terça-feira, 27 de outubro de 2015

Pontos



Mais do que o resultado de Domingo, o que me custou mais foram as explicações de Lopetegui para o que aconteceu. Dizer que 'tentámos mas a bola não entrou' é muito pobre. Este treinador já nos habituou a explicações parcas de conteúdo mas, num momento em que, pela enésima vez, voltámos a não capitalizar uma 'escorregadela' de um adversário, exigia-se mais. Se ele não percebe o que se passou, tentarei explicar em 6 pontos, representativos dos 6 que já esbanjámos este ano:
1. Com 22 Andrés tínhamos ganho o jogo com facilidade. Pelo contrário, no domingo, assim que atingíamos uma oportunidade de golo, relaxávamos e só voltávamos 'à carga' 10 minutos depois. «Isto há de se resolver...». Aqui o ponto é a intensidade de jogo;
2. Vi Lopetegui queixar-se de não ter ainda penaltis a favor. Para ter penaltis é preciso pisar a área com a bola controlada... Para ter livres frontais é preciso pisar esses terrenos. O nosso modelo de jogo é marcada e ideologicamente lateralizado e depende muito da inspiração dos extremos. Brahimi esteve pouco inspirado, Tello ainda se está a aproximar do seu melhor e Corona voltou a ser apenas um trapalhão. Quando assim é temos problemas e a maior parte dos remates que fizemos foram efectuados de fora da área. Este é o ponto do modelo de jogo.
3. De que serve implementar um modelo de jogo se não escolhemos os melhores interpretes para o mesmo. Será que cansamos o adversário circulando a bola lentamente no nosso meio-campo? Causamos problemas? Não seria melhor introduzir no jogo alguém que acelera o jogo nestas zonas, como Ruben Neves? Este é o ponto da adequação do modelo aos interpretes.
4. Por falar em Ruben Neves, entrou e pareceu em perfeitas condições. Temos aqui identificado quatro jogadores nucleares neste arranque do FCPorto: Aboubakar, Brahimi, Ruben e André. Sendo assim, no mesmo dia do 'clássico da tv a preto e branco', contra o crónico aspirante a quarto grande, 'poupámos' um deles. Faz sentido? Este é o ponto da rotatividade.
5. Por falar em Ruben Neves, se não há noção no banco sobre a importância relativa dos embates, seria proveitoso que houvesse essa noção em campo. Nomeadamente sob a forma de capitão. Ficámos muito entusiasmados com a braçadeira no braço de Ruben Neves. Há uma semana pareceu simbólico. A transição para o braço de Indi fez com que parecesse aleatória. Uma total desvalorização do papel do capitão. Estando André André em campo, foi um absurdo! Este é o ponto da liderança e do portismo em campo.
6. Corona jogou mal com o Macabi e perdeu o lugar. Imbula fez apenas um jogo interessante em dois meses e tem lugar cativo. Até é dos elementos que tornam o nosso jogo mais complicado e lento. De facto há jogadores que jogam, não porque merecem, mas porque 'doyen' jogar... Este é o ponto da ingerência em assuntos técnicos.

Sendo assim e ao contrário do que já me viram aqui dizer, temo que erradamente, Lopetegui não parece ter aprendido nada desde que está no FCPorto. Isso é assustador.

Para a semana é na Madeira. Calha bem, não acham?

4 comentários:

Lápis Azul e Branco disse...


E com um árbitro apaixonado por nós...

De facto, partilho da dúvida primordial do post e creio que este próximo jogo dará em definitivo a resposta sobre se Lopetegui evoluiu (o suficiente) ou não para conseguir ganhar o campeonato sem espinhas.

Abraço portista

Do Porto com Amor

levezinho disse...

Temos melhores jogadores... o Braga tem melhor treinador... empate previsível.

Lamas disse...

Bastavam 11 Andrés... ;)

Mirone disse...

Vendemos o Cissokho com um problema dentário e devolvem-nos com um problema nos pés. Não via um jogador assim há muito tempo... que fraco. O José Angel ainda anda aí?? Nem os companheiros lhe passavam a bola nem ele a queria.

O Imbula só lhe falta um par de abanadores e uma diarreia forte para ficar igual ao Herrera. Que pastelão. O Rubén Neves não tem características de médio de transição, mas neste momento tira-lhe o lugar a brincar.

Vendo o resumo na tv até parece que demos um massacre, mas realmente fizemos um conjunto de passes ao guarda redes de 10 em 10 minutos. Só os lances do Aboubakar e Tello é que foram realmente perigosos. Se algum tivesse entrado se calhar não estávamos a ser tão duros, mas a verdade é que falta agressividade a este estilo de jogo de "Handebol" que fazemos.