quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Não Podíamos Ter Falhado...


Por tudo... pelo resultado frustrante da última jornada, pelas exibições satisfatórias não estarem a aparecer, por estarmos na Liga dos Campeões e, claro, depois do resultado do Zenit, por dependermos apenas de nós para chegarmos à fase seguinte...

Entramos em campo claramente a pensar que já só precisávamos de ganhar em Madrid para chegar à segunda fase quando ainda tínhamos um jogo para jogar... faltou a concentração e o respeito por um Áustria de Viena que também está na Liga dos Campeões e tivemos um início de jogo que, em vez de sufocante para a equipa adversária, quase se transformava num 0-2 não fosse Lucho a tirar o pão da boca ao adversário já na nossa área... sim, o Lucho...

Na segunda parte veio a atitude, mas mesmo com o empate a chegar no primeiro quarto de hora não conseguimos chegar lá... as alternativas no banco para desequilibrar também são quase nulas, embora esteja a falar em particular de Ricardo... poderá ser grande no futuro (se calhar como defesa direito), mas não tem estofo para um jogo em que é preciso assumir e "partir tudo" (só teve um ano de primeira de liga)... os próprios colegas não têm confiança nele e a bola não lhe chega... ontem, e dentro das opções que temos, um jogador tipo Kelvin poderia conseguir algo mais... sem dúvida que é o setor que me deixa mais insatisfeito, porque a par de Ricardo, temos Licá (um jogador que nasceu em Lamelas, que é o meu nome, e por isso algum carinho por ele), um jogador de equipa, mas não um jogador de desiquilíbrios quando os mesmos são necessários... ou seja tanto um como o outro não podem ser, na minha opinião, os "abre-latas" em jogos que ganham esta feição...

Em suma, esperar um FCP de atitude em Madrid, que acredito plenamente que vai existir, e um Zenit que pense que o apuramento já está garantido em Viena, mas o empate caseiro que eles tiveram com esta mesma equipa austríaca deve-lhes alterar o comportamento, bem como o simples facto da continuidade na Liga dos Campeões estar ali tão perto... a minha crença é, obviamente, muito perto de zero...

P.S.1. Ontem não tive no Dragão porque a gripe também chegou lá a casa, mas tirei o som da televisão quando ouvi o gajo da TVI todo excitado com o golo histórico (por ser o primeiro) do Áustria de Viena na Liga dos Campeões...

P.S.2. Prata, volta rápido, que as crónicas assim não têm a mesma piada...

P.S.3. Destaques para o jogo de Alex Sandro e Maicon...

domingo, 24 de novembro de 2013

Mete Besta Negra Nisso...


Não, não é o Prata que está a escrever, por isso é natural que os habituais leitores do nosso blogue estranhem o tipo de crónica desta semana... Eu sou um bocado diferente... Não consigo ter tanta clarividência e distanciamento para uma análise objectiva e crítica ao encontro do nosso clube... Vivo e sofro cada instante, mas quando as coisas terminam como ontem, desligo a televisão e vou aziar para o meu canto...

Por isso, a minha análise vai assentar no que vi e pouco no rescaldo da mesma... entramos bem nos primeiros 30 minutos, mas o golo não surgiu e o ritmo abrandou no último quarto de hora da primeira parte... do Nacional nem vê-los... no segundo tempo voltamos a entrar bem, com intensidade, e o golo surge num raro cruzamento com conta peso e medida para o nosso ponta de lança que, se fosse servido mais vezes assim, poderia estar a faturar um bocadinho mais esta época... depois, até não acho que tenhamos abrandado tanto como noutros jogos, mas o golo não surgiu e desta vez o deslize do Otamendi, que normalmente não tem resultados práticos, desta vez teve, apesar dele, numa primeira instância o ter ainda evitado... Depois disto pouco tempo restava, mas ainda tivemos uma oportunidade brutal de Jackson fantasticamente lançado por Lucho, o qual até finalizou bem (digamos "normal") e a bola, mesmo defendida, podia ter resultado em golo, mas caprichosamente saiu pela linha lateral, facto este que podia ter alterado a minha, e tantas outras crónicas...

Em síntese, o costume, devíamos ter "matado" e não o fizemos... e o Nacional, que praticamente nem ameaçou, chegou lá e fez... e os resultados pela margem mínima estão sempre sujeitos a isto... foi o que aconteceu... a melhor forma de garantir a vitória é chegar ao segundo e não simplesmente deixar que o jogo termine... ou seja, mais do mesmo...

Nota negativa claramente para Otamendi por razões evidentes, mas, apesar de muito criticado neste blogue pelas suas "nabices", que eu próprio reconheço, é um jogador que eu gosto particularmente porque considero ter o "selo" de jogador à Porto pela raça empregue em tantos lances disputados, alguns deles que resultam na referida "nabice" quando o timming de entrada é mal empregue...

Nota positiva... para Danilo, pelo cruzamento para o golo e porque de facto, penso que será um lateral direito de eleição no futuro, e que terá de ser cada vez mais bem aproveitado na lacuna que apresentamos, que é a ausência de alas que desequilibrem... 

Que terça chegue rápido... porque quando as coisas corram mal, só quero que o próximo chegue rapidamente...

P.S. Faltou falar do Herrera... mas fico-me com um, ainda não foi desta...

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Porque o Bi-Bota Hoje Faz Anos...

... decidimos perder um bocado de tempo para um pequeno vídeo de homenagem, de muitos que ainda podemos fazer, para o meu primeiro ídolo!!!


Parabéns Bi-Bota, Parabéns Fernando Gomes!!!

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Obituário


Recomenda-se calma aos que têm por hábito diário a consulta do obituário. O Homem está vivo! Não faço ideia de quais são as razões do internamento do nosso presidente. É um assunto que me preocupa, como preocupa todos os portistas que ainda se revêem na liderança de Pinto da Costa. E são quase todos... Mas não posso deixar de registar esta pressa que têm em enterrar o homem. Mas percebo... 

Nos últimos anos, os grandes 'génios' do comentário desportivo em Portugal, procuram avidamente por aquele ponto de inversão nos sucessos do FCPorto. Por vezes, procuram-no nos pequenos sintomas: uma pequena fuga de informação, uma contratação falhada, um caso de indisciplina, etc. Logo ouvimos:«Isto dantes não acontecia no FCPorto!». E no final do campeonato lá vem a confirmação de que tudo não passava de uma ilusão. E logo se avança para o passo seguinte. Se os sinais não se confirmam resta uma hipótese de mudança de paradigma: a saída de Pinto da Costa. E ela foi aparecendo sob várias formas. Ou saía porque o Homem ia para a cadeia, ou saía porque se iria dedicar à família ou, mais recentemente, saía directamente para o caixão. Não deixa de ser contraditória esta teoria de que tudo vai ruir com a saída de Pinto da Costa da Presidência do FCPorto. Se há coisa que nos gabam no Presidente foi a capacidade que teve em montar uma máquina de sucesso. Qualquer comentador que fala do FCPorto fala da 'Organização' e como todos tentam copiar o modelo. Ora se as virtudes estão na organização, como é que a Instituição irá ruir se lhe tirarmos uma peça? Se assim acontecesse era sinal de que a Organização não seria assim tão elogiável...

Quanto mais carismático o líder, maiores são os problemas de sucessão. E a propósito disso lembrei-me daquela pergunta clássica em qualquer entrevista a Pinto da Costa: «Que projectos ainda não concretizou?». Julgo que o último projecto estruturante a desenvolver por Pinto da Costa é a sua sucessão. E julgo que já está em curso há largos anos. Acredito que a inteligência do nosso Presidente faz com que ele desenvolva a sua sucessão pela via dos meios que irá deixar ao sucessor e não pela perspectiva da pessoa em si. Costuma-se dizer que qualquer treinador consegue ser campeão no FCPorto. Eu não concordo, mas acho que os escolhidos para o lugar têm condições únicas para o fazer. Gostaria de no futuro ter a mesma noção sobre a Presidência do FCPorto. Sei que é difícil pensar nisso devido ao Presidente que temos, mas acredito que será ele a pôr o clube nesse patamar em que podemos dizer: Qualquer Presidente é campeão neste cube! Mas não tenho pressa nenhuma... A seu tempo se confirmará.

Quanto aos que têm pressa, sigam com a sua consulta diária ao Obituário. Não vos resta grande alternativa...

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Sinais



Eu, como muitos portistas, não pude ver o jogo com o Zenit por ser a horas incompatíveis com grande parte dos nossos horários de trabalho. Vi resumos e fui ouvindo comentários de amigos portistas. Dizem-me que fizemos uma boa primeira parte e que fomos traídos por mais um erro defensivo individual e inexplicável e que, mais uma vez, não apresentámos um rendimento uniforme ao longo do jogo. Podíamos até ter perdido. Enfim, nada que eu não esperasse apesar de ainda ter aquela leve e esperança que, de um momento para o outro, o FCPorto apresentasse a tal exibição portentosa que relançasse a época. Não aconteceu na Rússia e a Liga Europa está aí bem perto.

No entanto, tal exibição também não aconteceu ontem em Guimarães. Está visto que isto vai ser um processo gradual de retoma. Isto se chegar a acontecer. Nesse sentido, vi no jogo de ontem mais coisas que me agradam. Pena que, mais uma vez, não fosse um FCPorto de 90 minutos. Pelo menos, fizemos o suficiente na primeira parte para obter um resultado que desse tranquilidade ao resto da exibição. Nessa primeira parte, apesar de nunca termos estado imunes a alguns calafrios auto-inflingidos mas sem grande perigo, apresentámos uma boa dinâmica no meio-campo e um bom serviço a Jackson, algo raro nos últimos tempos. Fernando e Defour apareceram bastante atrevidos e Josué e Lucho foram distribuindo jogo a preceito. Só Varela teve dificuldades em se incluir no 'carrossel'. Não será estranho visto que o jogo priviligiou mais o centro do terreno, mas a qualquer altura poderia ser preciso variar e nesses momento ele não estava muito inspirado. Queria, no entanto falar mais da questão 'Fernando e Defour'. Muito se tem falado do duplo pivot. Julgo que o Paulo Fonseca nunca teve a intenção de alterar as funções de Fernando. Se teve, fez mal. O que se pede é que haja um outro jogador que, perante as investidas de Fernando, se posicione na retaguarda do meio-campo garantindo que há sempre um ponto para recomeçar a construção de jogo ou para iniciar a protecção aos defesas perante transições rápidas dos adversários. É certo que isso ainda não está a funcionar bem, e esse será um dos problemas com mais influência nas exibições mais fracas desta época. E a "experiência Herrera" não ajudou muito... No entanto, ontem já vimos essa dinâmica a funcionar bem melhor. Poderão reparar que não passamos por tantos calafrios em zonas centrais e que, alternadamente, Fernando e Defour têm participações decisivas nos dois golos e em várias recuperações em terrenos adiantados. Terá sido só neste jogo? Veremos daqui a quinze dias...

Resumindo, o jogo foi melhor mas deu a ideia que o controlámos mais pelo resultado do que pela serenidade do nosso jogo. A qualquer momento pode aparecer uma asneira como, por exemplo, um lance em que Otamendi, depois de ganhar a frente do lance se deixa ultrapassar e a abordagem de Mangala ao lance em que é expulso. É mal expulso, porque eu não tenho a certeza se ele dá com o braço e porque se trata de um tentativa de domínio e não de corte do lance. Ainda assim, Mangala pode abordar o lance de uma maneira mais segura, por exemplo de cabeça ou deixando a bola correr e ganhando em velocidade como em lances anteriores.

Individualmente, não gostei de Varela pelo que já disse acima. Jackson não esteve particularmente inspirado na finalização mas fez um bom jogo. Gostei do meio-campo com Fernando, Defour, Josué e Lucho que é para mim o MVP pela sua intervenção nos golos. O golo do Fernando faz-nos sorrir porque nos lembramos imediatamente de um grande capitão do FCPorto. Por último, não gostei de Fabiano quando ele demorou demasiado tempo para marcar um pontapé de baliza. Podia ter tido mais atenção ao facto de o resultado estar 2-0, de estar a meio da segunda parte e, mais importante, de ele já não jogar na Olhanense... Gostei do momento cómico em que Josué explica ao árbitro que está a correr enquanto se aproxima num ritmo escandalosamente lento da linha de meio-campo para ser substituído. Nessa altura Mangala tinha acabado de ser expulso e já fazia algum sentido. Mas gostei por ser cómico não pela atitude de perder tempo que, no FCPorto, só aceito em condições muito especiais.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

O culpado do empate


A foto é só para enganar. É óbvio que Mangala não é o culpado do empate. O jogo não acaba ali e não faltou tempo para dar a volta ao jogo. Se fosse por erros individuais, teria de falar mais ainda de Otamendi que, depois de uma época brilhante, voltou a ser o que era há dois anos atrás. E poderei falar do Herrera que perde a bola a tentar "fazer umas coxinhas" em zonas recuadas, na jogada que origina o empate. Poderei até falar de Ricardo e Jackson que falharam golos escandalosos. Conclusão óbvia: se a equipa acumula erros individuais e se esses erros não são compensados pelo jogo em equipa o culpado é o treinador. Fácil...

Vamos ao ponto da situação. Temos quase um terço de campeonato e metade da primeira fase da Champions. Notámos melhoras no jogo da equipa? Não! Isso só pode deixar os portistas inquietos. Mais que isso, a própria equipa não está segura do que pode valer. É possível termos alguma justificação para tão pálida exibição depois de uma vitória empolgante no Domingo passado? Nem o factor motivação pelas vitórias conseguimos capitalizar? Vejam o que esse factor tem feito pelo Sporting, por exemplo. É mais um sintoma de que as coisas não estão nada bem. Na semana passada terminei a crónica dizendo que a equipa precisa mesmo de uma vitória gorda e com uma exibição portentosa. Parece que só isso poderá inverter esta lenta degradação do futebol da equipa.

Vamos ao jogo. Este Belenenses é uma equipa assustadoramente limitada o que torna o resultado ainda mais escandaloso. É um plantel com muitos jogadores que há dois anos jogavam na antiga 2ª B. Mas chegaram bem para o FCPorto mais macio deste ano. Tivemos poucas oportunidades de golo, poucos remates e muito pouco controlo do jogo na segunda parte. De tal forma que teve de ser Helton a segurar o empate. Digo isto porque, perto do final, não tivemos uma única jogada perigosa. Muito estranho, visto que bastava um golo para salvar esta cinzenta exibição. Paulo Fonseca fez uma aposta clara no jogo pelos corredores. Falhou! Quantas bolas levamos à linha para cruzar? Apostou em Herrera privilegiando um jogo mais rápido e incisivo em troca por Defour. Falhou! Herrera chegou uma vez às imediações da área e em troca tivemos uma equipa completamente descontrolada em termos de construção de jogo e de protecção da defesa. São erros que notei e que tenho de apontar. Mas o Paulo não tem culpa de tudo. Não tem culpa que pare o cérebro ao Mangala e ao Otamendi, mas tem culpa por ainda não ter arranjado um sistema de jogo que proteja a equipa a nossa defesa e lhe dê a segurança que tinha no ano passado. Não tem culpa que o Varela tenha feito um jogo tenebroso. Mas tem culpa se ele passa 90 minutos a perder bolas sem o tirar de campo. Não tem culpa que Jackson e Ricardo falhem golos fáceis mas tem culpa quando a equipa passa os últimos minutos de jogo a bombear bolas sem que se ganhe um único lance. 

Individualente só gostei de Helton. O resto foi tudo ou mediano ou medíocre. 

Muito mau sinal para a nossa decisiva visita à Rússia. Optimismo portista em níveis mínimos... Vale-nos que ao nível interno a concorrência está longe de fazer melhor.