segunda-feira, 25 de julho de 2016

De Regresso


Tivemos umas merecidas férias aqui no blog. Não foram férias do trabalho. Essas ainda hão de vir. A época foi bastante traumática e, escrever semanalmente sobre o clube e a época passada, foi extenuante. Neste período de férias sempre deu para olhar para o futebol de uma forma menos apaixonada. Eu bem tentei, durante o Euro, transferir os meus afectos para a nossa Selecção, obviamente sem grande sucesso. Ainda assim, uma saborosa vitória. Muitos falam no futebol menos bonito, na sorte e noutras 'merdas' que têm servido para atenuar a nossa desilusão noutras ocasiões e que agora servem para desvalorizar este feito. Tipicamente Português.... O caneco é nosso e o nosso futebol já o merecia há muitos anos! Tenho imensa pena que não pudéssemos ter mais jogadores do FCPorto neste momento histórico. Vi serem dados demasiados minutos para jogadores banais como Eder, Adrien, Cedric, Eliseu, etc., e poucos a André André, a André Silva e ao Ruben Neves, mas esse é um sintoma da nossa época e da nossa política dos últimos anos.

Por falar em política desportiva, podemos começar por aí a pré-avaliação à construção do plantel. O Presidente tínha-nos prometido uma política de integração dos 'retornados' e dos jogadores que brilhantemente venceram o campeonato da Segunda Liga. Os B's já foram todos despachados para os Olímpicos ou para rodagem em Primeira Liga e, dos retornados, sobram Otávio, Reyes, Hernani e Josué, sendo que estes últimos não deverão durar muito. É mau? Não sei e não consigo avaliar agora. Mas sempre é um sintoma de 'navegação à vista' que oscila de acordo com o treinador ou com o que o mercado nos oferece. Dou um exemplo paradigmático: Rafa vs Alex Telles. Parece-me um caso claro em que se tinha um plano de valorização de um jogador da casa que foi abandonado perante uma oportunidade de mercado, de comprar um jogador seguido há muito tempo, por um preço considerado barato. E o Rafa e os adeptos que têm muita esperança nele terão de esperar... Já a contratação de João Carlos Teixeira vai no sentido inverso. Também retira o lugar no plantel a Graça, Chicão, Josué e até a Sérgio Oliveira, mas é português, com potencial e foi barato. Com isto pretendo dizer que não se percebe um rumo e isso assusta um pouco. Em suma, tivemos a limpeza das contratações de inverno, a limpeza dos B's que vão rodar mais um ano, a devolução dos retornados ao mercado dos empréstimos e três entradas. Duas são de brasileiros caros (pelo menos para já) e um português barato. Quanto a saídas, Helton e apenas sabemos que Indi não vai ficar e que Quintero já é um caso perdido. Tudo o resto é incerto e nem sequer houve desmentido das notícias que garantiram que não cumpriríamos o fair-play financeiro. Ainda temos de vender? Tudo indica que sim. Resta-nos aguardar.

Quanto aos jogos de pré-temporada, nada de muito excitante. Há até alguns sinais precoces de desnorte defensivo que não deverá, no entanto, ser sobrevalorizado. Pré-época é para isto. Podemos no entanto ir tirando algumas conclusões avulsas:
- Na baliza, tirando a estranha saída de Helton, tudo normal. Estranha pela forma e não pela saída, que teria de acontecer. Veremos se ainda vamos a tempo de o tratar como ele merece. Gudiño tem de rodar para nos fazer esquecer a fraca época no União.
- Chidozie continua com tendência para a desgraça, mas o golo do reforço Felipe na própria baliza é para já o lance mais ridículo da pré-época. Mas ainda assim, dá a ideia de que veio para ser titular, faltando saber apenas quem o acompanha: Marcano, Reyes ou Chidozie. Aqui temos um excedentário em Indi;
- Nas laterais o reforço Alex Telles tem um desempenho típico de lateral brasileiro. Entusiasma quando sobe e desilude quando tem de encontrar o melhor posicionamento defensivo. Se assim for, Layun e Maxi não deverão ser apoquentados ao longo da época.
- Ruben e Danilo têm lugar cativo e qualidade que sobra. Há quem goste muito mais do Ruben, porque é mais completo, pensa o jogo, passa curto dentro do bloco ou longo nas costas, e há outros que preferem a força da natureza que é Danilo. Pelo descritivo já percebem em que grupo me incluo.
- João Carlos Teixeira e Otávio começam a pegar no jogo com qualidade e com técnica, algo que André André ainda não está a conseguir e algo que Herrera teima a fazer, ora muito bem, ora pessimamente, consoante o calendário lunar ou o que quer que funcione com ele. É que, passados três anos, eu ainda não percebi... Josué e Quintero estão de saída e Sérgio Oliveira deverá seguir o mesmo caminho.
- Por muito que o critiquem, Brahimi continua a dar o sal ao nosso futebol. Ele e Corona, mas este último tem de ser mais constante. Quanto a Hernani, não se percebe a sua manutenção no plantel e  Varela também não conta. Até o encostam a lateral... Dá toda a ideia que vamos tentar contratar outra solução para a ala, apesar de a opção Otávio estar a dar algum resultado.
- André Silva parece ser uma solução indiscutível para titular, mas não convém subalternizar Aboubakar que também é jovem e tem muito para dar ao clube. Se Suk não conta, falta outro. A não ser que aconteça algo Bueno com que não estamos a contar.

Na quarta feira teremos mais respostas. Siga a pré-época mais longa da história do clube!


quinta-feira, 2 de junho de 2016

O pai, o filho e o Nuno


Nível humorístico no título: elevadíssimo!

Pela imprensa, o processo foi conturbado. O pai queria um, o filho queria outro, o Antero queria outro... Uma confusão! Pelo que nos diz o Presidente, o processo foi calmo e resolvido à primeira tentativa. A verdade deverá andar algures pelo meio...

A verdade é que se volta a recorrer a um homem de Jorge Mendes para dar a volta a um ano horrível. Já sei que os portista falam de três seguidos, mas o ano do meio, mesmo sem títulos, foi bem melhor que o ano de Paulo Fonseca/ Luís Castro e que o segundo de Lopetegui/Peseiro. Há dois anos, todos diziam que precisávamos de um perfil ambicioso para reformular plantel, espicaçar os jogadores acomodados e para projectar o futuro. Jorge Mendes colocou cá um treinador seu para aproveitar a habitual rampa de lançamento. Passados dois anos, as necessidades mantém-se, com a agravante de a seca de títulos se ter prolongado. O 'amigo Jorge' volta a ajudar colocando cá o seu cliente nº1 (em antiguidade, não em notoriedade). O Mendes ajuda muito! Espero que lhe paguemos a comissão em letras, para descontar daqui a um ano. Depois, logo se vê...

Vamos a Nuno Espírito Santo. Comecemos pelas vantagens. É um ex-jogador, com muitos anos de casa e ex-capitão. Por muito que não fosse um líder em campo, lembramo-nos que pouco jogava, era um líder natural de balneário. Esta é uma característica que aprecio nele e difícil de encontrar no mercado actual. Isto porque outros nomes que apresentam esta conjugação de características, como Jorge Costa ou até Domingos, por exemplo, estão em fases de estagnação das suas carreiras. Nuno não está, por muito que tenha falhado no segundo ano no Valência.

Em termos de currículo, tivemos um ano de estreia muito bom no Rio Ave,  e um ano menos bom, mas com duas finais de Taça para compensar. No primeiro ano de Valência ficou em quarto lugar a um ponto do Atlético de Madrid de Simeone. Bom! No segundo ano começou mal e poderá não ter tido tempo de recuperar. Os dois treinadores que o substituíram, fizeram bem pior. Quando saiu estava em 9º a 2 pontos da Europa, e terminaram 12º a 14 pontos... Ou seja, em termos de currículo como treinador principal, não será pior que grande parte das opções anteriores para o cargo. Antes pelo contrário. 

Mas arrisco dizer que o currículo tem importado muito pouco nas últimas escolhas de Pinto da Costa. Já desisti de tentar avaliar por aí. Ele opta mais pela personalidade e carisma e, estatisticamente e mesmo contando com os últimos três anos, tem-se dado bem. Dá a ideia de preferir isso às próprias ideias de jogo, visto que aposta em gente com currículo curto e ideias de jogo em fase de consolidação. Como jogam as equipas de Nuno? Podemos dar palpites, mas não chegamos lá. Importam as características pessoais. E quais são as características que mais se destacam? Feitio vincado, mas expresso com tranquilidade. Discurso pausado mas forte, às vezes a roçar o paternalismo e até a arrogância. A isto temos de juntar ao facto de ser um ex-capitão com ligação quase umbilical ao maior empresário de jogadores do mundo. Ideias de jogo? Só a partir de Julho, mas iremos ter algumas noções pelo andamento do mercado, nomeadamente a política de dispensas, empréstimos e contratações.

Veredicto? Só no fim dos primeiros jogos. Lá para Setembro/Outubro. Uma aposta arriscada, como já é habitual. Para já, como sempre, terá o nosso apoio incondicional!

terça-feira, 24 de maio de 2016

Humildade



Mais uma vez terminámos a época sem nada! São já 3 épocas seguidas. Atrevo-me a dizer que é merecido. Talvez a nossa exibição a partir da segunda parte, aliada à pálida exibição ofensiva do Braga, nos possa iludir em exercícios de merecimento e justiça, que são subjectivos e coisas de 'calimero'. Olhando para a época na sua globalidade, não ganhar nada, assenta bem perante tão fraco desempenho de Presidente, direcção, treinadores e jogadores.

Que sirva de lição! Eu chamo-lhe o 'banho de humildade':
- Humildade na equipa: Nota-se paulatinamente a necessidade substituir os jogadores em plataforma de promoção pessoal e de incutir mais traços de Portismo na equipa. Começou com Ruben e André André e culminou na afirmação do miúdo André Silva, finalmente com golos, e na estabilização de Sérgio Oliveira no onze. No próximo ano teremos Rafa Soares e espero que Chicão e Ivo Rodrigues também tenham uma oportunidade.
 
- Humildade na estrutura: O 'mito da estrutura' tem vindo a atenuar-se. Havia, por exemplo, nos tempos de Vitor Pereira, uma ilusão de que um cone de sinalização, no lugar do treinador, chegava para fazer desta equipa, uma equipa vencedora. Esta sucessão de más experiências na liderança técnica da equipa deverá devolver a humildade na escolha e a noção de que se trata de um ponto fulcral para a inversão desta tendência de declínio. Começaríamos bem se se admitisse que a opção Peseiro foi terrível e que nem todos os males se concentram em Lopetegui.

- Humildade nos adeptos: Talvez se pense duas vezes antes de se soltarem os lenços brancos, num jogo de taça da liga, num momento em que a equipa se encontra em primeiro lugar. Ou antes de se assobiar o treinador só porque não dá minutos a um jogador da casa ou  porque não o põe a marcar um penalti. É certo que o treinador não pode agradar a todos e que nessa altura o seu desempenho se estava a degradar mas, naquela altura, fazer a vontade aos adeptos sem uma alternativa de qualidade, foi pior para o FCPorto. Contra mim falo. Não assobio no estádio mas vou escrevendo aqui, nem sempre com razão. Há que desenvolver nos adeptos um equilíbrio de exigência à FCPorto que não chegue aos limites de sermos 'adeptos só de vitórias'. É difícil, mas vamos evoluindo.

Siga a pré época!

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Últimos sinais


Na próxima semana teremos a única interrupção numa longuíssima pré-época que nos calhou. Todos nos lembramos que tivemos uma longa pré-época com Mourinho, que resultou no maior ciclo de vitórias do clube, mas neste momento, ninguém ousa fazer paralelismos. Pelo contrário, há paralelismos com épocas mais amargas. Há uns tempos, muitos gozaram com Vitor Baía por confundir Peseiro com Couceiro. Continua a ser motivo de troça mas, nesta altura, começámos a ver mais parecenças, do que a mera rima que traiu Baía. Nessa altura, depois de várias humilhações como uma derrota por 0-4 , em casa com o Nacional, poucos viam Couceiro com capacidade de preparar a equipa para a época seguinte, e acontece o mesmo com Peseiro. Não lhe reconheço capacidade para desenhar e executar uma época vencedora, partindo deste 'estado de coisas'. Poucos reconhecem, independentemente do que se fizer na próxima semana. 

O jogo com o Boavista trouxe pouco. Foi uma exibição fraca na primeira parte e melhor na segunda. Não trouxe grandes pistas para o onze da final da taça, mas sobram alguns sinais para a próxima época:
- Na lista de vendas deveremos ter Aboubakar, Hector Herrera, Brahimi ou Corona e Martins Indi.
- Na lista de dispensados deveremos ter Jose Angel, Bueno, Marega e Suk a que se devem juntar uma serie de retornados sem grande utilidade, como Ghilas, Adrian Lopez, etc..
- André André deverá começar a época numa situação pouco melhor do que na época passada, em termos do seu papel na equipa. Teve uns meses bons, mas voltou muito abaixo. De tal forma, que ninguém estranhará a sua ausência dos convocados para o Europeu.
- Layun deverá ser comprado em definitivo, mas este esquema de jogo não protege a equipa para o facto de Maxi e Layun se comportarem mais como alas, do que como defesas e esse é claramente um problema a atacar.
- André Silva marcou finalmente e todos sabemos como isso foi importante. Por muito que ele jogue bem, sem golos, candidatava-se mais facilmente a jogar emprestado, do que no plantel principal. Reparem que Aboubakar arrancou muito bem, mas perdeu-se quando se foram os golos.
- Terá que ser tomada uma decisão técnica clara quanto a Danilo e Ruben Neves. Eu continuo a achar que Ruben é a solução para grande parte dos problemas de construção ofensiva da equipa. Por muito que não consiga provar que Danilo jogue mal. Antes pelo contrário! Ruben dá muito mais à equipa porque, o que falta ao nosso meio-campo, não é músculo. Falta criatividade!
- Casillas deve ficar, mas haveria alguém incomodado se ele fosse embora? É interessante fazer esta sondagem e são poucos os que se importam. Não deixa de ser estranho visto que é, de longe, o jogador mais bem pago do plantel.

Curioso para perceber quem estará no onze da proxima semana, nomeadamente, se André Silva vai ser titular. Venha daí um título! Estamos mesmo a precisar.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Plano B


Outra vez? Esta foto é muito interessante. Sérgio com aquele olhar incrédulo em direcção a Postiga, depois de mais uma situação de golo sofrido, ao primeiro remate do adversário. No entanto, dado que Sérgio tem sido titular na maior parte dos jogos com Peseiro, já devia estar habituado...

Mas este não é um post de crítica a Peseiro. Essa tem vindo a ser feita aqui com uma regularidade adequada à frequência dos calafrios e dos maus resultados que a equipa tem apresentado. Ontem não foi o caso. A equipa não jogou tão mal como vinha jogando e o resultado foi bom, num campo muito difícil. Perante um golo, em tudo inesperado, a equipa reagiu com tranquilidade, com capacidade de ir ganhando paulatinamente o controlo do meio-campo e procurando não expor a defesa a calafrios. Lembro-me de dois em todo o jogo, além do golo. Fossem todos os jogos assim e eu não estaria neste momento a contar os dias até que Peseiro volte às suas aventuras por entre as areias do deserto, bem longe do Dragão.

Individualmente, gostei do MVP Sérgio Oliveira e do regresso do Marcano. Não apreciei a exibição de André André que parece que não vai conseguir chegar à final da Taça na sua forma pré-lesão. 

Dado que já fui abordando a estrutura habitual de crónica, posso agora ir directo ao destaque que é a súbita aposta na 'portugalidade'. Cinco portugueses no onze inicial, sendo que quatro são das entranhas do famigerado projecto 'Visão 611'. Deve ser um record, nos últimos anos. Não chego a perceber o objetivo. Será para provar a um presidente de Câmara, que adora a ribalta, que o projeto não foi assim tão mau? Será porque este jogo não era com o Sporting? Será para acalmar os portistas? Será para convencê-los a ver os jogos? Confesso-vos que, comigo, está a funcionar. Ando há 3 jogos 'em pulgas' para que o André Silva marque um golo (de preferência a passe de Ruben) e não vejo maneira de o miúdo ter uma 'pontinha de sorte'! Friamente, não consigo deixar de achar que isto é temporário e que estes miúdos só jogam para que os outros vejam que têm o lugar em perigo. Pelo menos até à final da Taça... Ou até à pré-época, altura em que irão perceber que vão ser emprestados.

E depois tivemos o título da equipa B, que teve mais portistas a assistir do que o jogo em Vila do Conde. Se calhar mais portistas do que em conjunto nas mais de 35 jornadas em que a equipa se manteve no primeiro lugar. Foi bonito e os míudos merecem o reconhecimento. Se tiver tempo, ainda irei fazer um texto sobre esta equipa comandada por Chico Ramos e por Graça, que se teve de reconstruir várias vezes ao longo da época e que vai fazer cerca de 50 jogos sempre a um nível que nos pode orgulhar. Grande trabalho de Luís Castro! Poderei apenas dizer-vos que, nesta equipa, há jogadores que estão habituados a dar títulos ao FCPorto desde cedo. Chicão, Rafa, Graça, Tomás e André Silva foram campeões de sub-17 e, a seguir, vem uma geração com Ruben Macedo, João Costa, Sérgio Ribeiro e Rui Moreira, campeões de sub-15 e sub-19 e de Verdasca que foi campeão de sub-19. Há que pôr os olhos nestes miúdos! O Portismo não se constrói em dois dias... Já sei que são realidades completamente diferentes, mas a equipa B é um bom modelo de uma equipa construída com espinha dorsal portista, complementada com estrangeiros de qualidade e potencial.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Empurrão


De quando em vez, lá aparece um título de crónica que é enganador quanto ao seu conteúdo. Se julgam que vou falar do lance de Aboubakar estão enganados. É, de facto, um lance mal ajuizado que nos daria uma vantagem grande no jogo, quer pela iminência do empate, quer pela consequente vantagem numérica em campo. Mas não consigo deixar de pensar que essa mudança no jogo nos iria 'cair do céu'.

Peseiro fala disso e do número de oportunidades de golo. Eu, como já não o consigo aturar, prefiro concentrar-me na nossa total incapacidade para controlar o jogo. Que foi o nosso futebol, se não uma constante rotina de bombear bolas para as costas da defesa do Sporting? Tivemos uma exibição intensa mas demasiado sôfrega, em total oposição com a exibição calma do nosso adversário. E isto perante um cenário em que o resultado, para nós não era nada, e para eles era tudo. E nem com isso, conseguimos jogar. Os erros começam no onze inicial. Deu a ideia que interrompemos a pré-época para este jogo. Para este, já não servem o André Silva e o Ruben Neves. Mas, pelo contrário, já serve o Chidozie. Não dá para perceber, se não numa perspectiva de ganhar centímetros para ajudar a estorvar o Slimani. Notou-se que ele estava bem incomodado... Não perdoo quando um treinador do FCPorto se preocupa mais com a posse de bola dos outros do que com a qualidade da nossa. E como ele não se preocupa com isso, expõe constantemente a equipa à resposta do adversário. Isso gera pânico e descontrolo que resultam facilmente nos erros de Jose Angel e de Chidozie no primeiro golo, de Maxi e Indi no segundo e de Maxi, de Danilo e de Casillas no terceiro. Mas não é só o descontrolo. Há também rotinas simples que impedem que as costas de Jose Angel estivessem protegidas quando foi ultrapassado no primeiro golo, que permitem que o melhor assistente do adversário tenha liberdade para receber e rodar num lançamento de linha lateral e que permitem que o Danilo rode para o lado contrário do sentido da bola no último golo sofrido. Mais que erros são sinais de uma falta de rotinas e de treino que são assustadoras a este nível. Peseiro pode ser o menos culpado do que nos aconteceu esta época. Mas, mesmo contando com todas as atenuantes, não demonstra qualidade nem carisma suficientes para liderar e planear aquela que poderá ser a época mais importante da história recente do FCPorto.

Individualmente, gostei de algumas coisas do Herrera e pouco mais. A defesa foi toda um desastre. O meio-campo foi incapaz de controlar o jogo e o ataque foi o espelho do resto da equipa. Não consigo entender a utilidade da entrada de André André para uma zona à frente dos centrais. Notas especialmente baixas para Maxi, Indi e Corona.

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segunda-feira, 25 de abril de 2016

De volta aos serviços mínimos...



Primeira vitória da pré-época fora de casa e terceiro lugar garantido… Uau! Não fosse a Taça de Portugal e a motivação que é necessária aparecer com bons resultados e exibições para chegarmos ao Jamor com boas possibilidade de trazer o caneco e quase que me veria a torcer por maus resultados até ter a certeza que Peseiro não vai ser opção para a próxima época.

Bem, voltando ao jogo. Repetição do onze da jornada anterior com alteração do guarda-redes (lá está, para ganhar rotinas para a final do Jamor). O Porto entrou mandão, muita posse de bola e subida declarada dos laterais com Rúben Neves também mais subido, arrastando Sérgio e Herrera para posições mais avançadas no terreno e não permitindo grandes trocas de bola à equipa adversária, obrigando-a a um futebol mais direto.

E contra a corrente do jogo e num desses lances de futebol direto, a Académica ganha um livre que Pedro Nuno (o tal que dizem ser da formação do slb mas só lá esteve um ano de juvenil e um ano de júnior) concretiza para o lado que deveria ser protegido por Helton… Mas pronto, vou dar de barato e entrar na onda que foi um grande golo e não referir que Helton estava mal posicionado.
No período de menor fulgor do Porto e quando parecia que iríamos entrar no marasmo de ideias depois de estarmos em desvantagem, Rúben Neves mostra que Danilo tem que ser vendido por 20M porque temos de aproveitar um miúdo de 19 anos que pode construir jogo, que arrisca no passe, que é feliz nos remates e, acima de tudo, é NOSSO (bem, quase todo já que deram 10% do passe a um familiar qualquer da SAD). Qual a equipa que se pode dar ao luxo de construir com um 6 sem ter de estar à espera que venha um 8 recuar no terreno para pegar no jogo?

Reatando a partida, o Porto continuou a procurar o golo e o quanto eu desejei que aquele segundo golo tivesse um toquezinho do André, vi umas 20x a repetição à espera de encontrar uma câmara que mostrasse o desvio da nossa próxima referência na grande área mas não posso dizer que encontrei. O miúdo precisa de golos para mostrar aos mais cépticos que ele, Rúben, Rafa, André André, tem que ser titulares no próximo ano… Já que é para ficar em terceiro e é, aos menos ficamos com os nossos!

Até ao fim, uma reacção normal da Académica que podia ter resultado no golo do empate, principalmente com aquele ‘charuto’ à trave.


Para sábado, não podemos facilitar… ou então se me garantirem que o slb não é tricampeão podemos perder por um :-)

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Em branco


Finalmente um jogo com o adversário 'em branco'. Se pensavam que, no título, me referia ao meu sentido de voto nas eleições de ontem, é porque não foram lá ou ainda não se informaram sobre o curioso método de votação que tivemos...

De volta à inexistência de golos sofridos no Dragão é, de facto, assinalável. Poderão reparar que, com Peseiro, apenas tinha acontecido duas vezes: na estreia e em Setúbal. Sempre com uma aflitiva vantagem mínima. Ora ontem, fizemos de tudo para que não passássemos por aflições e isso foi fundamental. Já sabemos que a equipa não está capaz de 'se segurar' quando a incerteza se prolonga e resolveu com uma entrada forte. Será essa a receita para os próximos jogos. Poderão falar numa invulgar eficácia nos primeiros minutos e com razão. Mas a equipa não pareceu acomodada a essa vantagem inicial e foi carregando sobre o adversário, tornando o 4-0 num resultado curto para o que se viu. Melhor exibição de Peseiro, sem dúvida. Mas agora já não há grande pressão...

Por falar em Peseiro, ele apresentou um onze de 'campanha eleitoral'. Muitos portugueses, e os nossos miúdos Sérgio, Ruben e André no onze titular. O público gosta, mas isto só é possível nesta fase de pré-época que atravessamos. Não digo que eles não tenham valor, mas os treinadores só os vão buscar em alturas de crise e para agradar. Eu prefiro uma aposta séria e baseada no talento. Dou o exemplo de Ruben Neves. Para mim, o resultado de 4-0 não é alheio à presença de Ruben Neves na posição 6, sozinho. Digam o que disserem das exibições de Danilo, é uma questão de ideia de jogo. O treinador tem de decidir se quer ali um organizador ou um destruidor. E Lopetegui, que até tinha um sistema mais carente deste tipo de jogador, optou por Casemiro e por Danilo. São decisões. Por mim ele era sempre titular. Tal como Rafa o deverá ser quando regressar. Já André Silva, é um caso diferente. Não será já um titular mas convem que vá participando nos jogos e, de vez em quando, ter oportunidades em jogos como o de ontem. Aí concordo com a gestão de Peseiro do jogador. 

Individualmente dou o MVP a Herrera apesar de ter gostado do contributo de Ruben Neves. Notas boas para Maxi, Corona, Angel e Varela. André Silva teve uma boa estreia a titular. Não marcou mas esteve sempre em jogo e teve boas finalizações. Danilo não comprometeu, algo que me surpreende, porque não tenho gostado das suas exibições a central.

Siga a pré-época!