segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Mesma receita, mesmo resultado


Foram dois testes duríssimos em jornadas consecutivas. Enquanto nós defrontámos um 'grande' e o quinto classificado em sua casa, o nosso adversário teve dois jogos caseiros com equipas de meio da tabela para baixo. Na sexta-feira até apanhou um adversário com treinador a fazer as malas. Bizarrias do futebol português. Pois a distância mantém-se e vem aí uma visita a Braga que nos pode trazer boas notícias. A conclusão óbvia é que estamos na luta e que a nossa dinâmica de resultados é já incomodativa para o nosso adversário, e isso começa a notar-se. Notou-se na nomeação de Xistra. Nota-se em pequenas intrigas como a suposta impossibilidade de se usar Soares, porque o negócio era de um suposto empréstimo. Nota-se nesta tentativa de passar a ideia de que o FCPorto joga pouco e de forma demasiado defensiva. Que é apenas sorte. Até é verdade que ainda não estamos a um nível que gostaríamos, mas falta analisar o recente poder pífio da inexistente 'avalanche' ofensiva do Benfica. Nós aqui preocupamo-nos com o FCPorto e temos admitido que ainda jogamos pouco. Mas se tentarmos fazer uma análise comparativa com o que joga o outro candidato ao título, logo nos animaremos porque, ao contrário do que a propaganda vem pregando, eles têm problemas tão ou mais graves que os nossos. Será por isso interessante seguir os resultados desta semana.

Deixando as comparações de fora, vamos ao FCPorto em Guimarães. Mais uma vez, pobre, muito pobre ofensivamente. Seria fácil dizer que a culpa é do facto de termos jogado com o André André e com o Herrera, mas foram apenas intérpretes diferentes, com mais músculo, numa estratégia semelhante à da semana passada no Dragão. Herrera fechou junto ao lateral como aconteceu com Corona, e André esteve muitas vezes ao lado de Danilo, como aconteceu com Oliver. Ofensivamente, voltamos a chegar lá poucas vezes e sempre com perigo. As únicas diferenças que notámos foram, por um lado, o Vitória foi muito menos perigoso do que se esperava perante os níveis de posse que teve, e o Jota que entrou muito melhor do que na semana passada, resolvendo o jogo à terceira oportunidade de que dispôs. Ou seja, mais um bom resultado, fruto de um futebol que eu não gosto, assente numa muralha defensiva impressionantemente eficaz. E a eficácia tem sido o destaque destas últimas exibições: soberba eficácia defensiva e cirúrgica eficácia da finalização. Mas todos nos lembrámos do que aconteceu quando não houve essa eficácia: 0-0. Esse mesmo resultado que nos veio à cabeça quando vimos o onze inicial...

Individualmente, destacou-se mais uma vez o nosso MVP da época: Marcano. O verdadeiro capitão de equipa. Alex voltou às boas exibições com actuação determinante nos dois golos. Soares continua letal e muito combativo. A André tem-lhe faltado a parte do 'letal'. Jota entrou muito bem e muito melhor do que Corona. Brahimi, André André e Herrera, não estiveram mal, mas destacaram-se mais pela luta do que pelo desequilíbrio ofensivo. Maxi entrou bem no jogo mas foi baixando o rendimento.

Na sexta-feira, espero que se volte aos jogos de posse de bola superior a 50%. Mas mais importante que isso será a vitória, para que o Benfica entre em Braga em segundo lugar.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Jogar como nunca e ganhar... Desta vez...


Foi uma grande satisfação estar em primeiro lugar, nem que por poucas horas. Estamos inesperadamente numa posição de discussão do primeiro lugar, dependendo apenas dos próprios resultados e com um dos adversários afastado definitivamente dessa luta. Tal significa que, na pior das hipóteses, teremos evitado já em Fevereiro a pré-eliminatória da Champions que, cada vez mais, traz adversários temíveis, como aconteceu este ano com a Roma. Foi portanto um resultado óptimo em todos os sentidos. Se compararmos com a exibição, parece ainda melhor, mas já lá vamos. Sobra a pequena satisfação de riscar o Sporting da luta e dar uma lição aos dois faroleiros que os lideram, presidente-adepto e mestre-treinador. É bem saboroso ver este estado de coisas no ano em que jogaram as fichas todas. Poético até!

Mas vamos ao jogo. Troquei umas mensagens antes do jogo em que dizia que, em relação ao onze que Nuno apresentou, apenas trocava Soares por Jota. Burro! De facto, não podia estar mais errado. Ao contrário do que pensava, a táctica não se mostrou nada apropriada, e foi o Soares que nos salvou desse facto com a sua incrível  eficácia em dia de estreia. A minha ideia era a de que Nuno pretendia contrariar o jogo do Sporting assumindo o jogo e a posse, dotando a equipa de mais jogadores capazes de ter bola com qualidade, tentando adicionalmente pressionar os jogadores mais fracos do adversário, que são os laterais. Em suma, pô-los desconfortáveis e sem possibilidade de jogarem da forma habitual. É possível que tudo tenha mudado pelo facto de termos chegado ao golo na nossa primeira entrada na área, mas a verdade é que não conseguimos ter bola e Corona e Brahimi viram-se remetidos a funções de encostar aos seus colegas laterais para conter as constantes investidas adversárias. Toda a equipa bem longe da dupla da frente, o que fez com que Oliver fosse invariavelmente sobrevoado pelo jogo e remetido a acções defensivas. Ora perante tamanhos problemas como é que conseguimos ganhar? Simples. Tivemos uma eficácia ofensiva absolutamente invulgar, sem precedentes na época e potenciada por um reforço de inverno, para já, cirúrgico. Depois tivemos a habitual eficácia defensiva alicerçada no poderoso trio de centrais, a que se juntou mais uma grande exibição de Casillas num clássico. É caso para dizer que, perante tamanha apatia ofensiva, acabou por correr tudo bem!

Mas mais uma vez, não nos cansamos de alertar que este futebol não é o nosso. É o segundo jogo consecutivo em que somos suplantados em termos de posse de bola no Dragão. É o segundo jogo consecutivo em que beneficiámos de um factor absolutamente inesperado para ganhar um jogo que não dominámos. Contra o Rio Ave, foram as bolas paradas e ontem foi Soares. É uma fortaleza, mas tem fundações muito frágeis. Até quando é que a intensidade, o crer e a força das bancadas vai durar, se somos incapazes de controlar os jogos em vantagem e de afastar os adversários da nossa área? Nuno usa estes chavões que aprendeu num curso de comunicação da 'Planeta Agostini' mas são apenas 'sound bites'. Lembram-se da altura em que um resultado de 2-0 ao intervalo era motivo de descanso? Aí sim, havia fortaleza! Pode até acontecer que o FCPorto comece a jogar bem de tanto ganhar, jogando mal. As vitórias são um tónico com um poder que ultrapassa qualquer limitação de plantel ou de liderança técnica. Mas a verdade é que eu devia estar bem mais eufórico do que preocupado e eu diria que estou num 50-50...

Individualmente, terei de dar um MVP repartido entre Soares e Casillas. Um MVP na primeira parte e outro MVP na segunda. Soares deixa água na boca, e veremos se temos Derlei ou não. Casillas guarda o melhor para os embates com os grandes e voltou à nota épica da Luz, no ano passado. De resto é de enaltecer o excelente passe de Danilo no segundo golo, e  o esforço contra natura de Brahimi e Corona no apoio aos laterais. Os centrais tiveram demasiado trabalho e apenas foram batidos em dois lances de bola parada e num golo em que Gelson ganhou três ressaltos. Perante tanto trabalho a nota tem de ser positiva. Alex apanhou com o melhor jogador adversário e a sua exibição ressentiu-se. Até nas bolas paradas esteve pior. André Silva esteve pior que Soares mas pareceu um erro gigantesco tirá-lo tão cedo. Se há jogador que dura os noventa minutos é o André e viu-se que fez falta no final perante os problemas físicos evidentes do Soares, do Corona e do Oliver. Incrível como o jogo em que mais parecia 'estourado' foi o jogo em que fez os 90 minutos. De facto, Nuno é mesmo imprevisível e assustador nas suas opções de banco.

Mas estamos lá em cima na luta! Há que manter a pressão na frente apesar de se seguir uma das deslocações mais difíceis da época.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

O que Nuno faz para ter banco...



Já sei que o destaque é que voltámos às vitórias fora de casa. Ainda por cima, depois de uma deprimente onda de resultados 0-0. Foi importantíssimo e amanhã poderemos ver os verdadeiros efeitos da nossa pressão sobre o primeiro lugar. Ainda assim, o que mais me ocorre quando falo do jogo é que Nuno abusou da sorte. Vejamos o enquadramento. Temos um histórico de procrastinação competitiva, nas primeiras partes dos jogos fora, que tem resultado sempre em segundas partes de sofreguidão, atrapalhação e oportunidades falhadas. E temos uma disponibilidade, invulgar nos tempos recentes, dos jogadores mais criativos do plantel, sendo que um regressou da CAN e o outro regressou de lesão. E o que faz Nuno? Aproveita para tentar resolver o jogo cedo, protegendo a equipa do estigma que a tem perseguido nos jogos fora? Não. Apresenta uma 'troika' de médios que mais parecia que o objetivo era chegar ao intervalo com 0-0. Mais. Aos trinta minutos tira o único jogador que estava a conseguir aproveitar as alas e põe outro com a mesma função, numa alteração que se provou estéril até ao momento em que entra o outro ala, Corona. Com grande parte dos jogadores mais talentosos em campo e com a frente de ataque bem aberta, acabámos por chegar ao golo, mas muito tarde para quem estava a defrontar um adversário que nem rematou na primeira parte. 

Minha conclusão: ganhámos apesar das opções inexplicáveis de Nuno. Ainda bem, mas espero que ele tenha aprendido a lição apesar de, pelas suas declarações no fim do jogo, nada o faz indicar. Valeu-nos um adversário muito fragilizado e, mais uma vez pelas declarações no final do jogo, percebe-se que está muito mal orientado. Conseguiu elogiar a exibição de uma equipa que rematou 3 vezes num jogo em casa e conseguiu queixar-se da arbitragem... Ridículo.

Individualmente, dou o MVP a Danilo pelas inúmeras recuperações no meio campo adversário e porque foi dos que esteve bem durante o tempo todo. Poderia ter optado por André Silva que está nos dois golos ou por Brahimi que foi o elemento mais criativo em campo. André André também teve um bom regresso à titularidade. Pela negativa, Oliver não esteve ao seu nível, não conseguindo emergir perante a confusão táctica que Nuno criou. Nota mínima para Nuno, apesar da vitória.

Na próxima semana poderemos sentenciar a época dos vasquinhos. Para isso exige-se 'a carne toda no assador'!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Bola parada e equipa parada



Estas 'remontadas' são sempre gostosas e são o exemplo do que de melhor Nuno Espírito Santo tem feito este ano no FCPorto. É fácil concluir que nos últimos 4 anos, nenhuma equipa do FCPorto teria apresentado garra e capacidade de reacção à adversidade suficientes para virar um jogo como o de ontem no Dragão. Nuno consegue tirar essa reacção dos seus jogadores. Lopetegui, por exemplo, não conseguia. Mas convenhamos que a equipa de Lopetegui não perdia o controlo do jogo. Pelo menos assim. Era impensável uma equipa do FCPorto não ter mais de 60% de posse de bola num jogo em casa. Já sei que a posse de bola é um meio e não um fim, mas temos de melhorar neste capítulo porque não vamos ter mais jogos com três golos de bola parada para resolverem os problemas de uma equipa sem soluções. É fácil de concluir que, a jogar assim, vamos precisar de muita capacidade de reacção porque estes acidentes vão continuar a acontecer. 

Este foi o segundo jogo consecutivo, em casa, em que o resultado é bem melhor do que a exibição. E assim arriscamo-nos... Mais uma vez, vamos chegando lá com perigo, de vez em quando, sem grande intensidade e sem grande controlo do jogo. Acidentes acontecem. Casillas a tentou adivinhar o lance, pensando de mais. Já Layun pensou de menos... Esse lance de Layun é paradigmático. Estavam por ali 3 jogadores a acompanhar passivamente o adversário e só se resolve actuar quando ele já está dentro da área. Lance ridículo a todos os níveis. A equipa desliga por momentos e acorda quando sofre golos. Mas não tem a capacidade de manter o motor ligado por muito tempo. E a exiguidade do plantel também não ajuda. Corona, que era o único extremo disponível, magoou-se. Temos um problema. Kelvin não é alternativa e Nuno não queria lançar logo um outro avançado. E ficamos com a equipa polvilhada de médios. E nem assim tínhamos bola... O que vale é que o jogo correu bem até ao nível do critério disciplinar largo, que ignorou os devaneios de Felipe e de Layun e também dos jogadores do Rio Ave, diga-se. Em suma, gosto desta capacidade de lutar contra a adversidade mas é algo que me contenta cada vez menos. Os resultados dizem que temos fortaleza, mas eu não vejo um FCPorto autoritário.

Individualmente, três notas altíssimas para Alex Teles, Marcano e Danilo. MVP para o Alex que esteve em 3 golos. Jota voltou a ser o melhor dos jogadores da frente. Pela negativa Casillas, com um lance infeliz e Layun sem um único lance bom que me lembre. Já que aqui critico constantemente as substituições de Nuno, há que elogiar a saída de Layun. Antes que fizesse mais asneiras. João Carlos continua a merecer mais minutos. Excelente jogada no último golo.

Na próxima semana, mais um 0-0?

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Fim de semana gostoso


Depois de um período depressivo com uma participação ridícula na Taça da Liga e de uma segunda parte em Paços completamente amorfa e irritante, nada melhor que um fim de semana a ganhar pontos em 3 campos. Estamos na luta e muito se deve ao desempenho da equipa no Dragão. Foi também importante conseguir três golos, que André Silva voltasse a marcar e que os nossos avançados tivessem voltado às boas exibições.

No final, Nuno tentou vender a ideia de que a única diferença para Paços foi que a equipa marcou. É uma simplificação perigosa, tal como era a da arbitragem. Se concentrarmos todas as atenções na arbitragem, o efeito imediato de revolta vai-se desvanecendo. Se concentrámos todos os problemas na finalização, põe-se todos os problemas nas costas dos avançados, nomeadamente o André Silva, esquecendo a construção. Se o André marca uma em cada três oportunidades, temos de arranjar maneira de lhe dar 6 a 9 oportunidades por jogo, em vez de duas como em Paços. A título de exemplo, na primeira vez que o miúdo começou a falhar mais golos, criou-se a solução de partilhar o 'fardo' da finalização com Jota. Porque é que, sem Brahimi, a solução é afastar Jota da baliza e aproximá-lo da linha? Faz sentido numa equipa que tem tido dificuldade de marcar golos? Pois... O problema vai muito para além de coisas simples como penaltis não marcados e a inspiração do André Silva. Para mim são limitações do modelo de Nuno Espírito Santo e limitações do próprio treinador. Mas é óbvio que acredito que ele também pode evoluir durante a época, mas para isso é preciso que ele esteja ciente de que há um problema. Já sei que o discurso para os jornalistas é gerido com cuidados extra, mas não convém esquecer que é esta informação que passa para os adeptos. Para para os adeptos passa a ideia de que apenas temos problemas com árbitros e com a pontaria. É curto. Há mais problemas.

Vamos ao jogo. A primeira parte começou logo com uma oportunidade de golo por Corona e um lance estudado num canto. Fiquei entusiasmado. Uma boa a entrada, com notório trabalho de Nuno num dos capítulos que pior correu em Paços e que foram as bolas paradas. No entanto, o resto da primeira parte tendeu para o habitual. De vez em quando vamos lá com perigo, mas nada de muito intenso. Os golos apareceram e apareceu uma expulsão estúpida do adversário. E o jogo acalmou para mais tarde, com as substituições, piorar até um ponto de se poder dizer que não se perdia nada se o jogo tivesse acabado por volta dos 70 minutos. 

E aqui outro problema: as substituições. Nuno mexe mal na maior parte das vezes, mas isso raramente se discute. Lembro-me que foi criticado no empate com o Benfica, mas isso foi muito por causa do erro incrível de Herrera. Nos últimos 5 jogos, alguma vez se melhorou com as substituições? Eu acho que não e foi mais grave em Paços porque perdemos pontos, mas é um sintoma também nos outros jogos. Muitos tenderão a dizer que o problema é não termos um banco bom. Mas temos de ir mais longe. Se o banco não é bom, exige-se um critério melhor a Nuno, nomeadamente no jogador que sai. Nos últimos 5 jogos de campeonato, Oliver saiu 5 vezes, Corona saiu 4, Jota saiu 3 e Brahimi 2 vezes, mas só jogou 3 desses jogos. Qualquer destas substituições recorrentes tira à equipa criatividade e capacidade de desequilíbrio, mas a de Oliver é especialmente grave em jogos como o de Paços de Ferreira, porque retira à equipa o seu jogador mais criativo. Mas também é grave nos outros 4 jogos porque, em vantagem, retira à equipa critério na saída para a transição ofensiva e a capacidade de ter bola com qualidade. Aí está mais um ponto em que Nuno pode melhorar.

Individualmente, dou o MVP a Marcano que juntou à habitual segurança defensiva um golo e uma assistência. Se a época acabasse agora, dava a Marcano o MVP da época do FCPorto. Quem diria depois do que vimos no ano passado, nomeadamente no último jogo da época... Felipe também esteve muito bem, mas não esteve nos golos e teve um erro grave na segunda parte que acabou por não ter consequências. Gostei também do regresso de Jota às boas exibições. Em Paços já prometia, mas retiraram-no do jogo demasiado cedo. André marcou um bom golo e ficou a dever-nos mais dois. Danilo tem nota positiva mas é de referir que não ganho uma bola de cabeça ao avançado do Moreirense que é bem mais baixo. Herrera voltou a jogar bem. O problema é que Herrera não consegue dar o que dá Brahimi ou Otávio.  Pela negativa os jogadores que saltaram do banco, com destaque para Kelvin que demorou 30 segundos a demonstrar que tem muito que melhorar para dar algo à equipa.

Na próxima semana temos um jogo à tarde. Uma boa oportunidade para encher o estádio!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

O problema



Nuno Espírito Santo tem sido bastante comedido quando fala dos prejuízos arbitrais sucessivos. Quanto a isso, aqui vai uma posição polémica: ainda bem que Nuno não se queixa muito da arbitragem porque tem sido esse o factor que o mantém na posição de treinador do FCPorto. Não que eu ache que estas trocas de treinadores recentes tenham sido boas decisões, apesar de ter apoiado algumas delas. Todos podemos concluir que todas elas tiveram efeitos nefastos sobre o futebol da equipa e os resultados, invariavelmente, pioraram. Apenas digo que, conhecendo os nossos adeptos,  se tivéssemos, de 15 em 15 dias, exibições irritantes como a de Paços, sem razões de queixa, já tínhamos caído em cima de Nuno Espírito Santo. E só não o fizemos porque ele tem atenuantes. Mas será uma questão de tempo.

Mas já vínhamos aqui avisando que o prejuízo não justificava tudo. Em Paços, mais uma vez, o nosso futebol esteve à vista de todos. Começamos bem com oportunidades, com controlo, mas sem sufoco. À medida que o tempo vai passando, as oportunidades vão rareando quando deveria acontecer o contrário. Vi vários jogos este fim-de-semana em que as equipas pequenas causaram grandes problemas. Muitos mais que os que o Paços nos criou. Por exemplo, o Barcelona e o Nápoles tiveram claras dificuldades.  Mas a diferença é que, no final, o ataque dos Grandes não foi perfeito mas foi intenso e subjogou por completo os adversários obrigando-os a concentrarem-se dentro da área defensiva e, mesmo assim, conceder oportunidades de golo. E ontem só tivemos isso no final da primeira parte. Dirão que tivemos muitas oportunidades falhadas. Mas quantas na segunda parte? Uma, duas? Tal como em Tondela, Setúbal, Belém... É uma história demasiadas vezes repetida para passar como um mero problema de finalização. São quatro resultados 0-0! Metade dos nossos jogos fora. Sabem o que têm em comum os últimos dois jogos fora que ganhámos? Marcámos 3 golos na primeira parte. Mas quando temos de lidar com a pressão do cronómetro, longe do Dragão, a equipa perde-se nas segundas partes. À medida que o tempo vai passando o adversário vai-se fechando e acabam as nossas oportunidades de golo. Ora, uma equipa grande tem de conseguir aproveitar estes recuos para sufocar o adversário. Nós não conseguimos. E as substituições de Nuno não ajudam. Parecia que estava a esforçar-se para irritar os adeptos. Ficávamos contentes com a opção que ia entrar para logo perdermos a esperança por causa do jogador que ia sair. Rui Pedro em vez de Depoitres? Muito Bem! Não vamos entrar na táctica do chuveirinho e podemos alargar a frente de ataque. Vai sair uma Jota? Afinal vamos afunilar a frente de ataque... Vai entrar João Carlos? Boa! Mais um com critério, na cabeça da área. Sai Oliver? Ok... Afinal não é mais um. Mantemos os mesmos... Esta incapacidade de mexer bem no jogo é algo que Nuno vem replicando consecutivamente sendo até uma das críticas mais vulgares dos portistas e tem toda a razão de ser.

Individualmente, além da nota muito negativa à prestação de Nuno nas substituições, dou o MVP a Ruben Neves. Na dúvida e com vários jogadores com notas apenas médias, dou ao jogador que mais gosto mas, se preferirem, considerem que não há MVP. Dizem que Danilo é preciso para garantir a segurança defensiva, mas nesse aspecto, não fez falta. É claramente a posição melhor preenchida no plantel. Quem dera que tivéssemos tanta qualidade e competitividade noutras posições. Na primeira  parte, Ruben criou muitos problemas ao Paços com as suas variações de jogo certeiras. O problema é que Jota não estava inspirado nesta nova posição de ala e Corona esteve um nojo! É incrível como Jota sai primeiro. Provavelmente, a pior exibição do mexicano com a nossa camisola. Herrera fez melhor mas foi caindo e não se percebe porque não saiu para refrescar aquela posição com mais criatividade. Os miúdos da frente continuam a falhar mas estão longe de ser o problema. Os nossos laterais não estiveram bem no apoio ofensivo e isso também não ajudou.

Esta era a jornada decisiva de Janeiro. Abria-se uma oportunidade de pôr pressão na frente a que se seguiam dois jogos em casa. Falhámos e o título é cada vez mais uma miragem.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Vergonha


Post curto porque esta competição nunca me mereceu respeito. Parece apenas um pretexto para termos mais jogos entre os clubes grandes e para se fazer mais uns trocos em direitos de TV e de sponsors.

Deixo apenas algumas considerações gerais sobre a competição:
- Sempre achei que o FCPorto deveria abordar esta competição com o intuito de lançar novos jogadores e jogadores menos utilizados, na luta pela titularidade. Isto independentemente da forma como a época esteja a correr. Apenas o fizemos em parte. Ontem, por exemplo, desgastámos grande parte da equipa e até perdemos um titular para o jogo do fim de semana, que é bem mais importante que este. 
- A arbitragem de hoje foi uma vergonha, mas não foi uma vergonha maior do que o desempenho do FCPorto nesta competição. Ficar em último num grupo que é jogado nestes moldes é algo absolutamente impensável e impossível de justificar com uma arbitragem, por muito escandalosa que seja e a de ontem foi.
- O facto de termos jogado com muitos titulares ajuda a que eu continue tirar conclusões e a pôr em causa o modelo de Nuno Espírito Santo. Continuamos a ter muita dificuldade em marcar golos em jogos que dominámos e continuamos a ter dificuldade em capitalizar vantagens no marcador, como aconteceu com o Feirense.
- João Carlos Teixeira parece ser o único que ganhou estatuto com esta competição. Incrível como nem sequer jogou hoje. Depoitres parece confirmar que é apenas uma opção de banco. Herrera mantém a sua habitual irregularidade exibicional. Boly tem muito que melhorar para sequer discutir uma entrada no onze. Corona este bem fraco nestes jogos.
- Estas novas fornadas de árbitros internacionais são tão más que não pode ser coincidência. Alguém preparou isto com tempo e com muito critério. Errar é humano e estes árbitros continuam a ser bastante 'humanos' nos jogos do FCPorto.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Até quando?



A pergunta não é retórica. Tem resposta e é um «até quando for preciso». Vamos ter isto até que FCPorto e Sporting estejam a uma distância considerada segura. Nessa altura vão dar-nos umas migalhas para distrair do facto de que este é já um campeonato com um prejuízo, que apenas tem precedentes no tempo da tv a preto e branco, dos favores ao regime e das fábulas calaboteanas. A diferença é que agora todos podemos ver e sentir vergonha deste estado de coisas no futebol português. Está à vista de todos e é até assumido por todos os especialistas que têm o mínimo de decoro. Mas poderão reparar que, nunca como hoje em dia, o erro faz parte do jogo... E assim a política de encobrimento continua. Basta ver como mudaram os critérios de mão na bola e bola na mão, em apenas meia dúzia de dias. Costuma-se dizer que temos de jogar o suficiente para nos acautelarmos de erros de arbitragem. Isto até faria sentido se fosse exigido a todos. O problema é que parece que apenas o FCPorto tem que lidar com este «carácter humano» da arbitragem e hoje tivemos mais um episódio do claro e consecutivo prejuízo que acumulámos.

Mas a arbitragem não foi o único ponto negativo da noite de hoje. Tirando as três primeiras jogadas de Brahimi no jogo, a primeira parte do jogo foi do pior que vimos ao FCPorto em muitos jogos. Muito nervosismo e aí valeu Casillas. Bastou termos um adversário bem organizado para termos demonstrado uma preocupente falta de capacidade de improviso e uma irritante repetição de erros e uma insistência em caminhos que estavam vedados. Se nos fecham as alas, jogamos dentro do bloco. Se nos tiram espaço dentro do bloco, jogamos com a profundidade e com a mobilidade dos nossos avançados. Pelo menos variem! O que não podemos é ter soluções repetitivas e que esbarram consecutivamente em zonas de superioridade numérica do adversário e que resultaram quase sempre em saídas rápidas para o contra ataque. Não sei o que Nuno disse ao intervalo mas o FCPorto, com os mesmos intérpretes, fez muito melhor na segunda parte. Não fosse a irritante tendência para o erro do árbitro e o muito nervosismo dos jogadores do FCPorto ao longo do jogo, e o resultado tinha-se resolvido ainda mais cedo. Sem ter sido um grande jogo ao nível técnico, foi uma segunda parte em que demonstrámos uma intensidade e uma garra que só nos podem encher de orgulho. Como Nuno disse e bem, demonstrámos carácter! Mas que sirva de lição. Tal como os erros de arbitragem, dar partes do jogo ao adversário, tem-nos castigado consecutivamente e teremos que ser mais proactivos e menos reactivos quando 'espicaçados' pela adversidade.

Individualmente, num jogo em que imperou a garra, Maxi destaca-se sempre. Nestes jogos, jogadores como este, empolgam a equipa e as bancadas. Além disso, apesar de o melhor cruzamento do jogo ser de Alex Telles, Maxi este muito bem ao nível do cruzamento. Contei pelo menos 6. Se grande parte da equipa jogou mais 'com o coração', Oliver é o jogador que imprime mais 'cérebro' ao nosso jogo. É dele o passe para Danilo no segundo golo, é dele a aceleração de jogo que resulta no primeiro golo, é dele o passe para a cabeçada de André Silva que resultou na segunda melhor defesa da noite. A melhor esteve do outro lado e foi protagonizada pelo meu último destaque positivo, Casillas. Grandes defesas que mantiveram o FCPorto no jogo, nos nossos piores momentos. Destaque positivo para Marcano, Brahimi e Danilo. Pela negativa, Jota e André Silva poderiam ter tentado participar mais no jogo na primeira parte. Felipe tem uma grande cavalgada na segunda parte que faz esquecer o duplo erro no golo do Chaves e o nervosismo em geral.

O mês de Novembro trouxe a depressão e o mês de Dezembro pôs-nos na luta outra vez. Em Janeiro é para continuar!