segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Sabe a pouco


Pode parecer injusto, porque a equipa, no geral, esteve bastante bem. Mas fiquei com esta sensação de que perdemos uma boa oportunidade de ter já um bom avanço em relação aos nossos adversários. É essa sensação vem daquela primeira parte. 

Confesso que não me recordo de ter visto, nestes últimos 4 anos, uma exibição em Lisboa com tamanha autoridade, como a que vimos na primeira parte de hoje. Sporting sempre a 'cheirar a bola' e a falhar muitos passes perante a nossa pressão. Falhou nessa altura mais qualidade na finalização.Aboubakar por 3 vezes, Marega e Brahimi perdoaram em lances claros de golo.

Na segunda parte, o jogo foi mais equilibrado e por 3 factores. Em primeiro lugar, houve alguma quebra física. É natural, mas Sérgio guardou as substituições durante demasiado tempo. Já sei que nós estávamos a jogar com o resultado, mas foram riscos desnecessários. Por falar em riscos desnecessários, Layun. É fácil falar agora, porque não aconteceu nada de muito mau. Mas, para mim, Layun é a terceira opção para lateral no FCPorto. Não está em causa o empenho do jogador, que deu tudo pela equipa. É uma questão de qualidade defensiva. O que nos valeu é que Jesus demorou a perceber que era ali que estava o 'ouro' e só lá meteu o Gelson na segunda parte. Para mim, este também foi um dos factores que fizeram com que o jogo fosse muito mais equilibrado nesse período. Eles passara a ter ali um foco de perigo e insistiram por lá até ao final do jogo.
Mas há um último factor de equilíbrio na segunda parte. Não conseguiria fazer uma crónica sobre um jogo do FCPorto apitado pelo Xistra sem lhe dedicar pelo menos um parágrafo. Já nos tinha brindado com uma arbitragem bem 'axistralhada' em Braga e hoje não desiludiu. É nas coisas que não aparecem nos resumos, que Xistra mostra que é já um artista maduro. Na única falta que assinalou nas proximidades da área do Sporting, faltou o segundo amarelo para William. Mas esta foi uma excepção porque há um lance sobre Otávio e um pé na cara de Sérgio Oliveira em que ficaram livres muito perigosos por marcar. Já nas imediações da nossa área... Era só cair. Valeu que os nossos centrais estão quase imbatíveis em lances aéreos. Entre cantos e faltas foram cerca de 12 lances e só um, em que William cabeceia em fora-de-jogo, deu perigo.

Dissecando um pouco mais o jogo, tem sido atribuído muito destaque ao reforço do meio campo com Herrera e Sérgio Oliveira. É justo porque transforma a equipa numa máquina de recuperar bolas. Mas o segredo está no critério com que lançamos os ataques, logo após a conquista da bola. E nesse momento, quem tem brilhado é Brahimi que está em grande forma. Mas de uma maneira geral, toda a equipa procura sair com qualidade. Até Felipe, que tanto gosta de mandar para a bancada. 

Individualmente, MVP para Brahimi. Num jogo de boas exibições de quase todos, Brahimi destacou-se dos demais como maestro da equipa. Estava a anotar notas altíssimas para Alex e para Danilo, mas o Alex deu ao adversário a sua única oportunidade de golo no jogo e Danilo foi dos que mais acusou a quebra física na segunda parte. Destaco os centrais que estiveram impecáveis. Estava preparado para pôr Layun nos destaques pela negativa. Mas não consigo. Gelson é um grande adversário e Layun fez o melhor que lhe foi possível, visto que nem sempre teve o apoio de Herrera ou Marega. Mas repito que foi um risco e não é por ter corrido bem que mudarei de opinião.

Estamos num grande momento e o sucesso desta metamorfose de um FCPorto descontroladamente atacante, num FCPorto mais compacto, dá muita confiança no treinador. E a este propósito, é caricata esta insistência da imprensa na nossa perda dos primeiros pontos. Sérgio Conceição respondeu com a inconfidência sobre o que disse no grito final aos jogadores: «Assim, vamos ser campeões, car#$&#!»

1 comentário:

Barba azul disse...

...E o que me dizem deste tempo?