domingo, 26 de novembro de 2017

Patinagem


Finalmente vacilámos no campeonato. Era uma questão de tempo, por várias razões. Abordarei apenas três. É muito difícil manter estas series vitoriosas porque no futebol há sempre imponderáveis como os que vimos no sábado. Juntou-se uma má exibição do FCPorto a uma má arbitragem, um péssimo relvado e um erro individual grave de Corona. Sendo assim, até nos ocorre aquela sensação de que poderia ter sido pior. Mas essa sensação saiu abafada porque tivemos várias oportunidades para sair vivos. Seja nos pés de Aboubakar, seja no apito de Rui Costa. Sobretudo este último factor que nos deixa bem alerta para o que nos vão tentar fazer enquanto estivermos no primeiro lugar. O lance do penalti sobre Danilo é tão escusado e tão claro, que é óbvio que o árbitro e o VAR têm de ser penalizados e ir para a 'jarra' por uns tempos. Não imagino outro desfecho minimamente sério para um erro destes.

Mas estes imponderáveis não justificam tudo. E falar do empenho extra dos adversários até fica mal a Sérgio Conceição. Não basta dizer que 'jogámos mal' ou que ' os gajos pareciam que estava a jogar na Champions' ou que 'hoje não era o nosso dia'. Há que perceber que esta incapacidade de controlar o jogo é agudizada pelas opções técnicas. O facto de nós não termos médios com capacidade de ter bola e de gerir o jogo em posse é uma opção clara do treinador, que tem tido sucesso e que se repete há mais de 10 jogos. Se Sérgio Conceição quer 'partir o jogo' tem levar com as consequências. Por um lado, consegue ter oportunidades e muita gente na área adversária. Por outro, vai ter de esperar que Sá esteja tão inspirado como esteve nestes dois últimos jogos, porque já se viu que, às vezes, a 'manta é curta'. Costumo repetir esta ideia por aqui. Se os treinadores dos grandes apresentam estratégias que tornam o jogo mais aleatório, têm de estar preparados para jogos como o de sábado porque é inevitável e vão acontecer com frequência. Em suma, foi o nosso pior jogo do ano. Muitos falarão do jogo em Leipzig, que foi muito mau, mas há que ter em consideração a valia do adversário. Pode acontecer mas este resultado veio em má altura. Era muito importante chegar a sexta-feira com a possibilidade de 'arrumar' já com um dos adversários. 

Apesar do apagão que tivemos até ao golo do Aves, não deixa de ser de elogiar a reacção da equipa ao golo sofrido. Com menos um jogador, conseguimos encostar o adversário e, ao contrário do que disse Lito no final do jogo, apenas houve oportunidades do FCPorto após o empate. A começar por aquela de Aboubakar. Ainda assim, se era para acabar o jogo com Marega e André Pereira na frente, para quê tirar logo Aboubakar? Assim queimámos uma substituição.

Individualmente, destaco dois jogadores: Ricardo e Sá. Dou o MVP a Ricardo pelo golo. Afinal, ao contrário do que se viu na Turquia, o homem tem pé esquerdo. Sá ajudou a adiar o golo adversário que parecia inevitável, mesmo antes da expulsão de Corona. Soares regressou muito bem, e só a prudência justifica que tenha saído antes de Aboubakar. A entrada de Marega mexeu com o jogo. Danilo destaca-se sempre nestes jogos de muita luta, mas continua a demonstrar deficiências posicionais que já não se compreendem nesta altura. Pela negativa todos os outros. Destaque sobretudo para Herrera, que é o maior símbolo deste futebol sem cérebro, e para Brahimi que, desta vez, não conseguiu colmatar a falta de criatividade no meio-campo. Nota mínima para Corona que teve um erro que nos deixou demasiado expostos à inevitabilidade de perder pontos. Este posicionamento de Corona como um dos elementos mais recuados nas ressacas das bolas paradas, sempre pareceu arriscada. A verdade é que só no ontem é que isso nos trouxe problemas.

Na sexta-feira, já não dará para arrumar de vez com as papoilas. Mas, no que pudermos ajudar...

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