segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Alarmante


Na passada terça-feira fiquei desanimado. Jogo horrível, maus desempenhos individuais e más opções tácticas e técnicas. Mas, por muito que viéssemos avisando que notávamos sintomas preocupantes, foi apenas um jogo. Um jogo com consequências terríveis e com sintomas preocupantes, mas apenas um jogo. Ingenuamente ou não, considerava que havia sempre a possibilidade de se desencadear uma reacção ou até a possibilidade de se tratar de um ponto de viragem. Como tal, não esperava ver os mesmos sintomas agravados no jogo seguinte, perante uma adversário muito inferior. Era uma situação perfeita para uma retoma: adversário muito limitado num estádio maioritariamente preenchido com adeptos portistas. E isso notou-se a seguir à substituição de Brahimi e sobretudo a partir do penalti de Maicon... Mas já lá vamos.

Vamos ao que se viu. Vimos um jogo em que FCPorto ganha merecidamente, mas com uma exibição paupérrima. Daqueles jogos que acontecem todos os anos e que nós rotulamos como jogos ganhos com a 'estrelinha' de campeão. Mais ou menos como o Sporting em Arouca, por exemplo. O que pretendo dizer é que esta exibição, descontextualizada, não teria gravidade alguma. Mas quando a seguir a um desastre, vem um desastre agravado, temos problemas com um nível de gravidade exponenciado:

1) Apatia generalizada dos jogadores:
Frente ao Kiev, pareceu incrível a incapacidade de perceber que um golo, sofrido ou marcado, poderia ser decisivo no desfecho do grupo. Tudo que eram bolas divididas eram ganhas pelo adversário. Total ausência de garra e vontade de dominar o jogo. Ontem vimos uma equipa ainda mais deprimida, lenta e dócil.  Incapaz de aproveitar as imensas limitações do adversário. E com jogadores diferentes...

2) Rotatividade excessiva:
Na Champions tivemos André no banco. Algo imperdoável para mim, depois de ouvir Lopetegui a dizer que se tratava do jogo do ano. Desta vez foi Ruben Neves a ficar no banco. Herrera jogou a titular passados dois meses. Para completar o 'ramalhete', Bueno é lançado aos cães estreando-se na Liga a titular. Com tanta troca, tivemos o quarto capitão do ano: um mal-amado que nem sequer tem sido titular e sem sintomas de ter alguma característica de liderança e sequer um pingo de ascendente sobre os colegas;

3) Erros de casting:
Se a escolha de capitão foi má, que dizer dos onzes iniciais? E das substituições? Imbula tem capacidade para jogar entre linhas com dois médios defensivos atrás de si? André rende mais a extremo? Danilo é uma boa opção para central? O duplo pivot traz segurança defensiva acrescida? Onde anda o Evandro? Será que a braçadeira iria inibir o Herrera de falhar 90% dos passes? E que tal um simples exercício de pôr os melhores a jogarem nas suas melhore posições? Por exemplo, o Ruben a 6, o André a 8 e o Evandro a 10?

4) Experimentalismo táctico:
Na Champions tivemos três médios de características defensivas. Na segunda parte, André entrou para uma ala e Brahimi veio para o meio. Tivemos uma substituição ao intervalo que mexeu com o posicionamento de 5 jogadores. Acabamos com uma linha da frente de 4 elementos que rendeu apenas uma jogada perigosa em 20 minutos. Já chegava mas Lopetegui conseguiu fazer pior no Sábado. Por um lado, introduzimos um médio finalizador capaz de apoiar Aboubakar. Por outro, tivemos um médio adaptado a extremo e que procura mais as zonas interiores do que a linha. Aos 50 minutos mudámos tudo outra vez. Voltámos à táctica mais utilizada. Mais tarde trocamos de dupla de centrais. Duas vezes... Três duplas num só jogo! Terá sido por causa das lesões? As incessáveis investidas do ataque do Tondela tornavam os amarelos dos centrais muito perigosos? Para agravar, Maicon entrou sem ritmo algum e isso notou-se. Quantas posições fez o André nestes dois jogos? Eu conto 5, incluindo a posição de sentado no banco e a posição no aquecimento...

Saio dos jogos a ponderar se Lopetegui está a gozar connosco... Ou se está a brincar com o seu próprio emprego. Isso implicaria que era maluco, porque Lopetegui precisa disto para se afirmar como treinador. Precisa tanto de vencer e convencer como o FCPorto! O que me faz concluir que ele sucumbiu e está entregue ao desnorte. E isso é alarmante e um dos poucos cenários em que eu ponho a possibilidade de se discutir uma saída de treinador a meio da época. Já sei que isso não vai ser discutido até ao jogo de Alvalade. Poderemos continuar a jogar pouco mas continuamos a ter Brahimi a inventar golos, Ruben Neves a liderar, Aboubakar a marcar no meio de seis adversários, Casillas a defender penaltis e André a correr mais do que todo o resto da equipa junta. Mas isso não poderá ofuscar a evidente incapacidade que Lopetegui tem demonstrado este ano para apresentar decisões coerentes, ponderadas e sequer lógicas. Anda a 'tocar de ouvido' há meses e não é isso que nós precisámos. Deveria ter aprendido alguma coisa com o que aconteceu no ano passado. Parece que não...

Individualmente destaco o decisivo Casillas, o omnipresente André e o mágico Brahimi. Tudo o resto numa mediania deprimente. Bueno fez coisas boas em tudo o que tocou. Mas tocou pouco... Destaques especialmente negativos para os passes errados de Herrera, para o desempenho medíocre de Danilo como central, para a habitual tendência para o desastre do Maicon, agravada pela falta de ritmo, e para a evidente ausência de rendimento ofensivo dos nossos laterais no último jogo. Tudo isto agravado por um péssimo desempenho de Lopetegui que até conseguiu ser expulso. No meio de tanto nervosismo, o árbitro resolveu aproveitar. Mas podem mandar abaixo a torre do centro de estágios. Não me parece que Lopetegui consiga ter melhores desempenhos vendo o jogo de cima...

P. S. 1: Já se percebeu que os adeptos e as claques organizadas se preparam para fazer a vida negra ao treinador. Espero que, mesmo numa onda de descontentamento que eu compreendo, não se esqueçam de continuar a apoiar a equipa, como em episódios recentes.

P. S. 2: Este ano, por indisponibilidades minhas, temos tido mais crónicas do Pispis e parece-me que temos de rever este meu protagonismo sistemático. As minhas ausências têm sido preenchidas com uma qualidade assinalável e parece-me que os nossos leitores querem mais em termos de diversidade retórica e de ponto de vista...

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Frente fria


Não foi só a frente, foi o meio, foi a defesa, foi  o guarda-redes, foi o banco. Água gelada na cabeça de todos.

Depois de uma vitória sobre o tubarão do grupo, de cumprirmos em todos os outros jogos, não se esperava este descalabro que ainda por cima devido a toda a conjugação de resultados no grupo leva-nos de apenas precisarmos de 1 ponto nas duas últimas jornadas para necessitarmos de 3 na última.

Primeiro ponto: tentar perceber a tática de Lopetegui. Custou arranjar uma justificação mas cá vai: no meu entender, Lopetegui acreditou que o adversário viria jogar ao ataque, melhor, deliberadamente ao ataque e que teríamos a ganhar jogando em transições ofensivas rápidas. Só assim se justifica Tello e Brahimi nas alas e Imbula como médio mais ofensivo a procurar os desequilíbrios nos ucranianos que supostamente teriam muitas mais peças na zona avançada do terreno. Teoria demasiado rebuscada? Talvez. Mas o que custa mais, a ser verdade esta teoria, é alterarmos a nossa conceção de jogo que tantas vezes é criticada e assobiada de posse de bola/de passes lateralizados/de jogar para trás, só porque um adversário vem jogar ao Dragão para ganhar.

Partimos o jogo, o meio-campo nunca conseguiu ter o controlo da partida e depois deixamos o Dínamo crescer na partida até se colocar em vantagem. O que fazemos ao intervalo? Tiramos o lateral que dá mais profundidade ofensiva e dá mais raça àquela equipa para alterar tudo na defesa: Indi na esquerda, Layún na direita e Danilo para central. Até compreendo Indi na esquerda porque defende melhor e Yarmolenko estava a brincar com Layún mas porque não tirar este? Ou então, tirar Danilo/Imbula/Tello, qualquer um, e meter André André ou Evandro que são artistas na posse de bola que era o que o Porto mais precisava para tranquilizar: ter bola!

Uma palavra para todos os jornalistas (eu tive oportunidade de ver na tv e ainda ouvir o rádio depois do jogo) e foi incrível como ninguém constatou o facto que aquele resultado obrigava a uma vitória em Stamford Bridge. Todos a comer de sono. Se calhar até os responsáveis do Porto. Perder por um seria importantíssimo embora o empate em Londres também não seja fácil de alcançar. Talvez pela desilusão, acredito mais no Maccabi em Kiev do que no FCP em Londres.


Qualquer escorregadela no campeonato ou nas taças servirá para crucificar o Julen e ainda por cima o AVB está a fazer uma boa campanha na Champions, ou seja, não vem a meio da época…

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Sem surpresa mas Bueno na mesma...


Num sábado recheado de muita expetativa em muitos estádios, convinha resolver cedo na ilha para continuarmos atentos ao massacre que se assistia em Madrid e até em Manchester enquanto aguardávamos por outro massacre em Lisboa... Pena não ter acontecido...

Para o FCP foi importante cumprir com serviços mínimos enquanto nos preparamos para mais uma série de jogos consecutivos até ao Natal. Qualificação garantida, Bueno a mostrar que pode ser alternativa (já tinha entrado bem contra o Braga) e José Angel a afirmar-se como a alternativa mais credível a Layún, claramente à frente de Cissokho, o que só mostra que Rafa necessita urgentemente de ser chamado à equipa principal.

Tal como André Silva quando Dani Osvaldo regressar a Buenos Aires já em Janeiro. Os dois jogadores da formação mostraram na manhã seguinte, em Liverpool, que podem rapidamente seguir os passos de Rúben Neves.

Quanto ao jogo dos Açores, não há muito mais a dizer. Curiosidade em Victor Garcia e Lichnovsky mas quando os restantes colegas não querem 'meter a terceira' tornam a missão de se mostrarem ainda mais complicada.

Importante garantir os 3 pontos no Dragão contra o Dínamo para pensarmos um pouco mais além e tentarmos ficar no primeiro lugar do grupo!

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Agradável


Apenas isso. Não foi um portento, não foi demasiado emotiva nem arrebatadora. Foi uma exibição capaz de nos dar a sensação de que o golo iria aparecer a qualquer momento. Dava a sensação e não a certeza, porque ainda nos lembrávamos do jogo com o Braga. Mas engane-se quem pensa que a única coisa que mudou entre os dois jogos foi a felicidade de obter um golo. Acho que mudámos muito. Em primeiro lugar aquela irritante mania de 'desligar' logo a seguir à obtenção de uma oportunidade de golo. Ontem houve períodos em que a equipa investiu consecutivamente sobre a área do adversário nomeadamente no período final da primeira parte e no início da segunda até ao golo. As bancadas foram acompanhando com apreensão e alguns (poucos) protestos. Mas julgo que o que se pedia era maior objectividade. Dá a ideia que se tem de dar sempre mais um 'toquezinho' antes de rematar. E isso irrita, obviamente, mas não significa que a equipa esteja a jogar mal. No final, tudo se resolveu.

O que mudou? Eu sou suspeito porque há muito que venho reclamando oportunidades para Evandro. Isto porque critico muito a deficiente utilização das zonas interiores do campo. Com Evandro os médios mais recuados têm opção de passe entre-linhas e Aboubakar tem alguém mais perto dele. Alguém com critério de passe com capacidade de rodar e organizar na cabeça da área. André tem vindo a disfarçar nessa posição porque é muito mais intenso e rápido que Evandro e aparece mais na área, mas não tem esta qualidade de jogo. O que precisámos mais nessa posição? Em termos meramente técnicos apostaria no Evandro, mas percebo que André traz empolgamento, garra, portismo que é algo de que a equipa precisa mais neste momento. Como tal, mais uma vez, tal como aqui disse à 15 dias, o FCPorto tem tido este ano quatro jogadores nucleares: Aboubakar, Brahimi, Ruben e André. Antes de uma pausa de 15 dias na competição acrescida de uma eliminatória para a taça, não se compreende a poupança de André André na primeira parte. Não consigo compreender! Que tal um meio campo com Ruben, André e Evandro? Seria assim tão absurdo? Não seria por ganharmos e por reconhecer que jogámos bem, que deixaria de apontar este risco desnecessário que corremos. Uma última referência para  a coragem de Lopetegui. Não lhe apeteceu ouvir assobios e fez a substituição da polémica ao intervalo...

Individualmente, destaque claro para o MVP Layun. Dá um golo, marca outro e ainda teve mais dois remates perigosos. A atenção a Brahimi faz com que sobre espaço para Layun e o mexicano já provou que tem instinto atacante capaz de aproveitar esses espaços com qualidade. É óbvio que não me enche as medidas como defesa, mas como atacante, rendimento excelente! Menção honrosa também para Aboubakar e para os centrais. O primeiro porque não desistiu enquanto não chegou ao golo. Os segundos porque foram muito importantes e agressivos na recuperação rápida da bola. Nestes jogos é importante termos momentos de sufoco do adversário e, nessas alturas, a rapidez na recuperação da bola é fundamental. Não registo grandes exibições negativas. Só no banco.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

10 costumam chegar...



... mas, desta vez, não chegam! As contas mudaram um pouco desde que o Platini resolveu pagar os favores na Europa de Leste, incluindo na fase de grupos estes clubes mais 'exóticos' como o Macabi, o Astana, o BATE, etc.. A partir desse ponto passaram a haver crónicos candidatos a fazerem zero pontos, ficando os pontos distribuídos por apenas três equipas. Teoricamente pode acontecer a hipótese de doze pontos não serem suficientes... Vendo pelo lado positivo, a Liga Europa, como objectivo mínimo, torna-se muito fácil de atingir. A não ser que o treinador seja o Jorge Jesus... Ou que seja outro e que o Jorge Jesus lhe diga o que sabe...

Há quinze dias disse aqui que o nível da exibição teria de aumentar muito para que fosse possível alcançar os três pontos em Israel. Enganei-me.  Não foi preciso aumentar muito o nível. Bastou aumentar um 'pouquinho'... Deu para mostrar bons pormenores, boas jogadas e boas exibições individuais. Só não foi mais tranquilo porque, apesar do reforço no miolo, houve sempre uma auto-estrada para explorar pelo adversário exactamente nessa zona. Não consigo compreender como é que uma equipa tão fraca consegue tantos remates em dois jogos com o FCPorto. Tal como no jogo passado, valeu-nos ou Casillas ou a ridícula capacidade de finalização dos israelitas. E desta vez estiveram mais perto. Lembro-me de um remate dentro da área, outro de fora e de um cabeceamento num canto, na pequena área. Isto antes sequer de nós chegarmos lá à frente pela primeira vez. As vitórias nunca estiveram em causa, mas ficou em causa esta solução de meio-campo. Ontem fiquei com a sensação de que nenhum dos médios jogou mal. Aliás, até me pareceu que Danilo esteve bem melhor do que tem sido habitual. No entanto, tenho de reconhecer que não tiveram a capacidade de controlar defensivamente a sua zona. E isso tem de lhes baixar a nota. Ou a eles ou ao treinador. E eu até estava tentado a dar-lhe nota positiva só por incluir Evandro no onze...

Individualmente, gostei de Danilo, Layun, Maxi, Tello e André.  Na dúvida o MVP vai para o mais portista. Sendo assim vai para o André. Tello também teve uma assistência e um golo. Seja bem regressado!  Layun fez a segunda boa exibição seguida. Desta vez de regresso à esquerda. Evandro e Ruben não sabem jogar mal e Maxi não sabe jogar devagar. Já Herrera e Imbula... Um entrou mal e o outro tem de perceber que o seu lugar cativo está em risco. Aboubakar tem nota positiva apesar do falhanço épico. Julgava eu que essa seria a maior nabice do jogo. Mais uma vez, errado! O árbitro fez questão de ter um erro ainda pior...

Falta um ponto, mas a vitória torna mais real a possibilidade de se atingir o primeiro lugar. E aí será mais fácil sair um 'Basileia' no sorteio...