quinta-feira, 19 de abril de 2018

Controlar até cair



Se estão à espera que este seja um post de crítica a Sérgio Conceição e à equipa que ainda há três dias ganhou estoicamente na Luz, posso já adiantar que... sim! Também é. Sacrilégio? Talvez...

Começo com uma adivinha: «Esteve perfeito na agressividade, na entrega e muito inteligente na forma com controlou os ímpetos de um adversário que que tinha de fazer tudo para ganhar e que se viu completamente manietado.» Trata-se de uma descrição da exibição do FCPorto ou da do Otávio? Ambas as respostas estão correctas. De facto Otávio personifica o que foi o FCPorto hoje: perfeito a controlar, péssimo a atacar. Não me lembro de um jogo desta época em que o FCPorto tenha produzido tão pouco futebol ofensivo. Mas também não me lembro de um jogo desta época em que o FCPorto se tenha sentido tão confortável a controlar o jogo com bola como na primeira parte de hoje. Em que ficámos? Estivemos bem ou mal? Temos a resposta no resultado... 

É até irónico que isto aconteça na mesma semana da exibição na Luz. Aí também tivemos uma equipa que, a partir de certa altura, se preocupou  mais em manter o resultado do que em atacá-lo. Em ambos os casos essa estratégia foi desmontada por um momento em que tudo se transforma e em que uma estratégia que parecia ter tudo para funcionar se transforma numa má estratégia. Herrera pôs a nu a falta de ambição de Rui Vitória e Marcano fez o mesmo com Sérgio Conceição. As circunstância não são bem as mesmas, até porque Sérgio tinha prolongamento e teve mais azar com lesões, mas a ideia é a mesma: jogar com cautelas é perigoso!

Falando do jogo, confesso que me surpreendeu o facto de o Sporting ter passado os primeiros 80 minutos sem conseguir criar uma oportunidade que fosse. Julgo que nem tiveram um remate enquadrado. Talvez tenha sido esse o facto que fez com que o FCPorto tenha descansado, erradamente, em cima do resultado. A aposta em Oliver e Otávio como médios acabou por resultar muito bem e o adversário teve muita dificuldade em criar jogo ofensivo. E assim, a primeira parte foi muito bem controlada pelo FCPorto. A segunda seguiu no mesmo tom, mas eu estava à espera que a nossa equipa conseguisse capitalizar melhor o nervosismo do adversário e que conseguisse aproveitar o seu natural adiantamento já que precisava de marcar. Ora não aconteceu nem uma coisa nem outra. O Sporting não demonstrou nenhuma intenção de aumentar a pressão sobre a nossa baliza, nem o FCPorto conseguiu encaixar uma única jogada em transição rápida na segunda parte. As nossas substituições também não ajudaram. Parecia que estavam todos contentes com o empate. Jesus lá disfarçou com a entrada de Montero mas não conseguiu fazer uma jogada de perigo. Nem perto. Marcano tratou de resolver o assunto para o Sporting, que nada fez para merecer o prolongamento. Mas isto é o que acontece quando se deixa as decisões para o lado aleatório do jogo.

Mas Marcano só ajudou a pôr a nu uma má decisão de Sérgio Conceição. Teve azar em ver Oliver lesionar-se pouco depois de ter metido Sérgio Oliveira, que seria o seu substituto natural,  noutra posição. Mas ao optar por Reyes, Sérgio não acautelou a possibilidade de irmos a prolongamento. Se entrasse Marega ou Corona, arriscávamos mais durante 10 minutos, mas nem sequer seria arriscar muito visto que iria ser o meio campo que joga a maior parte dos jogos e o que jogou na Luz. Um treinador tem de pensar nestas eventualidades. Com um Aboubakar absolutamente irreconhecível e com Brahimi e Ricardo Pereira esgotados, o FCPorto ficou entregue à força física de Herrera. É pouco.

No prolongamento vimos um jogo mau. Nenhuma das equipas tinha frescura física para jogar e o jogo arrastou-se. Destaque apenas para a monstruosa condição física de Herrera e para a inexplicável decisão de Jorge Sousa de não expulsar Acuña num lance com Ricardo Pereira. Acredito que não teria efeito nenhum, mas é uma decisão que nem os sportinguistas compreendem. Nenhum admitirá mas é um lance demasiado claro. Nos penaltis, apenas registo que marcámos bem melhor do que em Braga. Patrício não cheirou nenhuma bola. Iker também não esteve muito inspirado. Temos um caso sério com as decisões por penaltis. Só nas últimas 3 épocas já aconteceu 4 (!?) vezes. Começa a ser ridículo...

Individualmente, dou o MVP a Herrera que foi o único jogador que jogou  os 120 minutos. Ricardo e Brahimi tentaram enquanto tiveram forças. Oliver entrou bem na equipa e recuperou muitas bolas. Boa exibição até à lesão, a provar que não é absurdo pensar nele para um dupla com Herrera. Otávio este bem e esteve mal. Não me consigo decidir. Soares nem fez um grande jogo, mas quando comparado com Aboubakar... Que jogo horrível do Camaronês! O FCPorto desapareceu ofensivamente com a sua entrada. Não segurou uma bola, não pressionou, não rematou. Zero!  Reyes entrou melhor que Sérgio Oliveira mas nessa altura a equipa precisava de poder ofensivo que ele não pode dar. Nota mínima para Marcano. Nos últimos dois jogos voltou aos habituais 'enterros' que fizeram com que o FCPorto depois das suas primeiras épocas no Dragão, fosse hesitando na renovação do seu contrato.

Para terminar, quero acreditar que teria a capacidade de fazer esta mesma crónica se Brahimi conseguisse marcar aquele golo aos 120 minutos. Mas é um facto que o resultado pesa muito no nosso julgamento, tal como aconteceu no Domingo.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Salão de festas


Se andaram a tremer nos jogos anteriores para tornar mais épico este golo do Herrera, diria que talvez tenha sido mais saboroso, mas que não repitam a brincadeira! Voltámos a brilhar no nosso salão de festas emprestado e com o golo de um jogador que bem merecia. Por todas as razões. Por ser o tal 'patinho feio', pelo lance desastroso do ano passado no Dragão, mas sobretudo pelo golo que lhe roubaram na primeira volta, numa das decisões arbitrais mais vergonhosas dos últimos tempos, que até têm sido pródigos em decisões 'controversas'.

O FCPorto não entrou mal no jogo, mas também não entrou a mandar, tal como seria desejável e tal como tem sido habitual em clássicos, este ano. Tal resultou num primeira parte equilibrada e até com algumas oportunidades para o adversário sendo que, em termos de oportunidades claras, houve uma para cada lado. Deu-me a ideia que a equipa acusou alguma pressão e cometeu alguns erros, nomeadamente alguns cantos desnecessários, algumas bolas perdidas em zona proibida, culminando no lance de Pizzi que resulta de um erro grave de Marcano. Em suma, deu-me a ideia que as nossas jogadas mais perigosas estavam a resultar de boas jogadas e que as oportunidades e o ascendente do adversário estavam a resultar de erros nossos. A segunda parte foi muito diferente. À excepção de um remate fraco na sequência de um canto, que poderia ter sido mais perigoso noutros pés, a segunda parte é toda do FCPorto. Uma claríssima demonstração de força! Mais uma! Emergiram sobretudo três jogadores: Herrera, Brahimi e Ricardo Pereira. Herrera passou a dominar por completo o meio campo, num trabalho incansável de procura da recuperação de bola no meio campo adversário. De tal forma que, às vezes, tinha de ser o Otávio a aparecer na posição mais recuada do meio campo. Pode não ser o capitão mais carismático, mas ontem foi um verdadeiro capitão pelo exemplo! Já muitos chamaram a atenção para o facto, mas não será demais repetir que Herrera estica a camisola para mostrar o símbolo, quando outros artistas destacam o próprio nome. Sintomático! Brahimi passou a atrair sobre si a atenção de três jogadores adversários permitindo libertar a entrada dos nossos médios e conseguindo, muitas vezes, sair do drible com qualidade. Ricardo Pereira foi uma autêntica locomotiva pela direita. O passe que isola Marega é delicioso. Deu até a ideia que a entrada de Corona lhe limitou os movimentos, deixando de aparecer com tanta frequência na frente. Por falar em Marega, a sua recuperação também foi fundamental porque permitiu que Sérgio jogasse com o seu esquema de jogo preferido. Já nos conformámos com o facto de termos um FCPorto que precisa destes ataques à profundidade de Marega, que precisa desta combinação de avançados de características diferentes e que precisa de um jogador que consegue encostar à ala direita quando é necessário. E Marega é o único jogador do plantel que lhe dá isto. Somos Maregodependentes? Não diria tanto, mas dada a qualidade de soluções que temos na frente, além do Maliano, temos de encrontrar uma solução para os jogar sem ele. Talvez no próximo ano...

Individualmente, dou o MVP a Herrera porque decidiu o jogo e talvez algo mais. Aguardemos. Não fosse o golo e daria o MVP a Ricardo Pereira. De resto, dada a segunda parte, tenho notas muito positivas para todos. Destacaria apenas Casillas pela segurança e pela defesa que nos manteve no jogo. Pela negativa, apenas o nervosismo inicial onde se destacou Marcano, algo que me surpreendeu, particularmente.

Mantemo-nos pela capital do Império. Temos mais um objectivo importante em jogo. Para cima deles, carago!

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Respeitinho


A vitória de hoje foi a única notícia boa numa semana que foi deprimente para os portistas. Na segunda-feira confirmaram-se os indícios de que a equipa, finalmente e talvez na pior altura, juntou a quebra anímica à natural quebra física que já vinha acusando. Dois dias depois, veio a notícia de que Danilo, um dos melhores jogadores da equipa, não joga mais este ano, não vai ao Mundial e dificilmente poderá ser vendido. Não que eu quisesse que o fosse mas, na situação em que estamos, era um encaixe importante num dos ativos mais valiosos do plantel. Ontem, no Bonfim, deprimimos um pouco mais ao perceber que nada mudou em relação aos últimos anos. A nossa quebra recente coincide com uma serie de colinho que ontem teve mais um episódio. Isto não escandaliza, por ser habitual, mas deprime-me porque o futebol é um desporto entusiasmante pela imprevisibilidade, pelos resultados que passam de 3-0 a 3-4 em 20 minutos e pelos heróis improváveis, como o Kelvin. Em jogos como o de ontem temos o anti-futebol: não surpreende o resultado, nem a forma como é obtido, nem o herói, desta vez Luís Godinho. 

Recorde-se que este árbitro tinha acabado de fazer uma arbitragem má em Braga em que conseguiu ver na TV, algo que mais ninguém viu, para anular um golo ao Braga. Foi imediatamente 'premiado' com mais um jogo de um grande. Faz todo o sentido...

Esta influência do 'Clero' é realmente deprimente, mas não podemos desistir! E isso pareceu claro na forma como entrámos em jogo, hoje. Ficou ainda mais clara no festejo de Alex Telles. "Respeitem-nos!" Já sabemos que a probabilidade de os destinatários serem sensíveis ao apelo, é baixa... Mas, pelo menos, ficámos a saber que o plantel está atento ao 'caldinho' a que temos assistido e isso dá-me alguma esperança de uma reacção de revolta. O FCPorto que eu mais gosto sempre foi um clube de combate e de reacção às condições inclinadas da competição em Portugal. É preciso reagir a estas adversidades e espero que essa capacidade de combate se veja já na próxima semana, no jogo do ano.

Retomando o jogo de hoje, entrámos muito fortes e o resultado ao intervalo não espelhava a chuva de oportunidades claras que a equipa criou. Voltámos a falhar a goleada, mas não falhámos a reacção impetuosa e categórica ao resultado muito adverso de segunda-feira. A entrada em jogo ajudou a que não se notasse qualquer intranquilidade na equipa. Pelo menos nada de anormal. Hão de haver sempre os adeptos do 'passa a bola' descontentes com os dribles do Brahimi, mas esses já não têm cura... Até são minoritários apesar de fazerem algum barulho que, nesta altura e neste jogo, era desnecessário. A equipa foi caindo de rendimento ao longo do jogo, mais por questões físicas do que pelos problemas que o adversário nos estava a causar. Ainda assim, uma vitória clara que peca pelo resultado escasso.

Individualmente, dou o MVP a Ricardo Pereira. Nesta recente fase menos boa tem sido consistentemente dos melhores e está numa forma enorme. Julgo que Sérgio vai aproveitar isso e, no próximo jogo, vai lançá-lo na ala ofensiva a fazer de Marega, reforçando o meio campo com Otávio e tirando Aboubakar. Na outra lateral também notei que o Alex já se está a aproximar do seu melhor. E temos marcador de penaltis! Herrera voltou a estar melhor que Sérgio Oliveira, que me parece que está a cair por motivos físicos. Oliver voltou a entrar bem. Também voltei a gostar mais de Aboubakar do que Soares e voltei a não perceber porque um sai muito antes do outro. Marcano é outra classe e vamos sentir muito a sua falta, no próximo ano. Pela negativa, Hernani não traz nada de especial do banco. E, desta vez, teve muitos minutos em campo.

Na próxima semana joga-se o campeonato. Pede-se o melhor FCPorto da época! Temos de estar à altura da época que temos feito e da história do FCPorto! Não haverá melhor forma de exigir respeito do que trazer os 3 pontos da Luz!

terça-feira, 3 de abril de 2018

Tremideira


E em três jogos, todo o entusiasmo se transformou em profunda preocupação. Será que vamos ver repetida a história do ano passado? Será que este FCPorto de Sérgio Conceição finalmente sucumbiu perante limitações do plantel e perante o acumular de jogos? Logo agora que a intensidade de jogos diminuiu? A vantagem é que teremos de esperar pouco tempo até ter resposta, visto que o jogo da Luz é já daqui aproximadamente 15 dias e o de Alvalade vem logo a seguir.

Se houver um guião para jogos em que uma equipa grande perde um jogo apenas por intranquilidade, eu diria que o seguimos à risca. Muitas oportunidades desperdiçadas de um lado e enorme eficácia do outro. Capacidade de complicar o que parece fácil de um lado e um cínico sentido prático no outro. Já vimos este jogo vezes sem conta, nos últimos anos de FCPorto. Simplesmente não estávamos habituados a vê-lo este ano. E se em Paços de Ferreira as condições do relvado e da meteorologia em geral condicionaram em muito a nossa exibição, ontem não temos essa desculpa. Nem temos a do anti-jogo visto que o tempo perdido foi o normal nestas circunstâncias. Até ao nível das lesões tivemos regressos importantes...

Mas tivemos uma ausência que se notou imenso. Podem estar descansados! Não vou falar de Marega... Também faz falta mas, num jogo em que o que mais se pedia era tranquilidade, Marcano faz muita falta. É ele o nosso verdadeiro capitão. Herrera dá muito à equipa e este ano tem tido um rendimento óptimo e muito acima das épocas anteriores. Pode até ser um tipo porreiro e popular no plantel, mas é o Marcano que tem as características que este FCPorto precisa num capitão. Basta ver a diferença de rendimento de Felipe, sem Marcano ao lado. Ontem Felipe está intimamente ligado ao resultado, com um erro claro no primeiro golo e com uma falta imbecil que dá o segundo.

Não consigo dar um MVP. Prefiro destacar o público que transformou um estádio a mais de 300 kms do Dragão num jogo em que mais parecia estarmos a jogar em casa. Esse é até um dos factores que torna ainda mais inexplicável esta tremideira. Graças ao apoio massivo dos adeptos, há muito tempo que, na prática, não jogámos fora de casa para o campeonato.

Individualmente notas mínimas para a dupla de centrais. Muito intranquila! Se em Osório conseguimos entender, em Felipe não se compreende... Se tivesse que dar um MVP daria a Ricardo. Acho que Aboubakar saiu muito cedo, até porque estava melhor no jogo que Soares, e acho que Paulinho não trouxe nada ao jogo. Notou-se o efeito de Alex na qualidade das bolas paradas apesar de se notar também que ainda não estava a 100%. Ainda assim, a maior parte das nossas melhores oportunidades surge dos seus pés. Dos seus pés ou de Brahimi. O nosso mágico tentou muito e até foi dos melhores, mas também foi dos que mais acusou a intranquilidade. Saúda-se a entrada de Danilo, apesar de se ter revelado inútil para o resultado. Dadas as exibições recentes de Sérgio Oliveira, deverá recuperar o lugar no próximo jogo. É certo que o Sérgio também jogará nos dois seguintes visto que costumamos reforçar o meio campo nos jogos mais complicados.

Já não estamos no primeiro lugar. Chegou a acontecer por alturas da trapalhada no Estoril e reagimos bem. Esperemos que aconteça o mesmo e que se consiga ir à Luz buscar o campeonato. Não nos digam que não é motivo para alarme! Desperdiçar uma vantagem de 5 pontos em 3 jogos quando falta 6 para o final é dramático. Há que reagir!

segunda-feira, 19 de março de 2018

Mini Férias


A partir de certa altura, com o acumular de lesões em jogadores nucleares, esta pausa para as selecções tornou-se quase numa miragem. Via-se vagamente no horizonte, mas nunca mais chegávamos lá... Por várias vezes se discutiu a importância de chegar em vantagem a esta pausa. É certo que seria melhor se a vantagem fosse de 5 ou de 3 pontos, mas são 2 e, se chegam para vencer no final, são suficientes para nos dar segurança. É que o nosso mais direto perseguidor também tem de lidar com um perseguidor que está bem perto e que, por sua vez, também tem de lidar com um Braga que já nada tem a perder. Já fez a sua época e agora tudo o que vier é lucro. Há pressão que chegue para os três da frente... Ora estes 15 dias, começam com uma folga de três dias após a qual começaremos a preparar o ataque final à Liga e à Taça com 2 ou 3 reforços de peso: Soares, Alex Telles e Danilo. Começam também com boas notícias das Selecções portuguesas. Um convocado nas equipas A e B garantem repouso merecido a Ricardo e Sérgio Oliveira. Bem precisam. A Selecção também precisa deles, mas só se irá notar lá para o fim da fase de grupos no Mundial da Rússia...

Vamos ao jogo. Comecemos pelo mais importante. Conseguimos os 3 pontos com relativa segurança mas sem uma grande exibição. Digo que não foi uma grande exibição porque o ponto de referência que este FCPorto tem dado, nos jogos em casa, é o do domínio avassalador com goleada. Além disso tem feito sempre grandes reacções às derrotas. Ora a goleada poderia ter acontecido, mas o domínio avassalador não se notou. Desta vez a entrada forte resultou em apenas um golo e foi-se esmorecendo aos poucos até que, no final da primeira parte já nem estávamos claramente por cima. A segunda parte começou com a mesma tendência e só mudou com a entrada de Oliver. É certo que marcámos o segundo golo, pouco depois, mas pareceu-me que já tinha mudado alguma coisa antes. 'Wishful thinking' talvez... A partir daí dominámos por completo e o terceiro golo parecia inevitável. Mas foi porque voltámos a falhar um penalti. Mais uma coisa para ir treinando nestes 15 dias... Em suma, vitória clara segura que era o mínimo que se exigia. Não goleámos e isso permitiu ao treinador do Boavista, como ao do Tondela, dizer que esteve bem e que discutiu o jogo. Algo ridículo para quem viu o jogo, mas que permite transmitir uma mensagem eficaz para quem só vê os títulos dos jornais ou os resumos no telejornal.

Individualmente, dou o MVP a Ricardo. Começou por fazer de Marega, depois fez de Corona e acabou a fazer de Ricardo.  Até podia ter feito de Brahimi ou de Alex Telles. É uma polivalência mas que tem pouco de Caneira. Basta ver que fez melhor que Waris e Corona no último jogo... Ricardo tem demonstrado efectiva utilidade e rendimento alto em todas as posições que tem ocupado ao longo da época. A sua não convocação para a Selecção, por muito que nos descanse quanto ao repouso que precisa, não deixa de ser bastante ridícula. Notas altas para Herrera que fez muita falta na semana passada, para Felipe que marcou e para Aboubakar e Maxi. Gostei bastante da entrada de Oliver. Primeiro serenou o jogo e depois pôs a equipa a jogar. Pela negativa, Dalot e Otávio não estiveram ao seu nível. Esperava mais das entradas de Gonçalo e Corona numa altura em que podíamos partir para a goleada.

Com a pausa, pausamos nós aqui também. Até daqui a 15 dias.

domingo, 11 de março de 2018

Foi-se a almofada


Custa perder a vantagem e custa deixar 3 pontos em casa do penúltimo. Mas, se conseguimos uma vantagem, serve exactamente para estes jogos. A almofada serve para jogos em que nos faltam 4 (!?) titulares, em relvados impraticáveis, com condições meteorológicas hiperadversas e com Paixão no apito e Xistra no VAR. É para estes jogos e para estas eventualidades que se deve construir vantagens. É certo que poderia ter sido diferente, mas não há motivo para alarmes. 

Ainda assim, a redução da nossa vantagem torna ainda mais importante a detecção de alguns erros e algumas coisas que não correram bem. Comecemos pela primeira parte que fez lembrar o que tinha acontecido no Estoril. Muito amorfa e com menos intensidade que o adversário. Não ajudou o facto de faltar Herrera no meio campo, já que ele, na ausência de Danilo, tem sido o nosso grande motor no arranque das partidas. Ainda assim, esperava-se muito mais até porque além de a entrada forte ser algo marcante na nossa matriz de jogo, este relvado e as condições meteorológicas aconselhavam a que se tentasse resolver o jogo o mais cedo possível. Outro factor que não ajudou foi o modelo de jogo. Sérgio Conceição projectou o jogo nos moldes habituais, apesar de termos interpretes diferentes. Tal veio a confirmar-se como um erro. Um meio campo a dois não é a mesma coisa sem o poder físico de Danilo ou Herrera. Os primeiros minutos de jogo perderam-se nessa luta a meio campo. Ora quando o meio campo não funciona, temo-nos safado através dos lançamentos para Marega. Mais uma vez, não é a mesma coisa ter lá Marega ou Waris. Aliás, Waris ainda não provou ser alternativa em qualquer das posições que jogou, seja a ponta-de-lança, seja a avançado mais móvel, seja a extremo. Confesso que no fundo do meu ranking de alternativas, foi ultrapassado por Hernani, e isso é o pior 'elogio' que lhe poderia fazer... Em suma, Sérgio tentou jogar da mesma forma perante condições e opções diferentes. É certo que já vimos isto funcionar várias vezes este ano, mas também já vimos esta estratégia falhar redondamente, como na primeira parte do Estoril. Estou cada vez mais convencido que os jogadores fazem a táctica e não o contrário. Haverá excepções por esse mundo fora, mas não com estes jogadores.

A partir do momento que sofremos o golo o jogo mudou. Sérgio Conceição queixa-se do baixíssimo tempo útil de jogo e tem razão, mas é certo que nós também passámos a jogar sem cérebro e isso custou-nos uma série de oportunidades falhadas e uma série de faltas desnecessárias. Conseguimos ter oportunidades suficientes para virar o jogo, mas não estivemos inspirados na concretização. Há jogos assim. Até nos demos ao luxo de falhar um penalti. Podemo-nos queixar da falta de prática e podemo-nos queixar de Brahimi. Mas convém reforçar aqui que o nosso mágico não foge das suas responsabilidades, ao contrário do marcador de penaltis que estava pré-designado e que não quis marcar.

Quando foi anunciada a equipa de arbitragem tememos o pior. Acabo com a sensação que poderia ter sido pior. Já sei que parece haver falta sobre Corona antes do golo e já sei que Paixão apita demasiado e que fez uma gestão ridícula do tempo útil de jogo. Mas insisto que esperava pior e até acho que não foi por aí que perdemos.

Individualmente, não tivemos grandes exibições. Dou o MVP a Felipe que conseguiu o penalti que nos poderia ter colocado na luta pela vitória. Aboubakar foi conseguindo ligar o nosso jogo, mas falhou um golo que não pode falhar. Brahimi inventou grande parte das nossas jogadas mais perigosas e os laterais conseguiram cruzamentos que mereciam melhor sorte. Gonçalo foi o que trouxe mais do banco, ainda assim pouco. Notas negativas tenho várias. Desde logo, para Sérgio Conceição pelas razões acima. Nota bastante negativa para o outro Sérgio. Sem Herrera, teve uma noite para esquecer. Nem nas bolas paradas fez esquecer o Alex Telles... André André também não ajudou muito. Waris, muito menos. Estas duas substituições foram demasiado tardias. Hernani... Só quando os jogos estiverem decididos é que pode entrar.

É apenas a primeira derrota. Teria sido importante chegar ao Boavista com os cinco pontos de vantagem. É que se seguem quinze dias de jogos de selecções que são mais duas semanas para recuperar os nossos lesionados... Jogaremos mais uma vez, conhecendo o resultado do nosso maior adversário. Temos de agarrar esta liderança!

domingo, 4 de março de 2018

Mais um passo


Foi muito importante a nossa vitória de sexta-feira! Ter uma vantagem de 5+8 é crucial nesta altura e, neste momento, só a recente instabilidade nas opções disponíveis é que pode perigar esta nossa arrancada até à vitória final. Neste mesmo jogo, voltámos a sofrer com o 'elevado grau de síndrome lesional' de que falava o médico da Seleção Nacional no último Mundial. Marega saiu logo após mais uma das suas arrancadas, que deveriam ter acabado com o jogo mais cedo. Não marcámos, logo sofremos... É a regra. Mas o sofrimento final está longe de retirar mérito à exibição, ao contrário do tenho lido e ouvido. O jogo foi muito equilibrado. Não se esperaria outra coisa. Não fossem as imensas ausências e até poderia esperar algo diferente. Neste estado do nosso onze, sem Danilo, Alex e Ricardo e com dois miúdos a fazerem a estreia em clássicos, e com as ausências no adversário, não esperava outra coisa que não um jogo equilibrado e com mais oportunidades do que os anteriores. 

Mas foi rápido o processo que transformou um jogo equilibrado num jogo em que o Sporting mereceu ganhar. É curioso perceber como rapidamente, duas oportunidades de golo perto do final mudam a percepção geral. É tão fácil ter memória selectiva. Estou neste momento a ver o Gobern (tantos sportinguistas que havia na sexta-feira...) a dizer que o Sporting esteve melhor em todos os capítulos da estatística, incluindo o número de oportunidades de golo. Mas a própria citação desses números adgvoga muito melhor o equilíbrio do que a superioridade de uma das equipas. Além de que esta coisas das oportunidades não ser propriamente estatística, dada a óbvia subjectividade. Há ali muita 'vontade do freguês'... Desde logo, às vezes não considerámos que os golos são oportunidades de golo... Eu até posso fazer as minhas contas. O FCPorto tem os dois golos e tem mais três pelo Marega (de cabeça ao poste, isolado pelo Gonçalo na direita e isolado por Aboubakar no lance em que se magoa) e um remate à malha lateral de Gonçalo. Já o Sporting tem o golo, uma pelo Doumbia em que Marcano ajuda, outra pelo Montero negada pelo Iker, outra pelo Ruiz ao poste e a final pelo miúdo Leão. Eu até conto mais do FCPorto. Só se quisermos contar a do suposto penalti. De facto, é muito perigoso e, se fosse o Marega, eu ficava lixado por ele ter preferido atirar-se em vez de rematar, visto que estava numa posição privilegiada. Se a contarmos temos 6-6. Mais uma vez equilíbrio. E recordámos que este jogo era a última oportunidade do Sporting para se meter na luta. Foi perfeitamente natural o pressing final e o nosso recuo.

Por falar em memória selectiva, tenho ouvido e lido que os sportinguistas falam em campo inclinado. Mais uma vez, pegam num lance e ignoram tudo o resto. Para quem considera que houve penalti de Dalot, recomendo que analisem a acção de Ruiz sobre Brahimi no lance que resulta no empate. Falta óbvia por empurrão. É de referir que eu consideraria que era penalti se fosse sobre o Marega e esse é normalmente o meu 'teste do algodão'. Ainda assim, acho que Doumbia, apesar do toque, continuava em posição de marcar e que devia ter rematado. Preferiu atirar-se e ficou sem golo e sem penalti. Recomendo também que analisem a mão de Mathieu que impede Marega de se isolar. Já sabemos que, pelas regras, não seria mais que amarelo porque não tinha a bola controlada, mas é um facto que ele estava sozinho. Por último, recomendo que me tentem explicar porque é que as judiarias do caxineiro (cachineiro) parafinado continuam a passar incólumes. Se expulsa os bombeiros, e bem,porque é que não lhe dá amarelo? De facto o campo inclinou bastante...

Continuando, confesso que esperava mais do FCPorto. Apesar das ausências, estava convencido que iríamos aproveitar melhor o desespero classificativo do Sporting. Raramente o fizemos. Se as estatísticas demonstram equilíbrio, eu diria que também equilibrámos em nervosismo e eu não esperava isso. Que a vitória nos dê a segurança que precisámos para os próximos tempos. Este FCPorto vai terminar a temporada sem aprender a controlar o jogo, a não ser através da marcação de golos. Pela forma como nos corre a época, isto não parece importante, mas é nestes jogos que se nota mais. Nestas alturas Sérgio devia apostar mais em jogadores que escondem a bola do que os que procuram a vertigem. Raramente o faz e, neste jogo, sofremos calafrios desnecessários, quer pela matriz habitual da equipa, quer pelas opções de Sérgio que não procuram acalmar as coisas. Porque não trocar Otávio por Oliver? É que, sem Danilo, os nossos médios são especialistas em desposicionamento... Outro dos factores que foi intranquilizando a equipa foram as oportunidades desperdiçadas e aqui destaco dois jogadores. Marega vai terminar o campeonato com mais golos claros desperdiçados do que os que Jonas vai marcar. Nada de muito grave visto que Marega vai marcar mais de 20... Mas nestes jogos isso nota-se mais e dá cabo do coração dos adeptos. O outro jogador que destaco é Corona. As trapalhadas de Corona tiraram-nos a tranquilidade que deveríamos ter tido no final. Com a agravante de ter acabado todas as jogadas, em que apareceu isolado na direita, sem finalização. De facto, mais valia ter entrado Oliver no seu lugar...

Individualmente, por exclusão de partes, escolho Gonçalo Paciência para MVP. Enquanto esteve em campo esteve em todas as nossas oportunidades de golo com a excepção do golo de Marcano. Conseguiu segurar a bola inúmeras vezes apesar das cargas constantes que sofreu e teve tempo de assistir para o golo da vitória. Grande estreia a titular! Concordo com o Sérgio quando diz que ele deveria ter feito aquilo mais vezes. Mas também gostaria que ele aplicasse essa exigência e espírito crítico a outros colegas... Por exemplo, Marega... Por falar no Maliano, teria o MVP se marcasse apenas uma das suas três oportunidades de golo. Como falhou todas... Outro jogador que teria condições para ser MVP foi o Marcano. Mas o erro que permite que Doumbia se isole é muito grave  mancha o resto. Também me parece que não devia ter 'saltado' da linha no lance do golo sofrido, mas a recuperação lenta de Herrera também não ajudou... Dalot esteve bem ofensivamente mas teve naturais dificuldades a defender quando teve de se juntar aos centrais. Brahimi continua a perder bolas mas continua a ser o nosso único jogador com capacidade de a reter com qualidade. Os adversários apercebem-se disso e tentam cercá-lo, às vezes com sucesso. De resto, não tenho mais destaques. Apenas queria referir que não veio grande ajuda do banco. Corona foi um desastre e Reyes veio a tempo de ter uma das suas paragens de cérebro quando simplesmente decide deixar de marcar Rafael Leão, no lance que poderia ter resultado no empate.

Vitória saborosa, mas não foi uma afirmação de força como as anteriores. Espero que em Paços voltemos aos 'statements'!

Na próxima terça-feira, os basculantes vão estar no mítico Anfield a apoiar a equipa do FCPorto e não haverá crónica no dia seguinte. Espero que o FCPorto possa poupar grande parte dos seus titulares. Há que perceber que estamos a perder um titular por jogo devido a lesões... Não há aqui honras e orgulhos, a nossa luta é outra!

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Departamento de grandes investigações


Mais uma deslocação difícil e mais uma goleada! Mais uma equipa que se tornou irreconhecível perante a passagem do FCPorto! Com tantas 'facilidades' de tantas equipas, a investigação exigida pelos cartilheiros começa a ganhar contornos de mega processo... Seja! O que não se pode admitir é a ideia de que este FCPorto de Sérgio Conceição é assim tão bom. Isso nunca!

A crónica de hoje vai ser um pouco mais pequena visto que, infelizmente, não pude ver o jogo com atenção, apesar de ter podido acompanhar o resultado e os golos no meio de um visionamento bastante fraccionado. Ainda assim, tornou-de fácil perceber em que consistiu o jogo. Desde logo, percebeu-se que as ausências continuam a ser superiormente colmatadas, por mérito dos jogadores que vão entrando na equipa e por mérito de Sérgio Conceição, que tem sido capaz de manter todo o plantel a postos para as eventualidades. E parece que tivemos mais uma eventualidade com Soares... Outra tendência que me pareceu clara foi que o FCPorto voltou a ter uma entrada muito forte no jogo. Se a tal 'investigação' fosse em frente, e se fosse séria (impossibilidade técnica), as nossas entradas em jogo seriam mencionadas como um dos factores mais importantes para a obtenção destes resultados avolumados. No jogo de hoje, o FCPorto nem sequer demonstrou uma segurança defensiva boa. O Portimonense até poderia ter marcado primeiro ou empatado naquela saída estranha de Casillas. O que assusta é o nosso poder ofensivo e tem sido importante entrarmos cedo a pressionar as defesas contrárias.

Individualmente haveria vários candidatos a MVP. Marega seria o candidato natural pelos dois golos e assistência, Soares também participou em dois, Dalot estreou-se a titular com duas assistências e Sérgio Oliveira esteve muito bem. Opto por Maxi porque participou em golos e porque teve pela frente o melhor jogador adversário. E isso nem se notou. É um daqueles exemplos de jogador que transformou a azia que foi acumulando em rendimento para a equipa. A sua intensidade de jogo é um exemplo e uma imagem de marca desta equipa. Dalot começou nervoso mas acabou em estado de graça. Normal o nervosismo. Foi importante o golo de Brahimi. Já aqui mencionámos que é um jogador algo permeável à influência de jogos menos conseguidos. Entra facilmente em ciclo vicioso de asneira. Que ontem tenha sido novo ponto de viragem. Não tenho ponto negativos a destacar.

Sexta-feira, podemos eliminar já um adversário na luta pelo título. Será que vamos ter mais uma equipa para 'investigar'?