fizeram na última vez?

Mas o mais escandaloso é que só agora a generalidade da comunicação social ter divulgado amplamente os factos relatados pelo Francisco J. Marques. Ele já tinha divulgado e-mails entre administradores do Benfica a tratar de bilhetes para o presidente da Associação do Árbitros. Já tinha divulgado documentos que comprovavam inequivocamente o apoio a claques ilegais, em 3 momentos diferentes, sempre com documentação nova e antes mesmo do assassinato deste ano, por elementos dessa mesma claque. Desmascarou a presença de Luís Filipe Vieira nas várias listagens de credores de bancos intervencionados, factura a pagar por todos, incluindo portistas, benfiquistas e sportinguistas. Deu até um exemplo de um investimento imobiliário fantasma que foi o destino de um avultado financiamento pela Caixa Geral de Depósitos e que está parado há mais de 3 anos. Semanalmente, foi dando amplitude às queixas dos portistas sobre o escândalo arbitral que se viveu este ano. Mas a primeira vez que 'bateu' foi com a cartilha. Foi ele que divulgou que há jornalistas, ex-jornalistas, professores universitários, deputados e ex-ministros, que se dispõem a um humilhante papel de 'correia de distribuição' da 'voz do dono'. Provou o espírito acrítico com casos concretos e desmascarou os supostos independentes Carlos Janela, Rui Pedro Braz, e que os que chegaram a clamar serem independentes como o Gobern. Foi ou não foi delicioso ver o Gobern a invocar a 5ª emenda em relação à cartilha? Para quem não sabe o que significa, este é um direito básico, que existe no sistema judicial americano, e que dá o direito ao réu e às testemunhas de permanecer em silêncio e evitar assim a auto-incriminação. O homem tinha receio de se auto-incriminar? Sublime! Ora, tentemos entrar na cabeça dos dirigentes benfiquistas e do seu séquito de 'jornalistas': se Francisco J. Marques consegue aceder a um ano inteiro de cartilha e aos destinatários, o que é que ele não andará a guardar? A resposta chegou na terça-feira passada e deverá continuar nas próximas.

Terminemos com uma sempre pertinente citação do grande Pedroto: «Enquanto fomos bons rapazes, fomos sempre comidos!». 

PS: Pode parecer um pormenor mas, para quem anda a aturar a fruta, o café com leite e o calor da noite há anos, a linguagem destes e-mails é poética! Padres, missas, ordenações e primeiro ministro... Muito bom!

PPS: Hoje o Guerra nem arriscou dizer que é mentira. Deu uma amnésia selectiva ao homem dos papeis... Bom de mais!

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Época 2016/17 - A lista de Vendas


Esta última lista vai ser mais um exercício de 'wishfull thinking'. Um misto de jogadores que me desiludem e jogadores demasiado caros para o seu rendimento. Aqui fica então a minha lista de vendas por ordem crescente em termos de prioridade:
5º - Felipe
4º - Danilo
3º - Casillas
2º - Maxi
1º - Herrera
 
A primeira opção é polémica por se tratar de um jogador que chegou há um ano. Como acho que esta época Felipe se valorizou acima do seu real valor e dado o facto de ele ter já 28 anos, esta pode ser a última oportunidade para fazer dinheiro com este ativo. É igualmente uma baixa no nosso onze que poderá ser mais simples de suprir.

Já Danilo é um caso diferente. É um jogador que não me transmite qualquer desconfiança, que tem qualidades óbvias e que tem muito mercado. Seria uma boa possibilidade de fazer uma venda por valores elevados e que ajude a cumprir a irreal meta orçada. Além disso, prefiro vender um jogador de 25 anos que já deu boas épocas ao clube, do que um jogador de 20 anos que, por muito que tenha mercado, ainda não deu o que tinha a dar ao clube. Estou a falar de Ruben Neves, como é óbvio...

Por falar em casos diferentes, Casillas. É um jogador que merece ficar no plantel, que é necessário, mas que tem um salário proibitivo para qualquer clube português. É de lembrar que, até agora, pagávamos apenas um terço do seu vencimento. Pensar sequer em aumentar o encargo que temos com este jogador, na situação financeira que acumulámos, seria uma decisão de gestão incompreensível. Foi uma boa oportunidade e foi pena não a termos aproveitado melhor, com títulos.

O salário é também o factor principal para que defenda que Maxi deve ser vendido. Todos conhecemos a maneira entusiasmante de jogar deste jogador. Aos 32 anos, a tendência é para que a intensidade baixe naturalmente. Já o senti esta época. Trata-se igualmente de uma posição em que temos a perspectiva de preencher com um jogador mais jovem, mais barato e melhor, que é o Ricardo Pereira. Há ainda as promessas Fernando Fonseca e Diogo Dalot que poderão ser lançadas já na próxima temporada.

Herrera já deveria ter sido vendido no defeso passado. É um 'patinho feio' para os adeptos e parece que também o é para o mercado.  Parece que ninguém pretende dar pelo jogador o que pretendemos e que imagino que esteja bem acima do ele vale. Nem mesmo o mercado chinês. Por isso não adianta pô-lo a jogar nos últimos jogos da temporada para enganar os compradores. Mais vale fazer um encaixe mais modesto enquanto é possível colocá-lo, visto que a tendência tem sido sempre de desvalorização.

Menção pouco honrosa para Depoitres. Será muito difícil recuperar o investimento feito. Agora é tentar não perder mais ainda. Adrian Lopez é outro jogador em que isso é claro, e nem é bom lembrar que esse problema existe.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Época 2016/17 - Perplexidades


Já passámos pelos destaques positivos e negativos e até tentámos avaliar o rendimento dos jogadores emprestados. Há no entanto, no plantel do FCPorto, alguns jogadores cujo rendimento me causa dúvidas por causa do potencial que eu, bem ou mal, lhes atribuí. Nestes casos, o rendimento e o potencial têm andado em rotas diferentes quando, a médio prazo, deveriam convergir. Mais uma vez, eis as minhas maiores perplexidades por ordem crescente em termos de classificação e de grau:
5º - Ruben Neves e Oliver 
4º - Alex Telles
3º - Soares
2º - Felipe
1º - Corona
 
Comecemos então por dois casos que para mim são semelhantes. Para mim, uma equipa do FCPorto que tem estes dois jogadores no plantel, facilita muito a tarefa do treinador porque tem duas opções decididas à partida. Ainda por cima, no meio campo. São jogadores com tamanha qualidade e potencial que, na minha opinião, deveriam ser indiscutíveis. E porque é que não são? O meu instinto é dizer que temos tido treinadores fraquinhos, mas não pode ser só isso. Dou por mim a pensar que, se eles fosse assim tão bons, eram indiscutíveis mesmo com o José Mota. Apesar da minha perplexidade, o que posso desejar é que haja uma boa proposta pelo Danilo e pelo Herrera... O próprio Presidente anunciou que isso já chegou a acontecer... Mais a sério, espero que este seja o ano em que os dois 'pegam de estaca' e vão ver que o nosso futebol vai melhorar e muito.

De seguida temos Alex Telles. Foi talvez o jogador que mais cedo demonstrou que seria reforço. Foi tendo um percurso com muito poucos erros, até ao momento em que passou a acusar a pressão. O episódio com a Juventus foi o mais grave, mas notou-se uma quebra emocional e de confiança deste jogador. Que Alex teremos no futuro? O que é capaz de meter um Gelson no bolso ou o que consegue ser expulso, em menos de 5 minutos, por acumulação de amarelos?

Soares teve um percurso entusiasmante no FCPorto. Entrou a marcar muitos golos e a revolucionar uma aflitiva falta de eficácia que a equipa vinha demonstrando. Mas Soares já joga em Portugal há uns anos e parecia impossível ele, de repente, ser assim tão bom. E era mesmo impossível! Rapidamente golos que marcava com o ombro e com a canela passaram não ir para a baliza, como é natural. Rapidamente o espírito combativo passou a dar lugar às faltas desnecessárias. Um avançado com aquele ritmo de concretização não joga muito tempo por estas paragens e este é um processo normal em qualquer avançado, sobretudo num avançado de uma equipa que tarda em regressar aos títulos. Chegamos assim à minha perplexidade. É para mim claro que o Soares foi uma excelente contratação de inverno. No entanto, para mim o talento é o André Silva. Esse é o titular indiscutível. Soares é uma alternativa que, a tempos, poderá ser o titular, mas nunca um titular indiscutível num plantel que também tem o André.
 
Felipe é um caso especial. O seu rendimento ao longo da época foi para mim uma surpresa enorme. Era capaz de apostar que Felipe iria ter muitas exibições desastrosas como a que teve em Moreira de Cónegos. Isto porque me parece um jogador descontrolado. Demasiado impulsivo e inexperiente para a idade que tem. A verdade é que isso não aconteceu e Felipe teve apenas uma exibição claramente má ao longo da temporada. Isto apesar do penalti na Luz do amarelo no primeiro minuto em Braga e da escorregadela frente ao Vitória de Setúbal. As exibições de Felipe foram consistentemente boas e com erros pontuais como acontece com todos os centrais. A minha perplexidade é perceber se eu estava errado e se Felipe é mesmo muito melhor do que o que parecia. Aparentemente é, mas sou teimoso e continuo a olhar para ele com uma desconfiança, talvez injusta.

Por último, temos Corona. É um jogador desconcertante. Um talento puro, que em certos ponto até parece superior ao de Brahimi. Mas continua a tardar o momento em que Corona se firma como um indiscutível talento. Tem pés, tem velocidade, mas não tem o 'mindset' necessário. Aquela fúria de vencer que vemos, por exemplo, no André Silva e no Maxi. O problema é que dizemos isto há dois anos. Quando é que ele vai deixar de jogar para o FCCorona? Será que vale a pena esperar ou vamos ter de aturar estas épocas de 'fogachos' e de talento por cumprir?

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Época 2016/17 - Rendimento dos emprestados



Continuamos o nosso exercício de auxílio ao nosso novo treinador, Sérgio Conceição. Quanto aos emprestados, poderíamos fazer duas ou mais listas: os melhores, as desilusões, os gajos que já nem nos lembramos que são nossos, etc.. Será melhor cingirmo-nos aos destaques pela positiva... É de referir que as posições 4 e 5 resultam do facto de os jogadores se terem tornado activos mais vendáveis, enquanto que os restantes ainda poderão e deverão ser melhor aproveitados. Eis os melhores  emprestados da época por ordem crescente em termos de classificação:
5º - Quintero, Martins Indi e Aboubakar
4º - Marega
3º - Diego Reyes
2º - Rafa Soares
1º - Ricardo Pereira

Finalmente Quintero conseguiu voltar a destacar-se. Para isso teve de voltar a casa e a um futebol sem meio campo, como o sul americano. Mas a vantagem é que fez boas exibições na Libertadores, algo que pode fazer com que se valorize e que permita uma venda ou uma colocação num clube melhor, para a valorização deste ativo que já estava em decadência. Martins Indi e Aboubakar foram considerados jogadores para vender. A boa notícia é que ambos fizeram o suficiente para que fossem accionadas as opções ou para que fosse suscitado interesse de outros clubes. Era isso que esperávamos deles visto que, em ambos os casos, o regresso estava descartado à partida.
Vamos a Marega. É daqueles empréstimos que corre bem e é até perigoso. Passo a explicar. O estilo de futebol de Marega, dificilmente poderá adequar-se ao de uma equipa do FCPorto. Ora o seu bom rendimento poderá criar ilusões e uma eventual tentação de o chamar à pré-época. Na minha opinião, este é um jogador para vender já, e enquanto é tempo. Hernani é outro caso semelhante.

Vamos a Diego Reyes. Já sei... Enquanto cá esteve, Reyes foi um terror. Mas vamos tentar esquecer isso e olhar para o rendimento. Fez duas épocas seguidas, como titular indiscutível, em equipas do top10 da melhor liga do mundo. Pergunto se é fácil arranjar um central com este perfil e idade no mercado europeu? Se Boly custou o que custou depois de uma boa época no Braga, quanto custaria um Reyes, com 24 anos, depois de duas boas épocas em Espanha? Aqui no Basculação sou o único que ainda acredita no 'moço' mas acho que, pelo menos, merece uma última oportunidade.

Quem nos segue já percebeu que este é outro dos meus protegidos e daí os meus posts menos elogiosos sobre Rui Jorge e a sua teimosia. Na minha modesta opinião, apesar do bom rendimento do Alex Telles, Rafa é o melhor lateral esquerdo do FCPorto. O que melhor cruza o que tem mais qualidade com bola, o melhor em bolas paradas e o melhor para uma equipa que passa 50 a 60 minutos por jogo, no meio campo adversário. Tal como Layun, perde para Alex na intensidade defensiva. Ainda assim é bem melhor que Layun nesse aspecto e bem melhor que qualquer dos laterias esquerdos do nosso campeonato. Para mim, será uma incorporação óbvia no plantel e, eventualmente, um titular.

Terminamos com Ricardo Pereira. Ninguém percebeu porque foi emprestado, muito menos por dois anos. Um completo absurdo. Eu próprio questionei a aquisição de Maxi, não pelo que o uruguaio poderia render, mas porque iria limitar o espaço de crescimento do Ricardo. Como seria de esperar, passados dois anos, Maxi já não consegue manter o seu ritmo e Ricardo Pereira é dos jogadores mais pretendidos do campeonato francês. Polivalente, intenso e capaz de fazer todo o corredor direito, este seria um reforço de peso. Não. Não me enganei no tempo verbal. Admito perfeitamente que já não vamos a tempo de segurar este jogador e que vai ser uma nossas maiores vendas do defeso. Espero que esteja enganado.

Menção honrosa para o já mencionado Hernani e menos honrosa para Ivo Rodrigues, a quem antecipava que esta fosse a sua época de explosão.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Época 2016/17 - As desilusões

Cá estamos mais uma vez. Sérgio Conceição vai ter muito para 'limpar' neste plantel. Poderá começar pelos que tiveram um desempenho mais fraco. Eis os piores da época, mais uma vez, por ordem crescente em termos de classificação:
5º - Boly
4º - Sérgio Oliveira
3º - Depoitres
2º - Herrera
1º - Layun
Poderá parecer duro, colocar nesta lista um jogador que tão pouco pôde demonstrar. De facto, teve poucas oportunidades mas não deixa de ser estranho que tenha tido, visto que foi um jogador caro e que foi contratado para ser titular. Os centrais do FCPorto acabaram com demasiados minutos nas pernas e isto também se deveu ao facto de Boly não ter dado grandes indicações quando jogou e, suponho eu, nos treinos. A excepção terá sido o jogo no Bessa. Pouco para o que se esperava.

Esta terá sido a última oportunidade de Sérgio Oliveira no FCPorto. Relembramos que acabou a temporada anterior a titular. Ora este ano, pouco 'calçou' e nem no Nantes, de Sérgio Conceição, isso mudou.

Tal como Boly, Depoitres foi uma contratação cara, nos últimos dias de mercado e que vinha rotulado como a solução para a dependência de André Silva e até como um bom complemento. Pois a sua utilidade resumiu-se a um golo importante, em casa, contra o Chaves. Muito pouco para tanto dinheiro que custou. É até assustador pensar que se gastou dinheiro num jogador com estas características. Ao contrário de Soares que prometeu ser muito mais do que o que efectivamente é, Depoitres não engana ninguém. É isto. Bizarro é pensar que um jogador com estas características vale este dinheiro e que pode ser útil a uma equipa como o FCPorto.

Vamos ao nosso capitão. É difícil conceber que o rendimento de Herrera não melhore com o passar dos anos. Parece que é um bom rapaz e que cria 'bom balneário'. É também um facto que Herrera é mais criticado do que o que merece. Porque ele não é assim tão nabo como se tende a dizer. O problema de Herrera é que é demasiado inconstante e de rendimento imprevisível. E esta é uma característica que deveria ser mitigada à medida que ganha experiência. Tudo continua igual e não parece que vá mudar.

Layun foi a maior desilusão. Nós aqui, sempre fomos avisando que, apesar dos seu números ofensivos, Layun continuava a ser um defesa e que, como defesa, apresentava muitas limitações. Ainda assim, dado o seu rendimento na época anterior e por ter sido dos nossos melhores jogadores nessa época, exercer a opção de compra pareceu-nos um acto de gestão óbvio. Pois o futebol é assim. Não só não fez uma época com rendimento ofensivo sequer semelhante, como agudizou todos os defeitos defensivos. Todos nos lembramos do terrível jogo que fez com o Rio Ave em que só não foi expulso porque, por uma vez o árbitro se enganou em nosso favor. Grande desilusão!

Menção pouco honrosa para João Carlos Teixeira que não se conseguiu impôr apesar das boas indicações que deu, sempre que jogou.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Época 2016/17 - Os melhores


Numa semana em que começaremos um novo ciclo (mais um...), damos uma 'ajudinha' a Sérgio Conceição e fazemos uma avaliação geral do plantel e do seu desempenho na temporada que agora acabou. Teremos uma por dia. Comecemos pelos destaques pela positiva. Eis os melhores da época por ordem crescente em termos de classificação:
5º - André Silva
4º - Danilo
3º - Casillas
2º - Brahimi
1º - Marcano

Comecemos por André Silva. Pode parecer estranha esta presença no top 5 por ter acabado a época no banco e por ter perdido influência no ataque para Soares. Tudo isto é verdade, mas não convem esquecer o que André Silva fez no início da temporada. Já foi há alguns meses, mas eu lembro-me bem da minha apreensão por ter uma equipa que estava totalmente dependente da inspiração de um puto de 20 anos e como isso era uma prova inequívoca das lacunas do plantel. Marcou 21 golos, 5 dos quais na Champions (mais 6 na seleção) e teve 7 assistências. A produção ofensiva pode ter baixado à medida que a época foi avançando, mas o seu contagiante espírito lutador manteve-se até ao final. Grande época de um grande talento.

Já todos sabem que Danilo não é de todo a minha escolha para a posição 6 no FCPorto. Ruben é melhor em todos os aspectos que lhe são possíveis ser melhor. Não lhe podem pedir que tenha o desempenho físico de um tipo de 1,90 m e 90 kg. Não obstante, Danilo fez a sua melhor época pelo FCPorto. Já sei que o futebol muito conservador de Nuno Espírito Santo o favorecia. Mas Danilo demonstrava muitos problemas de posicionamento, em que evoluiu claramente com Nuno. Tinha também problemas ao nível da aceleração do jogo, mas até nisso evoluiu. Junto com os centrais, foi o jogador que mais beneficiou com Nuno.

Esta deverá ter sido a última época de Casillas no FCPorto. Se tivesse saído no final da época anterior, não deixaria saudades. Agora deixa. Foi de uma regularidade e segurança impressionantes. Numa equipa em que até os jogadores de 27 anos parecem inexperientes e em que o capitão é o Herrera, Casillas e Marcano foram fundamentais na manutenção da equipa na luta até ao final.

Este é o segundo mago argelino que por cá passa e não deverá deixar tantas saudades como Madjer. A falta de títulos também não iria ajudar, mas Brahimi é claramente o jogador que todos procuram quando é preciso fazer alguma coisa impossível. Num esquema de jogo absolutamente castrador do talento individual ofensivo, Brahimi foi um oásis no nosso futebol. E fê-lo mesmo depois de ter sido usado pelo treinador como exemplo, para que pudesse afirmar a sua autoridade perante o grupo. É interessante constatar que estes treinadores fraquinhos nunca escolhem jogadores fracos para exercer a sua autoridade. 

Marcano é a nossa escolha para MVP da temporada do FCPorto. Já o fomos antecipando ao longo da temporada porque era claro que era o elemento que mais se destacava em termos de consistência de rendimento. Felipe pode ser mais vistoso e faz questão de o ser, mas o verdadeiro craque da nossa defesa é mesmo Marcano. Quem diria depois de uma época anterior em que falhou sempre nos momentos decisivos. Teve o equilíbrio perfeito entre impetuosidade e serenidade de acordo com o que a equipa ia precisando. Merecia o título!

Menção honrosa para Oliver. Há sempre Oliver ou Brahimi nos nossos melhores momentos. Por que será?

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Despedida/o



Se há coisa que a equipa demonstrou sempre durante a época foi empenho máximo. Sempre, até hoje. Pareceu-nos que esse era um sintoma de que, apesar de todas as bizarras opções do treinador, pelo menos tirava empenho dos jogadores e estes estavam com ele. Hoje já não estou tão certo disso. Será que o que se viu hoje é fruto da descompressão ou é um sinal de que até os jogadores estão fartos de Nuno Espírito Santo? Só podemos conjecturar... Posso dar apenas a minha opinião. Para mim chega! 

É esta a atura certa para decidir estas coisas. Nos próximos dias há que perceber se é este o rumo que queremos. Se queremos um treinador que nos deu o 'quase' e se acreditamos que ele será capaz de melhor num campeonato menos inquinado. Mas o segredo para a decisão está aqui. Este foi um campeonato inquinado, mas foi também um campeonato em que nenhum dos candidatos ao título jogou um futebol sequer convincente. Importa portanto saber se o treinador fez tudo o que se lhe exige para ser campeão? Tem atenuantes, mas é claro que não! Podemos jogar muito mais. Podia e devia ter tirado mais dos jogadores ofensivos e não apenas dos defensivos. Chegamos ao final da época sem saber como a equipa joga. Lembram-se dos desenhos? Mais concretamente do que Nuno dizia enquanto rabiscava? O FCPorto jogou assim em dois ou três jogos. Ainda ontem estreamos uma táctica ofensiva nova com dois extremos que procuram muito mais o meio do que a linha e com uma troika de médios de transição em vez de médios criativos. Nuno estava com medo do que poderia acontecer com a descompressão... É este o pior defeito de Nuno Espírito Santo. Está sempre mais preocupado com o que mal que nos pode acontecer, do que com o mal que podemos infligir no adversário. Vistas curtas para um treinador do FCPorto.

Quanto ao jogo, foi um desastre. Um zero de ideias e resultado justo. Pior que o resultado foi o facto de, graças ao inexplicável Arouca, nem sequer termos conseguido descer o Tondela. São sempre 6 pontos garantidos para um adversário directo...

Individualmente, não dou MVP porque foi tudo muito mau. Mas há que destacar a tenebrosa exibição de Felipe. Mas os colegas não andaram longe...

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Ressaca


Agora que tudo ficou decidido e que a classificação está fechada gostaria de enaltecer o papel dos adeptos, este ano. Não foi fácil sair de casa para ir ao Dragão num dia de ressaca como o de ontem. Tal como foi acontecendo ao longo do campeonato, os adeptos estiveram lá para apoiar. É algo de que Nuno Espírito Santo não se poderá queixar. Os adeptos estiveram sempre com a equipa e com ele, apesar de todas as recentes desilusões. Posso tentar ignorar esta história dos Colectivo, enquanto não se souber exactamente o que se passou. Mas a ser verdade que teve a ver com a intenção de impedir que passassem tarjas com frases de protesto, seria especialmente grave num ano em que as coisas correram especialmente bem. Quanto à outra claque, já sabemos que vamos estar na lista de multas desta semana.

Importa perceber porque é que os adeptos foram mais compreensivos do que nos anos anteriores. Muitos dirão que se deve ao facto de termos estado na luta até à penúltima jornada. Também estivemos perto no primeiro ano de Lopetegui e isso não impediu uma contestação bem superior no caso do espanhol. Também não me pareceu que a exigência tenha sido inferior. Os nosso níveis e exigência mantém-se bem altos, mesmo num ano em que muitos reconhecem que teríamos, à partida, o plantel com menos soluções dos 3 grandes. O que me parece é que Nuno, apesar de não ter conseguido tirar o máximo rendimento da equipa, conseguiu tirar o máximo comprometimento dos jogadores, e os adeptos souberam reconhecer isso. E depois temos talvez o factor principal que é sentimento de injustiça que todos sentimos este ano. Este foi um campeonato demasiado inquinado para que se possa estabelecer com rigor comparações com o Campeão. Seria a mesma coisa que comparar os tempos entre uma corrida de 100 metros com uma de 110 metros com barreiras. É certo que nós derrubámos algumas barreiras, mas é mais fácil correr sem as ter pela frente... Por isso não darei nunca os parabéns a um Campeão destes. Nem Nuno o deveria fazer.

Individualmente, foi um jogo muito atrapalhado e sem grandes destaques idividuais. Gostei de Otávio, Herrera e das entradas na segunda parte de Jota e André Silva. Casillas ainda teve de fazer algumas defesas difíceis. Pela negativa as opções iniciais de Nuno que lançou a confusão táctica na equipa, com um esquema diferente estreado na penúltima jornada.

Na próxima semana, a equipa terá mais uma oportunidade de agradecer aos adeptos o apoio que tem sido dado.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Feito



Terá sido o 'canto do cisne', este empate na Madeira. O campeonato está praticamente perdido. Isto apesar de continuarem a ser muito poucas as diferenças entre o FCPorto e o seu adversário. Ficou mais uma vez claro neste fim-de-semana. O Marítimo marca de canto na única oportunidade de golo que teve em 90 minutos e o Rio Ave não concretizou nenhuma das suas várias oportunidades para marcar e nem lhes permitiram tentar concretizar um penalty claro sobre o nosso miúdo Rafa Soares. Tem sido bastante frustrante acompanhar o FCPorto este ano. Por um lado,  a equipa tem apresentado índices de entrega ao jogo e de resiliência que são assinaláveis. No entanto, o futebol que temos apresentado é constantemente medíocre! Já sei que me vão dizer que o futebol do mais que provável Campeão, apesar de todos os milhões gastos e de todo o colinho, não é melhor. Concordo mas não é algo que me traga consolo algum...

Não tenho consolo, nem tenho grande esperança no futuro próximo. Pode ser do estado depressivo, que tem sido habitual por esta altura nos últimos 4 anos, mas a próxima época parece-me estar inquinada à partida por dois factores fundamentais. Há muito tempo que foi anunciada, em sede de orçamento, que o plantel deverá sofrer grandes baixas para obter encaixe financeiro. Estou a pensar que Danilo e Brahimi serão baixas certas, mas não excluo a possibilidade de vendas prematuras de André Silva e Ruben Neves. Mas o que me preocupa mesmo é a manutenção de Nuno Espírito Santo. Muitos defendem que estivemos na luta graças ao nosso treinador, mas há muita gente que acha que estivemos na luta apesar dele. No meio andará a verdade, mas eu tendo mais para o 'apesar dele'. Porque eu sou daqueles adeptos que gosta de um futebol autoritário, com bola, com uma equipa que não recorre a futebol directo, com um futebol que consiga tirar o melhor proveito de todos os seus jogadores mais talentosos e não apenas de um único jogador a quem se entrega toda a responsabilidade de criar coisas diferentes, normalmente Brahimi. Ora nem na nossa melhor fase tivemos desempenhos plenamente satisfatórios. Lembro-me de um jogo em que jogámos um futebol parecido ao que aprecio e foi o jogo com o Leicester. Nunca mais voltei a ver um futebol assim. Nem mesmo quando ganhámos uma série longa de jogos. Nessa série tivemos exibições bem tremidas como a vitória em casa com o Rio Ave, em que tivemos cerca de 45% de posse de bola. Impensável para o um FCPorto que se quer autoritário no Dragão. Já sei que não se vai dispensar um treinador que perde o campeonato por poucos pontos, num ano que em que as manobras de bastidores têm tido uma influência escandalosa. Mas, na minha opinião o crime vai compensar a dobrar. Ganham o campeonato e, por sorte, garantem que o ponto mais fraco do adversário se mantem.

Nuno voltou a desiludir na Madeira. As opções iniciais foram estranhas, desde a exclusão de Layun por um miúdo que nunca tinha jogado, à titularidade de Herrera. As exibições destes dois não foram más mas nunca saberemos o que seria se entrássemos em jogo verdadeiramente para ganhar e com todas as nossas melhores armas. É até ridículo acabar o jogo com 3 pontas-de-lança. Quando se joga essa opção é dizer à equipa: «desisti de ganhar o jogo com táctica». Depois tira Otávio, que estava a ser o melhor, mexe no jogo tarde e numa altura em que não estávamos a conseguir aproveitar o espaço para contra atacar. Jota teria sido uma opção para explorar esse jogo e que funcionou bem em Guimarães. Em suma, o  Marítimo foi feliz mas o FCPorto «pôs-se a jeito».

Individualmente, a equipa não chegou a apresentar um futebol convincente mas, quando se aproximou de o fazer, foi através de Otávio. O miúdo teve uma boa estreia num jogo muito difícil. Pela negativa, Felipe e Soares. É preciso muito cuidado com o que se faz destes dois jogadores. Já sei que é difícil criticar perante o rendimento global dos dois, mas é preciso ver o seu rendimento quando a exigência aperta. Nessas circunstâncias Felipe só manda bolas para a bancada e leva amarelos estapafúrdios. Soares, por sua vez, faz falta em todos os lances que disputa. É irritante sobretudo naqueles minutos finais em que perdemos metade das bolas bombeadas, em faltas ofensivas. O próprio Alex Telles tem tido uma tendência para erros em alturas cruciais. Vejam a forma como cede o canto que nos tirou dois pontos.

Há mais dois jogos para honrar a camisola. É o mínimo que se exige!

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Esperança


Depois de termos a prova de Chaves superada com nota positiva, continuamos com uma esperança ligeira. É uma esperança que aumenta e diminui de portista para portista. Os portistas que viram o adversário a permitir mais oportunidades em 10 minutos num jogo em sua casa do que o FCPorto nos últimos 5 jogos no Dragão têm mais esperança. Os que apenas vêem resumos e consultam a classificação têm menos. Os que tentam comparar calendários concluem que, agora, o nosso parece mais vantajoso. Os que vêem a forma como este campeonato tem sido cozinhado através de sinais como o infame castigo de Brahimi e a gritante disparidade de critérios arbitrais acredita menos. Uma coisa é certa: no final do próximo fim de semana teremos uma boa ideia sobre se teremos ou não campeonato até ao fim. Ambos jogam em campos muito complicados e nesses dois campos joga-se o título e o acesso à Liga Europa. Força Rio Ave!

Vamos ao jogo. As lesões e castigos trouxeram a obrigatoriedade de mudar a equipa. Nuno resolveu mudar ainda mais e tirou da equipa os jogadores que mais têm vindo a cair de produção: Oliver e André Silva. Se no primeiro caso a quebra pode ser física, no segundo a culpa é do próprio Nuno Espírito Santo. É aquela velha táctica de resolver o excedente de soluções com a colocação de um dos jogadores em locais que não o favorecem e esperar que seja o próprio público a exigir que ele saia da equipa. É uma 'chico espertice' clássica, mas no entretanto empatámos três jogos... Abordarei este assunto no final da temporada mas, independentemente do resultado, direi que Nuno tem muita responsabilidade no facto de termos chegado a Abril dentro da luta. Mas as suas limitações surgiram hiperbolizadas neste período em que não conseguimos 'dar a estocada final'. Esperamos que o consigamos agora nestes últimos três jogos.

Houve portanto muitas mudanças no onze, do meio campo em diante. As mudanças no meio campo foram as que tiveram efeitos mais proveitosos. Ruben dá outra fluidez ao nosso jogo e Otávio é hiperativo e está sempre em jogo, seja a tocar, seja a assistir, seja a picar o adversário, seja a levar pancada. Já tínhamos saudades deste menino. Na frente, Jota e Corora deram velocidade, mas pouco mais. Não estiveram muito inspirados. O jogo ganhou-se a meio campo, pela dinâmica e pelas bolas que se ganharam no campo adversário. O maior exemplo é o primeiro golo que é uma segunda bola ganha na raça pelo André André, num momento em que até estávamos a reclamar mais um penalti não assinalado. Boa vitória, mas não convem esquecer que voltámos a demonstrar muito pouca produção ofensiva numa das partes. Lembro-me apenas dos livres de Ruben Neves.

Individualmente, nota muito alta para todo o meio campo e MVP claro para André André. Gostei também mais de Jota do que de Corona. O resto são notas regulares. Apenas uma nota negativa para Maxi. Não lembra a ninguém aquela entrada, sabendo do nosso habitual tratamento arbitral.

No próximo fim-de-semana somos nós a jogar antes. Há que pôr pressão alta no jogo de Vila do Conde!

domingo, 23 de abril de 2017

Idem


Começa a ser fastidioso este exercício de cronista que faço ao Domingo. É que não consigo dizer nada de novo. Vamos ao resumo do costume? Aqui vai: voltámos a dar uma parte de avanço e voltámos a ser roubados. Fim de crónica.