segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Natal é só em Dezembro…


E esta é a única justificação que consigo encontrar para as “mexidas” do banco promovidas pelo nosso treinador… Só uma pessoa conservadora e com as tradições bem enraizadas é que pode sustentar a não colocação de um “Pinheiro” em campo em Outubro, num jogo que tinha todos os condimentos para o fazer…

Deixando as piadinhas e passando ao jogo, penso que estivemos por cima no final da primeira parte e entramos com tudo no arranque da segunda… foram períodos em que tivemos tudo para marcar e matar o jogo… Oliver não pode falhar, André Silva tem de ser matador e J estava lá, fez o que tinha de fazer, mas ela não entrou… Quanto aos “tubarões” de Setúbal, em termos ofensivos, nem vê-los, facto para o qual também contribuiu um bom jogo de Danilo e de Felipe, bastante agressivos na recuperação da bola…

Passando aos erros crassos, e ao título da crónica, não consigo compreender como é possível ter um jogador no banco com características específicas que podem ser maximizadas em jogos como estes e não os colocar em campo… se não serve para estes jogos quando é que Depoitre vai servir? Tentando perceber as razões das substituições, nomeadamente a entrada de Ruben Neves, porque as outras são relativamente compreensíveis, suponho que fosse dar mais frescura ao meio campo e circulação de bola sem abdicar da segurança defensiva, continuando Danilo em campo para aniquilar possíveis descidas vertiginosas dos adversários… mesmo assim não consigo compreender… a circulação de bola nem estava a ser dos piores problemas (excelente entrada no segundo tempo) e, pelo menos, pedia-se um pouco mais de risco (saída de um central, por exemplo, mas nem isso)… depois desta dupla substituição perdemos fulgor e terminamos o jogo com o Casillas a meter a bola na cabeça do Corona… sintomático…

Por fim, falar mais do mesmo… já sabemos que o FCP está habituado a isto… mais, não está só habituado a isto, como está habituado a ganhar assim… mas quando o FCP não está a 100% a ajuda destes senhores, que com apito julgam-se mais do que os outros e sentem o poder nas “mãos”, inviabiliza uma maior percentagem de sucesso… como é possível terminar a primeira parte com zero minutos de descontos, em jogos como este em que é mais do que usual a equipa teoricamente inferior retardar o tempo possível sempre que o jogo pára? Bastava dar um minuto de tempo extra e passava despercebido... Como é possível estar de frente para um jogador que tenta pontapear a bola e não consegue e que ao mesmo tempo vê o seu adversário estatelar-se no terreno e não marcar a respetiva falta (por acaso dentro da área), quando minutos antes consegue premiar um mergulho do jogador do Vitória com uma suposta falta de Danilo que com o corpo ganha posição e recupera a bola? Valeu-nos o árbitro auxiliar ter as cores da isenção, porque para o árbitro principal estiveram as condições reunidas para sairmos do Bonfim com uma derrota, mesmo sem estes praticamente terem chutado à nossa baliza…

Resumindo, não concordo que fizemos um jogo miserável, tivemos dois bons períodos com ocasiões para sairmos vitoriosos… faltou eficácia... logicamente que queremos mais, sempre… as opções técnicas vindas do banco não foram as melhores e o árbitro fez o resto...

Vem aí o clássico, mas sem estarem reunidas as condições pretendidas... Antes concentrar todas as forças no jogo com os Belgas e ganhar confiança para não vacilar no jogo dos lampiões e afastar um cenário que só vi o nosso FCP alcançar desde que nasci…

P.S. Grande mancha azul no Bonfim... Fantástico!!!

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Dupla


É o destaque actual no FCPorto. Esta dupla que se formou no ataque parece ser frutuosa para todos. Por um lado, André Silva continua a marcar e a assistir sendo o jogador do campeonato com mais remates por jogo e sendo já um dos melhores marcadores. Jota também marca e assiste, e as defesas continuam a procurar a melhor forma de defender esta nova estratégia, que muitos já tendem a comparar com outra formada por Domingos e Kostadinov . É melhor fugir das comparações, mas há algumas semelhanças. A título de exemplo, esta dupla é diferente das dos nossos adversários directos, que apostam sempre num elemento fixo entre os centrais. Tanto André Silva como Diogo Jota evitam jogar de costas para a baliza, procurando abordar os lances enquadrados e procurando explorar o espaço das costas das defesas. Faltará ainda alguma intuição e capacidade analítica para quando o adversário povoa a cabeça da área, como aconteceu em Brugges. Aí a dupla pareceu perdida e poderia ter explorado melhor as alas, fugindo à marcação. É a juventude, mas é simultâneamente um problema e a grande virtude.

Ontem entrámos bem no jogo e podíamos ter marcado logo, nomeadamente numa jogada de antologia de Corona. O golo tardou em aparecer e a equipa esmoreceu um pouco, mas sem perder o foco. Com o golo pudemos serenar mais um pouco, talvez de mais. As entradas de Brahimi e Ruben Neves, sobretudo o primeiro, ajudaram a dar a estocada final num jogo que já se estava a complicar. E aqui um bom destaque. Nos dois últimos jogos, Nuno Espírito Santo consegue tirar bom proveito das opções que tem a seu lado no banco, algo de que não dispôs em Alvalade, por exemplo. São os frutos da má preparação da época que já aqui destacámos. De facto, as coisas começam a correr melhor, mas em Brugges tivemos uma exibição bem mais fraca que o resultado. Por isso, parece-me estranho que Nuno já tenha 'peito' para vir falar do jogador à FCPorto. Em primeiro lugar ficámos todos a perceber porque é que tem demorado a assimilação da ideia de jogo. Basta que Nuno a tente desenhar para que se crie a confusão na cabeça dos jogadores. Gatafunhadas à parte, focando a atenção nos chavões, é cedo para vir dar lições...

Individualmente, MVP para André Silva que resolveu o jogo. Jota esteve mais apagado mas apareceu nos momentos chave, tendo também nota bem positiva. De resto gostei das exibições dos dois centrais, de Danilo e da entrada de Brahimi coroada com um excelente golo. Destaque nesse lance para uma rara assistência de Casillas e para a reacção despropositada do jogador nos festejos. Se ainda não se habituou aos 'passa a bola' que vêm da bancada, está mal. Antes dele, jogadores como Quaresma e Hulk (para citar os mais recentes) também o ouviram. Isso nunca vai mudar. Se há coisa que aprecio em Brahimi é que joga sempre em risco máximo, independentemente dos assobios e por vezes dá obras de arte, como a de ontem. Conseguindo poupar Otávio, Oliver esteve mais na esquerda e Herrera andou mais pelo meio, ganhando com isso. Não aprecio esta mania de Corona desaparecer no jogo. Sobretudo depois daquela jogada inicial mais que motivante. Layun continua a ter dificuldades defensivas e acho que, a continuar assim, Maxi ganha o lugar. Até porque, do outro lado, Alex Telles tem apenas que resolver o acerto nos cruzamentos, porque defensivamente e em termos de agressividade, tem cumprido bem.

O próximo jogo poderá colocar-nos na iminência de atacar o primeiro lugar. Importância máxima portanto!

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Grupo fraco - parte 3


É difícil falar do jogo de ontem. Por um lado, quero enaltecer a atitude, o facto de não termos desistido do resultado, num jogo que estava a correr bastante mal. Mas depois, quando tento perceber porque estava a correr mal, assusto-me e apercebo-me de que, se este Bruges nos causa problemas, isto é algo que poderá acontecer com frequência. 

Sintetizando, partimos do oito e fomo-nos aproximando do oitenta, sem ter muitos momentos de grande brilhantismo. Lembro-me apenas do golo de Layun, do passe de André Silva que isola Otávio e do sangue frio do miúdo na conversão da penalidade tardia. Mas o que me preocupa mesmo é a total inconsistência entre jogos e dentro do próprio jogo. Vamos ao passado recente. Ignorando o jogo com o Gafanha, em casa contra o Boavista, perante um golo irregular, reagimos com uma excelente primeira parte, para depois fazer uma segunda bastante mais fraca. Em Leicester demos a primeira parte de avanço e, mesmo na segunda, não estivemos bem, apesar de podermos ter empatado com lances duvidosos na área e uma bola ao poste. Segue-se a melhor exibição desde Roma, com uma dupla de ataque que parecia resolver os nossos problemas. Parecia... Porque essa dupla ontem, não tocou sequer na bola. Dirão que a culpa é da forma como a equipa jogou, mas André e Jota tiveram muita dificuldade em segurar o jogo e em procurar movimentações para se adaptarem às dificuldades. A título de exemplo, Brahimi e Corona encontraram espaço entre os centrais e os laterais avançados. É aí que surge o penalti. 

Ou seja, uma 'montanha-russa'. Ora jogamos bem, ora jogamos mal, ora pensamos que temos o onze estabilizado, ora passamos a pensar que falta o Brahimi, o Corona, o Maxi ou o Jota, etc. É um FCPorto em construção... O problema é que já estamos no fim de Outubro!

Quanto ao jogo, fiquei contente por Nuno ter resolvido o jogo alterando do banco, mas fiquei assustado com a forma como a equipa reagiu a esta táctica 'Juventus' do adversário. Deu a ideia que não estávamos preparados, o que é sempre um motivo de alarme. Eles tentaram criar confusão no meio, concentrando aí uma floresta de pernas. Aí, mais uma vez, assustou-me a maneira como Nuno não mudou de ideias mais rápido. Até o Freitas Lobo repetiu inúmeras vezes que tínhamos de tirar a bola do meio da confusão. Finalmente com Corona e Brahimi, conseguimos fazê-lo e imediatamente surgiu perigo. Defensivamente, Layun tem vindo a demonstrar mais lacunas defensivas na direita, do que na esquerda o que me parece estranho. Temo que seja por ter ao lado Felipe e à frente Herrera. De facto não ajuda... Foi por aí que o adversário foi criando perigo. À medida que o FCPorto foi pegando no jogo o perigo adversário foi desaparecendo.

Individualmente dou o MVP a Marcano pelo rendimento constante no jogo e por estar a ser, este ano, um dos esteios da equipa. Gostei também da segurança que Casillas deu à equipa. Nota bem alta para Otávio e vou esquecer aqueles últimos minutos de individualismo em que me pareceu que já estava desgastado. Gostei muito da segunda parte de André Silva e das entradas de Brahimi e Corona, sendo que o mexicano esteve melhor. Danilo esteve autoritário na segunda parte mas ninguém me tira da cabeça o Ruben e o que ele faz pela gestão da posse da equipa. Danilo está bem a ir atrás do prejuízo, mas Ruben antecipa-o evitando-o. Layun esteve um desastre com excepção do golo marcado e não me admira que perca o lugar para Maxi. Entre os centrais, Felipe é um 'acidente à espera de acontecer' e vale-nos Marcano. Herrera... Foi um dos jogos maus. Virão outros bons, seguidos de outros maus, e sucessivamente...

No Sábado temos Arouca. Será interessante perceber o  que acontece aos que jogaram pior como Layun, Herrera e Jota. Perceber se se aposta no esquema que nos deu ilusão na Madeira ou o que nos deu a salvação em Bruges. Eu insistia no da Madeira com pequenas alterações de casting.

domingo, 16 de outubro de 2016

Poupança


Nuno não poupou ontem, mas eu vou ter de poupar na crónica. Normalmente, o que procuro neste jogo é avaliar os menos utilizados. Não consigo. Foram apenas três e não foram postos à prova. Além de que Maxi é um titular a recuperar fôlego e Boly, na minha opinião, mais cedo ou mais tarde, vai discutir o lugar com o errático Felipe, quando (se) este começar a errar mais. Dirão que foi uma estratégia conservadora de Nuno, mas pode não ser bem assim. Pondo 'toda a carne no assador' a expectativa aumenta e todos esperávamos uma goleada que não aconteceu. Aumenta também a possibilidade de haverem lesões. Não goleámos, não deslumbrámos e por isso não posso dizer que foi um bom teste. Dá a ideia que Nuno descobriu a pólvora e não quer abdicar deste novo esquema enquanto não estiver bem oleado. Ora ontem, não correu tão bem como na Madeira,  mas sempre foram mais uns minutos nas pernas e a prova virá na terça-feira. 

O jogo valeu por Otávio que juntou à sua boa exibição mais um belo golo. A dupla da frente voltou a mostrar bom entendimento mas sem acerto na finalização. Herrera jogou bastante mal. Se jogar assim na Bélgica, salta novamente para o banco. Destaque ainda para para os golos de Corona e Depoitres mas que chegaram numa altura em que o adversário já não conseguia correr.

Na próxima terça-feira, só nos resta ganhar e ganhar bem como lá ganhou o Leicester. Caso contrário, adeus...

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Tiques Scolarianos de Rui Jorge


Não é um assunto muito apropriado para o blog, até porque fala mais da Selecção Nacional do que do FCPorto, mas é um assunto que sigo com interesse e eu, hoje, invento qualquer coisa para não ter de falar das assustadoras contas do FCPorto, apresentadas por Fernando Gomes. 

A ideia surgiu quando vi que o rendimento dos sub21 baixou bastante nos últimos quatro jogos. Chegámos a sofrer um golo, que foi o único do Liechtenstein em todo o apuramento. Não há sinais de alarme aparentes. Mas as aparências, por vezes, poderão iludir e temo que Rui Jorge esteja a desenvolver o ego por caminhos perigosos.

Por motivos familiares, desde há 5 anos atrás, tenho vindo a acompanhar as camadas jovens com muita atenção. Isso tem implicado ver jogos ao vivo, que não dão na TV, assistir a jogos em sintéticos pelados, etc. E quase só sigo competições nacionais! É o que temos... Isto para dizer que compreendo a recente sobrevalorização do trabalho de Rui Jorge. É o que ditam os resultados e esses têm sido bastante bons, com apenas uma grande desilusão na final do Euro de Sub21. Mas será que evoluímos assim tanto desde Rui Caçador, José Romão, Nelo Vingada, José Couceiro e outros que por lá andaram com menos sucesso? Ou será que a matéria prima de agora é muito melhor? Dou um exemplo: José Romão foi às meias finais do Euro com uma geração que tinha Bosingwa, Meireles, Bruno Alves, João Pereira, Hugo Almeida, tudo jogadores que fizeram carreira longa na Selecção A. Rui Jorge é bom e melhor que os referidos, mas a matéria prima conta! E nesse caso, o papel da formação nos clubes não conta? Obviamente e tem sido fulcral o trabalho na formação dos três grandes, mas também noutros clubes como Braga, Guimarães, Rio Ave, Paços de Ferreira, Belenenses e Setúbal. Custa-me 'endeusar' Rui Jorge e até o Hélio Sousa e Emílio Peixe (bem conhecido pelas suas convocatórias avermelhadas) porque acho que o maior mérito tem sido dos clubes e da sua aposta na formação. Se depois a concretizam na transição para as equipas A, é outro longo assunto...

Independentemente das características técnicas, que tem, Rui Jorge dispõe de maior qualidade que resulta em matéria prima muito superior à que tiveram os seus antecessores. Essencialmente destaco 4 gerações de grandes talentos que Rui Jorge 'apanhou':
- Uma geração mais velha que já está cimentada na selecção nacional A onde temos João Mário, André Gomes, Bruma, Ricardo Pereira, Ilory que são a base dos finalistas do Europeu de Sub 21 e que também estiveram nos oitavos de final do mundial de sub-20 e na fase de grupos do europeu de sub19.
- Uma geração intermédia que vai dando os primeiros passos na primeira liga e na Selecção A, em que já aparecem João Cancelo, Bernardo Silva, Gonçalo Paciência, Ruben Semedo e Tobias Figueiredo que atingiu as meias finais do Europeu de Sub19.
- Outra geração intermédia que também vai dando os primeiros passos na primeira liga e na Selecção A, onde se destacam André Silva, Tomás Podstawski, Chico Ramos, Ivo Rodrigues, Rafa Soares, Gelson Martins, Rony Lopes, Gonçalo Guedes e André Moreira que atingiram a final do Europeu de Sub19 e foram aos quartos de final do mundial de sub20.
- E uma geração mais nova que já começa a aparecer nos sub21 de onde se destacam Ruben Neves, Renato Sanches, João Carvalho, Alexandre Silva, Yuri Ribeiro e Pedro Rodrigues que foram às meias finais dos europeus de sub17 e sub19.

São resultados consistentemente bons e que já começaram a chegar à Selecção A, dando-nos o nosso primeiro título de sempre. E Rui Jorge ainda não apanhou uma geração que ganhou recentemente o Europeu de Sub 17. E até poderíamos falar das competições internacionais de clubes como a Youth League (e a anterior NextGen) para equipas sub19, em que o  Benfica chegou à final em 2014, havendo sempre equipas portuguesas nos quartos de final da competição. Os próprios desempenhos das equipas B's são um sintoma do aumento da qualidade, sendo que os desempenhos do FCPorto no ano passado com o titulo e dois anos antes com o segundo lugar se destacam. Mas Sporting e Benfica também têm estado constantemente nos lugares cimeiros, havendo um ano em que os três grandes, versão B, ficaram entre as seis primeiras posições. A Equipas B introduziram um espaço de maior competição para os escalões de sub 21 e sub20 que em muito melhoram a qualidade de que dispõe Rui Jorge.

Considero Rui Jorge um treinador com bastantes qualidades e, talvez por isso, é que as suas opções não me sejam tão indiferentes como as dos seus antecessores. Admito que um treinador fraco não convoque os melhores e que se perca em birras e em politiquices. Não o admito a Rui Jorge, porque o tenho noutro patamar. Depois de muito divagar cheguei ao meu ponto: os proscritos por causa dos jogos olímpicos. Há vários, mas vou destacar o que gosto mais que é Rafa Soares. É um jogador que aprecio bastante e tinha por certo que chegaria à nossa equipa principal, antes mesmo de André Silva. Antes dos jogos olímpicos, era totalista de um percurso imaculado da Selecção, com uma assistência e com participação activa em, pelo menos, cinco golos. O problema é que a convocatória para os jogos olímpicos saiu no dia seguinte à sua cedência ao Rio Ave. Como o Rio Ave estava prestes a competir para aceder à Liga Europa e como o FCPorto tinha todo interesse que o jogador participasse na competição, não se permitiu que ele fosse ao Rio de Janeiro. Esta foi uma decisão de última hora que causou mais um transtorno à difícil tarefa do seleccionador. Mas, mesmo que Rafa tenha dito a Rui Jorge que queria ir, não tem culpa desta mudança tardia. A culpa é dos clubes que atrasaram a negociação. Se assim é, porque é que Rafa não voltou a ser convocado por Rui Jorge? Recordo que era totalista da selecção até aí, e é totalista no Rio Ave (não jogou contra o FCPorto por não ser permitido). Acrescento que as convocatórias estão cheias de jogadores, cujos clubes não autorizaram a sua participação nos jogos olímpicos. Dou os exemplos de Ruben Neves, de Gelson, ou de André Horta. Escolhi jogadores dos três grandes para que fique claro que não vejo nisto uma perseguição clubística. Temos de exigir que sejam convocados os melhores e, neste caso estamos a convocar um suplente do Moreirense, um jogador que ainda roda no Benfica B e outro do Braga B que é uma recente adaptação à posição. É inexplicável e os resultados estão à vista: em quatro jogos, dois empates e quatro golos sofridos quando, até aí, só tínhamos vitórias e mantínhamos a baliza inviolável.

Na ausência de explicações de Rui Jorge, sou obrigado a concluir que a não convocação de Rafa Soares é um capricho 'à Scolari', que prejudica a Selecção, que nos poderá custar jogos e eventualmente títulos.

PS: Não faço artigo sobre as contas mas recomendo o do Tribunal do Dragão, que tem a qualidade e o conteúdo a que já nos habituou nesta área. Dá que pensar...

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

JJJ


Se em Leicester surpreendeu a geral apatia que demonstrámos, mesmo contando com o assalto final que continuo a achar que foi auto-inflingido pela equipa inglesa, ontem a exibição do FCPorto surpreendeu pelo inverso.  Intensidade desde o primeiro minuto, luta por todas as bolas, enfim... Praticamente tudo o que se pede a uma equipa do FCPorto. Além disso exibições, quase todas acima da média, quer dos jogadores, quer de Nuno Espírito Santo.

Comecemos por aí. Nuno fez duas alterações na equipa e, com isso, parece ter mudado tudo para melhor. Nota máxima, portanto. Conceptualmente já sabem que tenho preferências para o meio campo e que, nem Herrera nem Danilo, cabem nas minhas preferências. Mas é um facto que André André estava com dificuldade em adaptar-se ao papel que Nuno lhe estava a confiar. Herrera jogou melhor do que o que André2 vinha jogando, mas mantenho cepticismo quanto a esta opção, porque foi apenas um jogo. E todos sabemos que não se sabe o que se pode esperar de Herrera, visto que ele oscila facilmente entre o óptimo e o péssimo. O mesmo não poderei dizer quanto a Jota e à dupla que formou com André Silva.  Esta dupla presença criativa de Oliver e Otávio, estava a esbarrar com a indefinição na frente de ataque. Depoitre pede jogo directo, Corona e Brahimi pedem bola no pé e Adrian continua perdido no meio dos seus demónios. Sobrava o André Silva que corria desalmadamente, que lutava, que criava, mas que continuava a pecar na finalização. Nesse aspecto Nuno tinha razão: faltava alguém para dividir esse fardo com o André. Jota pode ser esse elemento. 

Depois de uma estreia muito tímida no Dragão, tinha vindo a mostrar cada vez mais nas suas curtas oportunidades. Ontem explodiu, deixando água na boca para o que pode valer em dupla com André Silva. Trata-se de um jogador que já conheço há cerca de 3/4 anos quando o vi pela primeira vez a jogar a titular numa seleção portuguesa de sub19. E todos sabemos como é difícil jogar nas seleções jovens se não se está nos 3 grandes... Nessa altura era ponta-de-lança, mas foi a extremo que se destacou no Paços de Ferreira. Mas não um extremo clássico. Sempre foi mais um tipo Derlei/Lisandro, ou seja, um extremo apontado à baliza e com características de finalizador. Fiquei lixado quando soube que o íamos deixar fugir para o Benfica e julguei que isso se tinha concretizado quando apareceu no Atlético. Já sabemos o que são os negócios entre estes dois clubes e que estão sempre em dinâmicas de 'encontro de contas'... A verdade é que está cá, parece estar de corpo e alma e Nuno parece conseguir tirar bom rendimento dele nesta sua ideia de jogo, que finalmente me pareceu clara. Será, como muitos já dizem, um regresso às dinâmicas de Jesualdo Ferreira, que muitos apelidam de más, esquecendo que fomos tricampeões com o Professor. O problema aqui parece ser a gestão do jogo em vantagem. Por exemplo, num jogo que dominámos por completo, concedemos 7 cantos, só na primeira parte. Se esta frente de ataque se estabilizar, como esperamos, será esse o passo seguinte na evolução: conseguir tirar frutos de estar em vantagem e fazer jogos mais descansados.

Mas o jogo de ontem acabou por ser bem descansado. O resultado foi curto, num campo bastante difícil. Todos nos lembrámos da maldição recente da Madeira que parece estar definitivamente 'morta'. MVP óbvio para Diogo Jota, mas destaque ainda maior para o entendimento em dupla com André Silva. De um modo geral, todos estiveram bem, e posso destacar também os médios, nomeadamente, Danilo que teve muitas recuperações de bola adiantadas. Os centrais estiveram bem, apesar de terem inventado alguns passes no final. No final do jogo, perguntaram ao Jota se ele esperava passar a ser titular. Pergunta estúpida com resposta interessante. Disse que não esperava ser titular, da mesma forma que não esperava ir para a bancada se tivesse jogado mal. Adrian foi para a bancada, como Brahimi já tinha ido. Nesse aspecto, Nuno tem de fazer uma gestão mais equilibrada das escolhas, não sendo razoável ter jogadores nesta 'montanha russa de emoções'. Numa semana em que só tenho a elogiar, fica este pequeno reparo que é para não dizerem que só se critica quando corre mal.

Pausa para seleções e Taça... Haja paciência!