segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Fim de semana gostoso


Depois de um período depressivo com uma participação ridícula na Taça da Liga e de uma segunda parte em Paços completamente amorfa e irritante, nada melhor que um fim de semana a ganhar pontos em 3 campos. Estamos na luta e muito se deve ao desempenho da equipa no Dragão. Foi também importante conseguir três golos, que André Silva voltasse a marcar e que os nossos avançados tivessem voltado às boas exibições.

No final, Nuno tentou vender a ideia de que a única diferença para Paços foi que a equipa marcou. É uma simplificação perigosa, tal como era a da arbitragem. Se concentrarmos todas as atenções na arbitragem, o efeito imediato de revolta vai-se desvanecendo. Se concentrámos todos os problemas na finalização, põe-se todos os problemas nas costas dos avançados, nomeadamente o André Silva, esquecendo a construção. Se o André marca uma em cada três oportunidades, temos de arranjar maneira de lhe dar 6 a 9 oportunidades por jogo, em vez de duas como em Paços. A título de exemplo, na primeira vez que o miúdo começou a falhar mais golos, criou-se a solução de partilhar o 'fardo' da finalização com Jota. Porque é que, sem Brahimi, a solução é afastar Jota da baliza e aproximá-lo da linha? Faz sentido numa equipa que tem tido dificuldade de marcar golos? Pois... O problema vai muito para além de coisas simples como penaltis não marcados e a inspiração do André Silva. Para mim são limitações do modelo de Nuno Espírito Santo e limitações do próprio treinador. Mas é óbvio que acredito que ele também pode evoluir durante a época, mas para isso é preciso que ele esteja ciente de que há um problema. Já sei que o discurso para os jornalistas é gerido com cuidados extra, mas não convém esquecer que é esta informação que passa para os adeptos. Para para os adeptos passa a ideia de que apenas temos problemas com árbitros e com a pontaria. É curto. Há mais problemas.

Vamos ao jogo. A primeira parte começou logo com uma oportunidade de golo por Corona e um lance estudado num canto. Fiquei entusiasmado. Uma boa a entrada, com notório trabalho de Nuno num dos capítulos que pior correu em Paços e que foram as bolas paradas. No entanto, o resto da primeira parte tendeu para o habitual. De vez em quando vamos lá com perigo, mas nada de muito intenso. Os golos apareceram e apareceu uma expulsão estúpida do adversário. E o jogo acalmou para mais tarde, com as substituições, piorar até um ponto de se poder dizer que não se perdia nada se o jogo tivesse acabado por volta dos 70 minutos. 

E aqui outro problema: as substituições. Nuno mexe mal na maior parte das vezes, mas isso raramente se discute. Lembro-me que foi criticado no empate com o Benfica, mas isso foi muito por causa do erro incrível de Herrera. Nos últimos 5 jogos, alguma vez se melhorou com as substituições? Eu acho que não e foi mais grave em Paços porque perdemos pontos, mas é um sintoma também nos outros jogos. Muitos tenderão a dizer que o problema é não termos um banco bom. Mas temos de ir mais longe. Se o banco não é bom, exige-se um critério melhor a Nuno, nomeadamente no jogador que sai. Nos últimos 5 jogos de campeonato, Oliver saiu 5 vezes, Corona saiu 4, Jota saiu 3 e Brahimi 2 vezes, mas só jogou 3 desses jogos. Qualquer destas substituições recorrentes tira à equipa criatividade e capacidade de desequilíbrio, mas a de Oliver é especialmente grave em jogos como o de Paços de Ferreira, porque retira à equipa o seu jogador mais criativo. Mas também é grave nos outros 4 jogos porque, em vantagem, retira à equipa critério na saída para a transição ofensiva e a capacidade de ter bola com qualidade. Aí está mais um ponto em que Nuno pode melhorar.

Individualmente, dou o MVP a Marcano que juntou à habitual segurança defensiva um golo e uma assistência. Se a época acabasse agora, dava a Marcano o MVP da época do FCPorto. Quem diria depois do que vimos no ano passado, nomeadamente no último jogo da época... Felipe também esteve muito bem, mas não esteve nos golos e teve um erro grave na segunda parte que acabou por não ter consequências. Gostei também do regresso de Jota às boas exibições. Em Paços já prometia, mas retiraram-no do jogo demasiado cedo. André marcou um bom golo e ficou a dever-nos mais dois. Danilo tem nota positiva mas é de referir que não ganho uma bola de cabeça ao avançado do Moreirense que é bem mais baixo. Herrera voltou a jogar bem. O problema é que Herrera não consegue dar o que dá Brahimi ou Otávio.  Pela negativa os jogadores que saltaram do banco, com destaque para Kelvin que demorou 30 segundos a demonstrar que tem muito que melhorar para dar algo à equipa.

Na próxima semana temos um jogo à tarde. Uma boa oportunidade para encher o estádio!

4 comentários:

Taqui disse...

Ontem classifiquei o jogo, como um jogo à antiga. 2-0 ao intervalo, adversário com menos 1, tudo tranquilo... deu para meter o Kelvin, O Rui Pedro, se mais juniores tivessem no banco, mais entravam!
Ontem gostei muito das bolas paradas, sobretudo houve muito trabalho durante a semana, criou imprevisibilidade no adversário e é isso que se pede hoje em dia, pois os jogos são mais que vistos revistos e estudados...
Ontem tanto me fez, mas o Nuno em paços, a cada 5m mexia a desfazer o que tinha feito antes, aquilo foi muito mau...
Qual o critério do Dragão para dar o MVP ao Maxi? Porra!

Abraço

miguel87 disse...

"Danilo tem nota positiva mas é de referir que não ganho uma bola de cabeça ao avançado do Moreirense que é bem mais baixo."

Ainda bem que não fui só eu que reparei nisso.

Anónimo disse...

O Lamas foi o gajo que mais correu neste jogo. Passou com uma velocidade e com a filha as cavalitas que até pensei que era o Depoitre a fugir da baliza.

Artur

Lamas disse...

LOL... tens que vir à MAFATE para ficares também em forma...Foi o primeiro jogo a sério dela, os outros foram apresentações e similares... a partir de agora vai sempre lá marcar o ponto... chama-se educar... ;)