quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Custou mas foi!


Talvez tenha sido a exibição menos segura das quatro, mas finalmente temos uma vitória num clássico! Já começava a aborrecer um pouco e, ao intervalo, depois de uma primeira parte de sentido único e com o desperdício de três oportunidades claras para marcar, já começávamos a temer mais uma 'vitória moral'. Soares conseguiu dar o melhor seguimento a um cruzamento açucarado de Sérgio Oliveira e marcou o primeiro e único golo em 360 minutos. Estava difícil materializar tanta superioridade, perante adversários directos na luta pelos títulos nacionais... Talvez por isso, este 1-0 que é um resultado banal numa eliminatória a duas mãos,  tenha sido tão saboroso. É, de facto, uma vantagem curta, mas é uma vantagem perante um adversário, a quem nos temos superiorizado em três jogos consecutivos.

Tendo já referido que esta exibição me pareceu a menos autoritária dos quatro clássicos que disputámos, tal não significa que tenha sido uma exibição fraca. Antes pelo contrário. O que  digo é que houve períodos maiores do jogo, em que não controlámos o adversário, sobretudo no final das partes. Especificando, entrámos muito fortes e mantivemos uma pressão que abafou o adversário até cerca dos 35 minutos da primeira parte. Nessa altura, uma jogada precedida de mão de Acuña causou muito perigo para a baliza de Iker. A partir daí o Sporting conseguiu libertar-se mais da pressão e jogar mais no nosso meio-campo, algo que não tinha conseguido até aí. Na segunda parte, não conseguimos entrar tão fortes. Tínhamos a posse mas as primeiras oportunidades da segunda parte foram do Sporting. Recuperámos a intensidade e o golo surge de uma recuperação de Sérgio Oliveira no meio campo adversário. A intensidade manteve-se e Patrício ainda salva o 2-0 por duas vezes. No entanto, no final voltámos a cair um pouco e voltámos a permitir algumas jogadas muito perigosas, que normalmente anulámos de forma mais prática. Os jogadores que entraram não ajudaram muito, sobretudo Hernani, mas julgo que toda a equipa caiu um pouco perante a pressão final do adversário. Tal não implica que a vitória não seja o resultado natural para o que se viu. Uma vitória por dois golos de diferença até seria mais apropriada.

A este propósito, não consigo deixar de ficar surpreso com as análises pós-jogo de Jorge Jesus. Duas ideias fortes: o resultado certo era uma empate com golos e o Sporting não marcou mais golos porque faltava um jogador importante, o Dost. Poderia teorizar sobre o facto de um treinador que custa 6 milhões por época, fazer um péssimo trabalho psicológico com os jogadores menos utilizados. Poderia também relevar que um deles, Doumbia, foi mais caro que qualquer dos avançados no nosso plantel. Até poderia entrar numa divagação sobre se vale a pena pagar tanto a um treinador cujo desempenho depende tanto dos melhores jogadores do plantel e da sorte de eles não se lesionarem ao longo da época. Mas bastaria algum dos jornalistas presentes lembrar o senhor que nós jogámos sem três titulares na nossa zona defensiva: Sá, Marcano e Danilo. Desmontavas as duas ideias em simultâneo. Viram o Sérgio associar o número de oportunidades que permitimos com a ausência desses jogadores? Pois...

Individualmente dou o MVP a Sérgio Oliveira. Um remate ao poste, uma assistência para golo e muitas bolas recuperadas são mais que suficientes. Ainda pensei em Ricardo Pereira que fez outra exibição portentosa e destruiu por completo essa personagem detestável, que é o Coentrão. Mas aquele lance em que deixa o Ruben isolar-se no final do jogo, baixa qualquer nota. Gostei também de Felipe, Alex e Herrera. Soares também tem nota muito positiva e Marega esteve melhor do que nos últimos dois jogos, apesar de não ter conseguido aparecer com perigo na área. Brahimi esteve muito infeliz. Irão certamente associar essa exibição à dupla de laterais que teve de enfrentar (nem o Tondela veio ao Dragão jogar assim...). Mas eu acho que, em condições normais, isso não seria um problema para Brahimi. Haverá ali alguma desinspiração e muita fadiga. Corona é diferente. Tem muitos altos e baixos no jogo. Há quem me diga que não jogou nada, mas lembro-me que isolou Brahimi na primeira parte e que deu a Soares a cabeçada que, por sua vez, deu a Patrício a defesa da noite. Uma última referência para a entrada de Hernani. É positivo ele ter muita vontade de mostrar valor mas, pelo caminho, ficaram duas oportunidades de matar a eliminatória e muito pouco apoio a Ricardo, numa altura em que passou por algumas aflições. Um dos lances é de 4 para 3 e a sua definição é ridícula.

Segue-se a deslocação a Chaves. Adivinham-se muitas dificuldades. Pelo que vi nestes três clássicos, joga lá o segundo melhor extremo do Sporting, o Matheus.

4 comentários:

miguel87 disse...

Da última vez que vim comentar, acabei com o número zero, para definir o que 0liver acrescenta ao jogo.
Desta vez volto a usar o zero, mas para quantificar, 3 ou 4 jogos depois, a falta que se nota do Danilo na equipa: 0

Mirone disse...

O Sérgio Oliveira (e o Herrera) está a jogar muito bem, mas se o Danilo jogasse ontem, o Gelson não tinha jogado tão à vontade. Nenhum dos lances acabou por dar em golo, mas criou bastante perigo a jogar entre linhas.

Mas de facto o Sérgio parece outro jogador, que antes era um pastelão agora aparece bastante mais agressivo.

prata disse...

Concordo. Acho que o Danilo faz falta. Tal como o Ruben, mas esse foi-se nos saldos...

Anónimo disse...

CASADOS vs SOLTEIROS...