quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Fora de jogo


Os tipos da SIC tiveram dificuldade em notar, mas é claro que acabámos por perder o jogo num lance em fora de jogo. Mas será que chegámos a estar dentro do jogo? Julgo que não. Vou ser claro: para mim acabou o período de 'namoro' com Peseiro. Dou sempre o benefício da dúvida mas, neste caso, vai ser mais curto. Isto apesar de o resultado penalizar demasiado a nossa exibição, seja por decisões do árbitro seja por falta de concretização em dois ou três lances.

Para mim as opções do treinador nesta eliminatória foram más e não se adequam ao que se exige ao FCPorto numa competição europeia. Todas as opções de Peseiro resultam de um principio de que não poderíamos passar a eliminatória sem mudar o nosso jogo e a nossa maneira de jogar. Por isso, apresentámos a atitude submissa em Dortmund e por isso é que entrámos ontem em campo com duplo pivot, sem Brahimi, sem André e sem Herrera. Outro exemplo gritante do temor que tínhamos ao Dortmund é a opção por Layun a central. É certo que tivemos uma razia na defesa que não é responsabilidade do treinador. A questão é que, para responder a limitações do plantel, limitámos o jogo ofensivo da equipa privando-a do jogador com mais cruzamentos e com mais assistências para golo. Tendo de ganhar por 2-0, para mim é inexplicável. Depois, tirando Brahimi, depois de tirar Corona da equipa, assume-se que não queremos ter bola, nem capacidade de improviso nas alas. Ficámos apenas com jogadores que procuram movimentos quase em linha recta à baliza ou à linha, sem rasgo e com o único objectivo de  cruzar ou ganhar cantos. Assim, Evandro passou a ser o único com qualidade para receber em zonas avançadas de terreno e foram inúmeros os casos em que perdemos a bola nessas condições, o que fez com que se passasse a procurar preferencialmente o jogo longo. Parece-me uma concepção de jogo pobre.Acabámos por criar perigo porque a equipa entrou com vontade e conseguiu ganhar algumas bolas em tentativas de pressão alta. Mas tendo ganho a bola mais facilmente, perdemos em qualidade na definição. Ainda assim, as jogadas de perigo resumiram-se a isso e a algumas bolas paradas. E convém dizer que o golo também surge de uma tentativa falhada de pressão. Danilo, que foi o MVP, sai da posição, não intercepta a bola e deixa nas costas uma situação de 4 para 3. A defesa terá de se habituar porque parece que vai acontecer constantemente...

Além das opções de equipa pequena de Peseiro, o que se retem desta eliminatória é uma contradição que temos no plantel. Por um lado temos o Suk, o Marega e o Varela que têm vontade mas que não têm qualidade para este nível de competição. Suk que tão bem jogou no Domingo, ontem voltou a tropeçar numa toupeira quando tinha tudo para finalizar. Marega tem pormenores técnicos assustadores e Varela continua incapaz de dominar uma bola sem que ela 'pinche dois metros'. Por outro lado, os que parecem ter melhores condições técnicas, como Corona, Brahimi e Aboubakar, perdem-se em disparates ou em individualismo. O toque de calcanhar de hoje do Aboubakar é ridículo. Assim torna-se difícil para Peseiro optar. O ideal é dosear. Jose Angel é um jogador que não deveria estar no plantel, muito menos a jogar nestes jogos. Ainda bem que Casillas continua em boa forma.

Foco no campeonato. É o que resta...

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Aflição


Digam o que disserem de Peseiro, não nos podemos queixar de falta de emoção! Parece que não há meio termo. A distância entre a linha defensiva e o resto da equipa ou é de centímetros ou é de quilómetros. Depois dos centímetros de Dortmund tivemos ontem diversas clareiras nas costas do nosso meio-campo que fizeram com que a defesa e mais concretamente o miúdo Chidozie, sucumbissem perante o à vontade dos avançados contrários. Ultimamente, desde que Lopetegui deixou de ser o culpado de todos os males do universo, temos procurado incessantemente por culpados. Seja o árbitro e o Maicon no Arouca, seja o Brahimi que não passa a bola, o Aboubakar que falha muitos golos ou a SAD que permitiu que se chegasse a esta fase da época sem centrais e com a necessidade de pôr Layun nessa posição. Ontem é fácil apontar o dedo a Chidozie. De facto, sobretudo no primeiro golo, tem uma abordagem ridícula e quase que apontou o avançado contrário no caminho da baliza. Mas convém que nos comecemos a concentrar na nossa incapacidade de apresentar um futebol equilibrado. Já levámos oito jogos de Peseiro sem que se veja qualquer evolução no processo de transição defensiva. Ele dirá que neste período não teve tempo para treinar. Eu direi que foi ele que resolveu mudar tudo de uma vez só...

Valeu a reacção da equipa. É complicado estar a perder por dois quando, no jogo anterior com o Arouca, nem conseguimos recuperar uma desvantagem de um golo. Valeu aquele golo na primeira parte num penalti simpático (eu continuo a achar que há penalti antes sobre Brahimi mas ainda não arranjei um portista que concorde comigo...) e valeu Casillas no início da segunda. Outro factor importante foi a entrada de Suk no onze. Há jogadores que têm um coração e uma entrega que fazem com que pareçam melhores jogadores do que os pés parecem indicar. Suk é um deles, como era Derlei e como é André André. São jogadores que empolgam a equipa e que mantém os adversários sempre em alerta. Poderão ter reparado que estivemos a perder por 0-2 e Aboubakar nem entrou em campo. De facto não era preciso e não se surpreendam se o virem no banco na quinta-feira. Na transição defensiva, nos dois golos poderão reparar na intensidade com que Danilo no primeiro e Herrera no segundo, abordam a necessidade de recuar em auxílio à defesa. Assim não há milagres e mesmo que em vez de Chidozie lá estivesse Indi ou Marcano ou Mangala ou Otamendi, arriscamo-nos a sofrer na mesma.

Individualmente dou o MVP a Casillas. Tal como no jogo com o Arouca, achei que a equipa entrou muito mal na segunda parte e foi Casillas que nos manteve no jogo com duas excelentes defesas. Parece que ganhou nova vida com as aflições deste esquema de Peseiro. Outro candidato a MVP era Suk. Aboubakar que se cuide. Layun Maxi e Brahimi oscilaram um pouco durante o jogo mas têm nota positiva. Pela negativa, obviamente Chidozie. Está ligado aos dois golos sofridos. Espero que isso não signifique que seja proscrito. É um jogador com um potencial invulgar e que deve ser trabalhado na equipa principal. Voltei a não gostar de Corona e a entrada de Marega não foi melhor. Evandro parece ter ajudado Peseiro a encontrar o meio-campo a apresentar na quinta-feira e que deverá ser o que entrou na segunda parte.

Já sabemos que não é impossível na quinta. Andará lá perto. Eu lá estarei para mais uma 'remontada'.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Moribundos


Se o jogo de sexta-feira nos deixou 'vivos' quanto à luta pelo campeonato, o jogo de ontem deixou-nos vivos, mas num estado muito frágil. É bem provável que sejamos já eliminados das competições europeias. Só não seremos se fizermos uma exibição portentosa. Uma exibição a um nível que ainda não vimos esta época nem com Lopetegui, nem com Rui Barros e nem com Peseiro. Dirão que era difícil ter feito melhor por causa das limitações dos castigos e das limitações do plantel ao nível de centrais. Eu concordo que é parte do problema, mas não me fico por aí. 

Mesmo com as limitações vi desempenhos muito fracos de alguns jogadores e sobretudo de Peseiro. Dá a ideia que tudo que era elogiável no jogo de sexta-feira descambou para o oposto no jogo de hoje. A única excepção será Casillas que voltou a fazer bem o seu papel. Comecemos pela atitude competitiva. Na sexta-feira, Peseiro apresentou uma equipa ambiciosa e com ideias de criar problemas ao adversário. Hoje, obcecado com o controlo da profundidade de Reus e Abeumayang, apresentou uma linha defensiva tão recuada que minou por completo a nossa capacidade de criar perigo. Antes do segundo golo tínhamos feito um único remate à baliza. É deprimente! Brahimi e sobretudo Marega, mais pareciam segundos laterais deixando um espaço enorme para que a linha recuada do Dortmund avançasse e que, por exemplo, Hummels pudesse jogar a médio e que o lateral esquerdo passasse a extremo. De facto, tínhamos limitações e é claro que a estratégia passava por adiar a decisão para o Dragão, mas não justifica que abordássemos o jogo com esta táctica à 'Mário Reis'. Houve 'ambição zero' e isso não é o FCPorto. Basta ver que os jogadores que entraram no final, com a necessidade de correr atrás do resultado, causaram mais mossa que os outros em 75 minutos. É um indicador de que a falta de ambição nos condicionou e nos impediu de trazer um resultado melhor e com golos. Fiquei com a sensação que a única coisa que nos salvou do resultado de Munique de há um ano, foi o simples facto de que o Dortmund resolveu não 'carregar muito' por haver uma segunda mão. É que sempre que eles aceleravam criavam problemas, mesmo com os nossos onze jogadores na nossa área. Aceito maus resultados e este não é nenhuma tragédia. Não aceito que se tome a derrota como assumida e se faça apenas um jogo para contenção de danos.

E depois as opções inexplicáveis de Peseiro. A opção Chidozie foi elogiada, não só porque o miúdo se saiu bem. Eu valorizei mais o facto de não se mudar o esquema, de não se fazer adaptações e de mantermos Danilo na sua posição no meio-campo. Pois hoje fez-se o contrário. Uma ausência de um central fez com que se jogasse com dois jogadores adaptados. Estou a falar da opção de Layun a central, que nos fez perder o nosso lateral mais ofensivo e mais decisivo ao nível das assistências. Comprometeu a central? Não me parece, mas relembro que a nossa produção ofensiva foi miserável. Outra adaptação foi a de Varela a lateral direito. Sabemos que Varela é um extremo que defende bem. Mas o facto de defender bem como extremo não significa que o faça bem como lateral. A um lateral pedem-se outras coisas nomeadamente um bom controlo na distância com os centrais. Ganhámos um lateral sem rotinas e um extremo, Marega, cujo único conceito defensivo é encostar-se constantemente ao lateral e cuja qualidade na saída de com bola controlada é penosamente má. Em três opções, que são duas adaptações, tivemos parte da explicação da péssima exibição. Depois ainda tivemos a ausência de André do onze inicial o excessivo individualismo da maior parte dos jogadores da frente, especialmente Brahimi. Nota zero para Peseiro!

Individualmente, gostei das exibições de Casillas e de Indi. Herrera acabou por ser o mais esclarecido da frente mas não diria que tem nota positiva. Pela negativa Brahimi e Aboubakar estiverem muito abaixo de exigível. Marega parece-me um jogador sem categoria para estas andanças. Espero estar enganado. Ruben, estranhamente, esteve pior que Sérgio. Não gostei. Suk e Evandro trouxeram alguma coisa, mas já não dava. André não trouxe nada do banco.

Enfim, tal como na sexta-feira, o resultado foi melhor que a exibição. Mas na sexta-feira fizemos por merecer! Esperemos que na segunda-mão e já no Domingo se faça o mesmo.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Ainda vivos


No ano passado o jogo na Luz poderia valer o título. Nessa altura, pensei que seria pouco provável que houvesse uma outra visita a esse estádio em que estivesse mais desanimado 'a priori'. Pois este ano... Digam o que disserem das aflições por que passámos ao longo do jogo, ao contrário do ano passado, vimos uma equipa com mais vontade de ganhar do que medo de perder. E isso acabou por fazer a diferença. No passado tínhamos uma equipa tão amarrada ao seu mecanismo, que se desmoronava perante qualquer 'pedra na engranagem'. Este FCPorto sofre mais, mas também 'morde' mais. Vive num desequilíbrio constante e na sexta-feira isso valeu-nos a vitória, mas no Domingo anterior... Com isto pretendo dizer que o resultado foi saboroso, mas que não poderá ser motivo para grandes entusiasmos. Apenas significa que continuamos na luta.

O onze inicial ajudou a melhorar um pouco o meu ânimo. Ao contrário do ano passado, não abdicámos de nenhuma das nossas armas. Jogaram os quatro da frente e jogou o meio-campo que tem sido titular. A vitória era o único resultado que interessava e apresentámos um onze audaz. No entanto, a primeira parte não foi boa. Este novo FCPorto de Peseiro parte demasiado o jogo e deu a ideia que o adversário está mais habituado a este tipo de 'parada e resposta'. Na segunda parte, o jogo foi nosso. Já sei que permitimos 3 ou 4 oportunidades ao adversário, mas entrámos no jogo dominadores e a jogar no campo do adversário, que jogava em casa e que vinha de mais de 10 vitórias consecutivas. O golo apareceu e, a partir daí, foi mais fácil controlar o adversário. A dupla substituição de Vitória também ajudou.

Individualmente Casillas fez uma exibição tão boa, que passou a ser motivo de desculpa para o adversário. Como se não estivesse lá para isso. É caso para dizer: finalmente! Casillas esteve muito bem acompanhado por Danilo e Chidozie. Danilo tem vindo a ser dos melhores apesar de ainda ter muito a aprender sobre posicionamento. Quanto ao miúdo nigeriano, para quem não conhecia foi um grande cartão de visita. Entre amigos dizia-lhes que me parecia o novo Aloísio. Por muito talento que tenha, era um teste muito difícil e com tudo para correr mal. Que grande resposta! Pela negativa, Corona e Marega. Muito trapalhões.

Não há tempo para capitalizar esta vitória. Vem aí um adversário ainda melhor.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

O culpado


Primeiro foi o Jose Angel, depois foi o Maicon, no final até houve alguns adeptos ao meu lado, que se viraram para a tribuna presidencial. De facto, hoje demos um passo gigante para mergulhar numa deprimente serie de três anos consecutivos sem campeonato. E há que arranjar culpados. Os jogadores que são 'uma vergonha', o Lopetegui que deixou a equipa de rastos, os tipos da SAD que estão lá 'só para mamar', o Presidente que já não é o que era e que está mal aconselhado. Um 'fartote'! Para já Peseiro passa quase ileso às críticas, mas duvido que essa situação se mantenha se perder na Luz, como infelizmente se antecipa. Tudo isto são problemas, mas eu gostaria que nos focássemos na falta de soluções. É isso que me preocupa. A versão oficial sobre o que correu mal até agora, foi-nos dada por Pinto da Costa numa entrevista ao Porto Canal. A culpa era do treinador que ousou concentrar funções de manager, e que nos trouxe 'Ferraris' bons emprestados e outros que mais pareciam Fiats. Trouxe ainda um aborrecido futebol lateralizado. Ora, passado um mês, Peseiro já perdeu para a Taça da Liga e perdeu em casa para o campeonato. Se perder na sexta-feira vai passar a ter piores resultados que os que levaram Lopetegui, em quinze dias, do primeiro lugar até ao despedimento. Mas agora jogamos para a frente! De facto, temos muito para reflectir até ao final da época. Para procurar soluções é preciso admitir que há um problema. E não é um problema de treinador. É um problema de estagnação do modelo de clube, que nos trouxe tão bons resultados no pós-Mourinho, mas que já não funciona. Sobre isso falaremos em artigos futuros.

Jose Angel entrou no jogo 30 segundos demasiado tarde. Mas não convem esquecer que ele só jogou porque se decidiu que Maxi teria de limpar os amarelos neste jogo. Provou-se ser uma má decisão do treinador. Nesta altura é exagerado pensar que um jogo em casa é mais fácil do que um jogo fora. Maicon voltou a prejudicar a equipa e tem feito por merecer o seu lugar no banco. Mas convem dizer e reforçar que não foram só os erros individuais dos jogadores ou do fiscal-de-linha que decidiram o jogo. O problema está na falta de capacidade para lidar com as contrariedades. A falta de carácter que faz com que tenhamos de assistir à forma desleixada como voltámos do intervalo. Como se o mais difícil estivesse feito. Como se não tivéssemos assistido a quatro oportunidades de golo na nossa baliza na primeira parte. Acresce que, depois do segundo, tivemos quase meia-hora para virar o resultado. Tem de chegar! Estávamos a jogar em casa! Se Peseiro está a criar um esquema assumidamente arriscado, que o assuma. Quer aplicar um sistema que aproveita as zonas interiores e, após o segundo golo, o que fez foi retirar à equipa a capacidade de ligação ao ataque através das inexplicáveis saídas de André André e de Brahimi. Estas substituições só podem significar uma coisa: «Não funcionou à minha maneira. Agora estão por vossa conta! Abdico de chegar lá com táctica e organização». Não é isso que espero de um treinador do FCPorto. Propus aqui a substituição do anterior quando percebi que ele estava desnorteado. Pois o novo treinador não parece estar muito melhor...

Individualmente, não gostei de ninguém. Tudo o que foram boas indicações, foram apenas isso. Maicon e Jose Angel mancharam exibições, já de si fracas, com erros comprometedores. Casillas raramente tem sido um problema, mas também não tem sido uma solução, a não ser contra o Tondela. Já se pode dizer que se espera mais de um ex-campeão do mundo. O trio Doyen-Mendes da frente parece muito talentoso, mas não se mostra capaz de resolver problemas complicados. Para quê fazer mais? Se correr mal o empresário há de arranjar um Stoke para os meninos recuperarem a confiança. Falta fibra, falta raça, falta portismo! Herrera é sempre uma surpresa. Que Herrera vamos ter na luz? Um poço de força que empurra a equipa para a frente ou o jogador com tantas dificuldades técnicas que seria o último da minha lista de contactos para uma 'futebolada' entre amigos? Não sabemos. Ninguém sabe... Ao menos o Imbula era consistentemente mau. Facilitava a decisão do treinador.

Que FCPorto iremos ter na Luz? Ainda se lembram quando aquilo era o nosso salão de festas? Eu lembro-me e isso não me alegra nada. Viver do passado é para outros!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Pé no Jamor


Mais que um teste à evolução FCPorto de Peseiro e à tão falada adaptação ao novo sistema de jogo, o jogo de ontem foi também um primeiro teste às opções do mercado de inverno. Poderão ter notado que houve uma mudança de paradigma. O nosso foco de mercado foi claramente o de baixar a folha salarial. Saem Tello, Osvaldo, Cissokho e Imbula e entram Suk, Marega, José Sá e Rafa falhou perto do fim. Trocámos transferências falhadas provenientes de campeonatos estrangeiros, por jogadores que se destacaram no mercado nacional. 

Para já, nota-se diferença. Para melhor. Poderia temer-se que iríamos perder em qualidade individual. De facto, a bola não sente tanto carinho no pé de Suk ou Marega como sentia no pé de Tello, Osvaldo e Imbula. Mas, ao contrário do que acontecia com os 'craques', Suk e Marega dão tudo o que têm. Pelo menos ontem deram. Só isso não chega, mas é um bom começo e um claro antagonismo com os flops. Isto para nem falar de casos como André André ou Sérgio Oliveira que tiveram de batalhar muito mais para chegarem a este plantel e isso nota-se em campo. Mais dois jogadores que se destacaram no campeonato nacional e, ainda por cima, portistas. Este rendimento dos 'underdogs' deverá ser tido em consideração na próxima vez que os Doyen's e os Mendes deste mundo nos quiserem impor o seu menu. Os negócios de 40 milhões não poderão durar para sempre e já notámos que as margens são cada vez piores. Abram os olhinhos!

Quanto ao jogo, direi que perdoámos muito. A equipa pareceu ter facilidade em criar problemas ao Gil Vicente, mas foi falhando vários golos e isso acabou por empolgar o adversário e fez com que chegasse duas ou três vezes com perigo à nossa baliza. Duas delas foram 'ao ferro'. Parece mesmo que este FCPorto de Peseiro não vai primar pela segurança defensiva. O 3-1 e o 4-2 passarão a ser mais frequentes que o mero 1-0. Mas desde que signifiquem 3 pontos e não seja em casa com o Dortmund... 

Rúben Neves e sobretudo Danilo controlaram o jogo todo. Varela foi o que melhor fez a ligação ao ataque. Brahimi esteve mais trapalhão. Marega  teve uma estreia que começou por ser desastrada mas que acabou por ser boa. Teria sido melhor se, tal como aconteceu com Suk, o outro trapalhão, tivesse encontrado o caminho do golo. Destaque também para o excelente golo de Sérgio Oliveira. Pela negativa, Maicon continua a provar que está bem no banco.

Falta um jogo mas falta pouco.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Sinais de retoma


Peseiro chegou numa altura difícil. Vai ter estas sequências de jogo, depois treino de recuperação, depois dois treinos, novamente jogo e assim sucessivamente. Por isso é que as 'chicotadas' são a excepção e não a regra... E por isso é que as duas primeiras aparições do FCPorto de Peseiro geraram, pelo menos em mim, grande apreensão. Havendo este 'handicap' de termos poucos treinos, parece-me que se quer mudar tudo já. Chegámos a ouvir Peseiro a confessar que treinou o esquema de quarta-feira durante 20 minutos... Medo! Sem pré-época é sempre preferível uma evolução a uma revolução.

Mas temos tido uma revolução. Até no plantel. Limpámos os 'flops' Osvaldo e Tello e preparamo-nos para limpar Imbula. No Estoril vimos um sistema de jogo ainda mais marcado pela diferença. Até no desenho que me pareceu que passou a partir de um 4-2-3-1, com Herrera e Danilo a formar um duplo pivot e com os outros 3 de meio-campo a trocarem de posição entre si. Este médios procuram muito zona interiores abrindo espaço para a incorporação de Maxi e Layun, que voltaram a estar muito ofensivos. Passemos aos resultados evidentes. Por um lado, temos mais poder de fogo. Foram muitas e claras as oportunidades de golo. Só André André falhou três antes de marcar, entre outras. Uma delas foi por Aboubakar, mas nem quero lembra-me desse lance. Por outro lado, os calafrios na defesa passam a ter maior frequência. A equipa parece mais desequilibrada e tem sido frequente ver os jogadores adversários a receber entre-linhas sem grande oposição. Falta saber se se tratam de consequências de uma adaptação ao novo esquema ou se passaremos a ter de viver com isso em permanência. Não será um problema se continuarmos a marcar 3 ou 4 golos por jogo. A verdade é que, também aí, houve uma evolução em relação ao jogo com o Marítimo. Houve menos calafrios apesar do habitual golo de bola parada sofrido. Esperemos que se continue a notar em Barcelos e no Dragão com o Arouca.

Foi um jogo de boas exibições individuais. Gostei dos laterais. Maxi esteve melhor mas Layun foi mais decisivo nos golos. Gostei também de Marcano que voltou às boas exibições. Aboubakar esteve muito melhor do que nos últimos dois jogos. Ainda assim, conseguiu manchar a exibição com mais um lance inacreditável. Mas o melhor foi mesmo André André. Foi o jogador mais influente da equipa, esteve em dois golos e em quase todos os outros lances de perigo. Mas além disso tem aquela garra que se vê na foto. Tinha acabado de falhar um golo... É disto que precisámos. Com o regresso de André às grandes exibições, acredito mais na equipa e na capacidade de adaptação a Peseiro. Por muito que o treinador invente, há jogadores que até rendem à baliza. André André é um deles. Não tenho destaques pela negativa. Varela entrou muito desastrado, mas acabou por render. Apenas diria que fizemos um jogo de boa produção ofensiva e, para isso, nem precisámos de uma grande exibição de Brahimi ou de Corona. Indicador de que, com estes dois a render, só poderemos melhorar.