segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Crise? Qual crise?



Normalmente procuro ser calmo na análise e recuso-me a alinhar em cenários de drama e horror em que alguns dos nossos leitores e adeptos entram. Óbvio que esta é uma altura em que se nota que os portistas mais histéricos e precoces na contestação a Paulo Fonseca tinham razão. Esse não é o meu tipo de Portismo. Costuma-se dizer que até os relógios parados têm razão uma vez por dia... A verdade é que se provou que Paulo Fonseca não mostrou, até agora, capacidade para 'dar a volta' à situação. O mês de Novembro é taxativo: uma vitória apenas, a segunda competição mais importante em risco e a perda de liderança num campeonato em que, em apenas três jornadas, perdemos uma liderança confortável de cinco pontos. Temos crise? Obviamente que sim! O Paulo dizia que nos mantínhamos em primeiro lugar. Pois... Isso era antes. Agora dirá que dependemos apenas de nós para sermos campeões. Continuará a ser verdade. Se nada for feito dirá que os adversários ainda vão perder pontos e por aí sucessivamente. 

Por um lado, a sucessão de maus resultados torna clara a existência de um problema e a necessidade de reverter a situação antes que se torne irreversível. E digo isto porque me lembro que, com Vítor Pereira, chegámos a ter problemas exibicionais graves  mas que se iam mitigando pelas vitórias nos jogos em casa e por um sistema mais seguro que interrompiam as tendências negativas. Mas nem queria entrar em comparações com os anos anteriores. Até porque, neste momento, elas não seriam simpáticas para Paulo Fonseca e, mais que isso, seriam injustas porque ele não tem Hulk, Moutinho, James, tal como, Vitor Pereira do primeiro ano não teve Mangala, Alex Sandro e Jackson, etc. A comparação é sempre difícil e convém que passe por dados objectivos. Podemos comparar resultados, produtividade ofensiva e golos sofridos. Mas toda e qualquer comparação é sempre manchada pelo o facto de não se tratarem dos mesmo jogadores. Haverá sempre contraponto.

Mas se disse que não queria entrar em comparações, digo já que não consigo. Tenho uma noção de que jogamos menos. Já a tinha antes apesar de tentar evitar histerismos. Novembro veio provar que havia razão para receio. A equipa não tem capacidade de reacção e qualquer equipa nos causa problemas. Mesmo as mais fracas da Champions como os Austríacos e as mais fracas do campeonato como o Belenenses e a Académica. Temos assistido consecutivamente aos mesmos problemas. A equipa treme e intranquiliza-se quando tarda em marcar. Seja quando não marca cedo seja, quando marca e tenta proteger o resultado. E a tremideira nota-se na frente onde se falham golos incríveis e atrás onde sofremos calafrios a que não estamos habituados. Saberão que não sou um defensor de Vitor Pereira, mas terei de referir que ele montou um esquema mais sólido. De facto o futebol, raramente era empolgante e irreverente, mas era mais seguro e os jogadores, sobretudo os defesas, estavam muito mais protegidos e tranquilos. E aqui entra a principal lacuna da equipa de Paulo Fonseca: tranquilidade. Vitor Pereira conseguiu dar a volta às dúvidas que os jogadores tinham em relação a ele montando um esquema semelhante ao anterior que protegia o colectivo e em consequência a individualidade. O Paulo tentou implementar um futebol mais intenso, directo e imprevisível. A imprevisibilidade transformou-se facilmente em intranquilidade. Ao contrário do Vitor, o Paulo tentou mudar: não correu bem...

Em suma e em teoria, eu gostei de algumas das ideias que Paulo Fonseca quis implementar, mas seria louco se não reconhecesse que elas não estão a resultar. Há que mudar e, por muito que isso pareça uma loucura, há que considerar seriamente a mudança do esquema. Numa primeira fase, há que voltar a privilegiar a posse de bola segura. A equipa precisa de sentir que é dona do jogo para voltar a ganhar confiança. Mais que jogadores há que mudar rotinas. Facilmente reparamos que não foi pelo facto de trocarmos Otamendi por Maicon que desapareceram os erros defensivos. Macion até teve um bastante grave em Coimbra. E se trocarmos Jackson por Ghilas, Defour por Herrera, Varela por Kelvin, Josué por Quintero, não vamos ter mais golos ou assistências. Com o descontrolo exibicional, o futebol objectivo passou a ser 'pontapé para a frente'. Temos de voltar a sofrer um pouco de tédio nas bancadas, mas reconquistar a confiança da equipa. Numa primeira fase, esperar tranquilamente pelos erros dos adversários e forçá-los. Eles aparecerão antes dos nossos. Temos melhor equipa e isso é inevitável. Depois de ganhar a confiança e a tranquilidade, talvez possamos assistir à implementação de mais ideias do Paulo. Mas terá de ser de forma sustentada e adaptada aos jogadores que tem.

Quanto à questão da segurança do Paulo Fonseca, julgo que nunca esteve em causa e nisso, não posso concordar mais com a Administração. Só um cataclismo poderá fazer com que se mude a nossa maneira habitual de tratar destes assunto: no final fazem-se as contas. Até porque não vejo grande diferença para os nossos adversários directos a não ser o nível de exigência que no nosso caso é bem alto.

Quanto ao jogo, obviamente fraco. Podíamos ter ganho como nos jogos anteriores e tenho a noção de que estamos num fase em que tudo nos acontece. Falta a segurança e confiança de um campeão. Destacaria apenas a exibição boa de Mangala. Pelo contrário, não gostei de nenhuma das outras exibições. Destacaria apenas pela negativa Josué. Não que tenha jogado pior que os outros. Diria apenas que me parece um jogador demasiado nervoso para jogar ali. Tem raça mas não a aplica com inteligência e isso preocupa-me. Muito faltoso.

11 comentários:

José Sampaio disse...

Costuma-se dizer que até os relógios parados têm razão DUAS VEZES por dia...

Lamas disse...

Eu queria que algo mudasse... e quando vi a constituição da equipa pensei que tal tinha acontecido... mas não, apenas ilusão de óptica... Quintero no lugar de Josué e Josué no lugar de Defour... apenas troca de nomes e não de posicionamento... eu queria algo mais... uma tentativa de uma nova nuance táctica tipo com o Quintero efetivamente a 10 e mais tipo um 4-4-2 com Fernando a trinco, lucho na meia direita e josué na meia-esquerda... mas se calhar também queria algo demais...

Concordo com a crónica na globalidade... é preciso mudar, o que não implica automaticamente mudar de treinador... é preciso mudar... jogadores, desenhos tácticos, atitude, discurso para dentro e para fora... é preciso mudar...

A ver vamos os próximos capítulos...

prata disse...

José, o meu relogio não é de ponteiros... :)

Barba azul disse...

Caro Prata, sobre mudar ou não mudar de treinador durante a época: mudar para ver se resulta, não; mas, como para as outras "posições" da equipa, mudar se nos aparecer uma boa possibilidade / proposta, quando o elemento de que dispomos claramente não está a resultar, sim.
A proósito de mudanças de treinador durante a época, um dos meus irmãos lembrava-me anteontem ter ido ver o primeiro jogo sob direcção do Bobby Robson (contra o Salgueiros?) e de se ter visto a mudança da equipa duma jornada para a outra; já não deu para ganhar aquele campeonato, mas ficámos seguramente mais acima do que antes dele e preparámos antecipadamente a época seguinte.
É a situações assim que me refiro: BR era claramente melhor e surgiu a oportunidade, com a dispensa pelo SCP.

Lamas disse...

Eu também estive lá... com um Vidal Pinheiro completamente arrebentar pelas costuras... de um momento para o outro tínhamos Kostadiov, Drulovic, Timofte e outros... todos a jogarem ao mesmo tempo...

prata disse...

Lembro-me disso. Mas não é habitual. Se bem me lembro, quando Ivic vai embora, o campeonato não estava perdido. Foi mesmo uma opçãode mudança de rumo.

Se não houver confiança no treinador, que se despeça já! Mas acho que não é esse o caso.

miguel87 disse...

Por falra em Bobby Robson, eu ainda tenho esperança que, tal como há 20 anos, o treinador do sporting seja despedido enquanto está em 1º lugar...

Pispis disse...

Não tenho acompanhado o Porto cm devia este ano e imbuído do espírito "é neste momento que a equipa mais precisa do apoio dos adeptos" fui a Coimbra... Escusado será dizer que mal acabou o jogo o espírito foi "e vem um gajo de tão longe apanhar este frio para ver estes fdp a jogar" ;-)

Mas agora, mais calmo, sou gajo de dizer q n me arrependo de ter ido a Coimbra e o mais certo é ir a Vila do Conde... Fiquei dececionado com o número de portistas no estádio mas neste aspecto o espírito ultra é fantástico: é apoiar sempre, sem assobios mesmo depois de sofrermos golo e no fim, se correr mal, meus amigos, aí é sair da frente que vem petardos pelo ar! :-)

Qt ao futebol praticado, há uma coisa contra o qual um treinador não consegue combater por mt bom q seja: se o grupo (ou os mais influentes) estiverem contra ele é o anúncio de uma morte anunciada... Eu quero acreditar q o grupo não está contra o PF pk um dos q mais devia estar com ele (Josué) no sábado foi uma autêntica nódoa mas se o problema é apenas tático, o PF q mude rapidamente e aí aconselho a ler o comment do Riskas num post anterior...

Em 2004/05 o Fernandez foi demitido depois de uma derrota caseira com o Braga?

prata disse...

E no seguimento de eventos anti-Paulo Fonseca, Iturbe acaba de marcar outro golaço...

Nao me parece q os jogadores nso estejam com o treinador. Nao notei isso em Coimbra.

Augusto Baptista Ferreira disse...

Ainda todos os jogos realizados eram vitórias e eu apontei o dedo aos erros do Fonseca no blog onde escrevo, o Portistas Anónimos.

Taqui disse...

Nao tá facil, vi o jogo a espaços e ao longe... mas depois ver o Varela (e o mangala) a falhar daquela maneira; ver penalties falhados; Há treinador que resista?! Acho que nao!
Mas, isso deve ser falta de intranquilidade, de motivação e aí ele é o responsável. Quando ele diz que o kelvin e o Quintero nao dao ainda garantias e dp coloca-o a jogar, ora fdsss!
Mais tacticamente: ja repararam, como diz o Prata, que estamos desprotegidos atrás, sofremos sp golos e concedemos claras oportunidades, mas nao jogámos ha muito com 2 extremos?
Onde está aquele futebol da pré-época e da Supertaça? Licá e Varela nas alas a cruzar para Jackson com Lucho nas costas?! Já escrevi aqui há tempos, qd o josué é titular indiscutivel, mt mal vai o Porto...