quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Ponto ou pontinho?


Voltámos à Champion! Já estava com saudades, até porque a minha última memória do FCPorto na Champions, foi a cantoria em Anfiled quando entoamos a nova música estreada nesse mesmo jogo.

Abordando o resultado antes do jogo em si, não posso dizer que foi mau. Confesso que, antes de ver jogar este Schalke04, até aceitaria antecipadamente esse resultado como bom. Mas, depois do que vi ontem, pareceu-me que perdemos ali uma boa oportunidade de entrar no grupo de forma autoritária. Poderíamos e deveríamos ter aproveitado melhor as fragilidades do adversário, quer ao nível emocional quer ao nível táctico, quer ao nível das individualidades. Mas mesmo que eu considere o resultado mau, só o futuro nos dirá o que realmente vale esta equipa alemã. Aguardemos para ver o que vale verdadeiramente este ponto.

Mas, se não sabemos o que poderá vir a valer o adversário de ontem no futuro, também podemos fazer a mesma questão para o FCPorto. Parece-nos claro que tem de dar mais do que o que tem dado nos últimos quatro jogos. Por um lado porque temos o mesmo treinador que tem apresentado um onze e um esquema  de jogo muito semelhantes ao do FCPorto Campeão na época passada. Poderemos argumentar que Maxi já tem dificuldade em render o que rendia Ricardo Pereira, mas este ano até já temos Danilo e até temos tido muito boas prestações dos dois substitutos de Marcano que Conceição já utilizou. Sendo assim, o que falta a este FCPorto para regressar ao nível exibicional do ano passado? Porque é que já vamos no quarto jogo consecutivo em que saímos com a clara sensação que a equipa não está plenamente confiante e que demonstra até um inquietante nervosismo? Será que tal como o Schalke04, este FCPorto ainda pode valer muito mais? O que falta? Tem a palavra Sérgio Conceição. 

Mas eu até tenho umas ideias. Uma delas é a de dotar a equipa de jogadores capazes de ter a bola com mais qualidade. Estou a falar claramente de Oliver, uma luta antiga, mas também estou a falar de Marega. Este papel fulcral do Marega no nosso jogo tem vindo a irritar-me há um ano. Confesso que isto tem um pouco a ver com ideias pré-concebidas que tenho do jogo. Para mim, se vamos moldar o esquema de jogo em função em um ou dois jogadores nucleares, têm de ser craques ou destacar-se muito dos demais. Para mim o nosso jogo ofensivo, em bola corrida, é previsível porque é suportado apenas por dois jogadores. Um é Marega e outro é Brahimi. O problema é que um é um craque e o outro está muito longe de o ser. Marega corre muito, é muito forte e ataca bem a profundidade. Mas isso nem sequer é uma característica invulgar no futebol mundial. Por exemplo, o Shalke04 tinha ontem um jogador muito semelhante e que até marcou um golo à Marega. O que é invulgar é esperar que um jogador com as limitações técnicas e até tácticas do Marega tenho um papel central na nossa equipa e jogue 90 minutos sobre 90 minutos, independentemente da quantidade infindável de passes falhados, domínios deficientes e foras de jogo estapafúrdios. Se queremos que a qualidade cresça temos de tentar construir em cima do sucesso da equipa do ano passado. Transitou da época passada uma dinâmica forte e intensa no nosso jogo. Falta tentar incorporar mais qualidade. Mais Brahimis e mais Olivers, porque as grandes equipas não se fazem só de 'carregadores de piano'.

O jogo de ontem foi bom em termos de duelos físicos e as equipa acabaram por encaixar apesar dos esquemas diferentes. Nesse aspecto o adversário correu muito, bateu ainda mais, mas não conseguiu criar-nos problemas, salvo duas ou três exceções. Se até aí nos batemos bem, esperava que nos destacássemos mais na parte técnica e individual. Do nosso futebol ofensivo contam-se duas ou três boas jogadas, uma delas em livre estudado. Muito pouco para cerca de 60% de posse de bola. Esperava mais. Conquistamos um ponto fora de casa mas, dadas as circunstâncias e o adversário, acho que perdemos uma boa oportunidade de dar uma resposta cabal perante as dúvidas que os resultados recentes têm vindo a levantar. Será um ponto agridoce, para já.

Individualmente, destaco como MVP o miúdo Militão. Grande estreia na Champions, perante avançados muito chatos e muito físicos. Gostei também das exibições de Danilo, Alex Telles e Otávio. Nenhuma destas exibições está isenta de erros, mas compensaram o suficiente para terem nota positiva. Felipe também esteve bem, mas esteve menos seguro que o miúdo. Quando o treinador adversário dizia que tinha apanhado alguns defeitos no nosso jogo, estaria a falar com certeza da dependência de Brahimi. Esteve constantemente 1 contra 3 e, como é óbvio, passou muito poucas vezes. Quando parecia que ia passar, era ceifado. Exibição pouco produtiva, portanto. Pela negativa, também não gostei de Aboubakar que, ao nível da capacidade de segurar jogo esteve ao nível do Marega, ou seja, baixo. Corona prometia quando entrou mas ficou-se pela promessa e pela atuação ridícula no lance do golo, sobretudo quando fica a protestar falta sobre Danilo largando a marcação.

No sábado temos uma deslocação muito difícil. Se a retoma não se viu na Alemanha, que comece já em Setúbal!

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