segunda-feira, 19 de março de 2018

Mini Férias


A partir de certa altura, com o acumular de lesões em jogadores nucleares, esta pausa para as selecções tornou-se quase numa miragem. Via-se vagamente no horizonte, mas nunca mais chegávamos lá... Por várias vezes se discutiu a importância de chegar em vantagem a esta pausa. É certo que seria melhor se a vantagem fosse de 5 ou de 3 pontos, mas são 2 e, se chegam para vencer no final, são suficientes para nos dar segurança. É que o nosso mais direto perseguidor também tem de lidar com um perseguidor que está bem perto e que, por sua vez, também tem de lidar com um Braga que já nada tem a perder. Já fez a sua época e agora tudo o que vier é lucro. Há pressão que chegue para os três da frente... Ora estes 15 dias, começam com uma folga de três dias após a qual começaremos a preparar o ataque final à Liga e à Taça com 2 ou 3 reforços de peso: Soares, Alex Telles e Danilo. Começam também com boas notícias das Selecções portuguesas. Um convocado nas equipas A e B garantem repouso merecido a Ricardo e Sérgio Oliveira. Bem precisam. A Selecção também precisa deles, mas só se irá notar lá para o fim da fase de grupos no Mundial da Rússia...

Vamos ao jogo. Comecemos pelo mais importante. Conseguimos os 3 pontos com relativa segurança mas sem uma grande exibição. Digo que não foi uma grande exibição porque o ponto de referência que este FCPorto tem dado, nos jogos em casa, é o do domínio avassalador com goleada. Além disso tem feito sempre grandes reacções às derrotas. Ora a goleada poderia ter acontecido, mas o domínio avassalador não se notou. Desta vez a entrada forte resultou em apenas um golo e foi-se esmorecendo aos poucos até que, no final da primeira parte já nem estávamos claramente por cima. A segunda parte começou com a mesma tendência e só mudou com a entrada de Oliver. É certo que marcámos o segundo golo, pouco depois, mas pareceu-me que já tinha mudado alguma coisa antes. 'Wishful thinking' talvez... A partir daí dominámos por completo e o terceiro golo parecia inevitável. Mas foi porque voltámos a falhar um penalti. Mais uma coisa para ir treinando nestes 15 dias... Em suma, vitória clara segura que era o mínimo que se exigia. Não goleámos e isso permitiu ao treinador do Boavista, como ao do Tondela, dizer que esteve bem e que discutiu o jogo. Algo ridículo para quem viu o jogo, mas que permite transmitir uma mensagem eficaz para quem só vê os títulos dos jornais ou os resumos no telejornal.

Individualmente, dou o MVP a Ricardo. Começou por fazer de Marega, depois fez de Corona e acabou a fazer de Ricardo.  Até podia ter feito de Brahimi ou de Alex Telles. É uma polivalência mas que tem pouco de Caneira. Basta ver que fez melhor que Waris e Corona no último jogo... Ricardo tem demonstrado efectiva utilidade e rendimento alto em todas as posições que tem ocupado ao longo da época. A sua não convocação para a Selecção, por muito que nos descanse quanto ao repouso que precisa, não deixa de ser bastante ridícula. Notas altas para Herrera que fez muita falta na semana passada, para Felipe que marcou e para Aboubakar e Maxi. Gostei bastante da entrada de Oliver. Primeiro serenou o jogo e depois pôs a equipa a jogar. Pela negativa, Dalot e Otávio não estiveram ao seu nível. Esperava mais das entradas de Gonçalo e Corona numa altura em que podíamos partir para a goleada.

Com a pausa, pausamos nós aqui também. Até daqui a 15 dias.

domingo, 11 de março de 2018

Foi-se a almofada


Custa perder a vantagem e custa deixar 3 pontos em casa do penúltimo. Mas, se conseguimos uma vantagem, serve exactamente para estes jogos. A almofada serve para jogos em que nos faltam 4 (!?) titulares, em relvados impraticáveis, com condições meteorológicas hiperadversas e com Paixão no apito e Xistra no VAR. É para estes jogos e para estas eventualidades que se deve construir vantagens. É certo que poderia ter sido diferente, mas não há motivo para alarmes. 

Ainda assim, a redução da nossa vantagem torna ainda mais importante a detecção de alguns erros e algumas coisas que não correram bem. Comecemos pela primeira parte que fez lembrar o que tinha acontecido no Estoril. Muito amorfa e com menos intensidade que o adversário. Não ajudou o facto de faltar Herrera no meio campo, já que ele, na ausência de Danilo, tem sido o nosso grande motor no arranque das partidas. Ainda assim, esperava-se muito mais até porque além de a entrada forte ser algo marcante na nossa matriz de jogo, este relvado e as condições meteorológicas aconselhavam a que se tentasse resolver o jogo o mais cedo possível. Outro factor que não ajudou foi o modelo de jogo. Sérgio Conceição projectou o jogo nos moldes habituais, apesar de termos interpretes diferentes. Tal veio a confirmar-se como um erro. Um meio campo a dois não é a mesma coisa sem o poder físico de Danilo ou Herrera. Os primeiros minutos de jogo perderam-se nessa luta a meio campo. Ora quando o meio campo não funciona, temo-nos safado através dos lançamentos para Marega. Mais uma vez, não é a mesma coisa ter lá Marega ou Waris. Aliás, Waris ainda não provou ser alternativa em qualquer das posições que jogou, seja a ponta-de-lança, seja a avançado mais móvel, seja a extremo. Confesso que no fundo do meu ranking de alternativas, foi ultrapassado por Hernani, e isso é o pior 'elogio' que lhe poderia fazer... Em suma, Sérgio tentou jogar da mesma forma perante condições e opções diferentes. É certo que já vimos isto funcionar várias vezes este ano, mas também já vimos esta estratégia falhar redondamente, como na primeira parte do Estoril. Estou cada vez mais convencido que os jogadores fazem a táctica e não o contrário. Haverá excepções por esse mundo fora, mas não com estes jogadores.

A partir do momento que sofremos o golo o jogo mudou. Sérgio Conceição queixa-se do baixíssimo tempo útil de jogo e tem razão, mas é certo que nós também passámos a jogar sem cérebro e isso custou-nos uma série de oportunidades falhadas e uma série de faltas desnecessárias. Conseguimos ter oportunidades suficientes para virar o jogo, mas não estivemos inspirados na concretização. Há jogos assim. Até nos demos ao luxo de falhar um penalti. Podemo-nos queixar da falta de prática e podemo-nos queixar de Brahimi. Mas convém reforçar aqui que o nosso mágico não foge das suas responsabilidades, ao contrário do marcador de penaltis que estava pré-designado e que não quis marcar.

Quando foi anunciada a equipa de arbitragem tememos o pior. Acabo com a sensação que poderia ter sido pior. Já sei que parece haver falta sobre Corona antes do golo e já sei que Paixão apita demasiado e que fez uma gestão ridícula do tempo útil de jogo. Mas insisto que esperava pior e até acho que não foi por aí que perdemos.

Individualmente, não tivemos grandes exibições. Dou o MVP a Felipe que conseguiu o penalti que nos poderia ter colocado na luta pela vitória. Aboubakar foi conseguindo ligar o nosso jogo, mas falhou um golo que não pode falhar. Brahimi inventou grande parte das nossas jogadas mais perigosas e os laterais conseguiram cruzamentos que mereciam melhor sorte. Gonçalo foi o que trouxe mais do banco, ainda assim pouco. Notas negativas tenho várias. Desde logo, para Sérgio Conceição pelas razões acima. Nota bastante negativa para o outro Sérgio. Sem Herrera, teve uma noite para esquecer. Nem nas bolas paradas fez esquecer o Alex Telles... André André também não ajudou muito. Waris, muito menos. Estas duas substituições foram demasiado tardias. Hernani... Só quando os jogos estiverem decididos é que pode entrar.

É apenas a primeira derrota. Teria sido importante chegar ao Boavista com os cinco pontos de vantagem. É que se seguem quinze dias de jogos de selecções que são mais duas semanas para recuperar os nossos lesionados... Jogaremos mais uma vez, conhecendo o resultado do nosso maior adversário. Temos de agarrar esta liderança!

domingo, 4 de março de 2018

Mais um passo


Foi muito importante a nossa vitória de sexta-feira! Ter uma vantagem de 5+8 é crucial nesta altura e, neste momento, só a recente instabilidade nas opções disponíveis é que pode perigar esta nossa arrancada até à vitória final. Neste mesmo jogo, voltámos a sofrer com o 'elevado grau de síndrome lesional' de que falava o médico da Seleção Nacional no último Mundial. Marega saiu logo após mais uma das suas arrancadas, que deveriam ter acabado com o jogo mais cedo. Não marcámos, logo sofremos... É a regra. Mas o sofrimento final está longe de retirar mérito à exibição, ao contrário do tenho lido e ouvido. O jogo foi muito equilibrado. Não se esperaria outra coisa. Não fossem as imensas ausências e até poderia esperar algo diferente. Neste estado do nosso onze, sem Danilo, Alex e Ricardo e com dois miúdos a fazerem a estreia em clássicos, e com as ausências no adversário, não esperava outra coisa que não um jogo equilibrado e com mais oportunidades do que os anteriores. 

Mas foi rápido o processo que transformou um jogo equilibrado num jogo em que o Sporting mereceu ganhar. É curioso perceber como rapidamente, duas oportunidades de golo perto do final mudam a percepção geral. É tão fácil ter memória selectiva. Estou neste momento a ver o Gobern (tantos sportinguistas que havia na sexta-feira...) a dizer que o Sporting esteve melhor em todos os capítulos da estatística, incluindo o número de oportunidades de golo. Mas a própria citação desses números adgvoga muito melhor o equilíbrio do que a superioridade de uma das equipas. Além de que esta coisas das oportunidades não ser propriamente estatística, dada a óbvia subjectividade. Há ali muita 'vontade do freguês'... Desde logo, às vezes não considerámos que os golos são oportunidades de golo... Eu até posso fazer as minhas contas. O FCPorto tem os dois golos e tem mais três pelo Marega (de cabeça ao poste, isolado pelo Gonçalo na direita e isolado por Aboubakar no lance em que se magoa) e um remate à malha lateral de Gonçalo. Já o Sporting tem o golo, uma pelo Doumbia em que Marcano ajuda, outra pelo Montero negada pelo Iker, outra pelo Ruiz ao poste e a final pelo miúdo Leão. Eu até conto mais do FCPorto. Só se quisermos contar a do suposto penalti. De facto, é muito perigoso e, se fosse o Marega, eu ficava lixado por ele ter preferido atirar-se em vez de rematar, visto que estava numa posição privilegiada. Se a contarmos temos 6-6. Mais uma vez equilíbrio. E recordámos que este jogo era a última oportunidade do Sporting para se meter na luta. Foi perfeitamente natural o pressing final e o nosso recuo.

Por falar em memória selectiva, tenho ouvido e lido que os sportinguistas falam em campo inclinado. Mais uma vez, pegam num lance e ignoram tudo o resto. Para quem considera que houve penalti de Dalot, recomendo que analisem a acção de Ruiz sobre Brahimi no lance que resulta no empate. Falta óbvia por empurrão. É de referir que eu consideraria que era penalti se fosse sobre o Marega e esse é normalmente o meu 'teste do algodão'. Ainda assim, acho que Doumbia, apesar do toque, continuava em posição de marcar e que devia ter rematado. Preferiu atirar-se e ficou sem golo e sem penalti. Recomendo também que analisem a mão de Mathieu que impede Marega de se isolar. Já sabemos que, pelas regras, não seria mais que amarelo porque não tinha a bola controlada, mas é um facto que ele estava sozinho. Por último, recomendo que me tentem explicar porque é que as judiarias do caxineiro (cachineiro) parafinado continuam a passar incólumes. Se expulsa os bombeiros, e bem,porque é que não lhe dá amarelo? De facto o campo inclinou bastante...

Continuando, confesso que esperava mais do FCPorto. Apesar das ausências, estava convencido que iríamos aproveitar melhor o desespero classificativo do Sporting. Raramente o fizemos. Se as estatísticas demonstram equilíbrio, eu diria que também equilibrámos em nervosismo e eu não esperava isso. Que a vitória nos dê a segurança que precisámos para os próximos tempos. Este FCPorto vai terminar a temporada sem aprender a controlar o jogo, a não ser através da marcação de golos. Pela forma como nos corre a época, isto não parece importante, mas é nestes jogos que se nota mais. Nestas alturas Sérgio devia apostar mais em jogadores que escondem a bola do que os que procuram a vertigem. Raramente o faz e, neste jogo, sofremos calafrios desnecessários, quer pela matriz habitual da equipa, quer pelas opções de Sérgio que não procuram acalmar as coisas. Porque não trocar Otávio por Oliver? É que, sem Danilo, os nossos médios são especialistas em desposicionamento... Outro dos factores que foi intranquilizando a equipa foram as oportunidades desperdiçadas e aqui destaco dois jogadores. Marega vai terminar o campeonato com mais golos claros desperdiçados do que os que Jonas vai marcar. Nada de muito grave visto que Marega vai marcar mais de 20... Mas nestes jogos isso nota-se mais e dá cabo do coração dos adeptos. O outro jogador que destaco é Corona. As trapalhadas de Corona tiraram-nos a tranquilidade que deveríamos ter tido no final. Com a agravante de ter acabado todas as jogadas, em que apareceu isolado na direita, sem finalização. De facto, mais valia ter entrado Oliver no seu lugar...

Individualmente, por exclusão de partes, escolho Gonçalo Paciência para MVP. Enquanto esteve em campo esteve em todas as nossas oportunidades de golo com a excepção do golo de Marcano. Conseguiu segurar a bola inúmeras vezes apesar das cargas constantes que sofreu e teve tempo de assistir para o golo da vitória. Grande estreia a titular! Concordo com o Sérgio quando diz que ele deveria ter feito aquilo mais vezes. Mas também gostaria que ele aplicasse essa exigência e espírito crítico a outros colegas... Por exemplo, Marega... Por falar no Maliano, teria o MVP se marcasse apenas uma das suas três oportunidades de golo. Como falhou todas... Outro jogador que teria condições para ser MVP foi o Marcano. Mas o erro que permite que Doumbia se isole é muito grave  mancha o resto. Também me parece que não devia ter 'saltado' da linha no lance do golo sofrido, mas a recuperação lenta de Herrera também não ajudou... Dalot esteve bem ofensivamente mas teve naturais dificuldades a defender quando teve de se juntar aos centrais. Brahimi continua a perder bolas mas continua a ser o nosso único jogador com capacidade de a reter com qualidade. Os adversários apercebem-se disso e tentam cercá-lo, às vezes com sucesso. De resto, não tenho mais destaques. Apenas queria referir que não veio grande ajuda do banco. Corona foi um desastre e Reyes veio a tempo de ter uma das suas paragens de cérebro quando simplesmente decide deixar de marcar Rafael Leão, no lance que poderia ter resultado no empate.

Vitória saborosa, mas não foi uma afirmação de força como as anteriores. Espero que em Paços voltemos aos 'statements'!

Na próxima terça-feira, os basculantes vão estar no mítico Anfield a apoiar a equipa do FCPorto e não haverá crónica no dia seguinte. Espero que o FCPorto possa poupar grande parte dos seus titulares. Há que perceber que estamos a perder um titular por jogo devido a lesões... Não há aqui honras e orgulhos, a nossa luta é outra!