sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Nova época!


Estamos de regresso aos artigos. Tivemos aqui um interregno motivado por uma associação de factores como férias, férias e também férias. Obviamente não estivemos desatentos e sabemos que estamos a dever 2 crónicas aos nossos leitores, isto sem contar com os jogos de pré-temporada. Tentarei resolver a coisa com dois breves parágrafos por jogo, precedidos de um outro para os jogos da pré-temporada:

- Jogos de pré temporada:

Começámos bem com uma exibição interessante nos primeiros 40 minutos do jogo com o Portimonense. A equipa tremeu um pouco com os dois golos sofridos de rajada e isso acabou por ditar um mau resultado.  Mas pior que o resultado foi a entrevista de Sérgio Conceição no final. Essa exposição desnecessária das nossas limitações acabou por marcar todos os jogos que se seguiram, até que, finalmente, voltámos a mostrar qualquer coisa na segunda parte com o Newcastle.

Individualmente, gostei do facto de a pré-época ter permitido expor as limitações de alguns dos jogadores entretanto dispensados. Se tivesse de destacar algum jogador pela positiva diria Marega e Oliver e pela negativa os dispensados, Chidozie e Hernani.

- Supertaça:

Os basculantes foram a Aveiro ajudar a conquistar mais um 'caneco' na nossa Taça fetiche. O jogo foi marcado pela ausência de Marega e pela agressividade competitiva do Aves (vamos chamar-lhe assim...). O FCPorto acabou por reagir às contrariedades da primeira parte, nem sempre bem, mas demonstrando que a vontade de vencer se mantem intacta desde a época anterior. Nem sempre bem porque acho que a reacção foi demasiado emocional, tendo exposto a equipa a mais golos sofridos. Deu a ideia que a seguir a cada contratempo, a equipa entrava numa pequena fase de desconcentração que resultava imediatamente em oportunidade de perigo para o adversário. Basta ver quando foram as oportunidades de golo do Aves e notar que imediatamente antes tivemos o golo sofrido, a lesão de Brahimi ou a cotovelada a Herrera. Com isto pretendo dizer que podemos usar o conforto destes dois títulos para buscar mais equilíbrio nas emoções dentro do jogo. E isto sem perder a fúria de vencer que sempre vemos na equipa de Sérgio Conceição. Se for possível...

Individualmente não gostei nada da exibição de Sérgio Oliveira. Nota má. Pelo contrário gostei muito da exibição de Herrera e da entrada de Corona. Mas o MVP vai para Maxi que juntou a boa exibição ao golo que desbloqueou o jogo. Otávio melhorou muito na segunda parte. Registei também com agrado, as estreias seguras de Diogo Leite e de André Pereira que não tremeram.

- Estreia na liga contra o Chaves:

Tendo em consideração que pré-época não foi famosa e que o jogo com o Aves esteve tremido, não seria fácil de antecipar o que se passou no jogo com o Chaves. Foi uma exibição portentosa que fez lembrar o arranque do ano passado. Mas esse arranque seguiu-se a uma pré-época melhor, com uma equipa mais estabilizada e numa sequência lógica de uma equipa em clara evolução. Aqui tínhamos um plantel em constante tumulto, miúdos de 19 e 21 anos a substituir Marcano e Marega, tínhamos o Brahimi com um treino durante a semana anterior e ainda com Danilo e Soares no estaleiro. A equipa respondeu muito bem, com Sérgio a manter o esquema geral do ano passado. Beficiámos muito do rendimento de Otávio e Brahimi a que se juntou o dinamismo habitual de Herrera e Sérgio Oliveira. Muita troca posicional, muita magia e alguns golos. Apenas alguns porque ficaram outros tantos por marcar. Ótimo arranque na Liga e um bom 'statement' para os adversários irem contando com um grande FCPorto.

Individualmente, dou o MVP a Brahimi mas deu vontade de dar um prémio conjunto a 5 elementos, visto que Otávio, Sérgio Oliveira, Herrera e Aboubakar também estiveram muito bem. Destaque para nova entrada de Corona, que continua a bater à porta da titularidade, e para os miúdos que continuam a demonstrar grande fibra nesta prova de fogo que estão a enfrentar. Até deu para Marius marcar. Só tenho notas boas e uma ausência de nota para Cassillas que apenas assistiu ao jogo.

Resumindo, pré-época acidentada e com resultados pífios compensados pela reação verificada na conquista do primeiro título da época, mas sobretudo na excelente exibição na estreia no Dragão. Apesar das contrariedades seguimos fortes!

PS: Pretendemos abordar os percalços da pré-época em artigo próprio a sair já depois do fecho de mercado. Assim poderemos ser mais justos porque, se fizéssemos agora, iam sair críticas em todas as direcções...

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Época 2017/2018 - Sérgio Conceição



Já só pensamos na próxima época e ainda nos faltava falar do grande protagonista da nossa conquista: Sérgio Conceição. 

Pouco há a fazer além de elogiar. Mas já conhecem o feitio destes meninos. Há sempre alguma coisa que podia ser melhor. Comecemos pelo muito que fez de muito bom. 

É quase consensual considerar que Sérgio Conceição fez um milagre com o plantel de que dispunha. Posso aceitar mas queria deixar uma ressalva. Não é verdade que o plantel fosse mau. Essa era uma percepção errada que advinha de uma noção que tínhamos de que os jogadores que cá tínhamos, não tinham qualidade para produzir mais do que o que se viu nos últimos anos. Esta ideia é até contraditória com outras das críticas mais ouvidas como a falta de qualidade dos treinadores que por cá passaram, ou a SAD que só contrata quem lhes dá comissões. De facto, havia posições críticas em que faltavam opções, sobretudo nos lugares da frente. Mas, de uma maneira geral, o plantel estava cheio de jogadores que ainda não tinham demonstrado todo o seu potencial. E é esse o milagre de Sérgio Conceição: pôr os jogadores a jogar o que sabem. Deveria ser simples e o mínimo exigível mas, nos últimos anos, não pareceu... Foi este o 'segredo de Conceição'. E fê-lo de duas formas: através do modelo de jogo e através do trabalho motivacional. 

Comecemos pelo modelo de jogo. Com Soares, com o regresso de Aboubakar e com a aposta em Marega, que Sérgio já queria para o Nantes, foi decidido que íamos abordar o campeonato com dois avançados. E este facto é importante porque acabou por definir tudo o resto. Todos os avançados disponíveis eram poderosos em termos físicos e fortes no jogo aéreo. Marega, em específico, é muito forte a atacar a profundidade. Como servir a nossa dupla? Desde logo, temos laterais que são mais fortes a cruzar que qualquer dos nossos extremos. Logo, há que aproximá-los da frente. Para arranjar espaço, e como se optou por não utilizar médio para jogar nas entre-linhas, há que pôr os extremos a atacar essa posição, por forma a preencher o miolo e podermos aproveitar os ataques à profundidade dos avançados. Com a dupla de centrais a transitar sólida da época anterior, a dupla de médios parecia combinar uma abordagem mais física e uma a capacidade de reter a bola quando necessário, com Danilo e Oliver. Porém, esta dupla não convenceu Conceição em termos de agressividade e pressão. Isto porque os dois avançados não serviriam apenas para dar presença na área. Serviriam igualmente para pôr pressão na saída de jogo do adversário e teria de ser um dos médios a manter uma segunda linha de pressão, para que a equipa não partisse. Nessa função surge Herrera como melhor intérprete e como peça fundamental do modelo. E assim, segundo a minha teoria, Sérgio Conceição montou a equipa da frente para trás, ao contrário do que é habitual.

Em termos motivacionais o trabalho viu-se a cada jogo. Viu-se na roda final em cada jogo e viu-se no empenho incrível que vimos em todos os jogos sem excepção. Viu-se também nos caso de indisciplina como o de Soares e na forma como inventou jogadores como Marega e Sérgio Oliveira. Viu-se também no reconhecimento de erros próprios, como no regresso de Casillas e nas declarações no final de alguns jogos que correram menos bem. Sérgio Conceição tem uma personalidade muito forte que soube pôr ao serviço dos nossos objetivos e não apenas dos dele.

Mas nem tudo foi óptimo. Há sempre algo a melhorar e, tal como nos elogios, vamos organizar nos mesmos dois capítulos: modelo de jogo e trabalho motivacional. 

Em termos de modelo de jogo, fomos insistindo aqui que falta alguma criatividade. Alguma capacidade de improviso e de trocar as voltas aos treinadores mais bem preparados. Normalmente, esse papel está entregue quase em exclusivo a Brahimi. Ora, por ele ser o grande jogador que é, este ano chegou. Mas será que poderemos continuar a concentrar toda a nossa capacidade de improviso num só jogador? Neste campeonato e com este árbitros? Parece-me arriscado. Assim, julgo que poderíamos melhorar se variarmos a composição do meio campo consoante os jogos. Dar um papel mais relevante a jogadores como Otávio e sobretudo Oliver. É importante variar mais o nosso jogo. Fica o desafio.

Em termos motivacionais posso-vos contar uma discussão que tivemos entre basculantes quando perdemos em Belém.  Nessa altura já tínhamos perdido a Taça da Liga na meia-final e o primeiro lugar nas vésperas de ir à Luz. Será que o Sérgio exige tanto dos jogadores, em termos emocionais, que, perante um primeiro abalo, tudo se desmorona? Assim ao estilo do que tem acontecido com Scolari nas equipas que treina? Isso poderia explicar a nossa dificuldade nos penaltis e nos jogos decisivos das competições a eliminar e a derrota em Belém depois da de Paços. Poderia explicar também porque Sérgio Oliveira não quis marcar o penalti em Paços. Mas a exibição na Luz e o golo de Herrera serviram para sossegar esta teoria, mas ainda não fiquei totalmente convencido.

Em suma, chegámos a temer estarmos perante um pé frio do género de Peseiro, mas essa exibição na Luz acabou por mudar tudo e de forma totalmente merecida. Ainda assim, quero acreditar que faria uma avaliação semelhante ao trabalho de Conceição sem esse resultado. Mas são apenas especulações... Certo é que a primeira época foi óptima, e a segunda terá de ser melhor! É assim o FCPorto e o treinador sabe-o bem!

terça-feira, 22 de maio de 2018

Época 2017/2018 - Desilusões


Cá estamos para mais um ranking. Desta vez são as maiores desilusões da época. Já sabemos que não é fácil fazer uma lista consensual mas deixamos já claro o nosso critério: rendimento vs expectativas. É portanto avaliado o rendimento segundo os nossos critérios e em confronto com as nossas expectativas.

5. Waris

Todos nos lembramos que o FCPorto teve um defeso muito complicado e que ficamos com um plantel algo desequilibrado. Compensamos com as contratações de inverno. Na altura a equipa já começava a demonstrar sinais de cansaço e faltavam opções na frente. Bastava ver que havia duas posições para três jogadores. Ora Waris foi um pedido de Sérgio Conceição quando já sabia exatamente o que precisava para aquelas posições. Julgávamos que vinha aí um jogador capaz de lutar por um dos lugares da frente e substituir sobretudo o Marega. Não podíamos estar mais enganados. Demonstrou pouco e não teve assim tão poucas oportunidades. Espero que seja devolvido.

4. Paulinho

Já com Paulinho é diferente. Também me desiludiu mas não quero que seja devolvido. Paulinho parecia que podia ser uma alternativa a Otávio, mas com pé esquerdo. Ou seja, poderia fazer o papel de médio escondido na ala, a partir do flanco direito. A verdade é que as coisas não lhe saíram nada bem. Demonstrou clara inadaptação a este papel e, mesmo quando  entrava para a sua posição natural no miolo, não conseguiu render. Há no entanto aquela primeira parte em Moreira de Cónegos, que me deixa a sensação de que ele pode fazer melhor. Na altura foi sacrificado porque era preciso atacar, mas fez um bom jogo, algo que não consegui ver em Waris, por exemplo.

3. André André

À medida que o seu contrato se vai cumprindo, André André vai tendo cada vez menos influência no jogo da Equipa. Começou por conquistar Lopetegui, ganhando a titularidade, para passar a ser uma boa solução para reforçar o meio campo ou para entrar e controlar os jogos. Hoje em dia já nem isso tem feito, acabando por ser o médio menos utilizado do plantel. Apesar do seu ADN portista, nunca entusiasmou muito as bancadas e são poucos os que exigem mais minutos para este jogador. Adivinha-se a sua saída neste defeso.

2. Corona

Desde que chegou ao FCPorto, a cada nova época julgamos que essa vai ser a época de 'explosão' de Corona. Continuamos à espera... É um desperdício imenso. Claramente um dos jogadores mais evoluídos tecnicamente. Domina, remata e conduz com os dois pés, algo raríssimo no futebol mundial e, no entanto, sempre que fazemos um qualquer exercício de avaliação de Corona, falta sempre qualquer coisa. Ou falta intensidade, ou falta cabeça... No limite faltam golos, dribles, assistências e falta influência no jogo da equipa. Basta ver como Brahimi aproveitou do outro lado, esta possibilidade de participar mais no jogo da equipa. Ao contrário do colega, Corona prefere passar grande parte do jogo alheado, aparecendo em 'focachos'. Exige-se mais de um jogador que já cá está há várias épocas. Há aqui um pequeno desconto, visto que este ano tem a desculpa do problema pessoal grave, que pode ter tido influência. Ainda assim, esperámos sempre mais dele.

1. Oliver

É uma dor no coração ver o Oliver nestas conversas. Provavelmente nunca saberemos onde começa a culpa do jogador e onde começa a do treinador. Mas Sérgio não foi o primeiro treinador a sacrificar Oliver em função do seu esquema de jogo. Se excluirmos da análise o ano de Lopetegui, nos últimos anos, Oliver começa sempre a época a titular. Até com Simeone no Atlético de Madrid. A verdade é que as épocas vão evoluindo e os treinadores acabam, mais tarde ou mais cedo, por optar por um meio campo mais musculado. Este ano não fugiu à regra. Oliver começa a titular e com um rendimento bastante bom. Todos nos lembramos das goleadas da pré-época e dos primeiros jogos do campeonato. Até que chegou o fatídico jogo com o Besiktas. Sérgio Conceição convenceu-se que precisava de reforçar o meio campo com o poder físico de Herrera. Se no início o nosso jogo sofreu um pouco, com o passar dos jogos Herrera passou a jogar cada vez melhor, tornando cada vez mais difícil a opção de tirá-lo da equipa sem criar mossa. Nem quando se precisava de reforçar o meio campo, Oliver foi solução. Nessas alturas Sérgio Conceição preferiu 'jogar no escuro' com Sérgio Oliveira. A lesão de Danilo veio reforçar essa aposta. Ora bem... Tivemos que apresentar estes dados e esta cronologia para convencer os leitores que isto tem lógica. Na verdade, nós não concordamos nada com esta opção. Continuamos a achar que Oliver será sempre uma mais valia para um FCPorto que, apesar do sucesso, continua a carecer de criatividade, que está entregue só a Brahimi. Oliver é o melhor jogador do plantel em vários capítulos, seja o passe, a visão de jogo, o posicionamento, etc.. Mas não é um tanque... Ainda assim, acreditámos que é preciso arriscar em Oliver, mas é preciso que os treinadores acreditem nesta opção, algo que não me parece que tem acontecido. Há sempre a próxima época...

Menções pouco honrosas para dois jogadores. Osório jogou apenas um jogo incompleto. Dado o nível geral dessa exibição e o facto de esse ter sido o pior jogo da época de Felipe, seria uma crueldade referi-lo como uma desilusão. Já Hernâni, não é uma desilusão porque a expectativa era baixa.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Época 2017/2018 - Jogadores


Tal como prometido, este ano voltamos a analisar a época através de rankings. Comecemos pelos melhores jogadores da época. Não foi fácil visto que nos parece que esta foi uma época em que se destacou mais a equipa e, por esse motivo, Sérgio Conceição. Ainda assim fica aqui a nossa tentativa.

5- Ricardo Pereira

Quando Danilo saíu para o Real Madrid e quando se anunciou que Maxi seria o seu sucessor, escrevi aqui que temia pela evolução de Ricardo Pereira. Foi naturalmente emprestado e a trapalhada com o Nice fez com que lá ficasse mais tempo do que o previsto inicialmente. Quando fizemos os tops do ano passado destaquei-o como o jogador emprestado que melhor rendimento demonstrou e até tinha receio que não o conseguissemos segurar nesse defeso. Ficou e confirmou-se um reforço de peso. Já sabemos que este esquema de Sérgio Conceição favorece muito os laterias ofensivos. Se formos analisar o raio de ação dos nossos laterais, dificilmente a 'nuvem' ficará atrás do meio-campo. Mas Ricardo é daqueles laterais que dá gosto ver jogar. Porque tanto procura a linha como consegue atacar a cabeça da área, em condução ou em tabelas, sempre a alta velocidade. Demonstrou também uma qualidade que já lhe conhecíamos que foi a polivalência. Mas o que mais surpreendeu foi a intensidade e sua evolução defensiva. Temos ali um grande lateral, bem recompensado pela convocatória de Fernando Santos.

Adenda: Entretanto Ricardo foi vendido. Mais uma vez, tememos que aconteça a Dalot o que aconteceu a Ricardo Pereira há 3 anos. Esperemos que se resolva rapidamente a sua situação. Diria até que esta era uma renovação mais prioritária que a do Iker. Aguardemos...

4- Alex Telles

Este vai ser difícil de segurar. Não vemos na Europa muitos laterais capazes de fazer uma média de 15 assistências em duas épocas consecutivas. Voltou a ser o nosso marcador de todas as bolas paradas. Agora, até penaltis marca e espero que seja ele a acabar com a nossa malapata neste capítulo. É, portanto, o expoente máximo de uma das maiores armas do nosso jogo, que são as bolas paradas, e que nos valeu as vitórias contra o Leipzig no Dragão, na Feira, na Madeira, etc.. Ao contrário de Ricardo, é um lateral menos driblador e mais focado na sua excelente habilidade nos cruzamentos. Voltou a ser um dos esteios da defesa apesar de, este ano, ter pisado terrenos mais ofensivos. Continua a combinar muito bem com Brahimi.

3- Brahimi

Este é o único jogador que repete o nosso top 5 em relação à época passada. Para começar, deixamos um dado estatístico paradigmático: Brahimi foi o jogador do plantel que jogou mais minutos. Já sabemos que isto aconteceu devido à troca na baliza e devido às lesões na defesa mas, ainda assim, é um dado surpreendente. Já repetimos várias vezes aqui que achamos que este é o jogador chave neste sistema de Sérgio Conceição. Sem Brahimi e com um meio campo deficitário em criatividade, com Herrera e Sérgio/Danilo, o futebol da equipa iria tornar-se demasiado previsível. Só cruzamentos e bolas lançadas na profundidade. É difícil imaginar que isto possa acontecer visto que Brahimi foi dos pouco jogadores nucleares que jogou sempre. Por isso é que se fala mais na dependência de Marega, por exemplo. Mas Brahimi é o jogador do plantel que melhor interpretou o esquema de Sérgio Conceição, ocupando com mestria as tão famosas entrelinhas. Em resultado deste posicionamento, marcou mais golos, assistiu mais vezes e foi muito mais influente do que o que seria se se mantivesse sempre encostado à linha.

2- Marega

Foi a surpresa do ano. Como é possível que um jogador com tantas dificuldades em lidar com a bola consiga ser um dos maiores destaques de um FCPorto Campeão? Não é fácil de explicar. Vamos tentar. Desde logo foi o nosso melhor marcador no campeonato. Não foi o nosso melhor marcador em todas as provas, mas foi na que mais interessa. É também um jogador que nos permite apresentar um modelo alternativo, sem fazer qualquer alteração. Facilmente abandona o lugar da avançado para actuar a extremo e esta variação chega a ocorrer várias vezes no mesmo jogo. Assim, marca muitos golos apesar de nem sempre ser o nosso jogador mais avançado. Por último, é um jogador absolutamente desconcertante no ataque à profundidade. Quando explode em direcção à baliza contrária, é difícil de acompanhar e difícil de derrubar, mesmo que seja em falta. Ou seja, consegue massacrar simultaneamente os centrais e os laterais. Foi muito importante porque, ao contrário de Aboubakar e Soares, rendeu durante toda a época. Ainda por cima, graças à desconfiança que havia à sua volta, criou-se uma incrível popularidade junto dos adeptos. Ou seja, começámos a torcer por ele em tom de gozo até que, quando reparámos, já estávamos a torcer a sério. É um fenómeno estranho mas engraçado...

1- Herrera

Eis que chegámos ao jogador do ano. Poderão pensar que foi difícil chegarmos a esta conclusão. Porque sempre nos assumimos como críticos de Herrera e porque até chegámos fazer posts em que o criticávamos com mais afinco, só para obter a reacção da turba de indignados que continua a ser maioritária nestas lides cibernáuticas. Na verdade foi bastante simples. Isto porque o que mais criticámos em Herrera, simplesmente deixou de se verificar. Estamos a falar da inconsistência exibicional que era habitual nele. Já sabemos que é um jogador que tende a errar, sobretudo ao nível do passe. Mas o que contava mesmo era a reacção ao erro. Herrera tinha até aqui demonstrado uma total incapacidade de reacção ao erro e isso lançava-o numa montanha russa de exibições mais e menos conseguidas, não garantindo a consistência que um jogador tem que ter nesta posição nuclear do campo. Este ano, tudo foi diferente. Há quem diga que foi a lesão de Danilo que lhe permitiu soltar-se num esquema de duplo pivot. Mas eu acho que já antes se tinha demonstrado que este era um Herrera diferente. Mérito para ele e para Sérgio Conceição que aplicou um estilo de jogo que o favorece claramente. Exige dele, o que ele mais tem para dar, que é poder físico, stamina e coração. Herrera foi sempre o líder das nossas tão frutuosas iniciativas de pressão sobre a saída de bola do adversário, que valeram vários golos. Num meio-campo a dois, tem uma amplitude de acção que o favorece porque exige muito de um jogador. Para terminar, o que faz dele o melhor de todos. Não foi fácil escolher, visto que esta foi uma época em que a equipa se sobrepôs quase sempre às individualidades. Mas há um momento decisivo no campeonato e que é o golo na Luz. Se não tivéssemos tremido em Paços de Ferreira e em Belém, este top 5 estaria organizado de outra forma. Assim, foi esse o momento que nos devolveu à liderança e que destroçou por completo os adversários. E depois ainda há a qualidade do golo e o altruísmo do festejo. Grande momento a coroar uma grande época do nosso capitão! Por falar nisso, depois de muitas dúvidas sobre a sua capacidade para liderar esta equipa, este ano Herrera demonstrou que merece esta braçadeira!


Menções honrosas para a nossa dupla de centrais. Eles acabam por ser menos favorecidos em termos individuais pelo facto de os valorizarmos muito mais em dupla. Ainda assim, descontando alguns erros graves, como o de Marcano em Alvalade para a Taça e o de Felipe em Belém, fizeram mais uma grande época e são talvez os jogadores que, juntamente com Telles e Brahimi, tiveram uma prestação mais de acordo com o que já vinham fazendo na época anterior.

Uma última menção honrosa para Danilo. Não fosse a sua lesão em Braga e tenho a certeza que estaria no nosso top 5. Estava a fazer uma época monstruosa até ali. A selecção vai sentir a sua falta no mundial.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Festa!


Mas que magnífico culminar de época que tivemos! De volta aos títulos e de volta aos Aliados. A última vez, que me lembre, foi quando ganhámos a Liga Europa com Villas Boas. Dentro da Câmara Municipal, já foi há 19 anos. Tivemos lá um teimoso... Até seria poético que a história apenas lembrasse Rui Rio por ter fechado as portas à instituição da cidade mais conhecida internacionalmente. Veremos se aqui o Karma vai funcionar... Mas tivemos uma enchente que será memorável! Eu não me lembro de ver tanta gente num festejo do FCPorto.

Mas, mais do que uma festa também houve um jogo que trouxe dados importantes. Confirmou-se que este FCPorto de Sérgio Conceição é um dos melhores campeões de sempre da nossa história. Pelas minhas contas, média de pontos semelhante, só com Villas Boas, Vitor Pereira, José Mourinho, António Oliveira e Bobby Robson. É de referir que destes, só Villas Boas  e Sérgio Conceição o conseguiram no ano de estreia. Mas há mais. Melhor média de golos, só com Villas Boas, Bobby Robson e Fernando Santos. Até nos golos sofridos este FCPorto rivaliza com as melhores equipas da nossa história. Já não havia poucas razões para elogiar esta equipa, sobram mais estas. Grande época, grande equipa, grande treinador!

O jogo de Guimarães foi para descomprimir. Notava-se que havia ali alguma preocupação em ganhar e nada mais que isso. Individualmente, dou o MVP a Marcano porque conseguiu o mais importante do jogo, que foi o golo. Oliver e Gonçalo deixaram bons apontamentos para a próxima época. Isto apesar de Oliver ter estragado a exibição com dois passes fracos. Um deles quase dava golo sofrido. Também gostei da exibição de Herrera em campo e da de Vaná na Flash Interview...

Está feito! Nas próximas semanas vêm aí os nossos posts de rescaldo. Prometemos as opções polémicas a que já vos habituamos...

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Finalmente Campeões!


Finalmente por duas razões que todos já sabemos. Por um lado, já não ganhávamos nada há muito, demasiado tempo. Ciclos destes têm sido muito raros desde que nasci e desde que Pinto da Costa está no clube. Mas desta vez entrámos numa espiral de insucessos que estava a ser demolidora na tesouraria e até nas Taças. Este ponto de viragem poderá ser importante para quebrar com o ciclo que nos vinha afectando os nervos, a expansão do museu e os cofres. Também por esse motivo, este pode ser um dos títulos mais importantes da era Pinto da Costa, tal como Sérgio Conceição fez questão de destacar.

Por outro lado, todos temos a noção de que podíamos ter resolvido isto mais cedo. Há três motivos principais para esta quebra, que chegou a pôr a nossa superioridade em questão. Em primeiro lugar tivemos um surto invulgar de lesões em jogadores importantes. O jogo de Paços de Ferreira é o maior exemplo das dificuldades que tivemos. Jogámos sem Danilo, Herrera, Alex, Marega e Soares. Só 5 (!?) titulares... E não foi assim tão invulgar vermos Sérgio Conceição a jogar sem 3 ou 4 dos habituais titulares. Há quem diga que isto é um resultado da nossa forma intensa de jogar, mas não me lembro de uma época com tanto azar. Em segundo lugar, e num 'segway' perfeito entre factores, a equipa chegou muito cansada a esta fase do campeonato. Nota-se que este impulso final foi mais com 'coração do que com cabeça'. Há jogadores que, devido às lesões dos colegas, fizeram a época toda. Lembro-me sobretudo do Alex, da dupla de centrais, de Brahimi e de Ricardo Pereira. Notou-se sobretudo nestes últimos dois. Por último, o polvo. Ontem vimos o Sérgio Oliveira, o Marega e o Gonçalo a maltratar um peluche. Será talvez uma metáfora perfeita do que se tem passado. Temos feito fortes investidas, mas o animal não parecia muito afectado. Pelo menos não mudou nada. Temos feito um bom trabalho na denúncia, mas podem ter a certeza que este título lhes vai doer muito mais! Mais um motivo para a importância capital deste título.

Quanto ao jogo, nem vale a pena falar muito. Valeu mais a festa! Dava a ideia que o jogo era apenas um pretexto. Jogámos o suficiente para dar a vitória aos adeptos e não se exigia mais. Individualmente dou o MVP a Brahimi pelo momento bergkampiano do seu golo. Sublime! Gostei também do Sérgio Oliveira que está com muita vontade de marcar e apareceu muito na área.

Está feito! Vamos lá ao record dos 88 pontos e a seguir aos Aliados!

segunda-feira, 30 de abril de 2018

1.


Está quase! Falta apenas um ponto para o título mas faltam 6 pontos para que este FCPorto de Sérgio Conceição se destaque mais dos adversários e obtenha uma pontuação final e um score de golos marcados bastante acima das médias nos Campeões dos últimos 30 anos. Será apenas um pormenor mas este FCPorto merece ficar na história do Clube por todos os motivos e mais algum que se arranje. Mas sobre as razões e todos os méritos, teremos tempo para discutir por aqui, provavelmente a partir da próxima semana.

Depois do que aconteceu ontem na Luz, esperava-se uma entrada avassaladora. E até parecia que a íamos ter, visto que tivemos uma oportunidade de golo logo aos 2 minutos. Mas já todos notámos que a equipa está no limite. Tem-no demonstrado sobretudo nos jogos fora de casa em que, desde Paços de Ferreira, tem tido consecutivamente muitas dificuldades em marcar e não tem tido grandes exibições. A excepção terá sido a segunda parte na Luz em que jogámos muito bem e fizemos por merecer a vitória.  Mas é óbvio que a equipa quebrou nesta ponta final. O que tem segurado a equipa é esta União entre jogadores e equipa técnica e também com os adeptos. Essa União é talvez a nossa característica mais marcante ao longo do campeonato.

Acabámos por entrar bem nas duas partes mas fomos caindo. Como dispusemos de superioridade numérica durante toda a segunda parte, conseguimos manter sempre o domínio. Foi pena que se tenha insistido tanto no chuveirinho. Estávamos a ser bem mais perigosos quando tentámos abordar a área pelo meio e pelo chão. Por isso até nem apreciei muito a saída de Brahimi e por isso também tinha gostado muito da troca de Sérgio Oliveira, que nem estava a jogar mal, por Oliver. Mas Sérgio Conceição acabou por ver a sua estratégia recompensada e acabámos por marcar num lance que ironicamente reunia os pontos mais fortes do Marítimo: o futebol aéreo e as bolas paradas. A vitória é mais do que merecida em três pontos muito importantes e tranquilizantes.

Individualmente, dou o MVP a Marega. Tal como aconteceu na Luz, a de Marega nem foi a minha exibição preferida, mas futebol são golos e o maliano decidiu. Não fosse o golo e daria o MVP a Brahimi. O nosso mágico, apesar de ser dos que mais acusa o cansaço, tem sido incansável neste seu propósito de atribuir à equipa alguma ligação entre sectores, para que não viva só da vertigem e das correrias. Este FCPorto de Sérgio Conceição depende muito desta variedade de perfis de jogadores. Temos a vertigem de jogadores como Marega, Ricardo e Herrera, temos o poder físico de Soares, Danilo e Felipe, temos a experiência de Casillas, Maxi e Marcano mas só temos um jogador que consegue conciliar tudo isto, que é Brahimi. Há um outro jogador no plantel capaz de ajudar neste papel. Talvez no próximo ano Oliver... Gostei das exibições dos laterais e de Herrera. Corona entrou bem e ajudou a variar mais o nosso jogo, visto que Otávio estava a insistir muito pelo meio e não estava a aproveitar bem as subidas de Ricardo. Soares estava num daqueles dias em que tudo estava a bater na canela. É mais um que precisa urgentemente de um golo.

Falta um pontinho mas, apesar da vontade de festejar, temos de fazer como o Marega na foto: racionalmente ele deve ter pensado em não festejar, por respeito ao adversário, mas não se conseguiu conter. Vimos as mãos a pedir desculpa e o resto do corpo a festejar... Mais tarde, no aeroporto do Porto ( ou Istambul ?!) os festejos foram bem mais comedidos... Todos ao Dragão no Domingo!

terça-feira, 24 de abril de 2018

Goleada das antigas


Esta é uma expressão muito utilizada no comentário e nas crónicas desportivas. Até sábado a expressão referia-se àquele tempo em que estes resultados avolumados eram a regra. Graças a Rui Vitória o sentido mudou um pouco e dá um novo significado ao nosso título de post. Se é possível haver goleadas por 2-1... E isto só porque a equipa grande criou muito mais oportunidades que o adversário que luta para não descer. Se assim é, pena que não tenhamos conseguido trazer pontos das goleadas morais que tivemos nas Aves, em Moreira de Cónegos, em Paços de Ferreira e até em Belém. Já estava resolvido... Ridículo!

O jogo foi tudo o que poderíamos ansiar. Resolvemos cedo, descansámos as bancadas e pudemos usufruir do jogo por forma a preparar o próximo jogo na Madeira que será fundamental, até porque é o próximo. Mais uma vez, notou-se que a equipa se sente muito confortável a jogar com os ataques de Marega à profundidade. Até já tenho aqui referido várias vezes que me preocupa que não se consiga replicar estes movimentos com outros jogadores. Por um lado, porque são arrancadas desconcertantes e por outro porque arrasta sempre dois defesas, estica a zona de defesa adversária e cria espaço para as investidas pelo meio, sobretudo de Brahimi. Essas arrancadas criaram imediatamente instabilidade na defesa contrária e permitiu-nos carregar nos primeiros minutos até ao 3-0, que nos descansou para o resto do jogo. Apesar do percalço, que pareceu resultar de alguma desconcentração pela ausência momentânea de Herrera, a equipa nunca tremeu e manteve-se confiante e capaz de descansar no jogo. Não é ideal mas torna-se necessário dado o adiantado da época e dados os problemas físicos que nos têm fustigado constantemente. Jogo seguro, tranquilo, como se exigia!

Queria destacar especialmente o nosso terceiro golo. Há quem insista que Brahimi tem uma tendência trágica para complicar. Ontem tinha 4 jogadores entre ele e a baliza e com classe escolheu o caminho mais fácil, fazendo lembrar o golo de Deco em Gelsenkirchen. Com classe e simplicidade. Grande golo!

Individualmente, tenho alguma dificuldade em dar o MVP. Gostei de Marega, mas mais na primeira parte. Gostei de Alex, mas foi dos que dormiu no golo sofrido. O outro que dormiu foi Brahimi, outro dos meus candidatos. Não havendo nenhuma exibição sem mácula, dou ao Alex que inventou o primeiro golo e fechou a contagem. Gostei dos dois médios e, desta vez, a entrada de Oliver não  teve o mesmo impacto das ocasiões anteriores. Soares tem de marcar no lance do primeiro golo. Não pode falhar aquilo. Foi importante termos a redenção de Marcano e não termos Felipe com amarelo. Gonçalo precisa muito de um golo. Precisa de se soltar e julgo que é isso que falta.

Nota pequena para João Pinheiro. Sem qualquer influência no resultado mas nota-se que tem todo o talento Nuno Cabral e Adão Mendes viram nele... Talvez um dia possa ser um jubilado como o Rôla. Ainda bem que não tiveram a coragem de o nomear para a Madeira...

Na próxima semana, joga-se o campeonato. Acredito que uma vitória deverá arrumar a questão. Espero também que se apresente o mesmo onze da Luz.