segunda-feira, 21 de maio de 2018

Época 2017/2018 - Jogadores


Tal como prometido, este ano voltamos a analisar a época através de rankings. Comecemos pelos melhores jogadores da época. Não foi fácil visto que nos parece que esta foi uma época em que se destacou mais a equipa e, por esse motivo, Sérgio Conceição. Ainda assim fica aqui a nossa tentativa.

5- Ricardo Pereira

Quando Danilo saíu para o Real Madrid e quando se anunciou que Maxi seria o seu sucessor, escrevi aqui que temia pela evolução de Ricardo Pereira. Foi naturalmente emprestado e a trapalhada com o Nice fez com que lá ficasse mais tempo do que o previsto inicialmente. Quando fizemos os tops do ano passado destaquei-o como o jogador emprestado que melhor rendimento demonstrou e até tinha receio que não o conseguissemos segurar nesse defeso. Ficou e confirmou-se um reforço de peso. Já sabemos que este esquema de Sérgio Conceição favorece muito os laterias ofensivos. Se formos analisar o raio de ação dos nossos laterais, dificilmente a 'nuvem' ficará atrás do meio-campo. Mas Ricardo é daqueles laterais que dá gosto ver jogar. Porque tanto procura a linha como consegue atacar a cabeça da área, em condução ou em tabelas, sempre a alta velocidade. Demonstrou também uma qualidade que já lhe conhecíamos que foi a polivalência. Mas o que mais surpreendeu foi a intensidade e sua evolução defensiva. Temos ali um grande lateral, bem recompensado pela convocatória de Fernando Santos.

Adenda: Entretanto Ricardo foi vendido. Mais uma vez, tememos que aconteça a Dalot o que aconteceu a Ricardo Pereira há 3 anos. Esperemos que se resolva rapidamente a sua situação. Diria até que esta era uma renovação mais prioritária que a do Iker. Aguardemos...

4- Alex Telles

Este vai ser difícil de segurar. Não vemos na Europa muitos laterais capazes de fazer uma média de 15 assistências em duas épocas consecutivas. Voltou a ser o nosso marcador de todas as bolas paradas. Agora, até penaltis marca e espero que seja ele a acabar com a nossa malapata neste capítulo. É, portanto, o expoente máximo de uma das maiores armas do nosso jogo, que são as bolas paradas, e que nos valeu as vitórias contra o Leipzig no Dragão, na Feira, na Madeira, etc.. Ao contrário de Ricardo, é um lateral menos driblador e mais focado na sua excelente habilidade nos cruzamentos. Voltou a ser um dos esteios da defesa apesar de, este ano, ter pisado terrenos mais ofensivos. Continua a combinar muito bem com Brahimi.

3- Brahimi

Este é o único jogador que repete o nosso top 5 em relação à época passada. Para começar, deixamos um dado estatístico paradigmático: Brahimi foi o jogador do plantel que jogou mais minutos. Já sabemos que isto aconteceu devido à troca na baliza e devido às lesões na defesa mas, ainda assim, é um dado surpreendente. Já repetimos várias vezes aqui que achamos que este é o jogador chave neste sistema de Sérgio Conceição. Sem Brahimi e com um meio campo deficitário em criatividade, com Herrera e Sérgio/Danilo, o futebol da equipa iria tornar-se demasiado previsível. Só cruzamentos e bolas lançadas na profundidade. É difícil imaginar que isto possa acontecer visto que Brahimi foi dos pouco jogadores nucleares que jogou sempre. Por isso é que se fala mais na dependência de Marega, por exemplo. Mas Brahimi é o jogador do plantel que melhor interpretou o esquema de Sérgio Conceição, ocupando com mestria as tão famosas entrelinhas. Em resultado deste posicionamento, marcou mais golos, assistiu mais vezes e foi muito mais influente do que o que seria se se mantivesse sempre encostado à linha.

2- Marega

Foi a surpresa do ano. Como é possível que um jogador com tantas dificuldades em lidar com a bola consiga ser um dos maiores destaques de um FCPorto Campeão? Não é fácil de explicar. Vamos tentar. Desde logo foi o nosso melhor marcador no campeonato. Não foi o nosso melhor marcador em todas as provas, mas foi na que mais interessa. É também um jogador que nos permite apresentar um modelo alternativo, sem fazer qualquer alteração. Facilmente abandona o lugar da avançado para actuar a extremo e esta variação chega a ocorrer várias vezes no mesmo jogo. Assim, marca muitos golos apesar de nem sempre ser o nosso jogador mais avançado. Por último, é um jogador absolutamente desconcertante no ataque à profundidade. Quando explode em direcção à baliza contrária, é difícil de acompanhar e difícil de derrubar, mesmo que seja em falta. Ou seja, consegue massacrar simultaneamente os centrais e os laterais. Foi muito importante porque, ao contrário de Aboubakar e Soares, rendeu durante toda a época. Ainda por cima, graças à desconfiança que havia à sua volta, criou-se uma incrível popularidade junto dos adeptos. Ou seja, começámos a torcer por ele em tom de gozo até que, quando reparámos, já estávamos a torcer a sério. É um fenómeno estranho mas engraçado...

1- Herrera

Eis que chegámos ao jogador do ano. Poderão pensar que foi difícil chegarmos a esta conclusão. Porque sempre nos assumimos como críticos de Herrera e porque até chegámos fazer posts em que o criticávamos com mais afinco, só para obter a reacção da turba de indignados que continua a ser maioritária nestas lides cibernáuticas. Na verdade foi bastante simples. Isto porque o que mais criticámos em Herrera, simplesmente deixou de se verificar. Estamos a falar da inconsistência exibicional que era habitual nele. Já sabemos que é um jogador que tende a errar, sobretudo ao nível do passe. Mas o que contava mesmo era a reacção ao erro. Herrera tinha até aqui demonstrado uma total incapacidade de reacção ao erro e isso lançava-o numa montanha russa de exibições mais e menos conseguidas, não garantindo a consistência que um jogador tem que ter nesta posição nuclear do campo. Este ano, tudo foi diferente. Há quem diga que foi a lesão de Danilo que lhe permitiu soltar-se num esquema de duplo pivot. Mas eu acho que já antes se tinha demonstrado que este era um Herrera diferente. Mérito para ele e para Sérgio Conceição que aplicou um estilo de jogo que o favorece claramente. Exige dele, o que ele mais tem para dar, que é poder físico, stamina e coração. Herrera foi sempre o líder das nossas tão frutuosas iniciativas de pressão sobre a saída de bola do adversário, que valeram vários golos. Num meio-campo a dois, tem uma amplitude de acção que o favorece porque exige muito de um jogador. Para terminar, o que faz dele o melhor de todos. Não foi fácil escolher, visto que esta foi uma época em que a equipa se sobrepôs quase sempre às individualidades. Mas há um momento decisivo no campeonato e que é o golo na Luz. Se não tivéssemos tremido em Paços de Ferreira e em Belém, este top 5 estaria organizado de outra forma. Assim, foi esse o momento que nos devolveu à liderança e que destroçou por completo os adversários. E depois ainda há a qualidade do golo e o altruísmo do festejo. Grande momento a coroar uma grande época do nosso capitão! Por falar nisso, depois de muitas dúvidas sobre a sua capacidade para liderar esta equipa, este ano Herrera demonstrou que merece esta braçadeira!


Menções honrosas para a nossa dupla de centrais. Eles acabam por ser menos favorecidos em termos individuais pelo facto de os valorizarmos muito mais em dupla. Ainda assim, descontando alguns erros graves, como o de Marcano em Alvalade para a Taça e o de Felipe em Belém, fizeram mais uma grande época e são talvez os jogadores que, juntamente com Telles e Brahimi, tiveram uma prestação mais de acordo com o que já vinham fazendo na época anterior.

Uma última menção honrosa para Danilo. Não fosse a sua lesão em Braga e tenho a certeza que estaria no nosso top 5. Estava a fazer uma época monstruosa até ali. A selecção vai sentir a sua falta no mundial.

2 comentários:

Mirone disse...

Alguém sabe se este negócio do Ricardo foi mesmo o melhor negócio? 20M€ mesmo tendo necessidade de vender rapidamente... qualquer cepo hoje em dia é vendido por mais de 30M€.

prata disse...

Estás-te a referir ao Semedo? :)