segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Dupla


É o destaque actual no FCPorto. Esta dupla que se formou no ataque parece ser frutuosa para todos. Por um lado, André Silva continua a marcar e a assistir sendo o jogador do campeonato com mais remates por jogo e sendo já um dos melhores marcadores. Jota também marca e assiste, e as defesas continuam a procurar a melhor forma de defender esta nova estratégia, que muitos já tendem a comparar com outra formada por Domingos e Kostadinov . É melhor fugir das comparações, mas há algumas semelhanças. A título de exemplo, esta dupla é diferente das dos nossos adversários directos, que apostam sempre num elemento fixo entre os centrais. Tanto André Silva como Diogo Jota evitam jogar de costas para a baliza, procurando abordar os lances enquadrados e procurando explorar o espaço das costas das defesas. Faltará ainda alguma intuição e capacidade analítica para quando o adversário povoa a cabeça da área, como aconteceu em Brugges. Aí a dupla pareceu perdida e poderia ter explorado melhor as alas, fugindo à marcação. É a juventude, mas é simultâneamente um problema e a grande virtude.

Ontem entrámos bem no jogo e podíamos ter marcado logo, nomeadamente numa jogada de antologia de Corona. O golo tardou em aparecer e a equipa esmoreceu um pouco, mas sem perder o foco. Com o golo pudemos serenar mais um pouco, talvez de mais. As entradas de Brahimi e Ruben Neves, sobretudo o primeiro, ajudaram a dar a estocada final num jogo que já se estava a complicar. E aqui um bom destaque. Nos dois últimos jogos, Nuno Espírito Santo consegue tirar bom proveito das opções que tem a seu lado no banco, algo de que não dispôs em Alvalade, por exemplo. São os frutos da má preparação da época que já aqui destacámos. De facto, as coisas começam a correr melhor, mas em Brugges tivemos uma exibição bem mais fraca que o resultado. Por isso, parece-me estranho que Nuno já tenha 'peito' para vir falar do jogador à FCPorto. Em primeiro lugar ficámos todos a perceber porque é que tem demorado a assimilação da ideia de jogo. Basta que Nuno a tente desenhar para que se crie a confusão na cabeça dos jogadores. Gatafunhadas à parte, focando a atenção nos chavões, é cedo para vir dar lições...

Individualmente, MVP para André Silva que resolveu o jogo. Jota esteve mais apagado mas apareceu nos momentos chave, tendo também nota bem positiva. De resto gostei das exibições dos dois centrais, de Danilo e da entrada de Brahimi coroada com um excelente golo. Destaque nesse lance para uma rara assistência de Casillas e para a reacção despropositada do jogador nos festejos. Se ainda não se habituou aos 'passa a bola' que vêm da bancada, está mal. Antes dele, jogadores como Quaresma e Hulk (para citar os mais recentes) também o ouviram. Isso nunca vai mudar. Se há coisa que aprecio em Brahimi é que joga sempre em risco máximo, independentemente dos assobios e por vezes dá obras de arte, como a de ontem. Conseguindo poupar Otávio, Oliver esteve mais na esquerda e Herrera andou mais pelo meio, ganhando com isso. Não aprecio esta mania de Corona desaparecer no jogo. Sobretudo depois daquela jogada inicial mais que motivante. Layun continua a ter dificuldades defensivas e acho que, a continuar assim, Maxi ganha o lugar. Até porque, do outro lado, Alex Telles tem apenas que resolver o acerto nos cruzamentos, porque defensivamente e em termos de agressividade, tem cumprido bem.

O próximo jogo poderá colocar-nos na iminência de atacar o primeiro lugar. Importância máxima portanto!

5 comentários:

Anónimo disse...

Gosto muito do Nuno mas prefiro ver as lições que um professor deu na quinta e na sexta. Será que o JJ aprendeu como ganhar ao Dortmund?

Artur

prata disse...

VP? Tenho de ver isso

miguel87 disse...

Eu não entendo a satisfação na generalidade da bluegosfera com este jogo, parece até que vi um jogo diferente. A entrada foi boa sim, mas por rasgos individuais e não devido aquela abordagem ao jogo que continuo a achar ridicula - contra equipas completamente fechadas, o nosso treinador continua a fazer questão de não alargar o jogo e enfiar a equipa toda no miolo!
Viu-se mais uma vez o que se viu na Bélgica, após bons 10 ou 15 minutos do Corona, jogando a partir da ala, voltou a jogar por dentro na construção das jogadas de ataque. Assim os laterais não podem fazer milagres, estão suejeitos a cruzar muito longe da area, ou nas poucas vezes que dão profundidade, dar as costas ao contra-ataque adversário - há um lance desses com o Alex Telles, em que por muito pouco o Arouca não ganhou a segunda bola no meio campo, caso a tivesse ganho, tinha o corredor todo aberto para atacar.
Ainda bem que ganhamos, e vamos ganhando estes joguitos, mas convém admitir que este jogo só ficou desbloqueado por um golo oferecido e mesmo o segundo golo nasce de um corte infeliz do defesa do Arouca, sem isso duvido que o discurso dos adeptos fosse o mesmo.
Mas, nada de novo, são anos e anos de discursos e avaliações resultadistas e não em função do futebol apresentado (sendo o Basculação uma das raras excepções).

Sobre a figura do nosso treinador após o jogo, no comments, "fiz-me explicar?"...

prata disse...

Concordo que ainda não jogamos muito, mas há claras evoluções. Não podemos, isolar os erros dos adversários nos golos, sem destacar que podíamos ter marcado em várias outras ocasiões.

Quanto à questão das alas, parece que Nuno quer reservá-las aos laterais. É uma opção e aí podemos gostar ou não. Eu acho que nestes dois últimos jogos se provou que a utilização de alas puros pode ajudar. Veremos se Nuno concorda.

Lamas disse...

Golão de Brahimi... valeu ir ao estádio por aquele momento... em particular aquela receção orientada... fantástico...