quinta-feira, 19 de abril de 2018

Controlar até cair



Se estão à espera que este seja um post de crítica a Sérgio Conceição e à equipa que ainda há três dias ganhou estoicamente na Luz, posso já adiantar que... sim! Também é. Sacrilégio? Talvez...

Começo com uma adivinha: «Esteve perfeito na agressividade, na entrega e muito inteligente na forma com controlou os ímpetos de um adversário que que tinha de fazer tudo para ganhar e que se viu completamente manietado.» Trata-se de uma descrição da exibição do FCPorto ou da do Otávio? Ambas as respostas estão correctas. De facto Otávio personifica o que foi o FCPorto hoje: perfeito a controlar, péssimo a atacar. Não me lembro de um jogo desta época em que o FCPorto tenha produzido tão pouco futebol ofensivo. Mas também não me lembro de um jogo desta época em que o FCPorto se tenha sentido tão confortável a controlar o jogo com bola como na primeira parte de hoje. Em que ficámos? Estivemos bem ou mal? Temos a resposta no resultado... 

É até irónico que isto aconteça na mesma semana da exibição na Luz. Aí também tivemos uma equipa que, a partir de certa altura, se preocupou  mais em manter o resultado do que em atacá-lo. Em ambos os casos essa estratégia foi desmontada por um momento em que tudo se transforma e em que uma estratégia que parecia ter tudo para funcionar se transforma numa má estratégia. Herrera pôs a nu a falta de ambição de Rui Vitória e Marcano fez o mesmo com Sérgio Conceição. As circunstância não são bem as mesmas, até porque Sérgio tinha prolongamento e teve mais azar com lesões, mas a ideia é a mesma: jogar com cautelas é perigoso!

Falando do jogo, confesso que me surpreendeu o facto de o Sporting ter passado os primeiros 80 minutos sem conseguir criar uma oportunidade que fosse. Julgo que nem tiveram um remate enquadrado. Talvez tenha sido esse o facto que fez com que o FCPorto tenha descansado, erradamente, em cima do resultado. A aposta em Oliver e Otávio como médios acabou por resultar muito bem e o adversário teve muita dificuldade em criar jogo ofensivo. E assim, a primeira parte foi muito bem controlada pelo FCPorto. A segunda seguiu no mesmo tom, mas eu estava à espera que a nossa equipa conseguisse capitalizar melhor o nervosismo do adversário e que conseguisse aproveitar o seu natural adiantamento já que precisava de marcar. Ora não aconteceu nem uma coisa nem outra. O Sporting não demonstrou nenhuma intenção de aumentar a pressão sobre a nossa baliza, nem o FCPorto conseguiu encaixar uma única jogada em transição rápida na segunda parte. As nossas substituições também não ajudaram. Parecia que estavam todos contentes com o empate. Jesus lá disfarçou com a entrada de Montero mas não conseguiu fazer uma jogada de perigo. Nem perto. Marcano tratou de resolver o assunto para o Sporting, que nada fez para merecer o prolongamento. Mas isto é o que acontece quando se deixa as decisões para o lado aleatório do jogo.

Mas Marcano só ajudou a pôr a nu uma má decisão de Sérgio Conceição. Teve azar em ver Oliver lesionar-se pouco depois de ter metido Sérgio Oliveira, que seria o seu substituto natural,  noutra posição. Mas ao optar por Reyes, Sérgio não acautelou a possibilidade de irmos a prolongamento. Se entrasse Marega ou Corona, arriscávamos mais durante 10 minutos, mas nem sequer seria arriscar muito visto que iria ser o meio campo que joga a maior parte dos jogos e o que jogou na Luz. Um treinador tem de pensar nestas eventualidades. Com um Aboubakar absolutamente irreconhecível e com Brahimi e Ricardo Pereira esgotados, o FCPorto ficou entregue à força física de Herrera. É pouco.

No prolongamento vimos um jogo mau. Nenhuma das equipas tinha frescura física para jogar e o jogo arrastou-se. Destaque apenas para a monstruosa condição física de Herrera e para a inexplicável decisão de Jorge Sousa de não expulsar Acuña num lance com Ricardo Pereira. Acredito que não teria efeito nenhum, mas é uma decisão que nem os sportinguistas compreendem. Nenhum admitirá mas é um lance demasiado claro. Nos penaltis, apenas registo que marcámos bem melhor do que em Braga. Patrício não cheirou nenhuma bola. Iker também não esteve muito inspirado. Temos um caso sério com as decisões por penaltis. Só nas últimas 3 épocas já aconteceu 4 (!?) vezes. Começa a ser ridículo...

Individualmente, dou o MVP a Herrera que foi o único jogador que jogou  os 120 minutos. Ricardo e Brahimi tentaram enquanto tiveram forças. Oliver entrou bem na equipa e recuperou muitas bolas. Boa exibição até à lesão, a provar que não é absurdo pensar nele para um dupla com Herrera. Otávio este bem e esteve mal. Não me consigo decidir. Soares nem fez um grande jogo, mas quando comparado com Aboubakar... Que jogo horrível do Camaronês! O FCPorto desapareceu ofensivamente com a sua entrada. Não segurou uma bola, não pressionou, não rematou. Zero!  Reyes entrou melhor que Sérgio Oliveira mas nessa altura a equipa precisava de poder ofensivo que ele não pode dar. Nota mínima para Marcano. Nos últimos dois jogos voltou aos habituais 'enterros' que fizeram com que o FCPorto depois das suas primeiras épocas no Dragão, fosse hesitando na renovação do seu contrato.

Para terminar, quero acreditar que teria a capacidade de fazer esta mesma crónica se Brahimi conseguisse marcar aquele golo aos 120 minutos. Mas é um facto que o resultado pesa muito no nosso julgamento, tal como aconteceu no Domingo.

2 comentários:

penalti? disse...


O lance da mão do mathieu quando faz o carrinho é penalti?

É !!!

prata disse...

Por um lado o gajo atira-se de forma descontrolada e não pode ter a mão ali. Por outro a bola vem do pé do colega e é inesperada. Acho que é penalti mas, ao contrário da não expulsão de acuña, não me choca a decisão.