terça-feira, 24 de maio de 2016

Humildade



Mais uma vez terminámos a época sem nada! São já 3 épocas seguidas. Atrevo-me a dizer que é merecido. Talvez a nossa exibição a partir da segunda parte, aliada à pálida exibição ofensiva do Braga, nos possa iludir em exercícios de merecimento e justiça, que são subjectivos e coisas de 'calimero'. Olhando para a época na sua globalidade, não ganhar nada, assenta bem perante tão fraco desempenho de Presidente, direcção, treinadores e jogadores.

Que sirva de lição! Eu chamo-lhe o 'banho de humildade':
- Humildade na equipa: Nota-se paulatinamente a necessidade substituir os jogadores em plataforma de promoção pessoal e de incutir mais traços de Portismo na equipa. Começou com Ruben e André André e culminou na afirmação do miúdo André Silva, finalmente com golos, e na estabilização de Sérgio Oliveira no onze. No próximo ano teremos Rafa Soares e espero que Chicão e Ivo Rodrigues também tenham uma oportunidade.
 
- Humildade na estrutura: O 'mito da estrutura' tem vindo a atenuar-se. Havia, por exemplo, nos tempos de Vitor Pereira, uma ilusão de que um cone de sinalização, no lugar do treinador, chegava para fazer desta equipa, uma equipa vencedora. Esta sucessão de más experiências na liderança técnica da equipa deverá devolver a humildade na escolha e a noção de que se trata de um ponto fulcral para a inversão desta tendência de declínio. Começaríamos bem se se admitisse que a opção Peseiro foi terrível e que nem todos os males se concentram em Lopetegui.

- Humildade nos adeptos: Talvez se pense duas vezes antes de se soltarem os lenços brancos, num jogo de taça da liga, num momento em que a equipa se encontra em primeiro lugar. Ou antes de se assobiar o treinador só porque não dá minutos a um jogador da casa ou  porque não o põe a marcar um penalti. É certo que o treinador não pode agradar a todos e que nessa altura o seu desempenho se estava a degradar mas, naquela altura, fazer a vontade aos adeptos sem uma alternativa de qualidade, foi pior para o FCPorto. Contra mim falo. Não assobio no estádio mas vou escrevendo aqui, nem sempre com razão. Há que desenvolver nos adeptos um equilíbrio de exigência à FCPorto que não chegue aos limites de sermos 'adeptos só de vitórias'. É difícil, mas vamos evoluindo.

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segunda-feira, 16 de maio de 2016

Últimos sinais


Na próxima semana teremos a única interrupção numa longuíssima pré-época que nos calhou. Todos nos lembramos que tivemos uma longa pré-época com Mourinho, que resultou no maior ciclo de vitórias do clube, mas neste momento, ninguém ousa fazer paralelismos. Pelo contrário, há paralelismos com épocas mais amargas. Há uns tempos, muitos gozaram com Vitor Baía por confundir Peseiro com Couceiro. Continua a ser motivo de troça mas, nesta altura, começámos a ver mais parecenças, do que a mera rima que traiu Baía. Nessa altura, depois de várias humilhações como uma derrota por 0-4 , em casa com o Nacional, poucos viam Couceiro com capacidade de preparar a equipa para a época seguinte, e acontece o mesmo com Peseiro. Não lhe reconheço capacidade para desenhar e executar uma época vencedora, partindo deste 'estado de coisas'. Poucos reconhecem, independentemente do que se fizer na próxima semana. 

O jogo com o Boavista trouxe pouco. Foi uma exibição fraca na primeira parte e melhor na segunda. Não trouxe grandes pistas para o onze da final da taça, mas sobram alguns sinais para a próxima época:
- Na lista de vendas deveremos ter Aboubakar, Hector Herrera, Brahimi ou Corona e Martins Indi.
- Na lista de dispensados deveremos ter Jose Angel, Bueno, Marega e Suk a que se devem juntar uma serie de retornados sem grande utilidade, como Ghilas, Adrian Lopez, etc..
- André André deverá começar a época numa situação pouco melhor do que na época passada, em termos do seu papel na equipa. Teve uns meses bons, mas voltou muito abaixo. De tal forma, que ninguém estranhará a sua ausência dos convocados para o Europeu.
- Layun deverá ser comprado em definitivo, mas este esquema de jogo não protege a equipa para o facto de Maxi e Layun se comportarem mais como alas, do que como defesas e esse é claramente um problema a atacar.
- André Silva marcou finalmente e todos sabemos como isso foi importante. Por muito que ele jogue bem, sem golos, candidatava-se mais facilmente a jogar emprestado, do que no plantel principal. Reparem que Aboubakar arrancou muito bem, mas perdeu-se quando se foram os golos.
- Terá que ser tomada uma decisão técnica clara quanto a Danilo e Ruben Neves. Eu continuo a achar que Ruben é a solução para grande parte dos problemas de construção ofensiva da equipa. Por muito que não consiga provar que Danilo jogue mal. Antes pelo contrário! Ruben dá muito mais à equipa porque, o que falta ao nosso meio-campo, não é músculo. Falta criatividade!
- Casillas deve ficar, mas haveria alguém incomodado se ele fosse embora? É interessante fazer esta sondagem e são poucos os que se importam. Não deixa de ser estranho visto que é, de longe, o jogador mais bem pago do plantel.

Curioso para perceber quem estará no onze da proxima semana, nomeadamente, se André Silva vai ser titular. Venha daí um título! Estamos mesmo a precisar.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Plano B


Outra vez? Esta foto é muito interessante. Sérgio com aquele olhar incrédulo em direcção a Postiga, depois de mais uma situação de golo sofrido, ao primeiro remate do adversário. No entanto, dado que Sérgio tem sido titular na maior parte dos jogos com Peseiro, já devia estar habituado...

Mas este não é um post de crítica a Peseiro. Essa tem vindo a ser feita aqui com uma regularidade adequada à frequência dos calafrios e dos maus resultados que a equipa tem apresentado. Ontem não foi o caso. A equipa não jogou tão mal como vinha jogando e o resultado foi bom, num campo muito difícil. Perante um golo, em tudo inesperado, a equipa reagiu com tranquilidade, com capacidade de ir ganhando paulatinamente o controlo do meio-campo e procurando não expor a defesa a calafrios. Lembro-me de dois em todo o jogo, além do golo. Fossem todos os jogos assim e eu não estaria neste momento a contar os dias até que Peseiro volte às suas aventuras por entre as areias do deserto, bem longe do Dragão.

Individualmente, gostei do MVP Sérgio Oliveira e do regresso do Marcano. Não apreciei a exibição de André André que parece que não vai conseguir chegar à final da Taça na sua forma pré-lesão. 

Dado que já fui abordando a estrutura habitual de crónica, posso agora ir directo ao destaque que é a súbita aposta na 'portugalidade'. Cinco portugueses no onze inicial, sendo que quatro são das entranhas do famigerado projecto 'Visão 611'. Deve ser um record, nos últimos anos. Não chego a perceber o objetivo. Será para provar a um presidente de Câmara, que adora a ribalta, que o projeto não foi assim tão mau? Será porque este jogo não era com o Sporting? Será para acalmar os portistas? Será para convencê-los a ver os jogos? Confesso-vos que, comigo, está a funcionar. Ando há 3 jogos 'em pulgas' para que o André Silva marque um golo (de preferência a passe de Ruben) e não vejo maneira de o miúdo ter uma 'pontinha de sorte'! Friamente, não consigo deixar de achar que isto é temporário e que estes miúdos só jogam para que os outros vejam que têm o lugar em perigo. Pelo menos até à final da Taça... Ou até à pré-época, altura em que irão perceber que vão ser emprestados.

E depois tivemos o título da equipa B, que teve mais portistas a assistir do que o jogo em Vila do Conde. Se calhar mais portistas do que em conjunto nas mais de 35 jornadas em que a equipa se manteve no primeiro lugar. Foi bonito e os míudos merecem o reconhecimento. Se tiver tempo, ainda irei fazer um texto sobre esta equipa comandada por Chico Ramos e por Graça, que se teve de reconstruir várias vezes ao longo da época e que vai fazer cerca de 50 jogos sempre a um nível que nos pode orgulhar. Grande trabalho de Luís Castro! Poderei apenas dizer-vos que, nesta equipa, há jogadores que estão habituados a dar títulos ao FCPorto desde cedo. Chicão, Rafa, Graça, Tomás e André Silva foram campeões de sub-17 e, a seguir, vem uma geração com Ruben Macedo, João Costa, Sérgio Ribeiro e Rui Moreira, campeões de sub-15 e sub-19 e de Verdasca que foi campeão de sub-19. Há que pôr os olhos nestes miúdos! O Portismo não se constrói em dois dias... Já sei que são realidades completamente diferentes, mas a equipa B é um bom modelo de uma equipa construída com espinha dorsal portista, complementada com estrangeiros de qualidade e potencial.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Empurrão


De quando em vez, lá aparece um título de crónica que é enganador quanto ao seu conteúdo. Se julgam que vou falar do lance de Aboubakar estão enganados. É, de facto, um lance mal ajuizado que nos daria uma vantagem grande no jogo, quer pela iminência do empate, quer pela consequente vantagem numérica em campo. Mas não consigo deixar de pensar que essa mudança no jogo nos iria 'cair do céu'.

Peseiro fala disso e do número de oportunidades de golo. Eu, como já não o consigo aturar, prefiro concentrar-me na nossa total incapacidade para controlar o jogo. Que foi o nosso futebol, se não uma constante rotina de bombear bolas para as costas da defesa do Sporting? Tivemos uma exibição intensa mas demasiado sôfrega, em total oposição com a exibição calma do nosso adversário. E isto perante um cenário em que o resultado, para nós não era nada, e para eles era tudo. E nem com isso, conseguimos jogar. Os erros começam no onze inicial. Deu a ideia que interrompemos a pré-época para este jogo. Para este, já não servem o André Silva e o Ruben Neves. Mas, pelo contrário, já serve o Chidozie. Não dá para perceber, se não numa perspectiva de ganhar centímetros para ajudar a estorvar o Slimani. Notou-se que ele estava bem incomodado... Não perdoo quando um treinador do FCPorto se preocupa mais com a posse de bola dos outros do que com a qualidade da nossa. E como ele não se preocupa com isso, expõe constantemente a equipa à resposta do adversário. Isso gera pânico e descontrolo que resultam facilmente nos erros de Jose Angel e de Chidozie no primeiro golo, de Maxi e Indi no segundo e de Maxi, de Danilo e de Casillas no terceiro. Mas não é só o descontrolo. Há também rotinas simples que impedem que as costas de Jose Angel estivessem protegidas quando foi ultrapassado no primeiro golo, que permitem que o melhor assistente do adversário tenha liberdade para receber e rodar num lançamento de linha lateral e que permitem que o Danilo rode para o lado contrário do sentido da bola no último golo sofrido. Mais que erros são sinais de uma falta de rotinas e de treino que são assustadoras a este nível. Peseiro pode ser o menos culpado do que nos aconteceu esta época. Mas, mesmo contando com todas as atenuantes, não demonstra qualidade nem carisma suficientes para liderar e planear aquela que poderá ser a época mais importante da história recente do FCPorto.

Individualmente, gostei de algumas coisas do Herrera e pouco mais. A defesa foi toda um desastre. O meio-campo foi incapaz de controlar o jogo e o ataque foi o espelho do resto da equipa. Não consigo entender a utilidade da entrada de André André para uma zona à frente dos centrais. Notas especialmente baixas para Maxi, Indi e Corona.

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