segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Jogo vs Espectáculo


Mal acaba a primeira parte voltei a pensar naquela frase de Sérgio Conceição: «Se querem espectáculo, vão ao Coliseu!». E lembrei-me logo que, passados uns dias, Klopp dizia exatamente o contrário: «I really think the most important thing for football is entertaining the people. We don’t save lives, we don’t create anything, we are not good in surgeries, we are only good in football. If we would not entertain the people, why would we play it then?». E ontem também tivemos um discurso anti-espectáculo de Rui Vitória, que ficou claro após assumir que foi sempre superior ao FCPorto. Algo em que nem ele acredita e algo que Conceição diria se o resultado fosse o inverso, nas mesma circunstâncias. Mas se é deprimente comparar o discurso destes treinadores, imaginem como saímos na comparação do futebol jogado... Por coincidência, ontem também houve um grande jogo em Liverpool e, ao contrário do que aconteceu por cá, não houve golos mas houve futebol. Eu que vi os dois jogos diria que uma troca dos resultados seria mais apropriado ao que se viu nos dois campos, com um empate a zero na Luz e com uma vitória do City pela margem mínima, em Liverpool. Mas se formos pegar nas estatísticas... Destacaria duas: faltas e duelos aéreos. Em faltas o duelo de Liverpool teve 10 para cada lado. Já na Luz tivemos um 24-20 para os da casa. Mais intensidade! Nos duelos aéreos a diferença é abismal: 66 na Luz contra 23 em Anfield. Incrível! A conclusão só pode deixar-nos inquietos. Nós ainda jogamos muito pouco e essa é uma tendência que não é só nossa, tal como ficou bem marcado no clássico de hoje. Já não me chegava a azia do resultado e ainda consigo arranjar mais razões de preocupação...

Mas estaria ainda mais preocupado se tivesse a meu cargo fazer um resumo de 3 minutos do jogo de hoje. Poderão dizer que é mau perder: «como perdem, dizem que o jogo foi fraco...». E eu até percebo. Mas tal como ainda tenho a ilusão de que o FCPorto ainda vai jogar bem neste campeonato, também tenho a ilusão de que estaria aqui a dizer a mesma coisa se o resultado fosse o inverso, nestas circunstâncias. Para mim o resumo teria duas jogadas: um lance em que Danilo e Fejsa chocam e ficam os dois no chão com dores e o lance do golo. Punha em loop até fazer os 3 minutos. Era o que mereciam os adeptos que se contentam com os 3 pontinhos! Se não desse para fazer isto, teria de ter muita imaginação para inventar algo além destes 10 segundos de resumo... Até as jogadas mais perigosas em futebol corrido, como Seferovic isolado, defesa de Casillas a remate de Gabriel e remate de Brahimi, são todas precedidas de falta que o VAR deveria sancionar se entrasse.

Quanto ao jogo, tenho tanto a dizer como o que os treinadores tiveram a dizer no final sobre a paupérrima qualidade do mesmo. Duelos, choques, bola pelo ar e um golo aos trambolhões e após uma sucessão de coincidências irrepetíveis e que culmina na mais improvável de todas que é a do Seferovic marcar um golo... Após o golo, pouco se viu da reacção portista. Apenas o conseguimos de bola parada e após a expulsão algo forçada de Lema. Em suma, jogo péssimo das duas equipas que caiu para um dos lados, porque é algo que pode acontecer quando ambos os treinadores desistem de tentar ter bola e resolvem entregar-se ao futebol aleatório. Mas gostaria de deixar apenas duas notas sobre o FCPorto. Falhou a aposta de Herrera mais adiantado. Pareceu que o objetivo era pôr pressão na saída do adversário, sobretudo Lema, mas o Benfica, tal como nós, arriscou pouquíssimo na saída e bateu sempre longo, tornando a opção desnecessária. Por esse motivo, Otávio deveria ter estado mais adiantado e protegido da zona de selvajaria onde acumulou faltas atrás de faltas e o amarelo que fez com que fosse substituído muito cedo. Registo por último que Conceição já reconhece que há um problema com Maxi. Se se prefere jogar com Corona nessa posição...

Individualmente, dou o MVP ao rei dos duelos Danilo. Além disso foi o jogador que teve as nossas melhores oportunidades, em três remates de cabeça. Pela positiva não tenho muito mais destaque visto que os centrais, que defenderam bem, pecaram na construção, por vontade própria ou por ordens do banco... Além disso Militão está mal colocado no golo sofrido e não percebe que o perigo não estava em Pizzi mas no movimento nas suas costas. Ainda assim, só por milagre não chega à bola a tempo de cortar o lance. Pela negativa, destacaria Herrera. Não lhe daria a culpa toda porque o erro maior é do Conceição, mas está a passar uma fase que é muito 'Herrera de há dois anos atrás' bem personificada naquele passe ridículo nos últimos instantes de jogo.

Regredimos em relação ao jogo com o Tondela e saltámos de segundo para terceiro, mas continuamos a uma distância perigosa para os adversários. É que eles, como nós, também desconfiam que este FCPorto não poderá continuar jogar muito menos que isto. E se este tiver sido o ponto de viragem... Medo!

1 comentário:

miguel87 disse...

Eu do Liverpool-City só fiquei com pena de não ter continuado a ver a segunda parte, por troca pelo miserável jogo do campeonato tuga... o amor clubistico tem destas coisas.

Se o Oliver não entra na equipa é porque o treinador não quer, definitivamente, abdicar do "kick and rush" que tanto sucesso lhe deu na época passada.

Pelo que se tem visto, o mal do Herrera é quando joga em 4-3-3.
Já começa a ser coincidência a mais que seja o "Herrera de há dois anos atrás" sempre que não joga num meio campo a 2, como na época passada, em que foi invariavelmente um dos melhores jogadores...