segunda-feira, 3 de outubro de 2016

JJJ


Se em Leicester surpreendeu a geral apatia que demonstrámos, mesmo contando com o assalto final que continuo a achar que foi auto-inflingido pela equipa inglesa, ontem a exibição do FCPorto surpreendeu pelo inverso.  Intensidade desde o primeiro minuto, luta por todas as bolas, enfim... Praticamente tudo o que se pede a uma equipa do FCPorto. Além disso exibições, quase todas acima da média, quer dos jogadores, quer de Nuno Espírito Santo.

Comecemos por aí. Nuno fez duas alterações na equipa e, com isso, parece ter mudado tudo para melhor. Nota máxima, portanto. Conceptualmente já sabem que tenho preferências para o meio campo e que, nem Herrera nem Danilo, cabem nas minhas preferências. Mas é um facto que André André estava com dificuldade em adaptar-se ao papel que Nuno lhe estava a confiar. Herrera jogou melhor do que o que André2 vinha jogando, mas mantenho cepticismo quanto a esta opção, porque foi apenas um jogo. E todos sabemos que não se sabe o que se pode esperar de Herrera, visto que ele oscila facilmente entre o óptimo e o péssimo. O mesmo não poderei dizer quanto a Jota e à dupla que formou com André Silva.  Esta dupla presença criativa de Oliver e Otávio, estava a esbarrar com a indefinição na frente de ataque. Depoitre pede jogo directo, Corona e Brahimi pedem bola no pé e Adrian continua perdido no meio dos seus demónios. Sobrava o André Silva que corria desalmadamente, que lutava, que criava, mas que continuava a pecar na finalização. Nesse aspecto Nuno tinha razão: faltava alguém para dividir esse fardo com o André. Jota pode ser esse elemento. 

Depois de uma estreia muito tímida no Dragão, tinha vindo a mostrar cada vez mais nas suas curtas oportunidades. Ontem explodiu, deixando água na boca para o que pode valer em dupla com André Silva. Trata-se de um jogador que já conheço há cerca de 3/4 anos quando o vi pela primeira vez a jogar a titular numa seleção portuguesa de sub19. E todos sabemos como é difícil jogar nas seleções jovens se não se está nos 3 grandes... Nessa altura era ponta-de-lança, mas foi a extremo que se destacou no Paços de Ferreira. Mas não um extremo clássico. Sempre foi mais um tipo Derlei/Lisandro, ou seja, um extremo apontado à baliza e com características de finalizador. Fiquei lixado quando soube que o íamos deixar fugir para o Benfica e julguei que isso se tinha concretizado quando apareceu no Atlético. Já sabemos o que são os negócios entre estes dois clubes e que estão sempre em dinâmicas de 'encontro de contas'... A verdade é que está cá, parece estar de corpo e alma e Nuno parece conseguir tirar bom rendimento dele nesta sua ideia de jogo, que finalmente me pareceu clara. Será, como muitos já dizem, um regresso às dinâmicas de Jesualdo Ferreira, que muitos apelidam de más, esquecendo que fomos tricampeões com o Professor. O problema aqui parece ser a gestão do jogo em vantagem. Por exemplo, num jogo que dominámos por completo, concedemos 7 cantos, só na primeira parte. Se esta frente de ataque se estabilizar, como esperamos, será esse o passo seguinte na evolução: conseguir tirar frutos de estar em vantagem e fazer jogos mais descansados.

Mas o jogo de ontem acabou por ser bem descansado. O resultado foi curto, num campo bastante difícil. Todos nos lembrámos da maldição recente da Madeira que parece estar definitivamente 'morta'. MVP óbvio para Diogo Jota, mas destaque ainda maior para o entendimento em dupla com André Silva. De um modo geral, todos estiveram bem, e posso destacar também os médios, nomeadamente, Danilo que teve muitas recuperações de bola adiantadas. Os centrais estiveram bem, apesar de terem inventado alguns passes no final. No final do jogo, perguntaram ao Jota se ele esperava passar a ser titular. Pergunta estúpida com resposta interessante. Disse que não esperava ser titular, da mesma forma que não esperava ir para a bancada se tivesse jogado mal. Adrian foi para a bancada, como Brahimi já tinha ido. Nesse aspecto, Nuno tem de fazer uma gestão mais equilibrada das escolhas, não sendo razoável ter jogadores nesta 'montanha russa de emoções'. Numa semana em que só tenho a elogiar, fica este pequeno reparo que é para não dizerem que só se critica quando corre mal.

Pausa para seleções e Taça... Haja paciência!

5 comentários:

miguel87 disse...

"Será como muitos já dizem um regresso às dinâmicas de Jesualdo Ferreira, que muito apelidam de más, esquecendo que fomos tricampeões com o Professor."

Não me esqueço que fomos Tetra campeões (e não tri), apesar de só os 3 últimos terem sido com o Prof., da mesma maneira que não esqueço o nivel miserável dos adversários directos nessas épocas. Se benfica e sporting estivessem na altura ao nivel que estão hoje, o Prof. só não tinha sido tri-terceiro classificado, porque tinha ido embora logo no final da primeira época... época essa em que ganhou o campeonato in-extremis, na última jornada, a jogar em casa com o despromovido Aves, à pála de um tal Lisandro Lopez, que só mais tarde ele viria a descobrir que era ponta de lança e não extremo esquerdo, posição onde o andou a empatar durante muito tempo.

Só faço este pequeno reparo que é para não dizerem que só se critica quando corre mal. :)

prata disse...

Lembro-me da tua opinião na altura. Não te poderei acusar de andares ao sabor do vento... :)

Apenas digo que é diferente, mas não é necessariamente mau. Se dizes que Benfica e Sporting eram fracos na altura, que dizer do FCPorto na última época e na de Paulo Fonseca? Foi só demérito nosso? Julgo que não. É que o investimento não tem diminuído. Isto é sempre relativo e é mais fácil fazer contas ano a ano.

Os melhores anos de Lucho e Licha foram com o Professor, a título de exemplo. Como digo, não é necessariamente mau, desde que funcione como funcionou no sábado. É cedo para concluir algo. Veremos.

reine margot disse...

miguel87,
1) o jesualdo podia não ter uma ideia de futebol bonita, mas era perfeito a fazer evoluir os jogadores. Ninguém me pode convencer do contrário: a equipe maravilha do AVB foi-o com muita colaboração e trabalho que ficou feito pelo Jesualdo !!!

2) O nível dos adversários é sempre uma questão relativa, se estivermos para aí virados vai ser difícil dar valor a qualquer conquista;
ou ainda, se você se chega à frente numa corrida porque os gajos que iam à sua frente furaram, arrebentaram , se incendiaram, não vai deixar de recolher os louros !

Lamas disse...

Apenas para dizer que "rasguei" bastante quando vi que o Jota ia ser titular... não tinha gostado da atitude dele nos minutos que tinha jogado até então, essencialmente a esse nível, atitude... um puto tinha que ter mostrado mais, mais vontade, mais garra, etc, etc... mas prefiro assim, "enfiar a minha viola no saco"... mais do que atitude, a estatística não engana... hattrick na primeira parte e na estreia a titular deve ser caso único... pelo menos no nosso clube não me lembro de alguém já ter feito isto...

Silva disse...

Melhor exibição da época, a única com a intensidade, organização e alguma dinâmica colectiva (ofensiva e defensiva). Concordo com tudo, creio que as escolhas iniciais e a concentração e intensidade dos jogadores são razões que justificam a diferença. Espero é que haja trabalho semanal para consolidar e desenvolver processos (não podemos ser tão recuados e passivos a defender e ter os laterais a cruzar a 20 metros da linha de fundo como estratégia para o golo). Aqui reside a diferença quanto aos comentários de comparação a Jesualdo Ferreira: podemos não adorar a ideia de jogo do Prof., mas e inegável a competência que permite que a equipa tenha processos e apresente competitividade para estar na luta até ao fim. Quanto ao trabalho e de volição dos jogadores não me recordo de melhor técnico a potenciar o crescimento (até físico) dos jogadores. O próprio Licha de quem se falou acima. A integração dos jogadores sul americanos e a evolução de outros era competente. Repito, goste-se ou não do modelo. Tenho a mesma opinião geral em relação a VP, por exemplo. Não era especial fã do futebol jogado, mas defendíamos como poucos e éramos obsessivamente bem posicionados no campo. O contrário pode ser dito de Paulo Fonseca e Lopetegui: ambos tinham uma ideia de jogo, mas nunca foram capazes de ser verdadeiramente competitivos com essas ideias que ficaram sempre aquém no campo, apesar de boas em teoria. Para quem discordar relembro que com Lopetegui os clássicos foram sempre sofriveis (por oposição a VP), mostrando que quando a diferença de qualidade individual não prevalecia por si, a equipa tinha muitas dificuldades em se impor no campo a queriar perigo e a um aflitivo posicionamento e instruções defensivas. A questão para Nuno é essa: consegue agarrar uma dinâmica, estabilizar um onze e fazer melhorar dinâmicas (e com isso jogadores), ou persiste em treinar como sempre treinou e não é capaz de se adaptar a jogadores, contexto e exigência diferentes? Racionalmente tenho dúvidas, mas o adepto acredita sempre.