segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Mau treino


É muito conveniente esta histeria que nos diz que o FCPorto foi abafado pela intensidade dos Vasquinhos e que foi um 'banho de bola'! Enfim... Vitórias morais a que nos habituaram e não é por terem um membro de claque de barba e risca ao lado na presidência que esses hábitos vão mudar. Admira-me é que os portistas entrem nessa onda. É já o segundo ano seguido em que, graças ao fantástico calendário, somos obrigados a apresentar uma equipa próxima da titular na primeira fase da Taça da Liga. Se não o fizéssemos seríamos obrigados a jogar na Luz com um mês de interrupção de competição para os nossos melhores jogadores, o que seria impensável. Sendo assim, Fizemos o que deveríamos ter feito. Demos uma semana de folga aos jogadores e fizemos um treino ou dois treinos antes do 'jogo-treino'. Depois poupámos os jogadores mais sobrecarregados com jogos: Jackson e Lucho. A alteração na baliza foi natural. O resto da equipa fez um treino em competição. Até aqui tudo normal perante uma competição que nos habituámos a não respeitar e que não se dá ao respeito.

Vamos ao treino. Perante um adversário que iria dar tudo, interessava avaliar a reacção de Herrera e Ghilas, mas também de outros jogadores. Nomeadamente, o emergente Carlos Eduardo e o 'decadente' Licá. Começando por Herrera, confesso que me custa vê-lo jogar. Muito potencial mas decisões horríveis. Com Herrera em campo o FCPorto falha imensos passes e em zonas proibidas. Está longe de poder ser titular e não percebo porque é que está à frente de Defour nas portas para o onze inicial. Ghilas foi uma vítima da falta de produção ofensiva da equipa. Pouco pôde fazer mas perdoou em duas ocasiões em que podia ter marcado, apesar de numa dessas jogadas ter sido interrompida por fora-de-jogo claro. Teste inconclusivo. Depois Licá. Um extremo do FCPorto tem de ter bom desempenho no 1 para 1. Não basta ser agressivo e aparecer em zonas de finalização. Há que ter rasgo individual. Como isso falta a Licá, faltam razões que justifiquem esta titularidade consecutiva. Por último, Carlos Eduardo. Não esteve nada inspirado e ajuda a refrear os ânimos e os rótulos exagerados. Ainda assim, o teste foi duro num jogo em que enfrentou boa marcação e médios bastante agressivos. Esperava melhor. Dos restantes, destaque óbvio para o MVP Fabiano e para Mangala e Fernando. Não gostei de Maicon e achei absolutamente desnecessária a entrada de Jackson. Além de termos em campo Licá que estava a jogar pior que Ghilas, Jackson não fez um único treino durante a semana. Bizarro...

Obviamente que o resultado foi melhor que a exibição. Temos dois jogos em casa onde poderemos apresentar outras soluções que tardam em explodir ou que necessitem de ritmo como Reyes, Quintero e Quaresma, ou até premiar bons desempenhos na equipa B, nos casos de Victor Garcia e Tózé. Já esperávamos uma boa réplica do Sporting, que tem nesta competição a única escapatória a um eventual insucesso no campeonato. Foram muito intensos e até violentos nas abordagens aos lances. Com isto não me quero armar em 'calimero', apenas julgo que podíamos ter jogado com essa agressividade e descontrolo para tentar sacar mais amarelos e mais faltas em zonas perigosas. Entrámos bem no jogo mas rapidamente a confusão no meio-campo com exibições fracas de Herrera e Carlos Eduardo fez com que a equipa se ressentisse permitindo alguns calafrios. Já com Lucho em campo poderíamos ter aproveitado melhor a histeria exibicional do adversário para dar uma estocada final, mas as saída de Fernando desequilibrou a equipa e não ganhámos nada com a saída de Ghilas e a entrada desastrada de Jackson. Mas o resultado acabou por ser normal. Dizem que o FCPorto não atacou, mas direi que não precisou. O resultado pretendido foi-se mantendo e a falta de ambição transmitida pelo banco passou para os jogadores. Quanto aos vasquinhos, jogaram como nunca e o resultado foi o de sempre: vitória moral.

Na próxima semana temos mais uma oportunidade para testar jogadores menos utilizados. Que aproveitem melhor que os de ontem!

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Moral


Venho dizendo que faltava ao FCPorto um resultado moralizador aliado a uma exibição convincente. Na sexta-feira vimos isso. Ainda assim, não consigo perceber onde acaba a nossa boa exibição e onde começam as imensas fragilidades da Olhanense. Ainda assim, estivemos poucos no Dragão, mas podíamos ter assistido a uma goleada das antigas. Para isso bastaria um aproveitamento melhor das muitas oportunidades claras de que dispusemos.

Parece que Paulo Fonseca, tarde ou cedo, conseguiu para já resolver o problema de criação ofensiva no meio-campo. Carlos Eduardo ajudou, mas a presença de Lucho numa posição mais recuada, também ajuda e muito. E depois temos Fernando de regresso a uma super-forma. Na sexta-feira tivemos imensas ocasiões de golo e nem tivemos grandes exibições no trio da frente. Sobretudo Licá esteve bastante sofrível perdendo a maioria dos lances. Varela também não esteve brilhante e mesmo Kelvin terá dificuldades em ganhar o lugar se jogar como jogou. Ainda assim preferia que fosse ele o titular neste momento em vez de Licá. Os primeiros golos chegaram de bola parada mas a equipa construiu o suficiente para marcar golos de bola corrida como se veio a confirmar já perto do final com os golaços de Carlos Eduardo e do improvável Herrera. 

Individualmente, o MVP vai para Carlos Eduardo com um golo e duas assistências. Mas gostei bastante da exibição de Fernando. Não gostei de Licá. Quanto aos restantes, não tenho grandes destaques a fazer a não ser o grande salto de Mangala no primeiro golo. Salta acima da trave! 

Ainda assim, convém perceber se Fernando renova ou não. Ele é melhor, mas Defour não jogou nada mal contra o Braga nessa posição e esse tem contrato por mais tempo. Já sabemos que vai entrar Quaresma, mas não me surpreenderá nada que em Janeiro, e ao contrário do habitual, saiam dois jogadores titulares: Fernando e Otamendi. Um por problemas na renovação e outro porque tem mercado e porque está a tapar a evolução de Reyes.

Voltamos a estar no topo. Que seja para não largar mais!

Por falar em moral, que dizer a histeria dos vasquinhos? E do futebol das papoilas saltitantes? Tranquiliza um pouquinho, não acham?

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Pequena revolução?


A interrogação surge porque decidi ver a conferência de imprensa de Paulo Fonseca. Se não o tivesse feito, nem me lembraria que adicionar pontuação ao título. Eu estava convencido que o nosso treinador, finalmente, tinha decidido fazer alguma coisa pelo futebol da equipa, que não a simples troca de jogadores. Pelos visto o FCPorto jogou no esquema habitual. Quero acreditar que isto é mais para gozar com os jornalistas que têm sempre aos mesmas perguntas. Porque, de facto, as coisas foram bem diferentes. O posicionamento de Lucho na posição 8 acaba imediatamente com qualquer discussão sobre a existência de duplo pivot. Notou-se bem a liberdade que Fernando teve durante o jogo e notou-se que Lucho só aparece perto dos defesas em movimentos defensivos. E depois há Carlos Eduardo. Diferença óbvia por se tratar de um jogador que prefere servir do que finalizar, isto é, não aparece tão lá na frente como Lucho. Além disso, consegue 'furar' pelas alas e transporta a bola em velocidade. Ou seja, corre mais com bola do que sem ela. Tudo características que mudam drasticamente a maneira de jogar da equipa. Até o facto de jogar Licá em vez de Josué tem a ver com isso. Se não temos Lucho a rondar a área convém ter um jogador capaz de apoiar Jackson. Enfim, muitas mudanças para quem diz que manteve o mesmo esquema de sempre...

Vamos ao jogo. Não foi uma exibição de encher o olho, mas foi bem mais segura que as anteriores deslocações. Houve um erro grave que, para não variar, resultou em golo sofrido. Parece que nos vamos ter de habituar a isso... Mas a equipa reagiu bem e chegou novamente à vantagem sempre com muita pressão sobre o adversário. Se não foi um record de cantos esta época deve ter andado lá perto. Pena que a equipa relaxe um pouco a seguir aos golos. Sobretudo nesta fase em que os adversários precisam de 'meia' oportunidade para nos marcar um golo convém que não se descanse 'à sombra' de uma margem mínima. Enfim, boa resposta perante duas vitórias dos nossos adversários directos. A equipa não tremeu ao contrário do que aconteceu no mês de Novembro.

Individualmente, gostei de Carlos Eduardo, Fernando e da dupla Otamendi-Maicon. Sem fazerem grandes exibições Jackson e Varela acabaram por ser decisivos. Por último, gostaria de falar de Kelvin. Uma jogada bastou para que se percebesse que o miúdo tem características únicas no plantel. Não tem grande utilidade se estiver sempre escondido na equipa B. Sobretudo nos jogos em casa.

Na próxima jornada temos o Olhanense no Dragão. É para desfrutar. Espero eu. Por falar em desfrutar de futebol, que é feito de Quintero?

sábado, 14 de dezembro de 2013

Amanhã Basta Um Sem Resposta...

Daqui a um mês fará 26 anos esta expressiva vitória no Estádio dos Arcos... Foram 7, mesmo com um golo anulado e uma grande penalidade desperdiçada... amanhã a vitória, mesmo pela margem mínima, será o mais importante, embora estejamos sedentes de boas exibições... Rui Barros muito em jogo no primeiro tempo, Sousa e a sua classe e o hattrick do Bi-Bota, são os nossos destaques da recordação da semana...

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

FCPorto Versão 'Beta'



Bola ao poste não é azar, é erro de finalização! Simplesmente é um erro bem menor que um remate que sai pela linha lateral... É também um erro menor que uma grande penalidade falhada ou que um mau posicionamento defensivo que resulta em golo ou que um defesa que fica à espera que se marque um fora-de-jogo sem que se faça ao lance. E que dizer de Helton no primeiro golo? Ao menos sofreu com estilo! E sobram erros neste FCPorto. Demasiados... E, como já conhecemos a maior parte dos jogadores e conhecemos a sua versão normal, olhamos com desconforto para esta versão 'Beta'. Esclarecendo a metáfora, nos domínios do software, uma versão 'Beta' é uma versão ainda em fase de desenvolvimento ou de testes, e normalmente muito mais susceptível ao acontecimento de erros. Ora, se temos um hardware semelhante, torna-se difícil não pôr as culpas no implementador do software 'beta': Paulo Fonseca. 

A lógica é simples e fácil de compreender. Ontem entrou a equipa habitual. Equipa essa que apresenta apenas um jogador diferente em relação à época passada. Dirão que Defour e Josué são jogadores bem inferiores a Moutinho e James e eu concordo. Esse argumento chegou para me iludir durante uns tempos, mas estamos praticamente a meio da época e nada evoluiu! A perda de jogadores influentes não pode ser uma álibi eterno. Houve já tempo para que, um bom colectivo, pudesse ultrapassar essa dificuldade. Dou um exemplo, Simeone perdeu Falcao e tem uma equipa melhor e mais forte sem reforços sonantes. Há ali dedo do treinador! Mas Paulo Fonseca não conseguiu ainda resolver. O que conseguiu foi transformar este FCPorto num equipa intranquila e demasiado permeável a erros. De tal forma que reage sempre mal quando estes acontecem. Dá a ideia que só a qualidade dos jogadores é que vai dando uma ilusão de reacção. Pouco se vê de reacção organizada e em colectivo. E isso são factos que têm de ser imputados ao treinador e não serão uma bolas ao poste perante um Atlético de Madrid em poupança que nos vão animar.

Outro facto que lhe podemos apresentar são os números: pobres. Pior participação na Champions League em anos. Parecidas só as de Adriaanse e no primeiro ano de Vitor Pereira mas, ainda assim, ligeiramente melhores. São tudo factos a que administração e Paulo Fonseca terão de acorrer rapidamente, talvez depois de uma nova reunião com a claque. É que a última teve efeito curto...

Fico-me por aqui. No Domingo há mais.


segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

45 minutos anti-crise



Jackson agradece ao Senhor e nós agradecemos a Jackson...

Não sei explicar bem o que aconteceu. Tinha duas expectativas opostas. Numa o FCPorto entraria demolidor no jogo e com isso daria um pontapé na crise. Noutra o FCPorto entraria nervoso e descontrolado e teríamos mais um resultado adverso. Pois nem uma coisa nem outra. De facto entrámos nervosos e jogámos muito pouco na primeira parte. Defour e Herrera atropelavam-se atrapalhadamente no meio campo. Lucho Josué e Varela pouco conseguiram ter bola e o jogo era sobretudo entre os centrais, os laterais e Helton. Já esperava o pior quando, de repente e sem que nada o fizesse prever, a equipa apareceu transfigurada na segunda parte. Mais velocidade, mais organização e golos. Isto com apenas uma diferença no elenco: Lucho. Julgo que não teve qualquer influência. Gosto de Carlos Eduardo e julgo que não ficará de fora numa próxima inscrição na Europa. Mas Lucho é Lucho. Ora excluindo a hipótese da influência da troca de jogadores só pode ter sido algo que o Paulo fez ou disse ao intervalo. Deu a ideia que o Herrera passou a jogar mais avançado, dando lugar para que Defour brilhasse. Varela apareceu mais inspirado e Jackson afinou a pontaria. Foram uns bons 45 minutos que nos deixam na esperança de uma inversão do ciclo. No entanto, não podemos deixar de notar que o FCPorto continua com uma inquietante bipolaridade. Talvez um Braga mais ambicioso nos pudesse ter criado mais problemas na nossa pior fase. O Atlético de Madrid não perdoará se dermos uma parte de avanço...

Individualmente, gostei de Defour, Varela e o MVP Jackson. Quanto a Defour acrescentaria que parece dar-se melhor naquela posição do Fernando. Cresce muito de produção quando joga ali. Gostei também da entrada de Carlos Eduardo. Apontamentos muito interessantes e um 10 muito mais adaptável ao esquema de Paulo Fonseca do que Quintero que terá de ser enquadrado de outra forma. Por último, gostaria de falar de Herrera. Nem sei como o definir. Faz-me lembrar um jogador que tínhamos há uns anos: Renteria. É absolutamente irritante ver estes jogadores que oscilam entre o óptimo e o horrível.

Não espero um milagre em Madrid, mas sempre estou um pouco mais confiante do que há uns dias. Espero um FCPorto em defesa da sua boa reputação europeia.


sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

A Primeira Vez de Deco...

Em Abril do próximo ano fará 15 anos a estreia no nosso clube do melhor jogador que vi jogar com a camisola azul e branca... precisamente contra o Sporting de Braga, adversário deste fim de semana e o clube da cidade onde agora vivo... estive, logicamente, lá, numa tarde de sol (sim, tarde), numa vitória sofrida, com Jardel expulso aos 30 minutos da partida e com o golo da vitória a aparecer no final da partida num livre superiormente marcado pelo esloveno Zlatko Zahovic...

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Massa Associativa



Este não é um post de condenação aos incidentes na chegada da equipa ao Dragão após a derrota em Coimbra. Podia ser, porque eu não me revejo neste tipo de apoiantes. É uma questão de educação. Mas já muito foi escrito sobre os defeitos destes grupos de apoio e também sobre as virtudes, porque as há. Falarei apenas sobre a notícia que abaixo trasncrevo:

« À chegada ao Dragão, e logo após o mergulho na onda de contestação, Paulo Fonseca reuniu-se quase de imediato com Antero Henrique, os capitães Helton e Lucho e elementos dos Super Dragões, confirmou o Maisfutebol.» (isto foi noticiado inicialmente pelo JN)

Gostaria de assumir que é mentira mas, por prudência e por falta de desmentido, vou correr o risco de supor que é verdade. Nesse caso, gostaria de perguntar onde me posso inscrever para poder expor a minha opinião sobre o momento actual do FCPorto a um administrador da SAD e ao treinador da equipa? Tenho de estar à porta do estádio de madrugada? Eu, como tenho muito a dizer e como não fico a perder em nenhum aparelho medidor de portismo, confesso que não me custaria muito. Se não é possível, terei de estranhar. Se é para escutar a opinião dos adeptos, lamento mas não me sinto representado quando os representantes são elementos das claques. A massa associativa é bem mais abrangente. Mas isso nem é o que me chateia na notícia. Chateia-me que haja reunião com adeptos! Desmintam lá isto, se fazem o favor...


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Crise? Qual crise?



Normalmente procuro ser calmo na análise e recuso-me a alinhar em cenários de drama e horror em que alguns dos nossos leitores e adeptos entram. Óbvio que esta é uma altura em que se nota que os portistas mais histéricos e precoces na contestação a Paulo Fonseca tinham razão. Esse não é o meu tipo de Portismo. Costuma-se dizer que até os relógios parados têm razão uma vez por dia... A verdade é que se provou que Paulo Fonseca não mostrou, até agora, capacidade para 'dar a volta' à situação. O mês de Novembro é taxativo: uma vitória apenas, a segunda competição mais importante em risco e a perda de liderança num campeonato em que, em apenas três jornadas, perdemos uma liderança confortável de cinco pontos. Temos crise? Obviamente que sim! O Paulo dizia que nos mantínhamos em primeiro lugar. Pois... Isso era antes. Agora dirá que dependemos apenas de nós para sermos campeões. Continuará a ser verdade. Se nada for feito dirá que os adversários ainda vão perder pontos e por aí sucessivamente. 

Por um lado, a sucessão de maus resultados torna clara a existência de um problema e a necessidade de reverter a situação antes que se torne irreversível. E digo isto porque me lembro que, com Vítor Pereira, chegámos a ter problemas exibicionais graves  mas que se iam mitigando pelas vitórias nos jogos em casa e por um sistema mais seguro que interrompiam as tendências negativas. Mas nem queria entrar em comparações com os anos anteriores. Até porque, neste momento, elas não seriam simpáticas para Paulo Fonseca e, mais que isso, seriam injustas porque ele não tem Hulk, Moutinho, James, tal como, Vitor Pereira do primeiro ano não teve Mangala, Alex Sandro e Jackson, etc. A comparação é sempre difícil e convém que passe por dados objectivos. Podemos comparar resultados, produtividade ofensiva e golos sofridos. Mas toda e qualquer comparação é sempre manchada pelo o facto de não se tratarem dos mesmo jogadores. Haverá sempre contraponto.

Mas se disse que não queria entrar em comparações, digo já que não consigo. Tenho uma noção de que jogamos menos. Já a tinha antes apesar de tentar evitar histerismos. Novembro veio provar que havia razão para receio. A equipa não tem capacidade de reacção e qualquer equipa nos causa problemas. Mesmo as mais fracas da Champions como os Austríacos e as mais fracas do campeonato como o Belenenses e a Académica. Temos assistido consecutivamente aos mesmos problemas. A equipa treme e intranquiliza-se quando tarda em marcar. Seja quando não marca cedo seja, quando marca e tenta proteger o resultado. E a tremideira nota-se na frente onde se falham golos incríveis e atrás onde sofremos calafrios a que não estamos habituados. Saberão que não sou um defensor de Vitor Pereira, mas terei de referir que ele montou um esquema mais sólido. De facto o futebol, raramente era empolgante e irreverente, mas era mais seguro e os jogadores, sobretudo os defesas, estavam muito mais protegidos e tranquilos. E aqui entra a principal lacuna da equipa de Paulo Fonseca: tranquilidade. Vitor Pereira conseguiu dar a volta às dúvidas que os jogadores tinham em relação a ele montando um esquema semelhante ao anterior que protegia o colectivo e em consequência a individualidade. O Paulo tentou implementar um futebol mais intenso, directo e imprevisível. A imprevisibilidade transformou-se facilmente em intranquilidade. Ao contrário do Vitor, o Paulo tentou mudar: não correu bem...

Em suma e em teoria, eu gostei de algumas das ideias que Paulo Fonseca quis implementar, mas seria louco se não reconhecesse que elas não estão a resultar. Há que mudar e, por muito que isso pareça uma loucura, há que considerar seriamente a mudança do esquema. Numa primeira fase, há que voltar a privilegiar a posse de bola segura. A equipa precisa de sentir que é dona do jogo para voltar a ganhar confiança. Mais que jogadores há que mudar rotinas. Facilmente reparamos que não foi pelo facto de trocarmos Otamendi por Maicon que desapareceram os erros defensivos. Macion até teve um bastante grave em Coimbra. E se trocarmos Jackson por Ghilas, Defour por Herrera, Varela por Kelvin, Josué por Quintero, não vamos ter mais golos ou assistências. Com o descontrolo exibicional, o futebol objectivo passou a ser 'pontapé para a frente'. Temos de voltar a sofrer um pouco de tédio nas bancadas, mas reconquistar a confiança da equipa. Numa primeira fase, esperar tranquilamente pelos erros dos adversários e forçá-los. Eles aparecerão antes dos nossos. Temos melhor equipa e isso é inevitável. Depois de ganhar a confiança e a tranquilidade, talvez possamos assistir à implementação de mais ideias do Paulo. Mas terá de ser de forma sustentada e adaptada aos jogadores que tem.

Quanto à questão da segurança do Paulo Fonseca, julgo que nunca esteve em causa e nisso, não posso concordar mais com a Administração. Só um cataclismo poderá fazer com que se mude a nossa maneira habitual de tratar destes assunto: no final fazem-se as contas. Até porque não vejo grande diferença para os nossos adversários directos a não ser o nível de exigência que no nosso caso é bem alto.

Quanto ao jogo, obviamente fraco. Podíamos ter ganho como nos jogos anteriores e tenho a noção de que estamos num fase em que tudo nos acontece. Falta a segurança e confiança de um campeão. Destacaria apenas a exibição boa de Mangala. Pelo contrário, não gostei de nenhuma das outras exibições. Destacaria apenas pela negativa Josué. Não que tenha jogado pior que os outros. Diria apenas que me parece um jogador demasiado nervoso para jogar ali. Tem raça mas não a aplica com inteligência e isso preocupa-me. Muito faltoso.