quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Banco bom


O grande destaque desta noite foi o resultado que nos deixa muito perto do Jamor. Mas importa destacar o nosso banco de suplentes: Iker, Maxi, Militão, Danilo, Brahimi, Soares e Marega. Tanto talento e tantos títulos num só banco de suplentes. Se há uns meses perguntassem se seria possível ganhar 3-0 ao Braga, com um onze que não incluísse estes jogadores, alguém acreditaria? Esta tem sido uma das grandes vitórias de Conceição. Tem demonstrado uma capacidade de inventar soluções que é absolutamente invulgar. Já sabemos que não é um treinador que goste muito de rotações e de poupanças, mas a verdade é que as segundas linhas aparecem quando são necessárias e Conceição é capaz de os manter preparados e  motivados. 

É óbvio que os dois golos, que nos deixam bem perto da final, vieram do banco. Mas a exibição do onze inicial foi bastante sólida perante um adversário difícil que se apresentou no Dragão com mais cautelas do que as que vinha demonstrando nos anteriores jogos com os grandes. O próprio FCPorto  apresentou, na primeira parte, algumas variações estratégicas que não funcionaram imediatamente e que também ajudaram ao equilíbrio inicial. Adrian jogou como elemento mais adiantado com Corona, Fernando Andrade e Otávio soltos nas costas e trocando constantemente de posição. Quem beneficiou mais deste esquema foram os laterais que se soltaram constantemente. Mas faltava poder de fogo na área e isso fez com que tivéssemos sido mais perigosos nas bolas paradas. O golo surgiu de um penálti em que Marafona pôs o cirurgião plástico de Herrera a esfregar as mãos de contente, julgando que o iria ter nova oportunidade de fazer alguns reajustes naquela cara laroca. Mas Conceição viu bem e, apesar de já estar a ganhar, corrigiu ao intervalo com Soares. E a segunda parte é toda nossa. É certo que o Braga foi perigoso em dois cantos e no lance de Dyego Sousa, com grande parada de Fabiano. Mas foram claras excepções. O jogo passou a jogar-se no nosso meio ofensivo com muita qualidade na posse e com o resultado sempre a tender para ficar mais gordo para o nosso lado. Concretizou-se no último suspiro, de forma justa. 

Três destaques nesse que foi o momento da noite. Por um lado, o FCPorto perdeu a possibilidade de estar tranquilo no jogo com a lesão de Manafá. Foi esse o factor que ditou que a equipa tivesse de recuar nos minutos finais. Mas o sacrifício de Manafá permitiu que tivesse feito a recuperação de bola, decisiva para o golo. Decisiva também foi a opção de Oliver de continuar a jogada depois de já ter a certeza de que iria ser marcada falta. Quantos o fariam neste mundo do futebol? Depois a magia de Brahimi. Sublime, como só ele sabe ser!

Individualmente, tinha 3 candidatos a MVP: Pepe, Oliver e Corona. Aquele último lance ajudou a desempatar e o MVP vai para Oliver. É o segundo consecutivo. Já sei que não houve crónica do Tondela, visto que não consegui ver o jogo em condições, mas daria ao Oliver, obviamente. Estes destaques a Oliver são constantes aqui, mas nem está tanto em causa o desempenho individual. A equipa joga melhor com Oliver. Faz coisas diferentes e é um claro upgrade ao FCPorto do ano passado, por exemplo. Pepe também tem sido um claro upgrade e tem demonstrado que a aposta neste veterano foi, como seria de antecipar, uma aposta decisiva para esta segunda volta. Corona é, a par de Oliver, o jogador em melhor forma no FCPorto. Finalmente estamos a ter um Corona consistente! De resto, voltei a gostar dos laterais apesar de me assustar um pouco a incapacidade de Manafá para durar um jogo inteiro em boas condições físicas. Será mais uma razão para o regresso de Militão à lateral direita nos próximos dois jogos. Destaque final para o impacto positivo de Soares no jogo e para a classe com que finalizou no 2-0. Pela negativa, tenho de voltar a destacar Fernando Andrade. Nem vou comparar o seu rendimento com Marega ou Soares. Seria algo injusto. Basta comparar o seu impacto no jogo com o de outro jogador que tem tido oportunidades semelhantes: Adrian Lopez. Não tem comparação, pois não?

No sábado, temos a possibilidade de dar a primeira estocada em direcção ao Bi. Estas últimas exibições já devem estar a pôr algum travão na habitual tendência eufórica do Benfica quando ganha 3 jogos seguidos. Quanto mais 8... Mas convém não esquecer que, pelo meio, houve uma derrota contra os do costume... Correndo tudo bem no sábado, vão poder reavivar a memória!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

2019.02.26. Basculação Highlights...

2019.02.26. Neste Dia - FC Porto 5-0 Farense (30 Anos)...

🗓1989.02.26
🆚 Farense
🏟 Estádio das Antas
📖 Dragões Diário: "Há 30 anos, nas Antas, Domingos, o jogador natural de Leça da Palmeira foi a grande figura da receção ao Farense, assinando o primeiro hat-trick da carreira. Everton e Branco fecharam a goleada por 5-0.
 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Regresso


Foi apenas o terceiro jogo no Dragão em 2019. Três em doze jogos... Mas não vos vou maçar outra vez com a questão do calendário. Apenas vou repetindo, porque parece que o problema é só o Oliver ou o Militão à direita ou a gestão física do Conceição. Há vários fatores e o calendário complicado tem sido um dos tem tido mais influência.

Outro dos factores tem sido o constante azar com as lesões. Nos últimos quatro jogos perdemos três titulares por lesão. E apenas Marega parece ter uma lesão que pode resultar de excesso de carga de jogos. Para ajudar, não vamos ter Soares em Tondela... Isso tem obrigado Conceição a procurar soluções. Primeiro testou o reforço do meio campo com Oliver, Herrera e Danilo. Empatámos em cima do apito e com uma segunda parte bem fraca. Em Roma, testou a substituição direta com Fernando Andrade no lugar de Marega. Não funcionou e tivemos uma primeira parte paupérrima em termos ofensivos. Ontem tivemos Corona a jogar próximo de Soares. Confesso que me pareceu a melhor solução das três, mas a qualidade do adversário era inferior... Ainda assim, tivemos um Corona que tentou fazer os movimentos habituais de Marega, como no primeiro golo, e que consegue também jogar noutras zonas mais afastadas. Óbvio que não terá a mesma frequência no ataque à finalização, mas isso pode ser resolvido com o aparecimento de outros jogadores como Adrian, Herrera e Otávio. 

Mas essa não foi a única alteração que vimos. Houve outra com impacto no jogo e que foi a incorporação de Manafá. Até foi a pedido de várias famílias... Eu não me incluo nesse grupo. Julgo que fez sentido neste jogo. Tenho a sensação que a turba que vinha pedindo o regresso de Militão ao centro, estava a funcionar sobre ideias erradas. Há a ideia de que estávamos a sofrer mais golos. É um facto inegável. Mas temos de ver quais as equipas que defrontámos. Defrontámos a Roma e 6 equipas do top 7 do campeonato, muitas delas longe do Dragão. Julgo que valeu a pena apostar numa linha defensiva reforçada e julgo que essa deverá ser a nossa opção para todos os jogos que considerarmos de dificuldade acima da média, como os próximos com a Roma, Braga e Benfica. Há também a ideia de que estamos a marcar menos golos. É outro facto. Não tenho a certeza que a causa seja pelo Militão a lateral direito. Até em Roma tivemos, na segunda parte, várias ocasiões de golo e outras jogadas de muito perigo que não conseguimos transformar em ocasiões de golo. De facto existe um problema de concretização e de último passe, mas julgo que vai muito para além de quem se escolhe para lateral direito. O jogo de ontem é um bom exemplo. Tivemos dois laterais muito envolvidos no jogo e na manobra ofensiva e marcámos apenas dois golos. Menos até que alguns jogos com Militão à direita como aconteceu com o Belenenses no Dragão ou em Chaves. Conclusão: acho que a chegada de reforços para a defesa permite ter várias soluções para diferentes tipos de jogo. Seja com uma defesa mais reforçada, com Militão à direita, seja com laterais mais projetados, como aconteceu ontem. Temos é de aproveitar para ir refrescando a defesa à medida que vamos introduzindo novas soluções como Pepe e Manafá.

Quanto ao jogo, foi tranquilo. É sempre caso para destaque! Sobretudo com um onze com tantas alterações. Marcámos cedo e isso ajudou a tranquilizar. A expulsão do moço que se pôs de joelhos perante o Herrera, veio sentenciar a partida. A pressão está devolvida aos adversários e, pelo menos, o Braga já sucumbiu. Gostei da dinâmica que a equipa demonstrou, sobretudo com Corona, com a entrada de Oliver e com os laterais, bem projectados. Acho que, mais uma vez, o nosso score de golos fica bem aquém da nossa produção ofensiva, sendo esse um problema recorrente e a maior fonte de dores de cabeça para Conceição.

Individualmente dou o MVP a Alex Telles. Apesar da notória falta de descanso, tenho notado que o Alex tem vindo a aproximar-se da sua forma das épocas anteriores. Muito mais disponível para atacar a linha de fundo seja em desmarcações para receber longo de Oliver, seja em drible. Vem em boa hora! Gostei muito da estreia de Manafá. Era o jogo certo para lançá-lo e começou cedo a mostrar serviço. Dá a ideia que pode replicar um pouco os movimentos interiores de Ricardo Pereira. Obviamente, não foi muito testado defensivamente. Gostei também de Corona nas suas novas funções. É o nosso jogador ofensivo em melhor forma e fez muita falta em Roma. Gostei também da entrada de Oliver e continuo sem perceber porque não é um indiscutível  neste onze e neste esquema de jogo, que exige acelerações de ritmo e qualidade no passe longo...  Pela negativa, não tenho grandes destaques. Diria apenas que Soares viu um amarelo desnecessário e que isso nos causa problemas porque as segundas ou terceiras linhas, como Fernando Andrade e André Pereira, não dão muitas garantias. O André até entrou melhor tentando ligar mais com a equipa de costas para a baliza, mas falhou muitas receções de bola.

Tondela antecede mais uma daquelas séries infernais de jogos. A margem de erro já se foi. Não resta outra opção se não a de vencer!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Stayin’ Alive


Globalmente, não foi famoso o regresso do FCPorto à Champions League. Desde logo, terminou uma série fantástica de invencibilidade. Pelo meio houve vários jogos de Champions League e vários jogos com os candidatos ao título e com todo o top 10 do nosso campeonato. Esta série não foi fruto de um calendário favorável. Antes pelo contrário! Isto demonstra a solidez que a equipa tem demonstrado. Mas, se havia jogo onde seria mais provável que a invencibilidade caísse era um jogo de oitavos de final da Champions, em casa de um adversário que joga num campeonato bem mais competitivo e que tem um orçamento várias vezes superior ao do FCPorto. 

E isso notou-se? Bem… A resposta é um ‘nim’. Por um lado, o FCPorto foi capaz de disputar o jogo até ao final, tendo até acabado em cima do adversário. Recordo que, após o golo de Adrian Lopez, a Roma tinha todo o interesse em procurar novo golo, visto que o 2-1 é bastante perigoso para abordar uma segunda mão no Dragão. Pois tinha todo o interesse, mas a verdade é que não conseguiu! Por aqui, não se notaram grandes diferenças. Por outro lado, notou-se muita diferença em termos de qualidade individual nos avançados. A ausência de Marega e Corona explica alguma coisa, mas não tudo… Brahimi acabou por ser um oásis em termos de qualidade na nossa manobra ofensiva. E falo de qualidade individual propositadamente. Graças aos nossos médios e a Brahimi, a manobra ofensiva conseguiu pôr os nossos avançados por várias vezes em zonas perigosas e em condições de explorarem o 1 para 1, sobretudo na segunda parte. Mas nem Soares nem Fernando Andrade tiveram capacidade (qualidade) para transformar estes lances em oportunidades de golo ou em remates. Do outro lado, víamos avançados que em meia oportunidade fazem um golo ou um remate perigoso. Todos estes desequilíbrios que causavam acabavam invariavelmente em remate, bom ou mau. Está a faltar-nos o killer intinct e já tem faltado nos últimos jogos.

Falando do jogo em concreto, Conceição optou por jogar um pouco em função das fragilidades do adversário e optou por uma dupla de avançados. Obviamente, sem Oliver em campo e com dois avançados que tiveram muita dificuldade em entrar no jogo, a primeira parte foi má. As excepções foram os momentos em que Brahimi conseguiu pegar no jogo e algumas bolas longas que causaram mais problemas. Mas, no geral, as bolas longas de Felipe foram mais uma forma de aliviar do que de criar jogo. Julgo que Conceição, esperava mais de Otávio que não conseguiu assumir o jogo. A partir dos 50 minutos tivemos o nosso melhor período no jogo. Posse de bola no meio campo adversário e grande intensidade na recuperação de bolas, deu-nos o domínio do jogo que, só foi interrompido pela lesão de Brahimi. Deu a ideia que a equipa ficou algo desconcentrada com a situação e acabámos por sofrer o golo, um pouco contra a corrente da segunda parte. Reagimos bem, mas acabámos por permitir o segundo após uma escorregadela de Felipe. Era uma questão de tempo até uma destas escorregadelas dar em golo… A reação final trouxe o golo e poderia até ter trazido o empate. Os três jogadores que entraram para a nossa frente de ataque acabaram por ser muito importantes neste assalto final. 

Individualmente, dou o MVP a Casillas. Além das grandes defesas, fez uma exibição mais completa que os colegas, visto que jogou bem quer na primeira parte, quer na segunda. Brahimi estava a ser o melhor em campo até se magoar. Cedo de mais! Nem quero pensar no que o tempo de paragem nos vai causar… Por último, gostei de Militão. Implacável na defesa, acabou por aparecer muito mais envolvido no nosso jogo ofensivo, sobretudo na segunda parte. Gostei também dos três que entraram. Entram muito bem, todos eles. Mas tenho de destacar Adrian. Se me queixo da falta de qualidade na nossa dupla de ataque, Adrian mostrou exatamente o contrário. Não me lembro de uma má intervenção no jogo. O golo que acabou por marcar, busca a profundidade com muito mais qualidade que os dois colegas. Até isso fez melhor! Pela negativa tenho 3 destaques. Felipe ameaçou uma nabice na primeira parte e acabou por cumprir na segunda. Julgo que pode descansar no Domingo. Vai-lhe fazer bem… Por último a dupla de ataque. Mostraram muito pouco e em alguns lances chegaram a dar um pouquinho de desconforto, por se notar que estavam muito longe da qualidade dos colegas e muito aquém de um jogo de oitavos de final de Champions. 

Vencidos mas nada convencidos! Vemo-nos no Dragão!

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Crise?


Obviamente que sim! Perdemos 6 pontos em 5 jornadas para dois dos nossos adversários directos. Não há como negar. Ambos estão mais perto depois de eles próprios terem recuperado das suas mini-crises. Há duas semanas dizia aqui que duas vitórias em Guimarães nos deixariam muito bem posicionados para o Bi. Dois empates mais tarde, a perspectiva mudou. Não estaremos tão bem posicionados como estávamos há um mês, mas estamos melhores que qualquer adversário. Importa saber como vamos reagir. 

E para reagir temos de perceber que há duas grandes causas para esta quebra de rendimento. A primeira é o calendário/cansaço. Poderão dizer que grande parte dos nossos adversários também tiveram este problema, mas o nosso tem sido especialmente complicado. Jogámos fora de casa 4 vezes nas últimas 5 jornadas e, desses 4 jogos fora, 3 foram em casa do 4º, 5º e 6º classificados. Justamente onde perdemos pontos. Em todos estes jogos poderíamos/merecíamos ter trazido outro resultado. E aqui entrámos na principal causa para esta mini-crise: a finalização. Temos tido muitos problemas em marcar golos. Uma pequena parte tem a ver com alguma falta de qualidade dos nossos avançados mas, grande parte do problema tem a ver com factores psicológicos. Temos de ter a serenidade suficiente para dar o melhor seguimento ao nosso vasto caudal ofensivo e essa serenidade tem de vir do banco também. Em suma,  será que isto é causa para pânico? Não! Motivo para preocupação? Obviamente!

Vamos ao jogo. Depois do que aconteceu em Guimarães, esperava-se uma entrada mais forte. A revolta perante a injustiça do resultado anterior seria um bom combustível, mas cedo se viu que não iríamos ter a reação que se viu, por exemplo, em Chaves. Tal não significa que não tenhamos estado no controlo ou que não se tenha visto um caudal ofensivo razoável. Mais uma vez chegámos regularmente a zonas de finalização com tudo para marcar. E fomos fazendo até ao momento em que Conceição mexe na equipa. Já o vimos fazer alterações com grande sucesso mas, desta vez, estragou mais do que o que ajudou. O Moreirense estava apostado em sair rápido para o ataque e fê-lo sempre com perigo. Ao tirar o médio com maior qualidade na posse de bola, Conceição entrou no jogo do adversário, partindo-o. Oliver saiu, Corona foi para lateral e Brahimi saiu pouco depois. Até se justificava, se Oliver estivesse pior que os restantes médios, mas não. As oportunidades do Moreirense apareceram com mais frequência até ao golo. O nosso forcing final salvou o ponto e até poderia ter dado mais, mas não apagou a má imagem que se deu a partir dos 60 minutos em que perdemos o controlo do jogo.

Uma palavra para o Moreirense. Gostei. Já sabemos que viveram muito da nossa intranquilidade, mas fizeram-no de uma forma leal. Não vi perdas de tempo, nem anti-jogo. Queriam ganhar e quase o conseguiram. Se for para perder pontos que seja com equipas que efectivamente tentam jogar.

Individualmente, dou o MVP a Oliver, quer pelo que fez em campo, quer pela falta que fez quando saiu. Gostei também de Militão, quer a lateral, quer a central. Não concordo com esta corrente que defende que Militão faz falta no meio e que é apenas razoável a lateral. Acho que não estão a valorizar bem as exibições de Pepe e acho que não se estão a recordar bem do passador que era a nossa lateral direita com Maxi. As restantes exibições foram regulares. Acho que Brahimi está muito cansado e isso nota-se no seu rendimento na decisão final. Herrera caiu bastante com a saída de Oliver. Voltou aquelas exibições commuito disparates e foi até irónico ter sido ele a salvar o ponto, dado que ele foi um dos maiores causadores da nossa intranquilidade. Gostei da entrada de André Pereira e continuo a não ver nada de especial no Fernando Andrade. Mas era ele que estava lá naquele lance que nos ia dar a vitória.

Uma pequena chamada de atenção para a arbitragem. É incompreensível que não tenha marcado aquele penálti/falta que depois se viu que era fora. É um erro claro e deixa a sensação que não marca porque achava que era penálti. Especulação pura... Mas, de resto, esteve bem e não percebo o histerismo com o Perdigão. Mais uma daquelas batalhas de Conceição que não percebo. Tanto se goza com o ridículo do auto 'jubilado' António Rôla e depois queremos alguém parecido no Porto Canal? Juízo!

Roma não vem em boa altura. A equipa está a passar um momento menos bom e a Roma tem estado a recuperar. Há um mês diríamos o contrário... Ainda assim, é a Champions e  qualquer bom resultado poderá relançar a equipa.


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Finalização


«Há jogos assim... A bola não quis entrar... O melhor jogador deles foi o guarda redes... Podíamos estar ali mais uma hora, que a bola não iria entrar... Faltou o toque final...». Já conhecemos todas as frases habituais após estes jogos de sentido único. Nenhuma ajuda a fazer com que a digestão seja melhor. Mais que frases de circunstância, importa ter o discernimento de procurar motivos além da escapatória da falta de sorte. Proponho-me a dar uma ajuda.

Comecemos pelo adversário. Se há um mérito que se tem de dar a este FCPorto de Conceição é que até Luís Castro muda a sua maneira de jogar, quando nos defronta. Foi um Vitória bem mais próximo do Boavista, do que o habitual (eu sei que eles irão detestar esta comparação). Mas se Benfica e Sporting o fazem, porque não havia de fazer Luís Castro? Sérgio tem-se vindo a queixar que todos os treinadores adaptam a sua equipa à forma de jogar do FCPorto, ou ao que eles pensam que é a melhor forma de nos travar. Ou aparecem 3 centrais, ou um meio campo ultra-povoado... Uma coisa é certa: há sempre pianistas de carreira dispostos a tocar bombo, como se fosse o seu instrumento desde pequeninos. Conceptualmente, eu prefiro sempre modelos como o de Conceição que vão mudando ao longo do jogo e não ao longo do campeonato e em função do adversário. Mas teremos de tentar perceber porque é que esta tendência coincide em todos os nossos adversários. A ideia generalizada é que o FCPorto de Conceição é o FCPorto de Felipe, Danilo, Soares,  Herrera e Marega. Uma equipa fisicamente imponente, implacável nos duelos e que procura o jogo directo. Uma equipa temível em termos de intensidade, mas mais controlável ao nível da técnica individual. E é para isso que se preparam. 

Há aqui alguns erros de concepção do nosso jogo, mas há um ponto em que tendo a concordar. Há muitos, demasiados, jogos em que a nossa finalização deixa muito a desejar. Vínhamos chamando a atenção para esse facto naquela série fantástica de vitórias, que tivemos recentemente. A equipa tem de ter uma melhor capacidade de tirar tranquilidade do facto de estar a ser superior. Quer essa superioridade se manifeste no resultado, quer nos jogos de sentido único como o de ontem ou o do Bessa. E porque é que raramente consegue? Falta de qualidade de finalização na nossa frente de ataque. É gritante em Marega, é intermitente em Soares, depende muito do estado mental de Aboubakar, mas também se tem notado em Brahimi e Corona. Em certos casos são razões de técnica individual, noutros é falta de serenidade, mas o problema existe e tem de ser atacado. Assim, a táctica do adversário é a de povoar as zonas recuadas e esperar que nós falhemos. Parece-lhes mais plausível que o FCPorto cometa erros na frente do que atrás. Sempre dá um pontinho...

Mas o FCPorto que tem jogado, é um pouco diferente. E aqui pretendo entrar numa opinião pouco consensual. Marega tem sido fundamental neste FCPorto de Sérgio Conceição e isso faz com que raramente abdique dele. Mas este FCPorto que tem jogado parece ter mudado o paradigma da suposta maregodependência. Com um meio campo formado por Oliver e Herrera, e com Brahimi e Corona em boa forma nas alas, a equipa hesita mais em jogar directo nos avançados. Quantas vezes temos visto Marega a ficar agastado com os colegas por estes não respeitarem muitas das suas enésimas tentativas de ataque à profundidade? Até faz com que ele venha muito mais vezes em apoio. A tendência é para que a equipa tenha uma maior capacidade de reter bola com qualidade e esperar pelo melhor momento para recorrer a Soares o Marega. Temos visto muito mais penetrações na área, muito mais remates de longe e muito mais gente a surgir em fase ofensiva e de finalização. Basta ver o espaço que Alex atacou ontem num dos lances mais perigosos da primeira parte e o lance do mergulho de Corona na segunda. Será que dependemos de Marega para este estilo de jogo? Tenho a sensação que a resposta é: cada vez menos. E assim chegamos à opinião impopular: Esta lesão de Marega pode não ser assim tão má. Calma! Arrumem as tochas e as forquilhas! Primeiro vai dar descanso ao jogador, que precisa. O que pretendo dizer é que poderemos apostar numa frente de ataque diferente com a inclusão de Otávio, por exemplo. Podemos muscular mais o meio campo com o regresso de Danilo e o libertar de um dos médios ou até os dois. Até poderá aparecer mais rápido o nosso último reforço, Loum, que tanto prometeu na primeira volta do campeonato. E esta até foi a táctica que nos valeu a passagem aos oitavos na Champions. Todas estas alterações poderão dar mais qualidade à nossa posse de bola e Marega poderá regressar, esperemos que brevemente, e reintroduzir-se numa equipa mais eficaz nas várias fases do jogo.

Falando brevemente do jogo, foi doloroso do princípio ao fim. Tivemos sempre o controlo, tivemos oportunidades de golo quando estávamos tranquilos no jogo e quando  já ninguém conseguia esconder a irritação com o facto de a bola não entrar. Até nessa altura se sucediam as ocasiões de perigo. É mais um daqueles resultados absurdos que não pode abalar a confiança porque não se coaduna com o que se passou no jogo. Já havia acontecido na Taça da Liga e temos de retomar o caminho das vitórias novamente e com o mesmo vigor que temos estado a demonstrar.

Individualmente, gostei das exibições, de uma forma geral. Mais uma vez, dou o MVP a um dos médios, Oliver. Estiveram os dois muito bem, mas pareceu-me que Oliver esteve um pouco melhor nas recuperações e no lançamento do ataque. De resto só não gostei de dois jogadores. Marega estava a fazer uma exibição paupérrima até se magoar. Até acho que deveria ter saído para o lugar de Otávio. Mas era uma decisão difícil visto que não havia ninguém no banco para jogar na área. Também não gostei de Fernando Andrade que não fez melhor que o colega que substituiu. Esta avaliação mudava muito se eu ponderasse de forma superior a finalização. Assim, dou uma  nota positiva generalizada.

Por último, duas breves notas. Se não empatámos pela arbitragem, acho que podemos guardar as nossas queixas para outras alturas. Mas, se vamos criticar, temos de dizer porquê. Foi pelo critério disciplinar ridículo, foi pela falta sobre o Otávio, etc.. Tem de se se ser concreto. É uma cartada que tem de ser cirúrgica, para não cair no ridículo dos outros. Por falar em cair no ridículo, a Sport Tv dá aos comentadores a incumbência de nomear o homem do jogo. O FCPorto cedo disse que não participaria nessa fantochada e parece que antecipou convenientemente o ridículo desta invenção da operadora. Ontem Luís Freitas Lobo e Companhia elegeram Wakaso para MVP. É isto que o Luís quer para o futebol? O gajo dos poemas e das odes à bola? Em primeiro lugar Wakaso foi de longe o jogador mais faltoso em campo, e nem foi dos melhores do Vitória. Vi grandes defesas, vi jogadores a tirar em cima da linha e não vi Wakaso em nenhum desses lances. Apenas vi que tentava dar lenha, muitas vezes com sucesso, a cada vez que era ultrapassado e foram muitas vezes. Em jogos deste tipo, só há duas soluções para MVP: ou o guarda redes da equipa que levou com a avalanche ou um dos melhores jogadores da equipa que realmente tentou ganhar.

A vantagem pontual que fomos acumulando serve para estes jogos em que o resultado não premeia a exibição. Seria mais preocupante se fosse em resultado de uma má exibição. Quem paga é o adversário seguinte! Já trouxemos o seu melhor jogador e agora temos de trazer os três pontos de Moreira de Cónegos.