segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Departamento de grandes investigações


Mais uma deslocação difícil e mais uma goleada! Mais uma equipa que se tornou irreconhecível perante a passagem do FCPorto! Com tantas 'facilidades' de tantas equipas, a investigação exigida pelos cartilheiros começa a ganhar contornos de mega processo... Seja! O que não se pode admitir é a ideia de que este FCPorto de Sérgio Conceição é assim tão bom. Isso nunca!

A crónica de hoje vai ser um pouco mais pequena visto que, infelizmente, não pude ver o jogo com atenção, apesar de ter podido acompanhar o resultado e os golos no meio de um visionamento bastante fraccionado. Ainda assim, tornou-de fácil perceber em que consistiu o jogo. Desde logo, percebeu-se que as ausências continuam a ser superiormente colmatadas, por mérito dos jogadores que vão entrando na equipa e por mérito de Sérgio Conceição, que tem sido capaz de manter todo o plantel a postos para as eventualidades. E parece que tivemos mais uma eventualidade com Soares... Outra tendência que me pareceu clara foi que o FCPorto voltou a ter uma entrada muito forte no jogo. Se a tal 'investigação' fosse em frente, e se fosse séria (impossibilidade técnica), as nossas entradas em jogo seriam mencionadas como um dos factores mais importantes para a obtenção destes resultados avolumados. No jogo de hoje, o FCPorto nem sequer demonstrou uma segurança defensiva boa. O Portimonense até poderia ter marcado primeiro ou empatado naquela saída estranha de Casillas. O que assusta é o nosso poder ofensivo e tem sido importante entrarmos cedo a pressionar as defesas contrárias.

Individualmente haveria vários candidatos a MVP. Marega seria o candidato natural pelos dois golos e assistência, Soares também participou em dois, Dalot estreou-se a titular com duas assistências e Sérgio Oliveira esteve muito bem. Opto por Maxi porque participou em golos e porque teve pela frente o melhor jogador adversário. E isso nem se notou. É um daqueles exemplos de jogador que transformou a azia que foi acumulando em rendimento para a equipa. A sua intensidade de jogo é um exemplo e uma imagem de marca desta equipa. Dalot começou nervoso mas acabou em estado de graça. Normal o nervosismo. Foi importante o golo de Brahimi. Já aqui mencionámos que é um jogador algo permeável à influência de jogos menos conseguidos. Entra facilmente em ciclo vicioso de asneira. Que ontem tenha sido novo ponto de viragem. Não tenho ponto negativos a destacar.

Sexta-feira, podemos eliminar já um adversário na luta pelo título. Será que vamos ter mais uma equipa para 'investigar'?

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Duas partes bem distintas


Habituámo-nos a ouvir esta frase, vezes sem conta, nos rescaldos das partidas. Julgo que nunca fez tanto sentido como quando aplicada a este Estoril-FCPorto...

De facto, a primeira parte do jogo foi péssima em todos os aspectos. Sofremos um golo, jogámos pessimamente, com erros individuais na defesa, com Reyes e Sá em destaque, e no ataque com muito desperdício de Aboubakar e Marega. Houve também um claro erro de casting ao substituir Brahimi por Layun e, em simultâneo, retirar Corona da equipa, retirando grande parte da inspiração individual à equipa. Sérgio Conceição reconheceu o erro e, antes das bancadas começarem a ceder, já tinha prevista a entrada de Oliver e Corona, muito provavelmente para os lugares de Maxi e Layun. Ora o adiamento do jogo permitiu-lhe introduzir mais alterações na equipa, mas retirou-lhe 3 dos jogadores mais influentes da época: Aboubakar, Danilo e Ricardo Pereira. E agora, Alex Telles. É até bem provável que  tenhamos de abordar a próxima deslocação a Portimão sem quatro jogadores nucleares da equipa. Mas temos Sérgio Oliveira, Iker, Marega, Soares, Dalot... Às vezes esquecemo-nos que algumas destas opções são autênticas invenções do Sérgio Conceição. Às vezes esquecemo-nos do milagre que Sérgio está a operar. Que esta vantagem de 5+5 pontos na tabela não nos ofusque!

Ora, na segunda parte, mudou praticamente tudo. Manteve-se a aposta na baliza em Iker, voltámos à dupla de centrais mais forte e apresentámos uma frente de ataque reforçada ao máximo. Dadas as ausências por lesão, o banco ficou muito pobre em termos de soluções, mas valia a pena o risco! Melhor que as opções individuais, foi a intensidade com que jogámos. Atacámos a área do Estoril com tamanho empenho e só largámos quando já tínhamos dois golos de vantagem. O nosso domínio foi de tal forma contundente, que torna demasiado ridículas quaisquer queixas dos adversários quanto ao suposto fora-de-jogo (parece-me que é) no nosso primeiro golo. Se não fosse nessa jogada seria na seguinte. Essa era a sensação que tinha qualquer um que estivesse a ver o jogo. Estas reacções ao tal lance só demonstram que esta nossa época está mesmo a fazer mossa nos adversários. Há que continuar assim!

Individualmente, vou dar o MVP a Herrera. Acho que, nesta segunda parte do jogo, foi bem mais importante a nossa capacidade de recuperar a bola e lançar ataques rapidamente do que a finalização. É óbvio que tenho de dar uma nota altíssima ao Soares. O seu regresso à boa forma chegou numa altura crucial da época. De resto, gostei de todas as exibições em geral, mesmo dos que entraram. Sobra alguma preocupação com o Alex que tem sido fundamental. Ainda bem que o Folha foi treinando e experimentando Dalot à direita e à esquerda...

Em Portimão está uma equipa muito interessante e que vale claramente mais que a sua classificação actual. Adivinha-se um teste muito difícil. Será fundamental chegar ao clássico do Dragão com esta vantagem!

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Treinando para Liverpool


Já sabemos que bastam 5 para estarmos de novo na eliminatória... Não custa treinar! 

Mais a sério, antecipava-se que seria o Rio Ave a 'pagar' pelo que nos fizeram na Champions. Havia até quem achasse que este era o adversário ideal. As evidências até mostram que tinham razão mas não gosto muito desta ideia de que equipas como o Rio Ave e o Chaves são mais fáceis de bater pelos 'Grandes'. Acho que são equipas que estão mais perto de nos causar problemas que as outras, sobretudo porque se nota que têm qualidade e podem chegar ao golo em qualquer campo. Viu-se em Chaves quando eles têm várias hipóteses de empatar e de reduzir para 1-2. Quanto ao Rio Ave, lembrei-me logo que são a equipa da Europa com mais golos de livre directo e lembrei-me que o árbitro era o Xistra. O árbitro cumpriu marcando-nos 25 (!?) faltas. Ainda bem que o Novais esteve menos inspirado...

Com isto pretendo dizer que não concordo que este fosse o adversário ideal para a nossa ressaca. O jogo acabou por ficar mais fácil, com o golo no primeiro remate à baliza. Mas seguiu-se logo um período em que andámos a 'cheirar a bola', que acabou com o golo de Soares. Mais uma vez, a 'bola parada' trouxe-nos tranquilidade que mantivemos até ao final do jogo. Acabámos muito bem o jogo e, se tivéssemos mais uns minutos, o resultado até seria mais avolumado. Foi um bom jogo que será muito útil para 'tratarmos as feridas'. Mais importante ainda, foi o facto de conseguirmos chegar isolados ao Estoril. Já sei que se tem de dizer que só interessa a vitória, mas até acho que estamos numa posição em que tudo que se conseguir é lucro. Uma vitória será uma autêntica 'machadada' na moral dos nossos adversários. Espero que os jogadores percebam isso e consigam colocar-se na invejável e inédita posição de vantagem de 5 pontos para cada um dos nossos adversários.

Individualmente dou o MVP a Soares. Dois golos e uma assistência são mais que suficientes para marcar a sua posição de destaque. Ele e Sérgio Oliveira teriam talvez a tarefa mais difícil porque tinham de fazer esquecer o nosso melhor marcador, Aboubakar, e Danilo que estava a ser consecutivamente o melhor em campo nos nossos jogos. Alguém se lembra deles neste momento? Ok, lembrámo-nos deles na quarta-feira, mas nessa altura até me lembrei do Baía, do Jorge Costa, do Lucho, do Deco... Alex também bisou nas assistências. Normal. Maxi e Casillas trazem experiência mas também trazem qualidade. É bom que não se perca essa noção. Gostei mais de Corona do que de Marega e Brahimi. O nosso mágico está a precisar de uma 'jogadona' para sair desta fase. Já nos habituámos a estas fases que ele, às vezes, atravessa. Não tenho destaques negativos, mas tenho de destacar a estreia de Dalot. Já sei que há portistas que ficam histéricos com estas estreias dos miúdos. Eu até sou um deles mas tenho de reforçar que acho que, tal como Ruben, Dalot parece ser especial. Vamos ver se o aproveitamos melhor...

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Quem paga? Para já, Rio Ave!


Que noite horrível, a de ontem! Uma mistura de frio, chuva, vento, Mané, Salah, Firmino... A tempestade perfeita! Estas passagens aos oitavos de final da Champions são fundamentais para clubes como o nosso FCPorto, mas este é o outro lado da moeda. Isto pode acontecer. A diferença de recursos é tal, que não nos podemos dar ao luxo de fazer um mau jogo perante adversários desta qualidade. Convem também recordar que, apesar de ser a primeira vez que apanhámos com um resultado péssimo como este, não foi a primeira vez que fizemos uma péssima exibição. Recordo o jogo na Alemanha que poderia ter contornos muito semelhantes não fosse uma invulgar felicidade que tivemos na concretização. Nessa altura, depois do jogo de Leipzig 'espetámos' 6-1 ao Paços de Ferreira. O Rio Ave que se cuide... Mas está feito. Não será para esquecer porque há muito para aprender.

Uma das lições a aprender é a de concluir, por fim, que precisámos de estar num apuro físico muito bom para implementar este modelo de jogo. Em nenhum momento do jogo senti que a equipa estava com pouca vontade. Talvez no final nalguns jogadores. Mas o que pretendo dizer é que o problema não foi empenho, nem foi o modelo de jogo em si. O problema foi que a equipa demonstra cada vez mais sinais de cansaço. Se, ao contrário do habitual, são os adversários a chegar primeiro à bola e se não há capacidade de reacção, acabámos por provar do nosso veneno. O que mais chateou ontem, além de ter apanhado quase tanta chuva como os jogadores, foi constatar que o Liverpool estava a fazer o jogo que nós deveríamos fazer e o jogo que nós fazemos em 90% dos jogos nesta época. Além disso, há que reconhecer que eles fazem isto melhor...

Outra das lições a aprender é a de que temos de manter o equilíbrio das emoções. Parece difícil fazê-lo mas, após o 0-3 e mesmo antes, não era difícil perceber que, continuando com o mesmo esquema, iríamos levar mais. Sérgio deveria ter percebido que a equipa estava em claros apuros e deveria ter tentado protegê-los, nomeadamente através do reforço do meio-campo. Não seria uma opção que agradasse muito às bancadas, mas julgo que o resultado final agradou ainda menos...

Há outra suposta lição que vejo alguns Portistas a tirar, com a qual não posso concordar e que tem a ver com a qualidade dos jogadores. «Eles não têm qualidade para a competição», «Iker não sofria aquele golo», «Marega só marca ao Tondela», «Brahimi não fez uma jogada que fosse» e outras coisas que tal. Descobriram agora que temos um plantel curto ou que temos uma equipa muito pior do que a quase totalidade das equipas nos oitavos de final da Champions? É óbvio que a equipa tem muitas limitações que nos impedem de competir de igual para igual na Champions, mas esta equipa e estes jogadores têm estado numa espiral de auto-superação absolutamente notável e não pode ser um jogo péssimo a mudar a nossa percepção dos méritos da equipa. O Sá que 'frangou' é o mesmo que nos salvou contra o Braga com uma defesa fabulosa. O Marega continua a ser o nosso melhor marcador no campeonato e o Brahimi continua a ser o mesmo jogador, que tem sido considerado o melhor jogador da prova. O treinador que ontem assumiu as culpas é o mesmo treinador que tem feito milagres. Sérgio terá de trabalhar para que o jogo de hoje seja apenas um terrível percalço, numa caminhada para o nosso grande objectivo que é o de devolver o título nacional aos Portistas este ano. Nada mudou!

Individualmente e como é habitual nestes jogos, não há MVP. Pareceu-me que os menos maus foram Marcano e Herrera, mas não estiveram muito melhor que os restantes. 

Venha a Liga. O Rio Ave vai ter de pagar!

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Poupança


Sérgio Conceição não gosta de falar de poupança nas suas escolhas e julgo que, neste jogo, tem razão. De facto não há poupanças. O plantel tem sido espremido de tal forma, que ele não tem outra alternativa se não a de escolher os que estão em melhor momento, nomeadamente ao nível físico. Sérgio diz que escolheu os melhores para o jogo. Ora se Brahimi não tivesse jogado tantos jogos, incluindo alguns para a Taça da Liga, estaria de certeza no lote dos melhores para um jogo contra uma equipa tão perigosa como o Chaves. Também lá estariam jogadores como Marcano e Aboubakar, que parecem ter lesões mais associadas ao esforço. Ora isto até pode ser entendido como uma crítica à gestão do plantel de Sérgio Conceição. Mas não é! É uma crítica à gestão da SAD e do Presidente. É que Sérgio foi esticando a corda até ao limite porque lhe pediram para ganhar tudo com um plantel muito curto. E é o que ele está a tentar fazer. E acabou por correr bem, em Chaves e na época, até agora. Felizmente as lesões em jogadores importantes só chegaram muito recentemente e numa altura em que já foi possível dar mais alternativas ao plantel. Mas todos nos lembrámos do que aconteceu a Soares. Bastava que tal acontecesse a mais alguns dos jogadores nucleares para que a época do FCPorto pudesse ser muito diferente. Ora nesse sentido, abordando uma crítica que tenho ouvido do excesso de minutos de alguns jogadores, nomeadamente o Alex Telles, Sérgio está a fazer tudo o que pode para ganhar. Para que tal aconteça tem arriscado muito na gestão do plantel e eu acho que faz muito bem! Estamos à frente e há que esticar a corda até ao limite. Daqui a umas semanas o calendário deverá acalmar. Isto se correr mal na Champions. Se correr bem, os jogadores nem irão sentir o cansaço!

Ora, dadas todas as restrições físicas que temos neste momento, apresentámos um onze mais alternativo. A resposta foi incrível! Ganhar em casa do sexto classificado por números tão 'gordos' não é para qualquer equipa. É certo que o jogo correu muito bem. Marcámos à segunda oportunidade, numa eficácia que até não tem sido comum neste FCPorto. A partir daí foi gerir os ímpetos do adversário e aproveitar o espaço que nos iam deixando. Uma exibição muito boa, com jogadores que nem são dos que têm jogado mais. É um sinal claro para os nossos adversários da nossa força! Não pude deixar de reparar que marcámos dois golos em cada parte, em casa do sexto classificado. Temos de começar a treinar para os 45 minutos no Estoril...

Individualmente há várias exibições com notas muito altas. Opto por Soares para MVP porque foi o nosso jogador mais perigoso e porque os seus golos foram fundamentais para dar à equipa a tranquilidade necessária, perante um grande oponente e na perspectiva do jogo de quarta-feira. Notas muito altas para Sérgio Oliveira e Herrera. Que dupla se está a formar! Chamo-lhe dupla mas dá-me a ideia que Herrera joga sempre mais recuado e que é ele a fazer de Danilo. Tirando duas situações em que demorou a soltar a bola para trás, parece que joga melhor nesta posição do que mais adiantado. Sérgio Oliveira parece que está a encarnar a intensidade de outro Sérgio, o do banco. Parece ser essa a diferença fundamental em relação ao que tínhamos anteriormente. Gostei também dos dois centrais. Isto apesar de ambos terem tido um erro comprometedor a manchar exibições de elevadíssima qualidade. Mas se Reyes errou porque lhe partiram os rins, Felipe errou porque lhe parou o cérebro... Otávio regressou com apontamentos muito bons e outros menos bons, mas tem nota positiva. Maxi teve uma exibição parecida. Aquela mão marota no início de jogo era desnecessária, tal como algumas faltas e o amarelo que apanhou. Por outro lado, tirou um golo ao adversário. Pela negativa, Marega, mais uma vez. Não está num momento de forma muito boa e foi bem substituído. Também não gostei da entrada de Oliver, que perdeu mais bolas que os outros dois médios juntos. Assim, não 'calça', e bem.

Na quarta-feira regressa a Champions! Temos uma montanha para escalar mas temos de fazê-lo com a ambição e garra que temos demonstrado até agora. Teremos de castigar a defesa deles que é claramente o sector mais fraco.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Custou mas foi!


Talvez tenha sido a exibição menos segura das quatro, mas finalmente temos uma vitória num clássico! Já começava a aborrecer um pouco e, ao intervalo, depois de uma primeira parte de sentido único e com o desperdício de três oportunidades claras para marcar, já começávamos a temer mais uma 'vitória moral'. Soares conseguiu dar o melhor seguimento a um cruzamento açucarado de Sérgio Oliveira e marcou o primeiro e único golo em 360 minutos. Estava difícil materializar tanta superioridade, perante adversários directos na luta pelos títulos nacionais... Talvez por isso, este 1-0 que é um resultado banal numa eliminatória a duas mãos,  tenha sido tão saboroso. É, de facto, uma vantagem curta, mas é uma vantagem perante um adversário, a quem nos temos superiorizado em três jogos consecutivos.

Tendo já referido que esta exibição me pareceu a menos autoritária dos quatro clássicos que disputámos, tal não significa que tenha sido uma exibição fraca. Antes pelo contrário. O que  digo é que houve períodos maiores do jogo, em que não controlámos o adversário, sobretudo no final das partes. Especificando, entrámos muito fortes e mantivemos uma pressão que abafou o adversário até cerca dos 35 minutos da primeira parte. Nessa altura, uma jogada precedida de mão de Acuña causou muito perigo para a baliza de Iker. A partir daí o Sporting conseguiu libertar-se mais da pressão e jogar mais no nosso meio-campo, algo que não tinha conseguido até aí. Na segunda parte, não conseguimos entrar tão fortes. Tínhamos a posse mas as primeiras oportunidades da segunda parte foram do Sporting. Recuperámos a intensidade e o golo surge de uma recuperação de Sérgio Oliveira no meio campo adversário. A intensidade manteve-se e Patrício ainda salva o 2-0 por duas vezes. No entanto, no final voltámos a cair um pouco e voltámos a permitir algumas jogadas muito perigosas, que normalmente anulámos de forma mais prática. Os jogadores que entraram não ajudaram muito, sobretudo Hernani, mas julgo que toda a equipa caiu um pouco perante a pressão final do adversário. Tal não implica que a vitória não seja o resultado natural para o que se viu. Uma vitória por dois golos de diferença até seria mais apropriada.

A este propósito, não consigo deixar de ficar surpreso com as análises pós-jogo de Jorge Jesus. Duas ideias fortes: o resultado certo era uma empate com golos e o Sporting não marcou mais golos porque faltava um jogador importante, o Dost. Poderia teorizar sobre o facto de um treinador que custa 6 milhões por época, fazer um péssimo trabalho psicológico com os jogadores menos utilizados. Poderia também relevar que um deles, Doumbia, foi mais caro que qualquer dos avançados no nosso plantel. Até poderia entrar numa divagação sobre se vale a pena pagar tanto a um treinador cujo desempenho depende tanto dos melhores jogadores do plantel e da sorte de eles não se lesionarem ao longo da época. Mas bastaria algum dos jornalistas presentes lembrar o senhor que nós jogámos sem três titulares na nossa zona defensiva: Sá, Marcano e Danilo. Desmontavas as duas ideias em simultâneo. Viram o Sérgio associar o número de oportunidades que permitimos com a ausência desses jogadores? Pois...

Individualmente dou o MVP a Sérgio Oliveira. Um remate ao poste, uma assistência para golo e muitas bolas recuperadas são mais que suficientes. Ainda pensei em Ricardo Pereira que fez outra exibição portentosa e destruiu por completo essa personagem detestável, que é o Coentrão. Mas aquele lance em que deixa o Ruben isolar-se no final do jogo, baixa qualquer nota. Gostei também de Felipe, Alex e Herrera. Soares também tem nota muito positiva e Marega esteve melhor do que nos últimos dois jogos, apesar de não ter conseguido aparecer com perigo na área. Brahimi esteve muito infeliz. Irão certamente associar essa exibição à dupla de laterais que teve de enfrentar (nem o Tondela veio ao Dragão jogar assim...). Mas eu acho que, em condições normais, isso não seria um problema para Brahimi. Haverá ali alguma desinspiração e muita fadiga. Corona é diferente. Tem muitos altos e baixos no jogo. Há quem me diga que não jogou nada, mas lembro-me que isolou Brahimi na primeira parte e que deu a Soares a cabeçada que, por sua vez, deu a Patrício a defesa da noite. Uma última referência para a entrada de Hernani. É positivo ele ter muita vontade de mostrar valor mas, pelo caminho, ficaram duas oportunidades de matar a eliminatória e muito pouco apoio a Ricardo, numa altura em que passou por algumas aflições. Um dos lances é de 4 para 3 e a sua definição é ridícula.

Segue-se a deslocação a Chaves. Adivinham-se muitas dificuldades. Pelo que vi nestes três clássicos, joga lá o segundo melhor extremo do Sporting, o Matheus.

domingo, 4 de fevereiro de 2018

A importância da assistência


Depois do 'hat trick' do Alex julgarão que estou a falar da importância das assistências para golo. E julgam bem! Não é normal ver um lateral a alcançar esta façanha, mas já não é a primeira vez que vemos o Alex a fazer isto. Mas é também de notar que este ano os nossos laterias têm um impacto ofensivo reforçado pelo modelo de jogo aplicado. São muitas as vezes em que as 'despesas' da ala são deixadas apenas para Alex e Ricardo, que têm correspondido de uma forma extraordinária. Mas, já que a língua portuguesa me permite, posso destacar também outro factor que me pareceu e parece importante, na época que a equipa está a fazer: a assistência nas bancadas. Mais uma vez tivemos mais de 40 mil adeptos nas bancadas, numa noite de temperatura muito fria, mas com um ambiente quente, que nem chegou a arrefecer com o golo adversário. Muito bem, o Dragão!

Mas além das assistências do Alex há ali outro padrão nos golos. O primeiro e terceiro surgem da nossa segunda vaga ofensiva e de insistências por Aboubakar e por Brahimi. Ambos vão recuperar a bola junto à linha e servem Alex para o cruzamento e para o golo. Até o canto que dá o segundo golo é conquistado através de uma excelente jogada de insistência de Brahimi. Isto é um sintoma claro de intensidade de jogo. Só conseguimos sufocar o adversário, se conseguirmos criar perigo consecutivamente e de forma reiterada. Este tem sido um dos segredos do FCPorto de Sérgio Conceição no Dragão.

Antecipava-se facilmente que o jogo fosse complicado e, efectivamente, complicou-se. Complicou-se com o golo do empate, numa altura em que já tínhamos perdoado o 2-0, e complicou-se quando Sá teve de fazer uma excelente defesa, numa altura em que já tínhamos perdoado o 3-1 por várias vezes. Abel destaca esse momento como fundamental. Compreeendo. Cada um agarra-se aos seus 'Se'... Se o Sá não tivesse defendido... Se o FCPorto marcasse metade das oportunidades claras que cria... Se o Marega não tivesse apresentado 'tijolos' em vez de pés... Se a equipa do FCPorto não apresentasse tantos sinais de cansaço... Se Hugo Miguel não marcasse falta a cada espirro de um jogador do Braga... Se... Tretas. Foi uma vitória dura, difícil, mas que não poderia ficar pela vantagem mínima, dada a diferença entre as equipas que ficou marcada, nos 90 minutos no Dragão.

Individualmente, tenho três candidatos a MVP: Alex, Ricardo e Sérgio. Foram as três exibições que mais se destacaram. Desempato pelas impressionantes três assistências do Alex, mas os dois laterais foram importantes. Sérgio Oliveira apresentou a sua melhor exibição da época, sendo uma óptima notícia, dada a ausência de Danilo. Em relação a Oliver, acrescenta o poder de fogo em meia distância e acrescenta em agressividade. Já sabemos que perde noutras coisas, mas isso nem se notou ontem. Sá também esteve muito bem com duas defesas de dificuldade máxima. Brahimi e Aboubakar estiveram bem até rebentarem fisicamente. Herrera esteve pior que Sérgio, mas não esteve mal. Não gostei de Corona e Marega. O primeiro esteve bem em termos de empenho e entrega mas não definiu bem. Marega teve o segundo jogo consecutivo em que tudo que toca é asneira. Não é motivo para alarme mas deixo apenas uma alerta. Será vantajoso que um dos intocáveis de Sérgio Conceição, que faz 90 minutos sobre 90 minutos, seja o Marega? Um jogador que consegue fazer dois jogos seguidos em que perde mais de metade dos lances em que intervem? O plantel agora tem mais soluções e há que gerir a condição física de todos. Parece-me que a polivalência ofensiva e a capacidade física de Marega está a impedir Sérgio de explorar outras soluções. Atenção que não digo que deva deixar de ser titular. Apenas digo que há jogos em que tem de sair muito mais cedo, como o de ontem, por exemplo. Destaque final para Waris e Paulinho que entraram e acrescentaram muito pouco. Pareceu até que estavam meios perdidos em campo.

Continua o calendário terrível de Janeiro e Fevereiro. Venha daí o Sporting! O Jamor pode ficar à vista, já na quarta-feira.