segunda-feira, 29 de junho de 2015

FCPorto B-


Tenho a impressão de que o rating 'B-',  em termos de risco de crédito, é mau de mais para aplicá-lo à época do FCPorto B. Acho até que tem sido o rating grego nos últimos tempos. Pouco importa! Se pusesse no título 'B+' não aumentaria muito ao nível de rating e daria uma ideia errada à malta que, como eu, não aprecia este negócio de astrologia da Fitch, Moody's e companhia... O que pretendo dizer é que a época do FCPorto B foi medíocre. 

Para mim esta equipa deveria servir três propósitos:
1) Dar minutos a jogadores jovens da equipa A para que não percam ritmo e possam estar preparados para jogar, quando convocados;
2) Fazer evoluir os jogadores jovens, vindos da formação, na transição para o futebol profissional e eventualmente para a primeira equipa;
3) Ter um espaço para testar contratações mais arriscadas como, por exemplo, jogadores jovens, estrangeiros ou portugueses, que demonstrem potencial mas que não se afigura que estejam, a curto prazo, em condições de entrar na equipa A.

Em nenhum destes parâmetros poderei avaliar esta prestação como sequer mediana. Poucos foram os jogadores que rodaram na equipa B. Lembro-me de Ricardo, Campaña, Reyes e  Otavio. Nenhum deles teve grandes oportunidades na primeira equipa e deu-se até o absurdo de Ricardo jogar mais a extremo quando Lopetegui pensava nele como lateral. Dava até a ideia que o esquema de jogo não era o da equipa principal, o que é bizarro. Chegamos a ver a equipa só com Ivo na frente, com quatro médios, com duplo pivot, etc. O único jogador que evoluiu o suficiente para ajudar a equipa principal nestes três anos foi Carlos Eduardo. E foi por pouco tempo. É escasso...

O que me custa mais é a questão dos jogadores da formação.  Algum evoluiu? Eu diria que estão todos num patamar semelhante ao do início da época. Quatro excepções. Francisco Ramos foi o único que fez uma época interessante. Frederic também esteve globalmente bem mas já estava no seu segundo ano. Ivo teria feito melhor se não fosse aquela decisão estranha de o emprestar a um clube, sem garantir uma utilização mínima. Gonçalo também teria feito melhor não fossem as lesões e o tempo no banco da equipa principal, por causa da lesão de Jackson e da CAN. Dos mais novos, Tomás, Rafa e André Silva fizeram uma época abaixo das expectativas. David Bruno, Kadú e Leandro não parecem poder evoluir mais do que isto que demonstraram nos últimos três anos. Os outros não contam... Esperemos que estas competições internacionais de selecções nos devolvam os jogadores mais confiantes para atacar a segunda liga. É que esta equipa B tem apanhado duas gerações que têm apresentado bons resultados nas selecções jovens. Esta que está o Europeu e sobretudo a que foi ao mundial de Sub20. E no próximo ano temos uma fornada que foi campeã nacional, contra todas as expectativas. Estranho o fraco rendimento destes jogadores quando outras equipas B's fazem melhor com jogadores que são suplentes dos nossos nas selecções nacionais.
Por último, as contratações. Que dizer de Seimann, Anderson Dim, Roniel? Estes não enganam. Basta ver um jogo para dispensar. Chegámos a pedir ao júnior Ruben Macedo para jogar, quando tinha feito 90 minutos pelos sub19, menos de 24 horas antes. Luís Castro preferia isso a chamar Anderson e Roniel à titularidade! Depois temos apostas em que se percebe algum potencial mas que, passado um ano, não vale a pena continuarem a ocupar lugar de outros miúdos. Falo da dupla de desastrados Diego Carlos e Lichnovsky e dos pouco utilizados Djim, Candé e Pité. Em suma, diria que em termos de contratações e apostas em miúdos estrangeiros, este ano foi um desastre! Este ano, até jogadores estrangeiros que mostraram serviço no passado regrediram. O melhor exemplo é Victor Garcia.

Globalmente, diria que a equipa B apresentou três grandes problemas. Não encontrou 3 ou 4 jogadores que segurem a estrutura independentemente das alterações. No ano passado, tínhamos isso com uma dupla de centrais estável e com Mikel, Pedro Moreira e Tózé. Tudo o resto rodava à volta deste 'esqueleto'. Este ano isso não foi possível, logo pela instabilidade dos centrais. Jogaram muitos minutos mas jogam muito pouco. Dos outros apenas conseguimos substituir Pedro Moreira por Francisco Ramos. Não tendo esta 'espinha dorsal' da equipa, Luís Castro teria de ter um plantel mais estável. Não teve! Em Janeiro perdeu Kayembe, Tiago Rodrigues e Ivo. Por último, a qualidade. Frederic, não é Tózé nem Kayembe. Leandro não é Pedro Moreira. Não pensei que fosse possível, mas até Tiago Ferreira, que não me satisfez na época passada, é melhor que qualquer dos estrangeiros contratados. José António, com 48 anos, é melhor...

Ideias a reter deste ano:
- Apesar de não terem tido um rendimento satisfatório, a aposta em ex-juniores provou-se mais acertada do que em jovens estrangeiros desconhecidos.
- Mais uma vez, a equipa principal não utilizou jogadores da equipa B sendo Gonçalo o único exemplo e por poucos minutos.
- As mudanças de Janeiro retiraram valor a um plantel que já era fraco, resultando numa ponta final penosa.


Jogadores a manter:
- Kadu, Victor Garcia, Rafa, Mikel, Tomás, Chico Ramos, Frederic, André Silva, Gonçalo Paciência, Kayembe e Ivo
Recomendaria também a inclusão dos seguintes jovens campeões dos sub-19:
- Gudiño - que já fez a transição e que deverá ser o terceiro guarda-redes do plantel principal;
- Dupla de centrais Verdasca e Johansen - Parece-me que valem mais como dupla do que individualmente.
- Fernando Fonseca - Apesar de ter mais um ano de sub19 é um poço de energia na lateral direita. Muita esperança neste miúdo!
- Chidozie e Ruiz - Numeros 6 e 9 fundamentais no título;
- Ruben Macedo e Sérgio Ribeiro - dupla de extremos muito compatível. Ruben mais de rasgo individual e Sérgio mais de gestão de posse e finalização.

7 comentários:

Lamas disse...

Faltou a referência à Premier League internacional que eles participaram, a qual ainda trouxe mais jogos e deslocações ao longo campeonato que eles já tiveram... foi um ano estranho quando comparado com o ano ano anterior, em particular em termos de resultados cujas trajetórias foram opostas... faltou como tu dizes estabilidade e mais um exemplo disso foi a entrada tardia na equipa de André Silva e Rafa relacionada, penso eu, por questões das renovações, o que revela também alguma deficiência no planeamento inicial e a tal falta de uma estrutura base...

Anónimo disse...

Para o que deve ser pedido a um lateral não percebo como alguém pode menosprezar o David...muito certo a defender...sempre foi o lateral à direita e à esquerda que equilibra a equipa...principalmente tendo em conta a fraca qualidade dos centrais.
Lá se vai gastar não sei quantos milhões em laterais...Danilo em termos de negócio foi fraco...e em termos desportivos fez uma ultima grande época...mas nas anteriores esteve mal principalmente em termos defensivos. Pouco me importam as cavalgadas tantas vezes inconsequentes se depois não cumpre o principal papel de um lateral: defender.

prata disse...

Acho que o David é apenas isso: certinho. Prefiro isso às trapalhadas dos centrais mas, ainda assim não chega para o FCPorto. Como já tem 23 anos e está a ocupar lugar para outros com mais potencial por exemplo o miúdo do juniores.

Anónimo disse...

Gostaria de ver umas palavras dedicadas à maior esperança do futebol portista da ultima década, a jovem promessa José António, que tem vindo a confirmar ano após ano que é um valor seguro a ter em conta no futuro, sendo talvez o único titular indiscutível apesar de ser ainda muito jovem. Há alguém que me consiga explicar o inexplicável?

prata disse...

Não compreendes porque não queres. Podes não concordar e eu também não concordo. Para mim a B era só para desenvolvimento de jogadores. Para transmitir experiência há o treinador ou até os treinos com a equipa A

Anónimo disse...

Desculpa Prata mas continuo a não entender, e gostava... E se eventualmente a "justificação" fosse a transmissão de experiência, então devia ser alguém que além dessa experiência transmitisse também mística, alguém com anos de casa, emblema do clube. E para essa transmissão ser feita é necessário jogar sempre, não basta a presença no balneário e treinos? Está na cara que há algo mais por trás desta história e eu gostava de saber o quê, só para me rir porque não seria a minha opinião de associado com 35 anos de clube que me ia dar algum voto na matéria. A palhaçada é evidente neste e noutros casos, como o super fiasco que foi o projecto Visao 611.O seu responsável contratado exclusivamente para comandar esse projecto continua à frente da equipa apesar de ter "fabricado" zero jogadores para a equipa A num projecto que tinha como meta entregar à equipa A 1 ou 2 jogadores por ano a partir de 2011...

prata disse...

Concordo que esse perfil era melhor mas, mesmo assim, acho que esta figura não faz sentido. Não vejo conspiração mas antes uma má ideia. Quanto ao Luis Castro, ao regressar à B foi despromovido duas vezes visto que Lopetegui trouxe um espanhol para coordenar a formação.