segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Bola parada e equipa parada



Estas 'remontadas' são sempre gostosas e são o exemplo do que de melhor Nuno Espírito Santo tem feito este ano no FCPorto. É fácil concluir que nos últimos 4 anos, nenhuma equipa do FCPorto teria apresentado garra e capacidade de reacção à adversidade suficientes para virar um jogo como o de ontem no Dragão. Nuno consegue tirar essa reacção dos seus jogadores. Lopetegui, por exemplo, não conseguia. Mas convenhamos que a equipa de Lopetegui não perdia o controlo do jogo. Pelo menos assim. Era impensável uma equipa do FCPorto não ter mais de 60% de posse de bola num jogo em casa. Já sei que a posse de bola é um meio e não um fim, mas temos de melhorar neste capítulo porque não vamos ter mais jogos com três golos de bola parada para resolverem os problemas de uma equipa sem soluções. É fácil de concluir que, a jogar assim, vamos precisar de muita capacidade de reacção porque estes acidentes vão continuar a acontecer. 

Este foi o segundo jogo consecutivo, em casa, em que o resultado é bem melhor do que a exibição. E assim arriscamo-nos... Mais uma vez, vamos chegando lá com perigo, de vez em quando, sem grande intensidade e sem grande controlo do jogo. Acidentes acontecem. Casillas a tentou adivinhar o lance, pensando de mais. Já Layun pensou de menos... Esse lance de Layun é paradigmático. Estavam por ali 3 jogadores a acompanhar passivamente o adversário e só se resolve actuar quando ele já está dentro da área. Lance ridículo a todos os níveis. A equipa desliga por momentos e acorda quando sofre golos. Mas não tem a capacidade de manter o motor ligado por muito tempo. E a exiguidade do plantel também não ajuda. Corona, que era o único extremo disponível, magoou-se. Temos um problema. Kelvin não é alternativa e Nuno não queria lançar logo um outro avançado. E ficamos com a equipa polvilhada de médios. E nem assim tínhamos bola... O que vale é que o jogo correu bem até ao nível do critério disciplinar largo, que ignorou os devaneios de Felipe e de Layun e também dos jogadores do Rio Ave, diga-se. Em suma, gosto desta capacidade de lutar contra a adversidade mas é algo que me contenta cada vez menos. Os resultados dizem que temos fortaleza, mas eu não vejo um FCPorto autoritário.

Individualmente, três notas altíssimas para Alex Teles, Marcano e Danilo. MVP para o Alex que esteve em 3 golos. Jota voltou a ser o melhor dos jogadores da frente. Pela negativa Casillas, com um lance infeliz e Layun sem um único lance bom que me lembre. Já que aqui critico constantemente as substituições de Nuno, há que elogiar a saída de Layun. Antes que fizesse mais asneiras. João Carlos continua a merecer mais minutos. Excelente jogada no último golo.

Na próxima semana, mais um 0-0?

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Fim de semana gostoso


Depois de um período depressivo com uma participação ridícula na Taça da Liga e de uma segunda parte em Paços completamente amorfa e irritante, nada melhor que um fim de semana a ganhar pontos em 3 campos. Estamos na luta e muito se deve ao desempenho da equipa no Dragão. Foi também importante conseguir três golos, que André Silva voltasse a marcar e que os nossos avançados tivessem voltado às boas exibições.

No final, Nuno tentou vender a ideia de que a única diferença para Paços foi que a equipa marcou. É uma simplificação perigosa, tal como era a da arbitragem. Se concentrarmos todas as atenções na arbitragem, o efeito imediato de revolta vai-se desvanecendo. Se concentrámos todos os problemas na finalização, põe-se todos os problemas nas costas dos avançados, nomeadamente o André Silva, esquecendo a construção. Se o André marca uma em cada três oportunidades, temos de arranjar maneira de lhe dar 6 a 9 oportunidades por jogo, em vez de duas como em Paços. A título de exemplo, na primeira vez que o miúdo começou a falhar mais golos, criou-se a solução de partilhar o 'fardo' da finalização com Jota. Porque é que, sem Brahimi, a solução é afastar Jota da baliza e aproximá-lo da linha? Faz sentido numa equipa que tem tido dificuldade de marcar golos? Pois... O problema vai muito para além de coisas simples como penaltis não marcados e a inspiração do André Silva. Para mim são limitações do modelo de Nuno Espírito Santo e limitações do próprio treinador. Mas é óbvio que acredito que ele também pode evoluir durante a época, mas para isso é preciso que ele esteja ciente de que há um problema. Já sei que o discurso para os jornalistas é gerido com cuidados extra, mas não convém esquecer que é esta informação que passa para os adeptos. Para para os adeptos passa a ideia de que apenas temos problemas com árbitros e com a pontaria. É curto. Há mais problemas.

Vamos ao jogo. A primeira parte começou logo com uma oportunidade de golo por Corona e um lance estudado num canto. Fiquei entusiasmado. Uma boa a entrada, com notório trabalho de Nuno num dos capítulos que pior correu em Paços e que foram as bolas paradas. No entanto, o resto da primeira parte tendeu para o habitual. De vez em quando vamos lá com perigo, mas nada de muito intenso. Os golos apareceram e apareceu uma expulsão estúpida do adversário. E o jogo acalmou para mais tarde, com as substituições, piorar até um ponto de se poder dizer que não se perdia nada se o jogo tivesse acabado por volta dos 70 minutos. 

E aqui outro problema: as substituições. Nuno mexe mal na maior parte das vezes, mas isso raramente se discute. Lembro-me que foi criticado no empate com o Benfica, mas isso foi muito por causa do erro incrível de Herrera. Nos últimos 5 jogos, alguma vez se melhorou com as substituições? Eu acho que não e foi mais grave em Paços porque perdemos pontos, mas é um sintoma também nos outros jogos. Muitos tenderão a dizer que o problema é não termos um banco bom. Mas temos de ir mais longe. Se o banco não é bom, exige-se um critério melhor a Nuno, nomeadamente no jogador que sai. Nos últimos 5 jogos de campeonato, Oliver saiu 5 vezes, Corona saiu 4, Jota saiu 3 e Brahimi 2 vezes, mas só jogou 3 desses jogos. Qualquer destas substituições recorrentes tira à equipa criatividade e capacidade de desequilíbrio, mas a de Oliver é especialmente grave em jogos como o de Paços de Ferreira, porque retira à equipa o seu jogador mais criativo. Mas também é grave nos outros 4 jogos porque, em vantagem, retira à equipa critério na saída para a transição ofensiva e a capacidade de ter bola com qualidade. Aí está mais um ponto em que Nuno pode melhorar.

Individualmente, dou o MVP a Marcano que juntou à habitual segurança defensiva um golo e uma assistência. Se a época acabasse agora, dava a Marcano o MVP da época do FCPorto. Quem diria depois do que vimos no ano passado, nomeadamente no último jogo da época... Felipe também esteve muito bem, mas não esteve nos golos e teve um erro grave na segunda parte que acabou por não ter consequências. Gostei também do regresso de Jota às boas exibições. Em Paços já prometia, mas retiraram-no do jogo demasiado cedo. André marcou um bom golo e ficou a dever-nos mais dois. Danilo tem nota positiva mas é de referir que não ganho uma bola de cabeça ao avançado do Moreirense que é bem mais baixo. Herrera voltou a jogar bem. O problema é que Herrera não consegue dar o que dá Brahimi ou Otávio.  Pela negativa os jogadores que saltaram do banco, com destaque para Kelvin que demorou 30 segundos a demonstrar que tem muito que melhorar para dar algo à equipa.

Na próxima semana temos um jogo à tarde. Uma boa oportunidade para encher o estádio!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

O problema



Nuno Espírito Santo tem sido bastante comedido quando fala dos prejuízos arbitrais sucessivos. Quanto a isso, aqui vai uma posição polémica: ainda bem que Nuno não se queixa muito da arbitragem porque tem sido esse o factor que o mantém na posição de treinador do FCPorto. Não que eu ache que estas trocas de treinadores recentes tenham sido boas decisões, apesar de ter apoiado algumas delas. Todos podemos concluir que todas elas tiveram efeitos nefastos sobre o futebol da equipa e os resultados, invariavelmente, pioraram. Apenas digo que, conhecendo os nossos adeptos,  se tivéssemos, de 15 em 15 dias, exibições irritantes como a de Paços, sem razões de queixa, já tínhamos caído em cima de Nuno Espírito Santo. E só não o fizemos porque ele tem atenuantes. Mas será uma questão de tempo.

Mas já vínhamos aqui avisando que o prejuízo não justificava tudo. Em Paços, mais uma vez, o nosso futebol esteve à vista de todos. Começamos bem com oportunidades, com controlo, mas sem sufoco. À medida que o tempo vai passando, as oportunidades vão rareando quando deveria acontecer o contrário. Vi vários jogos este fim-de-semana em que as equipas pequenas causaram grandes problemas. Muitos mais que os que o Paços nos criou. Por exemplo, o Barcelona e o Nápoles tiveram claras dificuldades.  Mas a diferença é que, no final, o ataque dos Grandes não foi perfeito mas foi intenso e subjogou por completo os adversários obrigando-os a concentrarem-se dentro da área defensiva e, mesmo assim, conceder oportunidades de golo. E ontem só tivemos isso no final da primeira parte. Dirão que tivemos muitas oportunidades falhadas. Mas quantas na segunda parte? Uma, duas? Tal como em Tondela, Setúbal, Belém... É uma história demasiadas vezes repetida para passar como um mero problema de finalização. São quatro resultados 0-0! Metade dos nossos jogos fora. Sabem o que têm em comum os últimos dois jogos fora que ganhámos? Marcámos 3 golos na primeira parte. Mas quando temos de lidar com a pressão do cronómetro, longe do Dragão, a equipa perde-se nas segundas partes. À medida que o tempo vai passando o adversário vai-se fechando e acabam as nossas oportunidades de golo. Ora, uma equipa grande tem de conseguir aproveitar estes recuos para sufocar o adversário. Nós não conseguimos. E as substituições de Nuno não ajudam. Parecia que estava a esforçar-se para irritar os adeptos. Ficávamos contentes com a opção que ia entrar para logo perdermos a esperança por causa do jogador que ia sair. Rui Pedro em vez de Depoitres? Muito Bem! Não vamos entrar na táctica do chuveirinho e podemos alargar a frente de ataque. Vai sair uma Jota? Afinal vamos afunilar a frente de ataque... Vai entrar João Carlos? Boa! Mais um com critério, na cabeça da área. Sai Oliver? Ok... Afinal não é mais um. Mantemos os mesmos... Esta incapacidade de mexer bem no jogo é algo que Nuno vem replicando consecutivamente sendo até uma das críticas mais vulgares dos portistas e tem toda a razão de ser.

Individualmente, além da nota muito negativa à prestação de Nuno nas substituições, dou o MVP a Ruben Neves. Na dúvida e com vários jogadores com notas apenas médias, dou ao jogador que mais gosto mas, se preferirem, considerem que não há MVP. Dizem que Danilo é preciso para garantir a segurança defensiva, mas nesse aspecto, não fez falta. É claramente a posição melhor preenchida no plantel. Quem dera que tivéssemos tanta qualidade e competitividade noutras posições. Na primeira  parte, Ruben criou muitos problemas ao Paços com as suas variações de jogo certeiras. O problema é que Jota não estava inspirado nesta nova posição de ala e Corona esteve um nojo! É incrível como Jota sai primeiro. Provavelmente, a pior exibição do mexicano com a nossa camisola. Herrera fez melhor mas foi caindo e não se percebe porque não saiu para refrescar aquela posição com mais criatividade. Os miúdos da frente continuam a falhar mas estão longe de ser o problema. Os nossos laterais não estiveram bem no apoio ofensivo e isso também não ajudou.

Esta era a jornada decisiva de Janeiro. Abria-se uma oportunidade de pôr pressão na frente a que se seguiam dois jogos em casa. Falhámos e o título é cada vez mais uma miragem.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Vergonha


Post curto porque esta competição nunca me mereceu respeito. Parece apenas um pretexto para termos mais jogos entre os clubes grandes e para se fazer mais uns trocos em direitos de TV e de sponsors.

Deixo apenas algumas considerações gerais sobre a competição:
- Sempre achei que o FCPorto deveria abordar esta competição com o intuito de lançar novos jogadores e jogadores menos utilizados, na luta pela titularidade. Isto independentemente da forma como a época esteja a correr. Apenas o fizemos em parte. Ontem, por exemplo, desgastámos grande parte da equipa e até perdemos um titular para o jogo do fim de semana, que é bem mais importante que este. 
- A arbitragem de hoje foi uma vergonha, mas não foi uma vergonha maior do que o desempenho do FCPorto nesta competição. Ficar em último num grupo que é jogado nestes moldes é algo absolutamente impensável e impossível de justificar com uma arbitragem, por muito escandalosa que seja e a de ontem foi.
- O facto de termos jogado com muitos titulares ajuda a que eu continue tirar conclusões e a pôr em causa o modelo de Nuno Espírito Santo. Continuamos a ter muita dificuldade em marcar golos em jogos que dominámos e continuamos a ter dificuldade em capitalizar vantagens no marcador, como aconteceu com o Feirense.
- João Carlos Teixeira parece ser o único que ganhou estatuto com esta competição. Incrível como nem sequer jogou hoje. Depoitres parece confirmar que é apenas uma opção de banco. Herrera mantém a sua habitual irregularidade exibicional. Boly tem muito que melhorar para sequer discutir uma entrada no onze. Corona este bem fraco nestes jogos.
- Estas novas fornadas de árbitros internacionais são tão más que não pode ser coincidência. Alguém preparou isto com tempo e com muito critério. Errar é humano e estes árbitros continuam a ser bastante 'humanos' nos jogos do FCPorto.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Até quando?



A pergunta não é retórica. Tem resposta e é um «até quando for preciso». Vamos ter isto até que FCPorto e Sporting estejam a uma distância considerada segura. Nessa altura vão dar-nos umas migalhas para distrair do facto de que este é já um campeonato com um prejuízo, que apenas tem precedentes no tempo da tv a preto e branco, dos favores ao regime e das fábulas calaboteanas. A diferença é que agora todos podemos ver e sentir vergonha deste estado de coisas no futebol português. Está à vista de todos e é até assumido por todos os especialistas que têm o mínimo de decoro. Mas poderão reparar que, nunca como hoje em dia, o erro faz parte do jogo... E assim a política de encobrimento continua. Basta ver como mudaram os critérios de mão na bola e bola na mão, em apenas meia dúzia de dias. Costuma-se dizer que temos de jogar o suficiente para nos acautelarmos de erros de arbitragem. Isto até faria sentido se fosse exigido a todos. O problema é que parece que apenas o FCPorto tem que lidar com este «carácter humano» da arbitragem e hoje tivemos mais um episódio do claro e consecutivo prejuízo que acumulámos.

Mas a arbitragem não foi o único ponto negativo da noite de hoje. Tirando as três primeiras jogadas de Brahimi no jogo, a primeira parte do jogo foi do pior que vimos ao FCPorto em muitos jogos. Muito nervosismo e aí valeu Casillas. Bastou termos um adversário bem organizado para termos demonstrado uma preocupente falta de capacidade de improviso e uma irritante repetição de erros e uma insistência em caminhos que estavam vedados. Se nos fecham as alas, jogamos dentro do bloco. Se nos tiram espaço dentro do bloco, jogamos com a profundidade e com a mobilidade dos nossos avançados. Pelo menos variem! O que não podemos é ter soluções repetitivas e que esbarram consecutivamente em zonas de superioridade numérica do adversário e que resultaram quase sempre em saídas rápidas para o contra ataque. Não sei o que Nuno disse ao intervalo mas o FCPorto, com os mesmos intérpretes, fez muito melhor na segunda parte. Não fosse a irritante tendência para o erro do árbitro e o muito nervosismo dos jogadores do FCPorto ao longo do jogo, e o resultado tinha-se resolvido ainda mais cedo. Sem ter sido um grande jogo ao nível técnico, foi uma segunda parte em que demonstrámos uma intensidade e uma garra que só nos podem encher de orgulho. Como Nuno disse e bem, demonstrámos carácter! Mas que sirva de lição. Tal como os erros de arbitragem, dar partes do jogo ao adversário, tem-nos castigado consecutivamente e teremos que ser mais proactivos e menos reactivos quando 'espicaçados' pela adversidade.

Individualmente, num jogo em que imperou a garra, Maxi destaca-se sempre. Nestes jogos, jogadores como este, empolgam a equipa e as bancadas. Além disso, apesar de o melhor cruzamento do jogo ser de Alex Telles, Maxi este muito bem ao nível do cruzamento. Contei pelo menos 6. Se grande parte da equipa jogou mais 'com o coração', Oliver é o jogador que imprime mais 'cérebro' ao nosso jogo. É dele o passe para Danilo no segundo golo, é dele a aceleração de jogo que resulta no primeiro golo, é dele o passe para a cabeçada de André Silva que resultou na segunda melhor defesa da noite. A melhor esteve do outro lado e foi protagonizada pelo meu último destaque positivo, Casillas. Grandes defesas que mantiveram o FCPorto no jogo, nos nossos piores momentos. Destaque positivo para Marcano, Brahimi e Danilo. Pela negativa, Jota e André Silva poderiam ter tentado participar mais no jogo na primeira parte. Felipe tem uma grande cavalgada na segunda parte que faz esquecer o duplo erro no golo do Chaves e o nervosismo em geral.

O mês de Novembro trouxe a depressão e o mês de Dezembro pôs-nos na luta outra vez. Em Janeiro é para continuar!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Coladinhos



Não era previsível esta antecipação de calendário mas o Capela abriu esta possibilidade e nós aproveitamos esta boa oportunidade de pôr pressão na frente. Não fosse mais uma sessão de andebol na luz e estaríamos provisoriamente na frente. Não fosse uma outra sessão de andebol em Alvalade e poderíamos tirar o 'provisoriamente' da frase anterior. Tem sido um ano difícil de acompanhar com crónicas. Por um lado, sinto que a equipa pode fazer mais e não o faz por ideias de Nuno que considero desapropriadas ao FCPorto. Por outro lado, temos tido demasiadas contrariedades arbitrais e a equipa tem demonstrado uma união e uma garra invulgares nos anos anteriores, sendo que esta última parte é mérito óbvio do treinador. Ontem tivemos mais um episódio do que tem sido este campeonato. Uma vitória suada, com empenho, garra e calafrios no final, perante contrariedades fortes do tempo e do árbitro. Há pelo menos dois lances de Maxi, um de penalti e outro fora-de-jogo, que são de bradar aos céus e nem é preciso estas modernices que se vêem no mundial de clubes. Dá para ver 'a olho nu'.

Mas ficam os três pontos que era o fundamental. A vitória podia e devia ter sido mais gorda perante uma equipa que jogou só com defesas e médios em duas linhas de 5 coladas à área. É até incrível como a equipa defrontada que apresentou a estratégia mais defensiva é a que consegue marcar um golo a Casillas. Foi um bom golo mas um prémio injustificado para tão fraco futebol do Marítimo. Mas este prémio vem a propósito de um dos pontos que mais criticamos neste FCPorto de Nuno Espirito Santo. Quando nos encontramos em vantagem, temos muita dificuldade em afastar o adversário da nossa baliza, sobretudo muita dificuldade em manter níveis de posse sequer comparáveis com os momentos em que estamos em busca do golo. Em suma, esta equipa não consegue descansar com bola. É isto que faz com que soframos calafrios pequenos como o de ontem e calafrios grandes como o golo de Lisandro nos descontos. Continua a ser um ponto a melhorar e, dado o talento que temos, basta querer.

Individualmente, dou o MVP a Brahimi. Um golo e uma assistência bastavam, mas a exibição por si justifica. Muitos tendem a dizer que Brahimi está diferente e os argumentos oscilam entre o 'está mais empenhado' e o 'está mais objectivo'. Mas isso só ajuda legitimar a falta de explicação para a sua fraca utilização até agora. Nunca nos disseram que havia problemas disciplinares, portanto, temos de concluir que foi simplesmente uma má opção. Gostei das exibições em geral mas destacaria também Corona, Maxi e Danilo. Jota não esteve muito inspirado, mas a sua intensidade de jogo fez com que Nuno o mantivesse até ao final.  Mais um golo para André Silva e já está na frente dos marcadores. João Carlos Teixeira estreou-se e mais uma vez deixou boas indicações. Merece mais minutos mas à sua frente tem Herrera e André André... 

Segunda-feira teremos mais uma oportunidade de pôr pressão na frente. Seguimos na luta!

domingo, 11 de dezembro de 2016

Um fim de semana descansado



Por certo que já sentiam saudades de tamanho descanso. Um jogo com resultado feito muito cedo, com goleada, com golos do menino André Silva, com o fim da seca de golos no campeonato e com a perspectiva de assistir 'de cadeirão' ao clássico da tv a preto e branco. Soube bem, mas podia ser melhor. Por um lado, em Lisboa tivemos o resultado que menos nos interessava e que nos mantem à mesma distância do primeiro lugar. Por outro lado, a exibição foi pior que o resultado. É algo que acontece muito às grandes equipas: jogar pouco e ganhar. Não será normal fixarmo-nos no resultado e esquecermos o que de mau se foi fazendo. Mas há que valorizar a tranquilidade com que resolvemos esta difícil deslocação, depois do que aconteceu nas anteriores.

O onze foi mais uma vez consensual, apesar de eu não me conformar com o facto de o Ruben não ser titular. Não me conformo agora e nunca me conformarei. Por muito bem que jogue o Danilo, nunca poderá atingir patamares ao nível da organização de jogo e da gestão dos ritmos do mesmo, que Ruben atinge sem esforço. É talento natural, tal como o Ruben nunca poderá cabecear bolas no 'terceiro andar'. Mas este ano temos uma ajuda a Danilo, que não tínhamos no ano passado, e que  pode ajudar a esquecer algumas das limitações do internacional português: é Oliver. Quanto mais Oliver pega no jogo, mais Danilo brilha, porque passa a ser obrigado a fazer apenas o que faz bem. Tem de destruir, usar o corpo, atacar a segunda bola e entregar limpo e curto. Esta especialização faz com que Danilo esteja a fazer uma grande época. Acontece o mesmo com os centrais. Nuno também arranjou uma maneira de eles brilharem mais, isentando-os de qualquer responsabilidade na construção de jogo. Jogam simples, cortam para a bancada e só podem tocar curto sem risco ou, em alternativa, esticar logo o jogo. O problema é que nem sempre as bolas longas têm resultado em penalti concretizado, com expulsão de um adversário. Diga-se também que nem todas as bolas longas vêm dos pés de Oliver... O que pretendo dizer é que não me conformo com esta nossa incapacidade de ter bola com mais qualidade, mesmo em jogos em que dominamos por completo. Não me canso de dizer que este modelo de Nuno torna o futebol mais aleatório e permitiu por exemplo que um Feirense 'morto' fosse capaz de mandar duas bolas aos ferros. O jogo com o Leicester deu-me alguma ilusão de que estaríamos a evoluir no modelo de jogo, mas o de hoje volta a deixar-me a dúvida. Vale o resultado gordo e a perspectiva de que o 'choro' está a dar frutos. Não que ache que tenhamos sido beneficiados. Mas, pelo menos, não nos prejudicaram...

Individualmente, dou o MVP a André Silva que ganha o lance que decidiu o jogo e ainda marcou mais um golo. Com nota bem próxima, Oliver e Marcano. Todos os restantes têm nota positiva mas não muito alta, visto que jogamos apenas o estritamente necessário. Voltou a ser possível dar minutos a Rui Pedro. Pena que já estivéssemos em poupança. Grande jogada do Herrera no final. Esperemos que dê para o animar um pouco.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Grupo fraco - Parte 6



Nuno Espírito Santo, que já tinha falhado um objectivo com a eliminação da Taça de Portugal, conseguiu agora alcançar um dos objectivos para a época, que é o da passagem aos oitavos de final da Champions League. É até um objectivo que vem traduzido nas expectativas de receitas nos orçamentos anuais, portanto é um bom resultado para Nuno e para a equipa. É óbvio que será fácil desvalorizar o feito porque todos percebemos que tivemos alguma sorte no sorteio. Não vale a pena esconder que todos antecipámos menos dificuldades e todos apontávamos para o primeiro lugar do grupo. E percebemos também que o calendário também ajudou visto que chegámos ao último jogo com a possibilidade de decidir tudo em casa e frente a um adversário em poupança. Ainda assim, é importante perceber o enquadramento e valorizar a avalanche ofensiva, demonstrada pelo segundo jogo consecutivo, e em clara resposta evolutiva em relação ao período de seca de golos que atravessámos. Este é um FCPorto a crescer numa altura crucial do campeonato e numa altura em que os nossos adversários parecem estar numa tendência inversa. Há que capitalizar o momento já no Feirense.

Quanto ao jogo, tivemos a mesma receita que tivemos com o Braga. Movimentações ofensivas muito interessantes, com alas muito desequilibrantes, com uma dupla ofensiva muito agressiva, com dois laterais que são dois alas, com Oliver a pautar e o trio de gigantes a proteger. É este o plano de Nuno e funcionou ontem na perfeição. É certo que tivemos muito melhor construção e muito menos bolas bombeadas. A isso ajuda o facto de Brahimi estar sempre pronto a receber e dos movimentos de Jota em apoio aos médios e centrais. Mas o fundamental foi o facto de Oliver ter assumido todo o nosso jogo e lhe terem dado espaço para isso. Há que usar mais estas opções para termos qualidade em posse e evitar o 'chuveirinho'. Ajudou também a inspiração individual de Corona que esteve sublime. Não me lembro de o ver perder um lance e ele é daqueles jogadores que arrisca tanto, que é até normal e aceitável perder 50% dos lances. Apenas poderei criticar a entrada tremida na segunda parte. Se noto evolução na construção ofensiva, ainda não vejo a equipa com capacidade de, em vantagem, manter o adversário longe da nossa baliza. Continuamos a recuar demasiado. As constantes exibições inspiradas da nossa dupla de centrais têm ajudado a camuflar esta perigosa tendência, mas ela existe e é um ponto em que devemos evoluir.

Individualmente dou o MVP a Corona. Esteve brilhante. Este Corona é um jogador de nível mundial. Às vezes dá a sensação que lhe é indiferente fazer um golo daqueles ou não fazer nada. O próprio festejo  diz-nos isso. Uma atitude competitiva mais parecida à de Jota e de André Silva poderão fazer com que ele chegue ao topo do futebol mundial. O talento individual já lá está. Brahimi não ficou muito atrás, tal como os dois avançados. Ainda assim, gostei ainda mais de Oliver. Nota-se quando o jogo corre bem a Oliver. Basta contar as oportunidades de golo. É um jogador que está a aproximar-se da sua melhor forma e vem em boa altura. De resto, não tenho notas negativas, nem no banco. Nuno escolheu os melhores e mexeu bem no jogo.