terça-feira, 27 de setembro de 2016

Grupo fraco - parte 2


Este foi o momento que definiu o jogo. Felipe tenta estorvar o adversário em vez de atacar a bola. Mas, por muito que eu não goste de Felipe e ache esta sua indiscutível titularidade, extremamente discutível, este lance é apenas um símbolo das dificuldades que tivemos em chegar primeiro, em discutir lances que exigiam ímpeto e força e um dos muito momentos em que o jogo directo do adversário nos causou problemas. E causou problemas a Casillas, a Danilo,  a Marcano, a Felipe, aos laterais, a Oliver... Ok. Causou problemas a todos. Independentemente da táctica e dos intérpretes, de facto, custa perder quando o adversário quer mais que nós. Quando quer chegar primeiro, quando consegue impor o seu jogo, nem que seja à força. 

Mas os problemas não se esgotam na vontade. Apresentámos um futebol semelhante ao do adversário, ou seja directo, mas nisso eles são bem melhores! Ter bola, jogar com a mobilidade dos médios, com o talento em jogos interiores, isso não fizemos. Jogámos o jogo deles e, obviamente, perdemos. Se tentássemos jogar o nosso... Isto partindo do principio que sabemos o que é o nosso futebol, mas não vos massacro mais com a ideia de jogo ou a ausência dela.

A primeira parte ficou-se por uma mediocridade geral. Na segunda parte, fomos subindo no jogo. Mas não nos podemos deixar enganar. Não jogamos o suficiente para nos queixarmos de azar, do poste ou do árbitro. A nossa supremacia na segunda parte pareceu mais inexperiência do adversário, do que mérito do nosso atrapalhado futebol directo para um desnorteado André Silva. 

Individualmente, nota zero para Nuno. Adrian é inexplicável! Brahimi na bancada, também. Mas Adrian é especialmente grave, porque não passava pela cabeça de ninguém que fosse um jogador que pudesse reagir, perante adversários que lhe 'mostram os dentes'. É um jogador afundado nos seus medos e que, pelo seu empresário, pelo que sabemos do negócio da sua compra, deveria haver algum decoro na gestão das suas inesperadas titularidades em jogos importantes. Mas Adrian não foi o único que esteve mal. Apenas vi coisas positivas em Danilo e Otávio. Tudo o resto foi fraco, com especial destaque para Oliver e André Silva, jogadores de quem espero sempre mais.

Hoje ganhámos a urgência de ganhar nos próximos três jogos. O que nos vale é que nos saiu um grupo fraco...  

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

A ideia de jogo


O jogo deste fim de semana já foi há algum tempo, mas ainda está fresco o susto que apanhámos. Contra o Vitória de Guimarães tivemos o único jogo descansado no Dragão e nós tratamos de o destacar aqui no título do post. Não conseguia prever nessa altura que os jogos com o Copenhaga e Boavista seriam bem mais difíceis, até porque me parecia que a equipa de Guimarães está ao nível de uma e é bem superior à outra. O jogo com o Boavista tornou-se difícil pelo golo 'a frio' e por termos adiado o ataque ao golo da tranquilidade. Nuno Espírito Santo pretende um FCPorto autoritário no Dragão. Ainda não o temos.

Aqui encadeio a questão da ideia de jogo. Vejo três grandes problemas. Nuno diz que vamos evoluindo e assimilando a ideia de jogo. Ora o que eu vejo são avanços e recuos. Na sexta-feira vimos uma excelente reacção a seguir ao golo sofrido. Se a ideia de jogo de NES é a que se viu nos 20 minutos que se seguiram ao golo do Boavista, gosto. Se for a do resto do jogo e sobretudo a do jogo com o Tondela, estamos mal! O problema é não se sente evolução. Sente-se que a ideia muda consoante os interpretes. Parece óbvio. Herrera é diferente de Oliver, Depoitre é diferente de Corona, Corona é diferente de Brahimi e Ruben é muito diferente de Danilo. É normal que as coisas mudem consoante os interpretes. O que não é normal é que o rendimento seja muito pior num dos esquemas. Outro problema é que não conseguimos ter uma ideia de jogo que nos sustente durante os 90 minutos. É inexplicável que, tendo virado o resultado ao intervalo, não se parta para uma vitória segura. A cada jogo que passa, fico com a noção que ainda estamos numa fase bastante embrionária na formação de uma equipa.

Individualmente, André Silva é o destaque óbvio. Esteve muito bem apoiado por Oliver e Otávio, os suspeito do costume. Adrian também esteve bem e esteve bem melhor do que Depoitre nos jogos anteriores. Lá atrás, Alex Telles esteve muito melhor que Layun, talvez a nossa pior exibição e Marcano esteve bem melhor que o eterno desastrado Felipe. Já tem sido habitual. Do banco vieram reforços. Os três entraram bem com destaque para Jota.

Em Leicester teremos uma boa a oportunidade para recuperar os dois pontos perdido em casa.

Para terminar, ainda aguardamos um jogo em que não tenhamos razão de queixa em lances capitais. Pelo que vejo nas bancadas, os adeptos estão revoltados. Quanto a Direções e SAD's, a newsletter vai-me dizendo que também estão revoltados, mas é o único indício que tenho...

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Temos de ganhar estes jogos...


Nuno está preocupado porque considera e diz claramente que «temos de ganhar este tipo de jogos». Muita 'letra'... Entrámos em Tondela com o melhor onze? Não basta dizer, há que praticá-lo! Oliver no banco e Marcano na bancada inviabilizam que se apresente o melhor onze. Isto já para não falar da utilização de Depoitre, que começa a não se justificar dado o rendimento. E depois há outra afirmação que assusta sobre a ideia de jogo: «...ela é clara e os jogadores vão entendendo cada vez mais o que pretendo». Estamos mal... Eu não só não acho que a ideia seja clara, como acho que há vários jogadores que estão a ter dificuldade em se adaptar a ela. Vamos à ideia. A ideia é o chuveirinho? Chuveirinho para as costas da defesa se possível. Em alternativa chuveirinho para a área. Isto é a regra. Quando temos a excepção, e temos Ruben, Otávio, Oliver e agora Brahimi a pegar no jogo, lá aparecem as nossas melhores jogadas. Mas essa é a excepção e não a regra. E se assim é, estou com vontade que os jogadores não assimilem as ideias de jogo... É penoso ver aqueles livres em zonas centrais directos para as mãos do guarda-redes!

O jogo foi o típico jogo fora de casa. FCPorto a procrastinar e o Tondela a dar pancada. Perante a primeira oportunidade do Tondela o FCPorto acordou e ainda foi a tempo de falhar várias oportunidades de golo claras. Mas as oportunidades de golo tornam-se mais difíceis aos 88 minutos do que aos 8. Há que ter isso em consideração e entrar em jogo com intensidade e com vontade de resolver cedo.

Individualmente começo por Nuno. Acho que esteve mal. Deveria ter entrado com um onze semelhante ao de quarta-feira, sendo o mais próximo possível do esquema que apresentou o nosso melhor futebol na época, nos jogos fora. Preferiu jogar com o físico, mas esse é o jogo do adversário, não o nosso (espero eu...). Todas as substituições acabaram por ser trocas directas, algo que achei insatisfatório dada a urgência de ganhar em Tondela. Ainda assim, as melhores oportunidades vieram no final do jogo, o que indica que as alterações acabaram por funcionar. Poderá ter sido apenas o efeito Oliver... A maior crítica é esta urgência de mudar de jogo para jogo. Não funcionou e julgo que é prematuro fazê-lo sem que a equipa esteja solidificada. Nuno fá-lo em pleno processo de assimilação da ideia de jogo. Assim vai demorar mais... O MVP vai para Otávio que foi o nosso melhor jogador na primeira parte e que se fartou de levar pancada. Até acho que saiu cedo demais. Oliver entrou muito bem e Brahimi também rendeu bem na primeira parte. Ruben e André André também estiveram bem. Não foi pelos médios. Pena de André Silva e Depoitre tenham tido um jogo tão desastrado. Casillas esteve lá quando foi preciso. Gostei da exibição de Alex Telles que reagiu bem ao erro na Champions. Felipe continua a não me agradar e Boly parece melhor mas não muito. Adrian também entrou bem mas é um jogador azarado. Nem o André não lhe passou a bola nem o auxiliar ajudou...

Para ajudar, tivemos mais uma arbitragem com erros que tiveram influência no resultado. Dando de barato o penalti de Felipe, que a ser marcado, seria bem arrancado pelo avançado perante mais uma abordagem 'à Felipe' (habituem-se...), todo o jogo foi um festival de pancada. Não digo que esta forma de jogar seja ilegítima, mas há que puni-la com amarelos e é ridículo perceber que o primeiro de três (?!) saiu aos 70 minutos. É um escândalo! Isto além do fora-de-jogo que corta um lance de golo a Adrian Lopez, a falta em cima da linha de área sobre André Silva, o empurrão a Boly na área e a falta sobre Boly no lance em que o jogador do Tondela se isola. Perante isto os 'cozinheiros' da capital vão ter que continuar a levar com o barulho ensurdecedor da newsletter e com a afiada viralidade das fotos na conta de facebook do clube! Até quando? Acordem!

Começa a ser preocupante a oscilação exibicional e a falta de consolidação do onze e da tão falada ideia de jogo. Até sexta-feira teremos mais uma semana para a assimilação... Uma coisa é certa, não podemos perder mais pontos...

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Grupo fraco


Outra vez Herrera... Na crónica do jogo de Sábado destaquei o facto de André André ter ficado com a braçadeira e o facto de Herrera não a ter e de nem ter sequer jogado. Hoje terei de destacar Herrera novamente. O momento da foto é também duplamente satisfatório. Não só sai Herrera que estava a fazer um jogo bastante fraco, como reaparece Brahimi, finalmente como solução para a equipa. 

Mas foram poucos os momentos bons no nosso regresso à Champions. Lembro-me do do golo e do inesperado regresso de Brahimi. O golo apareceu cedo e sem que tivéssemos feito o suficiente. A partir daí, vimos um FCPorto incapaz de controlar o jogo e um adversário, que não é tão fraco como se pensava no dia do sorteio, mas também não é tão forte que possa vir cá causar problemas a um FCPorto a jogar o que jogou em Roma ou no Sábado, por exemplo. A lição a aprender é de que o Grupo é de facto fraco, mas o FCPorto ainda não está tão forte como em edições anteriores. Depois deste mau resultado, teremos de ir buscar pontos fora de casa. Pelo menos 4 pontos.

Voltemos à incapacidade de controlar o jogo. Aqui volto à minha luta. Este não é o meu meio campo. Um meio campo com jogadores que seguram melhor a bola como Ruben e André André, nos lugares de Danilo e Herrera, dariam mais e melhor posse e mais controlo sobre o jogo. Assim, no ataque o FCPorto dependeu um pouco da inspiração de Oliver e Otávio. Mas rematou muito pouco. No jogo de Sábado conseguimos controlar o jogo com golos. Hoje faltou o segundo, mas só se consegue se se rematar... Sem remates e sem golos não conseguimos ter capacidade para controlar o jogo. Tem sido notado que temos alguns problemas de posicionamento defensivo e ocupação dos espaços sem bola. Dá a ideia que a nossa reacção à perda de bola é forte, mas que não estamos preparados para recuperar quando esse primeiro ímpeto não funciona. Mais concretamente, se passam a nossa primeira linha de pressão, têm uma auto-estrada até à nossa defesa. E o Copenhaga tentou aproveitar para isolar no lado contrário os seus melhores alas que pressionaram a nossa defesa com inúmeros cruzamento perigosos. E isso fez com que o adversário fosse sempre perigoso até ao momento em que ficou com 10. A partir daí o jogo mudou. O FCPorto passou a atacar cada vez mais e cada vez pior, perante um Copenhaga cada vez mais defensivo. Brahimi trouxe mais critério ao ataque, mas não chegou.

Individualmente, gostei de Otávio e Oliver. Dou o MVP ao primeiro pelo golo. Gostei da entrada de Brahimi que trouxe alguma clarividência a um jogo ofensivo que estava um caos. Acho que Nuno poderia ter arriscado mais com a entrada de Depoitre por Herrera. Os centrais estiveram muito pressionados e responderam satisfatoriamente. Alex Telles acabou por fazer um jogo manchado pelo lance do golo adversário. Nota negativa, mas tem sido um jogador de adaptação surpreendentemente rápida. O lance do golo resulta de uma arrancada dele. Layun estava muito nervoso e complicativo no final. André Silva também.

Siga para Tondela! Estamos em perseguição e só os 3 pontos interessam.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Descansado



Não me recordo do último jogo descansado no Dragão. E o de ontem só o passou a ser depois do primeiro golo. Ainda assim, passar toda a segunda parte a tentar adivinhar 'por quantos' é algo que não tem sido nada vulgar nos últimos tempos. Outra coisa que me dá um descanso extra é aquela braçadeira no braço do André André. Ainda por cima é um misto de 'esta braçadeira é para portistas!' e o um 'como é possível o Herrera ser capitão?'. Dupla satisfação portanto...

Nuno tem procurado puxar pela força do Dragão e parece-me uma óptima estratégia, porque me parece que acompanha as palavras com os actos. Vê-se que ele põe mesmo a 'carne toda no assador'. Por exemplo, estreou a dupla de avançados e jogou com Otávio, André André e Oliver no apoio. É um esquema alternativo, que ainda não foi deslumbrante, mas que promete. Sobretudo a partir do momento em que passámos a resistir à tentação de jogar directo no 'pinheiro' e passámos a jogar mais com a incorporação dos laterais. A ideia é manter uma pressão sobre a defesa contrária , mas também de aproveitar as incursões dos médios que abrem o caminho para os laterais chegarem com espaço. Dá até a ideia que a altura em que estávamos a tirar melhor partido do esquema foi 'interrompida' pelos dois golos de rajada. A partir daí houve uma tendência para descansar no jogo e vieram as primeiras alterações. Vem aí o primeiro jogo da Champions. Não é ideal, mas compreende-se sobretudo nos jogadores titulares, que andaram a passear pela Europa e pelo Mundo nos últimos 15 dias. Mas aquela entrada na segunda parte deixou água na boca, porque nos últimos tempos não tivemos plano B. Qualquer alteração táctica parecia ser assimilada e imediatamente regurgitada. Não foi o caso.

Individualmente, gostei do Layun e dou-lhe o MVP. Estou um pouco influenciado por aquela correria ao minuto 87, confesso. Ainda assim, Maxi vai ter trabalho para recuperar o lugar. Mais uma vez, participação activa em dois golos. Gostei também do trio do meio campo ofensivo, sobretudo pelas saudades de Oliver e pelo regresso de André André às boas exibições, que já tinha indiciado na primeira parte com o Sporting. Trio muito dinâmico e criativo. Com Ruben por trás seria ainda melhor... Não sendo possível, o que desejo para já é mais disto e menos Herrera. Será pedir demais? Depoitre e André Silva foram crescendo com o jogo. Com Depoitre proponho o mesmo exercício que proponho para Felipe: vamos tentar ignorar o preço e a idade e tentarmo-nos focar apenas na sua utilidade. Vai ajudar... Por falar em Felipe, esteve especialmente trapalhão. Jota entrou tímido, ao contrário de Corona.

Para terminar, parece-me uma boa altura para voltar a falar de árbitros. Acho que o rescaldo de uma boa vitória é sempre uma altura mais insuspeita para chamar a atenção para uma tendência preocupante. Além disso, convem começar já a traçar uma estratégia de reacção porque isto não parece que vá mudar com indiferença e queixas ligeiras e espaçadas. O nosso prejuízo nos jogos da Liga têm sido constante, consistente e isso tem de ser atacado como o problema que é. Os nossos adversários estão em planos opostos. No Sporting estão bem caladinhos num claro sintoma de que as coisas lhes vão correndo bem ao nível da arbitragem. Tal deve-se aparentemente ao sucesso da estratégia de contratações para as camadas jovens (se é que me entendem...) e a uma implantação mais forte na equipa da 'manhosice' do seu treinador. Já no Benfica, vão à frente no 'campeonato do choro' apesar de apresentarem razões de queixa bem inferiores às nossas. Começámos com uma expulsão de Alex Telles que nem daria falta em Alvalade. Depois veio um jogo em casa que estranhamente acabou sem penaltis a nosso favor. Em Alvalade foi o que todos vimos: uma vergonha! Poderíamos pensar que a roubalheira da última jornada resultaria em benefício. Pois foi o inverso. Ontem tivemos um golo mal anulado e pelo menos duas expulsões perdoadas. Os lances de domínio com a mão em Alvalade geram 'dúvidas' (ainda ontem houve um no primeiro golo). No Dragão geram certezas. A imagem que anda a circular pela net prova que não só não há mão de André Silva, como seria penalti, provando adicionalmente que o árbitro tentou adivinhar o lance. Não teve hesitação nesse lance, mas hesitou em expulsar Alexandre Silva perante falta óbvia para segundo amarelo. Em Alvalade também não houve hesitação e ficaram 60 minutos contra 10... Pedro Martins também não hesitou em tirá-lo de campo imediatamente. Sintomático. Para terminar, tivemos um lance na segunda parte de UFC em que tivemos um takedown por trás e pelo pescoço. Vale tudo... Abram os olhos! 'Quem não chora não mama'? E já agora, antecipando já um video que iremos publicar no nosso Facebook, há que pôr mais pressão no árbitro perante estas decisões! Sobretudo no Dragão!

Vem aí a Champions!

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

O milagre do Agosto no FCPorto


Duas perguntas surgem de imediato a quem começa a ler este artigo. Qual milagre e o que é que uma personagem do Seinfeld tem a ver com o que quer que seja? 

O milagre é simples de descrever. Com esta pré-época, com este calendário,  com este jogadores, é praticamente um milagre não estarmos já na Liga Europa e afastados da contenda do título. Já sei que nunca estaríamos longe, mas ninguém nos afasta da luta, por muito que reconheçam que temos um plantel inferior e tenhamos perdido num campo de um adversário directo. A maior prova é a arbitragem do jogo em Alvalade. Os portistas reconhecerão com facilidade que, nos anos anteriores, sobretudo no último, para perder em Alvalade não era preciso sermos roubados indecentemente. Bastava aparecer lá com a nossa melhor equipa... Pois este ano, de facto, a equipa parece bem mais competitiva na prática, do que na teoria. Milagre, digo eu. 

Vamos ao George Costanza. Lembrei-me dele e do famoso episódio do 'Opposite George'. George atinge o ponto mais baixo da sua vida e tem uma epifania: «Se todas as decisões que me trouxeram a este ponto estão erradas, a partir de agora terei de fazer o oposto do que me transmitem os meus instintos!». E começou logo por abordar uma miúda desconhecida com aquela tirada de marketing pessoal invertido.

Esta pré-época foi mesmo o oposto do que deveria ser. O oposto do que foi a primeira época de Lopetegui. Todos sabemos o resultado, mas não custa admitir que essa época foi bem preparada. Também tínhamos uma pré-eliminatória da Champions e lembrar-se-ão que o treinador foi apresentado logo em Junho, que lhe foi dado um papel fundamental na construção do plantel, que  este foi feito à medida das suas ideias e que as contratações chegaram a tempo. Casemiro chegou ainda na pré-época, e mais tarde, chegaram apenas bons suplentes que foram Aboubakar e Marcano, se não me engano. Até Jackson, renova em plena pré-época tornando mais difícil a sua saída imediata. Todos os jogadores nucleares fizeram a pré-época e apresentámos em Lille uma equipa que espelhou na perfeição o que seria a nossa nova forma de jogar. Bem feito, mas não resultou! Que tal tentar o 'mal feito'? Eis o oposto de todos os instintos de bom planeamento de uma época desportiva:
- Instabilidade no plantel: Construção do plantel arrastou-se durante um longo período de indefinições. Quando chega o central? Quando vendemos o Brahimi, o Aboubakar e o Indi? Contratámos um lateral esquerdo quando temos um jovem promissor e um titular que foi dos melhores na última época? E o Mendes que tem tantos jogadores não mete cá nenhum de jeito? Todas estas perguntas fariam sentido no primeiro mês de pré-época. Na noite do último dia do mercado são apenas assustadoras. Quando se escolheu Nuno Espírito Santo sabia-se que é um treinador especial com um empresário especial que, por onde ele andou colocou sempre muitos jogadores, substituindo-se um pouco às direcção de futebol dos próprios clubes nessas decisões. Pelos vistos, aqui colocou apenas um, João Carlos.
- Instabilidade de rumo - Quem via as entrevistas do Presidente, julgava que iríamos ter um FCPorto mais portista com promoções da equipa B e regressos dos emprestados que Lopetegui fez questão de ostracizar. Dessa linha de pensamento sobram apenas Otávio e André Silva. É de referir ainda que Pinto da Costa se mostrou desiludido com a estratégia de ter jogadores emprestados na nossa montra e no final do mercado chegaram dois nessas circunstâncias. E não convem esquecer o que o presidente disse sobre o facto de contratar para Lopetegui jogadores que nem conhecia. Parecia que seria um rumo a abandonar, mas já sabemos que Depoitre, João Carlos são opções de Nuno e só de Nuno. Foi o presidente que nos garantiu. Muita coisa muda em 3 meses...
- Instabilidade técnica - Nuno Espírito Santo começou por preterir Adrian, colocando-o na equipa B para depois o pôr a titular no primeiro jogo de dificuldade máxima. Nesse mesmo jogo, apresenta uma esquema táctico nunca testado na pré-temporada resultando numa entrada em jogo desastrosa. Contratámos recentemente um tipo de 9 que nunca pareceu enquadrável no estilo de jogo que a equipa vem apresentando, sobrando dúvidas sobre a sua real utilidade nesta forma de jogar. Recambiámos Sérgio Oliveira para os Jogos Olímpicos e damos-lhe minutos dias após o seu regresso. Uma serie de incongruências a juntar à falta de opções de um plantel completamente indefinido.
- Instabilidade na comunicação - Temos uma newsletter diária que assumiu por completo a comunicação portista. Perante o que foi sucedendo com o circo de entradas e saídas e testes médicos falhados, etc. temos apenas uma newsletter. E perante o que sucedeu em Alvalade? Temos uma newsletter. Nada de Presidente. Este apenas aparece depois da vitória de Roma, para reclamar de um atrasado mental de um comentador, que é tão fanático que já só incomoda quem quer ser incomodado. Mas sobre a nomeação deste árbitro, o seu desempenho, sobre a relação estranha entre os dirigentes da arbitragem e o Sporting e as suas camadas jovens, nada.
- Instabilidade directiva - Para completar com a 'cereja no topo', instabilidade directiva confirmada pela saída de Antero Henrique, que se sucede à saída menos recente de Angelino Ferreira. Tudo sinais preocupantes. Angelino sai porque não concorda com o rumo económico e Antero sai porque não concorda com o rumo do futebol. O que sobra? É que são dirigentes que estiveram ligados a grandes conquistas e duvido que alguém lhes consiga apontar um pingo de incompetência e de falta de preparação. Se há coisa que sempre tivemos, mesmo em épocas de seca foi coesão directiva. Agora nem isso. Terá caído o nosso mais elogiado pilar, 'a estrutura'?

Perante tudo isto, a equipa está viva e apresenta energia e vontade que não se tinham visto recentemente. Milagre! Até quando? 

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Clássico é de azul-e-branco!


Existem tantas coisas por onde pegar neste jogo que mais vale começar pelo equipamento. Amarelo?! Clássico é de azul-e-branco! Mas ok, tivemos jogo em Roma e os equipamentos podem não ter ficado secos a tempo.

Quanto ao futebol jogado, entramos muito bem mais uma vez, oportunidade de André Silva e pouco depois golo de Felipe. Mais uns minutos, cotovelada de Coates em André Silva, mergulho de Slimani para a piscina aos pés de Marcano, mão de Gelson e golo de Slimani. Chega de futebol jogado?

Continuemos. Antes, inacreditável como Bruno César não leva amarelo após entrada violenta sobre Otávio. Se tivesse levado se calhar já não fazia outra entrada dura perto do final do jogo a Felipe, esta sim, com direito a amarelo. Cotovelada de Slimani a Layún. Ruiz faz grande defesa na área do Porto e assiste Gelson para o segundo.

Portanto, para além de toda a intimidação que os nossos jogadores foram alvo, com constantes cotoveladas e entradas à margem da lei, tivemos ainda um criterio alargadíssimo na análise dos lances da mão que resultaram em golos. Este criterio foi tão largo que até Layún, na segunda parte, a tentar cruzar viu Zegellar a fazer mais uma grande defesa e impedir que a bola chegasse à área.

Vamos a outro? Disputa de bola entre William e Otávio. William entra com o pé em riste e dá mão, o jogo prossegue. Ação imediatamente a seguir: cotovelada de William a Otávio.

Esta é o principal aspeto positivo no Porto: mesmo perante um ambiente adverso, um futebol intimidatório, um árbitro permissivo, mesmo depois de perder o único ala de raíz ao intervalo, o Porto nunca se rendeu. Se o fez da melhor forma? Não. As substituições não ajudaram. Oliver com dois treinos, Danilo e Herrera sem poderem com um gato pelo rabo e o NES tira o Otávio?! Pior, mete o Adrian! Perdemos o meio-campo, aliás, não tivemos mais ninguém para correr atrás deles e a partir daí o Sporting controlou o jogo a pesar de mesmo assim ainda termos o mau dominio de Layún e a passividade de Adrian que podiam ter resultado em oportunidades de golo muito mais evidentes.

Destaco Casillas porque mesmo velho e depois de uma carreira cheia de títulos vibrou como ninguém a roubalheira de que fomos alvo, André André pela segurança e qualidade na posse de bola e a magia de Otávio. Este Deco em ascenção jamais pode ser substituído quando estamos dentro do resultado.


Agora vem Mangala, Oliver com mais rotinas e Rui Pedro a ser chamado à A para alternativa a André Silva e pronto, está feito. Vamos ser campeões! :-)

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

O Porto nunca se rende!



Finalmente estas frases deixaram de ser balelas e tivemos direito a algo que já não víamos há muito no nosso Porto! Grande noite europeia, depois de um resultado adverso na primeira mão, frente a uma equipa muito forte de um dos campeonatos europeus mais relevante, pese o deserto que o calcio atravessa agora! Mas investir mais de € 100M na equipa não é para todos…

Começamos com o 11 expetável para o jogo no Dragão e a assumir completamente o jogo, nem seria de esperar outra coisa mas depois dos jogos com o Villareal e Roma no Dragão em que jogamos na expetativa, e depois dos traumas infligidos por Lopetegui (em Londres, contra o Chelsea, em que jogamos sem avançado quando precisávamos de ganhar) ou Peseiro (em Dortmund, que foi claramente para não perder a eliminatória na Alemanha) ninguém sabia ao certo o que esperar do Porto. Refletido até nas casas de apostas que davam apenas 25% de probabilidades do nosso clube ganhar no Olímpico!

A entrada forte e a felicidade de marcarmos no início (Felipe já andava a ameaçar marcar um golo na baliza certa há alguns jogos) trouxe tranquilidade e principalmente confiança à equipa. E quando começávamos a ceder alguns metros perigosos à Roma, recuando bastante no terreno, e até já esperávamos que na segunda parte estivéssemos completamente metidos no ferrolho, De Rossi fez questão de nos facilitar a vida e não fosse o remate de Herrera no último lance da primeira parte sair ligeiramente ao lado e já não era preciso que Emerson também quisesse partir a perna a Corona (curioso que quem acabou por partir alguma coisa a alguém foi Corona a quebrar os rins a Manolas)!
  
Contra 9 devíamos ter controlado melhor o jogo e não dar azo a tantas investidas adversárias, principalmente com faltas estúpidas perto da área mas o jogo e a pressão no resultado era enorme e com uma equipa jovem como a nossa não se podia exigir muito mais.

O que podíamos exigir a Sérgio Oliveira é que entrasse em campo com clarividência: não soltar a bola, levar um amarelo estúpido passado 30 segundos e um remate estúpido num livre direto. Totalmente o oposto da entrada de Layun.


Destaque para a defesa de Casillas logo no primeiro minuto e uma outra de recurso com os pés; para Felipe, imperial nas alturas e ainda por cima com um golo decisivo na baliza certa; André André e Otávio, essenciais a segurar a bola e a permitir que a equipa continuasse bem subida e compacta; Layún pela forma como entrou e, mais uma vez, a trabalhar para estatísticas com mais um golo; e Corona, a culminar a exibição com um belo golo!

Notas do apuramento:
- 21ª aparição na Champions, ao lado de Real e Barça!
- Apesar de precisarmos de reforços noutras posições: bienvenido Oliver!