segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Jogo vs Espectáculo


Mal acaba a primeira parte voltei a pensar naquela frase de Sérgio Conceição: «Se querem espectáculo, vão ao Coliseu!». E lembrei-me logo que, passados uns dias, Klopp dizia exatamente o contrário: «I really think the most important thing for football is entertaining the people. We don’t save lives, we don’t create anything, we are not good in surgeries, we are only good in football. If we would not entertain the people, why would we play it then?». E ontem também tivemos um discurso anti-espectáculo de Rui Vitória, que ficou claro após assumir que foi sempre superior ao FCPorto. Algo em que nem ele acredita e algo que Conceição diria se o resultado fosse o inverso, nas mesma circunstâncias. Mas se é deprimente comparar o discurso destes treinadores, imaginem como saímos na comparação do futebol jogado... Por coincidência, ontem também houve um grande jogo em Liverpool e, ao contrário do que aconteceu por cá, não houve golos mas houve futebol. Eu que vi os dois jogos diria que uma troca dos resultados seria mais apropriado ao que se viu nos dois campos, com um empate a zero na Luz e com uma vitória do City pela margem mínima, em Liverpool. Mas se formos pegar nas estatísticas... Destacaria duas: faltas e duelos aéreos. Em faltas o duelo de Liverpool teve 10 para cada lado. Já na Luz tivemos um 24-20 para os da casa. Mais intensidade! Nos duelos aéreos a diferença é abismal: 66 na Luz contra 23 em Anfield. Incrível! A conclusão só pode deixar-nos inquietos. Nós ainda jogamos muito pouco e essa é uma tendência que não é só nossa, tal como ficou bem marcado no clássico de hoje. Já não me chegava a azia do resultado e ainda consigo arranjar mais razões de preocupação...

Mas estaria ainda mais preocupado se tivesse a meu cargo fazer um resumo de 3 minutos do jogo de hoje. Poderão dizer que é mau perder: «como perdem, dizem que o jogo foi fraco...». E eu até percebo. Mas tal como ainda tenho a ilusão de que o FCPorto ainda vai jogar bem neste campeonato, também tenho a ilusão de que estaria aqui a dizer a mesma coisa se o resultado fosse o inverso, nestas circunstâncias. Para mim o resumo teria duas jogadas: um lance em que Danilo e Fejsa chocam e ficam os dois no chão com dores e o lance do golo. Punha em loop até fazer os 3 minutos. Era o que mereciam os adeptos que se contentam com os 3 pontinhos! Se não desse para fazer isto, teria de ter muita imaginação para inventar algo além destes 10 segundos de resumo... Até as jogadas mais perigosas em futebol corrido, como Seferovic isolado, defesa de Casillas a remate de Gabriel e remate de Brahimi, são todas precedidas de falta que o VAR deveria sancionar se entrasse.

Quanto ao jogo, tenho tanto a dizer como o que os treinadores tiveram a dizer no final sobre a paupérrima qualidade do mesmo. Duelos, choques, bola pelo ar e um golo aos trambolhões e após uma sucessão de coincidências irrepetíveis e que culmina na mais improvável de todas que é a do Seferovic marcar um golo... Após o golo, pouco se viu da reacção portista. Apenas o conseguimos de bola parada e após a expulsão algo forçada de Lema. Em suma, jogo péssimo das duas equipas que caiu para um dos lados, porque é algo que pode acontecer quando ambos os treinadores desistem de tentar ter bola e resolvem entregar-se ao futebol aleatório. Mas gostaria de deixar apenas duas notas sobre o FCPorto. Falhou a aposta de Herrera mais adiantado. Pareceu que o objetivo era pôr pressão na saída do adversário, sobretudo Lema, mas o Benfica, tal como nós, arriscou pouquíssimo na saída e bateu sempre longo, tornando a opção desnecessária. Por esse motivo, Otávio deveria ter estado mais adiantado e protegido da zona de selvajaria onde acumulou faltas atrás de faltas e o amarelo que fez com que fosse substituído muito cedo. Registo por último que Conceição já reconhece que há um problema com Maxi. Se se prefere jogar com Corona nessa posição...

Individualmente, dou o MVP ao rei dos duelos Danilo. Além disso foi o jogador que teve as nossas melhores oportunidades, em três remates de cabeça. Pela positiva não tenho muito mais destaque visto que os centrais, que defenderam bem, pecaram na construção, por vontade própria ou por ordens do banco... Além disso Militão está mal colocado no golo sofrido e não percebe que o perigo não estava em Pizzi mas no movimento nas suas costas. Ainda assim, só por milagre não chega à bola a tempo de cortar o lance. Pela negativa, destacaria Herrera. Não lhe daria a culpa toda porque o erro maior é do Conceição, mas está a passar uma fase que é muito 'Herrera de há dois anos atrás' bem personificada naquele passe ridículo nos últimos instantes de jogo.

Regredimos em relação ao jogo com o Tondela e saltámos de segundo para terceiro, mas continuamos a uma distância perigosa para os adversários. É que eles, como nós, também desconfiam que este FCPorto não poderá continuar jogar muito menos que isto. E se este tiver sido o ponto de viragem... Medo!

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Pontos caros


Não sei se o próximo jogo na Luz vem em boa altura. Este jogo da Champions vai deixar marcas físicas nos jogadores, tal foi a intensidade até ao último minuto do jogo. Normalmente essas marcas têm menos impacto quando temos uma vitória categórica sobre adversários do nosso nível, ou uma vitória por 'meio a zero' contra um dos 'tubarões' europeus. Não foi o caso no jogo de hoje. Foi um jogo muito equilibrado, em que o factor casa apenas se notou na iniciativa de jogo. Tudo o resto foram calafrios nas duas balizas, mais na nossa na primeira parte e mais na deles da segunda. Valeu a excelente exibição dos dois guarda-redes para não termos tido um resultado 4-3 ou 3-4, que seria natural dadas as oportunidades. Foi suada a vitória mas foi mais importante que entusiasmante... O que entusiasma são estes três pontos que nos dão a liderança antes da dupla jornada com a equipa mais fraca do grupo.

Importaria saber se os equilíbrio que vimos foi o Galatasaray, que estará claramente ao nosso nível, ou se foi o facto de este FCPorto tardar em atingir alguma estabilidade emocional e exibicional. Eu diria que é um pouco das duas, mas tendo mais para a segunda hipótese. Logo no primeiro minuto, uma trapalhada de Felipe resultou num remate à entrada da área, que só não foi mais perigoso porque o jogador turco falhou o remate (por azar ou falta de qualidade). Logo aí estabeleceu-se o tom para o resto do jogo. Jogadores a oscilar boas decisões com péssimas. Houve também alguma dificuldade de adaptação à ausência de Aboubakar e Soares. Foram muitas as vezes na primeira parte em que Corona e Alex conseguiram enquadrar bons cruzamentos para uma área onde apenas aparecia um jogador. Mesmo em termos de ocupação de espaços, Otávio teve alguma dificuldade em manter a equipa ligada a Marega. Já sei que as características de Marega, não ajudam. Ele ou procura a profundidade ou a ala (às vezes as duas ao mesmo tempo deixando a área deserta) e, quando não procura, tem imensa dificuldade em controlar a bola e esperar pela equipa em apoio. Ainda assim, pareceu que Otávio ou estava muito perto de Marega, no início, ou muito perto de Danilo e Herrera, no final da primeira parte. Em suma, este sistema de jogo não favorecia as nossas ambições de empurrar o adversário para a sua área e pressionar para resolver o jogo cedo e isso também foi um foco de intranquilidade. O golo, obtido numa bola parada, veio dar uma nova vida a este sistema que passou a fazer mais sentido para as características de Marega. Por esse motivo acabámos o jogo com oportunidades de golo, que se distribuíram quase equitativamente para os dois lados. Na segunda parte o Galatasaray tem apenas um grande lance de perigo, em que aproveitou Maxi, e duas bolas paradas perigosas, mas em que me pareceu que deviam ter sido interrompidas por falta. 

Individualmente, fiquei na dúvida quanto ao MVP. Opto por dar a Casillas que nos manteve no jogo por duas vezes e que demonstrou muita segurança. Vamos ignorar aquela saída da baliza na segunda parte, ok? Também gostei muito da exibição de Danilo. Tal como Casillas, no nosso pior período, foi muito importante para segurar o adversário e até para construir com segurança. Também vamos esquecer que não deu grande ajuda a Maxi no lance mais perigoso dos turcos na segunda parte, ok? De resto, achei que Brahimi já esteve melhor do que nos últimos jogos, tal como Alex Telles. Corona entrou bem para a ala tendo desequilibrado muito, apesar de nem sempre ter gente na área para finalizar. Esta solução com Marega e Otávio parece ser curta para estes jogos em casa, mais por culpa de Marega. Soares pode dar mais e até André Pereira entrou bem para essa posição. Por falar em gente que entrou bem, Oliver. Marcámos cedo, na segunda parte, mas só nos minutos finais é que conseguimos controlar melhor o jogo e criar mais oportunidades. Terá sido por termos mais espaços perante um adversário em busca do empate ou terá sido Oliver? Deixo uma pista: o golo é aos 49 minutos e Oliver entra aos 69...

Vitória suada, feliz e muito importante. Pode vir outra destas no próximo jogo! Dado o problema de centrais do adversário, seria importante termos um Soares a 100% para aproveitar essa lacuna.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Melhor


O resultado final pode não espelhar isso, mas esta exibição já foi melhor que as anteriores. O facto de termos sofrido até perto do final para marcar, também ajuda a que não seja fácil discernir alguma evolução, mas julgo que é claro que evoluímos e isso está espelhado no número de oportunidades de golos que conseguimos. Na última crónica referi que já não pedia uma evolução em relação ao nosso modelo de jogo do ano passado e que já me contentava com a mera réplica do mesmo. Pois parece-me que já tivemos uma boa aproximação aos jogos no Dragão da época passada. 

Tivemos uma entrada muito forte, com várias oportunidades de golo logo no início, a que se seguiram muitas mais, com um frequência consistente até ao final da primeira parte. Na segunda parte, houve menos oportunidades, talvez em resultado do crescente nervosismo, absolutamente normal nestas ocasiões. Tudo isto sem sofrer qualquer calafrio defensivo, de que me lembre. As substituições foram suficientemente audazes e ofensivas para aumentar gradualmente o caudal ofensivo final. Como marcámos pouco depois da saída de Maxi, não cheguei a perceber bem se Conceição queria uma defesa a três ou se queria que Corona fizesse todo o corredor a partir de trás. O golo surge de um frango mas não apaga tudo o que foi feito, tal como não apaga a excepcional exibição do guarda-redes adversário até essa altura. Em suma, tudo correu normalmente com a excepção da bola, que custou a entrar, e da lesão de Aboubakar, que se confirmou ainda mais grave do que se supunha, tendo em conta que saiu do campo pelo seu próprio pé.

Individualmente, dou o MVP a Soares. Estaríamos a falar de um campeonato diferente se não houvesse este golo. Dirão que foi só encostar, mas é preciso estar lá e lembro-me de um centro de Otávio na primeira parte em que se pedia o ataque ao segundo poste e onde não estava nenhum dos nossos avançados. Nem Marega, nem Aboubakar. Gostei das restantes exibições, todas positivas, mas nem todas em nível de inspiração máximo. Aqui refiro-me a Alex Telles e Brahimi. Não que tenham tido más exibições. Foram boas. Pareceu-me que a qualidade do drible do Brahimi e a qualidade dos cruzamentos do Alex, não estiveram ao nível que nos habituaram. Para terminar, continuo a não perceber estas oportunidades a Hernani em jogos importantes e quando o jogo não está resolvido. Enfim... Também não tenho de perceber tudo...

Para terminar, gostaria só de abordar as recentes declarações de Sérgio Conceição sobre críticas que tem recebido. Antes do jogo, um jornalista pergunta sobre Oliver, dizendo que uma breve passagem pelas redes sociais, dá para concluir que os adeptos querem ver mais Oliver em campo. Conceição perguntou logo se os adeptos estavam identificados e se havia garantia de que seriam mesmo adeptos do FCPorto e insistiu nessa 'tecla' para terminar numa resposta clássica de que ele é que decide de acordo com o rendimento no treino. Mais tarde, após o jogo, voltou a abordar outras críticas, desta vez por iniciativa própria insistindo num 'chavão': «quem quiser espetáculo pode ir ao coliseu...». Especificou que essa crítica tinha como destinatários os comentadores internos. Não sei se se referia a comentadores do Porto Canal ou a comentadores portistas noutros canais. Pouco interessa. O que registo é este estranho nervosismo, com manifestações variadas ao longo deste início de época. Desde a 'flash interview' após o primeiro teste televisionado da pré-época, até esta reação demasiado contundente a ténues críticas vai ouvindo. E escrevo ténues porque é fácil de o comprovar. Se existem algumas críticas, entre Treinador, Presidente, SAD e Jogadores, ele será claramente e justamente o menos criticado de todos. Para quê, esta intranquilidade? Isto já para não falar do episódio mais caricato que é a expulsão num intervalo de um jogo da Taça da Liga. Nessa ocasião, ele abandona o relvado uns minutos mais cedo e, mesmo assim, apesar de ter tido tempo para se acalmar, conseguiu fazer o suficiente para ser expulso numa competição que está em quinto lugar nas nossas prioridades para esta época. Achei ridículo mas nem valorizei até somar as outras ocasiões. Sem querer entrar em demasiadas considerações, apenas aconselho humildemente alguma calma. É o que Sérgio Conceição precisa e é o que a equipa precisa. Que aproveitemos melhor a confiança de sermos Campeões!

Por falar em Campeões, receberemos na quarta-feira os da Turquia. Temos de atacar já o primeiro lugar no Grupo!

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Rendimento constante


Mas tal não significa que esteja a ser um rendimento bom ou sequer perto disso. Numa visão simplista, podemos dizer que, nesta época, tivemos uma boa reacção na Supertaça e um grande jogo no Dragão contra o Chaves, na primeira jornada. Tudo o resto oscilou entre o apenas razoável e o sofrível. O problema é que continuamos a não ter explicações conclusivas sobre qual o motivo para este rendimento ou a falta dele. Desde logo, o treinador não mudou. O plantel também não sofreu alterações significativas. O calendário nem tem sido muito exigente, ao contrário do que aconteceu na época anterior. Como poderemos explicar que o FCPorto tenha dificuldade em replicar o futebol que apresentou em grande parte da época anterior? Já nem estou a pedir que se evolua para um futebol com menos transpiração e mais cérebro, algo que venho reclamando há muito. Por agora, bastava-me que replicássemos frequentemente o futebol do ano passado, para que estivesse mais descansado... Mas não o temos conseguido e isso deixa-me muito inquieto e desconfiado. 

Em Setúbal, voltámos a ter um FCPorto pouco seguro. Trouxemos os 3 pontos, mas não fomos capazes de aproveitar a táctica muito antiquada do adversário. Pouco faltou a Lito para pôr os onze jogadores em cima da baliza e contava apenas com 3 ciclistas que tinham o papel ingrato de correr  atrás das bolas longas, enquanto conseguissem. Normalmente, esta concentração excessiva de jogadores causa muita confusão. Uma situação semelhante à defesa à zona nos cantos. Netas situações o equilíbrio é sempre instável. Estão todos muitos juntinhos mas, se estão todos no seu sítio não conseguem cobrir tudo nem se conseguem adaptar. Se saem do sítio, está tudo comprometido. Basta ver o nosso primeiro golo em que bastou uma simples investida de Maxi para o meio, para desmontar a defesa, que nessa jogada concentrava tantos jogadores dentro da área. Basta ver que Otávio, apesar dos 3 centrais numa linha muito recuada, conseguiu pôr Marega na cara do guarda-redes adversário, logo nos primeiros minutos. O problema é que estas duas jogadas foram excepções e foram raras as vezes em que variámos o jogo dificultando a tarefa aos defesas adversários. E isso tornou-nos permeáveis às investidas do Vitória. O facto de Brahimi ter estado um pouco abaixo das suas possibilidades também ajudou... Insisto que ele é a peça mais importante da nossa estratégia, por muito que se fale erradamente do Marega. Assim, estivemos sempre muito adiantados e com um jogo previsível, dando ao adversário várias oportunidades de lançar bolas nas costas dos nossos defesas. Nesse aspecto valeu-nos a qualidade média fraca dos 3 avançados adversários. Apenas um deles causou problemas e esse rebentou aos 60 minutos, como seria de esperar. De resto, toda a equipa do Vitória caiu muito no final do jogo, penalizados pela táctica ridícula de Lito.

Individualmente, voltei a gostar muito de Militão, para mim o MVP. Eu posso não adorar este estilo de jogo, mas este é o central que melhor se adapta a ele, quer pela agressividade nos duelos, quer pela velocidade com que vai buscar os ataques à profundidade do adversário, quer pela que qualidade que demonstra nos passes longos. A velocidade de Militao é tanta que arrisco adiantar que este lance da falta de Felipe, vai deixar de ser polémico quando já todos o conhecermos melhor... Gostei também da entrada do Sérgio Oliveira. Já sei que a sua entrada coincidiu com a altura em que  o adversário estourou fisicamente. Ainda assim... Pela negativa não tenho grandes destaques mas as exibições foram, no geral, fracas. Destaco mais uma vez que continuo à espera do dia em que o Marega, estando a jogar mal, é substituído. É melhor sentar-me, não é?

O jogo de sexta-feira é muito importante! Seguem-se dois jogos fundamentais para definir o resto da época e convém ganhar a moral que nos tem faltado ultimamente.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Ponto ou pontinho?


Voltámos à Champion! Já estava com saudades, até porque a minha última memória do FCPorto na Champions, foi a cantoria em Anfiled quando entoamos a nova música estreada nesse mesmo jogo.

Abordando o resultado antes do jogo em si, não posso dizer que foi mau. Confesso que, antes de ver jogar este Schalke04, até aceitaria antecipadamente esse resultado como bom. Mas, depois do que vi ontem, pareceu-me que perdemos ali uma boa oportunidade de entrar no grupo de forma autoritária. Poderíamos e deveríamos ter aproveitado melhor as fragilidades do adversário, quer ao nível emocional quer ao nível táctico, quer ao nível das individualidades. Mas mesmo que eu considere o resultado mau, só o futuro nos dirá o que realmente vale esta equipa alemã. Aguardemos para ver o que vale verdadeiramente este ponto.

Mas, se não sabemos o que poderá vir a valer o adversário de ontem no futuro, também podemos fazer a mesma questão para o FCPorto. Parece-nos claro que tem de dar mais do que o que tem dado nos últimos quatro jogos. Por um lado porque temos o mesmo treinador que tem apresentado um onze e um esquema  de jogo muito semelhantes ao do FCPorto Campeão na época passada. Poderemos argumentar que Maxi já tem dificuldade em render o que rendia Ricardo Pereira, mas este ano até já temos Danilo e até temos tido muito boas prestações dos dois substitutos de Marcano que Conceição já utilizou. Sendo assim, o que falta a este FCPorto para regressar ao nível exibicional do ano passado? Porque é que já vamos no quarto jogo consecutivo em que saímos com a clara sensação que a equipa não está plenamente confiante e que demonstra até um inquietante nervosismo? Será que tal como o Schalke04, este FCPorto ainda pode valer muito mais? O que falta? Tem a palavra Sérgio Conceição. 

Mas eu até tenho umas ideias. Uma delas é a de dotar a equipa de jogadores capazes de ter a bola com mais qualidade. Estou a falar claramente de Oliver, uma luta antiga, mas também estou a falar de Marega. Este papel fulcral do Marega no nosso jogo tem vindo a irritar-me há um ano. Confesso que isto tem um pouco a ver com ideias pré-concebidas que tenho do jogo. Para mim, se vamos moldar o esquema de jogo em função em um ou dois jogadores nucleares, têm de ser craques ou destacar-se muito dos demais. Para mim o nosso jogo ofensivo, em bola corrida, é previsível porque é suportado apenas por dois jogadores. Um é Marega e outro é Brahimi. O problema é que um é um craque e o outro está muito longe de o ser. Marega corre muito, é muito forte e ataca bem a profundidade. Mas isso nem sequer é uma característica invulgar no futebol mundial. Por exemplo, o Shalke04 tinha ontem um jogador muito semelhante e que até marcou um golo à Marega. O que é invulgar é esperar que um jogador com as limitações técnicas e até tácticas do Marega tenho um papel central na nossa equipa e jogue 90 minutos sobre 90 minutos, independentemente da quantidade infindável de passes falhados, domínios deficientes e foras de jogo estapafúrdios. Se queremos que a qualidade cresça temos de tentar construir em cima do sucesso da equipa do ano passado. Transitou da época passada uma dinâmica forte e intensa no nosso jogo. Falta tentar incorporar mais qualidade. Mais Brahimis e mais Olivers, porque as grandes equipas não se fazem só de 'carregadores de piano'.

O jogo de ontem foi bom em termos de duelos físicos e as equipa acabaram por encaixar apesar dos esquemas diferentes. Nesse aspecto o adversário correu muito, bateu ainda mais, mas não conseguiu criar-nos problemas, salvo duas ou três exceções. Se até aí nos batemos bem, esperava que nos destacássemos mais na parte técnica e individual. Do nosso futebol ofensivo contam-se duas ou três boas jogadas, uma delas em livre estudado. Muito pouco para cerca de 60% de posse de bola. Esperava mais. Conquistamos um ponto fora de casa mas, dadas as circunstâncias e o adversário, acho que perdemos uma boa oportunidade de dar uma resposta cabal perante as dúvidas que os resultados recentes têm vindo a levantar. Será um ponto agridoce, para já.

Individualmente, destaco como MVP o miúdo Militão. Grande estreia na Champions, perante avançados muito chatos e muito físicos. Gostei também das exibições de Danilo, Alex Telles e Otávio. Nenhuma destas exibições está isenta de erros, mas compensaram o suficiente para terem nota positiva. Felipe também esteve bem, mas esteve menos seguro que o miúdo. Quando o treinador adversário dizia que tinha apanhado alguns defeitos no nosso jogo, estaria a falar com certeza da dependência de Brahimi. Esteve constantemente 1 contra 3 e, como é óbvio, passou muito poucas vezes. Quando parecia que ia passar, era ceifado. Exibição pouco produtiva, portanto. Pela negativa, também não gostei de Aboubakar que, ao nível da capacidade de segurar jogo esteve ao nível do Marega, ou seja, baixo. Corona prometia quando entrou mas ficou-se pela promessa e pela atuação ridícula no lance do golo, sobretudo quando fica a protestar falta sobre Danilo largando a marcação.

No sábado temos uma deslocação muito difícil. Se a retoma não se viu na Alemanha, que comece já em Setúbal!

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Plantel 2018/19



Tínhamos prometido uma análise ao nosso defeso e, agora que o mercado fechou por uns meses e que estamos sem campeonato por uns tempos, parece a altura ideal para esse balanço.

Desde logo uma conclusão que retirei: o FCPorto parece ainda estar fragilizado no mercado de transferências, sobretudo no mercado internacional. Mas isso não implica que se tenha construido um mau plantel. Na sexta-feira poderemos ter uma ideia melhor quando pudermos ver algumas das mais recentes contratações em acção.

O defeso começou com desilusões. Uma anunciada há muito: Marcano partiu, como esperado. Logo a seguir, Ricardo Pereira foi vendido imediatamente antes do Mundial e por valores bons, mas inferiores aos praticados no mercado para jogadores jovens, portugueses e internacionais. A comparação não melhora quando temos vendas recentes de jogadores portugueses da mesma posição e valor similar (para ser simpático). Um deles numa venda recente para o Barcelona, por um adversário direto, e outro vendido para a Juventus pouco tempo depois, ambos por valores bem superiores. Acresce que o Leicester gastou recentemente valores muito altos, em Alvalade, por jogadores mais velhos e que não conseguiram até ao momento fixar-se na equipa principal como Ricardo Pereira conseguiu em apenas um mês. Logo aqui algumas das minhas dúvidas sobre a nossa capacidade negocial atual.

A esta 'meia desilusão' seguiu-se uma grande desilusão. É que, para amenizar a saída de Ricardo, havia a consolação de termos nessa posição um jovem formado no Olival que era e é um dos jogadores jovens mais promissores no mundo, que jogava exatamente nessa posição e que já vinha participando em vários jogos no último campeonato. Rapidamente percebemos que a sua permanência não estava garantida por causa de uma cláusula de rescisão relativamente alta, mas ao alcance dos tubarões do futebol mundial que já o seguiam há anos.   Mas, ainda assim, começámos a desenvolver alguns cenários favoráveis: certamente que não seria difícil convencer um miúdo nestas condições que teria aqui uma oportunidade de se lançar, agarrar a oportunidade e entrar num grande da Europa pela porta grande, já como uma certeza e não com o rótulo de promessa. Que seria possível apelar ao coração do jogador... Mas não aconteceu. Não sabemos quem tinha mais vontade. Se era o jovem jogador que tinha pressa de ir, ou se era o FCPorto que tinha pressa de encaixar dinheiro fresco com o deposito da cláusula, ou os dois. Se calhar nunca saberemos mas ficámos com um buracão no planeamento de Sérgio Conceição. Nem Maxi estava garantido nessa altura. Mas há que acordar e perceber que o paradigma mudou! O mercado de jogadores jovens mudou muito nos tempos recentes. Basta ver a política de contratações do Mónaco, da Red Bull e até as últimas contratações do Real Madrid no Brasil. É cada vez mais importante proteger estes nossos talentos, cada vez mais cedo. E está visto que 20 milhões não chegam! Os grandes clubes dão muito mais facilmente 40 milhões por dois Dalots do que por um Marega, um Danilo Pereira, um Brahimi ou um Herrera.

Mal começava o defeso e já tínhamos dois problemas claros para resolver: a posição de lateral direito e de defesa central. E ainda sobrava o jogador para fazer competição para Alex Telles, que deixou de existir com a saída de Layun, e algumas posições que podiam ser melhoradas como a de extremo e de médio para meio campo a dois. Aqui convem registar uma atitude pro ativa no mercado. Contratámos, quase que imediatamente, dois jogadores para a posição de lateral direito. Mas se nessa posição actuámos rápido, nas restantes tardavam as notícias. 

Chegou o dia da apresentação do plantel para a pré-época. Fiquei logo alarmado. Aparentemente, dos quatro centrais que terminaram a temporada anterior, nem um se apresentou. Osório, que pouco jogou, foi recambiado de imediato para Guimarães, acompanhando André André e uma série de jogadores que se seguiram para abater a um valor que recuperámos de Marega. Passados uns dias, lá regressaram Felipe de férias e Chidozie do Mundial e de uma bem sucedida época em Nantes. Continuavam a faltar opções e os Diogos Queiroz e Leite foram promovidos. Mas ninguém contava com eles como solução permanente, pelo que faltavam soluções. Para ajudar, logo começaram os rumores sobre a falta de qualidade dos laterais direitos contratados. Tinha sido também apresentado um reforço para ao meio-campo que, dado o que conhecíamos dele de vários anos a competir nas competições nacionais, entusiasmava muito pouco. Uns dias depois, mais um soco no meu estômago com a saída de Gonçalo Paciência por um valor que, tecnicamente, poderá ser rotulado de ridícula ou escandalosamente baixo.

Mas se o cenário já não me parecia famoso, vieram os primeiros testes e tudo piorou. Desde logo, a ausência de reforços que me pareciam fundamentais continuou. Por outro lado, o rendimento dos reforços que vieram, não me agradou. Até os reforços de Janeiro, tardavam a mostrar rendimento. Para completar em beleza, Sérgio Conceição resolve oficializar todos os meus receios, numa estratégia comunicacional que teve tanto de sinceridade como de imprudência. Ficou oficial: tínhamos um problema! E confirmou-se também com a dispensa de várias das contratações de Janeiro e de Julho.

Nas semanas que se seguiram não tivemos mais notícias com algumas pequenas excepções. Herrera regressou, André Pereira e Diogo Leite davam boas indicações, havia boas notícias sobre a recuperação de Danilo e chegou Marius para a frente de ataque. O facto de não termos a certeza se seria contratação para a equipa A ou B é um atestado do entusiasmo que essa contratação causou. Até que se começou a ver que alguns dos processos de contratação de centrais, que se arrastavam, se começaram a concretizar. Apareceu Mbemba, deu-se como certo que Militão já não fugia e até renovámos com Maxi. Assim as coisas já se começaram a compor. Havia dúvidas porque nenhum dos centrais contratados tinham experiência a jogar do lado esquerdo, mas começavam a faltar poucas posições em aberto. Pelo meio soou o alarme com Marega e os seus já habituais casos de indisciplina. Começo a não ter paciência e até já aceitava nessa altura, de bom grado, uma venda por valores inferiores, mas que resolvessem de vez a situação. Mas Marega foi ficando e continuava a haver espaço para melhoria com mais um médio, um extremo e um lateral esquerdo. Duas dessas posições foram preenchidas nos últimos dias de mercado com jogadores jovens, mas que já têm um bom currículo.

Eu diria que a coisa se compôs no final. Pelo menos aparentemente. Mas tal não implica que o defeso não tenha sido repleto de casos e sinais inquietantes:
- Venda de jogadores a preços inferiores ao mercado internacional, nacional dos três grandes e ao habitual no FCPorto no passado recente;
- Incapacidade para renovar com jogadores importantes como Marcano, Herrera e Brahimi e até com jogadores jovens como Dalot;
- Contratação de jogadores mais em conta, mas que claramente não vão de encontro aos anseios do treinador como Janko, Osório e Ewerton;
- Indisciplina de um jogador importante;
- Continuamos a apostar muito nos empréstimos com opção de compra, algo que pode denotar falta de tesouraria e de poder no mercado;
- Aguardamos pelos último dias de mercado para fechar contratações, potencialmente outro sinal de pouco poder negocial (sobras ou oportunidade de negócio?);

Tudo isto são indícios de que, mais uma vez, Sérgio Conceição teve um defeso muito complicado de gerir. Ele merecia melhor depois do que fez no ano passado... Mas termino exatamente com a melhor notícia do defeso que foi a manutenção de Sérgio Conceição. Dá-me a sensação que, apesar de tudo, temos um plantel ligeiramente melhor. Mas é só ligeiramente melhor! Como tal, espera-se de Conceição um novo milagre!

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Minuto 69 e Diogo Leite


O resultado fez-se na primeira parte e o momento do jogo foi o muito aguardado regresso de Danilo, mas prefiro destacar a liderança de Herrera personificada neste frame e nesta roda improvisada a meio do jogo. O Moreirense tinha acabado que ter a sua melhor oportunidade no jogo mas, além disso, notava-se que o FCPorto começava a perder o controlo das operações. Herrera reuniu ali os onze colegas (Felipe está no chão) e deverá ter apelado à serenidade e à organização da equipa e das ideias. Para quem tinha dúvidas, e eu estou incluído, isto é um capitão! Os resultados fizeram-se notar até ao fim do jogo. Voltámos ao comando das operações e até aumentámos o score perto do final.

Não foi um jogo brilhante porque faltou a fartura de oportunidades de golo a que estamos habituados. Fomos mais eficazes e menos atrevidos. Talvez um sinal dos dois sustos que apanhámos nas últimas jornadas. Depois de perder duas vantagens de 2-0, deu até a ideia que nos esforçámos para manter esse resultado até ao final. Só para mostrar que conseguimos... Boa vitória contra uma equipa que parece poder aspirar ao top10 do campeonato.

Apesar do resultado positivo, os problemas que se viram não se dissiparam. Longe disso. O nosso grande problema nos últimos jogos é que permitirmos que o jogo se parta e isso mantém-se. Por esse motivo, já sabíamos que o regresso de Marega e a estreia de Militão não iriam resolver um problema que está no meio campo e sobretudo em Sérgio Oliveira e na incapacidade de recuperação posicional de alguns jogadores nomeadamente Maxi. Mas o sacrificado foi o miúdo. Ele tem 19 anos e não vai reclamar muito, mas reclamo eu! Achei incompreensível a saída do onze de Diogo Leite. Foi lançado às feras e respondeu com uma segurança e uma maturidade invulgares para um jogador desta idade e até para jogadores mais velhos. Basta ver o primeiro ano de Marcano ou os primeiro jogos do Felipe pelo FCPorto. Que sinal se dá ao miúdo e aos outros miúdos que poderão vir aí? Que à primeira contrariedade 'rolam as cabeças dos mais fracos'? Até agora, dos dois centrais quem tem errado mais, Felipe ou o Diogo? Já sei que estou mais chateado por se tratar de um jogador da formação mas o princípio é o mesmo: sai da equipa um jogador que não fez nada para ser preterido, mantendo-se jogadores que têm estado em constante subrendimento. Sei também que o estado de graça do Sérgio Conceção está muito longe do fim e que a maior parte dos adeptos vai encontrar todos os motivos para justificar esta opção e esta quebra abrupta no desenvolvimento deste jogador. Para já vão insistir que Militão é melhor. A estreia dele até foi promissora e foi dos melhores em campo. Mas o meu ponto mantém-se. Foi por entrar Militão que os nossos problemas desapareceram ou irão desaparecer no futuro? A minha resposta é não. O problema do FCPorto nos últimos jogos só irá desaparecer de duas formas: 1) se mantivermos uma eficácia normal na frente e aí preparem-se para ganhar mais vezes por 4-2 ou 5-3; 2) ou quando regressar Danilo ou quando Conceição reforçar mais o meio campo para proteger melhor a nossa dupla de centrais. Nesse caso só nos vai sobrar o problema na lateral direita... Não era mais fácil resolvê-lo já, pondo Militão na direita e mantendo o Diogo? «Mas o Maxi é um guerreiro e ataca muito e bem», «Mas a melhor posição para o Militão é central»... São opções. Se reconhecemos que temos ali dois talentos que podemos aproveitar, a minha opção seria a de arranjar maneira de jogarem os dois. Neste caso parece-me que a única maneira é manter o miúdo no meio e explorar Militão na direita.

Individualmente, gostei de Herrera a quem atribuo o MVP. Pelo golo, pela liderança e por tudo o resto. Urge acertarmos esta renovação! Gostei também da estreia de Militão. Ainda por cima, Felipe voltou a não ajudar muito tal como nos jogos anteriores. Marega parece estar a regressar aos poucos à sua forma e já esteve em dois golos. Pelo contrário, Brahimi continua a acusar as mazelas e esteve abaixo do esperado. Otávio também esteve abaixo dos últimos jogos mas, ainda assim, melhor que grande parte dos colegas. Maxi continua a dar tudo, mas não sei se chega. Mais um erro infantil no lance mais perigoso do Moreirense. Sérgio Oliveira já sabe que tem o lugar a prazo. Pelo seu rendimento, sem Danilo, seria uma questão de tempo . Com Danilo... Oliver voltou a entrar bem. Esta frase já começa a ser repetitiva. Até quando?

Vem aí mais um interregno daqueles que nós não gostamos. Vá lá que teremos mais tempo para recuperar Danilo e Soares... E também dará para ir integrando os reforços. Até daqui a 20 dias...

domingo, 26 de agosto de 2018

Motivo para alarme


Não convém entrar em dramas. Foi um desaire doloroso que nos tira da liderança mas que também nos deixa a apenas 1 ponto da mesma. É óbvio que, em fim de semana de clássico da tv a preto e branco, tínhamos uma boa oportunidade para começar a ganhar vantagem e o resultado até permitia que ganhássemos vantagem em relação aos dois... Mas eu prefiro apelar à calma porque já sei que é uma tendência quase inevitável nos adeptos de hoje em dia: ao primeiro desaire questiona-se tudo. E logo vêm aquelas frases «merecemos perder», «não jogamos nada», etc.. Ainda por cima o treinador Sérgio Conceição fez questão de dizer que merecemos perder. Mas o nosso treinador não o diz com a mesma intenção dos adeptos. Ele procura gerir a comunicação com o grupo e transmitir que o que se fez no Sábado poderá chegar para ganhar muito jogos, mas não chega para o que ele pretende da equipa. 

Como tal, não julguem que esta vai ser uma crónica para descascar na equipa, no treinador ou na SAD. Em minha opinião, ao contrário do que se tem repetido até à exaustão, o FCPorto não mereceu perder. O Vitória tem 4 oportunidades de golo, tendo materializado 'apenas' 3 delas. Já o FCPorto teve muito mais e até podemos descontar o golo obtido em claro fora-de-jogo e o festival de golos falhados no período de descontos. Até ao lance em que Sérgio Oliveira teve uma paragem de cérebro, nada fazia prever uma reacção do adversário e o jogo estava controlado. O problema, tal como aconteceu no Jamor, é a reacção à contrariedade. É clara a instabilidade emocional em que os jogadores entraram em dois jogos consecutivos, após sofrer o primeiro golo. E isso deixa-nos tão preocupados que até nos esquecemos que o jogo esteve controlado até aos 60 minutos, que dispusemos apenas de uma substituição que não fosse por obrigação, que o adversário teve uma eficácia invulgar e concluímos: merecemos perder!

Assim, concordo que tínhamos obrigação de mostrar muito mais, mas não diria que merecemos perder. Ainda assim, há 3 assuntos para estudar com atenção nos próximos jogos: posse de bola, Sérgio Oliveira e Maxi. Aqui acho que há motivo para alarme.

É até possível que os dois primeiros assuntos estejam relacionados mas comecemos pela qualidade da nossa posse de bola. O FCPorto só sabe ter bola para investir em direção à baliza contrária. É a única posse de bola que conseguimos com qualidade, mas também a mais arriscada. Quando temos de usar a posse de bola para controlar o jogo, baixando o ritmo, o que vemos são passes entre centrais e laterais até que a pressão obriga a bater bola para a frente. E isto vezes sem conta. Volto a repetir que isto é resultado do futebol que Sérgio Conceição quer aplicar e dos jogadores que ele tem utilizado e que ele acha que melhor se adaptam ao seu sistema. São opções claras. Basta ver que, perante o 2-1, preferiu ficar com avançados mais agressivos do que manter Aboubakar, que é o que segura melhor a bola e que joga mais envolvido com os médios. Não valerá a pena incorporar um plano B de jogo que implique mais controlo e outro tipo de jogadores? Ou é só velocidade máxima ou nada? Sérgio Conceição tem fugido a este tipo de jogo desde que chegou, mas acho que vale mesmo a pena ponderar introduzir mais equilíbrio no nosso jogo.

Por falar em equilíbrio, se há posição em que devemos ter jogadores equilibrados é o meio campo. E Sérgio Oliveira, apesar de não ser o cúmulo do equilíbrio, chegou a fazer grandes jogos nesta posição. Um deles foi o jogo de abertura do campeonato contra o Chaves. Mas esta já foi a terceira exibição miserável em quatro. E há que começar a ponderar se vale mesmo a pena confiar-lhe a titularidade até ao regresso de Danilo. Sinceramente, eu gosto muito de ter jogadores portistas na equipa. E gosto do Sérgio. Mas custa-me constatar que um jogador, com as limitações que ele tem, consegue ser titular na nossa equipa. E tenho dito isto mesmo quando ele está na sua melhor forma. Imaginem agora. As comparações também não o ajudam. Se olharmos para o seu lado tem um jogador como Herrera que faz tudo mais rápido, mais forte e melhor. Ainda por cima, sempre que Oliver entra para esta posição tem feito muito melhor, ofensivamente e até defensivamente.

Para terminar Maxi. Este é um parágrafo que me custa porque é um jogador que tem uma intensidade e um coração impressionantes. Mas ao contrário de Casillas, as capacidades de Maxi não estão intactas. Maxi vai lá muitas vezes mas já não volta sempre. Quantas vezes vimos Otávio e Sérgio Oliveira a fechar na lateral direita nestes dois jogos? Custa-me constatar isto, mas parece-me que Maxi terá de ter um papel semelhante ao da época anterior. E sendo assim, temos de nos preparar para entregar a titularidade a Militão ou João Pedro.

Individualmente, apenas gostei de Otávio. Claro MVP para mim. Gostei também da entrada de Oliver e da fúria final em busca do resultado. Brahimi fez coisas boas e um excelente golo, mas pareceu-me sempre limitado. Julgo que a lesão já vinha de trás. Não gostei nada de Sérgio Oliveira, mais uma vez. Acho que Aboubakar não deveria ter saído, dadas as circunstâncias, mas confesso que voltei a não gostar da sua exibição. Marega entrou, mas só apareceu nos descontos. Pouco. Não gostei da tremideira dos centrais mas também não me parece que os médios ajudem muito, como se viu no último golo sofrido, em que Sérgio Oliveira está lá só a filmar. Não consigo dar nota negativa a Maxi, mas temo que já não chegue para este ritmo de Conceição

O próximo jogo é outra vez no Dragão. Uma resposta cabal, será o mínimo que se exige.