segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Onze


A série continua! Esse será talvez o facto mais relevante do jogo da passada sexta-feira. Ainda por cima, as características do jogo na Turquia tornam mais provável que a série fique por aqui. Não existe a obrigação de ganhar e Conceição deverá dar minutos a jogadores menos utilizados, minutos que serão preciosos na sua gestão do plantel. Já sei que há aquela malta que fala do dinheiro e os que insistem naquela frase feita que insiste que «em todos os jogos, é para ganhar»! A lógica de Conceição é a médio prazo e ele precisa de um plantel saudável e competitivo para atacar o resto da época.  Isso já se notou na convocatória e eu concordo.

A exibição voltou a não ser famosa... Mas voltámos a ter muitas oportunidades para marcar e fomos ligeiramente mais eficazes do que no Bessa. Começámos muito mal! Fez lembrar, um pouco, a entrada em campo com o Schlake04 no Dragão. A diferença é que me parece que o Portimonense tem jogadores mais talentosos na frente e um futebol muito mais atrevido. Com o golo sofrido e outros sustos que se seguiram, a equipa acordou e passou a ser mais intensa. Não passou a jogar bem. Mas bastou esse acréscimo de intensidade para que passasse a controlar as operações e para que as oportunidades de golo se sucedessem. Ao intervalo, o resultado já era escasso para o que o FCPorto criou e, depois do intervalo, chegámos à goleada com naturalidade e podiam ter sido mais.

A propósito desta nossa reacção ao golo sofrido, quem me lê com frequência já adivinha que vou ter de falar da substituição de Oliver. Também é fácil de adivinhar que não gostei nada da substituição. Comecemos pelos motivos técnicos que se aplicariam à substituição de qualquer jogador nestas circunstâncias. Faltavam 5 minutos para o intervalo e estávamos empatados. Ou seja, a mudança não era urgente nem pelo resultado, nem faz grande sentido gastar uma substituição assim. Ou se faz aos 30 minutos, para tentar mudar algo até ao intervalo, ou mudámos no intervalo e podemos planear toda a segunda parte com todo o grupo. Além disso, a equipa estava a crescer nesses últimos 15 minutos da primeira parte. Foram várias as jogadas em que estávamos a meter jogadores da cara do redes contrário e, defensivamente, o Portimonense já não estava a criar perigo. Ainda por cima foi troca por troca. Assim, tal como seria de esperar, não se notou grandes alterações no nosso jogo. Herrera teve apenas tempo de falhar um passe e recuperar umas bolas, semelhante Oliver vinha fazendo e o faria se estivesse em campo. Até aqui, julgo que todos poderão concordar que esta substituição foi um absurdo. A partir de agora vem a parte em que muitos poderão discordar. Para mim, esta substituição, naquele momento, é assustadora porque me deixa a ponderar se Conceição percebeu mesmo o que aconteceu à equipa desde que Oliver entrou no onze... Será que é daqueles que acha que Oliver evoluiu muito em termos de agressividade ou será que ele é daqueles que acha que Oliver joga sempre da mesma maneira e que foi por isso que o sistema geral evoluiu? Fico na dúvida. O resto não me assusta. O jogo era no Dragão, Herrera é um bom jogador e a equipa não se ressentiu neste jogo. Também não me aprece que tenha ficado melhor... Poderia preocupar-me o facto de  Oliver poder perder um pouco de confiança, mas parece-me que ele não é desses. Preocupa-me é a conceção de jogo. Será que Oliver entrou na equipa porque Sérgio queria que o sistema evoluísse ou porque Herrera não podia jogar, por lesão ou quebra de rendimento? Isso já me tira o sono...

Individualmente dou o MVP a Brahimi. Um dos motivos que tornou inócua a substituição de Oliver, foi o facto de Brahimi ter assumido neste jogo quase todas as nossas despesas ofensivas. Já não fazia uma exibição destas há algum tempo. Tal facto só valoriza a série que a equipa vem fazendo e o impacto que Oliver tem tido na equipa. É especulação minha, mas arrisco que o FCPorto do ano passado não teria passado bem, com o Brahimi que vimos nos últimos jogos... Marega seria também uma escolha óbvia para MVP. Tem vindo a crescer nos últimos jogos mas pareceu que falhou o hat trick por fadiga. Talvez fosse boa ideia fazê-lo descansar na Champions. De resto, destaco apenas Danilo. Grande jogada no terceiro golo a coroar uma exibição bem acima da média. As restantes exibições foram apenas regulares e oscilaram com a equipa. No início estiveram mal e no final recuperaram. Destaque apenas para Alex Telles e Felipe. O primeiro tem uma abordagem péssima no golo sofrido. Quem não se lembra, não vá rever... Muito feio! Felipe inventou a polémica neste jogo. Já sabíamos que há clubes que estão especialmente atentos a tudo o que se passa nos nossos jogos em termos de arbitragem. Pois Felipe conseguiu, na mesma jogada, entregar a bola ao jogador mais perigoso do adversário e ainda lhe deu um toquezinho na área. Eu não sei se o toque é suficiente para penálti. O que sei é que é suficiente para alimentar a estratégia desesperada do Benfica.

A esse propósito, não deixa de ser muito engraçado comparar as análises que se fazem a estes dois lances dos últimos dois jogos e as que se fizeram no ano passado e no ano anterior, quando éramos nós a reclamar penáltis e prejuízos sucessivos. É giro perceber o que agora são as certezas inequívocas. Eu achava exagerado quando reclamámos às dezenas de penáltis nas duas épocas anteriores. Não que achasse que não eram penáltis. Apenas porque sabia que, nestes casos, o exagero dos números acaba por ser contraproducente e mais fácil de atacar pelo gozo. No entanto, se os critérios que se estão a utilizar agora tivessem sido os nossos, a lista seria muito maior... Conceição terá de estar atento, porque vêm aí arbitragens assassinas. Teremos de estar bem melhor do que o que estivemos nestes últimos dois jogos!

Nota adicional para Jackson Martinez. Foi bonita a homenagem do Dragão. Apenas não gostei das sensações de nostalgia que me atacam quando o vejo jogar. Vêm-me ideias como: «este gajo, coxo, tem muito mais classe qualquer dos nossos avançados» ou «o que seria o FCPorto de Conceição com um avançado destes»... Muita sorte, campeão!

Na Champions teremos um jogo em que tolero que se esteja a pensar já no jogo seguinte nos Açores. Esse é o jogo que interessa nesta semana visto que esta série de vitórias foi saborosa, mas ainda não nos deu uma vantagem confortável no campeonato! Que jogue o miúdo Diogo Leite!


segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Karma com H


Já sabemos que, para o país futebolístico representado nos media, o jogo de hoje vai ser resumido a duas jogadas: a do penálti de Brahimi e a do golo salvador de Hernâni. Os portistas viram mais que isso. Viram, desde logo, um Boavista ao seu nível habitual, em jogos contra o FCPorto. Equipa ultra defensiva, com agressividade para além dos limites, anti-jogo e muito mergulho. Nada que surpreenda. Aliás já devíamos estar habituados, mas dou por mim nestes jogos a ter sensações que é raro ter: Contra estes gajos, havíamos de ganhar depois da hora com um golo com a mão, em fora de jogo, marcado por um jogador que deveria ter sido expulso!

Passadas uma horas, mais recomposto do susto e da revolta, tenho de dizer que continuo com a minha argumentação habitual: será que o Boavista tem culpa? Não é bonito jogar assim, mas também não é bonito termos equipas no mesmo campeonato, com tamanha disparidade de recursos técnicos e financeiros. Aceito que cada equipa jogue com as suas limitações e tente aproveitar tudo o que lhe dão. Quem tem mais responsabilidade nisto são os árbitros. Um critério disciplinar regular teria evitado, quer a espiral de agressividade que se viu, quer o avolumar de faltas e de interrupções do jogo a que assistimos. Quantos foram os lances em que os nossos jogadores passavam e eram carregados fora de tempo? Até Casillas apanhou duas cacetadas dessas! E quantos foram os lances em que driblámos e ultrapassámos jogadores do Boavista que depois agarravam e abraçavam por trás? Quantos destes lances resultaram em amarelo nos primeiros 60 minutos? Um? Fomos altamente prejudicados e vamos passar a semana a ouvir o contrário por causa do penálti parvo do Brahimi. 

Também fomos muito superiores ao adversário e vamos passar a semana a ouvir que tivemos estrelinha. E tivemos! Mas foi preciso ter estrelinha porque antes tivemos um azar danado... Faz parte do jogo e este ano estamos a ficar especialistas em desfechos épicos no final dos jogos. Já tinha sido assim em Belém, na última jornada com o Braga e agora no Bessa. Mas o jogo de hoje foi bem mais desequilibrado para o FCPorto. No geral, fizemos um jogo tecnicamente fraco, mas isso não impediu que tivessemos uma quantidade invulgar de lances de golo iminente, que desperdiçámos. Mas não me preocupa tanto os golos que falhámos por azar. O que me preocupa são os golos que falhámos por limitações técnicas dos nossos jogadores. Na primeira parte Herrera quase perde um lance de golo porque tenta cabecear uma bola rente ao chão. Mas conseguiu fazer pior na segunda parte com um cruzamento em que nem acertou bem na bola quando estava na cara do golo. Felipe fez um pouco melhor com dois cabeceamentos na segunda parte mas, no primeiro, se tentasse cabecear para o chão, como mandam as regras, não teria falhado. Isto já para não falar do pior falhanço de todos, o de Soares. Incrível! Isto para dizer que nos orgulhamos do facto de Conceição conseguir tornar este FCPorto numa equipa competitiva, apesar de notarmos algumas limitações no plantel, nomeadamente na técnica individual de alguns dos nossos titulares. Eles têm sido capazes de ultrapassar tudo isso. O problema é que às vezes essas limitações notam-se muito e hoje foi o caso... Vá lá que apareceu um daqueles heróis improváveis: Hernâni! O tal que aqui descrevi recentemente como «tão útil como um umbigo no meio das costas»... Sou um asno! E o herói improvável até podia ser outro: Adrian Lopez...

A propósito das cartadas que Conceição lançou no jogo, não pude deixar de notar que saíram 3 dos nossos jogadores mais talentosos com bola. Soares foi uma aposta natural e talvez tardia. Há quem diga que deveria ter entrado de início... Tendo a concordar. Mas não posso deixar de registar esta tendência de Conceição perante um jogo que se complicava. Dá um sinal à equipa de que não quer mais "rodriguinhos" e é para apostar no jogo o mais direto possível. Aqui tendo a discordar. Prefiro manter em campo muito jogadores com capacidade para pensar o jogo. Mas resultou. Tivemos muitas oportunidades, mesmo na parte final e os factos acabam por dar razão ao treinador.

Individualmente, não me parece que tenham havido grandes exibições. Sendo assim, faço o impensável que é dar o MVP a Hernâni. Todos os jogadores tiveram coisas boas e más. Danilo esteve bem mas mostrou também alguma intranquilidade. Oliver teve fases boas no jogo mas também teve fases em que fez passes longos sem nexo. Herrera este bem na luta do meio campo, mas péssimo na finalização. Brahimi teve bons lances mas também faz um penálti ridículo que nos causaria muitos problemas, se assinalado. Marega jogou bem mas acaba por fazer poucos remates para quem joga sozinho na frente.  Os laterais acabaram por não ser tão ofensivos como Conceição gostaria. E os centrais lidaram bem com aqueles avançados chatos, mas também tiveram os seus deslizes. Sobra Hernâni que teve uma primeira jogada que foi ridícula! Mas antes do golo, já tinha assistido Soares para o falhanço da noite. Entrou muito bem!

Mantivemos a custo esta série de vitórias. No Dragão esperamos uma vitória mais tranquila, para a décima primeira...

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Já está!


Mais um grande feito para este FCPorto de Sérgio Conceição! Qualificou-se para os oitavos de final da Champions, antes mesmo de entrar em campo para o seu quinto jogo. Mais tarde, confirmou o primeiro lugar no grupo com uma excelente segunda parte. Já sabemos que se vai tentar desvalorizar com a suposta sorte no sorteio mas, nesse ponto, concordo com Conceição. Não é líquido que estes grupos equilibrados sejam mais fáceis. Parece-me que o primeiro lugar do grupo fica menos inacessível. Mas o último também fica. Temos atualmente os nossos 3 adversários separados por 4 pontos, algo que atesta o equilíbrio entre eles. O FCPorto é que acabou por se destacar mais do que antecipado. E se recordarmos os dois primeiros jogos, não era assim tão claro que o FCPorto se iria destacar desta forma. O que aconteceu é que, recentemente, o FCPorto arrancou para 9 vitórias em 9 jogos, disparando em todas as competições. Depois de um arranque inseguro, que aqui apontámos, o FCPorto de hoje em dia transborda de confiança e aproxima-se cada vez mais da sua melhor versão. Teremos de aproveitar esta tendência para cavar também um fosso no campeonato.

Quanto ao jogo, gostaria de começar por destacar o treinador do Schalke 04. Fiquei surpreendido quando percebi que tinha 33 anos, mais novo que Iker e Maxi. Mas fiquei ainda mais surpreendido com o futebol algo antiquado que a sua equipa pratica. Desde o modelo táctico com 3 defesas e uma linha defensiva muito recuada, até aos lançamentos longos constantes para os avançados que andaram sempre perdidos. Isto para uma equipa que precisava de ganhar... O golo acabou por cair do céu e no final tivemos mais uma amostra de futebol antiquado, com aquele adiantamento do central mais alto e com as bolas bombeadas de qualquer parte do campo. Resultado: mais um golo para o FCPorto que deu para festejar melhor a passagem. 

Mas, voltando um pouco atrás, tal como tinha acontecido na Madeira contra o Marítimo, voltámos a reagir mal perante uma táctica à moda antiga e uma defesa ultra povoada. O número de bolas que perdemos nos primeiros minutos foi assustadora. Nessa altura, valeu-nos a boa exibição dos nossos centrais. A partir daí, conseguimos serenar e ter o controlo do jogo mas não criámos muitas situações de perigo. A segunda parte foi totalmente diferente. Não vi nenhuma alteração de fundo. Apenas me pareceu que Herrera se colou mais a Marega. Mas a atitude competitiva foi completamente diferente e as oportunidades sucederam-se até ao momento em que marcámos dois golos de rajada e mantiveram-se até ao último minuto com o golo de Marega. Foi uma segunda parte de 'avalanche' de futebol ofensivo e o resultado ficou aquém do que fizemos por merecer.

Individualmente dou o MVP a Militão. Poderia até dar à dupla de centrais, mas desempato pelo golo. É de destacar que até parece que podia ter sido Felipe a marcar o golo, visto que os dois atacaram o mesmo espaço no cruzamento de Oliver. Parecia que se estavam a marcar um ao outro. Mas o mais importante é que Felipe conseguiu finalmente ter um nível exibicional semelhante ao do seu colega do lado, algo que tem tido muita dificuldade em fazer. Militão é um daqueles casos em que se vê que é tão bom, que já estou a antecipar um mês de Janeiro em que vamos estar inquietos e a esperar que nenhum dos tubarões se lembre que cometer uma loucura já... Também tinha essa sensação com Dalot e em Junho concretizou-se... Vá lá que este parece estar melhor protegido. De resto gostei de quase todas as exibições. Destacaria apenas pela positiva Marega e pela negativa Maxi. Marega fez mais um bom jogo, parecendo agora mais adaptado ao papel de ponta de lança numa equipa como o FCPorto. Não basta aparecer na área para os cruzamentos ou buscar a profundidade. Tem de ligar constantemente à equipa e hoje já fez isso melhor. Maxi acabou por recuperar na segunda parte mas, na primeira, fez demasiados disparates. Destaque ainda para a pequena mancha na exibição de Oliver com aquele penálti parvo.

Domingo vamos ao Bessa. Trazemos uma boa sequência de resultados em todas as competições, mas também trazemos uma boa sequência de vitórias no derby portuense. Temos de prolongar esta série!

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Competentes


Os treinadores têm a mania de usar estes termos que tendem a aproximar mais o futebol de um trabalho normal, mecanizado e ao alcance da maioria, do que de uma arte mais para poucos predestinados. Por esse motivo, eu tendo a não gostar muito destas abordagens à competência e à ética de trabalho. Mas, por vezes, percebe-se e ontem foi um dos casos em que eu tolero este 'chavão' da competência. Tínhamos um adversário difícil, num dos poucos jogos entre equipas da primeira liga. Tínhamos também condições climatéricas e de terreno bastante complicadas. Para ajudar vínhamos de uma indesejada interrupção competitiva depois de termos acumulado várias vitórias. Essa pausa para as seleções fez com que Sérgio Conceição fizesse algumas alterações ao onze habitual, retirando sobretudo os jogadores que foram às seleções. Perante todas estas condicionantes, a equipa respondeu bem. Controlou bem o jogo e ficou a dever a alguma falta de eficácia o facto de não ter goleado e o de não ter resolvido mais cedo a questão.

Não sendo um jogo de campeonato e havendo algumas alterações no onze, a nossa tendência é a de estar mais atentos aos jogadores menos utilizados e, neste caso, também a Corona que foi experimentado numa posição nova. Começo por aí. Desde já, é importante constatar que Corona é a alternativa a Maxi. Se João Pedro não joga neste jogo, dificilmente poderemos contar com ele como opção. Pelo menos para já. Corona acabou por não ter muito trabalho defensivo, mas dá para ver que tem naturais dificuldades. Ofensivamente, resultou muito bem tendo sido dos melhores em campo. E isto torna possível que esta possa ser uma opção viável para fazer descansar Maxi. Em grande parte dos jogos no Dragão, podemos contar com adversários que causam muito poucos problemas defensivos e, com a tendência de Otávio para procurar terrenos interiores, esta pode ser uma maneira de recuperar e até melhorar a dinâmica ofensiva que tínhamos com Ricardo Pereira. Já sei que Maxi também é muito ofensivo, mas tem de ser mais poupado e nota-se facilmente as suas quebras de rendimento nos finais dos jogos. Outra das novidades foi Adrian. Mais uma vez cumpriu bem, com um excelente passe para Corona no primeiro golo e várias jogadas perigosas. A outra novidade, André Pereira, esteve uns furos abaixo com uma exibição mais mediana. Dou o MVP a Otávio que continua a ser um suplente de luxo. Grande golo! Será que este teste a Corona é uma maneira de Sérgio Conceição dar mais minutos a um Otávio que não merece estar no banco? Será que Conceição vai repetir isto de início com o Shalke04? Duvido.

Com o Schalke04 jogamos para resolver a passagem mas convém não esquecer que o outro jogo do grupo é  antes e podemos entrar em campo já qualificados. Existe até um resultado que qualificará as duas equipas tornando o jogo muito mais aberto. Em qualquer dos casos, a vitória dá o primeiro lugar no grupo e sabemos da importância deste primeiro lugar para o sorteio nos oitavos. Vamos com tudo!

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Grande série!


Foram 7 jogos e 7 vitórias neste mês que decorreu entre as irritantes pausas para as seleções. Uma série invejável que se seguiu a uma enorme desilusão que foi a exibição na Luz. Mais do que o resultado, essa exibição foi terrível. Mas essa exibição, por assustadora que seja, coincidiu com um resultado que é normal acontecer. Não que seja agradável, mas é bem mais provável perder em casa de um adversário directo do que no Dragão com o Vitória de Guimarães. Importava recuperar esses pontos e o ânimo, tão cedo quanto possível. E foi o que fizemos! Neste período, avançámos na Taça de Portugal, recuperámos o primeiro lugar do grupo na Taça da Liga, consolidámos o primeiro lugar no Grupo da Champions e recuperámos o primeiro lugar na Liga, desta vez isolados. Nada mau!

Mas, destes 7 jogos, destaco dois factos fundamentais: a dinâmica de vitórias criada e que Conceição teve a capacidade de encontrar novas soluções para equipa, com Oliver e Corona. Já sei que tenho insistido aqui que as exibições nem sempre foram brilhantes, sobretudo nos jogos mais difíceis desta série, como o de ontem. Mas já sabemos que em campeonatos tão equilibrados, como este promete ser, encadear uma série de vitórias é um tónico motivacional difícil de imitar por qualquer estratégia motivacional, por muito bom que seja o treinador nesse capítulo. E o facto de, ao longo destes dois anos de Conceição, percebermos que ele tem demonstrado regularmente capacidade de reinventar a equipa, muitas vezes contra o que esperámos dele, é de líder e torna-o o principal protagonista deste FCPorto.

O jogo com o Braga foi muito difícil! Confesso que estava um pouco preocupado com a dificuldade que antecipava para este jogo, mas a dificuldade conseguiu exceder o meu pessimismo. O Braga preparou-se muito bem para as nossas lacunas conhecidas e até explorou algumas que eu não conhecia. Desde logo, em condições normais, este Braga não consegue ultrapassar este FCPorto de Conceição nas vertentes mais físicas do jogo. Mas este jogo não foi disputado em condições normais. O FCPorto jogava pela terceira vez em 7 dias, sendo que um desses jogos foi na Madeira e o outro foi disputado debaixo de um autêntico dilúvio. Por esse motivo, não diria que o Braga se conseguiu superiorizar nesse capítulo, mas o jogo acabou por ser bem mais equilibrado do que seria normal. E depois a equipa sentiu muita dificuldade em lidar com os cruzamentos de 3/4 do campo. O Braga fez questão de evitar ir à linha e procuraram despejar rápido para a área, tentando apanhar a defesa do FCPorto desprevenida. E conseguiu-o várias vezes. E já sabemos, desde os primeiros jogos, que temos vindo a tremer sempre que o adversário cria perigo. Parece que entramos numa mini-espiral de desconfiança que só acaba quando criamos perigo na outra baliza. E este jogo não fugiu a essa regra. Nós fomos criando sempre perigo mas o Braga também. Isso intranquilizou a equipa. Para ajudar, houve vários lances do Braga, que acabaram por ser muito perigosos e que foram precedidos de falta. Destaco a primeira oportunidade do jogo, com cabeceamento do Dyego Sousa, precedido de fora-de-jogo de Sequeira e o remate de Esgaio à barra, precedido de mão clara, no início da jogada. Ambos lances que fazem mossa e que não deviam ter acontecido. Já para não falar no penálti claro de Sequeira ao minuto 45. Ir em vantagem para o intervalo daria outra confiança para o segundo tempo e, provavelmente, não teríamos de arriscar tanto e não estaríamos tão desprotegidos para lidar com os contra ataques que fomos sofrendo na segunda parte. Tudo circunstâncias que foram condicionando a nossa exibição e que foram contribuindo para o equilíbrio que se verificou até perto do final.

Digo até perto do final porque acho que o jogo se desequilibrou após a primeira substituição de Abel. Trocou um avançado por um médio defensivo, numa altura em que o FCPorto parecia estar a sucumbir perante o bom jogo do Braga. A partir daí assistiu-se ao assalto final que resultou no golo de Soares, num cruzamento ao segundo poste que andámos a ensaiar durante toda a segunda parte. Não estranhei todo aquele exercício de Abel em reconhecer o mérito próprio e a destacar que o resultado foi injusto. Mas podiam ter-lhe perguntado o que pretendia com aquela substituição...

Individualmente, dou o MVP a Soares. Além do golo, já vinha sendo dos melhores, procurando segurar a bola, disputando todos os lances aéreos e dando muita luta aos centrais e guarda redes, forçados várias vezes a bater para a frente sem critério. Eu diria que os melhores se destacaram mais por causa das exibições menos conseguidas de colegas da equipa. Soares esteve muito melhor que Marega, muito desinspirado e notou-se bem naquele lance em que passa para Soares em vez que rematar, como sempre faz nesses lances. Corona também esteve muito mais decisivo que Brahimi, sobretudo na segunda parte, mesmo quando passou para lateral. Já sei que foi facilmente ultrapassado no segundo lance  do Braga à barra, mas não peçam demasiado a uma solução defensiva de recurso. Até porque, do outro lado, Alex continua irreconhecível, sendo várias vezes ultrapassado por Esgaio. Militão esteve, mais uma vez, muito melhor que Felipe. Tem de arranjar melhores chuteiras ou melhores pernas, porque voltou a escorregar sozinho num lance que dá muito perigo. Este desequilíbrio é uma constante nele. Para terminar, a ajuda que veio do banco. Otávio voltou a ser decisivo e já merece a titularidade. E o único que vem jogando consistentemente abaixo do que consegue é Brahimi... Herrera entrou bem mas não foi tão decisivo como o colega. Vamos ignorar Hernani que parece tão útil a esta equipa como um umbigo no meio das costas.

Foi uma vitória muito importante e isso notou-se ainda mais por causa das arbitragens deste Domingo... Sobretudo a de Alvalade. Agora convém descansar. Desta vez temos pouca gente nas seleções o que, por uma vez, parece ser muito benéfico para a equipa, que já parece cansada. É natural.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Quase



Já falta pouco para assegurar um dos principais objetivos da temporada. Nada mau, visto que o fizemos em apenas 4 jogos. Como seria de esperar, com 10 pontos à quarta jornada, estamos numa posição invejável para garantir igualmente o primeiro lugar no grupo, algo que permitiria abordar o sorteio dos oitavos de final com outra ambição. Mas voltando ao terreno da objetividade, ainda falta uma vitória, já no próxima receção ao Shalke04, equipa que nos pareceu acessível na Alemanha, mas que parece ter evoluído bastante desde essa altura.

Assim, extraímos muito de positivo do jogo. Os pontos, a posição invejável, os milhões e a vitória! Vamos à parte negativa. O tempo e consequentemente o terreno de jogo, trouxeram um esforço físico bem acima do normal para um jogo de Champions, que já é muito. Se a isto adicionarmos o jogo da Madeira, com viagem e também com intensidade alta, só poderemos ficar um pouco apreensivos para a receção, no Dragão, ao Braga, que tem os mesmos pontos, mas muito menos minutos de jogo nas pernas. Talvez pelas condições ou também por alguma falta de tranquilidade da nossa parte, o resultado, tal como da Rússia, acabou por ser melhor do que a exibição. Poderá parecer estranho para quem só tiver visto o resumo e o resultado, mas a equipa russa teve grandes partes do jogo em que esteve por cima. Parecia que lhes faltava sempre alguma coisa, ou qualidade na finalização ou sobretudo no último passe. Felizmente o FCPorto foi muito mais competente na materialização dos seus períodos de domínio.

Começámos logo por concretizar numa das primeiras jogadas do jogo e na nossa primeira aproximação à área contrária. Certamente que isso deveria ser suficiente para serenar a equipa. Mas não foi possível e o Lokomotiv foi crescendo no jogo, sobretudo com remates de longe bem perigosos. Surge então um golo típico do Marega. Daqueles que ele já marcou tantas vezes em Portugal, que as equipas já nem se atrevem a ter a linha defensiva tão subida. Com 2-0 ao intervalo poderíamos ter finalmente alguma tranquilidade para a segunda parte. Errado, novamente! O Lokomotiv voltou a crescer no jogo e, à medida que o dilúvio e o relvado iam piorando, o poderio físico dos russos ia-se impondo até que chegaram ao golo. Dava sempre a ideia que os nossos defesas já estavam a ter muita dificuldade nos duelos. Notava-se sobretudo em Alex Telles e em Felipe que, a certa altura, resolveu exagerar nas queixas e ficou de fora num canto defensivo, para irritação dos mais atentos nas bancadas. O golo de Corona, após boa pressão alta da equipa e boa recuperação e assistência de Oliver, veio serenar finalmente a equipa até ao golo final, demasiado cruel para os russos. As apostas iniciais de Sérgio Conceição vingaram todas. A maior dúvida seria a opção entre Herrera e Otávio. As condições de terreno tornaram mais favorável a opção e confirmou-se o sucesso da mesma, visto que Herrera está nos dois primeiros golos.

Individualmente destaco 4 exibições: Marega, Corona, Danilo e Oliver. Dou o MVP a Marega porque foi o mais decisivo nos dois primeiros golos. Acresce que, tal como já foi demonstrando no jogo na Madeira, parece que está finalmente a regressar à sua melhor forma apesar de, neste esquema, passar grande parte do jogo longe da equipa, tornando a sua tarefa algo ingrata. Corona voltou a estar bem melhor que o desinspirado Brahimi. São já várias exibições boas seguidas, algo muito raro neste jogador. Danilo teve muito trabalho defensivo e parecia que estava em todo lado para limpar as borradas dos colegas. Oliver foi dos que menos erros cometeu e foi um bom auxílio defensivo. Dado o seu físico 'imponente', há sempre aqueles que acham impossível que um jogador com estas características possa render com estas condições. Enganam-se! Na defesa, o meu preferido foi Maxi, o mais sereno. Continuo a sentir saudades do verdadeiro Alex Telles que tarda em aparecer nesta época. Hernani entrou. Vou repetir algo que já escrevi por aqui: julgava que havia uma regra que impedia a entrada de Hernani em jogos importantes...

No sábado fechamos o ciclo infernal, antes da pausa para selecções. Uma vitória deixa-nos em boa posição em todas as competições, algo que não parecia fácil há um mês. Mais um esforcinho malta!

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Correu bem


Peço desde já desculpas pelo título, que mais parece uma daquelas respostas que se dá quando não se quer elaborar muito. Na verdade, a minha intenção é a oposta. Pretendo elaborar e muito!

A questão que se põe é a da oposição entre o que foi e o que poderia ter sido. Constatámos que o Marítimo, e concretamente o seu treinador, inspirou-se nas velhas tácticas do futebol de há 20/30 anos e naquelas interpretações foleiras e à portuguesa do fenómeno táctico italiano dessa altura, o catenaccio. Nesta particular interpretação, enfrentámos 9 jogadores de características defensivas e outros dois perdidos na frente. Linha de cinco defesas  com outra de três médio poderosos à frente, todos com instruções para marcações individuais em todo campo e para bater em tudo que ultrapassasse essas marcações individuais. Sérgio Conceição tem razão ao apontar que é muito vulgar os nossos adversários mudarem muito a sua maneira de jogar nos nossos jogos. E não fala apenas da agressividade. Fala também do desenho táctico e das opções de jogadores utilizados. Só não concordava com o facto de isso normalmente soava a uma queixa. Na verdade, hoje em dia, está provado que as rotinas reforçadas no treino têm muita influência no rendimento das equipas. Este factor por vezes equivale-se ao próprio talento individual dos jogadores. Estes 'golpes de asa' dos treinadores, ou funcionam imediatamente, ou tendem a promover mais confusão do que soluções. Basta ver as recentes experiências de Rui Vitória com três pontas de lança nos finais dos jogos... Se assim é, o facto de os adversários mudarem tudo para nos enfrentar, deveria ser considerado uma vantagem para o FCPorto. E foi assim que Conceição abordou o tema no final do jogo. O que ele disse é que demorámos a encaixar a maneira de jogar do adversário e que, assim que o fizemos, foi simples. Concordo! Apenas há que ter em atenção que esse processo de adaptação tem de ser mais rápido porque, ontem, demos uma parte de avanço. Zero oportunidades de golo na primeira parte do jogo. Zero! E o Marítimo até teve uma boa aproveitando o habitual erro de Felipe, normalmente um por jogo.

Ou seja, podíamos ter chegado ao intervalo a perder por um. Seria injusto mas podia ter acontecido.  É certo que a segunda parte ajudou-nos a compensar essa má imagem da primeira. Jogámos da mesma forma mas jogámos mais rápido e variámos mais o nosso jogo, bastando isso para que as referências individuais a que os jogadores do Marítimo se estavam a agarrar para conseguir jogar, deixassem de ser consistentes, fazendo com que perdessem facilmente a posição. O melhor exemplo foi o primeiro golo do FCPorto. Bastou Oliver driblar o seu marcador para que tudo na defesa do Marítimo de desmoronasse.

Assim, correu bem! E de várias formas. Sobrevivemos ao habitual critério disciplinar desastroso do Xistra. A opção por Oliver parece ter saído mais reforçada. E não teremos de aturar os adversários por marcar num lance manhosito e, se calhar, ainda conseguimos que se acabasse com esta insanidade de ter o Marega a marcar penáltis... Tudo num jogo em que não sofremos e em que trouxemos três pontos de um campo em que temos perdido muitos nos últimos anos.

Individualmente, dou o MVP a um dos jogadores que jogou bem quer na primeira parte quer na segunda, Militão. Está um Senhor defesa central e começa a embaraçar o Felipe. Não que esteja muito pior do que lhe é habitual. Mantém as muitas qualidades e alguns defeitos. O problema é a comparação com o colega do lado... Gostei também do jogo todo de Danilo e de Oliver. Em relação a Oliver uma crítica. Acredita miúdo! Naquelas condições nem olhes para trás. Assume e vai para a baliza! Corona voltou a ser o nosso médio mais desequilibrante e foi justo que fizesse ele os 90 minutos em vez de Brahimi. Otávio entrou muito bem e pode ter ganho o lugar no jogo da Champions, espero que no lugar de Herrera. Pela negativa, não gostei muito dos laterais. Na frente, Marega esteve melhor do que nos últimos jogos e bem melhor que Soares que quase só fez asneiras, sobretudo na primeira parte. Parecia que tinha ganho confinaça com o Varzim...

Um última chamada de atenção para o lance violentíssimo sobre Corona, na primeira parte. É inacreditável que alguém veja aquilo na tv e não ache que é uma lance perigosíssimo e óbvio para expulsão. Confirmei na repetição e acho incrível que o VAR não tenha funcionado. Pior fiquei quando vi que os especialistas em arbitragem acham disto. Aos do Jogo nem perguntaram. E Duarte Gomes e Pedro Henriques coincidem na mesma incrível opinião: como não acertou com os pitons, não é vermelho. Passados todos estes anos, ainda não se conseguiu estabelecer um critério para o que é ou não perigoso para a integridade física de um jogador? Também é incrível o facto de eu ainda me surpreender com estas coisas, mas a verdade é que me surpreendeu muito.

Uma boa vitória no início de uma semana infernal em que podemos garantir a passagem na Champions e o primeiro lugar isolado na Liga. Parece-me que estamos num bom momento e temos de aproveitar!

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Agora com Maestro


O jogo com o Feirense, no Dragão, acabou por ser bem exigente. Havia a pressão de aproveitar as escorregadelas dos adversários e a equipa estava inquieta. No seguimento do que havia acontecido no último jogo, foi necessário garantir mais posse, com mais qualidade, porque o adversário se colocou muito bem no terreno, condicionando o nosso jogo. Por outro lado, foi também necessário empenharmos muita combatividade, porque os nossos avançados não estiveram muito inspirados, originando muita incerteza no resutado, muitas segundas bolas, e muitos duelos. Até aqui nada de especial. Foi mais um jogo no Dragão contra uma equipa que se galvanizou por ter conseguido que o tempo fosse passando, sem que o FCPorto se distanciasse muito no marcador.  O que impressiona no jogo de hoje foi o facto de a nossa solução para um jogo de posse com mais qualidade e para que em simultâneo fosse garantida mais e melhor combatividade nos duelos, ter sido a mesma: Oliver Torres. O mesmo jogador que foi o maestro de todo o nosso jogo ofensivo foi de longe o que recuperou mais bolas (12) e o que fez mais desarmes (11). Que grande exibição!

Essa foi a melhor notícia da noite. Finalmente temos uma variação significativa na nossa forma de jogar e, tal como nós aqui tanto pregámos, bastaria trocar alguns jogadores. Assim tão simples! Bastaria não apostar só em jogadores com um perfil Marega e Herrera e passar a incorporar mais com perfil Corona e Oliver.  Há onze jogadores em campo e nem todos têm de ter aquele perfil de tanque ou de futebol na vertigem que o Conceição tanto gosta. Assim Brahimi não se sente tão só... Ainda por cima, Oliver provou hoje que também consegue vestir o fato-macaco, algo que eu não antecipava. Não antecipava porque não é a sua forma de jogar e porque, na Champions, ele não conseguiu atingir estes números defensivos. Se consegue, menos um argumento para o tirarem da equipa. Continuaremos atentos à evolução nesta relação do futebol de Conceição com o futebol de Oliver.

O jogo foi marcado pelo nervosismo, em campo e nas bancadas. Os golos anulados e os falhanços não ajudaram muito. Ainda por cima, marcámos um golo de laboratório que deveria galvanizar a equipa para uma excelente exibição. Com toda a complicação do VAR, essa 'jogadona' até perdeu o efeito... Mais uma vez, a equipa soube manter-se no controlo das operações perante um adversário que complicou muito a tarefa, mais nos duelos, do que nas oportunidades de perigo. O segundo golo tardou mas veio a tempo de dar sossego a todos. 

Por falar em sossego, gostaria de falar do árbitro. Muito fraco. Já sei que as queixas virão dos adversários por causa do golo de Felipe, que parece ser fora-de-jogo. É difícil de analisar e eu compreendo a decisão do liner. Mas já não percebo este argumento do protocolo. Supostamente o protocolo do VAR diz que, se há dúvida, mantém-se a decisão do árbitro de campo. Mas há outro protocolo mais antigo que diz que, em caso de dúvida, se deixa seguir. Será que estes dois protocolos são compatíveis? Sinceramente não me parece. Já agora, por falar em protocolo, o árbitro não o cumpriu logo no início num lance que acaba com golo de Marega e em que claramente não há falta. Nesse caso já não houve protocolo e o árbitro apitou de pronto, invalidando a jogada. De resto, o árbitro falhou muito na gestão disciplinar e até na condução do jogo. Nas duas melhores oportunidades de golo do Feirense, ambas defendidas por Casillas, pareceu-me que temos dois lances precedidos de falta. Só um pequeno exemplo das muitas que ficaram por assinalar. Em suma, se bem conheço o futebol português, terá certamente um bom futuro este Sr. do apito.

Individualmente dou obviamente o MVP a Oliver. Já tinha desesperado à espera de uma frase destas numa crónica que não fosse da Taça de Portugal ou Taça da Liga... Grande jogo, colocando um problema sério a Sérgio Conceição e a Herrera. É que Oliver tem contrato para 2019/2020... Se o rendimento é semelhante ou superior ao de um jogador em fim de contrato... Danilo também está a aproximar-se rapidamente da sua melhor forma. Gostei também de Brahimi que voltou a driblar com sucesso, como é seu apanágio, algo que vinha faltando nos últimos jogos. Corona continua com lampejos de grande qualidade. Herrera entrou bem para serenar o jogo. Pela negativa, Soares e Marega não estão a atravessar um bom momento ao nível de confiança. Parece que fisicamente estão bem, mas que precisam de uma sequência de boas exibições para voltarem à sua melhor forma. Destaque por último para Sérgio Conceição. Não só lançou um onze que eu apreciei muito, como marcou um primeiro golo que é claramente fruto do seu trabalho e da sua equipa técnica. Golo com assinatura Conceição!

Voltámos ao primeiro lugar! E acontece bem mais cedo do que seria antecipável dada a derrota na Luz e dado que estávamos em terceiro lugar. Agora é só manter. Vamos ter uma sequência com muitos jogos no Dragão. Seria importante aproveitar essa dinâmica para finalmente arrancar uma série como a do início da época passada.