segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Grande série!


Foram 7 jogos e 7 vitórias neste mês que decorreu entre as irritantes pausas para as seleções. Uma série invejável que se seguiu a uma enorme desilusão que foi a exibição na Luz. Mais do que o resultado, essa exibição foi terrível. Mas essa exibição, por assustadora que seja, coincidiu com um resultado que é normal acontecer. Não que seja agradável, mas é bem mais provável perder em casa de um adversário directo do que no Dragão com o Vitória de Guimarães. Importava recuperar esses pontos e o ânimo, tão cedo quanto possível. E foi o que fizemos! Neste período, avançámos na Taça de Portugal, recuperámos o primeiro lugar do grupo na Taça da Liga, consolidámos o primeiro lugar no Grupo da Champions e recuperámos o primeiro lugar na Liga, desta vez isolados. Nada mau!

Mas, destes 7 jogos, destaco dois factos fundamentais: a dinâmica de vitórias criada e que Conceição teve a capacidade de encontrar novas soluções para equipa, com Oliver e Corona. Já sei que tenho insistido aqui que as exibições nem sempre foram brilhantes, sobretudo nos jogos mais difíceis desta série, como o de ontem. Mas já sabemos que em campeonatos tão equilibrados, como este promete ser, encadear uma série de vitórias é um tónico motivacional difícil de imitar por qualquer estratégia motivacional, por muito bom que seja o treinador nesse capítulo. E o facto de, ao longo destes dois anos de Conceição, percebermos que ele tem demonstrado regularmente capacidade de reinventar a equipa, muitas vezes contra o que esperámos dele, é de líder e torna-o o principal protagonista deste FCPorto.

O jogo com o Braga foi muito difícil! Confesso que estava um pouco preocupado com a dificuldade que antecipava para este jogo, mas a dificuldade conseguiu exceder o meu pessimismo. O Braga preparou-se muito bem para as nossas lacunas conhecidas e até explorou algumas que eu não conhecia. Desde logo, em condições normais, este Braga não consegue ultrapassar este FCPorto de Conceição nas vertentes mais físicas do jogo. Mas este jogo não foi disputado em condições normais. O FCPorto jogava pela terceira vez em 7 dias, sendo que um desses jogos foi na Madeira e o outro foi disputado debaixo de um autêntico dilúvio. Por esse motivo, não diria que o Braga se conseguiu superiorizar nesse capítulo, mas o jogo acabou por ser bem mais equilibrado do que seria normal. E depois a equipa sentiu muita dificuldade em lidar com os cruzamentos de 3/4 do campo. O Braga fez questão de evitar ir à linha e procuraram despejar rápido para a área, tentando apanhar a defesa do FCPorto desprevenida. E conseguiu-o várias vezes. E já sabemos, desde os primeiros jogos, que temos vindo a tremer sempre que o adversário cria perigo. Parece que entramos numa mini-espiral de desconfiança que só acaba quando criamos perigo na outra baliza. E este jogo não fugiu a essa regra. Nós fomos criando sempre perigo mas o Braga também. Isso intranquilizou a equipa. Para ajudar, houve vários lances do Braga, que acabaram por ser muito perigosos e que foram precedidos de falta. Destaco a primeira oportunidade do jogo, com cabeceamento do Dyego Sousa, precedido de fora-de-jogo de Sequeira e o remate de Esgaio à barra, precedido de mão clara, no início da jogada. Ambos lances que fazem mossa e que não deviam ter acontecido. Já para não falar no penálti claro de Sequeira ao minuto 45. Ir em vantagem para o intervalo daria outra confiança para o segundo tempo e, provavelmente, não teríamos de arriscar tanto e não estaríamos tão desprotegidos para lidar com os contra ataques que fomos sofrendo na segunda parte. Tudo circunstâncias que foram condicionando a nossa exibição e que foram contribuindo para o equilíbrio que se verificou até perto do final.

Digo até perto do final porque acho que o jogo se desequilibrou após a primeira substituição de Abel. Trocou um avançado por um médio defensivo, numa altura em que o FCPorto parecia estar a sucumbir perante o bom jogo do Braga. A partir daí assistiu-se ao assalto final que resultou no golo de Soares, num cruzamento ao segundo poste que andámos a ensaiar durante toda a segunda parte. Não estranhei todo aquele exercício de Abel em reconhecer o mérito próprio e a destacar que o resultado foi injusto. Mas podiam ter-lhe perguntado o que pretendia com aquela substituição...

Individualmente, dou o MVP a Soares. Além do golo, já vinha sendo dos melhores, procurando segurar a bola, disputando todos os lances aéreos e dando muita luta aos centrais e guarda redes, forçados várias vezes a bater para a frente sem critério. Eu diria que os melhores se destacaram mais por causa das exibições menos conseguidas de colegas da equipa. Soares esteve muito melhor que Marega, muito desinspirado e notou-se bem naquele lance em que passa para Soares em vez que rematar, como sempre faz nesses lances. Corona também esteve muito mais decisivo que Brahimi, sobretudo na segunda parte, mesmo quando passou para lateral. Já sei que foi facilmente ultrapassado no segundo lance  do Braga à barra, mas não peçam demasiado a uma solução defensiva de recurso. Até porque, do outro lado, Alex continua irreconhecível, sendo várias vezes ultrapassado por Esgaio. Militão esteve, mais uma vez, muito melhor que Felipe. Tem de arranjar melhores chuteiras ou melhores pernas, porque voltou a escorregar sozinho num lance que dá muito perigo. Este desequilíbrio é uma constante nele. Para terminar, a ajuda que veio do banco. Otávio voltou a ser decisivo e já merece a titularidade. E o único que vem jogando consistentemente abaixo do que consegue é Brahimi... Herrera entrou bem mas não foi tão decisivo como o colega. Vamos ignorar Hernani que parece tão útil a esta equipa como um umbigo no meio das costas.

Foi uma vitória muito importante e isso notou-se ainda mais por causa das arbitragens deste Domingo... Sobretudo a de Alvalade. Agora convém descansar. Desta vez temos pouca gente nas seleções o que, por uma vez, parece ser muito benéfico para a equipa, que já parece cansada. É natural.

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