quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Ilusão, depressão


Há várias lições a aprender depois do jogo de hoje. Mas o mais importante é não embarcar em ondas, sejam de depressão, depois de resultados adversos, sejam de euforia quando corre bem.

Vamos à primeira lição. Já aqui tínhamos avisado que a defesa estava ainda longe do nível do ano passado, apesar do enganador registo até hoje. Compreendemos que o desígnio é outro e que se aceita sacrificar alguma segurança defensiva para conseguir ter mais talento na frente e mais homens nas zonas de finalização. Sendo assim, temos de saber reagir aos golos sofridos com uma intensificação da pressão. Foi possível reagir bem ao primeiro golo, mas deu-me a ideia que o segundo golo nos 'matou'. A partir daí a equipa jogou sempre em esforço e de uma forma demasiado descontrolada para uma Champions. É certo que isso nos valeu algumas oportunidades no início da segunda parte, mas também fez com que a equipa caísse muito no final do jogo.

Esta quebra física também é algo muito importante para os próximos tempos. Já sabemos que o plantel é curto, mas não vamos entrar em teorias de que não chega para este nível. Tivemos um adversário muito maduro e eficaz que teve um jogo que lhes correu excepcionalmente bem. Ainda assim, Sérgio tem de aprender a lidar com estas limitações. O jogo de Sábado já poderia ter posto algum travão a este ímpeto de 'vamos para cima deles com tudo'. Já sei que é o que nos tem entusiasmado neste treinador, mas o plantel disponível e a própria competição da Champions obriga a precauções extra que terão de ser tidas em consideração nos próximos jogos. Dou dois exemplos. Sem Aboubakar, não chocava ninguém se Sérgio optasse por ter um avançado no banco. Preferiu dar um sinal à equipa de que era para manter a dinâmica do início de época, mas limitou as suas próprias opções. Com 'todas as fichas' no plano A, o plano B é bem mais fraco. Óbvio. Outro exemplo é a dupla troca ao intervalo. Mais uma vez, tenta mudar o jogo de uma forma radical, para surpreender o adversário. E até resultou, visto que tivemos várias ocasiões para empatar no início da segunda parte. Mas quando o adversário refrescou a equipa, o FCPorto desapareceu do jogo. Concordo que alguma coisa teria de mudar. Mas optou-se por gastar duas substituições que fizeram falta a partir dos 70 minutos, quando a equipa quebrou fisicamente. Para mim, bastaria a troca de Otávio por Corona. Manteríamos a possibilidade de refrescar o meio-campo mais tarde, evitando a quebra final que nos impediu de forçar o empate, pelo menos.  Se o plantel é curto, torna-se fundamental ser mais cauteloso na sua gestão.

A última questão que quero abordar é a do dilema entre talento e intensidade. É óbvio que Corona e Oliver fizeram alguma coisa que irritou o treinador. Algo que desequilibrou a equipa na primeira parte e que fez com que o Sérgio sentisse a necessidade de optar pela segurança trazida por André André. Mas não vos deu a sensação que ficámos muito dependentes de Brahimi? Não faltou ali talento para fazer melhor? Isto para falar da diferença de talento e de qualidade entre André e Oliver e entre Corona e Marega. Esta é uma competição que não é muito complacente com diferenças de talento. É para ser jogada entre os melhores e há que fazer com que os nossos jogadores mais talentosos se sintam confortáveis para render nestes jogos, por muito que não consigam atingir a intensidade de um Marega.


Individualmente, dou o MVP a Brahimi. Foi o jogador mais perigoso e o que mais se aproximou do seu nível. Pela negativa, não faltam candidatos. Posso destacar o Danilo porque me pareceu o que jogou mais abaixo do seu nível, nomeadamente no lance do primeiro golo em que perdeu a oportunidade de matar o lance no meio campo ficando a 'filmar' o resto da jogada. Mas há outros jogadores que tiveram erros graves. Marcano deixa-se antecipar no primeiro golo, Casillas podia ter feito mais no segundo, etc. Uma última menção para Hernâni. Parece que este nível é demasiado para ele. Isto torna-se perigoso visto que ele era a única opção ofensiva no banco...

Em suma, foi um jogo que não correu nada bem. Fomos penalizados por um segundo golo, com Casillas mal batido, numa altura em que estávamos por cima. Este momento marcou a equipa, mas ainda assim, com o penalti não marcado e com maior eficácia na última decisão, estaríamos a fazer uma crónica diferente. Não vale a pena deprimir. Com mais eficácia poderia ter sido um jogo diferente, mas o resultado não choca ninguém. Temos de ir para o jogo com o Rio Ave de cabeça limpa.

8 comentários:

Anónimo disse...

Se já só fazíamos tudo em esforço, perante a naturalidade do adversário, aquele deslize de Casilas nº 2º golo, afundou completamente a equipa.
Reagir rápido é o que se exige.

Fernando B. disse...

O jogo de ontem ficou marcado por um facto preocupante. Independentemente das criticas ao plantel e às " não aquisições " deste defeso, SC não apresentou equipe nem táctica adequada. O nosso meio campo era confrangedor, pela falta de presença...SC viu isso...

Oxalá a seguir a 3 anos, de treinadores guarda-redes, que jogo para eles é defender bem, não tenhamos agora 1 ano de treinador avançado pra-frentex é que é...

O jogo com o Chaves, foi prejudicial ao FCP. Ganhamos por 3, sem merecer tal resultado. Ainda em 1-0, eles tiveram 2 oportunidades de golo, melhores que as dos Turcos ontem...deviam ter reflectido no jogo, em vez de comemorar 3 golos ao penúltimo...

pancas disse...

Fala-se muito na falha de Casillas no segundo golo (e realmente devia ter feito melhor) mas nao ouco ninguem referir como o Danilo foi a ANDAR atras do marcador 4-5 metros e nao foi capaz de o ultrapassar para se posicionar entre a bola e a baliza - bastava isso para o remate nem sequer acontecer!!!

Estou farto das teorias sobre o Danilo, primeiro que "vinha cansado", depois "teve pouca pre-epoca" ou que "esta em baixo de forma" - TRETAS - o Danilo nao vale metade do que o tipico adepto julga e agora, num sistema em que nao pode estar so a dormir no seu proprio meio campo e que tem que tocar na bola e saber se posicionar para defender com poucos, mostra a sua verdadeira qualidade...

miguel87 disse...

É verdade Pancas, nas últimas épocas quando eu falava com alguém e dizia que o Danilo é fraco a defender achavam que eu era tolinho, agora isso mesmo está à vista, sem um sistema que o limitava a encostar aos centrais para fechar espaços em frente à baliza, estão à mostra as suas debilidades defensivas.
Já há 2 épocas disse que ele seria um bom jogador para jogar a 8, num meio campo a 3 é claro.
Claro que as fraquezas dele são extrapolados por um sistema de jogo completamente desadequado a uma competição como a Champions, e até mesmo a alguns jogos da liga (Braga, Rio Ave, o próprio Chaves já dificultou mais as coisas, isto para não falar dos 2 rivais directos), pois jogar só com 2 médios centro, sendo que um não sabe atacar e outro não consegue defender, é meio caminho andado para o insucesso.
O próximo a ser alvo dos clichés dos adeptos será o Filipe, pois é outro que já começa a ficar mais exposto por este sistema de jogo e começam a aparecer as debilidades, principalmente no posicionamento e na (falta de) velocidade.

PS. Isto que escrevi é e era já a minha opinião antes do jogo de quarta, não tem a ver com o resultado desse jogo, apenas aproveitei a deixa do Pancas...

pancas disse...

Miguel87,
Eu discordo na hipotese do Danilo a 8 e no problema do sistema de jogo.

Danilo - para mim tem 3 qualidades - jogo aereo, musculo e passada rapida. Portanto para mim a sua posicao devia ser central. Nao requer tanta qualidade de passe, de posicionamento ou visao de jogo, tudo areas em que o Danilo e muito fraco.

Quanto ao sistema de jogo - nao tenho problema nenhum de usar este sistema contra qualquer adversario, mas nao pode ser com o Danilo a medio ou com o Marega a menos de 5km do estadio (para mim tb nao seria com o Filipe ja que concordo consigo).

E nao diga que o Oliver nao consegue defender... olhe que ele defende melhor que quase todos os jogadores da equipa...

prata disse...

Já vimos o Danilo a central. Eu não fiquei impressionado. Antes pelo contrário.

pancas disse...

Prata, por certo que não seria nenhum Hummels, mas era capaz de fazer melhor que um Filipe, mais que não seja fazer menos faltas e ficar menos em risco de ser expulso em vários jogos.
Dito isso, até gostava era de ver a dupla Marcano-Reyes porque ter 2 centrais que podem transportar a bola até ao meio campo adversário ou fazer passes verticais ajudava e muito o modelo de jogo que se está a implementar.

miguel87 disse...

Este sistema de jogo em equipas portuguesas na Champions não dá, e está mais que provado pelo JJ nos últimos 7 ou 8 anos. Sejam os médios Oliver, Danilo, Javia Garcia, Matic, Pizzi, Enzo, etc... é irrealista pensar em discutir jogos na champions com um meio campo que divide a equipa e a única certeza que traz ao jogo é que vai ser um jogo partido e descontrolado.
Por mais fraco e limitado que seja o plantel, neste aspecto acho que o SC deveria ter sido mais perspicaz.

Quanto ao Oliver não digo que não saiba defender, digo que não consegue, porque simplesmente não tem arcaboiço para isso. Parece um juvenil a jogar no meio de seniores. Ainda na quarta feira houve uma jogada sintomática, em que foi no carrinho ganhar a bola, levou-a até à entrada da área mas depois não conseguiu mais do que um remate frouxo. Por muito talento que tenha nos pés e visão de jogo genial nunca será um jogador de topo com a constituição física que (não) tem. Por alguma razão nunca se impôs numa equipa de Simeone, apesar de ter sido sempre um dos destaques das camadas jovens em Espanha.