Já sei que o post vem com uma semana de atraso mas estava à espera de desenvolvimentos na Liga para abordar este assunto. O que, pensando bem, nem faz sentido visto que defenderia a mesma política se fossemos campeões. Mas agora está claro que ficaremos em terceiro o que torna ainda mais premente uma revolução na habitual forma de construção do plantel. Mas há que tratar disto com calma. A primeira tendência perante a catástrofe é mudar tudo. Errado! Por exemplo,um dos pontos mais criticados é a estratégia de pesca por arrasto no mercado sul-americano que temos utilizado nas nossas contratações mas que também nos trouxe o fantástico Falcao, o incrível Hulk, o guerreiro Lisandro, o mágico Lucho, e outro exemplos não tão brilhantes mas que também são bons jogadores. A minha ideia é a de finalmente aprender a dosear os ímpetos no mercado sob pena de ficarmos com um plantel ainda mais caro. Como tal, convém fazer um levantamento dos principais problemas do plantel:
- Banco caro e ineficaz: Olhamos para o banco de suplentes e vemos Farias, Mariano, Guarín, Tomás Costa, Valeri, Orlando Sá, Sapunaru e muitas vezes Belluschi. A primeira coisa que vem à cabeça é que estão ali 28 milhões de euros (por ordem e com números que vêm na imprensa: 4 + 3 + 4 + 4,2 + 2,3 + 3 + 2,5 + 5). E ainda há os emprestados como Pelé que custou 5 milhões, Stepanov que custou 4 milhões e Prediguer que custou fantásticos 4,2 milhões... Tudo valores de aquisição que fazem prever altos salários. Demasiado altos para jogadores em quem Jesualdo não confia. Basta ver quantas vezes perante resultados negativos Jesualdo faz apenas uma ou duas substituições. Sejamos claros, deste lote apenas Farías trouxe um rendimento constante a cada vez que entrou e apenas Mariano e Belluschi constituem opções consideradas úteis embora tenham rendimentos intermitentes. Guarín e Tomás Costa são apenas soluções de último recurso por muito que de vez em quando façam coisas interessantes. Todos os outros simplesmente não contam.
- Falta de identidade portista: Quantos jogadores do nosso plantel são portistas? Lembro-me do Bruno Alves e é só. O portismo não pode estar só nos adeptos. Temos que ter jogadores que incutam nos colegas os nossos valores e a nossa identidade. Sem referências destas como seria possível ter tantos ex-jogadores a manifestarem que ficaram portistas durante a sua passagem pelo nosso clube. Lembro-me por exemplo, Deco, Lucho, Maniche que até era benfiquista em pequeno.
- Inadequação das características do plantel ao esquema de jogo utilizado: Jesualdo é um fundamentalista do futebol pelos extremos num 4-3-3. Concordo que essa terá de ser uma solução. É um esquema de jogo tipicamente português e o mais utilizado mas camadas jovens onde surgem sempre bons talentos para as alas sobretudo ofensivas. Mas há que ver se temos gente no plantel com características para esse esquema. Poderemos reparar que temos apenas um jogador que se adapta perfeitamente à função de extremo: Varela. E depois há as adaptações, mais felizes no caso de Mariano e menos felizes no caso de Hulk e Rodriguez. A verdade é que escasseiam opções e mesmo assim foi sempre este o esquema apresentado até há duas semanas.
- Plantel demasiado caro para uma competição como a Liga Europa: é um facto que se trata de uma competição com pouco interesse até aos quartos de final. Mas o grande problema é que sem a Champions, faltará uma das principais fontes de receitas do clube obrigando a uma severa revisão orçamental.
Postos os problemas, poderemos redigir um esboço de plano. Assentará em 3 pilares: dois esquemas tácticos alternativos (4-3-3 e 4-4-2) com mais jovens da formação e com uma redução de custos com o pessoal. Isto partindo do princípio que não haverá saídas inesperadas.
Plantel 2010/2011:
Guarda-Redes:
Helton, Beto e Ventura.
Defesas:
Fucile e Miguel Lopes; Bruno Alves, Rolando, Nuno André Coelho e Maicon; Alvaro Pereira e Addy ou Sereno.
Meio-campo:
Fernando e Pelé (ou Prediguer ou um trinco das camadas jovens); Raul Meireles, Castro ou Sérgio Oliveira, Rúben, Rodriguez, Guarín ou Tomás Costa; Belluschi ou Mariano.
Ataque:
Varela, Ukra, Hulk, Falcao, Farías ou ponta-lança a contratar, e Yero ou avançado das camadas jovens.
Dispensas: Teremos de cortar com os jogadores de banco caros não utilizados - Valeri; Prediguer ou Pelé ou os dois; Guarín ou Tomás Costa ou os dois; Belluschi ou Mariano; Orlando Sá (empréstimo); Sapunaru e eventualmente Addy (empréstimo). Tudo resto que não seja proveniente das camadas jovens é para vender, rescindir ou emprestar se as primeiras opções não forem possíveis.
Fica um plantel de 25 jogadores sem que haja uma verdadeira revolução. Isto porque o onze base mantem-se e mantém-se alguns jogadores de reserva com provas dadas nomeadamente na defesa. Outro factor importante é o de que apenas está prevista uma contratação a de um ponta-de-lança para a mais que provável saída de Farías. Ficamos ainda com a possibilidade do 4-3-3 adicionando a opção Ukra.
Que vos parece?
No próximo capítulo da minha ideia de planeamento para a próxima época virá a parte da Gestão.