quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Moribundos


Se o jogo de sexta-feira nos deixou 'vivos' quanto à luta pelo campeonato, o jogo de ontem deixou-nos vivos, mas num estado muito frágil. É bem provável que sejamos já eliminados das competições europeias. Só não seremos se fizermos uma exibição portentosa. Uma exibição a um nível que ainda não vimos esta época nem com Lopetegui, nem com Rui Barros e nem com Peseiro. Dirão que era difícil ter feito melhor por causa das limitações dos castigos e das limitações do plantel ao nível de centrais. Eu concordo que é parte do problema, mas não me fico por aí. 

Mesmo com as limitações vi desempenhos muito fracos de alguns jogadores e sobretudo de Peseiro. Dá a ideia que tudo que era elogiável no jogo de sexta-feira descambou para o oposto no jogo de hoje. A única excepção será Casillas que voltou a fazer bem o seu papel. Comecemos pela atitude competitiva. Na sexta-feira, Peseiro apresentou uma equipa ambiciosa e com ideias de criar problemas ao adversário. Hoje, obcecado com o controlo da profundidade de Reus e Abeumayang, apresentou uma linha defensiva tão recuada que minou por completo a nossa capacidade de criar perigo. Antes do segundo golo tínhamos feito um único remate à baliza. É deprimente! Brahimi e sobretudo Marega, mais pareciam segundos laterais deixando um espaço enorme para que a linha recuada do Dortmund avançasse e que, por exemplo, Hummels pudesse jogar a médio e que o lateral esquerdo passasse a extremo. De facto, tínhamos limitações e é claro que a estratégia passava por adiar a decisão para o Dragão, mas não justifica que abordássemos o jogo com esta táctica à 'Mário Reis'. Houve 'ambição zero' e isso não é o FCPorto. Basta ver que os jogadores que entraram no final, com a necessidade de correr atrás do resultado, causaram mais mossa que os outros em 75 minutos. É um indicador de que a falta de ambição nos condicionou e nos impediu de trazer um resultado melhor e com golos. Fiquei com a sensação que a única coisa que nos salvou do resultado de Munique de há um ano, foi o simples facto de que o Dortmund resolveu não 'carregar muito' por haver uma segunda mão. É que sempre que eles aceleravam criavam problemas, mesmo com os nossos onze jogadores na nossa área. Aceito maus resultados e este não é nenhuma tragédia. Não aceito que se tome a derrota como assumida e se faça apenas um jogo para contenção de danos.

E depois as opções inexplicáveis de Peseiro. A opção Chidozie foi elogiada, não só porque o miúdo se saiu bem. Eu valorizei mais o facto de não se mudar o esquema, de não se fazer adaptações e de mantermos Danilo na sua posição no meio-campo. Pois hoje fez-se o contrário. Uma ausência de um central fez com que se jogasse com dois jogadores adaptados. Estou a falar da opção de Layun a central, que nos fez perder o nosso lateral mais ofensivo e mais decisivo ao nível das assistências. Comprometeu a central? Não me parece, mas relembro que a nossa produção ofensiva foi miserável. Outra adaptação foi a de Varela a lateral direito. Sabemos que Varela é um extremo que defende bem. Mas o facto de defender bem como extremo não significa que o faça bem como lateral. A um lateral pedem-se outras coisas nomeadamente um bom controlo na distância com os centrais. Ganhámos um lateral sem rotinas e um extremo, Marega, cujo único conceito defensivo é encostar-se constantemente ao lateral e cuja qualidade na saída de com bola controlada é penosamente má. Em três opções, que são duas adaptações, tivemos parte da explicação da péssima exibição. Depois ainda tivemos a ausência de André do onze inicial o excessivo individualismo da maior parte dos jogadores da frente, especialmente Brahimi. Nota zero para Peseiro!

Individualmente, gostei das exibições de Casillas e de Indi. Herrera acabou por ser o mais esclarecido da frente mas não diria que tem nota positiva. Pela negativa Brahimi e Aboubakar estiverem muito abaixo de exigível. Marega parece-me um jogador sem categoria para estas andanças. Espero estar enganado. Ruben, estranhamente, esteve pior que Sérgio. Não gostei. Suk e Evandro trouxeram alguma coisa, mas já não dava. André não trouxe nada do banco.

Enfim, tal como na sexta-feira, o resultado foi melhor que a exibição. Mas na sexta-feira fizemos por merecer! Esperemos que na segunda-mão e já no Domingo se faça o mesmo.

5 comentários:

miguel87 disse...

Ausência de André? Fui só eu que cheguei à conclusão que o homem não tem capacidade fisica para fazer 2 jogos por semana?
Mais ninguem reparou que depois do arranque de época pujante e do regresso da malfadada ida à seleção o homem nunca mais foi o mesmo?
O incomodo é que agora já não está cá o Lopetegui para servir de desculpa, a dizer que andavam pegados, e que havia castigos, etc...

prata disse...

Se joga 30 minutos joga pelo menos os 45 iniciais. Tinha-se poupado o Sérgio, que pouco tem jogado, a uma estreia a titular logo num jogo destes.

Mais uns joguinhos como este e esses convenientes 'rumores' voltam a aparecer.

prata disse...

E faltou dizer que a arbitragem foi bastante simpática para o FCPorto.

miguel87 disse...

Sim, o Varela levar vermelho não era exagero nenhum... até nisso a nossa sorte tem mudado!

Anónimo disse...

Prata, com todo o respeito, diga-me lá então o que é que fazia se queria ter o Layún a lateral. Mandava vir o Verdasca? Punha lá o Neves? Ou na ausência de laterais de qualidade pedia também ao Indi para ficar no lado esquerdo? Ou era o Herrera que ia fazer esse papel. Sejamos honestos. Não vale a pena estar a pensar nos 'e se'. Os factos são: Marcano lesionado, Maicon emprestado, Lichnovsky emprestado, Reyes emprestado (é não é?), Chidozie não inscrito. Para completar a defesa, Maxi suspenso. Não se fazem milagres com isto. Acredito que Peseiro tomou a melhor opção possível. Naturalmente fiquei algo chocado no início em abdicar do Layún a lateral, mas naquele estado, expôr-se em demasia só podia era criar espaços para os três da frente mais o Kagawa e o Sahin causarem estragos. Sem um bicho/âncora ao estilo do Fernando e do Costinha, como é o Danilo, no meio campo para cobrir a defesa não dá. Temos duas opções, Martins Indi e Verdasca, para centrais. Eu não posso estar a contar calhar-me o jackpot das duas vezes seguidas que jogo no euromilhões; Chidozie correu bem, mas Verdasca podia correr muito mal, lembro-me por exemplo do caso Reyes em Munique - foi uma adaptação, é certo, mas foi para aí o segundo jogo que ele tinha jogado em toda a época - o que queimou o jogador para o resto da temporada. Ter o Varela do lado direito não me choca, até porque das vezes que tem entrado, tem-se mostrado muito mais solidário defensivamente do que com a clarividência necessária para conduzir ou ajudar o ataque quer pelo meio, quer pelos flancos. Onde eu talvez mexesse seria no ataque. Penso que o Suk devia ter entrado um pouco mais cedo, pois para a tentativa de contenção e jogar no contra-ataque faz mais sentido que o Aboubakar. Brahimi não me parece ser o jogador ideal para uma estratégia destas, de todo. Corona, apesar da má forma, é mais objectivo. E claro que André André de início significaria que este teria que sair a meio da segunda parte, como primeira ou segunda substituição e depois não teríamos mais ninguém com capacidade física para pressionar se fosse o caso.

Penso que o Porto jogou o que pôde. Podia ter sofrido mais, é verdade, mas face a más decisões de concepção e reforço do plantel nesta e nas anteriores épocas, não se pode pedir mais a Peseiro para além daquilo que ele já anda a fazer e muito bem, devo dizer.

Claro que queria outra atitude, queria um Porto vencedor, que estivesse taco-a-taco com o Sporting e/ou o Benfica, a discutir os oitavos-de-final da Champions e favoritíssimo a ganhar a Taça de Portugal. Quero acreditar que melhores dias virão.

Um bem-haja e bibó Porto, carago!