sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Lviv



É um assunto requentado que guardei para abordar nestas irritantes e longas pausas no campeonato.

Vou lembrar-me sempre desta cidade, porque foi a primeira vez que o FCPorto não utilizou qualquer jogador português num jogo. Não fui confirmar mas, de memória, acredito facilmente na notícia.

É uma luta antiga entre adeptos portistas: Qualidade vs Identidade. Por um lado, os que acham que interessará mais a qualidade do que a nacionalidade. Por outro, os que acham que FCPorto também é Porto e, já agora, Portugal. Que a localidade e a nacionalidade são características que ajudam a formar a identidade do clube. Eu tenho tendência em aproximar-me mais dos que defendem a qualidade acima de tudo, mas não consigo tomar esse partido por completo. Isto porque me custa um FCPorto sem portugueses e sem portistas no onze e no plantel. Já sei que o perfil do jogador de futebol actual oscila entre o egocêntrico e o egoísta, mas isso não me impede de achar que um plantel com mais portugueses e portistas cria uma maior identificação entre equipa e adeptos. Que ajuda a criar os nossos capitães de equipa e a harmonizar as transições entre diferentes treinadores, entre planteis e entre gerações de jogadores. São factores demasiado importantes para que sejam reduzidos a simplificações como 'têm de jogar os melhores'. Concordo, mas não me posso resignar! 

De facto, têm de jogar os melhores mas, se num dado momento, não conseguimos que haja portistas e portugueses entre os melhores, temos de fazer algo para mudar essa tendência. Que tem sido feito nesse sentido? Pouco, digo eu. Demos um nome e um prazo a um projecto sem lhe dar importância. Temos um projecto de escolas de futebol que parece estar mais virado para o negócio do que para a formação em si. Criámos uma equipa B onde os melhores jogadores portugueses jogam dois anos para saltarem para a primeira Liga, mas ao serviço de outros clubes como aconteceu com Tozé e como acontecerá com Ivo Rodrigues, Gonçalo Paciência e com os, recentemente e estranhamente proscritos, André Silva e Rafa. 

Não podemos deixar que o oásis, Ruben Neves, nos leve a preocupação com o que aconteceu em Lviv. A tal cidade ucraniana que não vou esquecer...



PS: Dado o assunto, a imagem escolhida não foi um acaso. É uma 'graçola' que envolve o meu 'querido' Lopes... Mas é óbvio que isto é uma consequência dos últimos anos e não é culpa de Lopetegui, por muito que ele tenha promovido esta recente invasão espanhola.

3 comentários:

Lamas disse...

Eu já não digo ter uma equipa de portugueses, mas, pelo menos uma ou outra referência era importante...

Mas jogue quem jogar, o meu coração terá sempre a mesma cor: "azul e branco"... ;)

bruno rodrigues disse...

Mas a verdade é que nós jogámos com um português em campo, portanto ainda nunca na nossa história aconteceu apresentarmos um 11 titular sem nenhum português. Jogámos com bruno martins indi, é português, nasceu em portugal, no barreiro. Pode não jogar na seleção portuguesa e pode até ter dupla ou quíntupla nacionalidade mas a verdade inegável é que ele nasceu em portugal e isso faz dele português. E nunca ninguém no mundo conseguirá mudar isso.

Mirone disse...

Li num blog que o André Silva pode sair para o ano a custo zero?? Vamos deixar isto acontecer?

E o Rafa... tem jogado na equipa B?